🧬 Capítulo 02
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Paraíso dos tolos (2)
No mesmo dia, 22h, Prédio 63, Abrigo de Yeouido.
— Seu idiota desgraçado! Eu vou enlouquecer. Você está encurtando a minha vida, sabia?!
— Quem é que ia saber? Eu não sabia que ele era tão fraco assim.
— Vocês só têm o corpo de aço, a cabeça é de bosta! Em compensação a cabeça do doutor, não, não é cabeça de bosta, é… como é mesmo, o cérebro dele é genial, mas o corpo é de vidro!
— Como assim “vocês”? Eu sou diferente desse imbecil do Soohwan, tenente-coronel. Me deixa de fora.
Três militares de uniforme preto e capa preta cercavam o doutor, deitado na cama com os olhos fechados.
Sempre que o tenente-coronel Jang explodia de raiva, o forro vermelho da capa aparecia de relance. Os uniformes eram iguais, mas as platinas nos ombros indicavam a patente. A platina verde era de tenente-coronel, as prateadas, de majores.
— Chaeyoon, por favor, hoje não arruma briga com o major Kwak, tá?
O tenente-coronel Jang fez a ela um pedido que não era bem um pedido.
— Quando foi que eu arrumei briga? Sempre foi ele.
— Sua boca é barulhenta demais.
Kwak Soohwan falou sem tirar os olhos do doutor.
— Tá vendo? Esse cara é sempre o primeiro a provocar!
Quando Lee Chaeyoon apontou o dedo para ele, Kwak Soohwan passou a mão com força pelo cabelo e soltou.
— Espera um pouco. Os batimentos estão normais.
Kwak Soohwan franziu o cenho e ficou olhando o doutor de braços cruzados. Nem ele imaginava que ficaria desmaiado por tanto tempo. Achou que numa hora ele acordaria, mas nem ao descer do avião militar e passar para o helicóptero ele recobrou a consciência.
— A gente só pode torcer para que o doutor acorde e não lembre do que você fez, entendeu?
— Você disse que ele é inteligente. Vai lembrar de tudo.
Lee Chaeyoon sorria de orelha a orelha e fez um gesto de cortar o pescoço na direção de Kwak Soohwan.
— Eu disse que ia buscar. Por que foi tirar esse cara da solitária, o que ele tem de tão bonitinho?
— Sai daqui.
— Por quê, falei alguma mentira?
— Falou tudo certo, mas sai. Se o doutor acordar e ver essa sua cara, desmaia de novo.
— Quer morrer?!
Lee Chaeyoon ergueu uma cadeira dobrável para atirá-la, e o tenente-coronel Jang mal conseguiu impedi-la. Jang tentou contê-la com toda a força, mas era insuficiente contra a força dela. Kwak Soohwan segurou a cadeira que voava com a mão e a atirou de volta. Não era jogo de beisebol, mas as cadeiras voavam feito bolas por cima da cama do doutor. Jang, que apertava a testa, gritou “Chega!” com toda a força.
— Já chega! Ei, major Lee! Você também, para com isso!
— Ah, droga! Eu não sou o Bruce Lee!
Lee Chaeyoon arremessou a cadeira contra a parede. Kwak Soohwan começou a rir baixinho, gargalhando.
No museu do Prédio 63 havia material audiovisual de atores que marcaram épocas passadas, e por acaso havia também conteúdo sobre Bruce Lee. A partir daquele dia o apelido de Lee Chaeyoon virou Bruce Lee, e agora bastava chamá-la de “major Lee” para ela se exaltar daquele jeito.
— Moleque, quando foi que eu te chamei de Bruce Lee? Eu falei major Lee! E você, eu já falei mil vezes. Na minha frente tudo bem, mas na frente de outros superiores não pode. Toma cuidado a partir de agora. Já tem muita gente te olhando torto.
Quem se irritou foi Jang, mas Lee Chaeyoon fuzilava Kwak Soohwan com o olhar, bufando. Jang se colocou entre os dois e voltou a falar.
— Chega. Chaeyoon, você vai ver o pedido de reforço que chegou pro major Yang, e você, major Kwak, fica aqui sem se mexer até o doutor acordar. Implora de joelhos se for preciso.
— Não posso ficar? O doutor é bonito demais. Quero ficar olhando.
Lee Chaeyoon aproximou o rosto do rosto do doutor.
— Chaeyoon… por favor.
O tenente-coronel Jang apontou para a própria testa. Era sinal de que as rugas estavam se multiplicando sem conta.
— Tô brincando. Eu vou pro reforço. E fala pra mandarem esse desgraçado pra solitária quando o doutor acordar.
— Isso é problema do doutor, vamos sair. Ei, major Kwak. Faz direito, hein?
Kwak Soohwan apenas assentiu de leve. Assim que os dois saíram, a enfermaria do prédio ficou em silêncio, e só se ouvia de vez em quando o som do difusor de aromatizante. Kwak Soohwan olhava fixamente o doutor deitado de barriga para cima.
Pensando bem, não tinha perguntado o nome dele. Dizia ser pesquisador de vírus mutantes e mutações, devia ter mesmo o cérebro especializado, porque aparentava no máximo uns vinte e poucos anos e ainda assim era doutor.
Ouviu-se um som de lábios se movendo dentro da boca do doutor. Devia estar com sede, a saliva parecia grudenta. Kwak Soohwan desta vez baixou os olhos para a própria cintura. Precisava tomar a injeção de inibidor, mas o chefe da enfermaria não estava ali, e agora?
E agora nada, tinha que aliviar.
— Vou te dar um trabalhinho.
Kwak Soohwan abaixou o zíper da calça e apoiou uma perna na cabeceira da cama. Passou a mão pelo pau esticado, e ele inchou ainda mais. Estava prestes a levar a glande lustrosa, escorrendo líquido pré-seminal, até a boca entreaberta do doutor.
— Ah! Tenente-coronel! Tenente-coronel!
A voz estridente de Lee Chaeyoon fez com que Kwak Soohwan olhasse para a porta aberta ainda com o pau na mão.
— Aquele, aquele desgraçado! O imbecil do Soohwan está tentando esfregar o troço dele na boca do doutor!
Tsc. Kwak Soohwan baixou a perna e rapidamente fechou o zíper. O tenente-coronel Jang, que entrou correndo em seguida, olhou para ele com uma cara de “não pode ser”.
— Seu desgraçado! É verdade?! Você enlouqueceu?!
— Major Lee, a maldade tem limite. Que história é essa de eu esfregar meu pau na boca do doutor?
Ia esfregar, mas falhou.
— Ei! Eu vi! Eu vi direitinho!
— Cala a boca. Mas por que você voltou?
O tenente-coronel Jang estreitou os olhos e olhou para a cintura de Kwak Soohwan. A capa comprida cobria metade, então nem dava para ver direito se ele estava duro ou não.
— Major Kwak, faz quanto tempo que você tomou a injeção de inibidor de libido?
— Mesmo sem inibidor eu não enfio na boca do doutor.
— Eu vi seu pau! Vi uma coisa mais nojenta que uma naja! O que você vai fazer com os meus olhos?!
Era tão barulhenta que ele pensou em mirar nas cordas vocais de Lee Chaeyoon na próxima vez que fossem a campo.
O tenente-coronel Jang, achando que nem mesmo um louco daqueles apontaria aquilo para um doutor, ainda por cima homem, ia repreender Lee Chaeyoon quando…
— Chaeyoon, por mais que você odeie o major Kwak…
— Aqui… é Seul?
À voz vinda de algum lugar, Jang e Chaeyoon arregalaram os olhos.
O doutor, que estava deitado de frente para o teto, agora tinha a cabeça voltada para os três militares. Com as duas mãos cruzadas comportadamente sobre o peito, ele voltou a falar.
— …Mais que isso, cadê a minha pedra? E um pouco de água também…
E então soltou outro suspiro longo.
— Nos meus lábios… tem cheiro de peixe.
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Kwak Soohwan trocou as pernas cruzadas enquanto observava o doutor bebendo água calmamente. Será que ele estava acordado desde a hora em que ele quis usar sua boca? Nem tinha encostado nos lábios e ele falava em cheiro de peixe.
— Eu tomo banho duas vezes por dia, tá.
O doutor não captou o sentido das palavras e apenas respondeu “Sei”.
— E… bem, aquilo, sabe.
Como se a boca não se abrisse direito, Kwak Soohwan fechava e abria os lábios repetidamente.
— Bem, me desculpe. Eu não imaginava que você fosse ficar tanto tempo desmaiado.
O tratamento formal soava estranho, talvez porque pedir desculpas não fosse hábito. O doutor assentiu uma vez e voltou a beber água. Como só via gente ao redor bebendo água gelada em goles enormes, aquele jeito de beber lhe pareceu estranho. Para Kwak Soohwan, era francamente irritante.
— Bebe com vontade. Que jeito é esse de beber água mordiscando feito coelho?
— Posso passar mal.
— É a primeira vez que ouço alguém falar que passa mal bebendo água.
— Vai ouvir com frequência. Eu falo isso muito.
Kwak Soohwan trocou as pernas para o outro lado.
Pela aparência, o doutor não dava exatamente a impressão de ser fraquinho. Era pálido no geral, mas não parecia pequeno e frágil, e mesmo com o rosto sem expressão, também não parecia frio. Parecia mais aéreo.
O doutor sentiu o olhar de Kwak Soohwan e segurou o copo na mão. Encarou-o de volta do mesmo jeito. Ele parecia incomodado com o uniforme engomado, e a gravata estava frouxa. Pelo modo de falar e pela profissão, a impressão que dava não era de alguém tão bruto. Talvez lhe caísse melhor um terno que um uniforme militar — pensou, sem grande razão.
— Major Kwak Soohwan, se continuar me olhando assim…
— Se eu olhar, o quê?
Kwak Soohwan continuou encarando o doutor.
— Vou passar mal.
— Ouvi dizer que tem um tipo de lagostim de água doce que morre só de alguém olhar, mas o doutor não deve chegar a esse ponto.
— Talvez chegue.
O doutor murmurou com auto ironia. Ainda assim, não podia ficar na cama para sempre. Levantou-se e pôs os dois pés para fora da cama. Olhou devagar ao redor e caminhou até a enorme janela. Quando disseram “Seul”, ele já imaginava mais ou menos o lugar.
Era o Prédio 63, chamado de Abrigo de Yeouido. E era também o escritório do laboratório onde ele trabalhava antes de descer para Jeju.
Olhando do alto do prédio, via-se a ponte ferroviária do Rio Han, por onde um dia os trens transportavam gente sem parar. O trem estava parado em algum ponto e a linha à frente tinha sido cortada por explosão. Dava para imaginar por quanto tempo o trem estava abandonado só de olhar as trepadeiras que cobriam a ponte.
No início, quando o vírus se alastrou por todo o continente, houve quem sugerisse erguer muros. Mas isso era conversa de quando ainda havia folga. O vírus se espalhou numa velocidade incontrolável, e não sobrou mão de obra para construir muros. Então pensaram em explodir todas as pontes e ferrovias de Seul. Foi um método bruto, mas eficaz para ganhar tempo.
É claro que tudo isso o doutor também só sabia através de material audiovisual e livros.
— Você não morreu em pé, morreu?
Kwak Soohwan se aproximou de repente por trás.
— O laboratório ainda fica no 34º andar?
— Talvez?
— Vou até lá.
— Não vai comer?
— Depois de passar no laboratório.
— Faz como quiser. E esse quarto é seu a partir de hoje.
Isso ele também já esperava. Lembrou-se das pedras que deixou em Jeju, mas sabia que havia algo mais urgente a fazer. Além do mais, também havia pedras que ele juntou naquele prédio, então precisava descer ao laboratório antes de tudo.
Dizia-se que era papel de proteção, mas Kwak Soohwan seguia o doutor meio passo atrás, como quem vigia.
Depois que o uso passou a ser de abrigo, o interior do prédio tinha sido transformado várias vezes. Só o elevador já era inacessível a quem não tivesse a digital registrada.
Quando Kwak Soohwan encostou a mão no sistema de reconhecimento digital do elevador, seu nome e um rosto sem expressão surgiram na tela.
[Liberando.]
Depois da voz mecânica, a porta do elevador se abriu.
— O tenente-coronel disse que você não sairia de Jeju facilmente, mas veio mais docilmente do que eu esperava.
Quem foi que desmaiou alguém que dizia que ia colaborar?
Ainda assim, não era exatamente falso, então o doutor assentiu.
— Não tem nenhum senso de missão como pesquisador de vírus mutantes? Ou é porque vivia feliz da vida em Jeju? Baekjang disse que quem não trabalha não come, não estava vivendo confortável demais?
O doutor olhava os números diminuírem e esperava chegar ao 34º andar. Esperava que a porta se abrisse logo para poder sair daquela caixa apertada.
Clonc! De repente uma mão se estendeu e apertou um botão, e a caixinha estremeceu uma vez. Com a parada brusca veio uma sensação de enjoo, e o interior do elevador começou a piscar com uma luz vermelha.
[Emergency, Emergency, aviso de parada de emergência. Se o major Kwak Soohwan, identificado por digital, pressionar o botão por mais de três segundos, o funcionamento normal será restabelecido, se pressionar brevemente uma vez, haverá abertura forçada.]
O doutor se virou para Kwak Soohwan diante daquela atitude repentina. Pelo modo como estava de braços cruzados, era evidente que não tinha intenção de apertar o botão.
— Doutor Pedra, sabe por que a gente te trouxe de Jeju até aqui?
Isso o doutor também achava estranho. No laboratório de Yeouido já havia um pesquisador-chefe ocupando seu lugar.
— Aconteceu alguma coisa com o doutor Oh?
— Isso mesmo, aquele velho morreu.
Como era alguém de idade avançada, não seria estranho ter morrido por envelhecimento.
— Mais precisamente, foi assassinado.
— Assassinado…?
— O perigo não está só lá fora.
— Está dizendo que o doutor Oh foi morto por uma pessoa?
— Por isso o caso foi levado à corte marcial. A polícia militar ainda está investigando os detalhes.
Disse que ele, originalmente destinado à solitária, tinha escapado por pouco ao ser designado como pessoal de escolta.
O doutor pensou se Kwak Soohwan não estaria envolvido no assassinato. Não, se fosse assim, não o teriam designado como seu escolta, certo? Então aquele militar estava apenas travando uma queda de braço inútil.
— Então tome cuidado também, doutor.
Sorrindo de canto, Kwak Soohwan apertou o botão de emergência com firmeza. Exatamente após três segundos o elevador voltou a funcionar, e a porta se abriu no 34º andar.
— Mas você é melhor que o lagostim. Não morreu de repente só porque se assustou.
— Porque eu não me assustei.
Como ele dizia, o rosto estava sem expressão e sem abalo. Segurando a porta do elevador, Kwak Soohwan esperou o doutor sair.
[Segurar a porta do elevador à força é perigoso. Major Kwak Soohwan, respeite a etiqueta de uso do elevador.]
— Máquina metida a besta.
Kwak Soohwan voltou a seguir o doutor, que começou a andar devagar.
— Você sabe pra onde tá indo? Faz tanto tempo que trabalhou aqui, será que lembra?
— Major Kwak Soohwan, eu sei que este prédio é seguro. Não sei se terei ocasião de sair, mas gostaria que você assumisse minha escolta apenas quando eu deixar a área do prédio.
O doutor falou devagar, mas com firmeza, virado para Kwak Soohwan.
— Não quero.
Ele já imaginava o sermão que ouviria do tenente-coronel Jang. Kwak Soohwan apontou o queixo para frente, mandando que ele andasse logo.
O doutor teve a intuição de que aquele homem era do tipo cansativo. E acrescentou mentalmente que talvez ele fosse gay. Afinal, ele não tinha tentado encostar o pênis na sua boca? Ou então era simplesmente algo próximo de um animal no cio. É claro que isso tanto fazia.
O abrigo ostentava um nível de segurança bastante alto, e o setor de pesquisa era mantido com ainda mais rigor. Isso porque ali se conservavam vírus, bactérias e vacinas perigosos em quantidade.
O doutor lembrava que, cerca de cinquenta metros depois do elevador, virando a esquina, chegava-se ao laboratório que costumava usar. Andando devagar, mas sem hesitação, parou diante de uma porta de vidro transparente. Então se virou e olhou para Kwak Soohwan. Ele carregava a capa no braço, como se fosse um estorvo.
— Sua companhia até aqui é suficiente.
Kwak Soohwan também achou melhor ficar de guarda na porta do que entrar num laboratório entediante. Quando o doutor teve a digital reconhecida, sua identidade apareceu na porta de vidro transparente.
[Pesquisador do vírus Adam, Seokhwa (34 anos), reconhecimento concluído. Liberando.]
— Até logo.
Seokhwa inclinou a cabeça e entrou no laboratório transparente. Até o nome era duro como sua expressão.
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Havia várias coisas que não mudaram mesmo com o mundo naquele estado, e uma delas era que o abrigo continuava sendo um prédio onde não se podia fumar.
Cansado de ficar apenas do lado de dentro, Kwak Soohwan saiu com um jipe sob o pretexto de fazer patrulha. Como a regra era patrulhar em duplas, Lee Chaeyoon foi junto.
Kwak Soohwan parou o carro perto da cabeceira sul da Ponte Wonhyo e inspirou fundo a fumaça do cigarro que Lee Chaeyoon acendia.
— Soohwan idiota, troca comigo. Hein?
— Trocar o quê?
— Você gosta de campo, né? Você vai a campo e eu cuido do doutor, que tal?
Lee Chaeyoon, que tinha ido a Uijeongbu por causa de uma emergência, tragou metade do cigarro de uma vez.
— Hein? Vamos trocar.
— Não sabe qual é a missão que eu peguei em vez de ir pra solitária?
— Se nós dois quisermos, eles trocam.
O que ela dizia tinha lógica. Ele também preferia o campo, onde podia se soltar, a ficar plantado na frente do laboratório.
— E aí? Combinado?
Kwak Soohwan seguiu com o olhar a fumaça que subia em volutas e disse:
— Combinado se vier com um pacote de cigarros junto.
— Vai à merda. Não faço.
No dia em que foi levado à corte marcial, Kwak Soohwan teve toda a bebida e o cigarro que possuía confiscados. Como estava em abstinência forçada de álcool e tabaco, tinha trazido Lee Chaeyoon junto para pelo menos fumar passivamente.
— E o temperamento do doutor, como é? Fui olhar e ele é bem mais velho, né? Solteiro e parece que namorou pouquíssimas pessoas.
Kwak Soohwan inclinou a cabeça. A ideia de que o doutor Seok já tivera alguém lhe causou uma estranheza curiosa.
— É um cara que ficou anos longe de Seul. De onde você tira esse tipo de notícia?
— O tio do refeitório falou. Disse que ele come tipo mijo de rato. Que é tão fraco que teve dia de desmaiar com a cara na sopa no meio da refeição.
— Um sujeito desses, se tivesse engolido meu pau, morria asfixiado na hora.
Kwak Soohwan soltou uma risada seca.
— Soohwan idiota! Seu… então é verdade que você ia tirar esse seu pau nojento e enfiar na boca dele! Te peguei! O tenente-coronel Jang ficou me xingando dizendo que eu estava te sacaneando!
— Cala a boca, aquele ali quer atravessar o arame farpado.
Kwak Soohwan tapou os ouvidos com os dedos, tirou-os e apontou com a mesma mão para a ponta da ponte. Um raio de dois quilômetros ao redor do prédio era, como Jeju, uma zona relativamente limpa. Só que de vez em quando havia uns com sorte que tentavam atravessar.
Kwak Soohwan tirou o rifle de precisão de dentro do jipe e o apoiou sobre o capô. Ajustou a luneta para quatro vezes e localizou o alvo. Pelo modo como se debatia no arame farpado que marcava o limite da ponte, devia estar infectado havia uns três meses no mínimo. As pessoas chamavam aquele vírus desconhecido de Adam.
Que Adão, o primeiro dos homens, virasse nome de um vírus que viera exterminar a humanidade não era uma ironia?
— O que você tá esperando pra estourar a cabeça dele?
Lee Chaeyoon dessa vez pôs dois cigarros na boca.
— Major Lee, quer apostar?
— Aposta? Que aposta?
Os olhos de Lee Chaeyoon, viciada em jogo, brilharam.
— Se eu acertar a cabeça daquele cara com uma pedra daqui, um maço de cigarro. Combinado?
Lee Chaeyoon, que tinha dois cigarros não acesos na boca, pousou-os sobre o capô e gargalhou. Depois parou de rir de repente, como se nada tivesse acontecido, e pegou uma pedra do chão.
Daqui seriam uns duzentos metros? Fechando um olho para medir a distância, ela ergueu uma perna como um arremessador de beisebol e lançou a pedra concentrando toda a força do corpo no ombro. O apelido de Bruce Lee vinha justamente disso. A força monstruosa de Lee Chaeyoon, cujo corpo evoluiu, era mais que suficiente para esmagar os ossos da face daqueles bichos com as mãos nuas.
— Ei! Viu?! Aposta tem que ser em coisa que faça sentido, que aposta fácil é essa?
Kwak Soohwan bateu de leve no ombro da orgulhosa Lee Chaeyoon e apontou o queixo, mandando que olhasse de novo. A pedra tinha errado feio, e o bicho continuava se esforçando para atravessar o arame farpado.
— E aí, combinado?
— Não vou.
Quando Lee Chaeyoon ergueu outra pedra para arremessar, Kwak Soohwan atirou primeiro. A bala perfurou o topo da cabeça e ele tombou para trás.
— Que desperdício de bala.
— Vamos voltando. É hora do doutor Seok enfiar a cara na sopa.
— O quê?
— Hora do jantar.
⊹₊˚ 🧬 ˚₊⊹
Continua….
🌈 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello