🧬 Capítulo 03
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Paraíso dos tolos (3)
O cardápio do refeitório do abrigo era relativamente luxuoso. Mesmo Jeju sendo o lugar onde viviam os figurões, boa parte dos alimentos consumidos no continente vinha de cultivos da ilha. Havia também outros lugares controlados de forma tão completa quanto Jeju: os chamados “ilhas”. Claro que naquele prédio também se desenvolviam culturas geneticamente modificadas, então era uma ajuda mútua.
Seokhwa só saiu do laboratório bem depois do anúncio que avisava o horário do jantar. Olhou para Kwak Soohwan, plantado bem em frente. Teve a impressão de que o ar frio ainda estava impregnado no uniforme dele, como se tivesse saído.
— Você não jantou?
— Estava esperando o doutor sair. Um simples militar como eu não tem como entrar no laboratório.
— Vamos.
Mesmo diante do tom provocativo, Seokhwa não demonstrou qualquer reação.
Kwak Soohwan pensava que, sempre que via o doutor, as palavras saíam afiadas sem querer. Em parte também porque tinha ficado curioso: o que faria aquele rosto sem expressão se surpreender, o que provocaria nele uma mudança dramática.
— Descobri que o nome do nosso doutor Pedra é Seokhwa. Não é doutor Pedra porque cata pedra, na verdade é porque o sobrenome é o caractere “seok”, de pedra?
— Você é a primeira pessoa a me chamar de doutor Pedra, major Kwak Soohwan.
— Ora, só não te chamam na sua frente, todo mundo te chama de doutor Pedra.
— Entendo.
Dessa vez foi Seokhwa quem acionou o elevador.
— Minha avó mergulhava em Jeju.
Seokhwa só continuou a falar depois de entrar no elevador.
— Mergulhava?
— Era haenyeo.
— Você acha que eu perguntei porque não sabia o que significa?
O elevador abriu a porta no andar do refeitório.
— E daí que sua avó era haenyeo?
Kwak Soohwan agiu como se exigisse que Seokhwa, que tentava sair primeiro, terminasse de falar.
— “Seokhwa” não é pedra, significa ostra. E eu não sou doutor Pedra.
Kwak Soohwan franziu o rosto olhando Seokhwa caminhar devagar em direção ao refeitório.
— Pedra ou ostra, que se dane.
Ele parecia andar devagar, mas a distância entre eles já começava a aumentar. Como poderia haver por ali algum dos dedos-duros do tenente-coronel Jang, Kwak Soohwan se aproximou de Seokhwa em passadas largas.
— Doutor Ostra, vamos juntos?
Como já tinha passado uma leva de militares pelo refeitório, estava mais vazio que o normal. Seokhwa se lembrava disso, e por isso saíra com calma.
Seokhwa pegou uma bandeja e começou a receber a comida devagar. Atrás dele vinha Kwak Soohwan. Diziam que ele comia como mijo de rato, mas os funcionários do serviço ainda não tinham entendido o esquema de Seokhwa e encheram sua bandeja de arroz e acompanhamentos. Seokhwa olhou a bandeja fixamente e soltou apenas um pequeno suspiro. Logo achou um lugar vazio, e Kwak Soohwan se sentou à sua frente.
Seokhwa pegou a colher e tomou um gole de sopa. Kwak Soohwan comia enquanto contava mentalmente os segundos até o doutor enfiar a cara na sopa. Mas passaram-se vários minutos e ele apenas comia. Comia tão devagar que ele chegou a se perguntar se estava ruminando o que já tinha na boca, feito uma vaca.
— Doutor Seok, sobre o vírus Adam.
Seokhwa não esperava que uma conversa sobre o vírus saísse da boca de Kwak Soohwan. Por isso ergueu a cabeça.
— É verdade que ele sofreu mutação de novo? Que a vacina desenvolvida antes não funciona mais.
— …Foi o que ouvi. Também estou me inteirando da situação.
— É verdade que aqueles infectados não têm pensamento nenhum?
— Movem-se apenas por instinto.
— Instinto de sobrevivência?
Seokhwa, que comia um bolinho de peixe sem sal, piscou os olhos.
— Isso. O vírus também não quer morrer, por isso sofre mutações. Como o major Kwak Soohwan e eu.
Eram seres no meio da evolução.
— Antigamente diziam que os chamavam de zumbis.
— Zumbi era o nome de um deus do vodu na África Ocidental. E também significava um cadáver ressuscitado por um feiticeiro do vodu. Chamamos de zumbi por comodidade, mas os detalhes são diferentes.
Com comida no estômago parecia mais disposto, e falava sem tropeços.
— Ainda assim, é melhor que chamar aquilo de Adam.
— Que diferença faz como chamamos?
— Dizem que não pensam, mas talvez pensem, inesperadamente. Eles não atacam uns aos outros, não é?
Kwak Soohwan pôs uma salsicha crocante na boca e mastigou.
— Então não seria porque se reconhecem, uns aos outros, como iguais?
— Os infectados são portadores do vírus, então não há motivo para propagá-lo, por isso não atacam.
— Então eles são melhores que os humanos. Humanos matam os próprios semelhantes sem hesitar, não é? Como aquele velho que foi assassinado no laboratório outro dia.
Seokhwa tinha convivido com inúmeros militares desde a época do laboratório.
Os militares designados ao abrigo eram considerados a elite mesmo dentro do exército, e quanto mais dramaticamente o corpo tinha evoluído, mais lento tendia a ser o raciocínio. Claro que isso não significava que fossem seriamente deficientes. Apenas falavam como crianças do primário ou tinham baixa capacidade de empatia, mas cumpriam bem as tarefas que os superiores mandavam. Não questionavam nenhuma injustiça. Por isso, poucos militares lhe haviam feito perguntas.
— Major Kwak Soohwan… você é mais sensível do que eu imaginava.
— É, sou um pouco. E por falar nisso, doutor Seok. Eu vou te divertir, então me faz um favor.
Kwak Soohwan sorriu de forma sedutora.
— É que cortaram minha bebida e meu cigarro. Mas o doutor consegue os dois facilmente se quiser, não é? Pede uns maços de cigarro e umas bebidas no seu nome pra mim. Em troca, o doutor Seok gosta de pedra, né? Você subiu de Jeju às pressas e não conseguiu trazer suas pedras. Eu providencio isso pra você.
Falava abertamente de algo que deveria ser sigiloso.
Havia mais de um ponto para contestar, mas Seokhwa ignorou tudo isso para terminar de comer.
— Eu não bebo nem fumo. E soube por outros pesquisadores que a solitária… Foi porque você entrou numa zona perigosa atrás de bebida. E ainda por cima na zona vermelha.
Tsc, esses pesquisadores têm a boca solta. Kwak Soohwan fez um gesto de “deixa pra lá” e mandou que ele terminasse de comer.
— Também ouvi dizer que você tem um péssimo comportamento quando bebe.
Diferente de Seokhwa, que falava com naturalidade, Kwak Soohwan franziu levemente a testa.
— O doutor viu com os próprios olhos?
Perguntou como se aquilo fosse absurdo. Seokhwa não respondeu e apenas molhou a boca com água morna.
— Então que tal ver com os próprios olhos hoje à noite? Você traz a bebida.
— Major Kwak Soohwan, sabe como é a estrutura molecular do etanol?
— Nunca olhei num microscópio na vida, como é que eu ia saber? Por melhor que seja minha visão, eu não enxergo molécula. Doutor Seok, coma logo.
Como tinha comido mais que o normal, sentia como se o arroz chegasse ao esôfago, mas Seokhwa aguentou firme.
— A estrutura molecular do etanol tem exatamente o formato de um cachorro.
É por isso que quem bebe vira cachorro, disse Seokhwa sem alterar a expressão. Kwak Soohwan riu, achando aquilo absurdo, e de repente aproximou o rosto até bem perto de Seokhwa.
— Au!
No instante em que Kwak Soohwan imitou o latido de um cachorro, plof, Seokhwa enfiou a cara na sopa. Assustado, Kwak Soohwan agarrou os cabelos da nuca dele e ergueu sua cabeça. Achou que encontraria os olhos revirados, mas ele apenas tentava erguer com dificuldade as pálpebras pesadas.
— Foi só uma tontura passageira…
Sopa de nabo escorria pela testa redonda até o dorso do nariz. Sem forças nem para limpar, ele apenas respirava devagar e lentamente. Só então Kwak Soohwan foi soltar seus cabelos.
— Espera… pode continuar segurando?
— O quê?
Porque eu vou enfiar de novo.
E de fato, a cabeça começou a descer, e ele apertou depressa a mão. Acabou virando alguém que segurava e sacudia os cabelos de Seokhwa. Um militar ali perto, de olhos arregalados, conferiu o rosto de Kwak Soohwan e fez uma cara de “eu sabia que era ele”.
Ele estalou a língua, ainda segurando os cabelos de Seokhwa, pensando em como a história seria distorcida. No fim, só tinha aumentado em um o número de coisas que precisaria justificar ao tenente-coronel Jang.
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[…A preservação da humanidade, a nova prosperidade da humanidade, essa é a nossa missão. Bem-vindos à Rainbow City, na linha de frente, zona verde.]
Era o anúncio que saía impreterivelmente ao meio-dia.
Atualmente a designação oficial daquela península era Rainbow City. Estava dividida em sete zonas ao todo, e a chamada zona verde era a mais segura. Como se podia prever, a zona vermelha, também chamada zona R, era a mais perigosa.
Para Seokhwa não fazia sentido que Kwak Soohwan tivesse invadido a zona vermelha, onde não havia sequer um abrigo, atrás de bebida. Um beberrão que não sabia o valor da própria vida — era só isso que ele pensava a respeito.
Seokhwa olhava o chão, de pé. Aquele exato ponto era onde o pesquisador-chefe Oh Yangseok foi encontrado morto. A direção de onde veio o disparo era justamente a porta de vidro.
A entrada do laboratório, feita de vidro à prova de balas, só podia ser acessada por pesquisadores e militares designados. Não se sabia porquê, mas no dia do incidente todas as imagens de CFTV do 34º andar estavam desligadas.
Como a lista de acessos daquele dia continha apenas pesquisadores, os doutores do laboratório entraram na lista de suspeitos, mas só militares, e ainda de alta patente, podiam portar uma Beretta M92F. Além disso, a hora estimada da morte era por volta das cinco da manhã. Por que Oh Yangseok estaria no laboratório àquela hora, nem Seokhwa sabia.
Era um bom homem, um doutor com enorme senso de missão em salvar a humanidade. Seokhwa fez um breve minuto de silêncio em homenagem a ele, mas então se deu conta de algo e recuou um passo. Não parecia certo fazer silêncio em homenagem pisando exatamente no lugar onde o corpo fora encontrado.
— Os anticorpos não estão se formando.
Ouviu-se a voz do doutor Kim vindo dali. O doutor Kim, praticamente discípulo de Oh Yangseok, tinha virado a cadeira na direção de Seokhwa.
— É mesmo.
Seokhwa, que estava no centro, caminhou até onde ficava sua escrivaninha.
O vírus Adam era um antígeno verdadeiramente agressivo. Atualmente já havia sofrido sete mutações, e a sexta vacina tornou-se completamente inútil. Tentavam produzir uma vacina baseada no cultivo do vírus Adam de sétima geração, mas os anticorpos simplesmente não se formavam.
— Vacina não é coisa que se produz num estalo, e lá em cima só sabem pressionar a gente.
Não era de hoje que a cúpula os cobrava, perguntando por que não entregavam logo a vacina.
— Doutor Seokhwa?
— …Sim?
— Não, é que estava me perguntando se você estava me ouvindo.
— Estou ouvindo. Aliás, na primeira geração, as pessoas que apresentaram resposta imune eram todas de Jeju, não eram?
— Ah, não é que todo mundo de Jeju tenha apresentado resposta imune, mas todos os que apresentaram eram, sem exceção, de Jeju ou tinham visitado a ilha.
— E a partir da segunda geração, com a mutação, isso também deixou de valer.
— Exato.
Isso também era de antes de eles nascerem, então só era possível verificar pelos registros deixados por pesquisadores anteriores.
— Mas, doutor Seokhwa.
— Sim.
Seokhwa respondeu enquanto se sentava à escrivaninha do computador. Produzir anticorpos era uma corrida contra o tempo. Mesmo repetindo centenas ou milhares de experimentos, era muito mais comum que os anticorpos não se formassem. Ainda assim, os pesquisadores tinham que trabalhar sem descanso até que a hipótese desse certo.
— Aquilo… sobre o major Kwak.
Seokhwa, que folheava o relatório de pesquisa da vacina para o vírus Adam de sétima geração, deixado por Oh Yangseok, ergueu a cabeça.
— O major Kwak Soohwan?
— Isso.
O doutor Kim parecia ter dificuldade em falar e hesitou um pouco. Como Seokhwa não tinha intenção de insistir se ele não fosse continuar, voltou o olhar para o relatório.
Eles tinham trabalhado juntos até o doutor Seok deixar Seul por causa do falecimento da mãe, mas o doutor Kim achava, tanto antes quanto agora, que Seokhwa era pouco acessível. Ainda assim, sua resistência parecia ter melhorado, já que não enfiava mais a cara no teclado. Embora fossem só dois dias.
— É que, sabe, o major Kwak está encarregado da escolta do doutor Seokhwa, mas… tome cuidado.
O doutor Kim se aproximou e cochichou de forma mais discreta.
— Quem atirou no doutor Oh Yangseok pode ter sido o major Kwak Soohwan.
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— Relaxa esse braço bruto, vamos?
O médico deu uns tapinhas no antebraço exposto de Kwak Soohwan.
— Que força o quê. Eu estou completamente relaxado.
Olhando de relance para o monitor para conferir o prontuário, o médico inclinou a cabeça.
— O quê? Faz menos de três meses que você tomou o inibidor e já vai tomar de novo?
— Eu sei, mas preciso.
O efeito do inibidor durava cerca de seis meses. Como a libido de Kwak Soohwan era mais forte que a dos outros, a duração do efeito também era mais curta.
— As ereções matinais andam mais gloriosas?
— De dia e de noite.
— O Bruce Lee me disse que o idiota do Soohwan tentou enfiar o pau na boca do doutor Seok.
O médico olhava fixamente com uma cara de “não é verdade, né?”. Realmente, ninguém batia aquela mulher em espalhar boato.
— Aplica logo. Preciso ir até o doutor Seok.
— Ouvi que você ainda puxou o cabelo da nuca dele e enfiou a cara dele na sopa.
— A primeira parte é verdade, a segunda não.
O médico passou algodão com anti séptico no antebraço e dessa vez aplicou com sucesso a injeção de inibidor. Não chegava a ser castração química: não havia problema com a ereção, apenas reduzia o impulso sexual. Era uma injeção obrigatória para qualquer militar formado na Academia.
— Toda vez que tomo essa injeção meu humor fica péssimo.
Não devia ser possível, mas era como se sentisse o fármaco percorrendo o corpo. Kwak Soohwan, que tinha desabotoado a parte de cima do uniforme e exposto apenas um braço, girou o ombro uma vez e voltou a se vestir.
— Se dê por satisfeito.
— Com o quê?
— Esse inibidor, sabe. Antes tinha o efeito colateral de causar disfunção erétil contínua com o uso periódico. Quem eliminou esse efeito colateral foi o doutor Seok, e você, seu desgraçado, ainda tenta enfiar o troço na boca do bendito doutor.
Kwak Soohwan arregalou um pouco os olhos, surpreso, e logo sorriu de canto.
— Foi só um agradecimento por eu continuar com a virilha em forma mesmo depois da injeção, graças ao doutor Seok.
— Essa cara, hein. Se o mundo estivesse normal, você ganhava a vida com o rosto, moleque.
— Sei lá, nunca vivi num mundo normal. Fui.
Pela primeira vez Kwak Soohwan vestiu a capa direito e saiu da enfermaria. O som dos coturnos ecoava ritmado pelo corredor. Então foi o doutor Seok quem eliminou o efeito colateral. Era como se o ponto onde a injeção entrou queimasse e o calor se espalhasse. Kwak Soohwan olhou para o braço coberto pelo uniforme.
Mas será que o doutor Seok, tão fraco assim, dá conta na cama?
Era espantoso que ele tivesse tido namorados. Pensou se o motivo de todas as separações não teria sido justamente o desempenho na cama. Salvava o pau dos outros e a sua própria vida sexual devia ser miserável, isso também era uma ironia à sua maneira.
Ao chegar ao laboratório do 34º andar, Kwak Soohwan ficou olhando para dentro. Tendo a coluna central como referência, à esquerda ficavam as escrivaninhas dos pesquisadores, à direita, o setor de gestão de vacinas e vírus. Claro que de fora só se via o espaço da coluna central, que parecia servir de saguão do laboratório.
De braços cruzados e as costas na parede, Kwak Soohwan esperava apenas que Seokhwa saísse. Ergueu o punho e olhou o relógio trincado: logo seria hora do jantar. Comia como mijo de rato, mas Seokhwa não pulava refeições.
[Liberando.]
O doutor Kim, que saía junto com Seokhwa, estremeceu ao ver Kwak Soohwan. Deu um sorriso constrangido e logo se afastou apressado.
— Doutor Seok, vai comer agora?
Kwak Soohwan fez o gesto de segurar uma colher.
— Não. Acho que preciso sair um pouco.
— Aonde?
Fazia poucos dias desde que o trouxera para Seul, mas era a primeira vez que Seokhwa manifestava vontade de sair. Além disso, agora ele reparava que ele usava um coldre por dentro do casaco. Era a pistola automática Glock 18C fornecida aos doutores. E não só isso, também carregava uma mochila nas costas.
— Por que a arma? Não me diga que vai sair da zona verde.
— Sim, acho que preciso.
— O campo é conosco. Se tem algo a mandar fazer, é só falar.
— Preciso ver com meus próprios olhos. Vamos juntos.
Seokhwa começou a caminhar à frente.
Se o doutor manda, a gente obedece. Kwak Soohwan acabou seguindo Seokhwa. Enquanto pegavam o elevador rumo ao estacionamento, Seokhwa trocou cumprimentos breves com algumas pessoas conhecidas.
— Por aqui.
O major Kwak agarrou o antebraço de Seokhwa e o conduziu até seu jipe.
— A injeção de inibidor de libido, foi o doutor Seok que eliminou o efeito colateral?
Por causa do aperto bruto, Seokhwa franziu levemente a testa.
— Recebi um pedido e apenas pesquisei como eliminar o efeito colateral.
Seokhwa entrou no banco do carona e soltou um longo suspiro. Ao ver o jeito caprichado com que ele puxava o cinto e o afivelou, Kwak Soohwan também pegou o volante.
— Então, para onde eu levo o senhor?
— Para a zona vermelha onde o major Kwak Soohwan foi roubar, não, buscar bebida.
— …O quê?
— É onde ficava a casa da família do doutor Oh Yangseok.
Seokhwa tirou impassivelmente um cobertor da mochila apoiada nas coxas. Depois se enrolou nele e fechou os olhos.
— Me acorde quando chegarmos.
Como assim propor invadir a zona vermelha ’13’ e ainda pedir para ser acordado? Kwak Soohwan bateu no volante antes mesmo de dar a partida.
— Ei, doutor Ostra.
Seokhwa permanecia de olhos fechados.
— Não sabe por que a vermelha é vermelha? É a zona mais perigosa. Cuidar de mim mesmo não é difícil, mas você faz ideia de como é difícil levar junto um doutor fracote como você?
Seokhwa abriu os olhos e olhou para Kwak Soohwan.
— Desce.
Kwak Soohwan respondeu com o rosto igualmente sem expressão.
— …
— Desce daí. Me diz o que precisa e eu vou sozinho.
— Não dá, porque você não saberia reconhecer.
Kwak Soohwan torceu os lábios.
— Por quê, porque minha cabeça parece de pedra?
— Major Kwak Soohwan. Não tenho energia para discutir com você.
— Então desce.
Seokhwa remexeu a mochila, tirou uma garrafa de água e bebeu devagar.
— Olhando o diário de pesquisa do doutor Oh Yangseok, parece que havia algum problema na época. Faltam partes importantes do diário, e eu o conhecia um pouco. Ele costumava guardar materiais sigilosos na casa da família. E soube que essa zona vermelha era originalmente zona verde, e só foi reclassificada como área de risco recentemente.
— Ah, agora o senhor doutor vai fazer o papel de polícia militar também?
Seokhwa esfregou os olhos com o dorso da mão, cansado.
— Entendi. Vou com outra pessoa.
Quando Seokhwa foi soltar o cinto, ele agarrou sua mão com força.
— Se você for com outro cara eu vou pra solitária?
— Então vá. Quem está precisando não sou eu.
Seokhwa falou dando ênfase a cada palavra. Kwak Soohwan riu, soltando o ar.
— Que ameaça assustadora. Eu vou, mas não me responsabilizo se alguma parte do seu corpo voar fora.
Seokhwa apertou com força o coldre onde estava a pistola.
— Vamos. Me acorde quando chegarmos à zona vermelha.
E dito isso, apagou na hora, com toda a indiferença.
⊹₊˚ 🧬 ˚₊⊹
Continua….
🌈 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello