Parte 04
Projection Vol. 5.4
Quando Kim Hyunkyung estava no hospital, Sejin derramava lágrimas apenas por imaginar uma vida sem ela. Aquilo parecia que seria uma vida pisando em um mundo onde a terra desmoronava, ou parecia que seria uma vida aprisionada em uma escuridão densa como se o sol tivesse desaparecido.
No entanto, ao ver de fato depois que ela partiu deste mundo, o mundo não havia mudado em nada. Sejin achou aquilo realmente estranho. A ponto de pensar se havia algo de errado consigo mesmo por viver uma vida exatamente igual à de sempre, o mundo continuava inalterado.
Mas agora eu sei. Que a perda chega de repente em um momento em que não percebo o fato de que perdi algo.
Hoje Sejin tirou o dia e fez acompanhamentos. No entanto, ao temperar o gungchae de que gostava e colocar na mesa, lembrou-se tardiamente do fato de que a mãe também gostava bastante daquilo.
Naquele momento, não conseguiu mais olhar para a verdura que exalava um cheiro aromático. Sejin pressentiu que, a partir de agora, não conseguiria mais comer gungchae. Como o rosto da mãe iria surgir cada vez que movesse os palitinhos, passara a não conseguir mais gostar de gungchae daqui por diante.
Não tendo coragem de jogar fora o que havia feito, Sejin comeu toda a verdura ali mesmo. Como as lágrimas escorriam por lembrar frequentemente da mãe, o sabor não foi sentido direito. Apenas um tempo remoto passou como se mastigasse areia e, ao lavar a tigela vazia na água, Sejin percebeu o que era aquilo. Enterrar as coisas relacionadas a quem partiu, uma por uma, no coração. Para Sejin, aquilo era exatamente a perda.
— Sejin.
— …….
— Está de mau humor?
Chegando a hora do jantar, Cheon Seju, que se acomodou no lugar após sair do trabalho, olhou fixamente para Sejin e perguntou. Sejin encarou Cheon Seju com um olhar melancólico e balançou a cabeça.
Cada vez que um momento dessa perda desabava, Sejin tinha que controlar o sentimento que subia à flor da pele. Porque uma injustiça que ainda não fora resolvida permanecia dentro do coração. Mas por que logo ela, cada vez que esse tipo de questionamento surgia, ele acalmava o coração relembrando as palavras que Cheon Seju lhe dissera.
É assim mesmo. Morrer é assim mesmo. Não é culpa de ninguém.
Dessa forma, quem ocupou o lugar da perda foi Cheon Seju. As palavras que consolaram Sejin, o abraço que consolou Sejin, todas as ações dele que consolaram Sejin. Devido a isso, Sejin conseguia aguentar o dia e conseguia ir encontrando estabilidade escapando do impacto da perda.
Cheon Seju entrou detalhadamente no lugar vazio de Sejin. Embora já fosse uma pessoa que ocupava grande parte dele, ele preenchia infalivelmente até mesmo o lugar que ficava vazio à medida que a memória sobre Kim Hyunkyung se esfarelava.
À medida que um dia passava. E à medida que mais um dia passava, o sentimento por Cheon Seju aumentava. Graças a isso, a promessa de ir conhecendo lentamente Cheon Seju, que fugira com medo dele, afrouxou-se antes que percebesse, e Sejin andava revelando seu íntimo nos dias de hoje sem que ele próprio se desse conta.
— Cheon Seju.
— Sim.
— Tem que secar a umidade direito.
A mão estendida inadvertidamente acariciou a ponta do cabelo de Cheon Seju com afeto. Uma sombra se forma sobre o cenho baixado friamente. Cheon Seju endureceu a expressão da boca olhando para cima para Sejin, que secava seu cabelo com a toalha.
— …Não sou criança.
Diante do silêncio que cruzou o espaço entre os dois, Sejin percebeu seu erro tardiamente. Sejin, que soltou as palavras daquela forma, cobriu a cabeça de Cheon Seju com a toalha e deu um passo para trás, e Cheon Seju começou a sacudir a umidade com um rosto inexpressivo, como se nada tivesse acontecido.
Era difícil controlar um sentimento que transbordava tanto. Sejin não conseguia esconder a mão que se estendia em direção a ele de vez em quando.
Sem conseguir evitar a mão que sacudia as gotas de água presas na ponta do cabelo dele, a mão que amarrava o nó desalinhado do roupão dele, Sejin tentava ultrapassar o tempo todo a linha que Cheon Seju havia traçado.
Era algo inevitável. Sejin originalmente também tinha uma personalidade impaciente e direta, sendo um garoto que não sabia fazer bem a coisa de falar por entrelinhas e esperar. Para alguém assim, mandar ficar de boca fechada tendo a pessoa amada bem diante dos olhos, aquilo era o mesmo que uma tortura.
No entanto, ao contrário de Sejin, Cheon Seju era frio. A menos que Sejin trouxesse à tona a história de Kim Hyunkyung, ele não aceitava mais os mimos de Sejin daqui por diante. Tampouco dava abertura para ele de qualquer jeito.
Diante da guarda que ele exibia, o coração de Sejin estava queimando e, dentro daquele incêndio, a revelação da verdade era uma questão de tempo.
Foi em um dia em que Sejin estendia a mão para além da linha de forma arriscada daquele jeito. No período da manhã do fim de semana, Sejin, que rolava com Cheon Seju sobre o tatame, arquejava sem conseguir tocar sequer um dedo nele.
— Desse jeito, quem você vai nocautear?
Após retornar ao cotidiano, Cheon Seju dedicou muito mais empenho na tarefa de ensinar Sejin do que antes do verão chegar.
Era diferente daquela época em que o foco principal era um exercício leve próximo à defesa pessoal. Hoje em dia, Cheon Seju avançava como uma pessoa que guardava algum rancor contra Sejin e dizia para contê-lo. Naturalmente era algo impossível. O corpo ficava rigidamente travado apenas por tocar a pele em um lugar próximo a Cheon Seju, então, mesmo que fizesse apenas uma imitação, seria impossível Sejin conseguir forçá-lo.
Desta vez também, Cheon Seju, que conteve Sejin de forma inversa, pressionou Sejin para baixo com uma expressão gélida. A mão dele envolvia os dois braços de Sejin. Parecia que o ombro iria deslocar de tanta dor, mas toda a atenção de Kwon Sejin estava focada na parte inferior do corpo de Cheon Seju, que estava montado sobre sua cintura. Enterrando a testa no tatame para esconder o rosto avermelhado, Sejin murmurou com uma voz abafada.
— Precisa mesmo fazer assim? Vai um pouco mais devagar…
— Diga algo que faça sentido. Onde existem caras que atacam uma pessoa indo devagar?
Diante das palavras de Sejin fazendo manha, Cheon Seju o repreendeu com um rosto descontente. Sejin, puxando o fôlego apressado, virou a cabeça e olhou para cima para Cheon Seju atrás de suas costas. O rosto que o olhava de cima estava sério. Com um rosto que não exibia um único traço de sorriso, Cheon Seju estava ensinando Sejin.
Sejin, cujo ânimo se esvaiu diante daquela seriedade, murmurou com a bochecha encostada no tatame.
— Quem raios vai me atacar? Neste mundo, a única pessoa que tenta me bater sem motivo, sendo eu um garoto com o porte físico tão grande, é você.
— …….
Com essas palavras, Cheon Seju alongou a expressão da boca com desagrado e soltou Sejin. Levantando-se do lugar, aproximou-se da janela, abriu a garrafa térmica colocada em cima do armário e bebeu água. Sejin virou o corpo calmamente e olhou para ele de baixo enquanto deitava no chão.
O cabelo molhado de suor e uma parte da camiseta estavam grudados perfeitamente ao corpo de Cheon Seju. Acima da roupa que exibia a clavícula bem delineada, um fio de água que escorreu pelo canto da boca de Cheon Seju caiu. Gotas de água fria caíram sobre o tatame, gota a gota. Enquanto olhava calmamente para aquela cena, ele, que limpou o canto da boca com o dorso da mão, estendeu a garrafa térmica para Sejin.
No entanto, o vai e vem com ele já durava 30 minutos. Sejin, que não tinha forças restantes sequer para erguer o armário, em vez de receber aquilo, levantou o corpo, sentou-se e abriu a boca em direção a ele. Enquanto estava com os olhos fechados e a língua para fora pedindo para despejar a água, de repente Cheon Seju deu uma risada sarcástica e tocou a perna de Sejin com a ponta do pé. No final, Sejin, que não aguentou esperar, abriu os olhos lentamente e perguntou.
— O que foi?
— Você é um passarinho?
— O braço não sobe.
— Não faça fita por causa de uma bobagem dessas.
Cheon Seju nunca facilitava, pelo menos quando se tratava de fazer exercícios. Enquanto o abraçava sem dizer nada e também acariciava sua cabeça quando falava sobre a mãe, ele não aceitava de jeito nenhum que se encostasse nele sem nenhuma justificativa. Detestava profundamente aquele carinho condicional. Queria que ele fosse sempre carinhoso consigo, também no cotidiano. Sejin, que ficou chateado em um instante, moveu os ombros de leve e o encarou com o olhar.
— Não é fita. Você me machucou.
— A parte que machuca de verdade, eu nem sequer fiz.
— Não. Machucou.
— Não venha com truques baratos.
Cheon Seju recebeu as queixas de Sejin como um sinal de que queria parar o exercício. Não era nada disso. A bochecha de Sejin inflou cada vez mais de forma arredondada. Sejin, que o encarou com descontentamento projetando os lábios, logo tomou a garrafa térmica que estava na mão de Cheon Seju e molhou a garganta com a água fria. Assim que o interior da boca seca ficou molhado, só então pareceu que um pouco de força retornou. Sejin, que se levantou do lugar, puxou a calça que havia escorregado e ficou bem no centro do tatame.
Pôde-se ver Cheon Seju retornando após colocar a garrafa térmica no armário. Sejin, com os braços largados, olhou fixamente para ele e disse.
— De novo.
Então, Cheon Seju, como se achasse inesperado, o encarou com os olhos estreitados e avançou contra Sejin sem nenhum sinal. O armário estendido esguio aproximou-se perto do pescoço. Sejin segurou o pulso de Cheon Seju e colou o corpo ao dele. No entanto, Cheon Seju girou o corpo levemente e escapou do abraço de Sejin. Sejin, que sentiu que ele se movia para trás de si, abriu distância rapidamente. Cheon Seju, que perdeu a nuca de Sejin por um triz, deu uma risada baixa e sussurrou um “muito bem”. Diante da voz que fazia cócegas no íntimo, Sejin franziu os olhos de leve e virou o corpo.
Não era como se Sejin quisesse sempre perder para Cheon Seju. Na mesma medida em que gostava dele, queria mostrar uma imagem bacana para ele e queria ver um rosto que ficasse surpreso ao ser contido por si. No entanto, por mais que fizesse esforços, não conseguia vencer Cheon Seju. Embora agora tanto a altura quanto o porte físico de Sejin tivessem ficado maiores do que os dele, Sejin não conseguia exercer força nenhuma quando se enfrentava com Cheon Seju.
Ao contrário de Cheon Seju, que sabia aplicar apenas a força necessária no lugar certo, ele avançava como um cão que se exibia confiando apenas no porte físico, então o resultado era algo óbvio. Cheon Seju era alguém de quem se ouvia que usar o corpo dessa forma era sua vocação, mas Sejin era alguém que nem sequer havia frequentado o taekwondo uma única vez. Vencer Cheon Seju para alguém assim era o mesmo que algo impossível por toda a vida.
— Argh, argh…
À medida que o combate continuava, o fôlego ficava cada vez mais curto. Ao contrário de Sejin, que estava de pé arquejando, Cheon Seju estava de pé no lugar com uma postura intacta, sem nenhum desalinho. O ponto diferente de antes era apenas que as gotas de suor penduradas em sua nuca haviam aumentado em algumas unidades. Diante da imagem dele que parecia até folgada à primeira vista, Sejin rangeu os dentes e avançou contra ele.
Kwon Sejin era um garoto de vinte anos transbordando espírito competitivo e, uma vez que o fogo começava a acender, a pessoa amada não era uma exceção. Na mesma medida em que o oponente era Cheon Seju, queria vencer ainda mais, por isso Sejin estendeu o armário com uma atitude de que iria derrubar Cheon Seju a qualquer custo. A mão que cerrou o punho cortou o ar.
— Disseram para te proteger, quem disse para avançar?
No entanto, aquela tentativa falhou em um piscar de olhos. Cheon Seju, que derrubou Sejin sobre o tatame, segurou e ergueu seus dois braços. Uma voz de onde não se extraía nenhum calor repreende Sejin. Kwon Sejin olhou para cima para Cheon Seju com uma expressão injustiçada, com os lábios firmemente mordidos.
— Dá no mesmo.
— Eu disse que é diferente.
— Eu quero aprender a avançar, Cheon Seju.
— O que você tem que aprender é a contenção. Eu não estou ensinando a forma de atacar agora.
Cheon Seju continuava explicando daquela forma, mas, sinceramente, não entendia o que havia de diferente. Se desferisse golpes e fizesse desmaiar, dava no mesmo conter o oponente, não era? E no começo você tinha dito que iria ensinar a bater, por que está rejeitando agora? Sejin olhou para cima para Cheon Seju com um rosto amuado.
— Também existe o ditado de que o ataque é a melhor defesa. Então a melhor defesa também não é o ataque?
Tentou explicar sua lógica para ele naquele estado, mas não surtiu o menor efeito. Cheon Seju, após ouvir as palavras de Sejin, deu uma risada como se achasse um absurdo, olhou para ele de cima e disse.
— Você não tem talento para esse lado.
Diante daquelas palavras categóricas, Sejin estreitou os olhos. Quem havia nocauteado Lee Haekyun e Kim Byungjun com a bandeja de refeição fora ele próprio. Não era inadequado discutir o talento para a violência com alguém assim? Sejin, cujo orgulho ficou ferido, controlou o coração que subia à flor da pela e retirou a mão que fora capturada por ele. Naquele estado, expressou a verdade que Cheon Seju desconhecia.
— É porque o oponente é você. Consigo bater direito nas outras pessoas.
Sejin era um ser humano muito perigoso e agressivo. Apenas não conseguia agir direito por medo de machucar Cheon Seju, mas, se realmente tomasse a decisão, poderia machucar as outras pessoas da mesma forma que ele fazia consigo.
No entanto, ao pensar nesse tipo de coisa, sentiu uma injustiça em um instante. Cheon Seju estaria dando o seu máximo comigo? Ele seria capaz de me bater de verdade? Eu não consigo tocar sequer um dedo… Cheon Seju não tem nenhum sentimento por mim? Sejin, que ficou chateado, fechou a boca calmamente.
— Ah, é? É porque o oponente sou eu que você não conseguiu vencer nenhuma única vez até agora? Sendo que você é maior do que eu agora?
Cheon Seju não deu ouvidos às palavras de Sejin. Era evidente o sinal de que passava por cima tratando as palavras de Sejin apenas como um blefe. Ele segurou com firmeza o pulso de Sejin, que tentava escapar por baixo dele como uma enguia. Baixou o olhar e disse, trocando olhares de modo a provocar.
— Se me bater uma única vez que seja, eu acredito nessa frase.
— Eu já disse! Como eu vou te bater? Onde existe um filho que bate nos pais neste mundo?
Sejin rebateu imediatamente como se fosse um absurdo. Na verdade, queria perguntar onde existia um lixo que conseguia bater na pessoa amada, mas, se fizesse isso, parecia que Cheon Seju iria fugir novamente, por isso mencionou o protetor em substituição. Cheon Seju parecia achar aquela frase apenas cômica. Dando uma risadinha sarcástica, disse como se desdenhasse de Sejin.
— Se não consegue bater, tente pelo menos conter. Mas você também não consegue fazer isso.
— …….
Na verdade, durante uma briga, conter o oponente era algo muito mais difícil do que desferir e receber golpes mútuos. No entanto, Sejin, que desconhecia esse fato, apenas rangeu os dentes diante da atitude folgada de Cheon Seju. A raiva subiu.
De fato, Sejin não achava que o seu sentimento em direção a Cheon Seju fosse unilateral. Acreditava que, mesmo que não fosse um amor completo como o seu, também existia algum sentimento em direção a ele por parte de Cheon Seju. Devido ao pensamento de que, se não fosse isso, ele não poderia agir de forma tão carinhosa consigo. Era uma tese muito próxima de um desejo, mas, de qualquer forma, era assim.
Cada vez que ele agia daquela forma, como se não tivesse nenhuma segunda intenção consigo, Sejin ficava com raiva à toa. Sendo que não tem nenhum sentimento por mim a ponto de ser capaz de me bater, por que me trata tão bem? Por que age de forma tão carinhosa? Por que me olha desse jeito? Dava até raiva de tanta injustiça e chateação.
O desejo de quebrar aquela expressão folgada dele subiu intensamente. Havia inúmeras formas de quebrar a serenidade de Cheon Seju. Entre elas, Sejin conhecia com precisão o método mais fácil e também o que desejava.
Eu gosto de você, se soltasse isso, Cheon Seju iria perder as forças imediatamente e cambalearia. Contê-lo naquele estado não seria nada demais. Imaginando a imagem de Cheon Seju ficando desconcertado bem na sua frente em um instante daquela forma, a confissão que vinha sendo pressionada firmemente para dentro da boca durante dias aumentou de tamanho de forma imponente.
Gosto de você, gosto de verdade de você. A verdade que não foi transmitida cobriu a mente e Sejin acabou perdendo a razão.
— Acha que eu não consigo?
Sejin, que perguntou rangendo os dentes, agarrou a mão de Cheon Seju que prendia seu pulso. Com as mãos dadas, olhou para baixo para Cheon Seju que o observava exibindo um leve sorriso, como quem diz para tentar se for capaz.
A palma da mão quente que carregava o impacto da luta corporal tocou-se mutuamente. Se considerasse as ações recentes de Cheon Seju, o correto seria ele afastar friamente assim que segurasse a mão, mas, pensando que esse era o estilo de luta de Sejin, ele abriu a boca sem nenhuma suspeita especial.
— Não é uma postura muito boa.
Sem saber nem sequer o que eu pretendo fazer, fica apontando a postura como um velho ranzinza. Quer ele fizesse isso ou não, Sejin segurou suas duas mãos com firmeza.
Derrubar Cheon Seju é fácil. O difícil era o que vinha depois. Sejin, que já havia perdido a serenidade, colocou um pouco mais de força nas mãos dadas temendo que Cheon Seju fugisse no meio disso. E então, olhando de baixo para o rosto bonito dele bem de perto, tentou o ataque imediatamente.
— …Gosto de você.
Uma voz mansa ecoou dentro do quarto.
Diante da frase que ele lançou como uma bomba, a expressão de Cheon Seju se desfez. Foi conforme o previsto. Ele, que endureceu o rosto de forma desnorteada, sacudiu o corpo como se a força das pernas tivesse sumido. Sejin não perdeu aquele momento, retirou uma das mãos e segurou a cintura dele. A sensação da pele firme que preenchia escassamente uma das mãos era extremamente estimulante. Esforçando-se para não cair na sensação extasiante, Sejin encarou Cheon Seju.
— Que, bobagem.
Cheon Seju, que gaguejou, apoiou-se no peito de Sejin com o rosto empalidecido. Cheon Seju, que tentava escapar do lugar empurrando-o, exibia o mesmo rosto daquela época. Assim como quando fugira empurrando-o enquanto ele se agarrava a ele perguntando por que viera só agora, tentava esquivar-se da situação com um olhar temeroso por alguma coisa. Sejin reconheceu aquilo com precisão.
Não havia motivos para Cheon Seju ter medo de Sejin. Ele não tinha medo de Sejin, mas sim da confissão dele. Por que raios? O que faz você ficar com tanto medo assim? Sejin olhou para ele de baixo com um rosto que indicava total incompreensão. Queria saber um pouco mais detalhadamente. Queria escavar qual era a razão pela qual ele tentava recusá-lo.
Sejin girou o corpo puxando Cheon Seju com força. Ele, que ficou sem alma diante da confissão repentina, ao contrário do habitual, não conseguiu resistir à força de Sejin. Baque, as costas de Cheon Seju tocaram o tatame e o cabelo curto se desalinhou. O rosto colocado sobre o tatame azul estava pálido exatamente como uma pessoa que caiu no mar. Olhando de cima para Cheon Seju que endureceu totalmente a expressão daquela forma, Sejin lançou a pergunta.
— Gosto muito de você, Cheon Seju.
A frase cheia de verdade foi lançada como uma isca.
Por que me recusa? Qual é o motivo afinal?
A paciência de Sejin estava exibindo o fundo. No entanto, Cheon Seju não era um alvo fácil. Após olhar vagamente de baixo para Sejin, ele logo cerrou o cenho, ergueu a perna e o chutou.
— Ai!
Sejin, que voou emitindo um grito, bateu a cabeça na parede. A superfície da parede também estava envolta por colchões, então não doeu, mas o fato de ter sido atingido por Cheon Seju provocou um enorme impacto em Sejin. Sejin, que se levantou do lugar bufando, olhou para baixo para Cheon Seju com os olhos que logo ficaram vermelhos. Gritou enquanto mordia os lábios que tremiam intensamente.
— Por que me chutou!
— Onde você aprendeu esse tipo de tática absurda para vir aplicar em mim? Quer levar uma bronca?
Cheon Seju, que se levantou do lugar, passou a mão pelo cabelo com um rosto gélido. Diante das palavras que ele disparou, Sejin cerrou o punho com firmeza. Tática absurda? Odiou Cheon Seju por tratar sua confissão cheia de verdade daquela forma. No entanto, após levar um golpe, a teimosia que havia subido se acalmou e a lucidez retornou.
Percebendo que havia acabado de ultrapassar a linha, Sejin observou a reação dele com agilidade. A expressão de Cheon Seju estava realmente endurecida de forma rígida. Era um rosto que parecia que iria se enfurecer caso não dissesse aqui que fora uma brincadeira. No final, Sejin rangeu os dentes e respondeu sem conseguir chamar a confissão de confissão.
— De qualquer forma, surtiu efeito. Como as suas costas tocaram o tatame, eu venci. Agora ensina a bater nas pessoas.
— Garoto, você realmente…
Diante das palavras que Sejin soltou com cara de pau, o rosto de Cheon Seju relaxou. Vendo um vislumbre de alívio passar por ele, Sejin rangeu os dentes internamente.
Como não dava para saber o que ele pensava, realmente surgiam todo tipo de suposições. Será que ele acha horrível o fato de eu gostar dele? Por isso detesta tanto dessa forma? Quem desdenha quer comprar, será que ele não fugiu daquela vez também porque me odiava? No entanto, aquele pensamento se esvaiu rapidamente.
Analisando objetivamente, Sejin possuía um rosto e um corpo capazes de serem bem-vindos por qualquer pessoa. O próprio Cheon Seju já havia elogiado que as pernas de Sejin eram bonitas e, a julgar pelo fato de que o olhava de vez em quando como se quisesse devorá-lo, o rosto também com certeza era do total agrado dele. Eram todas suposições com forte viés pessoal, sem nenhuma base, mas, de qualquer forma, Sejin pensava assim. Como não havia motivos para Cheon Seju odiá-lo, pensava que existia outro motivo para recusar sua confissão. Realmente era uma autoconfiança tremenda.
De qualquer modo, ao contrário de Sejin que não conseguia se controlar sozinho e andava deixando o sentimento de gostar dele cair aqui e ali, Cheon Seju era um ser humano que sabia se controlar perfeitamente. O que ele pensava, que tipo de sentimento possuía, Sejin não conseguia captar de jeito nenhum.
— Cheon Seju.
— O quê.
Cheon Seju estava arrumando o tatame para encerrar o exercício, como se estivesse totalmente sem forças devido à brincadeira nada de brincadeira de Sejin. Sejin, que tomou o pano da mão dele que limpava o chão, ajoelhou-se pessoalmente no chão e perguntou a ele enquanto limpava a superfície do tatame.
— Tenho uma curiosidade.
— O quê. Se for para falar bobagem, fique quieto.
A voz de Cheon Seju estava gélida. Sejin, apesar disso, não se intimidou e olhou de relance para ele de baixo. Ele, que abriu a janela, acendia um cigarro com um olhar deprimido.
Sobre a história de Cheon Seju, não havia outra escolha a não ser ouvir dele próprio. No entanto, Sejin era do tipo que não possuía muito talento para a tarefa de manter uma conversa fluida. Sem conseguir sequer pensar em falar por entrelinhas, Sejin perguntou a Cheon Seju.
— Qual é o seu tipo ideal?
Primeiramente a título de checagem… Embora a probabilidade disso fosse realmente baixa, perguntou aquilo considerando a possibilidade de ele realmente achar horrível a sua pessoa. Obviamente Cheon Seju não reagiu de forma gentil. Ele, que abriu os olhos nitidamente, olhou de cima para Sejin que passava o pano agachado no chão. E então, perguntou com uma voz que exalava frieza.
— Por que você tem curiosidade sobre uma idiotice dessas?
Só porque ele não reconhecia, não significava que esse sentimento desaparecia. Pelo contrário, cada vez que Cheon Seju dava as costas fingindo não saber do sentimento que ele acabara deixando cair por engano, Sejin pensava em despejar todo o seu coração para ele. No entanto, como Cheon Seju estava ignorando o seu sentimento, também era possível lançar esse tipo de pergunta como se nada estivesse acontecendo.
— Moramos na mesma casa, dá para perguntar pelo menos isso. Para sua informação, o meu tipo ideal é parecido com você.
— …….
Era um ato de tapar o sol com a peneira, mas Sejin sabia do fato de que, a menos que ele revelasse primeiro seu íntimo exatamente como era, Cheon Seju iria manter a boca fechada por tempo indeterminado. Sendo um homem implacável que não trazia à boca até hoje o fato de ter pago a dívida e ter arcado com as despesas hospitalares e do tratamento, era algo óbvio.
E esse fato provava o fato de que ele próprio era uma existência consideravelmente preciosa para Cheon Seju. Cheon Seju o ignorava para não fugir dele. Era uma contradição tremenda, mas, como não dava para negar o fato de que havia afeto na base dessa contradição, Sejin conseguia suportar essa palhaçada.
— Então, qual é o seu tipo ideal?
Mesmo demonstrando de forma tão escancarada assim, Cheon Seju iria fingir que não sabia. Apenas iria incomodar os nervos. Podendo sentir como se estivesse zombando dele, no limite de ultrapassar a linha ou não. O momento em que Cheon Seju finalmente não aguentasse aquilo e abrisse a boca era uma oportunidade para Sejin. A oportunidade de ouvir a verdade escondida dele.
Diante das palavras que perguntou com cara de pau enquanto olhava fixamente, Cheon Seju ironizou como se achasse um absurdo. E então, apagou o cigarro esfregando-o no cinzeiro colocado no parapeito da janela e disse.
— Bonito, pequeno e um mais jovem sem ego.
— …….
A sobrancelha de Sejin se moveu de leve. Era um tipo ideal excessivamente distante de si. Está falando assim de propósito, não é? Essa pergunta subiu até a ponta da garganta, mas o rosto de Cheon Seju estava sério. Dizia através do olhar que não estava proferindo a menor mentira.
No final, Sejin organizou o coração e pensou. Ser bonito… Na verdade, ele possuía um rosto bem-apessoado, mas dizer que era bonito também não era algo que não combinasse. Uma condição já estava preenchida por enquanto.
Em seguida, ser pequeno… O que tinha que ser pequeno? Sejin pensou profundamente e assentiu. Pensando bem, aquele homem Kang Doyun tinha a estatura baixa e o rosto pequeno. Como Sejin tinha o rosto pequeno, aquela condição também podia ser vista como condizente à sua maneira. Embora parecesse um pouco forçado, Sejin decidiu deixar passar. E por último… Sejin, que remoeu a última condição calmamente, perguntou como se não entendesse.
— O que é não ter ego?
Cheon Seju olhou fixamente para Sejin e respondeu com uma voz sem altos e baixos.
— Quando eu disser algo, responder mansamente com um sim. Não ficar respondendo de forma desnecessária, não enfrentar, ser obediente. Não ser cheio de caprichos.
A última palavra com certeza visava a sua pessoa. Parecia dizer apenas coisas opostas a si de propósito. Sejin, cujo humor ficou desconfortável ao ouvir a explicação dele, o encarou com um rosto amuado.
— Que preferência é essa? Parece um tarado. Você gosta de fazer coisas estranhas por acaso? O que você faz para ter que responder apenas sim, sim?
Diante daquelas palavras que vinham tirar satisfações, a pressão de Cheon Seju subiu gradativamente. Sentindo como se a nuca estivesse latejando, as ações de Sejin ao longo dos últimos dias passaram diante de seus olhos.
Cometer deslizes no limite de quase ultrapassar a linha, Cheon Seju até podia fazer vista grossa. Porque sentiu que Sejin também ficou desconcertado no meio de amarrar o cordão do seu roupão, porque viu que ele cerrou a ponta dos dedos no meio de tentar tocar o rosto, porque soube que ele não estava fazendo aquilo de propósito.
No entanto, tolerar esse comportamento de colocar o pé escancaradamente e depois retirá-lo agindo com cara de pau era algo totalmente impossível. O que tem de errado com a minha preferência? Como parece distante de si, parece que está fazendo pirraça, mas, pelo contrário, quem era estranho era Kwon Sejin.
Cheon Seju rebateu ferozmente enquanto olhava fixamente para Sejin.
— Acha por acaso que a sua preferência é normal?
— O quê?
Mesmo pensando e pensando ao longo de vários dias, não dava para entender. O que havia de informação que Sejin sabia a seu respeito? Aos olhos dele, ele não passava de um cobrador de dívidas, um mafioso, um gângster, uma pessoa com defeito de personalidade que o pressionava e ignorava dizendo que tinha estudado um pouco bem. Apesar disso, Cheon Seju ficava furioso com o fato de ele ter caído na pouca gentileza que demonstrou e ter passado a gostar dele.
— Você não tem olho para escolher as pessoas, realmente.
— …….
E diante das palavras que Cheon Seju disparou, Sejin percebeu o que significava dar uma moeda e receber uma nota. Um enorme choque atingiu Sejin. O que significa isso? Engoliu o clamor que subia até a ponta da garganta com esforço e fechou a boca. Cheon Seju olhou para ele de cima sem dizer nada e logo virou o corpo. Após observar as costas que deixavam o quarto e saíam para o corredor, Sejin o seguiu tardiamente.
Não dava para acreditar de jeito nenhum que as palavras que acabara de ouvir fossem verdade. Não dava para acreditar que logo Cheon Seju dissesse esse tipo de palavra. Sejin, diante do sufoco que subia, seguiu logo atrás dele que entrava no closet.
— Eu tenho olho para escolher as pessoas.
— …….
Sejin soltou as palavras em substituição a ele, como uma justificativa. Ver Cheon Seju rebaixando a si próprio era algo realmente desconcertante. Sempre fora um homem cheio de autoconfiança. Um homem que sabia muito bem por si só que era mais inteligente e mais bem-apessoado do que ninguém. No entanto, dizer que não tinha olho sabendo que Sejin gostava dele era o mesmo que ele próprio quebrar a forma do ser humano chamado Cheon Seju que Sejin conhecia até então.
As palavras que ele soltou carregavam o caráter de aversão. Aquilo foi um choque e, ao mesmo tempo, doeu no peito. Se a parte de Cheon Seju que desconhecia exibia esse tipo de imagem, parecia que seria totalmente insuportável.
Sejin grudou perfeitamente em Cheon Seju e tagarelou.
— O meu tipo ideal é uma pessoa realmente grandiosa, por que você ignora isso? O meu olho para escolher as pessoas é totalmente alto. Não gosto de qualquer um.
— Fique quieto.
Mesmo diante das palavras de advertência de Cheon Seju, Sejin continuou as palavras sem dar importância. Porque não podia deixá-lo sentir aversão por si próprio.
— É verdade. O meu tipo ideal é realmente gentil, carinhoso e tem uma personalidade muito…
— Kwon Sejin!
Diante de Sejin que despejava as palavras, Cheon Seju soltou um grito como se não pudesse mais continuar ouvindo. Ele encarou Sejin com um rosto rigidamente endurecido. Sejin fechou a boca agindo como se nada estivesse acontecendo e examinou a expressão dele.
Cheon Seju parecia furioso. Parecia sufocado.
— Você… não sabe de nada.
Diante das palavras que ele soltou como um lamento, Sejin cerrou o punho. Então basta você me ensinar. Assim como eu fiz, basta você me dar o direito de te entender. No entanto, a razão pela qual acabou não dizendo isso foi porque Cheon Seju exibia olhos temerosos exatamente como naquela época. No momento em que encarou aqueles olhos, por algum motivo pareceu que entendeu o significado do que ele dissera.
— …É porque não sabe de nada que consegue dizer esse tipo de frase.
Não me dar uma oportunidade é porque você tem medo de que eu te entenda? Sejin engoliu a pergunta para dentro da boca e trocou olhares com Cheon Seju. Esperou que ele entregasse mais uma pista. No entanto, foi o fim com aquilo. Cheon Seju, como se a paciência tivesse esgotado, passou a mão pelo rosto com irritação e alertou Sejin.
— Vá com calma. Se não quiser ser expulso.
— …….
Era uma advertência enviada para o lado de dentro da linha. Sejin ficou com um pouco de medo e assentiu mansamente. Diante do pensamento de que, caso desse mais um passo aqui, Cheon Seju iria fugir ou iria expulsá-lo, resultando em uma das duas conclusões, decidiu recuar por enquanto. De qualquer forma, houve proveito, então bastava com aquilo.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna