Parte 02
Projection Vol. 5.2
Afastando-se de Sejin como se estivesse fugindo, Cheon Seju pegou o carro e dirigiu-se ao estúdio. Era um lugar que trazia dor de cabeça só de pensar, mas não havia outro local para ir. Acontece que na casa do 7º andar, onde os membros da equipe de contenção moravam, Seon-hyuk, Hae-woong e Jin-young, que haviam passado várias noites em claro, estariam descansando, e ele não queria incomodá-los.
Ele estacionou o carro abaixo do estúdio e subiu direto para o 4º andar, onde ficava o dormitório. Aquele lugar funcionava praticamente como uma pequena residência. Projetado para o descanso dos membros da equipe, era composto por cozinha, sala, banheiro e um pequeno quarto com duas camas. Por não ter nenhuma janela, dava uma sensação de sufocamento, mas ao menos o 4º andar tinha o exaustor funcionando, tornando o ar minimamente agradável. Cheon Seju saiu após tomar banho no banheiro e deitou-se direto na cama.
Ao afundar no colchão macio, as coisas que dominavam sua mente começaram a rastejar para fora. Sentindo a angústia cobrir todo o seu corpo como um cobertor, ele soltou um suspiro e encarou o teto.
Kwon Sejin era um garoto de tamanha obstinação que foi capaz de passar dias agachado no corredor do prédio, sem sequer se alimentar direito, afirmando que veria a mãe levada para o Iwhagak. Embora pudesse ser algo rudimentar, ele também possuía a iniciativa de não hesitar em morar na rua em prol do plano que estabelecera.
Quando se reencontrou com Kim Hyun-kyung através de Cheon Seju, o olhar de Sejin era a própria obstinação cega. Como se ela fosse o único lugar no mundo para estender a mão, Sejin se jogou nos braços de Kim Hyun-kyung e se agarrou a ela. Foi por isso. Por não ter imaginado que Sejin gostaria dele.
Se soubesse que as ações demonstradas por ele até agora eram motivadas por esse tipo de sentimento, não teria agido assim. Não teria beijado a testa de Sejin, não o teria abraçado, não o teria consolado. Não teria permitido que ele amasse um homem como si mesmo.
Sentia o estômago queimar diante da autodepreciação que subia.
O afeto era pesado. O amor era um fardo.
Cheon Seju vivera até hoje decepcionando todos aqueles que o amaram. Foi assim com Cheon Hye-in, foi assim com a irmã Maria, assim como com Ha Yeo-reum e com o professor Kim Cheong-geun. No fim, Cheon Seju não conseguiu se tornar a pessoa que eles desejavam. Ele também não conseguiria ser a pessoa que Sejin desejava.
Amar significava compreender. O medo que o fizera fugir era exatamente esse.
Se Sejin o amasse, chegaria o momento em que ele desejaria compreendê-lo um dia. Mas Cheon Seju estava envolvido em um trabalho que não podia revelar de cabeça erguida para ninguém.
Portanto, se Sejin soubesse desse fato, no anseio de compreender Cheon Seju, acabaria tendo curiosidade até mesmo por seu lado oculto e, com isso, se terminasse descobrindo que tipo de pessoa ele era…
Não.
A recusa categórica ecoou em sua mente.
Ele não achava que Sejin seria capaz de compreender a sua vida. Cheon Seju tinha medo de que Sejin, ao saber sobre si, o olhasse com olhos de repulsa. Sentia pavor de que ele lhe virasse as costas. Achava terrível a ideia de ele o ignorar. Não queria perder Kwon Sejin dessa forma. Não queria passar pela perda.
Cheon Seju queria apenas continuar sendo uma pessoa boa para Sejin. Alguém que protegeu o lado de Sejin enquanto Kim Hyun-kyung estava morrendo e após a sua morte. Queria restar como alguém que lhe apresentou um caminho, não se tornar um farsante que o alimentou e vestiu com dinheiro sujo.
O motivo de todos os medos era um só.
O fato de que Cheon Seju estimava Kwon Sejin demais. Por isso, Cheon Seju não podia aceitar o sentimento dele, nem podia lhe contar nada para que ele o compreendesse. Como não queria perder Sejin não importava quando fosse, acabou fugindo. Sem conseguir vencer a onda de medo que se abateu de imediato…
— ……
Então, de repente, Cheon Seju se lembrou do rosto de Sejin que desceu da cama e deu passos em sua direção sem hesitação. Os cantos dos olhos úmidos, os lábios avermelhados, a respiração arfante. Com isso, a temperatura corporal que se aconchegara em seus braços também surgiu na memória. Embora tivesse fugido rápido, Cheon Seju lembrava-se de si mesmo tentando abraçar Sejin de volta naquele instante sem perceber.
Uma água amarga transbordou em seu interior. Sentindo uma dor aguda em algum lugar do estômago, ele mordeu os lábios com firmeza.
Kwon Sejin era um garoto adorável. Quando se conheceram, ele erguera os espinhos para repeli-lo e recusá-lo, mas agora, vendo Sejin curvar o corpo grande primeiro para se aconchegar em seus braços, Cheon Seju não tinha como não estimá-lo e amá-lo.
No entanto, Cheon Seju e Kwon Sejin estavam em patamares diferentes.
Cheon Seju lembrou-se do porão sombrio situado nas profundezas sob os seus pés. O lugar ao qual pertencia era aquele. Usava a casa como desculpa para voltar para Sejin e descansar, mas no fim, o lugar onde deveria estar era aqui.
Ele considerava suficiente apenas ser alguém em quem Sejin pudesse se apoiar. Não tinha o direito de ser amado. O sentimento puro de Kwon Sejin deveria ser entregue a alguém que vivesse uma vida um pouco mais comum e pacífica. Não a Cheon Seju, para quem restavam apenas a queda e a morte, mas a alguém que tivesse um futuro…
Cheon Seju relaxou o corpo enquanto massageava a cabeça tomada pela dor. Logo se jogou em direção a um sono profundo como se estivesse se esquivando.
─── ✧・゚: * ✧・゚:* ───
A convocação de Shin Kyo-yeon veio logo na manhã do dia seguinte. Enquanto se esforçava para não se distrair com outras coisas gastando energia na sala de treinamento físico, ele parou de correr com o som repentino do toque, pegando o celular. Respirando fundo diante do nome do chefe que não trazia alegria, atendeu a ligação.
— Sim, Diretor.
— Cheon Seju.
A voz familiar estava abatida. Cheon Seju aguçou os sentidos e prestou atenção. O homem que chamou seu nome sem rodeios ordenou em seguida:
— Venha para Chuncheon agora mesmo.
Em Chuncheon havia um prédio que a DG utilizava desde muito tempo atrás. Construído nos anos 60 e desativado na época da crise do FMI, era um hospital utilizado principalmente para identificar ou punir traidores da organização. Chamado de local de execução pelos antigos executivos, Cheon Seju também já estivera lá umas duas vezes acompanhando Seok Yoon-hyung.
— Vou imediatamente.
Assim que respondeu, a ligação caiu. Logo Chuncheon. Sentia como se os pensamentos sobre Sejin que dominaram sua mente por um dia fossem limpos e esquecidos.
Não houve grandes explicações, mas dava para imaginar o que aconteceria em Chuncheon. Provavelmente haveria um expurgo contra a facção de Kang Jun-myeon. Seus assessores capturados vivos, ou talvez a identificação de colaboradores tivesse terminado com base nas informações coletadas por Baek Seong-hwan e eles estivessem prestes a executá-los.
Poderia ser o início do processo de sucessão previsto para fevereiro a partir de hoje, ou apenas o local do trabalho realizado no estúdio tivesse sido transferido para lá. De qualquer forma, o importante era o fato de que, se fosse para Chuncheon agora, Cheon Seju inevitavelmente sujaria as mãos de sangue.
Saiu da sala de treinamento e subiu para o andar superior. Após o banho, vestiu roupas impecáveis e desceu novamente para o escritório para pegar a faca de cozinha que guardara no armário. Abrindo o estojo de couro para verificar mais uma vez se havia alguma imperfeição na lâmina, uma repulsa profunda subiu.
Chegará o dia em que o sangue secará nestas mãos? Será que a escolha de aceitar a proposta de Shin Kyo-yeon naquele dia foi realmente correta? A dúvida que surgira centenas, milhares de vezes o atormentou também desta vez. Cheon Seju esforçou-se para apagar os pensamentos e recolheu os objetos para sair do estúdio. Não eram necessários pensamentos pessoais para seguir as ordens de Shin Kyo-yeon.
Como era dia de semana, o trânsito não estava tão congestionado. Passando pela rodovia de Chuncheon, Cheon Seju testemunhou vários sedãs de luxo pretos cruzando por ele. Embora carros pretos fossem comuns na Coreia, veio a intuição. Teve a impressão de que Shin Kyo-yeon pretendia realizar uma cerimônia de execução diante dos executivos. Ele engoliu a tensão e dirigiu o carro em silêncio.
Finalmente, diante do prédio abandonado onde chegou, dezenas de sedãs de luxo estavam estacionados. Os capangas que trouxeram seus respectivos chefes estavam reunidos em vários pontos fumando e, quando algum executivo de rosto conhecido surgia, curvavam-se curvando a cintura e cumprimentavam em voz alta. Nas proximidades da floresta perto do estacionamento, alguém entrava e saía constantemente. Tratava-se de fazer a guarda para o caso de haver alguém escondido secretamente.
Quando Cheon Seju estacionou o carro em um lado e desceu, a atenção das pessoas se voltou para ele, que surgiu sozinho, ao contrário dos outros executivos. Aqueles que sabiam que ele era alguém subordinado a Shin Kyo-yeon curvaram-se respeitosamente diante dele, que se tornaria a figura de poder da DG no futuro, e mesmo aqueles que não conheciam seu rosto cumprimentaram influenciados pela atmosfera ao redor. Cheon Seju entrou sem dar nenhuma resposta.
O interior do prédio era complexo. De acordo com o que ouvira de Seok Yoon-hyung, era um prédio que fora usado como ala psiquiátrica, destinado a prender pacientes de alto risco com grande probabilidade de causar danos às pessoas devido a sintomas graves, por isso fora projetado de forma complexa de propósito para dificultar a fuga. Era uma ideia que surgiria naquela época antiga em que os tipos de instalações de segurança não eram diversificados.
Ao se tornar executivo da DG, aprende-se primeiro a encontrar o caminho neste prédio. Cheon Seju também visitou este local logo antes de terminar o treinamento com Seok Yoon-hyung e passar para a subordinação de Shin Kyo-yeon. Seok Yoon-hyung levou Cheon Seju consigo ensinando os caminhos complexos do prédio, e Cheon Seju não havia esquecido aqueles caminhos até hoje. Como fora um trajeto pelo qual correra dezenas de vezes após chegar ao centro do prédio para fugir de Seok Yoon-hyung que o perseguia com uma faca, era impossível esquecer mesmo que tentasse.
Ao chegar dessa forma ao auditório no centro do prédio, viu que dezenas de executivos estavam reunidos no interior. Acomodados de forma desconfortável em velhas cadeiras de ferro, todos sem exceção emanavam uma energia feroz. O fato de a DG ter vindo a público e se tornado uma empresa não significava que a essência daqueles que compunham o seu interior tivesse mudado. Por isso, tanto os que trabalhavam desde a época em que a DG era a facção Daegam quanto os que entraram na organização após virar DG eram todos indivíduos fora do comum.
Cheon Seju ignorou os olhares voltados para si e examinou o grupo. Entre eles, rostos conhecidos surgiram em bom número. Shin Ji-ho, Shin Ji-han, Shin Ji-hoon, filhos do presidente Shin Kyung-ju. Seok Yoon-hyung, que ensinara Cheon Seju, e da mesma forma Baek Seong-hwan e Han Jong-hyun, que estavam sob o comando de Shin Kyo-yeon.
Baek Seong-hwan, cujo olhar cruzou com o de Cheon Seju, inclinou a cabeça de leve cumprimentando-o. Como era um fato claro que ele estava sob o comando de Shin Kyo-yeon há mais tempo do que ele, independente de se darem bem ou mal, Cheon Seju inclinou levemente a cintura respondendo ao cumprimento. Baek Seong-hwan sorriu satisfeito e virou a cabeça.
O interior do auditório estava barulhento. Além de não ter nenhuma janela, como era um local feito para o passeio dos pacientes, o espaço não era tão grande. Como dezenas de pessoas conversavam em um lugar onde a voz de uma única pessoa ecoava umas duas vezes, era natural que estivesse barulhento.
— Nem revistaram o corpo…
— Vendo que o Diretor Seok está aqui, o Presidente também…
As falas que diziam cochichando fixavam-se de forma confusa em seus ouvidos. Reunidos entre conhecidos, tentavam adivinhar o motivo de Shin Kyo-yeon tê-los chamado ali. Como a assembleia geral de acionistas da DG Construções seria no final de fevereiro e a previsão era de que Shin Kyo-yeon provavelmente assumiria como acionista majoritário naquela época, eles expressavam dúvidas diante da convocação bastante antecipada no meio de janeiro.
Como Shin Kyo-yeon não compartilhara as informações, o desconhecimento da situação era o mesmo para Cheon Seju. Apenas previa a cerimônia de execução. No entanto, sem demonstrar nenhuma reação, aproximou-se de Seok Yoon-hyung para prestar cumprimentos.
— O senhor chegou.
— Ah, você veio.
Não havia ninguém sentado ao redor de Seok Yoon-hyung, cujo rosto estava vermelho como se tivesse viajado para o exterior. A única pessoa capaz de lhe dirigir a palavra com coragem era Cheon Seju, que aprendera a usar a faca diretamente com ele. Seok Yoon-hyung olhou para Cheon Seju como se estivesse esperando, soltou um sorriso largo e ergueu a mão que parecia uma tampa de panela para apalpar o próprio peito. Em seguida, retirou algo embalado em plástico verde do interior do paletó do terno.
— Coma isso. Comprei enquanto voltava de jogar golfe. Será que o Diretor Shin está te fazendo trabalhar sem nem te dar comida? Esse rosto bonito ficou reduzido à metade.
Era manga desidratada com bastante açúcar na superfície. Cheon Seju aceitou aquilo sorrindo em silêncio. Sentando-se no lugar ao lado dele segurando o objeto com firmeza na mão, Seok Yoon-hyung riu abafado e sussurrou:
— Disseram que Kang Jun-myeon foi despedaçado pelo Diretor Shin, é verdade? O Presidente ficou furioso dizendo que aquele filho da puta ia vender a organização para os chineses e quase morreu de raiva. Ficou fazendo escândalo dizendo que ia mastigá-lo vivo, e deu um trabalho danado para fazê-lo calar a boca para que nossa cunhada não levasse um susto e desmaiasse.
— Sim, o Diretor agiu diretamente.
— Nossa. Jun-myeon adorava o Kyo-yeon quando ele era bebê, mas aquele idiota não deve saber disso. Ficava carregando nas costas e brincando todo dia dizendo que seria seu filho, e o Kyo-yeon chamou o Jun-myeon de pai, por isso apanhou do Presidente até virar sangue. Apanhou de verdade até virar uma pasta de sangue por estar cobiçando a cunhada e fazendo o Kyo-yeon chamá-lo de pai. Você não sabia. Foi assim, e terminar daquele jeito pelas mãos do Kyo-yeon, há! Caramba, para receber o respeito aos idosos quando envelhecer, tem que se alinhar bem como eu.
A idade de Seok Yoon-hyung já beirava os setenta anos, e ele costumava trazer à tona histórias antigas daquela forma de vez em quando. Ao ouvir as histórias de quando Shin Kyo-yeon era criança, Cheon Seju simplesmente deixava passar sorrindo por ser incapaz de imaginar.
Muito menos a cena do pequeno Shin Kyo-yeon chamando o jovem Kang Jun-myeon de pai, era uma visão que ele preferia não recordar. Já que vira Shin Kyo-yeon matando Kang Jun-myeon diretamente há poucos dias.
Cheon Seju manteve o lugar esforçando-se para apagar a cena que surgia. Enquanto ouvia as velhas histórias de Seok Yoon-hyung daquela forma, chegou o momento em que o grupo silenciou repentinamente. Viu-se que os executivos sentados nas cadeiras estavam se levantando.
Virando a cabeça, viu que Shin Kyo-yeon estava entrando pela entrada do auditório. Trajando um terno de três peças com elegância, sem um único fio de cabelo desalinhado, sentia-se que o humor de Shin Kyo-yeon estava desconfortável através de seu aspecto impecável. Ao contrário do habitual, seus olhos não sorriam em absoluto. Cheon Seju sinalizou com os olhos para Seok Yoon-hyung dizendo que estava saindo e aproximou-se do lado de Shin Kyo-yeon.
Baek Seong-hwan, que se levantara junto com ele, também foi postar-se no lado oposto de Cheon Seju. Shin Kyo-yeon acomodou-se na cadeira limpa deixada bem à frente do auditório, acompanhado de seus assessores. Cheon Seju procurou por Han Jong-hyun posicionado atrás dele. Sem saber se não recebera o aviso ou se fora intencional, Han Jong-hyun ainda permanecia em meio aos executivos.
Trajando um aspecto limpo inclusive com gravata, Han Jong-hyun exibia um rosto pálido por algum motivo. Os lábios estavam ressecados a ponto de ser perceptível mesmo de longe e as bochechas estavam encovadas. Cheon Seju sinalizou com os olhos algumas vezes para que ele viesse à frente, mas ao ver que ele parecia não entender, engoliu um suspiro e desviou o olhar.
— ……
Shin Kyo-yeon apoiava as costas relaxadamente na cadeira. Quando ele tirou um cigarro do bolso e o colocou na boca, Chae Beom-jun inclinou a cintura e acendeu o fogo. Com o aceno do homem que segurava o cigarro entre os dedos, os executivos que estavam de pé sentaram-se simultaneamente. O silêncio desceu sobre o grupo.
Não eram muitos os que sabiam do fato de que uma parte de suas funções cerebrais fora paralisada devido a um acidente sofrido na infância. Shin Kyo-yeon possuía o cérebro em um estado semelhante ao das pessoas com transtorno de personalidade antissocial, o chamado psicopata. No entanto, graças ao esforço em estudar a psicologia humana e a sociedade sob a tutela de sua mãe, Seon-hwa, uma grande intelectual, a maioria das pessoas não percebia que havia algum problema com ele. Se alguém percebesse que Shin Kyo-yeon não batia bem da cabeça, a probabilidade seria de que o próprio Shin Kyo-yeon tivesse se mostrado.
Por isso, os executivos em sua maioria consideravam Shin Kyo-yeon um homem de trinta anos com a mente sã, mas apesar disso, não se ouvia sequer o som de uma respiração curta no auditório. Afastando o temperinto e o status, havia uma imponência em Shin Kyo-yeon que dominava o grupo. Especialmente assim, quando ele exibia olhos frios sem o sorriso esboçado, eram raros os que ousavam encarar seus olhos.
— Todos… receberam bem as notícias sobre o Diretor Kang?
O fluxo de sua voz arrastada deu-se quase dez minutos após sentar-se no lugar. Não era uma pergunta que exigisse resposta. Contudo, os executivos que compreenderam o significado do conteúdo enrijeceram as expressões e fitaram o lado onde Shin Kyo-yeon estava.
O boato de que a facção de Kang Jun-myeon desmoronara por completo varreu a DG nos últimos dias. No entanto, como Kang Jun-myeon estava na organização há mais de 40 anos e ocupava o cargo altíssimo de diretor da DG Construções, eram raros os que acreditavam piamente no boato. Enquanto muitos espionavam a casa noturna e a mansão de Kang Jun-myeon para confirmar os fatos, sem conseguir nenhuma informação além da impossibilidade de aproximação, o próprio Shin Kyo-yeon trouxe o nome à tona.
— Chefe Chae.
No meio do silêncio de todos, Shin Kyo-yeon exibiu um sorriso radiante e voltou-se para Chae Beom-jun. Chae Beom-jun assentiu com a cabeça e deu um passo à frente. Adiantando-se à frente de Shin Kyo-yeon, ele virou a alça da grande maleta prateada que deixara no chão em direção aos executivos e, com gestos calmos, desfez a tranca. *Taque, taque*, os fechos subiram e a tampa da maleta abriu.
— ……
Os executivos esticaram as cabeças de um lado para o outro para confirmar o conteúdo no interior da maleta. Sons de arfar começaram a surgir aqui e ali, e o interior do auditório passou a ficar agitado. Cheon Seju não podia confirmar o que havia dentro da maleta por estar atrás de Shin Kyo-yeon, mas era capaz de deduzir o conteúdo apenas pelo odor de podridão que exalava.
— Gostaria de ter mostrado algo mais intacto, mas infelizmente a cabeça teve que ser enviada para o Presidente. Portanto, contentem-se com isto.
Falando de forma suave, Shin Kyo-yeon sorriu fazendo um gesto com o queixo. Então, Chae Beom-jun ergueu a maleta deixada no chão e caminhou à frente. Ele entregou a maleta para o executivo sentado na extremidade da primeira fileira. Significava que vissem o fim do traidor. Nesse processo, Cheon Seju pôde confirmar o que estava na bolsa, no interior da qual a pele das costas com a tatuagem de tigre, a marca da DG, estava estendida após ser esfolada com esmero. Como o desenho mudara uma vez com o passar do tempo, não havia uma única pessoa que previsse que o dono daquela tatuagem com o caractere Daegam gravado não seria Kang Jun-myeon.
As expressões dos executivos que souberam que tipo de morte Kang Jun-myeon enfrentara no meio do silêncio mudaram gradativamente. O rosto de Shin Kyo-yeon sorrindo como se não fosse nada era assustador.
— Se cometeu o ato de vender a organização sem conhecer o próprio lugar, deve ter estado preparado para isso. Como o matei de forma limpa, chego a pensar que ele deveria me agradecer, mas…
Diante de suas palavras sorridentes, Cheon Seju rangeu os dentes em silêncio. O corpo de Kang Jun-myeon que ele confirmara por último não estava em um estado que se pudesse expressar como uma morte limpa de forma alguma. Sob a perspectiva de Shin Kyo-yeon, não se sabia se aquilo era limpo.
— De qualquer forma, não os chamei para falar sobre algo que já passou. No entanto, talvez por causa do atraso no processo de sucessão ultimamente, parece ser frequente a armação de palcos insignificantes aqui e ali.
Quem armara o maior desses palcos insignificantes fora justamente Kang Jun-myeon, e entre os reunidos neste local havia alguns que traçavam tais planos. Observando aqueles que desviavam o olhar abaixando a cabeça, Shin Kyo-yeon continuou a falar:
— Pareceu-me haver pessoas com um equívoco. Pensando que já que a organização existe, eu existo, mas já que eu existo, a organização existe… Pessoas que imaginam esse tipo de absurdo.
Tendo falado até ali, Shin Kyo-yeon virou a cabeça calmamente e examinou os executivos. Alguém desviou de seus olhos, e alguém encarou seu olhar fixamente. Diante dessa cena, Shin Kyo-yeon cerrou os olhos rindo com satisfação e, em seguida, olhou para Baek Seong-hwan posicionado ao seu lado.
Baek Seong-hwan assentiu com a cabeça, adentrou em meio aos executivos avançando à frente e agarrou levantando alguém. Cheon Seju prendeu a respiração observando o que ele fazia. Finalmente, Baek Seong-hwan segurou os dois braços e trouxe à frente a pessoa, postando-a diante de Shin Kyo-yeon. Encarando as duas pupilas que tremiam intensamente, Cheon Seju soltou um lamento interno e cerrou os punhos. Han Jong-hyun estava parado bem à sua frente.
Shin Kyo-yeon ergueu levemente o olhar, fitando Han Jong-hyun de baixo, e disse:
— Todos já devem conhecer o nosso Diretor Han Jong-hyun.
Han Jong-hyun era um libertino famoso no interior da DG. Por viver causando problemas, não havia quem não tivesse recebido notícias dele, mas apesar disso, o fato de ele não receber nenhuma punição sob a proteção de Shin Kyo-yeon o tornou ainda mais famoso.
Quando Han Jong-hyun foi arrastado à frente, Shin Ji-han, que tinha grande proximidade com ele, cruzou os braços franzindo os olhos. Administrando uma boate em Cheongdam-dong, Shin Ji-han era irmão de Shin Kyo-yeon e a própria pessoa que trouxera Han Jong-hyun para a organização, mantendo uma relação de profunda amizade.
— Sei que muitos tinham curiosidade sobre o Diretor Han. Toda vez que o Diretor Han causava problemas, e toda vez que eu não tomava nenhuma medida a respeito, vocês deviam perder o sono curiosos para saber por qual motivo eu mantinha Han Jong-hyun comigo.
Alguns executivos assentiram com a cabeça. Cruzando as pernas relaxadamente enquanto fitava essas pessoas, Shin Kyo-yeon continuou. Apoiando as costas profundamente na cadeira, colocou a mão no braço de apoio e falou batendo a ponta dos dedos como se contasse, *taque, taque*:
— Na verdade, eu estava apenas curioso. Se eu entregasse o poder a um lixo de ser humano desprezível e lamentável que não tem um pingo de capacidade por mais que se procure, quantos manifestariam oposição contra mim.
O corpo de Han Jong-hyun estremeceu. O estado dele visto por trás era deplorável. No pescoço coberto pela camisa restavam marcas esverdeadas de estrangulamento e as mãos estendidas tremiam intensamente. A cada continuação das palavras de Shin Kyo-yeon, ele movia as pernas como alguém que desejava fugir imediatamente.
— O Diretor também tem expectativas em relação a mim — a voz amarga de Han Jong-hyun que ouvira em algum momento ecoou em seus ouvidos. Cheon Seju uniu as próprias mãos atrás das costas sentindo a insegurança subir gradativamente. As palmas estavam úmidas de suor.
— Bem, felizmente não houve esse tipo de coisa. Todos pareceram compreender de quem emana a força. Pelo contrário, houve até quem me procurasse por desejar se tornar como o Diretor Han.
Tendo falado até ali, Shin Kyo-yeon riu alto como se achasse realmente divertido e adicionou: — Sem conhecer o próprio lugar.
Em seguida, levantando-se do lugar, ele estendeu a mão. Segurando o cabelo de Han Jong-hyun com força provocando dor, Shin Kyo-yeon virou a cabeça dele fazendo-o olhar na direção dos executivos. Sentia-se o ar ser tensionado com rigidez. Sob a tensão em que não se podia sequer expirar o ar livremente, apenas o som do pranto de Han Jong-hyun ecoava debilmente.
— Salve, me salve…
— Quem subiu foi este lado…
De repente, a voz que esfriou e desceu direcionou-se a Han Jong-hyun. Shin Kyo-yeon pressionou a cabeça dele com força fazendo-o ajoelhar-se no chão. *Bum*, com as pernas dobradas, Han Jong-hyun agarrou a barra da calça de Shin Kyo-yeon com as duas mãos e se pendurou. Sem se dar conta de que o couro cabeludo estava sendo puxado, Han Jong-hyun abaixou a cabeça e suplicou com a voz rouca:
— Diretor, Diretor, me salve, *hruuug*, me salve…
No entanto, não houve quem atendesse àquela súplica. Arremessando Han Jong-hyun com violência, Shin Kyo-yeon ajeitou o aspecto desalinhado e olhou para trás. Seu olhar indiferente direcionou-se a Cheon Seju. Identificando a intenção daquele olhar, Cheon Seju engoliu a saliva seca e deu um passo à frente.
Postando-se no lugar atrás de Han Jong-hyun, ele segurou o cabelo de Han Jong-hyun assim como Shin Kyo-yeon fizera, fazendo-o olhar para a frente. As pupilas injetadas de sangue e cheias de lágrimas olharam para cima. Han Jong-hyun avistou Cheon Seju e moveu a boca. Me salve. Aquela mensagem parecia estrangular seu pescoço.
— O dinheiro com que vocês comem e bebem, o dinheiro que vestem e usam, de onde terá vindo tudo?
Shin Kyo-yeon perguntou como se estivesse realmente curioso. Sorrindo com o cenho franzido, ele sentou-se novamente na cadeira e continuou a falar com atitude descontraída.
— Certamente a organização existe porque vocês existem. No entanto, antes disso, vocês podem preservar esse lugar porque a organização existe. Entregar o poder a vocês, entregar os direitos, providenciar o sustento… Tudo isso não é o trabalho da organização?
— Me salve, realmente não é isso. Nunca traí — Han Jong-hyun murmurava repetidamente em meio ao pranto, mas sua súplica foi abafada e sumiu sob o som da voz de Shin Kyo-yeon. Mesmo espremendo-se, a voz era excessivamente baixa. A julgar pelos vestígios que restavam nele, parecia que Baek Seong-hwan já havia dado um jeito em Han Jong-hyun uma vez.
Deixando as palavras de Shin Kyo-yeon passarem, Cheon Seju olhou fixamente apenas para Han Jong-hyun com olhar frio.
A orientação para não manter proximidade com Han Jong-hyun tinha esse significado. Chae Beom-jun e Shin Kyo-yeon sabiam que esse tipo de coisa aconteceria com Han Jong-hyun. Sendo assim, desde quando seria? Por que Han Jong-hyun traíra Shin Kyo-yeon? Sendo que era tão ansioso. Sendo que desejava tanto ser reconhecido pela família…
Ou, pelo contrário, justamente por isso.
Se Han Jong-hyun tivesse se aliado a Kang Jun-myeon, que dissera que o usaria para não desperdiçar mais tempo… O semblante de Cheon Seju empalideceu. Lembrou-se de ter encontrado Han Jong-hyun no início do inverno, em novembro do ano passado. O encontro com Han Jong-hyun naquele local não fora uma coincidência. Ele não vagava pelo bairro para usar drogas, mas sim para fazer contato com Kang Jun-myeon…
— O motivo de tê-los chamado a este local é apenas para fazer uma advertência. Devem reconhecer o próprio lugar corretamente… Não acham?
De repente, a voz afiada de Shin Kyo-yeon cravou-se em seu ouvido. Cheon Seju recobrou os sentidos repentinamente e olhou para o lado. Shin Kyo-yeon o fitava de baixo. O olhar fixo parecia perguntar o mesmo a Cheon Seju. Questionando que tipo de pensamentos ele tecia sem sequer reconhecer o próprio lugar.
Cheon Seju enrijeceu a expressão e retirou a faca de cozinha que guardara no peito. O toque do cabo envolvendo sua mão não era incomum. Diante do pensamento de que a lâmina azul tocada por suas mãos logo ceifaria a vida de Han Jong-hyun, o interior da boca ressecou, mas Cheon Seju recompôs a mente sem dificuldade.
Sim, era algo que fizera inúmeras vezes. Ele precisava agir conforme as ordens de Shin Kyo-yeon. Já que prometera dedicar todo o restante de sua vida a ele como preço em troca da vingança de Hye-in.
Tudo isso era…
— Realmente, não é isso…
Pensando assim, Cheon Seju no entanto afundou na confusão diante da voz de Han Jong-hyun negando em meio ao choro.
Em prol de quem seria esse trabalho afinal?
Não podia dizer que era por Hye-in. Ela nunca desejara esse tipo de resultado. Fora Hye-in quem dissera para ele se tornar um excelente médico e cuidar das pessoas pobres. Não havia como ela desejar que ele se tornasse um demônio que fere as pessoas dessa forma.
— Se desejam abalar a organização, basta me procurar.
— Me salve…
Então por quem era? Por si mesmo? No entanto, o fato de Cheon Seju também não desejar agir assim era o mesmo. Sendo tudo apenas um trabalho realizado por ordem de Shin Kyo-yeon, ele não desejava ferir Han Jong-hyun sinceramente.
No dia em que encontrara Han Jong-hyun no Iwhagak, Cheon Seju simpatizara com ele e sentira pena dele ao ouvir a história de sua vida. No entanto, a relação entre Han Jong-hyun e Cheon Seju limitava-se a um contato para lançar um breve olhar de piedade, era só aquilo. Por isso, o sentimento de um instante que considerara apenas algo passageiro estava confundindo Cheon Seju.
— Porque ao menos isso trará um resultado melhor do que isto…
— Diretor… Cheon, Chefe Cheon! Cheon Seju!
E finalmente, quando Han Jong-hyun, encurralado na ponta do penhasco, pronunciou o seu nome, Cheon Seju recobrou a lucidez.
As pupilas tomadas pelo medo de Han Jong-hyun direcionaram-se a Cheon Seju. Ao encarar aqueles olhos sentindo uma repulsa a ponto de o coração latejar, Han Jong-hyun abriu a boca quase pendurando-se na mão de Cheon Seju que segurava seu cabelo.
— Eu, naquela época…
— ……
Nós, no instante em que previu as palavras que se seguiriam ao pequeno sussurro, Cheon Seju cessou os pensamentos e rasgou a pele frágil de Han Jong-hyun com a faca que mirava seu pescoço. Em um piscar de olhos, a visão à frente tingiu-se de vermelho. A ponta dos dedos ensopou-se no fluido corporal quente. *Grreeg*, as palavras interrompidas transformaram-se em espuma e fluíram para fora.
Shin Kyo-yeon ergueu uma das sobrancelhas fitando Cheon Seju. Cheon Seju, cujo olhar encontrou o dele, abaixou a cabeça em seguida sem dizer nada. *Clang*, a faca de cozinha arremessada por ele caiu no interior da poça de sangue. A lâmina azul perdeu o brilho em um piscar de olhos submergindo no sangue que se espalhava em fluxo. Como uma vida que se apaga.
Cheon Seju recolheu a mão manchada de sangue soltando a mão que segurava o cabelo de Han Jong-hyun. *Bum*, o corpo que desmoronou emitindo um som pesado balançou como se estivesse em convulsão. Observando aquela cena, ele retornou ao seu lugar postando-se com as mãos unidas atrás do corpo. O rosto inexpressivo direcionou-se para a frente. No entanto, ao contrário do rosto que fingia calmaria, a ponta de seus dedos tremia levemente.
Sabia o que Han Jong-hyun tentara dizer há pouco. Se ele trouxesse o seu nome à tona, ele próprio também não estaria a salvo. O assassinato de instantes atrás não fora um ato realizado por ordem de Shin Kyo-yeon. Fora uma ação executada por vontade própria de Cheon Seju em prol da própria segurança. Era a primeira vez que algo assim acontecia.
Havia o pretexto da vingança em seu primeiro assassinato. Ao sair do centro de detenção enfrentando o momento de vingança novamente, Cheon Seju assassinara os agressores cruelmente por considerar no fim que viver era melhor do que morrer. Já que eles eram seres que mereciam a morte.
No entanto, agora.
O fato de ele dar errado não significava que um infortúnio recairia sobre Sejin incondicionalmente, mas a mão movera-se apenas com base nessa única suposição. Como se fosse natural tirar a vida de outra pessoa para proteger alguém…
O fato de Han Jong-hyun ser uma vida destinada a morrer desde o princípio não era importante. Cheon Seju sentiu uma repulsa profunda diante do fato de ter se transformado exatamente igual àqueles que pertenciam à organização.
— Serão necessárias mais palavras?
Enquanto ele se esforçava para escapar do choque com as mãos cerradas e trêmulas, Shin Kyo-yeon encerrou a situação. Sob suas ordens, Baek Seong-hwan realizou a revista corporal dos executivos restantes junto com seus capangas, e aqueles que portavam celulares sem permissão foram chamados para um lado.
Shin Kyo-yeon assistiu àquela cena sentado calmamente e, em determinado momento, virou a cabeça fitando Cheon Seju. O olhar afiado cravou-se em Cheon Seju que estava de pé com o rosto inexpressivo e as mãos atrás do corpo. Diante do olhar de Shin Kyo-yeon que parecia sondar, ele sentiu o suor frio escorrer pela espinha.
— Chefe Cheon.
Talvez por haver pessoas restantes, Shin Kyo-yeon ainda portava a máscara de pessoa boa. Não se sabia se aquilo tinha significado agora.
— Sim, Diretor.
Respondendo respeitosamente, Cheon Seju encontrou o olhar dele em silêncio. Shin Kyo-yeon exibia um rosto alegre por algum motivo. Não era uma expressão a se mostrar mantendo um cadáver sob os pés, o que arrepiou todo o corpo. Ocultando tal vestígio ao abaixar a cabeça, logo ele abriu a boca novamente.
— Senti isso desde a primeira vez que o vi.
— Sim.
— É muito frio, o ser humano.
— ……
A expressão de Shin Kyo-yeon manteve-se a mesma, por isso não havia meio de saber se era um elogio ou um deboche. Quando Cheon Seju engoliu a saliva seca, ele falou com a voz carregada de riso:
— Não tem hesitação em matar alguém com quem se encontrou várias vezes. O Chefe Chae jamais conseguiria agir assim…
Várias vezes. Será que o encontro no beco também estaria incluído ali? A rede de informações de Shin Kyo-yeon não se limitava apenas à equipe de contenção. Não seria estranho mesmo que ele já soubesse do encontro daquele dia. Deixando a voz dele passar, Cheon Seju curvou a cintura em silêncio. Segurando a própria faca que caíra no interior da poça de sangue naturalmente, traçou a rota de fuga na mente para o caso de os capangas de Baek Seong-hwan atacarem por precaução. Já que se Shin Kyo-yeon já soubesse que ele encontrara Han Jong-hyun naquele dia, poderia tentar matá-lo e eliminá-lo neste local.
— Parece que aquela determinação ainda continua válida.
No entanto, enquanto Cheon Seju retirava o lenço com o rosto indiferente limpando o sangue impregnado na lâmina, Shin Kyo-yeon continuou a falar dessa forma.
Diante da palavra determinação trazida por ele, Cheon Seju rangeu os dentes sem emitir som. A memória enterrada vem à tona. Após cometer o quinto assassinato ao entrar na organização, Cheon Seju perguntara a Shin Kyo-yeon uma vez. Por qual motivo me trouxera a este local. Diante daquela fala, Shin Kyo-yeon questionara de volta da seguinte forma:
— Um ser humano que joga a própria vida fora por causa de uma irmã que já morreu, fiquei curioso para saber até onde seria capaz de ir em prol da vingança da irmã… Já que surgiu a oportunidade, que tal perguntar? Cheon Seju, até onde você acha que será capaz de ir?
E diante daquela pergunta, Cheon Seju respondera que faria qualquer coisa que fosse ordenada. Porque se não fizesse, parecia que tudo perderia o significado. Aquilo pareceu soar como uma determinação para Shin Kyo-yeon. Engolindo a água amarga que subia como fluxo de sangue, Cheon Seju ergueu a cabeça fitando Shin Kyo-yeon. Respondendo enquanto englobava seu olhar indiferente de uma só vez:
— Sim.
Diante daquela resposta concisa, Shin Kyo-yeon cerrou os olhos rindo alto. *Há-há*, junto com o som do riso que parecia sinceramente divertido, baixou o olhar contemplando o corpo que esfriava no chão. Um leve sorriso fixou-se em seu rosto, e a voz baixa murmurou:
— Há muitas coisas divertidas ultimamente. Em vários aspectos…
Virando a cabeça em seguida e encontrando o olhar de Cheon Seju, Shin Kyo-yeon perguntou com tom de quem realmente tem curiosidade, assim como no dia em que questionara até onde ele seria capaz de ir:
— A qual lado o remorso que o Chefe Cheon sente está mais próximo?
As falas lançadas por Shin Kyo-yeon costumavam irritar os nervos de Cheon Seju frequentemente. Habitualmente ouvia e deixava passar, mas agora não se encontrava em estado para isso.
Além disso, a pergunta dele assemelhava-se ao dilema que fizera Cheon Seju sentir uma repulsa profunda até instantes atrás. Como parecia que responder seria o mesmo que sufocar a própria respiração, Cheon Seju esforçou-se para balançar a cabeça fingindo desconhecer.
— …Não sei do que o senhor está falando.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna