🧬 Capítulo 12
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Paraíso dos tolos (12)
— Porra! Que raiva! Aaah!
Lee Chaeyoon gritou e chutou o encosto do banco do carona do jipe.
— Major Lee. Entendo sua raiva, mas eu vou sair voando pra frente. Major Kwak, é só seguir em frente por dois quilômetros daqui.
Quem estava ao volante era Kwak Soohwan, e Yang Sanghoon indicava a direção seguindo o GPS que rastreava Seokhwa.
O ponto indicado pelo GPS ficava ainda mais abaixo do zoológico. Como não estava classificado por cor, também não era uma área pertencente à Rainbow City. Com isso, ficou certo que quem sequestrara Seokhwa eram rebeldes. Só que, mesmo revistando os corpos dos mortos, não deu para descobrir com precisão a que grupo pertenciam.
— No cruzamento grande ali, à direita.
Yang Sanghoon olhou o radar na tela e apontou o polegar para a direita. Os cidadãos pertencentes à Rainbow City recebiam um chip implantado no corpo desde o nascimento. Kwak Soohwan chamava aquilo de coleira, mas ao menos naquele dia foi de grande ajuda. Atrás deles seguiam mais alguns jipes. Eram militares enviados como reforço do abrigo mais próximo.
— Ah, que vergonha.
Yang Sanghoon conferiu os jipes que os seguiam pelo retrovisor e estalou a língua.
— Ainda bem que você sabe que é vergonhoso.
Era a primeira vez que Kwak Soohwan e os outros dois sofriam um contra-ataque daqueles. Proteger alguém era muito mais complicado que cuidar de si mesmo. Aquela também não era uma situação familiar para Kwak Soohwan.
— Mas aqueles caras eram bem mais fortes do que eu esperava, né?
Yang Sanghoon perguntou com honestidade, apesar de ferido no orgulho. Kwak Soohwan pisou mais fundo no acelerador e aumentou a velocidade.
— Nível A, mais ou menos.
Mesmo no Abrigo de Yeouido, os militares de nível A eram poucos. Diante das palavras de Kwak Soohwan, Yang Sanghoon soltou um suspiro incrédulo.
— Se eles abandonam os próprios companheiros assim, que tamanho tem a força dos rebeldes?
Tanto Yang Sanghoon quanto Lee Chaeyoon podiam contar nos dedos as vezes em que enfrentaram rebeldes diretamente. Em geral, as tarefas que exigiam discrição eram feitas por Kwak Soohwan, sob ordens da cúpula.
— Ei, major Kwak.
— Cala a boca. É sempre reto?
— É. Mas, major Kwak.
A atitude de Yang Sanghoon era de algum modo estranha. Ao olhar de relance, viu que a mão que segurava o rastreador GPS tremia.
— Agora essa também.
Era tão absurdo que nem dava para rir.
— É a primeira vez. Essa sensação.
— Que tal não usar expressões nojentas?
— Ei! A mão do desgraçado do Yang Sanghoon tá tremendo!
Lee Chaeyoon, atrás, envolveu o pescoço de Yang Sanghoon com o braço e apertou.
— Não se acovarda, moleque. O tenente-coronel Jang disse que o mundo é grande e há muita gente forte.
Yang Sanghoon sabia que aquilo era um consolo à maneira dela. Kwak Soohwan olhou ele mesmo a tela do GPS e virou. Na mão que segurava o volante havia, desconcertantemente, suor. Seokhwa tinha falado de era da paz e, pensando bem, não estava totalmente errado. Numa era dessas, ele não teria perdido Seokhwa diante dos próprios olhos. Ele achava que estava sempre estável, mas parecia que não era bem assim.
No começo achou que fosse por causa do sermão do tenente-coronel Jang, mas isso já não importava nada diante da imagem de Seokhwa sendo carregado nas suas costas. Não poderia ser que ele tivesse morrido desmaiado dentro do carro? Ora, por mais fraco que fosse, o doutor Seok não tinha resiliência?
O ponto indicado pelo GPS já estava logo ali. Uma placa pendurada, torta apareceu à luz dos faróis. Como se ainda estivesse em funcionamento normal, absorveu a luz e revelou sua identidade. Motel Honey. Uma tipografia tosca.
— Motel?
Quando pararam o carro em frente, Lee Chaeyoon inclinou a cabeça.
— Aguardem.
Quando Lee Chaeyoon e Yang Sanghoon iam descer, Kwak Soohwan os deteve e pegou o rádio embutido no jipe. Os militares dos jipes que os seguiam também aguardavam nos carros.
— O local atual não pertence à Rainbow City, então não sabemos de onde os Adam podem aparecer. Todos se armem. Nós entramos pela porta da frente, os demais, pela porta dos fundos.
[Copiado.]
Kwak Soohwan conferiu se todos os jipes tinham recebido a ordem. A porta da frente e a dos fundos estavam ambas presas com correntes e precisariam ser arrombadas.
Ele tirou a capa, meio rasgada, e conferiu mais uma vez a pistola e a faca militar. O sinal de GPS de Seokhwa continuava captado lá dentro, sem movimento. As luminárias no alto do jipe iluminavam o motel, mas, ao entrar, teriam que depender das lanternas. Depois de ver os militares se dirigirem à porta dos fundos, Kwak Soohwan apontou o queixo para a porta da frente. Yang Sanghoon estava cortando a corrente com uma arma com silenciador quando…
Aaaargh!
Um grito veio da direção da porta dos fundos. Droga. Kwak Soohwan chutou a porta da frente e a luz do jipe se lançou para dentro. Dezenas de Adam amontoados junto à porta dos fundos se viraram de repente na direção de onde jorrava a luz. Os que vinham arrastando os pés, os que ainda tinham energia e corriam, e os Adam que lutavam com os militares dos fundos — num instante virou um caos.
— Limpem a partir do primeiro andar!
Ao grito de Kwak Soohwan, Yang Sanghoon e Lee Chaeyoon descarregaram os tiros nos Adam que corriam. Um tiro, um bicho, miraram com precisão no topo da cabeça até esgotar a munição, e alguns tropeçaram ao pisar nos Adam caídos. Por sorte, os que estavam concentrados nos fundos vieram ainda mais para o lado da frente ao ver a luz.
Os militares que eliminaram pela retaguarda e os três que avançavam pela frente começaram a limpar os Adam. Que houvesse aquele número de Adam dentro do motel só podia significar que alguém os reunira ali de propósito.
Kwak Soohwan agarrou pela nuca um Adam que se lançava, ergueu-o e girou completamente o corpo e a cabeça. O fedor de sangue podre se espalhou e uma quantidade enorme de sangue se alastrou pelo chão. Como quem atravessa a chuva, o som do sangue pisoteado pelos coturnos chapinhava. Os corpos dos Adam se empilhavam, e quando o time da frente e o dos fundos se encontravam, dava para ver que o número de militares tinha diminuído em relação ao início.
— Reportem as baixas.
Grrraah! Kwak Soohwan socou o rosto de um Adam que vinha correndo por trás e depois pisou na cabeça do que caiu, esmagando o crânio. O som dos ossos se partindo foi bem nítido. Um dos militares dos fundos, com o rosto enojado, começou a contar quantos eram.
— Du-duas pessoas morreram.
— E os corpos?
— Aqueles bichos devoraram.
Kwak Soohwan assentiu uma vez, como quem entendeu, e iluminou os arredores com a lanterna.
— Os demais aguardem aqui. Você é o comandante deste pelotão?
Ele baixou os olhos para a platina do homem que estava à frente do time dos fundos. Era um capitão do abrigo que veio como reforço.
— …Sim, sou.
— Os principais devem ter saído todos, mas verifiquem se restam elementos de risco e eliminem.
Kwak Soohwan encontrou a escada que subia para o segundo andar e sacou a faca militar.
— Enten… …grr… cof.
O capitão interrompeu a resposta e explodiu em tosse. Sangue escorreu por entre os dedos que tapavam a boca. Ao mesmo tempo, todos os militares ao redor recuaram. O capitão olhou para os colegas com olhos de quem não acreditava. Agora se via que havia um corte longo em seu antebraço, com um pedaço de carne pendurado.
— Ah… não… ugh.
Quando o capitão ia dizer “ainda não”, tossiu de novo e dessa vez o sangue escorreu também pelo nariz.
— Grrgh… ah… hnnk.
Balançando a cabeça e convulsionando, o capitão começou a torcer o corpo. A mutação tinha começado.
— …Capitão.
Um dos militares do time dos fundos sacou a arma. Sem conseguir olhar direito para o capitão, apenas apontou o cano na direção dele. Pelo tremor das mãos, a hesitação era evidente.
— Grrgh…
Bang! Com um único disparo, o capitão, com um furo na testa, tombou para trás.
— O que você está fazendo?!
O militar que apontava a arma para o capitão ergueu a voz contra quem tinha disparado.
— Você também quer morrer?
Lee Chaeyoon, que alvejara a testa do capitão, dessa vez apontou a arma para o militar que gritara.
— Ainda, ainda era antes da mutação!
— Então devia ter oferecido a sua nuca. Não se deixe levar por sentimentalismo inútil. É assim que vocês todos morrem. Que capitão é esse que não consegue proteger o próprio corpo?
Diante das palavras cortantes de Lee Chaeyoon, os militares do reforço também se calaram. Não estava errada, e a lei militar de Rainbow City determinava que, uma vez iniciada a mutação, até um general devia ser morto.
— Quando terminarem, levem o corpo do capitão e incinerem ou algo assim. Major Lee, verifique o estado dos demais, major Yang, me dê cobertura.
Kwak Soohwan lançou um olhar ao corpo do capitão e apontou para o segundo andar. Como Yang Sanghoon dava cobertura pela retaguarda, começou a subir rapidamente. Nos degraus havia sangue escuro seco, provavelmente dos Adam. Além disso, em cada trecho por onde passava ficavam também as pegadas vermelhas dos coturnos de Kwak Soohwan.
Ao entrar no segundo andar, Kwak Soohwan iluminou o corredor com a lanterna. Era um prédio de motel comum, com portas dispostas em zigue-zague. Havia portas abertas e fechadas.
Kwak Soohwan chutava as portas fechadas e conferia o interior. Um cheiro de mofo à altura do fedor dos Adam invadiu suas narinas. Mesmo tendo verificado todas as portas fechadas, Seokhwa não estava em lugar nenhum.
— Segundo andar limpo.
O motel tinha três andares no total. Como o GPS de Seokhwa fora captado ali, havia grande chance de ele estar no terceiro andar. Tum! Tuum! Tum! Kwak Soohwan, que subiu para o terceiro, ergueu a cabeça. Ao erguer a lanterna e iluminar, viu que a entrada do terceiro andar estava bloqueada por grades, como numa penitenciária. Viu três Adam estendendo as mãos, tentando sair por entre as grades. Yang Sanghoon atirou sequencialmente na cabeça dos três, e só então ele chutou a porta e a abriu.
— De onde diabos saíram todos esses caras?
Yang Sanghoon chutou um Adam caído.
— Major Kwak, é certo que alguém atraiu esses bichos pra cá e prendeu?
— Provavelmente.
Kwak Soohwan iluminou de novo o corredor do terceiro andar com a lanterna. Como no segundo andar, havia quartos de motel, e todas as portas estavam abertas, exceto a do fim do corredor.
Ele soltou o cinturão que atravessava seu peito a partir do ombro e bateu de propósito na primeira porta. Quando a parte da fivela bateu na porta de ferro, estourou um ruído metálico. Yang Sanghoon não o impediu e apenas observou. Se houvesse um Adam num quarto com a porta aberta, ele certamente sairia com aquele som. Ele repetiu isso algumas vezes, e o entorno continuou silencioso. Kwak Soohwan apontou o queixo para o último quarto, e Yang Sanghoon assentiu.
Caminhando com passadas firmes até o quarto do fundo, Kwak Soohwan chutou a maçaneta. Bang! A porta se abriu, bateu na parede e voltou, ele a chutou de novo e entrou. Uma cama redonda, uma mesa para dois coberta de poeira e um banheiro envolto em vidro transparente — nenhum sinal de presença.
Ele subiu achando que motel não tinha subsolo, mas pelo visto tinha pensado errado. Kwak Soohwan e Yang Sanghoon, sem que um se adiantasse ao outro, correram e desceram a escada. No instante em que chegaram ao primeiro andar, que deveria estar limpo, Yang Sanghoon prendeu a respiração. Os corpos dos Adam continuavam empilhados como antes, mas os demais militares também estavam caídos. Lee Chaeyoon lutava sozinha, num esforço desesperado, contra um sujeito corpulento de máscara branca.
A pistola que Lee Chaeyoon tinha estava caída longe, então ela lutava com a faca, devia ter levado um corte na perna, porque mancava. Kwak Soohwan recarregou a arma e mirou na máscara branca.
— Major Lee! Se afaste!
Assim que ouviu, Lee Chaeyoon saltou para trás. Naquele instante, bang! Kwak Soohwan disparou. Sentindo a ameaça, a máscara branca recuou e de repente saiu correndo pela porta da frente. Como a bala raspou seu ombro, havia gotas de sangue caídas por onde ele fugiu.
Para as costas de Yang Sanghoon, que corria atrás dele, Lee Chaeyoon gritou:
— Não segue ele!
Yang Sanghoon parou de repente e se virou para ela. Kwak Soohwan também se aproximou depressa de Lee Chaeyoon. Ela apertou com força o cinturão do uniforme em volta do ferimento na perna. O rosto de Lee Chaeyoon, ofegante, estava tão pálido quanto o de Seokhwa.
— Como assim, não seguir?
Yang Sanghoon perguntou, intrigado.
— Aquele cara de agora…
Quando Lee Chaeyoon respirou fundo, Yang Sanghoon engoliu em seco.
— É forte pra caralho.
— É, parece que sim.
Yang Sanghoon perguntou se ela estava bem e examinou o ferimento. Kwak Soohwan conferiu com a lanterna alguns militares mortos e soltou um suspiro.
— Aquele cara enfrentou você e todos esses militares sozinho?
— Sim, alguns fugiram. Manda demitir esses desgraçados que fugiram. E aquele cara apareceu de repente vindo do subsolo.
Lee Chaeyoon apontou na direção da porta dos fundos.
— Yang Sanghoon, leva a major Lee de volta pro jipe. Tem um kit de primeiros socorros lá, estanca o sangue.
— Você vai ficar bem sozinho?
— Se ela topar com um Adam vai ser um problema.
Kwak Soohwan apontou para o ferimento de Lee Chaeyoon. Yang Sanghoon disse que entendia e a amparou pelo braço. Lee Chaeyoon bufava de indignação repetidas vezes. Da próxima vez que eu te encontrar, eu corto seu pescoço. Ela nem tinha visto o rosto dele, mas rangeu os dentes.
Com aqueles dois juntos, se o sujeito de antes viesse, eles aguentariam até certo ponto. E, se não aguentassem nem isso, não deviam nem carregar o título de Invictos. Kwak Soohwan correu para a porta dos fundos e olhou para a esquerda. Havia uma portinha lateral que os militares que arrombaram os fundos não tinham conseguido verificar por causa do ataque repentino dos Adam.
Kwak Soohwan abriu a portinha e começou a descer.
Grr, grrraaah, aargh.
Lá embaixo, de um lugar parecido com uma caverna, vinham os grunhidos animais dos Adam. Kwak Soohwan apurou os ouvidos em silêncio. Pelos passos e pelo resto, deviam ser pelo menos cinco. Ele conferiu a munição restante e prendeu a lanterna na boca. Depois engatilhou a pistola e apoiou a mão direita, que segurava a arma, sobre o pulso esquerdo.
Zás, assim que desceu por completo ao subsolo, os Adam que perceberam a luz começaram a atacar. Bang, bang, bang! Com os três tiros restantes eliminou três deles, e nos demais cravou a faca militar no topo da cabeça conforme atacavam. Nos outros, esmagou o crânio com as mãos. Depois de despachar cinco Adam num instante, Kwak Soohwan reajustou a faca contra o último. Grr, grrr, grr. Teria uns vinte anos, no máximo? O Adam de pé sob uma luz quase apagada não avançava e olhava insistentemente para trás. Diante daquele comportamento de quem procura uma rota de fuga, Kwak Soohwan inclinou levemente a cabeça.
— O que é você?
Grr, ah, mu…
Ele girava a cabeça de um lado para o outro, gaguejando como se tentasse dizer alguma coisa. Não me diga que aquele era do tipo que apresentava o fenômeno anômalo da sétima mutação? Kwak Soohwan, pouco se importando, caminhou com passadas firmes na direção do último. Naquele momento, encontrar Seokhwa era a prioridade máxima.
Então parou de repente. Girou devagar a cabeça e olhou para o lado: por uma porta aberta, via-se uma pessoa. Ele correu imediatamente para dentro. Seokhwa, que tremia intermitentemente, estava preso dentro de uma jaula. O corpo estava amarrado, mas não havia nenhuma mancha de sangue nele. Kwak Soohwan, que sem perceber se tranquilizou, chutou repetidamente a maçaneta da grade até abri-la. A cada som daqueles, Seokhwa estremecia. Ele arrancou a venda que cobria seus olhos. Mesmo aquela luz de baixa intensidade parecia ofuscante, e Seokhwa piscou várias vezes. Girando as pupilas devagar, como quem tenta entender a situação, os olhos de Seokhwa se arregalaram.
— Major…!
Grrraah! Foi o instante em que o Adam que ele deixou vivo, aproveitando a chance, avançou mostrando os dentes. Ele socou o Adam, quebrando-lhe os dentes, e arrancou até a mandíbula. Dessa vez Seokhwa nem conseguiu piscar e apenas olhou para ele. Ele sorriu, como quem diz para ficar tranquilo.
— Amor, ficou com medo?
Jogando no chão a mandíbula com o osso branco à mostra, Kwak Soohwan sacudiu o sangue que sujava a luva.
— Vim te buscar.
Seokhwa olhou o sangue pingando das luvas e ergueu devagar o olhar até cruzá-lo com o de Kwak Soohwan. A camisa branca sob o uniforme preto estava tingida de vermelho, e havia respingos de sangue por todo o rosto sorridente. Como ele não conseguia dizer nada, ele o segurou pelos ombros e o examinou de um lado a outro.
— Estou tonto.
— Se a boca está viva, está bem. Segura isso aqui com firmeza.
Kwak Soohwan arrebentou com força a corda que apertava os pulsos de Seokhwa e lhe entregou a lanterna. Sem perguntar sua opinião, ergueu Seokhwa nas costas. Pelas costas, sentiu com nitidez o tremor dele. Kwak Soohwan deu tapinhas em suas coxas e, ao caminhar, chutou o Adam caído no chão.
Seokhwa também não teimou dizendo que andaria sozinho. Olhando para baixo, para os Adam que ele derrubou ao entrar, apenas entreabriu os lábios. Os corpos dos Adam mortos a tiro estavam relativamente inteiros, mas os destruídos com as mãos dele eram impossíveis de olhar. Havia vísceras espalhadas pelo chão e um fedor terrível subia, e só então ele cerrou os dentes. Se existisse um inferno, talvez fosse assim. Interpretando o tremor de outro modo, Kwak Soohwan deu de novo tapinhas em sua coxa, pedindo que se acalmasse.
Seokhwa abraçou seu pescoço com um pouco mais de força.
— Quer me matar?
— Major Kwak, você está bem?
— E o doutor Seok?
Seokhwa iluminou com a lanterna a escada que subia para a portinha.
— Eu estou bem.
Ao sair, Kwak Soohwan inspirou fundo o ar frio.
— Eram rebeldes, não eram?
— …Não sei.
Não, ele nem sabia se devia responder aquilo. Era alguém que arriscou a vida para salvá-lo, não devia contar tudo com sinceridade?
— Desculpa.
Seokhwa apenas piscou.
— Por quê?
— Porque quem devia te escoltar não fez direito o próprio trabalho.
Naquela situação, ninguém poderia ter feito nada. Nem ele mesmo, que perdeu a consciência e não soube o que aconteceu. Só uma coisa era certa: antes de o carro tombar, ele estendeu o braço para reduzir o impacto em seu corpo.
Kwak Soohwan, em vez de atravessar pela porta dos fundos até a frente, contornou o prédio a pé. Ao longe, um jipe iluminava a escuridão, e só ao chegar à porta traseira ele o pôs no chão.
— Doutor! É o doutor! Doutor, você está bem?! Não se machucou?
Lee Chaeyoon, sentada no banco de trás, abriu a porta e fez uma cara preocupada. Ele respondeu “Estou bem” e, ao olhar para baixo, viu a atadura que envolvia a coxa dela. A atadura branca estava encharcada de sangue.
— Entra logo. Vamos voltar pra Yeouido.
Seokhwa assentiu e entrou no banco de trás. Kwak Soohwan assumiu o volante e Yang Sanghoon foi para o carona. Nos bancos de couro do jipe havia a marca da filial de Gwacheon.
— Major Lee. Você… se machucou na perna?
— Isso? Estou bem. Meus ferimentos cicatrizam rápido. E você, doutor, está bem mesmo?
— Sim, eu estou bem. Mas o ferimento parece bem profundo.
— Não é preciso pontos. Doutor, tá bem mesmo? Quer amendoim? O Soohwan idiota resgatou sua mochila do carro, e tem um monte de amendoim aí dentro.
Seokhwa também tinha reparado na própria mochila, no centro do banco traseiro.
— Major Lee, para de falar e deixa o doutor Seok dormir.
Kwak Soohwan dirigia sem baixar a guarda.
— Você deve ter se assustado bastante. Durma um pouco no caminho de volta a Yeouido.
Diante da consideração de Yang Sanghoon, Seokhwa agradeceu com uma reverência. De fato, ele estava se segurando apenas na força de vontade. O impacto da colisão não foi nulo, e ele parecia estar com sintomas leves de concussão. Teve ânsias algumas vezes, mas engoliu com esforço. Seokhwa tirou o cobertor da mochila, dobrou-o com capricho e o colocou entre a janela e a cabeça. Mas, de repente, seu corpo pendeu para o lado de Lee Chaeyoon.
— Aqui eu me machuquei, mas essa coxa está boa.
Lee Chaeyoon sorriu e apontou a perna esquerda ferida. Diante daquele gesto, como quem oferece a coxa de travesseiro, Seokhwa se assustou e tentou se levantar de novo. Mas Lee Chaeyoon foi mais rápida em pressioná-lo com força.
— A gente está exalando fedor de sangue e o doutor Seok vai deitar aí com prazer, né.
— Por que você tá pentelhando? Eu só quero que ele deite confortável, por que essa implicância? Vai descontar em cima de mim porque não pegou aquele cara?
— Aquele cara?
Seokhwa tentava se levantar, mas continuava imobilizado pela força dela.
— É, o cara que deixou minha perna assim. Ele usava uma máscara branca esquisita e me atacou, e é forte pra caralho. Coisa séria. Se fosse o Yang Sanghoon no meu lugar, ele já tinha morrido.
— Ei! Só dá pra saber depois de enfrentar!
— Diz isso quem tremeu a mão. Soohwan idiota, você trouxe o doutor do subsolo, né? Então o doutor viu a cara daquele cara?
— …Não.
— Estava até com os olhos vendados. Então para de falar com o doutor Seok.
— Quem perdeu o doutor bem na frente do nariz é que tá falando.
— Eu vou descansar agora.
Como parecia que a discussão ia recomeçar, Seokhwa deitou-se obedientemente encolhido sobre a perna dela.
— Major Lee.
Hã? Lee Chaeyoon olhou para Seokhwa sorrindo largamente.
— Da próxima vez eu ofereço a minha.
Assim que ele terminou de falar, Kwak Soohwan pisou fundo no acelerador.
— Nesse caso, é a mim que você deve carregar primeiro.
Que isso, esse cara tá com ciúme. Lee Chaeyoon riu baixinho.
⊹₊˚ 🧬 ˚₊⊹
Continua….
🌈 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello