🧬 Capítulo 13
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Paraíso dos tolos (13)
Assim que chegaram ao Abrigo de Yeouido, o jipe, as roupas que usavam e as armas passaram todos por processo de desinfecção. Não havia razão para que as pessoas fossem diferentes.
Foram checados com ainda mais rigor: se havia infecção, qual o estado dos ferimentos. Lee Chaeyoon, que tinha um corte, precisou fazer também exame de sangue e ficou retida mais tempo que os outros.
Seokhwa também ficou um bom tempo sentado na sala de espera dos exames até receber o laudo de que não havia grandes problemas no corpo. Queria voltar ao quarto e apagar, mas foi chamado imediatamente à sala de reuniões da alta patente, no 58º andar. Pela gravidade do assunto, a cúpula também demonstrou interesse. Natural, já que um pesquisador-chefe foi sequestrado.
— Doutor Seokhwa. Faremos primeiro a revista corporal.
Seokhwa abriu os pés e os braços diante da sala de reuniões. Só depois que um militar apalpou com atenção seus braços e pernas é que veio o sinal de liberado. Quando a porta da sala se abriu, um cheiro intenso de velas aromáticas invadiu seus pulmões. A iluminação dourada aquecia o interior tanto quanto o perfume das velas.
Chamavam-na de sala de reuniões, mas o carpete caríssimo cobria cada centímetro. Obras de arte raríssimas, animais empalhados de espécies hoje extintas, sofás de couro reluzentes — um espaço com o qual pesquisadores ou militares comuns nem sonhariam. E no sofá central estava um rosto que Seokhwa conhecia bem: o tenente-general Lee Yeontae, comumente chamado de “três estrelas”.
Como era de patente altíssima, as ocasiões de vê-lo eram contadas nos dedos. O próprio Seokhwa só o vira antes de ir para Jeju, e na época Lee Yeontae era general de divisão. Devia ter sido promovido enquanto ele estava em Jeju.
— Doutor Seok, como tem passado?
Lee Yeontae, que tinha o braço estendido sobre o encosto do sofá, levantou-se com um sorriso largo. Ele era militar, mas não usava coturnos, calçava sapatos de couro bovino.
— Você continua o mesmo. Onde foi que vendeu suas meias, hahaha.
Percebendo que o olhar de Seokhwa parara nos sapatos, Lee Yeontae riu alto. Só então Seokhwa se deu conta de que também estava de tênis com os pés descalços.
— Esse rapaz, continua de poucas palavras. Venha, sente-se. Deve ter se assustado muito, tome também um chá quente.
Lee Yeontae empurrou as costas de Seokhwa, conduzindo-o ao sofá. Seokhwa caminhou conforme conduziram e se sentou no couro. A almofada abraçava o corpo de forma bem agradável.
— O doutor Seok deve estar querendo descansar logo, mas o pessoal lá de cima está um alvoroço. Houve até quem falasse em deter o doutor Seok e deixar a polícia militar investigar, mas eu disse que trataria pessoalmente. E aí, o doutor Seok também acha bom?
— Sim.
Aquilo era uma espécie de meia-ameaça para que contasse toda a verdade dos fatos. Seokhwa ergueu a xícara e olhou por baixo. No fundo da xícara de curvas impecáveis havia algo escrito em francês.
— O que você está fazendo agora?
Lee Yeontae franziu os olhos.
— A xícara é bonita.
— Entendo. Quer levar?
Lee Yeontae forçou um sorriso.
— Não.
Como ele já sentia antes, não era um interlocutor lá muito agradável.
— Bom, mais que isso, doutor Seok. Vamos começar a ouvir a história a partir do momento em que você foi ao pavilhão dos primatas? Quem propôs primeiro ir ao zoológico?
Pelo que lembrava, a proposta fora de Lee Chaeyoon.
— A major Lee Chaeyoon foi quem mencionou primeiro.
— Sim, exato. Fomos nós que mandamos o pessoal da Unidade Invicta ao zoológico com o doutor Seok. E depois?
Seokhwa explicou em detalhes a Lee Yeontae o que viveu no pavilhão dos primatas e o que ocorreu desde a saída até o acidente. Lee Yeontae não fazia anotações nem registrava nada digitando. Naquela sala também devia haver gravador de imagem.
— Então, depois do acidente, você não se lembra de nada?
— No momento do acidente eu desmaiei. Nem sabia que tinha sido sequestrado. Quando recobrei a consciência, o major Kwak Soohwan tinha vindo me resgatar.
Sim, entendo. Lee Yeontae, que deixava as palavras escaparem, tinha uma expressão de certa desconfiança. Seokhwa encarava Lee Yeontae sem expressão e esperava que dele viesse outra fala.
— Então o doutor Seok não chegou a se deparar com quem o sequestrou?
— Exato.
— Doutor Seok.
Lee Yeontae, sentado à frente, cruzou as pernas. As rugas do rosto que sorria com bondade se moldaram de outra forma. Uma marca surgiu no entrecenho, e por isso a expressão ficou um pouco feroz.
— Não consigo entender por que o doutor Seok está mentindo para mim.
Seokhwa continuou encarando Lee Yeontae sem expressão. Não sabia se ele já conversou com Kwak Soohwan, mas nem mesmo ele sabia que ele conversou com o sequestrador. Portanto, Lee Yeontae estava apenas sondando.
— Eu não menti.
— Então não seria que a memória está falha por causa do impacto do acidente?
— Tenente-general Lee Yeontae. Eu não sei por que fui sequestrado. Não é essa a verdade que a polícia militar deve descobrir?
— Ora, olha só esse rapaz.
Lee Yeontae soltou uma risada seca, dizendo que era estranho ele estar tão agressivo.
Ele pegou o telefone interno, ligou para algum lugar, disse apenas “manda entrar” e desligou. Passaram-se alguns segundos com os dois se encarando, então a porta se abriu e alguém apareceu. Era Kwak Soohwan, ainda de coturnos. Devia ter tomado banho na sala de exames, porque não havia em seu corpo nenhum vestígio de combate. Ele usava um uniforme aparentemente novo, ainda engomado.
— Sim. Major Kwak, venha se sentar aqui também.
Kwak Soohwan fez continência a Lee Yeontae e se sentou ao lado de Seokhwa.
— Ouvi do doutor Seok o desenrolar da situação. Mas preciso ouvir também do major Kwak. Morreram nada menos que sete militares de Gwacheon que foram como reforço. Um capitão, três sargentos e três sargentos-chefes.
— Aquele sujeito chamado capitão não passava de um recruta em treinamento, a companhia de Gwacheon está funcionando direito mesmo?
Extremamente descortês. Lee Yeontae, com a xícara na mão, murmurou baixinho.
— Major Kwak. Parece que, por ser mimado pelo tenente-coronel Jang e pelo general Park, você perdeu a noção, mas eu não sou tão complacente assim. E, para falar francamente, não foram vocês que falharam em garantir a segurança do doutor Seok? Estou muito decepcionado.
Achou que ele mostraria alguma reação à decepção do superior, mas Kwak Soohwan respondeu com naturalidade.
— Quanto a isso, não darei desculpas. Presume-se que os que nos atacaram sejam rebeldes. Não sei a que grupo pertencem, e uma coisa é certa: os membros de elite do Pelotão Invicto tiveram dificuldade contra eles.
O Pelotão Invicto de Yeouido correspondia hoje à classe S, a mais alta das forças da Rainbow City. O fato de eles terem tido dificuldade deixou até Lee Yeontae tenso.
— Não me diga… que eram mutantes?
— O senhor deseja minha opinião pessoal? Ou apenas fatos objetivos?
— Explique os fatos acrescentando sua opinião.
— Isso mesmo. Parecem ter nível A ou superior, talvez capacidade nível S.
Lee Yeontae, que segurava a xícara, ficou imóvel como se tivesse congelado. Seokhwa moveu apenas as pupilas e olhou para Kwak Soohwan. A postura era impecável, mas o tom era insolente. Não era uma atitude que um major pudesse assumir diante de um general. Se um general da Rainbow City quisesse, poderia fazer um Kwak Soohwan apodrecer a vida inteira na solitária.
— Não houve outras particularidades? Pelo que ouvi do doutor Seok, ele não conhece o sequestrador.
— Deve ser isso. Quando cheguei, o doutor Seokhwa estava sozinho dentro de uma jaula, e ao redor dele havia Adam.
Hum. Sem conseguir eliminar a desconfiança de nenhum lado, Lee Yeontae observou os dois devagar. Um exibia um sorriso escorregadio, o outro não tinha expressão alguma que permitisse saber o que pensava. Mas nenhum dos dois demonstrava tendências rebeldes, então se perguntou se não estava se preocupando à toa.
— De qualquer forma, foi um trabalho duro. E, major Kwak.
Lee Yeontae molhou a boca e pousou a xícara.
— Se você está tão preocupado com a companhia de Gwacheon, que tal você mesmo descer até lá?
— Se o senhor me mandar…
Kwak Soohwan ergueu bem o canto da boca e sorriu. De qualquer forma vocês não vão me mandar. Aquilo estava implícito no fundo. Na prática, todo mundo sabia quem era o comandante central do Pelotão Invicto, composto pelos níveis S e A. Claro que qualquer um podia comandar de cima, transmitindo ordens verbais. Mas ao enfrentar os Adam existiam variáveis, e agora os rebeldes ainda tinham entrado na jogada.
Eram poucos os oficiais capazes de comandar à frente em campo e ainda erguer o moral da tropa, e Kwak Soohwan era um deles. Podiam erguer a voz dizendo “não passa de um major, quem você pensa que é?”, mas generais não costumavam agir movidos pelo próprio temperamento. Afinal, seria um problema se gerassem ressentimento e perdessem a lealdade. Kwak Soohwan, sabendo disso, não disse o que pensava. Se não gostou, vá você a campo. De qualquer forma sabia que os generais não fariam isso.
Tump.
Enquanto os dois travavam a queda de braço com sorrisos no rosto, Seokhwa, que se sustentava a duras penas pela força de vontade, tombou sobre a mesa. Que não tenha havido uma tragédia maior foi porque Kwak Soohwan estendeu a mão entre a testa de Seokhwa e a mesa.
— Doutor Seok?!
Lee Yeontae se levantou-se em um salto, assustado.
— Não há motivo para se assustar. Ele até aguentou bastante.
Kwak Soohwan soltou um “upa” e ergueu Seokhwa nos braços. Como estava desmaiado, não dava para carregá-lo nas costas, e jogá-lo no ombro estava fora de questão com o nosso doutor Pedra com sintomas de concussão, então apenas sustentou o corpo de Seokhwa com os dois braços.
— Então eu me retiro.
Quando Kwak Soohwan começou a andar, o braço de Seokhwa desmaiado balançou.
— Amor, acorda.
Foi antes de abrir a porta. Lee Yeontae duvidou dos próprios ouvidos. Aquele maluco parecia ter mesmo chamado Seokhwa de “amor”. Lee Yeontae ficou parado, franzindo a testa. Ao bater a porta com o pé, o militar de plantão a abriu para ele.
— Você não ia coletar meu esperma hoje?
Kwak Soohwan aproximou o rosto do de Seokhwa e moveu os lábios.
Aquele, aquele, aquele! Lee Yeontae, sem conseguir falar, apontava o dedo por trás. Pensando bem, Lee Yeontae também tinha ouvido um boato estranho. Que Kwak Soohwan tentou enfiar aquele pau bruto na boca de Seokhwa.
— Major Kwak!
Mal ele pôs um pé para fora da porta, o rugido de Lee Yeontae bateu em suas costas. Ao se virar, viu Lee Yeontae, com o rosto vermelho, continuar cuspindo enquanto falava:
— Por mais que seja você, estupro eu não deixo passar! Larga o doutor Seok agora mesmo!
Quem tem telhado de vidro… Kwak Soohwan riu e se virou completamente para Lee Yeontae.
— O doutor disse que vai usar meu esperma como material de pesquisa, que história é essa de estupro?
O senhor diz cada coisa. Estalou até a língua e empurrou de novo a porta com o pé. Lee Yeontae tremeu as bochechas. Aquele desgraçado estava daquele jeito porque tinha ficado irritado por ter sido chamado ali.
— Major Kwak, como seu superior, eu te dou um conselho: vivendo assim, você só acumula inimigos.
Pela porta que se fechava veio o conselho de Lee Yeontae, mas era coisa que se podia ignorar. Kwak Soohwan caminhou devagar pelo corredor olhando o rosto de Seokhwa, com os olhos placidamente fechados.
Kwak Soohwan baixou lentamente a cabeça em direção ao rosto de Seokhwa, virado de lado em seus braços. Quando os lábios estavam prestes a tocar sua testa…
— O que você está querendo fazer?
Haa, Seokhwa ergueu as pupilas límpidas e olhou para Kwak Soohwan. E tapou a própria testa com a mão.
— Sei lá. Pensei em acordar o doutor Seok com um beijo de major? Mas como você estava acordado desde o começo, não teve sentido.
— Você sabia?
Que ele estava fingindo desmaiar? Claro que sabia. Kwak Soohwan riu, por incrível que pareça, de bom humor.
— Não parecia, mas o doutor Seok é dissimulado.
— É que eu queria descansar logo.
Seokhwa empurrou o peito de Kwak Soohwan com a mão e se pôs de pé sozinho. O elevador subia rápido, trocando os números.
— Mas como você descobriu?
Como eu soube que você tinha desmaiado de mentira? Confirmei quando te peguei no colo. Você franziu levemente a testa, como se estivesse desconfortável. E, além disso, quando fingiu tombar para frente, você poupou o próprio corpo — quase não senti peso na testa apoiada na minha palma.
Kwak Soohwan apenas pensou aquilo e não deu resposta. Seokhwa esfregava a testa como quem apaga a sensação do hálito que ainda restava. Com isso, uma onda de calor subiu à sua testa.
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Seokhwa voltou ao quarto e ficou sentado na cama, olhando a parede. Devia se jogar e dormir para não prejudicar a agenda do dia seguinte, mas todo tipo de informação se misturava e sua cabeça fervia.
“A preservação da humanidade, a nova prosperidade da humanidade, essa é a nossa missão. Rainbow City, na linha de frente, nós somos cidadãos de Rainbow City.”
— Meio-dia, 18 horas.
Eram os horários em que passava a transmissão oficial. Mas, imediatamente antes de Oh Yangseok deixar o testamento, aquela transmissão estava tocando. Então havia grande chance de a hora da morte de Oh Yangseok não ser cinco da manhã. O momento da gravação era um dos horários da transmissão oficial da Mother.
Por que a polícia militar concluiu que a hora da morte de Oh Yangseok era cinco da manhã? Se fosse meio-dia ou seis da tarde, o doutor Kim ainda estaria no laboratório…
Seokhwa voltou devagar a cabeça e ligou o computador sobre a escrivaninha.
[Pesquisador código 310, acesso concluído]
Pelos alto-falantes veio o aviso de conexão com o servidor principal, a Mother.
— Mother, solicito autorização de acesso aos registros de casos da polícia militar, pesquisador Seokhwa, código 310.
[Carregando. Acesso negado. O código 310 não possui nível de consulta suficiente.]
O quê? Seokhwa abandonou o reconhecimento de voz e começou a digitar no teclado.
Assim que entrou no servidor de consulta de registros de casos da polícia militar, apareceu a tela “Inacessível”, acesso negado. Seokhwa, como pesquisador-chefe, podia consultar até documentos confidenciais de nível 2, e agora nem sequer conseguia chegar aos dados da polícia militar. Isso significava que todos os dados da polícia militar estavam agora classificados como nível 1. Ou então alguém tinha rebaixado propositalmente seu nível.
— Mother, qual é o nível de consulta confidencial do código 310?
[O nível de consulta do pesquisador Seokhwa, código 310, é confidencial.]
“Gostaria que o senhor não confiasse em ninguém do abrigo. A Rainbow City de hoje não é normal.”
As palavras do sequestrador lhe atravessaram a mente.
Desenvolver não uma vacina, mas um tratamento. A conversa que teve com Oh Yangseok sobre isso já fazia alguns anos. Afinal, eles falaram sobre isso até a véspera da morte de sua mãe.
Não era à toa que algo lhe parecia estranho. Não restavam nem registros claros da pesquisa de Oh Yangseok sobre a sétima vacina, e sobre o tratamento praticamente não havia nada.
Seokhwa desconectou-se da Mother e voltou para a cama. Apoiou as plantas dos pés no piso frio de mármore e girou na mão o seixo já desgastado de tanto ser tocado. Fechou os olhos e começou a rememorar o que acontecera antes de Kwak Soohwan entrar para resgatá-lo. A conversa com o sequestrador ainda estava vívida.
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— Vocês são… rebeldes?
— É assim que a Rainbow City nos chama.
O homem, que sorriu com amargura, moveu as pernas de um lado para o outro algumas vezes, como quem está imerso em pensamentos.
— Quem assassinou o doutor Oh Yangseok… bem, isso ainda é conjectura, então vamos deixar de lado. Doutor.
Sentiu o homem se aproximar e se agachar. Como não enxergava nada por causa da venda escura, a audição reagia com mais sensibilidade.
— Nós gostaríamos de dar ao senhor uma escolha. Pense bem: por que a mutação do Adam é estranha, como disse o doutor Oh Yangseok, e por que a Rainbow City é indiferente ao desenvolvimento de um tratamento. Eu quero acreditar no senhor pelo lado bom. Assim como o doutor Oh Yangseok acreditava.
Uma escolha? Ele apenas cumpria fielmente o papel que a cúpula lhe dera. Nunca teve, desde o início, o senso de missão de Oh Yangseok. Ele obedeceu às ordens porque disseram que expulsariam a mãe de Jeju, porque, se ele não obedecesse, haveria prejuízos na Rainbow City.
— Eu tentei ganhar tempo de todo jeito, mas parece que já não temos mais tempo. Este lugar é seguro, fique aqui quietinho.
Ouviu-se o som de algo sendo amarrado com uma correia de couro.
— E se quem matou o doutor… fosse você?
Não podia acreditar em tudo o que o sequestrador dizia. Seokhwa ergueu o rosto na direção em que o homem devia estar.
— O senhor acha que rebeldes conseguiriam entrar no Abrigo de Yeouido? Se conseguíssemos, seria bem mais fácil contatar o doutor Seokhwa.
A voz soava abafada, como se as cordas vocais estivessem cobertas por uma membrana. Provavelmente o sequestrador usava máscara.
— Nós, se quiséssemos…
— Peço desculpas pela apresentação tardia. Eu sou o responsável pelo Jardim do Éden, chamado Serpente.
Seokhwa estremeceu as mãos amarradas.
— Não é a primeira vez que ouve isso?
— No diário do doutor Oh Yangseok… brevemente.
— Nós não confiamos na Rainbow City. São aqueles que se aproveitam dos Adam para satisfazer seus interesses egoístas, gente perversa. Pense bem. Exatamente uma semana a partir de hoje, às 21 horas. Se o senhor pensar como nós, nos veremos na residência do doutor Oh Yangseok, na zona vermelha 13.
Criii, ouviu-se a porta abrindo e depois o clique de ser trancada. Quando Seokhwa tentou avançar de joelhos, um homem mascarado se agachou diante da grade.
— Fique aqui quietinho. O major Kwak Soohwan virá resgatá-lo.
— …O major Kwak Soohwan?
— Tome muito cuidado com ele. É justamente ele o guardião da podre Rainbow City. Quanto ao resto, deixo ao julgamento do senhor.
Criiiii, a porta de ferro se abriu e ruídos surdos se seguiram. Aquele som rascante era, sem dúvida, dos Adam. Seokhwa recuou ainda mais. Ouviu os Adam se lançarem atrás do homem que saíra correndo, e em determinado momento fez-se silêncio.
Grr, grrgh, cof.
De algum lugar distante vinha o som de um Adam vomitando sangue e raspando a garganta. Zic, ziic — quando o som de pés se arrastando foi se aproximando, Seokhwa manteve a boca fechada e expirou devagar pelo nariz.
Tum. Ao som logo à sua frente, ele estremeceu violentamente. Um Adam o encontrou e tentou atacá-lo através das grades, mas a porta estava firmemente trancada.
Seokhwa colou o corpo à parede e mediu a distância pelo som. O suor frio escorreu pela espinha como água gelada. Como ele não conseguia se aproximar além de certa distância, por ora estava seguro. Mas não podia ficar ali sentado para sempre. Com o corpo amarrado e sem enxergar, o que devia fazer? Se gritasse, todos os Adam, quantos fossem, viriam até ele…
Bang! Baang! Ao som dos tiros lá fora, o corpo que se ergueu apoiado na parede se assustou e caiu sentado. Grrraaaah! Diante dos guinchos animalescos, a cabeça latejou ainda mais. Ouviam-se também sons de carne rasgada e ossos quebrados, como se alguém lutasse com os Adam, misturados à sua própria respiração ofegante.
O que é você?
Seokhwa ergueu a cabeça de repente. Era, sem dúvida, a voz familiar de um homem. Depois disso não veio som algum, e ele se perguntou se tinha ouvido coisas, mas os passos foram se aproximando dele. Os passos rápidos, tá-tá, talvez fossem de um Adam.
Bang! Bang! Com o impacto de chutes na porta de ferro, Seokhwa quis forçar a voz. Queria perguntar se era o major Kwak Soohwan. Mas a garganta estava travada e a voz não saía. No instante em que alguém entrou e arrancou a venda, Seokhwa quase o abraçou. Se as mãos não estivessem amarradas atrás, talvez tivesse abraçado mesmo.
Não saber o que estava acontecendo, dependendo apenas do som, provocava um terror imenso. Mas o alívio durou pouco. Vendo com olhos esbugalhados um Adam se lançar por trás dele, forçou a voz e o chamou:
— Major…!
⊹₊˚ 🧬 ˚₊⊹
Continua….
🌈 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello