🧬 Capítulo 05
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Paraíso dos tolos (5)
— Vai descer lá?
Kwak Soohwan conferiu mais uma vez se o corpo do Adam estava completamente parado. Enfiou a faca também no outro olho, girou-a e a sacudiu ao puxá-la. Percebeu que o rosto de Seokhwa empalidecia visivelmente, mas o campo era sempre assim mesmo.
— Doutor Seok?
Seokhwa, grudado à parede como se fosse desmaiar a qualquer momento, deslizou por ela até chegar perto de Kwak Soohwan. Querendo ficar o mais longe possível do Adam, nem olhou para o corpo esparramado.
— Preciso… descer.
Segurando a lanterna de novo, Kwak Soohwan iluminou a escada do subsolo de onde o Adam tinha saltado. Se houvesse outros, já teriam atacado, mas para confirmar a segurança Kwak Soohwan desceu primeiro. Como o cheiro rançoso de cadáver em decomposição se acumulara no porão, Seokhwa, que descia atrás, respirava apenas pela boca.
O chão do porão, iluminado pela lanterna, tinha sangue descolorido espalhado por toda parte, e ao fundo via-se uma corrente arrebentada. A escrivaninha, com a luminária apagada, tinha caneta e papel como se houvesse alguém ali até um instante atrás. Mas a caneta destampada já secara havia muito, como o sangue no chão.
Seokhwa se aproximou da escrivaninha e começou a guardar de novo materiais de pesquisa na mochila. Os movimentos se aceleraram porque queria sair dali o quanto antes.
Era um Adam? Era mesmo um Adam? Não seria que o hyung, preso no porão depois da morte do doutor, enlouqueceu de fome e passou a parecer um Adam? Ele falou, não falou?
Talvez… tivessem matado o hyung, que ainda era humano.
Quando o major Kwak Soohwan perguntou se era um Adam, ele assentiu, portanto era cúmplice. Com a cabeça latejando, apertou ainda mais as alças da mochila.
— Vamos subir.
Dessa vez também Kwak Soohwan foi à frente e Seokhwa o seguiu. Na cabeça dele, a pergunta “humano ou Adam?” se cruzava incontáveis vezes. Seokhwa se aproximou do hyung, caído no mesmo lugar, para coletar sangue dele.
— Havia um boato.
Kwak Soohwan segurou seu braço.
— Boato?
— De que o filho do velho tinha virado um Adam. Depois que o filho dele foi à zona violeta, nunca mais apareceu no laboratório. Todo mundo perguntava ao velho onde estava o filho. E toda vez ele dava a desculpa de que ele estava doente. Vendo essa cena, dá para entender por quê. O tal doutor não teve coragem de matar o próprio filho que virou Adam e o manteve preso.
— Pode… não ser um Adam.
— É? Então eu, de ladrão de bebida, passo a assassino?
Como Kwak Soohwan falou com indiferença, ela sentiu que ele estava seguro de que o hyung era um Adam. Graças a isso, a inquietação de Seokhwa se acalmou um pouco.
— A equipe de recolhimento disse que vem, então saberemos aí se eu sou ou não um assassino.
— Se o hyung…
— Doutor Seok.
Kwak Soohwan cortou suas palavras.
— Mesmo que você mandasse não matar, eu teria matado, então o resultado seria o mesmo, e se isso é crime, foi um crime meu, sozinho.
Quando ele ergueu as alças da mochila, Seokhwa acabou nas pontas dos pés. Assim mesmo desceram até o jipe, e no caminho de volta, ao ver os materiais que Oh Yangseok deixara no porão, ele se convenceu. Provavelmente Kwak Soohwan estava certo.
Então, com o corpo descarregado, adormeceu profundamente e, depois de muito tempo, sonhou com o doutor Oh Yangseok.
No sonho, Oh Yangseok guardava algo às pressas numa pasta. Olhando ao redor do laboratório com inquietação, contornou depressa a coluna e ia sair quando…
Bang! Ouviu-se um único disparo e o doutor desabou no chão. Ao redor dele, o sangue escuro foi ampliando sua área. Um homem de roupas pretas e sapatos pretos aproximou-se do corpo de Oh Yangseok e tirou dele a pasta que ele abraçava. Depois de limpar o sangue da pasta, o homem finalmente baixou a máscara preta.
Era o major Kwak Soohwan.
— Ah!
Ao abrir os olhos de supetão, viu outra mão tentando tirar os documentos que segurava. Teve a impressão de que havia sangue escuro naquela mão, mas era apenas uma luva de couro preta.
— …O que você está fazendo?
Como a imagem do homem que levava a pasta de Oh Yangseok no sonho se sobrepôs à de Kwak Soohwan naquele momento, ele ficou em guarda.
— Pensei em dar uma olhada nisso também.
Seokhwa fechou e abriu os olhos devagar, afastando o sono. Não fazia diferença se Kwak Soohwan visse, mas por causa do sonho ficou com uma sensação ruim. Bom, era só um sonho, não era? Como não havia razão para insistir, estendeu-lhe os materiais de pesquisa.
Ele, ao contrário, nem olhou para o que lhe era oferecido e desligou o motor. Olhando as horas, era quase meia-noite. Como não havia trânsito, ele tinha chegado há bastante tempo e ainda assim não o acordara. Seokhwa seguiu Kwak Soohwan, que desceu primeiro, e falou:
— Major Kwak Soohwan.
Kwak Soohwan se virou perguntando o que era. Pelo ar hesitante, parecia que ele ia dizer algo banal como “obrigado” ou “bom trabalho”.
— …Eu também serei seu cúmplice.
Que baboseira era aquela.
— Doutor Seok, enquanto o senhor dormia de boca aberta, chegou um rádio da equipe de recolhimento. Se a polícia militar me deixou em paz, já dá pra concluir, não dá?
— É certeza que era um Adam?
— Mais que isso, eles perguntaram se a gente estava batendo bem da cabeça. Como é que um Adam fala?
Era verdade. Ele também não acreditaria se alguém dissesse que um Adam falou.
Depois da verificação de identidade antes de entrar no elevador, Kwak Soohwan apertou o andar dos quartos deles. Mas Seokhwa apertou também o andar do setor de pesquisa. Soltando um suspiro baixo, Kwak Soohwan cancelou o andar que tinha apertado.
— Deixei o senhor dormir à vontade e agora quer ir pro laboratório.
[18º andar, liberando.]
Simultaneamente à fala de Kwak Soohwan, o elevador parou no 18º andar e a porta se abriu.
— Ué?
Um major de uniforme pisou para dentro e parou, com os olhos arregalados de surpresa. Logo riu, “hahaha”, e um forte cheiro de álcool se espalhou. Era Yang Sanghoon, major do exército e colega de Kwak Soohwan, que estava de folga daquele dia até o dia seguinte.
— Ora, se não é o major Kwak.
Yang Sanghoon apertou o 27º andar e soprou o hálito na cara de Kwak Soohwan.
— Cheiro de bebida bom demais, né?
Tá com vontade? Ele ria e fazia gracinha de bêbado. Kwak Soohwan sentiu um enorme desejo de enfiar o punho na boca dele, mas começar uma briga naquela caixinha apertada podia matar Seokhwa de susto. Não era um lagostim, mas se ele levasse uma pancada em algum lugar errado, o sermão do tenente-coronel Jang seria terrível.
— Doutor Seok, entre as pedras que você juntou tem alguma que sirva de lápide?
— Grande assim não tenho.
Seokhwa apenas balançou a cabeça uma vez.
— Então a lápide desse desgraçado vai ter que ser um seixo. “Yang Sanghoon, o pequenininho, morreu aqui por arrumar briga com Kwak Soohwan depois de beber.” Como o troço dele também é do tamanho de um seixo, é suficiente.
— O quê? Moleque! Quer que eu mostre o tamanho do meu troço? Hein?
E dizendo isso, abaixou o zíper e exibiu a virilha. Kwak Soohwan ergueu depressa o coturno para pisar naquela coisa nojenta.
— É maior que um seixo.
Diante da resposta impassível de Seokhwa, Yang Sanghoon balançou o próprio membro como quem abana o rabo.
— Né? O meu é uma rocha! Hein? Mas quem é você, que reconheceu meu tamanho? Não! Tem uma cara dessas no nosso abrigo?!
Quando Yang Sanghoon empurrou o rosto para frente, Kwak Soohwan se pôs à frente, e ao mesmo tempo a porta do elevador se abriu.
— Rocha quebrada vira grão de areia, né?
Kwak Soohwan empurrou com o coturno a parte de baixo de Yang Sanghoon e o mandou para fora do elevador.
— Aaah! Porra! Ei! Ai!
Yang Sanghoon se contorcia segurando a virilha pisoteada e, quando ia partir para cima cerrando os dentes, a porta se fechou na hora. De tanto que ele tinha bebido, o cheiro de álcool ainda impregnava ali dentro.
— Doutor Seok, quem vira cachorro quando bebe é gente assim. Não eu.
— Major Kwak Soohwan.
Assim que chegaram ao 34º andar, Seokhwa o chamou.
— Deixa de dizer “vá dormir primeiro”. Eu tenho que te vigiar até você voltar pro quarto de qualquer jeito.
— Rocha quebrada vira pedregulho. E o pedregulho quebrado vira pedrinha.
Seokhwa, que na zona vermelha se escondia atrás dele, começou a caminhar à frente ao chegar ao setor de pesquisa.
— Porra, não é à toa que chamam de doutor Pedra, só fala de pedra.
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Apesar do pequeno tumulto no elevador, Seokhwa continuava com o coração inquieto.
Tinha pedido uma nova confirmação à equipe de recolhimento de Adam e aguardava a resposta. Tirou de um dos potes que estavam em sua mesa, o segundo da fila, um comprimido e o tomou.
[Reforço de resistência física, ensaio clínico 2]
Havia ao todo seis potes de comprimidos de ensaio clínico para reforço físico no lugar de Seokhwa. Ainda assim, ele nunca chegava perto do preparo físico dos militares.
O relatório de pesquisa deixado por Oh Yangseok.
Mais precisamente, o diário da sétima mutação do Adam tinha partes manchadas de sangue difíceis de decifrar. Ele não sabia de quem era o sangue, mas supunha que fosse do hyung. Se fosse sangue de Adam seria desagradável, mas não havia risco de contágio por sangue seco.
O vírus Adam era um antígeno que se transmitia ativamente apenas em organismos vivos, isto é, cujas funções corporais não tivessem cessado. Ingerir sangue de Adam não causava infecção, só valia quando o vírus penetra na corrente sanguínea. Além disso, Oh Yangseok certamente também conduziu com ele pesquisas sobre mutações. Pesquisavam militares com singularidades, mas, curiosamente, não havia dados sobre Kwak Soohwan.
Seokhwa, que não jantou, comia um sanduíche feito de pasta de soja quando olhou para o telefone. Uma luz piscava e a campainha tocava.
— Sim, aqui é Seokhwa, do setor de pesquisa.
[Ah, doutor Seokhwa? É o seguinte: sobre o corpo recolhido na zona vermelha 13. Soube que o senhor perguntou se era mesmo um Adam.]
— Isso. É certeza que era um Adam?
[É certeza. Só de olhar a reação de coagulação já é sangue de Adam. Mas o major Kwak Soohwan fez exatamente a mesma pergunta. É verdade que o Adam falou?]
— …Acho que sim.
[Acha que sim?]
Ouviu-se a voz desconfiada do lado da equipe de recolhimento.
— Se é certeza que era um Adam, então encerro por aqui.
[Um momento!]
Como gritaram com urgência, Seokhwa, que ia desligar, apenas manteve o fone no ouvido.
[Poxa, parece que ele desligou. Mesmo com o major Kwak tudo bem, mas com o doutor a história é outra, não foi o que disseram?]
Mas o outro lado achou que ele tinha desligado e falou o que quis.
Com o major Kwak tudo bem, mas com o doutor a história é outra, o que significava isso? Seokhwa apertou ainda mais o fone contra o ouvido, mas só ouviu o clique do outro pousando o aparelho. Olhando fixamente para o fone afastado, Seokhwa também o recolocou no lugar.
Seokhwa girou na mão uma pedra redonda como uma pérola e de cor curiosa, que estava sobre a mesa. Achando que primeiro precisava organizar os diários misturados em ordem, dispôs-se a ler uma a uma as incontáveis folhas.
Sua resistência era inferior à dos outros, mas em compensação o que via uma vez ficava armazenado no cérebro como uma fotografia. O diário de Oh Yangseok não era sequencial e tinha lacunas, então previa que levaria algum tempo.
Por mais que pensasse, o fato de um Adam ter falado só podia significar, como Kwak Soohwan dissera, que os dois estavam loucos. Mas a voz do hyung chamando seu nome não se apagava facilmente.
Trim, triiim—
Seokhwa, que olhava o diário, ergueu a cabeça. Alguém tocava a campainha repetidamente do lado de fora do laboratório. Ele se levantou e caminhou até a área da coluna central. Olhando dali pela janela transparente, viu Kwak Soohwan de uniforme, parado. Por reflexo, baixou o olhar para as mãos dele. Perguntou-se se haveria uma arma ali — resquício do sonho que ainda restava.
Mas Kwak Soohwan tinha em uma mão uma garrafa de uísque e na outra um copo. Quando ele o encarava como quem pergunta “o que é isso?”, Kwak Soohwan sorriu de canto e fez sinal com o queixo para que abrisse a porta.
Em vez de abrir, Seokhwa falou pelo interfone da parede.
— O que houve?
[Trouxe um drinque de consolo pro doutor Seok.]
Ele sacudiu a garrafa de uísque do outro lado da porta de vidro.
— Eu não bebo.
[Foi difícil conseguir isso com o major Yang, vamos beber juntos.]
Seokhwa baixou o olhar por um instante.
— Major Kwak Soohwan, faça o reconhecimento de identidade primeiro.
Ele encostou os cinco dedos na porta de vidro.
O aviso “Autoriza a entrada?” apareceu também no painel. Quando Seokhwa autorizou, as duas portas de vidro se abriram em sequência.
— O doutor Seok é mais frio do que eu pensava. Bastava abrir, pra que verificar identidade?
Ele parecia caminhar com desleixo, mas o som dos coturnos vinha nítido e cadenciado.
— Porque foi aqui que o doutor Oh Yangseok morreu.
— Bom, ser cuidadoso não é ruim.
— Mas por que quis entrar?
— Já falei que vim mesmo trazer um drinque de consolo.
Seokhwa olhou de relance para o laboratório e depois apontou para fora.
— Então vamos para outro lugar, não para o laboratório.
— Você não ia trabalhar?
— Ia.
Kwak Soohwan não teve paciência de esperar e abriu a tampa do uísque. Encheu o copo, estendeu-o a Seokhwa e bebeu alguns goles direto da garrafa.
— Trabalha. Eu bebo tendo o doutor Seok de tira-gosto.
Que drinque de consolo o quê. Parecia que ele queria usá-lo de escudo para beber à vontade. Pensou em expulsá-lo, mas foi ele quem abriu a porta, então se virou para voltar ao seu lugar. Nesse instante, ouviu-se o clique de uma arma sendo engatilhada. Devia ser uma pistola semiautomática, porque foi um único som, mas Seokhwa se lembrou de onde tinha deixado a própria arma e sentiu o gosto do fracasso. Tinha guardado com cuidado na gaveta ao voltar.
Não sabia por que Kwak Soohwan engatilhou a arma. Isso o doutor Oh Yangseok assassinado também não devia saber. A diferença em relação a Oh Yangseok é que ficaria registrado que Kwak Soohwan tinha entrado ali. Mesmo desconsiderando o CFTV, o servidor principal que controla os acessos, a Mother, jamais era desligado. Era o sistema central do abrigo.
Por isso, no dia em que Oh Yangseok foi assassinado, os registros de acesso ficaram intactos.
Seokhwa inspirou uma vez e se virou. Temia que o cano estivesse apontado para ele, mas nas mãos de Kwak Soohwan continuava havia apenas a garrafa e um copo vazio.
— Major Kwak Soohwan.
— O quê?
Kwak Soohwan umedeceu com a língua os lábios molhados de uísque.
— Por que você engatilhou a arma agora há pouco?
Seokhwa perguntou de forma direta, como sempre.
— Arma?
— Sim, ouvi o som de uma arma sendo engatilhada.
Kwak Soohwan franziu de leve as sobrancelhas e bebeu de novo.
— Isso aqui também é uma arma, é verdade.
Ele apontou para a própria cintura, mais precisamente, para o cinto solto. Era o som do cinto do uniforme sendo desafivelado que ele confundira com o de uma arma sendo engatilhada. Um pouco envergonhado, Seokhwa não deu desculpas e caminhou até sua mesa. Kwak Soohwan, que o seguia devagar, soltou um som na garganta, incrédulo.
— Descobri que o doutor Seokhwa também tem mania de perseguição.
— Eu tive um sonho. Sonhei que o major Kwak Soohwan matava o doutor Oh Yangseok.
— Sonho besta.
— Parece que sim.
Seokhwa admitiu sem rodeios e pousou o copo de uísque na mesa. Ficou olhando fixamente para a bebida na qual não deu nem um gole.
Se fosse mesmo um drinque de consolo, talvez Kwak Soohwan tivesse um lado mais gentil do que ele imaginava. Ele parecia diferente dos outros militares do abrigo que conheceu antes de descer para Jeju.
Diziam que os Adam não eram humanos, mas eles tinham de matar sem hesitar seres que um dia foram humanos. Por causa disso havia militares que sofriam de TEPT ou que, não suportando, se desligaram do exército. E como desligar-se significava, em outras palavras, ser expulso da zona verde, muitos permaneciam no exército a contragosto.
Em vez de conferir o diário de Oh Yangseok, Seokhwa ergueu o copo. Esticou a língua em ponta e provou, continuava sendo aquele gosto estranho ao qual nunca conseguiria se acostumar.
— E quem estava chamando quem de cachorro?
Kwak Soohwan se aproximou e apontou para Seokhwa, que lambia a bebida com a língua.
— Bebe você tudo, major Kwak Soohwan. Pra mim já basta.
Seokhwa estendeu o copo, mas Kwak Soohwan só bebia da própria garrafa. Ele se sentou na beirada da mesa de Seokhwa e baixou os olhos para os diários espalhados.
— Eu autorizei sua entrada, mas…
Interrompeu a fala e, como o combustível tinha acabado nesse meio-tempo, mastigou com cuidado o resto do sanduíche de soja.
— …mesmo que eu autorize, se o sistema central não liberar… não é possível entrar.
Mesmo militares do abrigo não podiam circular livremente por um laboratório com materiais importantes. E no entanto Kwak Soohwan era um dos militares autorizados.
— Está dizendo de forma indireta que um mero major é tratado como superior?
Se ele beber assim vai ficar bêbado rápido… Já tinha sumido metade do uísque.
— Não foi isso. É só curiosidade.
— É porque eu sou um talento e tanto, agora coma logo esse sanduíche de proteína horroroso.
— Falei há pouco com a equipe de recolhimento de Adam, e disseram que era mesmo um Adam…
— Nós dois vamos ser tratados como isso aqui.
Kwak Soohwan ergueu o indicador e o girou na têmpora.
Seokhwa ia começar a falar que também tinha ouvido algo estranho, mas parou. Não podia ter ouvido coisas, mas como não compreendia por completo o contexto, não adiantava mencionar.
— O filho do Oh Yangseok era mesmo um Adam, mas mesmo assim falou. Por isso o doutor Seok guardou isso e continua incomodado até agora.
Não é?
disse ele, sorrindo com os olhos.
— Você o conhecia bem?
— Apenas alguém com quem almocei algumas vezes junto com o doutor. Não éramos próximos.
— Bom, o doutor Seok gosta mais de pedras do que de pessoas mesmo.
— Não é verdade.
Ele achou que ouviria uma confirmação, mas ele disse que gostava mais de pessoas do que de pedras.
Kwak Soohwan olhou os diários de Oh Yangseok espalhados sem ordem e depois desviou os olhos. Ele matara porque tinha certeza de que era um Adam, mas também ficou com uma sensação ruim. Os Adam que ele matava com aquelas mãos, exagerando um pouco, encheriam o abrigo se empilhassem os corpos, mas nenhum jamais tinha falado a língua humana. Bom, se aquilo fosse uma nova mutação do vírus Adam, coisas muito perturbadoras aconteceriam dali em diante. Distinguir o humano de Adam ficaria difícil.
— Quando alguém que você conhecia morre na sua frente, é normal ficar com o coração estranho. Então vira isso de uma vez e esquece.
Diante de um consolo inesperado, Seokhwa apenas envolveu o copo com as duas mãos. O líquido no copo redondo balançava como o mar de Jeju num dia calmo. Só então o tremor nas mãos chegou.
Ele tinha sentido medo? Sim. Ficou triste ao ver o hyung morrer daquele jeito diante dele? Sim. Só que no rosto sem expressão as emoções não afloraram muito.
— Major.
— Sim?
— Eu posso desmaiar.
Limpando com o dorso da mão a bebida que escorreu pela boca, Kwak Soohwan inclinou a cabeça de lado.
— Meu fígado não metaboliza bem o álcool.
Ele não acrescentou que era por isso que não bebia, mas Kwak Soohwan entendeu a intenção.
— Doutor Seok, sua vida deve ser bem sem graça.
Seokhwa voltou a olhar fixamente o copo com a bebida cor de âmbar. Enquanto conversava com Kwak Soohwan, o tremor das mãos tinha cessado.
— Pois é. Minha vida é bem sem graça.
Seokhwa bebeu de uma vez o conteúdo do copo. Como bebeu sem respirar, restou apenas a sensação ardida nos lábios e na língua. A última vez que bebeu foi quando a mãe morreu. Mas, bebendo agora, não foi tão ruim quanto imaginava.
— Você está bem?
Kwak Soohwan olhou para Seokhwa com olhos arregalados.
— Melhor do que eu esperava.
Tirando a sensação de garganta em brasa, estava razoavelmente bem. Kwak Soohwan aproximou o rosto e examinou o estado dele. Parecia um olhar de “não vai morrer, né?”.
— Major Kwak.
— O quê? Vai vomitar?
— Não.
Ele balançou a cabeça uma vez e sentiu um pouco de tontura. Seokhwa respirou fundo e soltou um longo bafo quente.
— Que bom. Parece que o terceiro remédio experimental funcionou. Major, já ouviu falar de cardo-mariano? Ele tem um princípio ativo incrível. Como eu queria conseguir beber pelo menos um copo, extraí silimarina das sementes de cardo-mariano e fiz um remédio que regenera as células hepáticas. Se eu bebi tanto uísque assim e continuo bem, parece que deu certo.
Seokhwa despejava palavras a uma velocidade 1,5 vez maior que o normal. Mas, ao contrário do que dizia, o rosto foi ficando cada vez mais corado e os olhos, lânguidos. Cardo-mariano ou coisa que o valha, ele não entendia nada, mas era evidente que o remédio de Seokhwa não serviu para nada. O corpo sentado na cadeira ia derretendo como uma gelatina.
— Doutor Seok, você está bem mesmo?
Seokhwa ergueu o corpo com dificuldade, arrastou a cadeira até a mesa e pegou uma caneta. E, com uma mão segurando um pote escrito [Reforço hepático, ensaio clínico 3], começou a rabiscar algo.
Enquanto se perguntava o que ele estava fazendo, a caneta escorregou para cima no meio da escrita. Seokhwa já tinha desabado sobre a mesa.
[Uísque, aprox. 150ml, aguentou aprox. 5 minu…]
Parecia uma mensagem de moribundo.
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Achando que ele podia ter morrido de verdade, esticou o indicador várias vezes até o nariz de Seokhwa e limpou com uma toalha fria a testa e o rosto febril. Ainda assim, a febre não baixava, e no fim foi abrindo um a um os botões da camisa de Seokhwa.
Andando por aí catando pedra sob o sol e não pegou nem um pouco de cor.
O toque da pele nas pontas dos dedos era excessivamente liso. Deslizou a mão para baixo e, ao chegar ao umbigo fundo, fechou o punho com força.
Quando o viu na praia de Sehwa, achou que era exatamente o seu tipo, mas por ser um pateta só lhe deu as meias. E agora ele era o gênio que ocuparia o posto de pesquisador-chefe… Se pusesse a mão, só arrumaria dor de cabeça.
Foi ao banheiro, molhou a toalha na água fria e voltou, terminando de tirar a camisa. Quando ergueu o braço para colocar a toalha na axila, escapou-lhe uma risada seca. Tocou de leve com a mão a parte lisa e enfiou a toalha. Diante do frio repentino, Seokhwa franziu a testa e tentou puxar a toalha. Kwak Soohwan cruzou seus braços e os segurou, impedindo qualquer movimento. Esperava que a febre baixasse quando Seokhwa finalmente abriu os olhos.
— Recobrou a consciência? Quer água?
Soltou seus braços e foi buscar água, então algo voou e bateu em suas costas. Era a toalha molhada que ele tinha colocado sob a axila de Seokhwa.
— Sua febre está alta, então…
Kwak Soohwan interrompeu a fala e coçou a sobrancelha, sem graça. Seokhwa, deitado de frente para o teto, começou a se contorcer e a fazer a muda.
Tirou a camisa e, junto com a calça, puxou também a cueca. O processo era tão lento que era como assistir ao vivo a um animal trocando de pele. Logo, completamente nu, Seokhwa abriu os braços e as pernas em X. Kwak Soohwan não tinha como saber que aquele era um dos hábitos de sono de Seokhwa, que sentia muito calor.
Kwak Soohwan apertou a testa com a mão e se virou. Como não podia levá-lo até o quarto de Seokhwa, o trouxe para o próprio quarto.
— Olha só. Quem é o cachorro de verdade?
Mas deixar Seokhwa ali e sair também era difícil, porque parecia que na manhã seguinte encontraria um cadáver. Seokhwa era mais velho que ele e ainda assim parecia frágil. Seria pelo preparo físico tão baixo? Ou porque, mesmo sem expressão ao ver Oh Cheongwoon ser morto, o rosto lívido dele tinha ficado gravado em seus olhos?
Kwak Soohwan molhou duas toalhas na água fria de novo e se aproximou de Seokhwa. Abriu-as, cobriu o tronco e a parte de baixo e puxou uma cadeira para se sentar.
De repente sentiu uma vontade urgente de fumar. Como não tinha nem um cigarro, só bebeu seguidamente o uísque restante. Nisso, a luz do ambiente piscou, avisando que havia problema no fornecimento de energia. Diziam que era o abrigo mais seguro e rico, mas faltar e voltar a luz não era novidade.
— Minha vida também é bem sem graça, doutor Seok.
A toalha logo esquentou com a febre de Seokhwa.
⊹₊˚ 🧬 ˚₊⊹
Continua….
🌈 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello