↫─❀ Capítulo 01.3
Capítulo 1 Parte 3
Claude se moveu para a cabeceira da cama e ficou sobre Damian. Ele segurava o pequeno comprimido na mão, hesitando sobre como administrá-lo antes de finalmente fazer uma escolha. Se ele demorasse mais, seria engolido por aquele calor também. O desejo crescente estava se tornando insuportável.
Ele prendeu o maxilar de Damian com os dedos, forçando sua boca a abrir, e empurrou o comprimido garganta abaixo. Em seguida, apoiou a parte superior do corpo de Damian por trás, erguendo-o.
— É o supressor. Engula.
Damian contorceu o corpo, balançando a cabeça. Parecia que o comprimido havia ficado preso em sua garganta, pois ele começou a engasgar e tossir. Damian inclinou a cabeça para trás, ofegando por ar, lágrimas se formando nos cantos de seus olhos.
Sem outra opção, Claude inclinou a garrafa de água e deu um grande gole da água gelada. Ele se inclinou em direção a Damian. Pressionou seus lábios contra os do homem que se debatia e deixou a água fluir de sua boca para a de Damian.
Damian bebeu avidamente a água que Claude ofereceu. Como um filhote de pássaro recebendo comida da mãe, sua língua tremelicava e se movia, logo lambendo a própria língua de Claude com avidez. Não era nem mesmo uma sedução calculada. O movimento desajeitado e desesperado de alguém em busca de água foi o que finalmente quebrou Claude. Ele não aguentava mais.
Ele agarrou o queixo de Damian e o beijou profundamente. Os instintos de um Ômega em cio se deleitavam com o beijo voraz do Alfa. Parecia que chuva caía sobre uma paisagem árida, seu corpo inteiro saltando de alegria.
Ofegando enquanto suas línguas se enredavam desleixadamente, Damian se virou e puxou Claude para um abraço.
Suas respirações se misturavam entre lábios firmemente selados. Saliva era trocada enquanto suas línguas se entrelaçavam obscenamente. Mesmo quando um sino de alerta soava em algum lugar de sua mente nebulosa pelo calor, ele era instantaneamente silenciado no momento em que o cheiro de uma paisagem selvagem atingia seu nariz. Em seu lugar, uma voz gritava para que ele reivindicasse o Alfa diante de si.
— Me empurre agora. Se não fizer isso, vai se arrepender — Claude sussurrou roucamente quando suas línguas finalmente se separaram.
Olhos claros, azul-violeta, encaravam diretamente o homem. Submerso em uma sensação semelhante à dor, a consciência de Damian piscou de volta à vida por um momento. Ele tomou sua decisão.
Ele tinha que ter aquele homem. Uma certeza se apoderou dele: de que ele era o único que poderia molhar aquele homem que se assemelhava a uma terra árida.
— Não vou me arrepender de nada. Então… tire logo essa maldita roupa.
Ele estendeu a mão para os botões impecáveis da camisa do homem, que o irritavam há algum tempo.
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Damian se lavou em um estado de completa dissociação antes de se recolher à sua cama em uma hora avançada. No entanto, apesar do cansaço que pesava em seus membros, ele passou mais de uma hora se revirando antes de finalmente desistir e se erguer. O sono permanecia uma coisa distante e inalcançável.
Ele estendeu a mão e acendeu o abajur sobre o criado-mudo. Um brilho suave e âmbar se espalhou pelo quarto, empurrando suavemente as sombras para trás.
Apoiando-se na cabeceira, Damian fitou vagamente as cortinas pesadas que protegiam a janela. Suas pálpebras pareciam de chumbo, e uma pulsação surda e persistente latejava atrás de suas têmporas. Depois de um longo momento de imobilidade, ele alcançou o telefone sobre a mesa, seu olhar pairando sobre a tela escura.
O que devo fazer?
Ele hesitou, o polegar pairando sobre o teclado. Eventualmente, ele digitou uma sequência de números — um número gravado em sua mente, apesar de nunca ter ousado apertar o botão de chamar. Um simples toque seria tudo o que seria necessário para atravessar a distância entre eles.
Seu coração começou a martelar contra suas costelas, uma pulsação frenética e rítmica. O telefone em sua mão parecia inquietantemente pesado, como se estivesse carregado com a gravidade de seu segredo.
Agitado, Damian passou a mão pelos cabelos.
O que eu planejo fazer ao ligar para ele? Dizer que estou grávido?
Estalando a língua em irritação aguda com sua própria indecisão, ele finalmente jogou o telefone de lado. Chutou o edredom de seda para longe e se levantou, a inquietação em sua alma se recusando a ser contida.
Na manhã seguinte àquele acidente imprevisto, Damian havia despertado em um quarto frio e vazio. No momento em que a consciência retornou, os fragmentos da noite anterior voltaram em uma memória vívida e angustiante.
Estou louco. Perdi a cabeça. De todas as pessoas!
Embora o calor tivesse efetivamente desmantelado sua lógica na época, sua recordação dos eventos permanecia cruelmente nítida. Ele sabia, com uma clareza desoladora, que era o arquiteto de sua própria ruína.
Claude havia administrado o supressor. Se Damian tivesse possuído apenas um pouco mais de resistência, se tivesse esperado o remédio fazer efeito, o desastre poderia ter sido evitado. Mas ele não esperou. Ele se agarrou ao homem com um desesperero que beirava a loucura. Tendo sempre sido diligente com sua medicação no passado, ele simplesmente não havia percebido que um cio bruto e sem filtros poderia ser tão agonizantemente persuasivo.
Enquanto repetia a noite em sua mente repetidas vezes, Damian havia saído da cama em pânico.
Suas roupas noturnas estavam totalmente perdidas — o smoking era uma massa de rugas, e sua camisa estava rasgada além de qualquer conserto. Ele sentiu um lampejo passageiro de alívio ao descobrir que uma roupa nova havia sido providenciada. Mesmo em meio a tanto caos, a constatação de que o homem tinha a previsão de fazer tais arranjos oferecia um tipo vazio de conforto.
Pouco antes de fugir do quarto, Damian avistou um bilhete sobre o criado-mudo. Ele o pegou instantaneamente, aterrorizado com a possibilidade de um criado encontrá-lo e expô-lo.
Ele não havia olhado para o bilhete desde aquele dia. Ele naturalmente havia gravado as informações de contato na memória, mas passou os últimos meses se convencendo de que não passava de um lapso momentâneo, uma aventura de uma noite lamentável entre um Alfa e um Ômega.
Exceto pelo fato inconveniente de que seu parceiro era um membro proeminente da família real, era o tipo de infortúnio que poderia teoricamente acontecer com qualquer um. Foram necessários três dias de medicação pesada para que os tremores persistentes do cio finalmente desaparecessem de seu sistema depois que ele voltou para casa.
Uma vez fisicamente recuperado, Damian passou dias isolado em seu quarto, segurando a cabeça e gemendo em desespero.
Estou louco, verdadeiramente louco. Por que tinha que ser ele?!
Claude Knox. O único herdeiro da Princesa Victoria — tia-avó do próprio Damian — e o atual Duque de Enosh.
Diferente de outros membros da nobreza que preferiam o conforto da capital, Claude havia se alistado no exército e passado uma década estacionado no acidentado Extremo Oriente. Ele era um aristocrata da mais alta ordem, mas seu caminho havia sido marcado por uma robustez e um senso de dever que o distinguiam da elite mimada.
Foi o Príncipe Herdeiro quem finalmente atraiu o Duque de volta à pátria. Por anos, o Príncipe, que carregava o peso da administração da nação, identificou o Duque de Enosh como o parceiro ideal para ajudá-lo a administrar a complexa engrenagem da família real.
O Príncipe foi implacável, passando anos desgastando a resistência de Claude. Durante muito tempo, o Duque permaneceu firme, demonstrando zero interesse em retornar à vida que havia deixado para trás em Ronen.
Após anos de evasão, Claude finalmente sucumbiu à persistência do Príncipe, programando seu retorno para uma breve licença que coincidiu com o baile do Dia da Fundação Nacional.
Antes daquela noite, a conexão de Damian com o Duque era, na melhor das hipóteses, tênue. Ele havia visto o homem algumas vezes durante sua infância, e seu último encontro havia ocorrido há mais de dez anos, no funeral sombrio da Princesa Victoria.
Após o baile, parecia que Claude havia retornado ao seu posto no exterior. Foi apenas um mês atrás que a notícia veio a público: o Duque havia encerrado oficialmente sua carreira militar para aceitar a nomeação do Rei como Ministro da Defesa. Damian viu seu rosto em todos os meios de comunicação, noticiando que os dois meses de silêncio após o baile haviam sido meramente o tempo necessário para ele finalizar sua baixa militar.
A notícia de que Claude estava se estabelecendo permanentemente no país custou a Damian várias noites de sono. Ele esperou, tenso e trêmulo, por uma ligação que nunca veio. Eventualmente, conforme as semanas se passaram em silêncio e sua própria agenda se tornou um turbilhão de atividades, ele se permitiu um suspiro cauteloso de alívio. Foi apenas quando o ritmo frenético de sua vida finalmente desacelerou que ele notou a tontura persistente e o peso esmagador da fadiga. Ele foi ao hospital para um check-up simples, apenas para ter seu mundo inteiro destruído por uma única palavra.
Foi apenas uma noite. O homem nem sequer estava no cio. Damian se perguntou se a pressa imprudente, a falha em usar proteção, era a única razão para aquela catástrofe.
Damian sempre fora um homem metódico, uma pessoa que encontrava segurança em planos e previsibilidade. Agora, diante de uma situação que desafiava todas as regras pelas quais vivia, ele estava completamente perdido. Uma coisa, no entanto, permanecia certa: ele não podia contar a seus pais.
Se seu pai Alfa algum dia descobrisse a verdade, as consequências seriam catastróficas. E seu pai Ômega? Por trás daquela beleza lendária, escondia-se um homem de princípios inegociáveis e valores tradicionais; a mera ideia de sua reação fazia o sangue de Damian gelar.
Damian estremeceu, envolvendo os braços em torno de si mesmo como se para se proteger de um frio.
Preciso esconder isso. Custe o que custar.
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Fim do Volume 1
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello