𧬠CapĆtulo 14
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ParaĆso dos tolos (14)
Seokhwa sacudiu a cabeƧa como se tivesse um espasmo. Enquanto recordava as cenas passadas, seu corpo ficou de novo encharcado de suor frio. Com o tempo, os olhos inquietos foram se estabilizando e mergulhando fundo.
Poderia investigar o Jardim do Ćden pela Mother, mas nĆ£o havia garantia de que o registro de consulta nĆ£o fosse reportado Ć cĆŗpula. Lee Yeontae jĆ” nĆ£o tinha demonstrado atitude suspeita? Podia contar tudo Ć cĆŗpula, mas ele nĆ£o queria. Porque surgiu uma dĆŗvida. Junto com a suspeita de que quem assassinou o doutor Oh Yangseok pudesse estar dentro daquele abrigo.
Ele achava que bastava pesquisar vacinas e mutaƧƵes, mas se sentia arrastado por um redemoinho estranho.
O que era o Jardim do Ćden, e o que os rebeldes estavam pensando? Melhor ignorar tudo e se dedicar só Ć pesquisa de vacinas? Ele nĆ£o era diferente da Mother. Afinal, sempre agia apenas conforme as ordens de cima. Mas ele tinha experimentado o medo na pele.
Seokhwa abriu as duas mĆ£os e olhou para elas. Por causa do próprio suor, a cor do seixo que segurava tinha escurecido. Só naquele dia sete militares tinham morrido. Ele estava seguro no abrigo, mas as pessoas e os militares lĆ” fora nĆ£o. Deviam viver 24 horas por dia em angĆŗstia, era um milagre nĆ£o terem colapso nervoso. Mais importante que a vacina era o tratamento. Provavelmente o doutor Oh Yangseok jĆ” viveu tudo isso antes deleā¦
Por que os Adam atacam seres vivos?
Seokhwa dava a esse fato o maior peso, e lembrava tambĆ©m de quando disse isso a Oh Yangseok. Os resultados obtidos atĆ© entĆ£o eram muito simples: o vĆrus Adam era um germe infeccioso que, como uma gripe, se fixa em um organismo saudĆ”vel e provoca infecção.
“Doutor Seok, entĆ£o nĆ£o seria que estamos ignorando o mais importante?”
Foi antes de ele descer para Jeju. Oh Yangseok, lamentando, segurou sua mão com as mãos enrugadas. Seokhwa apertou de novo a pedra e se levantou de um salto da cama.
ā DoenƧa.
O vĆrus Adam Ć© uma doenƧa que deve ser tratĆ”vel. NĆ£o existe no mundo doenƧa incurĆ”vel. A questĆ£o Ć© apenas quando o tratamento serĆ” desenvolvido. Seokhwa estudou diversos vĆrus no centro de aprendizagem de Jeju, muito tempo atrĆ”s.
MERS, gripe suĆna e, muito antes disso, a peste negra. Entre inĆŗmeros vĆrus, havia muitos para os quais nĆ£o se desenvolveu tratamento. As farmacĆŖuticas tinham forma capitalista, entĆ£o focaram em vacinas e tratamentos que davam lucro. E costumam interromper o desenvolvimento de remĆ©dios que nĆ£o davam dinheiro. A própria Adam S.A. tinha espalhado o vĆrus que criou para salvar uma empresa em falĆŖncia.
E a Rainbow City de hoje?
“A prosperidade acabou, a humanidade decaiu, e quem hoje suga o sangue do povo para encher os próprios bolsos Ć© a alta cĆŗpula da Rainbow City! Eles nĆ£o desejam mudanƧa e usam os Adam para satisfazer seus interesses egoĆstas!”
NĆ£o era que ele concordasse com a ideologia dos rebeldes. Apenas surgiu uma dĆŗvida. E dĆŗvidas, se esclarecidas, acabam. Mas o bloqueio da consulta aos registros de casos da polĆcia militar tinha funcionado como catalisador. Seokhwa, com a cabeƧa complicada, deitou-se no chĆ£o. O sono nĆ£o vinha fĆ”cil.
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ā Hyung, hoje o mercado nĆ£o vai abrir.
O irmão voltou com o pote de arroz vazio. As mãos que abraçavam o pote pareciam brotos de samambaia.
ā Nem choveu, entĆ£o quase nĆ£o tem Ć”gua pra beber, e agora, hyung?
ā Pois Ć©, quem mandou vocĆŖ comer tanto.
Kwak Soohwan o repreendeu e lhe entregou a garrafa de Ôgua que reservou para si. Dessa vez o irmão disse que ia economizar, pÓs a Ôgua na boca, apenas molhou os lÔbios e cuspiu de volta para dentro da garrafa.
ā E o papai?
ā EstĆ” lĆ” no quarto. Se quiser, vai ver.
ā Melhor nĆ£o ver. E a mamĆ£e?
ā Ela tambĆ©m estĆ” no quarto com o papai.
ā Ahā¦
Deixando escapar um “que pena”, o irmĆ£o olhou pela varanda.
[Ao inferno! Que caia a Rainbow City! A salvação estÔ chegando! Crentes, ao salão Hwaseon!]
Viam-se os carros embaixo do prĆ©dio caindo aos pedaƧos e as letras vermelhas escritas com sangue no chĆ£o. Onde eles estavam nĆ£o era uma Ć”rea pertencente Ć Rainbow City. Ainda assim, abriam o mercado a cada quatro dias e recrutavam militares entre os voluntĆ”rios. Os hyungs que moravam ao lado tambĆ©m se alistaram alguns meses antes e atĆ© agora nĆ£o havia notĆcias. As pessoas diziam que aqueles hyungs jĆ” deviam ter morrido de qualquer jeito.
Os pais dos irmãos Kwak também eram cidadãos de Rainbow City. O pai e a mãe trabalhavam no abrigo, e como tinham casa na zona verde segura, faziam o trajeto diariamente. Mas na Rainbow City, sob o pretexto de cuidado com os cidadãos, era preciso autorização para ter filhos.
Kwak Soohwan era uma crianƧa nĆ£o autorizada, e o irmĆ£o de Kwak Soohwan tambĆ©m. Por isso os pais criavam os filhos numa Ć”rea excluĆda da Rainbow City. NĆ£o estar sob proteção da cidade nĆ£o significava que os Adam dominassem tudo. Eles tambĆ©m tinham sua própria forƧa, e existiam mercenĆ”rios formados por civis comuns, ainda que improvisados. Mas, quando eles ganhavam forƧa alĆ©m de certo ponto, a Rainbow City os marcava como rebeldes.
Os pais vinham ver os irmãos Kwak uma vez por semana, mas dessa vez não puderam voltar e acabaram isolados no quarto lÔ dentro. Além disso, não podia vazar para fora que os pais estavam ali. Kwak Soohwan abriu o armÔrio e conferiu as conservas e os remédios que restavam.
ā Vou sair, entĆ£o fica quietinho em casa. Mesmo que o vizinho peƧa pra abrir a porta, nĆ£o abre. Entendeu?
ā Por quĆŖ, aonde vocĆŖ vai de novo?
O irmão seguia o hyung por toda parte. Kwak Soohwan colocou na mão dele um dos poucos comprimidos restantes.
ā Toma com o resto da salsicha em conserva. NĆ£o esquece.
ā TĆ”.
O irmĆ£o sofria da sĆndrome de Wiskott-Aldrich. Vivia sempre com sintomas de doenƧa autoimune, e como tinha poucas plaquetas, o sangue nĆ£o estancava facilmente quando se feria. AtĆ© entĆ£o dependia de remĆ©dios que elevavam o sistema imunológico, mas as farmacĆŖuticas da Rainbow City avisaram que nĆ£o forneceriam mais o medicamento, alegando preƧo baixo. Ainda assim, com dinheiro nĆ£o era tĆ£o difĆcil conseguir. Os pais de Kwak Soohwan, atravĆ©s de um intermediĆ”rio, desviavam o remĆ©dio da farmacĆŖutica pagando certa quantia, e assim o irmĆ£o conseguia sobreviver.
Kwak Soohwan tinha apenas quatorze anos, mas, embora não se alimentasse bem, era mais desenvolvido que as outras crianças da idade. Por isso os moradores do bairro faziam fofoca dizendo que só o irmão mais velho devia estar comendo escondido alguma coisa boa. Não estavam completamente errados. Kwak Soohwan saqueava sozinho os mercados da zona vermelha.
Kwak Soohwan gostava da zona vermelha, que todos temiam. Sobretudo os lugares que despencaram de verde para vermelho de uma vez tinham muita comida. Naquele dia, por sorte, era noite de lua cheia. Kwak Soohwan desceu a escada e bateu na porta do apartamento do terceiro andar, onde morava o ahjussi caolho.
O ahjussi caolho e manco era famoso por fazer a ponte com os intermediÔrios da Rainbow City. Com os pais naquela situação, não havia outro jeito senão ele mesmo providenciar o remédio do irmão. Com cara feroz, o caolho abriu a porta irritado.
ā O que Ć©?
ā Ahjussi, meu pai disse que, se por acaso a gente nĆ£o conseguisse contato com ele, era pra pedir ao senhor o remĆ©dio do meu irmĆ£o.
O caolho franziu bastante a testa, mas tambƩm se lembrou do que tinha ouvido antes. Que, se aquele casal ficasse um tempo sem contato, ele conseguisse o remƩdio da crianƧa no lugar deles.
ā E o dinheiro?
Kwak Soohwan tirou a moeda corrente em Rainbow City. Havia sete tipos de cĆ©dulas, e sete cores. Entre elas, a verde era a de maior valor. Quando ele estendeu a cĆ©dula com o arco-Ćris todo desenhado em verde, o caolho aproximou uma lupa do olho bom e verificou a autenticidade.
ā Eu trago depois de amanhĆ£, entĆ£o espera.
ā Sem falta, hein.
Ignorando as palavras de Kwak Soohwan, o caolho fechou a porta com brutalidade.
ā Um zĆ©-ninguĆ©m que fica se achando e fazendo cara feia, porra.
Kwak Soohwan cuspiu na porta fechada. Descendo atƩ o tƩrreo, encontrou o carro dos pais e, com uma habilidade ainda imatura, assumiu o volante. Assim que ligou o rƔdio e obteve informaƧƵes sobre as Ɣreas designadas como zona vermelha, pisou no acelerador.
Kwak Soohwan sabia o que era mais assustador que os Adam. Era a fome. Claro que raramente se deparava diretamente com Adam. Kwak Soohwan parava o carro antes mesmo de chegar à fronteira da zona vermelha e entrava correndo por um atalho. Por sorte o mercado não ficava longe dali. Verificou os arredores para conferir se havia Adam e correu imediatamente até o mercado. Devia ter sido Ôrea de gente importante por um tempo, porque no mercado havia até produtos frescos que não se viam com frequência. Claro que os de validade curta jÔ estavam podres.
Como sacolas plĆ”sticas fariam barulho, ele abriu o zĆper da mochila e foi guardando as conservas. Os industrializados eram em geral latas de longa validade e, claro, nĆ£o tinham gosto. Kwak Soohwan foi ganancioso e enfiou comida atĆ© o zĆper da mochila nĆ£o fechar. Ao ver Ć”gua mineral de Jeju, abriu a tampa e bebeu em goles fartos. Fazia muito tempo que nĆ£o bebia Ć”gua limpa, sem impurezas. E por Ćŗltimo viu ovos e enfiou uma bandeja inteira.
Na outra mochila colocou o mais importante: Ôgua em grande quantidade. Só o que havia nas duas mochilas devia pesar uns trinta quilos. Seria pesado demais para um garoto de quatorze anos, mas Kwak Soohwan só desejava ter mais mãos. Aquele peso não era nada.
Vasculhou a prateleira de medicamentos num canto do mercado, mas não encontrou o remédio que o irmão precisava tomar. Kwak Soohwan olhou ao redor e voltou a correr, tendo como companhia o caminho bem iluminado pelo luar. O tilintar das latas batendo na mochila lhe gelou a espinha, mas por sorte nenhum Adam apareceu. Respirou fundo uma vez e apressou os passos rumo ao carro estacionado.
ā Droga.
Assim que avistou o carro, Kwak Soohwan xingou baixinho. Os militares que tinham saĆdo do posto de controle acharam o carro estacionado. Eles iluminavam o interior com lanternas e comeƧaram a revistar. Kwak Soohwan nĆ£o teve escolha senĆ£o seguir a pĆ©. Era um lugar a trinta minutos de carro, correndo e andando, levaria pelo menos meio dia.
Kwak Soohwan começou a correr sem parar, com o irmão deixado sozinho martelando em sua cabeça. Sentia a mochila ficar aos poucos mais pesada, mas isso não alterava o ritmo do seu coração. Kwak Soohwan sentia vagamente, desde pequeno, que era um pouco diferente das outras pessoas.
NĆ£o conseguia empatizar com um “estĆ” cansado?”, e a um “estĆ” pesado?” sentia, ao contrĆ”rio, leveza. O garoto subiu de um fĆ“lego só atĆ© o dĆ©cimo andar do prĆ©dio, cujo elevador nĆ£o funcionava, e bateu Ć porta.
Toc, toc, toc.
O sol da manhã jÔ tinha nascido, então não havia como o irmão estar dormindo. Kwak Soohwan girou a maçaneta uma vez. Estava trancada, então só se ouviu o chacoalhar.
Toc, toc. Bateu de novo. Sentiu algo morno e Ćŗmido pingando Ć s suas costas. Restos de ovos quebrados escorriam de dentro da mochila para fora.
Jihwan, o hyung chegou.
Abriu a boca, mas a voz nĆ£o saĆa. Ele cerrava o punho e voltava a bater na porta quandoā¦
[Toc, toc⦠toc, toc, toc.]
ā !
Kwak Soohwan, que dormia, abriu os olhos.
Ele franziu levemente a testa e olhou na direção de onde vinha o som. Como tinha o sono leve, não havia como ter acordado por ter ouvido coisas. Olhando o relógio de mesa, os ponteiros marcavam cinco da manhã. Passou a mão grande pelo rosto e ergueu o corpo da cama. As molas velhas rangeram como suas memórias.
Toc, toc. O som da batida veio de novo, mas não parecia um som de mão. Era uma batida mais surda, com menos ressonância. Ele abriu a garrafa de Ôgua e bebeu direto do gargalo enquanto ia até a porta. Abriu sem nem conferir quem era e viu um homem de estatura menor que a sua.
ā Doutor Seok?
Ele tem sonambulismo? São só cinco da manhã e ele bate na porta dos outros?
Seokhwa fez uma reverência e estendeu a palma da mão, oferecendo-lhe algo.
ā O que Ć© isso?
Era uma pedra molhada, como se tivesse sido lavada. Pensando bem, ele devia ter batido na porta com aquela pedra.
ā Ć uma pedra com umidade, vou dar pro major Kwak Soohwan.
ā O quĆŖ?
ā Pega.
E isso agora⦠Kwak Soohwan, jĆ” de mau humor por causa do sonho ruim, ficou incrĆ©dulo ao ver Seokhwa fazendo coisas incompreensĆveis.
Ele segurou a maçaneta e, com a porta aberta, inclinou o corpo em direção a Seokhwa.
ā Quem gosta de pedra Ć© o doutor Seok, nĆ£o eu, nĆ©?
ā Ć que eu nĆ£o consegui⦠agradecer.
Ele acordou uma pessoa Ć s cinco da manhĆ£ só para agradecer? Kwak Soohwan constatou de vez que a sociabilidade de Seokhwa era baixĆssima.
ā Se for pra agradecer, traz bebida ou cigarro. Vou fechar a porta.
Quando ia fechar, Seokhwa deu um passo Ć frente. Devia ter saĆdo do banho, porque o cabelo parecia mais macio que o normal. E o perfume que subiu dali era muito bom.
ā O que foi?
ā Posso entrar?
Talvez por não esperar que a pedra fosse recusada, parecia de algum modo desanimado. Claro, ele continuava sem expressão, então podia ser impressão de Kwak Soohwan.
ā Por quĆŖ?
ā Por acaso⦠o major Kwak Soohwan sabe quem me sequestrou?
O resto do sono de Kwak Soohwan, jÔ espantado, agora sumia até para fora de Rainbow City. Ele apontou o queixo para dentro. Só soltou a maçaneta depois que Seokhwa entrou.
Seokhwa olhou para a porta que se fechava e se voltou para ele.
ā Nem eu sei com precisĆ£o quem sequestrou o doutor Seok.
ā Ć mesmo?
ā E o senhor doutor sabe?
ā Acho que sei.
Seokhwa respondeu prontamente, sem hesitar. Kwak Soohwan bebeu Ɣgua de novo e cruzou os braƧos segurando a garrafa.
ā Mas por que nĆ£o contou ao Lee Yeontae?
ā Porque nĆ£o Ć© certeza. A pessoa que feriu a perna da major Lee Chaeyoon deve ser quem me sequestrou, nĆ£o Ć©?
ā Deve ser.
ā Explicar o encadeamento dos fatos ao tenente-general Lee Yeontae exigiria uma compreensĆ£o que ainda me falta, entĆ£o passei a madrugada organizando as ideias. Pelo visto, os rebeldes que me sequestraram⦠parecem ser a nova religiĆ£o Jardim do Ćden. E parecem estar ligados ao assassinato do doutor Oh Yangseok.
Seokhwa, por incrĆvel que pareƧa, olhava fixamente para Kwak Soohwan enquanto falava. As pupilas lĆmpidas, sem aquela habitual expressĆ£o aĆ©rea, eram nĆtidas como cristal. Bem, diamante e cristal, no fim das contas, tambĆ©m sĆ£o pedras.
Kwak Soohwan pousou a garrafa e se aproximou devagar de Seokhwa. Seokhwa ficou parado ali mesmo e ergueu os olhos para ele. ZĆ”s ā a uma distĆ¢ncia em que os corpos quase se tocavam, Kwak Soohwan aproximou ainda mais o rosto. Era como se, inclinando um pouco mais a cabeƧa, fosse beijĆ”-lo.
ā Doutor Seokhwa.
Kwak Soohwan soltou a voz ainda mais rouca que o normal e sacudiu uma vez o olhar gƩlido.
ā VocĆŖ quer aprontar comigo agora, Ć©?
Ele sorriu de canto.
ā Aprontar o quĆŖ?
ā NĆ£o me diga que foi por esse motivo que vocĆŖ veio me procurar a essa hora da madrugada.
ā Foi por esse motivo mesmo.
Seokhwa achava que Kwak Soohwan estava tentando desviar do assunto.
Ele jÔ brincava sobre esperma e outras coisas antes, mas o homem que abriu a porta e o encarou era estranho. Mais do que irritação por ter sido acordado, aquele ar frio e inexpressivo parecia mais próximo do verdadeiro Kwak Soohwan. Ele não conseguia entender o homem diante dele tanto quanto não conseguia entender o sequestrador sem rosto.
ā Jardim do Ćden, foi vocĆŖ quem mencionou primeiro pra mim.
Só então Kwak Soohwan puxou uma cadeira e a colocou diante de Seokhwa. E se sentou na outra com o encosto para frente, pernas abertas. Apoiou o braço no encosto e lançou a Seokhwa um olhar mandando que se sentasse.
ā Hoje o sequestrador me disse que pertence ao Jardim do Ćden. E tambĆ©m disse que a Rainbow City estĆ” podre e que o guardiĆ£o dessa cidade podre Ć© o major Kwak Soohwan.
Uma das sobrancelhas de Kwak Soohwan se torceu, desagradada.
ā E eu tambĆ©m ouvi o testamento do doutor Oh Yangseok.
Ele abriu os lƔbios fechados, parecendo querer cortar sua fala. Por isso ele continuou mais rƔpido:
ā Mas tem algo estranho.
ā E o conteĆŗdo do testamento?
ā Como veio logo um disparo, nĆ£o sei bem. A parte anterior era mais ou menos que ele nĆ£o conseguia contato comigo em Jeju.
ā EntĆ£o Ć© só reportar isso ao tenente-general Lee Yeontae amanhĆ£.
Quando Kwak Soohwan se levantava dizendo que não precisava ouvir mais, Seokhwa agarrou primeiro seu pulso.
ā O sequestrador disse que era do Jardim do Ćden⦠Serpente.
Um calor abrasador, como se ele tivesse engolido fogo, se transmitiu da mão de Seokhwa.
ā Serpente?
ā Sim. Mas o estranho Ć©ā¦
Seokhwa hesitou por um instante, pensando se podia expor sua dúvida a Kwak Soohwan. Mas jÔ tinha pensado o suficiente. O tal Serpente disse para não confiar em Kwak Soohwan, mas, para começar, ele não tinha grande confiança nele.
ā Ele disse a si mesmo que era Serpente?
Cada um pensava numa coisa, e Kwak Soohwan foi quem lanƧou a pergunta primeiro.
ā Isso.
ā E o que mais Ć© estranho?
ā Ć estranho que eles tenham em mĆ£os a mensagem que o doutor Oh Yangseok deixou para mim. Ele mesmo me disse que rebeldes teriam dificuldade atĆ© de se aproximar do abrigo. EntĆ£o como conseguiram essa mensagem? E ainda por cima uma gravação feita imediatamente antes de o doutor Oh Yangseok ser assassinado.
Enquanto ouvia Seokhwa, um sorriso foi se espalhando pelo rosto de Kwak Soohwan. Ele achava que ele era brilhante só na pesquisa, mas, se tivesse preparo fĆsico, seria um ótimo investigador da polĆcia militar. Mas Kwak Soohwan mostrou uma reação displicente, como se nĆ£o tivesse interesse algum. O que preenchia sua cabeƧa naquele momento era o Serpente.
ā Por que estĆ” me contando a verdade antes de contar ao Lee Yeontae?
ā Porque quero ajuda.
Foi direto ao ponto de novo.
ā Meu acesso aos registros de casos da polĆcia militar foi bloqueado.
ā Deve ser falta de nĆvel.
ā Eu podia consultar atĆ© documentos de nĆvel 2, mas agora atĆ© o meu nĆvel estĆ” classificado como confidencial.
Provavelmente a cúpula tinha bloqueado com medo de que Seokhwa desenvolvesse tendências rebeldes. Kwak Soohwan apenas supÓs, mais ou menos.
ā E daĆ?
ā HĆ” materiais que gostaria de consultar sobre o assassinato do doutor Oh Yangseok, por acaso o major Kwak tem acesso a documentos de nĆvel 2?
ā Que isso, o que vocĆŖ acha que eu sou?
Seokhwa fez uma cara de “eu imaginava”. Para um major, atĆ© documentos de nĆvel 3 seriam difĆceis.
ā Eu tenho acesso atĆ© o nĆvel 1.
O entrecenho de Seokhwa, antes sem expressĆ£o, se franziu visivelmente. Como assim ele podia consultar atĆ© nĆvel 1, se ele mal conseguia ver nĆvel 2? Era mais ou menos isso que transparecia. Doutor Seok, ficou com o orgulho ferido, Ć©?
ā Eu te dou dinheiro, me deixa ver os materiais.
Pelo visto, mais importante que o orgulho era a resposta Ć s suas dĆŗvidas. Kwak Soohwan riu, soltando um som na garganta.
ā Eu posso deixar vocĆŖ ver. E nem precisa de dinheiro.
Seokhwa se levantou da cadeira e falou com a voz animada:
ā SĆ©rio? Muito obriā¦
ā Se vocĆŖ transar comigo.
ā ā¦Como?
O vinco no entrecenho ficou ainda mais profundo do que antes.
ā VocĆŖ ainda ganha o esperma, que ótimo.
Esperma⦠Seokhwa murmurou, olhou para o computador, depois para a pedra na mão e enfim ergueu a cabeça para Kwak Soohwan.
ā Dinheiro eu nĆ£o quero, se nĆ£o quiser, tudo bem.
Kwak Soohwan apoiou o queixo no braƧo que descansava sobre o encosto. Desde antes havia bastante brincadeira ali. Surgiu-lhe o impulso de arremessar uma pedra naquela cara que ria como se aquilo fosse brincadeira, mas ele se conteve.
ā NĆ£o Ć© a ponto de eu dormir com vocĆŖ.
Seokhwa girou o corpo e tentou sair. Mas os passos estavam pesados. Não lhe ocorria ninguém além de Kwak Soohwan a quem pedir.
ā Tchau, doutor.
Como ele ainda acenava com a mão, Seokhwa encheu bem o peito de ar e falou:
ā NĆ£o pode ser outra coisa que nĆ£o isso?
ā O que Ć© que vocĆŖ quer tanto saber?
ā Quero saber com certeza como o doutor Oh Yangseok morreu.
ā Mas nĆ£o a ponto de transar comigo, pelo visto.
Ele estava perguntando: “O Oh Yangseok vale só isso pra vocĆŖ?”. Seokhwa, cada vez mais irritado com aquelas alfinetadas, aproximou-se em passadas largas.
ā VocĆŖ disse que seu órgĆ£o genital nĆ£o fica ereto. EntĆ£o como pretende transar?
ā Ah, Ć© assim entĆ£o. E se ficar duro agora?
Kwak Soohwan baixou apenas o olhar e apontou para a própria cintura.
ā Vamos negociar.
Diante da resposta inesperada, Kwak Soohwan arregalou os olhos. AtĆ© a palavra “negociar” saindo da boca do doutor Seok, hein.
ā Transar agora Ć© difĆcil, mas beijo Ć© possĆvel.
Pronto. Seokhwa ergueu a cabeça com os olhos bem abertos. Ao menos os olhos ele não devia fechar? Kwak Soohwan também não avançou, ficou parado.
ā Quem pediu o favor foi o doutor Seok, por que eu que tenho que fazer? VocĆŖ Ć© que tem que vir primeiro.
ā Eu falei que te dava dinheiro.
ā Eu tenho muito dinheiro. Deve ter um monte de notas de todas as cores naquela gaveta.
Piscando as pĆ”lpebras, Seokhwa pousou as duas mĆ£os nos ombros de Kwak Soohwan. Teve a ilusĆ£o de que o calor abrasador das palmas se espalhava dos ombros por todo o corpo. TĆ£o quente assim, serĆ” que os neurĆ“nios dele nĆ£o morrem? Kwak Soohwan baixou um pouco a cabeƧa, como quem diz “vamos, tente”. Viu o pomo de adĆ£o de Seokhwa se mover. Por que alguĆ©m que jĆ” teve namorados fica tĆ£o tenso? Como ele se aproximava a um centĆmetro por minuto, ele quase se adiantou e abaixou a cabeƧa de tanta ansiedade. Estreitando os olhos risonhos, esperou Seokhwa se aproximar e voltou a pensar no Serpente.
Serpente, pelo que se sabia, designava a alta cĆŗpula do Jardim do Ćden, e era difĆcil acreditar que ele tivesse agido pessoalmente. Ou entĆ£o era alguĆ©m tĆ£o confiante na própria habilidade a ponto de se expor na linha de frente.
ā Major Kwak Soohwan.
ā HĆ£?
ā AtĆ© onde Ć© conversa fiada e atĆ© onde Ć© verdade?
Perguntando o que era aquilo de repente, ele olhou fundo nos olhos de Seokhwa, agora bem próximos.
ā VocĆŖ nĆ£o quer mesmo transar comigo, nem me beijar, quer?
Sempre com aquele olhar aƩreo, mas era rƔpido para perceber as coisas.
ā Que isso, se tiver oportunidade, eu quero fazer tudo, Ć© claro.
Kwak Soohwan puxou de repente a cintura de Seokhwa, que ia se afastar. Seokhwa empurrou depressa seu peito, então os troncos se separaram, mas as cinturas dos dois se colaram profundamente. Kwak Soohwan apertou de propósito a cintura que abraçava para que ficassem ainda mais colados.
ā Abre a boca.
Ainda assim Seokhwa manteve os lĆ”bios firmemente fechados e apenas ergueu a cabeƧa. Estava todo ressecado, e só os lĆ”bios eram cheinhos ā o que, Ć sua maneira, dava uma sensação estranha.
Kwak Soohwan inclinou a cabeƧa de lado e pressionou com forƧa os lĆ”bios contra os de Seokhwa. Quando enfiou a lĆngua tentando entrar pela boca, ele estava cerrando os dentes. Lambendo a arcada dentĆ”ria com a lĆngua, mordiscou de leve o lĆ”bio inferior e soltou, entĆ£o escapou dele um “ah”. Sem perder a brecha, segurou-lhe a nuca e colou os lĆ”bios com profundidade. Diante da textura dos lĆ”bios cheinhos contra os seus, veio-lhe o impulso de mordĆŖ-los mais. A lĆngua tensa de Seokhwa nĆ£o sabia o que fazer lĆ” dentro e tremia intermitentemente, e Kwak Soohwan enlaƧava a lĆngua que fugia dele e a sugava com forƧa.
Haa, quando Seokhwa afastou os lÔbios por falta de ar, ele o perseguiu e o devorou de novo. Seokhwa fugiu novamente para respirar, e Kwak Soohwan não era de deixar escapar. Com isso, os lÔbios e o queixo ficaram úmidos de saliva. Isso é que era beijo? Seokhwa nunca tinha experimentado nada assim.
Seokhwa limpou os próprios lĆ”bios com o dorso da mĆ£o. A cintura ainda estava presa por ele, e ele nĆ£o conseguia recuar. Como a saliva nĆ£o saĆa por completo, ele ia esfregar de novo com o dorso da mĆ£o quando os lĆ”bios dele se aproximaram. Ficou paralisado achando que ele fosse beijĆ”-lo outra vez, mas ele apenas pĆ“s na boca o seixo que segurava.
Seokhwa olhou para Kwak Soohwan, surpreso. Ele nĆ£o era um militar capaz de mastigar pedra, mas Kwak Soohwan rolava o seixo na boca como quem saboreia. Ugh! E entĆ£o segurou a bochecha de Seokhwa e passou o seixo para dentro de sua boca. Como ele o carregava havia muito tempo, estava liso pelo desgaste e nĆ£o tinha aspereza, mas era a primeira vez que ele o provava. Era literalmente sem gosto nenhum. Seokhwa esticou a lĆngua e cuspiu o seixo na palma da mĆ£o.
ZĆ”s, Kwak Soohwan empurrou o rosto por baixo e o beijou, fazendo-o inclinar de novo a cabeƧa para trĆ”s. Mordiscando o lĆ”bio superior e o inferior, os cantos da boca ficaram todos ardidos. JĆ” chega ā Seokhwa tapou os lĆ”bios com a mĆ£o e empurrou tambĆ©m o rosto dele. Quando ele lambeu sua palma com a lĆngua, a mĆ£o se encolheu de cócegas.
ā VocĆŖ Ć© mais gostoso que a pedra.
Só então Kwak Soohwan o soltou dos braços. Ele ligou o computador e voltou, os lÔbios ainda estavam úmidos.
ā Mother, solicito autorização de acesso, code number 3121.
[Verificação de voz concluĆda. Acesso do senhor Kwak Soohwan, code 3121, autorizado. Consulta permitida atĆ© documentos confidenciais de nĆvel 1.]
Seokhwa, com a pedra úmida na mão, ficou com o olhar embotado e logo se recompÓs. Não era hora de ficar imerso nas sensações do beijo, e ele nem queria pensar naquilo como uma sensação. Foi até o computador e começou a digitar, sem nem se sentar na cadeira.
Como previa, os registros de casos da polĆcia militar eram quase todos de nĆvel 2. Logo encontrou o caso do doutor Oh Yangseok e teve que constatar que, de qualquer forma, nĆ£o teria conseguido vĆŖ-lo com seu nĆvel.
O caso do assassinato do doutor Oh Yangseok estava classificado como confidencial nĆvel 1. Quando ele tentou abrir o documento, uma voz seca saiu pelo alto-falante.
[Documentos confidenciais nĆvel 1 dos registros da polĆcia militar sĆ£o acessados por reconhecimento de voz.]
ā O que vocĆŖ quer saber?
Kwak Soohwan, que observava de braƧos cruzados, falou.
ā Como eu disse, o caso do assassinato do doutor Oh Yangseok.
De repente Kwak Soohwan pegou o relógio de mesa e o colocou diante de Seokhwa. E então mostrou dois dedos esticados. Como fez um V, ele se perguntou o que significava.
ā Mother, exiba na tela o registro do caso do assassinato do doutor Oh Yangseok.
[Carregando. Prosseguindo.]
No monitor surgiu um arquivo em formato de pĆ”ginas virĆ”veis, e na primeira pĆ”gina estava o tĆtulo “Registro do caso do assassinato de Oh Yangseok (em andamento)”. Seokhwa abriu rapidamente o documento confidencial e comeƧou a ler.
Que um projétil calibre 9mm de uma Beretta M92F atravessou o coração e causou a morte imediata era idêntico ao que ele jÔ tinha. A hora estimada da morte também constava como cerca de cinco da manhã, e as imagens de CFTV constavam como irrecuperÔveis. Havia também fotos do corpo do doutor Oh Yangseok, mas essas ele não conseguiu olhar em detalhe. Ainda assim, foi gravado o registro na memória com cuidado.
[O responsĆ”vel pelo assassinato do doutor Oh Yangseok estĆ” sendo rastreado, e suspeita-se de ação externa, nĆ£o interna. Considera-se que haja pessoal do abrigo subornado, e rastreiam-se os passos de diversos rebeldes. A missĆ£o de investigação foi atribuĆda ao 2Āŗ pelotĆ£o da polĆcia militar e ao major Kwak Soohwan.]
ā Encerrar o acesso.
[Encerrando acesso.]
Seokhwa se virou de repente e olhou para ele, incrƩdulo.
ā Eu ainda estava lendo.
ā O valor da negociação vai atĆ© aqui.
Kwak Soohwan mostrou de novo o indicador e o mƩdio esticados.
ā O tempo que a gente se beijou tambĆ©m foi de dois minutos, ver mais que isso Ć© prejuĆzo demais pra mim.
Ele nem tinha conseguido ver direito a parte final⦠NĆ£o, mais que isso, o que o incomodava era que Kwak Soohwan estivesse incluĆdo entre os encarregados da investigação do assassinato de Oh Yangseok.
ā Quer ver mais? EntĆ£o vai precisar de algo alĆ©m do beijo.
Seokhwa falou com dureza para aquela cara que sorria largamente:
ā NĆ£o, obrigado, jĆ” vi o suficiente.
Ele disse que então voltaria a dormir e molhou de novo a garganta com Ôgua. Olhando com desagrado para as costas dele, Seokhwa se aproximou da cama.
ā Nem precisava consultar os documentos desde o comeƧo. Afinal, quem investiga o caso do assassinato do doutor Oh Yangseok Ć© o major Kwak Soohwan. E o Jardim do Ćden tambĆ©m⦠O major Kwak Soohwan nĆ£o negou. Que o doutor pode ter morrido por atrito com a cĆŗpula. Mas ali no registro estĆ£o investigando como se tivessem concluĆdo que foi ação externa.
Irritado, Seokhwa despejou palavras longas e rÔpidas. Kwak Soohwan estava com os dois braços atrÔs da cabeça, de olhos fechados, virado para o teto. Parecia decidido a não dizer mais nada.
ā VocĆŖ nĆ£o tem nada a me dizer?
ā Ć exatamente o que o doutor Seok viu, e eu tambĆ©m nĆ£o sei ao certo quem Ć© o culpado. E por que se preocupar com coisas inĆŗteis? O doutor Seok Ć© pesquisador, nĆ£o Ć© da polĆcia militar.
Diante daquelas palavras cheias de riso, Seokhwa subiu de repente sobre o corpo dele. Kwak Soohwan só então abriu os olhos, atÓnito.
ā Euā¦
Seokhwa ia dizer algo, hesitou e agarrou com forƧa a camisa de Kwak Soohwan com as duas mĆ£os. Olhando de baixo para cima, a linha do queixo dele era lisa. Havia razĆ£o para Lee Chaeyoon viver dizendo que o doutor Seokhwa era bonito. AliĆ”s, só pela aparĆŖncia, ele correspondia perfeitamente ao gosto de Kwak Soohwan. Mas era só atĆ© aĆ. Para Kwak Soohwan, o mais importante era com que ideias Seokhwa agia.
ā Eu⦠nasci e cresci em Jeju⦠entĆ£o nĆ£o sei. Nunca me perguntei o quanto as pessoas vivem com medo, nem por que os Adam nĆ£o desaparecem. Masā¦
Diante de Seokhwa se comportando emotivamente pela primeira vez, Kwak Soohwan não demonstrou reação alguma. Apenas encarou aqueles olhos confusos.
ā Tem algo estranho. Parece que algo estĆ” errado. Porque o doutor teve que morrer⦠e o que aconteceu com o hyung tambĆ©m.
Havia mesmo algo estranho. Vivendo em paz em Jeju, ele não pensara nisso, mas, terminado o funeral da mãe, ele jÔ se preparava para ser chamado ao Abrigo de Yeouido. Fosse qual fosse a razão dele, a cúpula era capaz disso e mais. Mas eles simplesmente o deixaram em Jeju. E, como disse Oh Yangseok, não houve contato entre eles. Como se tivessem separado o doutor dele à força.
A mão que segurava a camisa perdeu a força num instante. Como ele apertava com a pedra na mão, sentiu também uma dor aguda na palma marcada pela pedra. Sem forças de repente, ele tentou recuar o corpo que montou nele, mas ele lhe segurou a cintura.
ā Que importĆ¢ncia tem isso tudo? O doutor Seok só precisa pesquisar como a cĆŗpula manda.
Por alguma razão, do ponto onde ele o segurava subia um frio gélido. Ao contrÔrio do seu corpo quente, tanto os lÔbios quanto as mãos de Kwak Soohwan eram frios. Talvez fosse a temperatura média de uma pessoa, mas para ele era uma temperatura gelada.
Talvez Kwak Soohwan estivesse certo. Ele também não queria gastar energia com nada além do trabalho que lhe cabia, e nem tinha forças para isso. Mas, desde que voltou ao Abrigo de Yeouido, só havia acontecido coisas emotivas, sinistras e cheias de suspeitas.
ā ā¦Me solta.
Seokhwa apenas o afastou com palavras, sem forƧas. Kwak Soohwan o soltou mais docilmente do que se esperava. Ele saiu da cama devagar e comeƧou a caminhar dando as costas para a cama dele.
ā Doutor Seok.
Kwak Soohwan se deitou de lado, apoiou o queixo no braƧo e continuou:
ā Tudo o que vocĆŖ me disse agora.
Pela porta que se fechava veio aquela frase:
ā Ć tendĆŖncia rebelde.
ā¹āĖ š§¬ Ėāā¹
Continua….
š Tradução, revisĆ£o e Raws: Belladonna&Othello