🧬 Capítulo 04
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Paraíso dos tolos (4)
De Yeouido até a zona vermelha onde ficava a casa da família do doutor Oh Yangseok eram trinta minutos, mais que suficiente.
Quem guardava a zona vermelha eram militares e, por mais que os Adam se agitarem, eles não conseguiam cruzar aquela linha. Aliás, foi ali que começou a sétima mutação do Adam. Por isso a zona passou de verde a vermelha num piscar de olhos.
Antes de entrar na zona, ao chegar ao posto de controle, Kwak Soohwan parou o jipe. Abaixou o vidro e mostrou a identificação, e um dos sentinelas o reconheceu de imediato.
— Major Kwak, não me diga que veio saquear outro bar?
O militar fez de cara uma expressão suplicante.
— Por favor, pegue leve. A gente levou uma bronca daquelas por não ter notado o major entrando na zona vermelha naquele dia. Salva a nossa pele.
Kwak Soohwan enfiou a identificação por dentro do uniforme.
— Se eu viesse pra saquear, entrava escondido, ia mostrar a identificação? Cala a boca e tira o arame farpado.
— Mas quem está ao seu lado…?
Era uma expressão de “não é possível”. Como será que o viam? Era um olhar de quem achava que ele tinha matado alguém e estava indo desovar o corpo.
— Ele não morreu, tá.
— Ainda assim, major Kwak, na zona vermelha é preciso verificar a identidade do acompanhante.
Ele olhou de relance para Seokhwa, dormindo de boca ligeiramente aberta. Que belo sono. Propôs vir à zona vermelha e já estava sem forças, ficando naquele estado o caminho todo — era de dar risada.
— Meu namorado.
Ele passou a mão enluvada de couro pela bochecha de Seokhwa. Como ele não abria os olhos de jeito nenhum, deu uns tapinhas na bochecha.
— Amor, amor, acorda. Você quis vir à zona vermelha no nosso encontro.
Toc, toc, toc. Com tanta insistência, Seokhwa abriu os olhos devagar. A testa que estava apoiada no vidro devia estar latejando, porque ele até esfregou o lugar com a mão.
— Já… chegamos?
Em seguida, tirou da mochila uma barra de chocolate bem calórica e começou a mastigar devagar.
— Doutor Seok. Me passe o endereço da casa do Oh Yangseok e fique aqui esperando com os senhores militares.
Depois de enxaguar a boca com água, Seokhwa olhou fixamente para a escuridão total à frente.
Como o estado de calamidade nacional não tinha sido revogado, era preciso economizar energia, e os únicos lugares com luz dia e noite eram as zonas verde, azul e índigo. Talvez por ser lua nova crescente fininha, estava tão escuro que não dava para andar sem lanterna. Seokhwa então abriu os lábios.
— …Está bem.
Kwak Soohwan ficou pasmo, pensando “mas que tipo de doutor é esse?”. Quando Seokhwa soltou o cinto e ia descer, ele o impediu com a mão e pisou no acelerador.
— O que você está…!
Com a arrancada repentina, os pneus do jipe patinaram.
— Tira logo esse arame farpado!
Ao seu grito, o jipe, com o motor rugindo em rotação alta, disparou para frente. O carro passou por pouco pela abertura do arame farpado que começava a se abrir, e do painel começaram a jorrar alertas.
[Bip, bip. Emergency, Emergency, você entrou na zona vermelha 13. Retorne o veículo. Emergency, Emergency, Emergency.]
— Como se eu não soubesse.
Kwak Soohwan desligou o alerta de emergência acoplado ao GPS e pisou fundo mais uma vez. Olhou para o lado e viu Seokhwa segurando o cinto com as duas mãos.
— Não se preocupe.
— …Certo.
Achou que ele diria alguma coisa, mas foi só um “certo”. Kwak Soohwan riu alto.
— No dia em que eu vim buscar bebida, os Adam que estavam aqui foram praticamente exterminados.
Ainda assim, era possível que restasse algum, e foi por isso que designaram como zona vermelha.
— Então saiba que o doutor Seok tem sorte. Na Rainbow City de hoje só existe um cara do meu nível: eu.
— O doutor Oh Yangseok, não foi você que matou, foi?
Seokhwa perguntou com calma.
— Quem disse isso? Que cachorro é esse que anda espalhando boato? Bom, aquele velho só tinha a mim como companheiro de bebida, então até que faz sentido surgir boato estranho, mas tem mais um boato falso, sabia? Que eu peguei a nuca do doutor Seok e enfiei sua cara na sopa. Você sabe que isso também é boato, né?
— Sim, eu sei. E também sei que o outro boato é verdade.
— O quê?
— Que você encostou seu órgão reprodutor ereto na minha boca.
Por reflexo, o pé que ia para o freio parou e ele pisou ainda mais forte no acelerador.
— Vamos falar direito. Nem chegou a encostar, eu tirei.
— Por que você encostou na minha boca?
A única luz que iluminava a estrada escura eram os faróis. Kwak Soohwan olhou para Seokhwa com expressão intrigada. Seokhwa apenas dobrava o cobertor com capricho e o guardava na mochila. Estava escuro dentro do carro, mas dava para perceber facilmente que ele estava sem expressão.
Depois de fechar o zíper da mochila cheia, Seokhwa reativou o GPS que Kwak Soohwan tinha desligado. Então iniciou a navegação para o endereço da casa da família do doutor Oh Yangseok. Como a instrução era virar à direita dali a duzentos metros, Kwak Soohwan girou o volante naquela direção.
— Parece que você não quer mesmo uma resposta.
— Não.
Como ele disse, Seokhwa não estava muito curioso. Apenas pensava que, por algum motivo, ele tinha uma ereção e não quis resolver com a mão.
— Doutor Seok, você consegue ter ereção?
— …Consigo.
— É que você é seco e sem graça feito uma pedra, fiquei pensando se dá conta na cama.
— Pedra não é seca. Tem umidade também.
— Ah, é por isso que o senhor juntou suas preciosas pedras e enfiou na meia dos outros?
— Por que você me deu a meia?
Não era bem o tipo de conversa para se ter atravessando uma zona de risco, mas também não havia lei que proibisse.
— Porque um idiota estava cavando areia descalço morrendo de frio e me deu pena?
De repente ele baixou o olhar e viu que ele usava tênis, mas continuava sem meias.
— Você tem alguma mágoa das meias?
— Meus pés esquentam muito.
Quando os pés esquentavam, a cabeça doía logo, então ele quase não usava meias mesmo no frio.
[Seu destino está próximo.]
Ao aviso do GPS, Kwak Soohwan acendeu o farol alto para iluminar uma área mais ampla. Dirigindo devagar, observou as casas coladas umas nas outras.
— Sabe exatamente qual casa é?
— Já estive aqui algumas vezes.
O doutor Oh Yangseok gostava bastante de Seokhwa, à sua maneira. Antes de ele descer para Jeju, às vezes o convidava para jantar em casa. A esposa era gentil, e o filho deles, Oh Cheongwoon, era o superior direto de Seokhwa.
— Ali, a casa com jardim.
Seokhwa ergueu o indicador e apontou para uma casa na diagonal. Era uma casa cercada por uma cerca baixa, na altura das panturrilhas, mas o curioso é que as janelas e a porta tinham grades de ferro. Como fazia pouco tempo que a área fora designada zona vermelha, isso significava que os dispositivos tinham sido instalados ainda no tempo de zona segura. Claro, havia casas que se preparavam com antecedência, então não era tão estranho.
Quando Seokhwa soltou o cinto e pôs a mochila, o corpo sentado no banco do carona projetou-se ainda mais para frente.
— Devo ficar no carro?
— Por quê? Com medo de dar trabalho pra mim se os Adam atacarem?
— Não, porque não quero morrer.
Ele falou com tanta naturalidade que Kwak Soohwan riu de novo.
— Então é melhor descer comigo. De qualquer forma, se a gente rodou de carro pra tudo quanto é lado e nenhum Adam apareceu, talvez tenham sido mesmo exterminados.
Kwak Soohwan tirou a capa do uniforme, jogou-a no banco de trás e foi até o lado do carona. Quando abriu a porta, Seokhwa desceu, deixando cair no chão.
Não se ouviam os uivos grotescos dos Adam, mas assim que pôs os dois pés no chão seus ombros enrijeceram. O silêncio que envolvia a cidade vazia provocava uma solidão estranha. E Seokhwa sabia: conhecia essa cidade nos tempos em que ainda tinha alguma vida.
Quando se sentava à mesa da casa de Oh Yangseok, a convite dele, o cachorro grande e o gato que o doutor criava se aproximavam pedindo carinho, e do parquinho vinham risadas de crianças. O mundo antes do surgimento do Adam devia ser sempre assim. Não foram alienígenas que invadiram um dia, foi um produto criado pelo próprio homem, um monstro, que destruiu aquela paz.
Kwak Soohwan chutou um lixo trazido pelo vento e parou perto da entrada. Iluminou os arredores com a lanterna portátil do tamanho de um dedo indicador, item militar. O último lugar que iluminou foi a porta de entrada, firmemente trancada.
— Me dá a arma.
Em vez de dar a arma, Seokhwa estendeu a mão e abriu a tampa da fechadura eletrônica. Devia estar sem bateria, porque uma luz azul piscou convulsivamente e logo se apagou.
— Sabe a senha?
— Sabia, mas não vai adiantar. Vou te dar a arma, mas o relatório de uso de arma de fogo você mesmo escreve, major Kwak Soohwan.
Crac—! Antes mesmo que terminasse de falar, Kwak Soohwan, que dera um passo atrás, arrebentou a maçaneta com um chute.
— Não queria usar força, mas escrever relatório eu queria menos ainda.
O motivo pelo qual o major Lee, o major Kwak Soohwan e alguns outros militares sobreviventes conseguiram enfrentar os Adam com as mãos nuas era terem superado o corpo comum e evoluído com sucesso. A evolução ocorrida desde que a humanidade surgiu naquela terra até agora era misteriosa e admirável.
Seokhwa olhou brevemente para as próprias pernas. Mas será que ele tinha mesmo evoluído? Diziam que sua mente era excepcional, mas ele mesmo não sentia nada disso. Apenas repetia pesquisas como uma macro programada.
Seokhwa inspirou de leve, expirou e seguiu Kwak Soohwan para dentro. Concentrou-se ao máximo para não ter uma tontura, e o fato de ter dormido no carro ajudou: as pernas não estavam pesadas.
— Acho que precisamos ir ao escritório do segundo andar. Há muitos materiais importantes de pesquisa no escritório do doutor Oh Yangseok.
— A polícia militar já deve ter vasculhado depois que o velho morreu.
— Provavelmente não encontraram o lugar que eu conheço.
Rangido, rangido. Enquanto subiam a escada de madeira, Seokhwa se colou às costas de Kwak Soohwan. Girou o corpo e encostou as costas nas dele. Sacou a arma, segurou-a com as duas mãos e subiu de costas, acompanhando o ritmo dele.
— Doutor Seok, o que diabos você está fazendo?
Kwak Soohwan parou de repente e falou com um tom de total incompreensão.
— Estou dando cobertura.
Dessa vez foi Seokhwa quem ficou intrigado.
— Onde foi que você viu isso? Não caia de costas subindo a escada, só cole em mim e me siga direito. E guarda isso. Você ainda vai atira em mim.
Seokhwa olhou para a arma que segurava e a guardou obedientemente no coldre. Voltou-se a ouvir apenas o rangido da madeira, não havia o rosnado gutural característico dos Adam. Com a porta tão firmemente trancada, ninguém poderia ter invadido.
Kwak Soohwan podia andar mais rápido, mas acertou o passo com medo de que o doutor fracote cambaleasse.
— Aqui, à esquerda.
Ao subir a escada, o primeiro cômodo à esquerda era o escritório do doutor Oh Yangseok. Por sorte, a porta não estava trancada, e Kwak Soohwan entrou primeiro para checar os arredores com a lanterna.
Livre. Disse ele com leveza, e então desenrolou uma cordinha enrolada na ponta da lanterna e a pendurou no lugar onde ficaria a luminária. Não era como uma lâmpada fluorescente, mas o ambiente ficou razoavelmente claro.
Seokhwa foi até a estante de Oh Yangseok e começou a passar a mão pelos livros, procurando algo. Kwak Soohwan sentou-se na beirada da escrivaninha e pegou um porta-retratos apoiado torto.
Um velho sorrindo alegremente, ao lado dele uma mulher que parecia ser a esposa, e à frente deles um rapaz que aparentava ser estudante do ensino médio. Parecia uma foto tirada há bastante tempo.
Logo perdeu o interesse e voltou o olhar para Seokhwa. Em geral lento, dessa vez Seokhwa parecia surpreendentemente ágil. Estava enfiando na mochila alguns livros finos e o que parecia material de pesquisa. Como não cabia mais, tirou o cobertor, pôs sobre os ombros e continuou guardando os documentos.
— Major Kwak Soohwan.
Seokhwa parecia sofrer para se levantar com a mochila nas costas. Dava a impressão de que, com um toque, cairia para trás com o peso.
— Terminou?
— Levanta daí.
Seokhwa se aproximou e começou a empurrar a enorme escrivaninha. Sem aguentar ver aquilo, Kwak Soohwan empurrou a mesa de uma vez.
— Ha, o velho cavou um túnel na própria casa?
No chão, antes coberto pela escrivaninha, havia uma alça. Seokhwa tentou erguê-la com dificuldade e então se virou para Kwak Soohwan, que estava de braços cruzados.
— Obrigado.
— O quê?
Seokhwa se afastou, como que pedindo que ele abrisse, e segurou as alças da mochila com as duas mãos.
— Que situação é essa de agradecer antes mesmo de eu fazer?
Crec. No exato momento em que ele segurou a alça e ergueu a portinhola do chão…
Tá-tá-tá-tá-tác—!!!
Algo começou a subir a escada correndo. Kwak Soohwan agarrou depressa a gola de Seokhwa, empurrou-o para trás e segurou pela nuca a coisa que se lançava sobre eles, erguendo-a no ar. Soltando os guinchos característicos dos Adam, a criatura se debatia para escapar das mãos dele.
— …Hyung?
Seokhwa, caído no chão, murmurou aturdido. O corpo que se convulsionou freneticamente parou como se tivesse congelado. Piscando devagar, a criatura segurou o pulso de Kwak Soohwan com as duas mãos.
— …Seo… hwa…?
Uma pronúncia indistinta escapou da boca dele, mas Kwak Soohwan também ouviu com clareza. Seokhwa o chamou de hyung, e ele chamou o doutor Seok pelo nome.
— Hyung?
Seokhwa se apoiou no chão e se ergueu com dificuldade. Também tinha achado que era um Adam atacando. Mas quem se lançara sobre eles era ninguém menos que Oh Cheongwoon, filho de Oh Yangseok e seu superior.
— …hwa…
O hyung estendia a mão e o chamava desesperadamente.
— …grr… não… consigo… respi… rar. Seo…k…hwa.
Devia mandar que o soltasse? Era mesmo o hyung? Seokhwa foi tomado por uma confusão instantânea.
— Doutor Seok, traz a lanterna.
Diante da voz nítida dele, Seokhwa pegou a lanterna pendurada e entregou. Iluminando enquanto imobilizava a nuca, viram que os capilares dos olhos estavam todos rompidos e os lábios também estavam num estado horrível, com sangue coagulado.
— A partir de agora você responde direito ao que eu perguntar.
— Sim.
Seokhwa recuou um passo e sacou a pistola de novo.
— Não, guarda essa arma. Nessa distância, você consegue mirar direito entre mim e esse cara?
Ainda assim, achou melhor estar com ela em mãos, e dessa vez não a guardou.
— Olhando o estado dele agora, parece um Adam, não é?
— Pela aparência, sim.
— Mas um Adam consegue falar? Já saiu algum resultado de pesquisa nesse sentido?
— …Até eu ir para Jeju, não. E ainda não ouvi nada disso dos outros pesquisadores.
Oh Cheongwoon, preso pelo pescoço, só emitia um “grrrr” incompreensível de animal, e logo repetia que não conseguia respirar. Estava magro a ponto de parecer uma múmia. Mas a pronúncia ia ficando cada vez mais nítida. Sentindo que havia algo estranho, Kwak Soohwan tirou o rádio de dentro do uniforme e o levou à boca.
— Aqui é o major Kwak Soohwan, código 3121. Na zona vermelha 13, na residência do doutor Oh Yangseok, encontramos o que se presume ser um Adam. Não sei se está em mutação ou o quê, mas parece capaz de conversar. Solicito o envio imediato da equipe de recolhimento de Adam.
[Copiado.]
Do outro lado do rádio veio a confirmação imediata.
— Se continuar apertando o pescoço assim, ele pode morrer…
Seokhwa ainda estava confuso. Era um humano? Era um Adam? Será que, depois da morte do doutor Oh, o hyung havia enlouquecido de tristeza?
Grrraaah! Grrrk… hnn… graaah!
Kwak Soohwan empurrou contra a parede a criatura que voltava a se debater e atacar. Aquilo que rangia os dentes encharcados de sangue tentando arrancar um pedaço de gente já não podia ser chamado de humano. Era apenas um Adam, com os olhos brilhando na direção dele e de Seokhwa atrás. Kwak Soohwan tirou a faca do bolso traseiro sem hesitar um instante e ia enfiá-la no globo ocular do Adam quando parou. Girou a faca uma vez na mão. E então olhou brevemente para Seokhwa.
— Você disse que conhece ele, né?
Seokhwa assentiu devagar.
— Isso aqui é um Adam, certo?
Se o julgamento demorasse um segundo a mais, quem viraria Adam seriam eles.
“Não tenha nenhuma piedade daquilo que se suspeita ser um Adam. Abata imediatamente. Ainda que seja seu pai ou sua mãe, eles já não são pessoas.”
Tinham aprendido isso incontáveis vezes no centro de instrução. Mas, por deixar a emoção falar mais alto e não conseguir tomar essa decisão simples, a humanidade quase foi exterminada.
— Doutor Seok.
Sem confiança, ele assentiu mais uma vez. Era desconcertante que fosse possível conversar daquele jeito diante de um Adam enfurecido. Entendia agora por que o comando não largava facilmente aquele major Kwak incontrolável, e também por que o tenente-coronel Jang o protegia de forma quase exagerada. Ele protegia outra pessoa de um Adam que atacava num instante, e ainda o dominava de uma só vez. Se não fosse ele, talvez já tivesse perdido a vida para o hyung.
— Doutor Seok, não me culpe. Esses caras sempre foram conhecidos, vizinhos e famílias de alguém.
Zás. Kwak Soohwan cortou o fôlego do Adam. Mais precisamente, interrompeu os movimentos do corpo.
╾━╤デ╦︻ 🧬 ︻╦デ╤━╼
[Relatório sobre a sétima mutação do Adam: parece que os Adam desenvolveram inteligência.]
Era o caminho de volta ao Abrigo de Yeouido.
Seokhwa conferia o relatório que Oh Yangseok redigiu em caráter pessoal. Então tirou mais uma barra de chocolate da mochila, comeu e mastigou também um comprimido. A garrafa de água que trouxera cheia já estava no fim.
— Não está com vontade de mijar?
— Não.
— Eu estou.
Foi quando entraram na zona verde. Kwak Soohwan parou o carro e saiu. Seokhwa voltou o olhar para o relatório.
[Finalmente parece que os Adam começaram a articular linguagem. Meu ……ele começou a falar.]
Não teria conseguido escrever o nome?
Seokhwa deduziu facilmente quem era o Adam que começara a falar. Devia ser o filho do doutor Oh Yangseok, e seu hyung.
[Jardim do Éden. Fato surpreendente. A cúpula não deseja.]
Não fazia ideia do que aquilo significava. Passou para a página seguinte, mas não havia mais menções ao assunto.
Kwak Soohwan abriu a porta do carro, entrou e estava limpando as mãos com lenço umedecido. Normalmente sem expressão, Seokhwa piscou duas ou três vezes rapidamente.
Alguém que faz as necessidades em qualquer canto e depois limpa as mãos…
Enquanto olhava distraído, viu passar pela pista contrária o veículo da equipe de recolhimento de Adam. À luz dos faróis deles, o rosto liso de Kwak Soohwan ganhou sombras.
— Acho que a injeção que o doutor Seok pesquisou tem um efeito colateral.
Os pesquisadores sempre diziam que o temperamento dele era uma porcaria, mas que ele era bonito. Seokhwa de repente entendeu por quê. Segurando o volante com leveza, Kwak Soohwan continuou, voltado para ele:
— Fico duro o tempo todo.
Seokhwa deixou os ombros caírem, como se tivesse descarregado. Parecia que por hoje era só.
— Major Kwak Soohwan.
Fechou os olhos e forçou a voz.
— Não encoste isso… na minha boca.
Com as duas mãos sobre a mochila e a boca entreaberta, adormeceu de novo num instante. Kwak Soohwan, que o observava com o braço apoiado no volante, deu uma risada curta.
Havia diversos tipos de consumo nos automóveis. Havia carros de aparência imponente e consumo horrível, e havia modelos sem nenhuma pinta que economizam combustível. O jipe que Kwak Soohwan dirigia era de dotação militar e tinha ótimo consumo. Era uma era em que se economiza combustível e energia ao extremo, mas não havia grandes inconvenientes. Ao menos para quem vivia na zona verde.
— Nesse sentido, o doutor Seok tem um consumo de merda.
Um carro que devorava combustível, mas era bonito de virar o pescoço.
Kwak Soohwan chegou ao estacionamento do abrigo e não desligou o motor. Apoiado no volante, contemplou Seokhwa, de olhos fechados e quieto. O jipe não tinha ar-condicionado, que consome combustível, mas o aquecedor funcionava perfeitamente. Com a temperatura fria do estacionamento subterrâneo, o calor dentro do carro e a respiração dos dois, o vidro foi ficando embaçado.
O olhar que descia aos poucos chegou às coxas de Seokhwa. Ele achava que ele gostava só de pedras, mas agora abraçava um relatório com o mesmo cuidado. Aquilo não era o relatório de pesquisa que ele tirara do escritório de Oh Yangseok, mas os documentos que estavam no subsolo de onde o Adam saltara.
⊹₊˚ 🧬 ˚₊⊹
Continua….
🌈 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello