Parte 05
Projection Vol. 5.5
— Argh….
Um suspiro cheio de sufoco estourou. Cheon Seju moveu a ponta dos dedos com o rosto endurecido, sem conseguir controlar o humor desconfortável. Toc, toc, o som de tamborilar no braço do sofá ecoou dentro do silêncio.
O cenho levemente franzido e os lábios firmemente fechados. Ele continuava neste estado desde ontem. O motivo era um só. É por causa de Kwon Sejin. A atitude dele estava fazendo Cheon Seju encolher.
Sejin, naquele dia, nunca mais trouxe à boca dali em diante o fato de ele ter fugido. Mesmo quando Cheon Seju traçou um limite entre os dois com a palavra empregado doméstico, ele exigiu o papel de protetor dele e se autoproclamou protegido. Por causa disso, Cheon Seju pensou intimamente que Sejin concordava com as regras de convivência que ele apresentou.
No entanto, pareceu que aquela promessa implícita fora um engano seu. Kwon Sejin parecia não dar a menor importância àquela regra. Ontem foi o limite. Diante do tema de não saber de nada a seu respeito, a frase que o idolatrava como se fosse um grande homem de caráter era totalmente insuportável. Mesmo se eu disser que matei pessoas para a minha e a sua segurança, você conseguiria ficar de pé diante de mim com esse rosto tão pacífico? A pergunta que saltava até a ponta da garganta não pôde ser solta e o que retirou foi apenas a frase de que você não sabe de nada.
Como foi a expressão de Sejin no momento em que ouviu aquela frase? Diante de Sejin que enviava aquele olhar descarado de que bastava ensinar então, Cheon Seju perdeu ainda mais as palavras. No momento em que trocou olhares com Sejin, foi devido ao fato de ter surgido o pensamento absurdo de contar de verdade.
Pensando bem, sempre fora assim durante o tempo em que esteve junto com Sejin. Por mais que o humor não estivesse bom, por mais que fosse um dia desagradável, bastava ir para o lado de Sejin que nenhum pensamento vinha à mente. Apenas queria zombar de Sejin e queria apenas ver a imagem dele se irritando e resmungando. A sua realidade aversiva se transformava como se não fosse nada bastando ir para o lado de Sejin. Durante o período de 1 ano e meio compartilhado com ele, Cheon Seju apenas riu sem pensamentos como um irmão mais velho imaturo ao lado de Sejin.
Por causa disso, agora tinha medo de estar ao lado de Sejin. Por medo de que chegasse o momento em que, ao encarar o olhar que o observava como se nada estivesse acontecendo, acabasse revelando todo o seu passado sem perceber.
— Chefe.
Assim que ele soltou um profundo suspiro, uma voz miúda foi ouvida daquele lado do escritório. Ao virar a cabeça, Haeung o observava exibindo apenas os olhos por cima da divisória.
— O quê.
— É que… queria saber se aconteceu alguma coisa….
Pelo fato de a voz estar especialmente baixa hoje, a última frase foi ouvida mais ou menos como aconteceualgumaca… Quando Cheon Seju rebateu com um “o quê?” erguendo as sobrancelhas, Haeung abaixou a cabeça de mansinho novamente e se desculpou.
— Desculpe….
Diante da desculpa repentina de Haeung, Cheon Seju percebeu o fato de que estava agindo de forma emocional e levantou o corpo para sentar. Desprezo que subiu, acompanhado de um curto suspiro, ele, que passou a mão pelo rosto, tirou um cigarro do peito e colocou na boca. Haeung, que se levantou rápido do lugar e se aproximou, acendeu o fogo para em, e Cheon Seju fumou o cigarro sem dizer nada, com os pés apoiados na mesa.
Havia apenas Haeung e Cheon Seju no escritório. Yoon Chuljoo havia saído em viagem de negócios e Sunhyuk e Jinyoung haviam se ausentado devido ao caso daquele entregador que entrou no 43º andar. Graças a isso, Haeung, que ouvia o som do suspiro de Cheon Seju sozinho, estava pisando em ovos. Porque ele, que geralmente não demonstrava sinais de mau humor para os membros da equipe, agia daquela forma, gerando a sensação de ter feito algo errado.
— Haeung.
Cheon Seju, que apagou o cigarro quase totalmente queimado esfregando-o no cinzeiro, chamou de repente o nome de Haeung. Gu Haeung tomou um susto terrível jogando o mouse longe e teve um sobressalto, levantando-se do lugar com um sinal de leve tensão.
— Sim…?
Geralmente era carinhoso e gentil, mas Cheon Seju não facilitava quando ficava furioso. Haeung, que outrora enfrentou Sunhyuk e levou uma bronca mortal de Cheon Seju, costumava ficar muito atento quando ele estava na baixa pressão. Cheon Seju, que deu uma risada sarcástica vendo-o hesitar, sorriu apoiando o queixo de forma lânguida.
— Não estou bravo, não faça isso. É que tenho uma curiosidade.
— Ah… o que é?
Se ele falava até aquele ponto, não havia o perigo de a faísca respingar nele. Haeung, que se tranquilizou, aproximou-se sorrindo de leve para onde ele estava. Sentando-se no lado oposto ao de Cheon Seju, tirou e abriu o pacote de salgadinho que estava guardado na gaveta da mesa. Croc, croc, Haeung despejou o salgadinho na boca. Vendo aquela cena, Cheon Seju perguntou.
— Por que você trabalha aqui?
— …Hã? Sim? O quê, eu, o senhor vai me expulsar para outro lugar por acaso…?
Haeung perguntou com uma postura recatada, limpando os cantos da boca com pressa. Achando engraçado e ao mesmo tempo fofo o fato de ele ficar atento aos seus sinais, Cheon Seju sorriu calmamente e balançou a cabeça.
— Não, apenas uma curiosidade pessoal. Diga.
Só então Haeung, que estava um pouco intimidado, assentiu e colocou as pernas em cima do sofá. Sentando-se com as pernas cruzadas, ele, que mastigava o salgadinho ruidosamente enquanto refletia, logo deu de ombros e disse.
— É que desde antigamente eu tinha uma admiração por esse lado.
— …Você frequentou a academia de polícia.
Não era que queria ser policial? Diante da pergunta de Cheon Seju franzindo o cenho, Haeung acenou com a mão.
— Sim, de qualquer forma ouça. Eu gosto de verdade de filmes de máfia. O que eu queria ser originalmente era um policial que prendia e batia nesses caras mafiosos ruins. Mas frequentando a academia de polícia, vi que a vocação não combinava muito comigo. Diante dos reclamantes não conseguia usar força nenhuma, e um cara que dava vontade de espancar até a morte eu não podia dar um único golpe. A disputa de facções era intensa. Por isso continuei com o desejo de trancar a matrícula, mas justamente aconteceu aquela briga com o veterano… e acabei sendo expulso.
Haeung, um paciente com transtorno de controle de raiva, era um ser humano que não conseguia suportar a fúria. Uma vez que começava a ficar furioso, Haeung avançava contra todos ao redor como um touro louco, e acabou brigando com o veterano que fazia exigências injustas contendo assédio sexual na recepção de calouros, deixando-o em estado de coma. Como resultado disso, Haeung foi expulso e tornou-se um filho rejeitado também em casa.
Quem atraiu Haeung para a organização enquanto ele vagava deixando a vida correr foi Jinyoung. Jinyoung, que conheceu Haeung na boate que frequentava com constância, hesitou ao ouvir a notícia de que ele fora expulso e propôs que ele entrasse para a organização, e Haeung sentiu interesse e rondou os arredores de Jinyoung, acabando por aceitar a proposta dele no final das contas.
Como a equipe de processamento era um lugar onde qualquer um não podia entrar, Haeung teve que passar pela vida de membro comum da organização. No entanto, o trabalho que os membros comuns faziam era a administração de estabelecimentos, cobrança e serviços de despejo, por isso Haeung disse que teve o pensamento de sair da organização sentindo-se como se tivesse se tornado um vilão naquele lugar.
Nesse ínterim, Haeung espancou novamente um membro da organização que exerceu violência contra um civil, e o caso foi reportado à alta cúpula. Shin Kyoyeon sentiu interesse por Haeung, que entrara para a organização após ser expulso da academia de polícia, e orientou Sunhyuk, que operava a equipe de processamento na época, a observar Haeung. Encontrando Sunhyuk dessa forma, Haeung acabou ingressando na equipe de processamento após uma longa conversa com Sunhyuk.
— A equipe de processamento, nós somos diferentes dos caras lá de fora.
— …Com certeza.
— Os caras que administram estabelecimentos ou trabalham no lado de empréstimos encaram as pessoas comuns e fazem coisas terríveis, mas nós pegamos os caras que erraram no meio desses caras.
Era a expressão da verdade. Dificilmente a equipe de processamento mexia com civis. O trabalho deles geralmente era feito para o bem-estar da organização, para equilibrar o balanço de forças, e os sacrificados nesse processo em sua maioria eram existências que não eram necessárias para a sociedade. Aqueles que já pertenciam à organização, e mesmo entre eles, aqueles cuja qualidade era ruim a ponto de causar danos à própria organização.
— Existe o termo mal necessário. Então, por assim dizer, nós não seríamos como uma usina de incineração de lixo? Mesmo não podendo dizer que é limpo, é algo estritamente necessário. Eu gosto bastante disso. Os irmãos também são bons, e cada vez que pego e arrebento esses caras desgraçados parece que estou fazendo um trabalho moral. Bem, é isso.
Haeung falou até ali e deu uma risada boba, rindo sem substância. E então, ergueu o pacote de salgadinho inteiro despejando na boca. Cheon Seju observou aquela cena com uma linha fina desenhada no cenho.
Pensando bem, parece que Cheon Seju também teve esse tipo de pensamento por volta do segundo ano. Por volta de quando começou a se acostumar com os assassinatos e sentiu aversão por si próprio, atribuiu legitimidade às suas ações com esse tipo de pensamento… e assim foi se acostumando ao trabalho.
Depois disso, apenas sentiu a responsabilidade por não ter conseguido viver conforme o desejo de Haein. Aquela única responsabilidade vinha pressionando a sua vida de forma tão pesada. Mais pesadamente do que matar pessoas.
— E o senhor…? Posso perguntar?
Quem o despertou dos pensamentos foi a voz de Haeung. Haeung, que dobrava o pacote vazio de salgadinho fazendo um origami, olhou de relance para Cheon Seju e perguntou.
— Por que o senhor faz esse trabalho?
— …….
Por que faz esse trabalho? Cheon Seju prometeu trabalhar sob o comando de Shin Kyoyeon em troca de ser libertado do centro de detenção e concluir a vingança de Haein. Tratou-se de uma negociação concretizada sem conseguir pensar sequer em que tipo de valor possuía o que ele entregava, cego pela fúria imediata da vingança, e o impacto disso transformou a vida de Cheon Seju em uma ruína.
Se pudesse retornar ao passado, Cheon Seju teria recusado a proposta de Chae Bumjun e teria enfrentado o julgamento. Teria escolhido procurar os agressores após o término da pena, assassiná-los cruelmente e encerrar a própria vida por si só.
No entanto, não podia contar uma história lamentável dessas para absolutamente ninguém. Cheon Seju apenas demonstrou dar de ombros.
— Acabou acontecendo.
— Entendi.
Haeung agiu como se não esperasse pela resposta, apenas moveu os olhos e assentiu daquela forma. Deixando Haeung para trás, Cheon Seju saiu do escritório remoendo a resposta que acabara de soltar.
Acabou acontecendo, quão bom seria se a sua vida pudesse ser uma vida explicada por essas duas palavras. Cheon Seju esboçou um sorriso amargo.
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A caminhada arriscada na corda bamba por parte de Kwon Sejin continuou.
Como a paciência de Sejin, que já era quase inexistente, havia se esgotado há muito tempo, nos dias de hoje ele não estava esperando por Cheon Seju, mas agia de forma a encontrar uma resposta de qualquer jeito. Obviamente o efeito não era tão bom assim.
— Cheon Seju.
Diante da voz que chamou baixinho, ele, que observava o lado de fora da janela, virou a cabeça. O cenho calmamente baixado estava banhado de cansaço. Cheon Seju, que entrou novamente após alguns dias dizendo que o trabalho estava corrido, veio trazendo um pequeno arranhão no antebraço. Vendo aquele ferimento com o olhar fixo, Sejin abriu a boca por não conter a curiosidade.
— Quem fez isso no braço?
— …….
Diante daquela pergunta, Cheon Seju baixou o olhar. Observou a área do ferimento escancaradamente exposta e respondeu como se não fosse nada, esfregando com a ponta dos dedos.
— Apenas acabou acontecendo, por erro.
Ao soltar as palavras daquela forma, pareceu estranho. Sentindo um incômodo vindo de algum lugar, Cheon Seju logo percebeu que Sejin não perguntara como acabou acontecendo, mas sim quem fizera aquilo, e franziu o semblante. O sufoco subiu em um único instante.
O que ele podia dizer para Sejin era apenas acabou acontecendo, exatamente como fizera com Haeung, apenas aquele tanto era o tudo. Sendo que só podia ensinar mal e mal aquilo, Sejin continuava tentando espiar para dentro de Cheon Seju. Sendo que não haverá nada de bom mesmo que passe a saber, sendo que vai fugir se souber que tipo de pessoa eu sou.
Como se uma pedra tivesse descido para o interior, a respiração ficou sufocante. Cheon Seju, com o queixo apoiado no braço do sofá, observou Sejin com um olhar banhado de irritação e disse.
— Cuide das suas obrigações. Por que tem tanto interesse pelo contratante?
— …….
Diante das palavras que traçavam uma linha, Sejin ergueu os olhos amuados. Sejin estava no meio de limpar a samambaia sentado em frente à mesa da sala de estar. A tesoura presa em sua mão cortava o caule rígido com um som de toc, toc. Sejin, sem interromper a mão, observou Cheon Seju com descontentamento e rebateu.
— Dá para ter um pouco de curiosidade sobre o que faz. Antigamente, o proprietário da casa onde eu morava sabia até quantas vezes por semana eu fervia e comia miojo. Existe até o termo vizinho camarada, quanto mais morando na mesma casa, não dá para ter curiosidade nem sequer sobre esse tanto?
— Sim. Não dá.
— …….
Diante da réplica categórica, os lábios vermelhos de Sejin se projetaram. Sejin, que encarou Cheon Seju com os olhos semicerrados como um gato, logo soltou uma risada sarcástica com um “humpf” e baixou o olhar novamente. Agiu como se limpasse a samambaia calmamente e de repente soltou um grito de “ai”, segurando a ponta dos dedos.
— Machucou?
Diante daquela imagem, Cheon Seju, que observava o lado de fora da janela, levantou-se do lugar no mesmo instante e se aproximou. Sejin, com a cabeça totalmente abaixada, tateava a ponta dos dedos e, assim que Cheon Seju se aproximou bem perto de si, só então ergueu o rosto.
Havia total cara de pau no olhar que olhava de baixo fixamente para o rosto bonito. Sejin, agindo como se não fosse nada, exibiu o dedo cuja ponta da unha fora levemente cortada e perguntou a Cheon Seju.
— Sendo assim, por que você tem tanto interesse pelo empregado doméstico?
— …….
Ao ver Sejin devolvendo exatamente as palavras que ele próprio dissera, Cheon Seju fechou a boca. A fúria subiu em um instante. Garoto, você realmente… Teve tanta irritação a ponto de surgir o pensamento de transformar aquele rosto descarado em uma expressão de choro por causa de Sejin.
Naquela situação, Sejin jogou lenha na casa em chamas.
— Você também não acha engraçado, sinceramente?
Cheon Seju, que não entendeu a frase de Sejin imediatamente, olhou de cima para Sejin elevando as sobrancelhas. E então, de repente, captou o significado e moveu a língua dentro da boca.
Estava dizendo se não era uma situação genuinamente cômica o fato de fingir que não sabia mesmo conhecendo o seu sentimento. Sejin perguntava daquela forma o que significava ficar tapando o sol com a peneira dessa maneira.
Cheon Seju rangeu os dentes e se afastou de Sejin.
Kwon Sejin não sabe. O quão grande e pesado era o seu próprio sentimento de não querer perder Sejin, ele realmente não sabia de absolutamente nada. Como não sabia, proferia uma frase daquela categoria.
Para Cheon Seju também não era fácil ignorar o sentimento de Sejin. Não era confortável. Apesar disso, a razão pela qual não restava outra escolha a não ser agir assim era para não querer enviar Sejin embora no final das contas…
Cada vez que Kwon Sejin surgia dessa forma, subia intensamente o desejo de confessar tudo para ele por teimosia. O desejo de gritar que a sua palavra estava certa, que era melhor agir como se não soubesse, ao ver as costas dele se virando com aversão por ele no final das contas. No entanto, acabou não conseguindo agir assim.
Cheon Seju encarou Sejin calmamente e dirigiu-se para o quarto. Trocou de roupa no mesmo instante e deixou a casa exatamente daquela forma. Havia a necessidade de trancar novamente o ferrolho que se afrouxava de forma deplorável ao lado de Kwon Sejin.
— Cheon Seju!
Sejin apegou-se a Cheon Seju tardiamente, mas ele desapareceu sem sequer olhar para trás. Sozinho em casa, Sejin bateu na própria boca descuidada com a palma da mão.
Quando ele provocava Cheon Seju para descobrir suas verdadeiras intenções, a melhor reação que ele demonstrava era ficar com raiva, e a pior era ir embora de casa. Se ficasse com raiva, Cheon Seju perderia a compostura e poderia acabar revelando algo sem querer, mas se ele simplesmente fechasse a boca e saísse de casa, Sejin não tinha mais o que fazer. Apenas esperar obedientemente que Cheon Seju voltasse.
Enquanto isso, o tempo passava e Sejin era deixado de lado dentro de casa, em um quase abandono. Ele não tinha disposição para retomar os estudos que já havia largado há muito tempo, e Cheon Seju também parecia não ter cabeça para se importar com isso. Ele andava ocupado ultimamente, sem que se soubesse o que diabos estava fazendo. Havia vezes em que saía de repente tarde da noite e voltava de madrugada, e outras em que passava dias sem pisar em casa.
Nos dias em que ele passava a noite fora, Sejin ficava com todos os nervos à flor da pele, olhando fixamente para o celular. Era para espioná-lo, pensando que talvez Cheon Seju tivesse ido procurar Kang Doyun.
No ano passado, depois que Doyun registrou o próprio número sem permissão, o endereço das redes sociais que ele gerenciava apareceu na foto de perfil do aplicativo de mensagens. Sejin, após visitar o perfil público de Doyun tempos atrás, encontrou um certo padrão nas fotos postadas lá.
Kang Doyun costumava postar fotos da vista da cidade tiradas de hotéis de vez em quando. Sejin achou o local que aparecia periodicamente um pouco suspeito e, de repente, resolveu procurar as informações meteorológicas dos dias em que as fotos do hotel eram postadas. E as peças se encaixaram perfeitamente. Em todos os dias de chuva, Kang Doyun ia ao hotel, e quem ele encontrava lá era óbvio. Provavelmente era Cheon Seju, que deixava a casa vazia sempre que chovia.
Depois de perceber esse fato, Sejin espionava as redes sociais de Doyun a todo momento. Claro, já fazia mais de seis meses que ele não postava fotos de hotel, mas Sejin não conseguia parar com aquilo que lhe permitia deduzir, mesmo que um pouco, os passos de Cheon Seju que não estavam sob seus olhos.
Às vezes, no momento em que se pegava olhando apressadamente para a tela do celular assim que a notificação das redes sociais de Doyun tocava, ele achava a si mesmo extremamente sombrio e patético. Nessas horas, Sejin jogava o celular longe, melancólico, e se jogava na cama de Cheon Seju. Ele achava que, em vez de ser o tipo de pessoa que espiona o parceiro sexual do homem de quem gosta, era melhor ser o tipo de pessoa que cheira o travesseiro do homem de quem gosta.
Passando os dias dessa forma, Sejin às vezes pensava em sua mãe. As coisas que ela gostava em vida, as conversas que tiveram, a voz dela que ficou gravada em vídeos no celular. Sempre que entrava em contato com essas coisas, Sejin chorava lágrimas que ainda não haviam secado, deixando a tristeza fluir junto com o tempo.
E na maior parte do tempo em que não estava pensando em Kim Hyunkyung, ele pensava em Cheon Seju. Após muito esforço, Sejin descobriu que a tatuagem gravada nas costas dele significava que ele era membro da facção Daegam. Lembrou-se de que, quando ele foi à escola, se apresentou como pertencente a uma certa sala de planejamento estratégico da DG, e descobriu isso ao pesquisar sobre a DG.
Na Namu Wiki da internet, que qualquer um pode editar, a história da DG, ou seja, da facção Daegam, estava descrita de forma muito grandiosa. Lá também havia fotos das costas de membros da facção Daegam que apareceram no noticiário nos anos 90, e as histórias de luta de Seok Yunhyung, o lendário espadachim chamado de o homem forte da facção Daegam, também estavam escritas detalhadamente.
O que chamou a atenção entre elas foi a foto de Seok Yunhyung sendo levado pela polícia, com o peito nu, quando foi preso por homicídio. Em seu torso, com os olhos fixos de forma assustadora, havia inúmeras cicatrizes de faca, e em suas costas estava gravada uma tatuagem de formato quase idêntico à que estava nas costas de Cheon Seju.
Um tigre negro de expressão feroz dando um passo à frente com as patas dianteiras, e atrás dele, um chapéu tradicional gat e um cachimbo gombangdae alinhados. No desenho quase idêntico, a única diferença era que os caracteres chineses para Daegam, gravados nas costas de Seok Yunhyung, não estavam nas costas de Cheon Seju. Parecia que haviam sido removidos quando o nome da empresa mudou de Daegam Construções para DG.
O importante era que as costas dos membros que apareciam em outras fotos não tinham essa tatuagem. Ele procurou em dezenas de fotos postadas na Namu Wiki, e até mesmo em jornais antigos escaneados, mas os que tinham aquela tatuagem nas costas eram uma minoria extrema, e sempre que eram mencionados nos noticiários e jornais, vinham com títulos como — executivo da facção Daegam — ou — cúpula da facção Daegam. Isso significava que Cheon Seju também era o mesmo que um executivo da DG.
Só então Sejin entendeu a atitude que Kim Donggil e os outros demonstravam em relação a Cheon Seju. Cheon Seju tinha um cargo diferente do deles desde o início.
Mas, se era assim, desde quando afinal Cheon Seju havia se tornado um executivo da organização? Ele também tinha uma licença médica e, segundo suas próprias palavras, disse que tinha experiência como residente. Pelo que Sejin pesquisou arduamente, mesmo que estivesse no primeiro ano da residência, sua idade precisaria ser de no mínimo 26 anos. Isso foi possível porque Cheon Seju nasceu em primeiro de janeiro e, por causa do aniversário adiantado ou algo assim, ingressou na universidade aos 19 anos.
A dúvida de Sejin começava a partir daí. Por qual motivo, por qual mudança de sentimento uma pessoa que frequentava bem o hospital até os 26 anos largaria o hospital onde trabalhava direito para se tornar executivo de uma organização de estilo empresarial? Seria por um motivo relacionado ao fato de ele conhecer excessivamente bem os procedimentos de um funeral? E quando pensou até ali, o tipo de pessoa que Cheon Seju era já não importava mais no coração de Sejin.
O ressentimento pelo fato de ele ser do mesmo tipo de criatura que Kim Donggil durou apenas aquele curto momento em que esteve submerso na dor de perder Kim Hyunkyung. Originalmente, Kwon Sejin era um homem para quem os próprios pensamentos e julgamentos eram a coisa mais importante do mundo. Na mesma medida em que tinha alta confiança em si mesmo, Sejin tendia a ser teimoso, e essa inclinação se manifestava da mesma forma no sentimento de gostar de alguém.
Cheon Seju salvou Sejin. Ele o tirou das dificuldades e realizou o que ele tanto desejava. Foi a única pessoa que entendeu o sinal de socorro enviado por Sejin e veio salvá-lo, e apesar disso, não guardou o desejo de receber algo em troca.
Quando Sejin sofria, o que o tirou do meio da tristeza foi o calor de Cheon Seju. A temperatura corporal que ele compartilhou, a gentileza, impediram que Sejin congelasse. As coisas que Cheon Seju cedeu fizeram com que Sejin não tivesse escolha a não ser amá-lo cegamente.
Não, era algo que ele não podia deixar de amar. Portanto, Cheon Seju tinha que se responsabilizar por esse sentimento decorrente de suas ações.
Agora Sejin não tentava julgá-lo. Ele apenas queria saber sobre Cheon Seju e, assim como ele fez por si, queria apenas ser uma pessoa que pudesse dar uma profunda estabilidade a ele.
Enquanto Sejin ficava ansioso querendo se tornar parte de Cheon Seju dessa forma, o tempo passava firmemente. Cheon Seju deixava a casa vazia com frequência, e Sejin o esperava em silêncio. No entanto, no final de janeiro, no dia em que o céu onde o frio havia se dissipado ficou turvo e gotas de chuva começaram a cair, Sejin não conseguiu mais ficar com o bumbum parado em cima do sofá.
1ovemyself_dy1207 Esperando no saguão porque tenho um compromisso depois de muito tempo. Doyun todo arrumado.
Nas redes sociais, uma selfie de Kang Doyun tirada no saguão do hotel foi postada com essa legenda. Sejin, que abriu o aplicativo apreensivo com a nova notificação do feed, acabou congelando de choque.
f1rst_K_jangnyeo Por que nosso caçula está tão lindo? >0<
crzdohye O bebê já pode até casar 😀 Divirta-se ❤
prinKDYcess Indo encontrar a princesinha fofa?
Abaixo da foto, havia comentários cheios de alvoroço deixados pelas três irmãs mais velhas de Doyun. Sejin segurou o celular com as mãos trêmulas por um instante, mas logo soltou um suspiro irritado e o jogou em cima do sofá. Lindo quem? Se divertir o quê? Princesinha fofa o escambau? Sussurros cheios de ciúme rondavam apressados dentro de sua boca.
Sejin abraçou os joelhos, mordendo os lábios com força, magoado com a certeza de que Kang Doyun iria se encontrar com Cheon Seju. Nuvens cinzentas estavam espalhadas além da grande janela. As gotas de chuva que caíam do céu molhavam o mundo, e o som da chuva bloqueado pela janela ecoava em sua mente. Sejin pensou que aquela corrente de água caindo do céu era como as suas lágrimas. Seu coração ardia tanto de ciúme que ele não conseguia suportar.
— Que saco…
Avisar que ia se atrasar, que não voltaria para casa; o fato de Cheon Seju dar notícias pontualmente também já era coisa do passado. Depois que ele descobriu os sentimentos de Sejin, a frequência com que Cheon Seju entrava em contato diminuiu visivelmente. Com a quantidade de respostas que recebia ao enviar uma mensagem reduzida a um décimo, ele não relataria seus passos por iniciativa própria. No fim, em vez de fazer uma espera vã, desejando que a mensagem que nem viria não chegasse, Sejin escolheu agir de forma um pouco mesquinha.
17:21 Quando você volta?
Obviamente, a resposta não chegou. Sem conseguir esperar, Sejin enviou uma nova mensagem para Cheon Seju, contendo uma pequena mentira.
17:22 Estou doente…
Contudo, menos de um minuto após enviar a mensagem, o celular tocou com uma chamada de Cheon Seju. Drrr, Sejin olhou com uma expressão assustada para o celular que vibrava e balançava em cima da mesa.
Será que ele estava olhando para o celular? Ou… ligou imediatamente ao ouvir que eu estava doente? Por estar preocupado? Ao mesmo tempo em que ficou feliz e ansioso, seu coração disparou. É que, se atendesse o telefone, parecia que a mentira seria descoberta.
O que eu faço? Sem conseguir apertar o botão de atender, ele apenas mordeu os lábios. Eu devia atender, mas e se ele perceber porque minha voz está normal demais? Enquanto hesitava, a ligação caiu. O telefone tocou mais uma vez e, como ele não atendeu nem a essa, logo chegou uma mensagem de Cheon Seju.
Cheon Seju
Onde está doendo? Dói muito? Espere um pouco. Estou indo rápido.
17:25
Assim que viu aquela mensagem, Sejin levantou-se num pulo. Parecia que seu peito ia explodir. O fato de Cheon Seju largar Kang Doyun e vir até ele fazia parecer que o mundo brilhava com as cores do arco-íris.
Por outro lado, porém, veio o pensamento de que estava encrencado. O que eu faço se ele vier e descobrir que é mentira? E se ele ficar desapontado comigo e voltar para o Kang Doyun? Sejin andou de um lado para o outro ansioso e, de repente, foi em direção à cozinha.
Colocando a água para esquentar na chaleira, Sejin pegou uma caneca, colocou-a na frente e ficou esperando a água ferver. Pensava em queimar a própria testa com a caneca aquecida para parecer que estava com febre assim que o aviso de entrada do carro de Cheon Seju aparecesse. Bastava usar o purificador de água, mas Sejin estava tão desnorteado que nem sequer pensou nisso. Foi quando ele andava de um lado para o outro em frente ao fogão de indução.
— Kwon Sejin.
Junto com a voz que ecoou de repente, a presença de alguém começou a ser sentida do outro lado do corredor. Sejin, confuso com a presença de Cheon Seju que apareceu rápido demais, despejou a água que ainda não havia fervido totalmente na caneca. Rápido, rápido. No entanto, a chegada de Cheon Seju à cozinha foi mais rápida do que Sejin aquecer a própria testa.
— O que está fazendo aqui. Onde está doendo.
Cheon Seju estava todo vestido de preto. O rosto do homem, que usava um boné e o capuz do moletom puxado por cima, estava cheio de preocupação, mas Cheon Seju provavelmente nem sabia que estava fazendo aquela expressão.
Sentiu novamente a gentileza dele, da qual havia se esquecido. Sejin olhou distraidamente para o homem que veio correndo ao ouvir que ele estava doente. Diante de seu olhar abobalhado, Cheon Seju franziu a testa e estendeu a mão. A mão fria cobriu toda a sua testa.
— Está com febre?
No entanto, a testa de Sejin estava morna. Pensando que a própria mão pudesse estar quente, Cheon Seju colocou a mão na própria testa e depois colocou a mão na testa de Sejin novamente. Mas, por mais que olhasse, não parecia estar com febre. Pensando que doía em outro lugar, ele olhou ao redor com o rosto insatisfeito.
— O que está fazendo aqui. Se está doente, vá deitar. Está com dor de estômago?
Olhando para a água que exalava vapor branco antes de ferver, Cheon Seju perguntou a Sejin. Sejin não conseguiu dizer nada e apenas balançou a cabeça. Estava muito sem graça com a situação de ser pego tentando contar uma mentira desajeitada e, além disso, gostou do fato de ele se preocupar consigo. Parecia que, se abrisse a boca, falaria bobagem, por isso não conseguiu dizer nada.
— Eu fervo a água. Venha aqui. Onde dói.
Cheon Seju colocou a chaleira que estava torta de volta no fogão de indução. Puxou Sejin pelo pulso e foi em direção ao próprio quarto. Não havia nenhum significado especial. Era apenas porque aquele era o quarto mais próximo da cozinha, mas só Sejin, que estava com a consciência pesada, sentia como se o coração fosse pular para fora da boca.
— …….
Ao abrir a porta do quarto, Cheon Seju franziu levemente as sobrancelhas ao ver sua cama bagunçada. Como ela sempre ficava perfeitamente arrumada após a limpeza, era impossível não saber que Sejin estivera deitado ali. Mas, como não podia brigar com um garoto doente, apenas fingiu não saber e fez Sejin sentar na ponta da cama.
Sentando-se hesitante na beirada do colchão conforme Cheon Seju o conduzia, Sejin segurava as duas mãos com força acima dos joelhos, olhando para Cheon Seju com olhos marejados. Aquele rosto que parecia de alguma forma tenso era tão fofo que, sem perceber, ele quase brincou perguntando quem ia comê-lo, mas pensando que se fosse o Kwon Sejin de hoje em dia, ele de alguma forma se agarraria às palavras pedindo para ser comido, Cheon Seju apenas fechou a boca.
— Tomou remédio? Onde está doendo. Está com indigestão?
— …….
O rosto dele estava mais corado do que quando se encontraram na cozinha. Cheon Seju não conseguia avaliar de jeito nenhum se aquilo era um rubor ou febre, por isso estendeu a mão novamente e acariciou a testa de Sejin. Sentiu a pele macia sobressaltar-se. Mas como continuava morna, ele pensou se não seriam dores de crescimento e, quando ia descer a mão.
— Cheon Seju…
Sejin, que abriu a boca calmamente, agarrou a mão de Cheon Seju. Segurando firme o pulso dele, que tentava recolher o braço encolhendo a ponta dos dedos, Sejin enterrou a bochecha na palma da mão dele.
Embora apenas uma área muito pequena estivesse se tocando, o calor brando de Sejin parecia colorir todo o seu corpo. Cheon Seju estendeu a linha dos lábios silenciosamente diante do contato que atiçava seus nervos e empurrou Sejin. No entanto, não conseguiu vencer a força de Sejin, que agarrou da mesma forma a outra mão que empurrava seu ombro. Para quem dizia estar doente, estava cheio de força. Cheon Seju o alertou com um olhar desconfortável.
— Não faça isso.
— …Eu errei.
O que voltou foi uma desculpa que chegava a ser dolorosa. No entanto, ele não soltou as mãos que agarrava. O tremor transmitido por Sejin foi se tornando mais denso e parecia que logo alcançaria a si mesmo. Era como se os sentimentos dele o estivessem infectando. Seu coração doeu.
Cheon Seju queria evitar esse tipo de atmosfera. Quando ele fechou o punho com crueza e empurrou Sejin, Sejin foi empurrado sem forças desta vez e mordeu os lábios vermelhos e inchados. Olhando para Sejin, que abaixou as sobrancelhas como se fosse chorar a qualquer momento, ele disse.
— Se sabe que errou, pare com isso. Vá dormir.
— …É mentira que estou doente.
— …….
Diante da confissão repentina, só então Cheon Seju entendeu o significado do — eu errei — dito por Sejin. Sua expressão congelou friamente e seus olhos afundaram de forma gélida.
Diante daquela mudança de expressão, Sejin levantou o corpo às pressas. Como um cachorro que avança sem conhecer o próprio tamanho, ele se jogou nos braços de Cheon Seju. Enterrando o rosto à força no ombro do homem que descontava a raiva em silêncio, sem sequer soltar um suspiro, Sejin abraçou sua cintura com força. Mesmo assim, Cheon Seju não se moveu. Não colocou as mãos nas costas dele, nem acariciou sua cabeça.
Parecia que seu coração ia cair. Sejin esfregou o rosto continuamente para cavar um pouco mais fundo nos braços de Cheon Seju. Esfregando a bochecha no ombro dele como se estivesse fazendo birra, confessou.
— Porque estava chovendo… Fiquei com medo de você ir se encontrar com o Kang Doyun, com aquela pessoa, por isso menti…
Ele não conseguia continuar mentindo na frente de Cheon Seju, que se preocupava sinceramente com ele. Como não conseguia inventar qualquer desculpa para ele, que perguntava onde doía, Sejin acabou escolhendo o lado de revelar a verdade. Mesmo que ele ficasse um pouco desapontado consigo, não tinha jeito. Foi algo que fez no calor do momento, mas, na verdade, Sejin não queria enganar Cheon Seju.
— Mas… eu realmente não sabia que você viria. Eu de verdade…!
— Você acha minhas palavras muito engraçadas, não acha?
As palavras proferidas com o peito cheio foram engolidas pela pergunta fria. Sejin estremeceu, assustado, e ergueu os olhos. O olhar que o avaliava de cima era extremamente gélido. Como nunca havia recebido um olhar assim de Cheon Seju, Sejin recebeu um choque como se o mundo estivesse desabando desta vez.
— Tudo isso parece uma brincadeira, e não importa nem um pouco para você com que pensamento estou te evitando, certo?
Cheon Seju, que disparou aquilo, observou em silêncio Sejin, que ergueu a cabeça. Você ficou desapontado comigo. Sentindo mágoa diante da atmosfera abatida dele, Sejin mordeu os lábios. Os cantos dos olhos arderam. Ele não queria chorar como uma criança em um momento como este, mas o fato de as lágrimas brotarem primeiro quando os sentimentos se intensificavam era um problema que ele não conseguia resolver sozinho. Sejin apenas abriu a boca, mordendo a língua com força para que as lágrimas não corressem.
— Não é isso. Eu só… Não queria que você estivesse com aquele homem, por isso fiz isso…….
Lágrimas que ele não conseguiu engolir escorreram, gota a gota, pela bochecha. Cheon Seju ergueu o braço, sobressaltado, mas soltou um pequeno suspiro e fechou o punho. Fechando os olhos firmemente, ele deu um passo para trás e se afastou. Como tinha culpa pelo erro que cometeu, Sejin nem sequer conseguiu segurá-lo e apenas olhou para o chão. As lágrimas que caíram em gotas da ponta do queixo molharam o peito do pé. Sejin tratou a si mesmo de antes como um idiota e apenas mordeu os lábios em silêncio.
Não deveria ter mentido. Teria sido melhor se tivesse apenas ligado e pedido para ele vir para casa. Dizer que tinha feito algo gostoso, que não queria ficar sozinho. Com a mente apressada, acabou cometendo um erro. Que burrice. Em uma situação onde agradar a Cheon Seju já seria pouco, acabou fazendo-o ficar desapontado. Como um idiota. O arrependimento subiu abruptamente. Sejin esfregou e limpou a bochecha com crueza, com os punhos bem fechados. Em seguida, uma voz sem forças escapou dele.
— Desculpe… Não fiz isso por achar suas palavras engraçadas. Só… estava com o coração apressado…….
— …….
— Como já sabe que é mentira, vai sair de novo…? Não vá. Não pode ficar?
Diante do apelo de Sejin, Cheon Seju apenas olhou para ele em silêncio. Com os olhos sombrios e imersos, com um olhar que dizia — o que diabos eu devo fazer com você? —, ele apenas observava Sejin. Então, piscou lentamente. Cheon Seju, que fechou e abriu os olhos como se estivesse organizando os pensamentos dessa forma, virou a cabeça com um suspiro profundo.
Seu olhar desviou-se de Sejin e foi em direção à janela. O céu onde a chuva ainda caía estava escuro. Pelo fato de já ter anoitecido de repente, as gotas de chuva não eram bem vistas, mas só de ver o mundo embaçado dava para notar que a torrente de chuva estava bem forte. Cheon Seju olhou para aquela cena e finalmente tomou uma decisão.
— Não vou me encontrar com o Kang Doyun. Nem marquei compromisso. Eu estava por perto por causa do trabalho e vim correndo às pressas.
Diante da voz firme, Sejin ergueu a cabeça. Os olhos completamente molhados estavam vermelhos como um pêssego. Cheon Seju controlou com força o desejo de erguer a mão e acariciar os olhos dele, fechando o punho.
Não dava para ser assim. Se continuasse perto de Sejin, parecia que, sem perceber, ambos acabariam passando dos limites. Cheon Seju lambeu os lábios secos e desviou o olhar que se dirigia a Sejin à força para outro lugar. Nesse estado, notificou-o.
— Mas Kwon Sejin, eu não dou mais conta de você.
— O quê…?
Agora era o limite.
— Eu te disse. Se não quiser ser expulso, maneire. Saia desta casa.
Seria melhor mandar Kwon Sejin embora. Então parecia que conseguiria organizar de forma limpa tanto esse medo quanto os sentimentos complexos em relação a Sejin. Parecia que conseguiria afastar toda a confusão que pairava sobre sua vida.
Sejin foi expulso do apartamento 4100 daquela forma. Claro, não é que ele tenha saído obedientemente dizendo sim. Ele questionou e se agarrou por várias horas a Cheon Seju, que o empurrava pelas costas dizendo para sair, perguntando que conversa era aquela e onde já se viu fazer uma coisa dessas de repente. No entanto, Cheon Seju não tinha intenção de reverter a decisão e, no fim, mudou de atitude para o lado de — se você não sair, eu saio.
Ele virou o corpo imediatamente e deixou a casa, e Sejin entrou em modo de resistência. Fosse um dia ou dois, Cheon Seju também não conseguiria viver sem a própria casa, então a ideia era resistir até que ele voltasse. É que ele achava muito injusto ser expulso apenas por ter mentido uma única vez que estava doente. Sejin, de forma um pouco descarada, estava pensando que a punição era excessiva demais em comparação com o que havia aprontado.
No entanto, uma semana, duas semanas; mesmo com o aumento do tempo de espera, Cheon Seju não voltou para casa. Ele não teria abandonado a casa, e provavelmente parecia saber do fato de que Sejin ainda estava lá dentro.
Como diabos ele sabia disso? Sejin pensou e procurou com cuidado, e percebeu o fato de que este apartamento de luxo permitia verificar o registro de entrada e saída da porta social até pelo aplicativo de celular. Além do simples registro de entrada e saída, também era possível consultar a tela de captura do circuito interno de TV do elevador de quem visitou o andar correspondente. Foi uma informação que ele descobriu infiltrando-se no fórum de moradores do apartamento.
Ao tomar conhecimento desse fato, Sejin ficou um pouco irritado com o aspecto desenvolvido do mundo. Era realmente um absurdo quem pensava em uma bobagem inútil dessas. No fim, Sejin ficou melancólico com o fato de que Cheon Seju não voltaria a menos que ele realmente saísse de casa.
Ele não queria deixar Cheon Seju, mas não mudaria nada continuar esperando ali. Apenas transformaria Cheon Seju em uma pessoa sem teto.
Por isso, Sejin arrumou as malas. A intenção inicial era sair de casa. Como sabia onde Cheon Seju morava e onde trabalhava, o pensamento muito positivo de que sair de casa não seria um problema tão grande entre os dois fez com que Sejin se movimentasse.
Como não tinha uma mala grande, os pertences de Sejin foram colocados em sacos de lixo rosa reutilizáveis. Segurando o que dividiu em quatro sacos pesadamente com as duas mãos, Sejin andava olhando apenas para o chão com o rosto deprimido. Atrás dele, a porta do apartamento 4100 fechou fazendo um som de bi-ri-ri. Aquele som de baque pareceu significar justamente o corte com Cheon Seju, por isso Sejin ficou muito mais melancólico.
Depois de entrar no elevador, a preocupação subiu tardiamente. E se eu sair de casa assim e o Cheon Seju se mudar? E se ele deixar a organização custando o corte dos dedos e mudar de emprego? E se ele mudar o número do celular? Diante da ansiedade que subia, no fim Sejin não conseguiu ir longe e montou acampamento no saguão privativo do estacionamento subterrâneo.
De qualquer forma, como ele desceu de elevador, Cheon Seju pensaria que ele havia saído de casa. Aproveitando essa brecha para ficar esperando ali, Cheon Seju, que voltaria para casa a qualquer momento, entraria para pegar o elevador após estacionar, e Sejin pensava em se agarrar a Cheon Seju novamente nessa hora.
Se ele não o aceitasse, Sejin tomou a resolução de ficar sentado ali até que a polícia aparecesse, fosse por um dia, dois ou dez dias. Achou que era um pouco persistente e sombrio, mas não tinha jeito. É que ele não conseguia pensar em nenhum outro método de jeito nenhum.
Assim, Sejin começou a esperar por Cheon Seju naquele lugar vagamente a partir daquele momento. O saguão estava cercado por paredes de vidro e tinha um aquecedor no teto, mas ainda assim, por estar sentado no chão puro, era inevitável que o corpo ficasse gelado em pleno inverno. Para afastar o frio, Sejin, que se sentou encolhido, apoiou a cabeça na coluna e fechou os olhos.
O tempo passou rápido. O almoço passou e, com a aproximação da noite, seu estômago começou a fazer um som de ronco como se estivesse faminto há dias. No entanto, Sejin aguentou firme sem deixar o lugar de propósito. O coração de Sejin não era leve a ponto de deixar o lugar por causa de uma mera fome. Assim como no tempo em que esperou pela pessoa que o levaria até Kim Hyunkyung, Sejin estava preparado para esperar por Cheon Seju naquele lugar até ficar seco e murcho.
Com o rosto enterrado entre os joelhos daquela forma encolhida, Sejin pensou em Cheon Seju. Sua voz gentil, o rosto sorridente, o rosto franzido, o toque da mão que acariciava sua cabeça, os braços confortáveis. Mas ao pensar nessas coisas, uma grande injustiça e raiva brotaram. Depois de agir de forma tão gentil, vir expulsá-lo agora. Cheon Seju era mesmo…
— Ora, uma coisa dessas acontecendo comigo também!
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna