Parte 01
Projection Vol. 5
Reflection (4)
Uma semana atrás, quando Sejin abriu os olhos, o lugar ao seu lado estava vazio. Levantando-se à procura do calor de Cheon Seju, ele vasculhou a casa com passos silenciosos.
— Cheon Seju, onde você está?
Uma voz sem forças ecoou pela casa. Caminhando pela residência que parecia não apenas ampla, mas imensa, Sejin procurou por Cheon Seju. No entanto, ele não estava em lugar nenhum. Vasculhando o banheiro por último, Sejin percebeu o fato de que Cheon Seju não se encontrava em nenhuma parte da casa e parou no lugar com a expressão petrificada.
Seu olhar abatido examinou os arredores. O chão do banheiro onde ele estava não tinha vestígios de umidade. Significava que Cheon Seju havia saído de casa sem sequer tomar banho. Com pressa, ou por algo simples. Forçando a mente, logo Sejin se lembrou da geladeira que estava vazia e presumiu que ele tivesse ido comprar comida. Um suspiro de alívio escapou de seus lábios.
Arrastando os pés, sem energia, Sejin saiu do banheiro, foi até o sofá e se encolheu ali. Parecia que já havia se passado bastante tempo desde que comera, mas não sentia fome. Simplesmente não conseguia pensar em nada. Sejin permaneceu naquele estado com o rosto enterrado nos joelhos até que, de repente, virou a cabeça.
O sofá sem dono entrou em seu campo de visão. O aspecto vazio do sofá que Cheon Seju tanto gostava parecia especialmente solitário hoje. Sejin ficou observando aquele lugar em silêncio e, em determinado momento, se levantou. Subiu com cuidado no sofá e se deitou exatamente na mesma postura que Cheon Seju costumava ficar.
Ficou assim com os olhos fechados e, quando ergueu as pálpebras com esforço, a TV, o corredor e uma parte da janela de vidro entraram de uma só vez em sua visão. Parecia entender o motivo de Cheon Seju sempre se deitar ali. Como a vista englobava várias coisas, não dava nenhuma sensação de sufocamento.
Se havia algo lamentável, era que o lugar de Sejin não podia ser visto dali. O assento ao lado da mesa onde Sejin sempre se sentava antes de ganhar o quarto de estudos só ficava visível se alguém deitado no sofá erguesse a cabeça e baixasse o olhar. Não sabia se devia considerar uma sorte o fato de não ter sido pego espionando-o toda vez que se sentava no chão para estudar, ou se devia se sentir magoado por não existir na linha de visão de Cheon Seju. Sentindo as forças se esvaírem de repente, Sejin fitou a paisagem que o outro sempre contemplava e fechou os olhos sem dizer nada.
— Cheon Seju vai voltar logo, o mercado é perto…
Contudo, enquanto pensava nisso, acabou pegando no sono e, quando abriu os olhos novamente, já era tarde da noite.
O céu visível pela janela estava escuro como breu. A TV desligada ainda exibia uma tela preta e tudo ao redor permanecia em silêncio. Sejin sobressaltou-se e sentou-se na cama.
— Cheon Seju.
Sejin chamou por seu nome com a voz rachada. Porém, mais uma vez, não houve resposta. Pelo visto, ele não tinha ido ao mercado, mas sim se ausentado por causa do trabalho.
Como era comum ele sair de casa repentinamente, Sejin não entrou em pânico. No entanto, pressentindo que hoje ele não voltaria para casa, como costumava acontecer sempre que se ausentava de repente, mudou-se para o quarto de Cheon Seju.
As cobertas ainda estavam bagunçadas. Sejin subiu no lugar onde Cheon Seju estivera deitado, enterrou o rosto no travesseiro dele e abraçou a colcha que ele havia usado. Parecia que o cheiro de Cheon Seju permanecia ali. Uma fragrância doce e, ao mesmo tempo, fria…
Dessa forma, Sejin caiu no sono mais uma vez.
Quando acordou de novo, era de madrugada. Talvez por estar com o estômago vazio, não conseguia ter um sono profundo. Levantando-se debilitado, Sejin olhou para o próprio baixo ventre com olhos melancólicos. No instante em que percebeu que estava com fome junto a um ronco no estômago, Sejin sentiu uma repulsa imensa de si mesmo. Sua mãe havia morrido. Ela não podia mais comer nada e, no meio disso, achava estranho o fato de si mesmo querer comer algo. Parecia ter se tornado uma pessoa ruim que não conseguia sentir nem sequer tristeza pela morte dela.
Esse tipo de auto-ódio profundo era algo que Sejin experimentava pela primeira vez na vida. Algum lugar no fundo do seu estômago pontuava. Sentia-se extremamente miserável e triste.
Embora estivesse tão deprimido, Sejin se lembrou da voz de Cheon Seju ecoando em seus ouvidos e se levantou. Tenho que viver. As palavras que Cheon Seju deixara no necrotério o ergueram. Ficar passando fome não traria nenhum benefício. Se minha mãe souber, vai ficar brava; Cheon Seju também vai ficar chateado. Pensando assim, Sejin se dirigiu à cozinha.
Colocando o celular descarregado sobre o carregador, abriu a geladeira para preparar uma refeição simples. Ia pegar os acompanhamentos secos que ainda não deviam ter estragado, mas hesitou ao encontrar a costela que havia marinado para sua mãe.
Como Kim Hyun-kyung não conseguia fazer bem a digestão, ele a havia marinado em um tempero com bastante kiwi para amaciar a carne. Como perdeu o momento certo, a carne já devia ter se desfeito e ficado mole. Ou talvez já estivesse estragada.
— ……
Mas Sejin não queria jogar a costela fora. Descartar algo que havia preparado para ela parecia o mesmo que apagar os vestígios de sua mãe. Ainda não tinha imunidade para esse tipo de coisa. Emocionado, Sejin guardou o pote de costela no fundo do congelador, pegou alguns acompanhamentos secos que ainda não tinham estragado e os colocou sobre a mesa.
O arroz que restara na panela elétrica já havia ressecado há muito tempo. Como resolvera as refeições com comida de entrega nos dias 31 e no primeiro dia do ano novo quando esteve em casa com Cheon Seju, Sejin também não sabia disso. Ele esquentou o arroz instantâneo que por acaso restava no armário e o colocou na mesa. Comeu o arroz acompanhado de uma lula desfiada temperada e de uma fofoca de anchovas com nozes que já estava um pouco sem sabor. No meio disso, quando a comida doce e salgada entrou em sua boca, a saliva circulou. Sejin soltou uma risada sem graça diante do absurdo e terminou a refeição.
Depois disso, enviou uma mensagem para Cheon Seju.
6:21 Que horas você chega?
A resposta não veio. Em vez de esperar pela mensagem dele, Sejin lavou a louça e organizou a casa. Embora não houvesse ninguém, limpar a casa depois de alguns dias revelou uma quantidade absurda de poeira. Só depois de gastar quase meio pacote de lenços descartáveis do esfregão a vapor é que conseguiu terminar a limpeza.
Ao olhar para o relógio depois disso, já passava das 12 horas. Aconteceu porque limpou minuciosamente após muito tempo e a casa era grande. Foi exaustivo, mas com o pensamento de que não podia deixar a casa de Cheon Seju coberta de poeira, Sejin se empenhou. Após terminar, sentiu fome novamente.
Dessa vez não era uma fome que se pudesse enganar com algo simples, então Sejin foi para a cozinha preparar uma refeição. Lavou o arroz para fazer uma nova leva e tirou do congelador o camarão e o mix de frutos do mar que havia guardado, refogando-os de forma apimentada junto com acelga. Então, lembrando-se de repente, hidratou a alga e fez uma sopa de alga adicionando farinha de semente de perilla.
O aniversário de Cheon Seju fora no dia 1º de janeiro. No ano passado ele não se lembrou a tempo e deixou passar, mas desta vez… Acabou perdendo a data por passar o tempo todo dormindo. Sentia-se tão culpado que ia além do arrependimento em relação a Cheon Seju. Culpando-se por ser um idiota, Sejin guardou a sopa de alga que preparara com tanto esmero inteira na geladeira. Pretendia comer junto com Cheon Seju quando ele voltasse.
Mais tarde vou sair um pouco para comprar um bolo. Mesmo atrasado, pelo menos quero que ele assopre as velas. Como recebera tanto de Cheon Seju e só podia retribuir com esse tipo de coisa, sentia muito, por isso Sejin também pensou em ir ao shopping com ele para comprar um presente quando retornasse. Seria ótimo se Cheon Seju aceitasse com alegria.
Dessa forma, resolveu o almoço e, sentado distraidamente na casa que recuperara a vivacidade, Sejin contemplou o Rio Han correndo ao longe. Sendo praticamente a primeira vez que ficava sozinho após o funeral, os dilemas que empurrara para longe vieram à tona como uma inundação.
O vestibular já havia terminado há muito tempo. Se soubesse que passaria sem sequer poder fazer a prova, teria se esforçado um pouco menos. Sejin se arrependeu. Teria sido melhor usar aquele tempo para ir ver sua mãe. Devia ter dito mais vezes que a amava, será que havia pedido desculpas por ter sido ranzinza com ela?
Sejin continuou pensando nela por um breve momento e sacudiu a cabeça ao sentir seu humor afundar cada vez mais. Não queria se lembrar da mãe quando estava sozinho. Quando Cheon Seju não estava, afundar naquilo era um fardo pesado demais.
— O que faço com a casa agora? — O dilema seguinte que surgiu foi esse. O plano original de Sejin era se alistar no exército assim que completasse vinte anos. Depois disso, juntaria uma quantia com o salário de lá e, após a dispensa, o objetivo de Sejin era alugar um quarto com Kim Hyun-kyung, que sairia do Iwhagak, para começarem de novo.
No entanto, desde que começara a estudar junto com Cheon Seju, esse plano acabou se perdendo. E se eu passar na faculdade? Por causa da interferência dessa pergunta, o futuro imaginado mudava constantemente. Toda vez que isso acontecia, Sejin decidia pensar depois do vestibular, adiando a revisão dos planos. Mas já que não fizera a prova, não haveria nada de estranho em seguir o plano original, mesmo assim, Sejin hesitou.
Não queria se afastar de Cheon Seju.
Se fosse para o exército direto assim, ficava preocupado com Cheon Seju que restaria sozinho nesta casa. Era algo estranho. Quem perdera a família fora Sejin, mas ele se preocupava mais com Cheon Seju do que consigo mesmo.
— É assim mesmo. Morrer… é desse jeito…
De repente, lembrou-se das palavras que Cheon Seju lhe dissera quando ele estava tomado pelo rancor. Embora fizesse apenas alguns dias, naquela época sentira raiva de Cheon Seju. Odiou profundamente o fato de que, logo Cheon Seju, lhe dissesse tais palavras. Mas não havia nada de errado no que ele dissera.
Claro que isso não significava que o sentimento de rancor tivesse sumido por completo. Sejin ainda odiava os agiotas que haviam levado sua mãe e detestava Kwon Yong-bum, a raiz de toda aquela infelicidade. Apesar disso, não sentia mais a raiva borbulhar e revirar o estômago como no dia do funeral.
Assim como Cheon Seju dissera, Sejin não queria ficar preso ao passado. Não queria desperdiçar a vida odiando e detestando todos os motivos que causaram a morte de sua mãe. Porque era isso que Kim Hyun-kyung desejava.
No dia anterior à sua morte, as últimas palavras que ela deixara para Sejin foram exatamente essas. Antes de perder a consciência devido à dor terrível, sem reconhecer Sejin que segurava sua mão ao seu lado, ela sussurrou.
— Por favor, transmita ao Sejin, ao nosso filho. Diga a ele que o desejo da mãe era morrer antes dos 50 anos, por isso não tenho nenhum arrependimento. Peça para ele não ficar chorando por pena da mãe, mas sim viver feliz, aproveitando o que quer fazer, o que quer comer, o que quer ter e as coisas de que gosta.
Após a morte de Kim Hyun-kyung, Sejin esteve envolvido por uma raiva sem alvo. No entanto, ao ouvir o que Cheon Seju dissera, o nó acumulado em seu coração se desfez e ele se lembrou do que a mãe havia falado.
Se vivesse guardando rancor pelas coisas que perdeu, como ele dissera, não conseguiria viver feliz da forma que a mãe desejava. Sejin compreendeu isso precocemente através das palavras de Cheon Seju. Por isso, mesmo sentindo autodepreciação por ter fome naquela situação, conseguia preparar e comer as refeições com dedicação.
Assim como ela dissera, Sejin queria viver desfrutando das coisas que gostava. Queria viver melhor do que ninguém para que ela, ao olhá-lo lá do céu, não se arrependesse por ter deixado um filho jovem para trás.
Para que isso acontecesse, precisava de Cheon Seju. Sejin queria estar com Cheon Seju, queria compartilhar comidas gostosas com ele e queria se tornar uma pessoa necessária para ele. Queria ter Cheon Seju e gostar dele sem reservas. Por isso, Sejin esperou pacientemente pelo seu retorno.
Contudo, ele não voltou para casa mesmo após uma semana.
— Não poderei voltar por enquanto — após essa mensagem, Cheon Seju não fez mais contato. Como ele era alguém que checava as mensagens por mais ocupado que estivesse, a princípio levou um susto terrível. Pensou se algo não teria acontecido com ele também.
Assim se passaram três dias, quatro dias e finalmente uma semana. Conforme os dias sem o retorno de Cheon Seju se estendiam, o humor de Sejin começou a despencar no abismo.
O coração que não conseguira se estabilizar após a morte de Kim Hyun-kyung mantinha Sejin preso em uma ansiedade imensa. Por causa disso, de alguma forma sentia-se abandonado por ele. Memórias antigas que restaram como traumas vieram à tona. Será que Cheon Seju, assim como Kwon Yong-bum que saiu de casa após espancar a ele e à sua mãe e nunca mais voltou, também sairia desse jeito e não retornaria? Sejin foi tomado por uma insegurança sem fim.
Sejin sabia que tipo de pessoa Cheon Seju era e também tinha consciência de que ele não agiria de forma tão irresponsável, mas não tinha controle sobre isso. Para Sejin, que fora abandonado pelo pai, pelo tio, pelo professor conselheiro e por inúmeros homens sem responsabilidade, era uma suposição que surgia por força do hábito.
— Você me trouxe. Não pode fazer isso comigo agora. Não pode me deixar de forma tão irresponsável. Não deveria…
Chorando em silêncio, Sejin levantou-se depois de muito tempo. Pretendia sair de casa para procurar por Cheon Seju. Ele entrou no quarto, vestiu o casaco de Cheon Seju e saiu. No entanto, no instante em que pegou o celular sobre o sofá e ia em direção à entrada principal, algo bateu em seu pé. Baixando o olhar, ele avistou tardiamente a caixa deixada ao lado da mesa e sua expressão enrigeceu.
Era a caixa que reunia os pertences que a mãe usava no hospital. Embora tivesse limpado a casa inteira, não tivera coragem de mexer naquilo, apenas mudando o objeto de lugar, mas com o chute de Sejin, um envelope de documentos acabou saltando para fora.
Na superfície do envelope pardo, via-se escrito o nome Shinsa Capital. Percebendo que se tratava dos papéis do empréstimo que empurraram sua mãe para o Iwhagak, Sejin estendeu a mão como se estivesse hipnotizado. As dúvidas que mostravam apenas a ponta da cauda em sua mente manifestaram-se intensamente naquele momento, e ele rompeu o lacre dos documentos.
A papelada era composta por várias folhas e era bastante espessa. O que estava no topo era o documento do empréstimo em que Kwon Yong-bum colocara Kim Hyun-kyung como fiadora. Ao ver o nome de Kwon Yong-bum escrito na página frontal, Sejin rangeu os dentes, engolindo a raiva que subia. Não queria ver nem os vestígios daquele homem que não seria suficiente nem se o rasgasse até a morte.
Passando pelas cláusulas do empréstimo escritas em letras miúdas, chegou ao local das assinaturas. Kwon Yong-bum havia deixado a impressão digital e, no campo do fiador, estava carimbado o selo pessoal de Kim Hyun-kyung que Kwon Yong-bum havia roubado. O endereço residencial registrado nos documentos não era o local onde Sejin morava. Kwon Yong-bum havia colocado outro endereço considerando a possibilidade de o empréstimo ser descoberto por Kim Hyun-kyung. Como ele também guardou o selo secretamente no lugar após o uso, ela não soube do empréstimo até que a data de vencimento passou e a penhora começou.
Sentindo o sangue ferver, Sejin rasgou os papéis do empréstimo em pedaços miúdos. A dívida restante não tinha mais relação com ele.
O documento atrás daquela papelada era o histórico de amortização. Sejin examinou o conteúdo com o rosto gélido. O histórico de salários e amortizações desde o mês em que Kim Hyun-kyung entrou no Iwhagak estava organizado meticulosamente em uma tabela; a afirmação de que seria possível juntar dinheiro para sair de lá era verdadeira, pois uma parte do salário mensal estava sendo retida como poupança de rescisão.
Aquilo era a prova de que Kim Hyun-kyung estava viva e de que ela estava aguentando firme melhor do que ninguém. Engolindo a emoção que subia, Sejin examinou aquele histórico. Então, em determinado momento, sentiu uma incongruência e franziu os olhos.
Não havia dinheiro descontado separadamente do salário de Kim Hyun-kyung. Ou seja, até receber o salário de Cheon Seju no outono do ano retrasado, o valor gasto usando o cartão dele para comprar roupas e passagens não havia sido cobrado. Ele dissera claramente que cobraria…
Pensando se aquilo não teria sido adicionado ao valor do empréstimo, Sejin juntou uma parte dos papéis rasgados para confrontar os valores. Contudo, fosse no principal ou nos juros, não houve aumento de quantia separada. Simplesmente não houvera cobrança alguma.
Não era difícil entender o que aquilo significava. Com as mãos trêmulas, Sejin virou a página lentamente. Com os olhos bem abertos, examinou o registro dos dez meses que desconhecia. O salário de Kim Hyun-kyung entrava sempre com um valor semelhante e era gasto de forma parecida. Amortização do principal, pagamento de juros, seguro social, poupança de rescisão. E… quitação total.
Olhando para aquela palavra, Sejin piscou os olhos fixamente sem que o significado fizesse sentido de imediato. Quitação total do empréstimo, quitação total dos juros, pagamento da taxa de amortização antecipada. Os três itens estavam registrados na mesma data. Percebendo que era agosto, o dia em que sua mãe desmoronara, Sejin mordeu os lábios.
Enquanto Kim Hyun-kyung recebia tratamento, as despesas hospitalares foram faturadas parcialmente várias vezes, mas isso aconteceu após agosto, quando ela foi internada. Sejin sabia que o dinheiro para o tratamento e para a internação vinha do Iwhagak.
No entanto, se a afirmação de quitação total do empréstimo estivesse correta, Kim Hyun-kyung não seria mais funcionária do Iwhagak após o dia em que desmaiou, então não faria sentido que o local arcasse com as despesas médicas. Por mais que Sejin não conhecesse o funcionamento do mundo, sabia ao menos que nenhuma empresa pagaria as despesas médicas de um funcionário desligado.
Será que algo estava errado? Isso não fazia sentido.
Afastando o rosto que surgiu de repente diante de seus olhos, Sejin virou-se segurando os papéis. Precisava confirmar. Pegando o celular que deixara sobre a bancada da cozinha americana, ligou para o número escrito na parte inferior do documento.
Após chamar algumas vezes, a outra parte atendeu. — Sim, equipe de suporte à amortização da Shinsa Capital. Como posso ajudar? — Diante do tom mecânico, Sejin abriu a boca com a voz trêmula.
— Eu gostaria de… perguntar uma coisa.
— Sim, pode falar.
— Minha mãe… tinha uma dívida aqui, e isso… alguém pagou.
— Como? O senhor está dizendo que fez a amortização?
A funcionária não entendeu as palavras de Sejin de primeira e perguntou de volta. Como era algo que nem mesmo Sejin compreendia, ele explicou a situação gaguejando.
— Não. Na tabela escrita como histórico de amortização… consta como quitação total do empréstimo, mas acho que há algo errado…
— Hum… Poderia me informar o nome completo e a data de nascimento do titular do empréstimo? Vou dar uma checada para o senhor.
— Minha mãe não fez o empréstimo, ela é a fiadora…
— Sim, sim, um momento. Então me informe o nome da fiadora, por favor.
Sejin pronunciou o nome de Kim Hyun-kyung e a data de nascimento gaguejando. Então a funcionária murmurou como se achasse impossível que tal coisa tivesse acontecido, mas que verificaria de qualquer forma, e pediu para aguardar um instante, deixando o telefone de lado. O som de teclas sendo digitadas podia ser ouvido de longe. Sejin esperou de pé, estupefato. E pouco depois, a atendente falou com a voz animada.
— Ah, veja só? Não está no nome de Kim Hyun-kyung, mas foi quitado integralmente em agosto no nome de Cheon Seju. …É alguém que o senhor conhece, certo? Caso tenha entrado na conta errada, pode ser um problema.
No instante em que ouviu aquele nome, não conseguiu pensar em nada. Sejin estancou segurando o celular. Cheon Seju, por quê? Por que você… Parecia que uma onda de calor se espalhava em seu peito. Sejin não conseguia definir esse sentimento de forma alguma. Apenas por não conseguir acreditar, fechou a boca e encarou o vazio.
A atendente chamou por Sejin várias vezes. — Alô, alô, senhor? — Após tentar confirmar algumas vezes, ela soltou um breve suspiro pensando que a ligação havia caído e fez menção de desligar. Sejin abriu a boca tardiamente.
— …Então, por acaso.
— Sim, tem mais alguma dúvida?
— Depois que minha mãe fez a dívida, ela trabalhou no Iwhagak… Lá por acaso… eles pagam as despesas médicas de funcionário desligado?
É impossível. Mesmo pensando assim, Sejin perguntou para confirmar. A funcionária não respondeu de imediato. — Não conheço muito bem lá… — murmurou ela, deixando a frase incompleta, e respondeu pedindo para aguardar enquanto lançava a pergunta para alguém. Vozes conversando baixo ecoaram. Logo ela pegou o fone de novo e disse: sua voz ainda mais nítida cravou a certeza na dúvida de Sejin.
— Não, disseram que não existe esse tipo de sistema. Tem mais alguma dúvida?
O celular caiu. O aparelho que despencou sem forças escorregou e se chocou contra algum lugar do chão.
O coração batia forte. O calor subiu por todo o corpo e os cantos dos olhos arderam quente. O fato de ter apenas recebido tudo de Cheon Seju, do início até agora, penetrou no fundo do seu coração. Sejin percebeu isso tarde demais.
A voz fria de Cheon Seju ecoou em sua mente.
— O que você acha que eu vou fazer com a sua mãe para usar uma expressão como “uma pessoa como você”?
Quando ouviu aquelas palavras, que tipo de homem pensara que Cheon Seju era? Sejin achou apenas que ele era o lixo mais desprezível do mundo. Mas pensando bem agora, Cheon Seju nunca agira em benefício próprio até hoje.
O fato de ter mencionado sua mãe para intimidá-lo ferozmente, o fato de tê-lo levado para sua casa quase ameaçando Sejin que pretendia morar na rua, o fato de fazê-lo vestir roupas novas à força dizendo que cobraria o preço, o fato de dar dinheiro mencionando o trabalho doméstico para fazer Sejin estudar quando ele tentava arrumar um bico… Tudo… Tudo fora por ele…
— Ah…
Junto com um lamento, Sejin enterrou o rosto nas duas mãos.
Desde o dia em que se conheceram até agora, Cheon Seju se dedicou a Sejin. Ele permitiu que Sejin sonhasse com o futuro e apresentou opções para Sejin, que antes estava ocupado apenas em caminhar pela estrada que lhe fora imposta.
Depois que Kim Hyun-kyung adoeceu, ele fez tudo o que estava ao seu alcance. Quitou a dívida para que ela pudesse ir ao hospital imediatamente e usou seus contatos para ajudá-la a fazer os exames direto no Hospital da Universidade Hankuk. As despesas hospitalares e os custos do tratamento saíram todos do bolso dele, mas Cheon Seju nunca dissera uma palavra a Sejin. Não exigiu gratidão, nem pediu que reconhecesse seu esforço.
De alguma forma, Sejin parecia entender a intenção por trás de todas aquelas ações. Não viva no arrependimento. As palavras que Cheon Seju dissera no necrotério ecoaram silenciosamente na mente de Sejin.
Cheon Seju desejava que Sejin não se arrependesse em nenhum sentido. Como não queria que Sejin desperdiçasse a vida, ele o ensinou e lhe apresentou um futuro. Como também não queria que Sejin se arrependesse por não ter podido fazer nada por sua mãe, ele custeou o tratamento dela e pagou as despesas hospitalares em seu lugar. Ele deu opções a Sejin dessa forma e, em determinado momento, eliminou as opções por completo.
Lembrou-se da mortalha de boa qualidade e do caixão de madeira que vira na cerimônia de colocação no caixão. Pensando bem, era estranho, mas na época não tivera condições de prestar atenção. Era ele quem deveria decidir tais coisas, mas Sejin não escolhera nada. Antes que pudesse hesitar, tudo já havia sido preparado por Cheon Seju. Para evitar que Sejin sofresse hesitando entre algo mais barato e algo caro para a mãe, arrependendo-se de sua escolha… Ele havia preparado primeiro.
Apenas recebera de Cheon Seju.
No entanto, sem saber disso, Sejin ficara bravo perguntando por que ele não havia dito que sua mãe desmoronara. Guardara rancor dele questionando como ele podia dizer tais palavras. Desesperara-se perguntando por que ele não voltava para si, se ele também o havia abandonado.
Não faria sentido.
Não havia como Cheon Seju me abandonar…
Sentia-se tão idiota e tolo que era lamentável a ponto de não conseguir suportar. Sejin mordeu os lábios enquanto as lágrimas caíam sem som.
Do verão passado até o inverno, não houve um dia em que os olhos de Sejin ficassem secos. No entanto, os dias difíceis que poderiam ter passado com ele odiando o mundo e lançando maldições sobre tudo, ele conseguiu aguentar graças a Cheon Seju. Se não fosse por ele, estaria muito mais exausto e muito mais cheio de rancor. Como não teria conseguido sequer cuidar direito da mãe naquele estado, o fato de ela ter partido deste mundo sem grandes preocupações a seu respeito também se devia a Cheon Seju. Sejin queria pagar essa dívida de gratidão.
Mas como? Ao contrário de Cheon Seju, Sejin era apenas um garoto que não podia ser de ajuda, nem aliviar o fardo em seu coração. Ele não era firme como Cheon Seju e nem sequer sabia quais dilemas o outro enfrentava.
Será que chegará o dia em que poderei aliviar a sua dor? Você é tão sólido…
A vontade de ver Cheon Seju agora era tanta que parecia enlouquecer, mas Sejin não sabia onde ele estava, nem o que estava fazendo. Existiria alguém mais burro no mundo? Sejin moveu os passos debilitado.
No quarto de Cheon Seju restava uma camiseta que ele havia deixado para trás e que, por algum motivo, Sejin preferira não lavar. Agora, os vestígios de Cheon Seju que restavam para Sejin limitavam-se a esse tipo de coisa. Sejin tirou o casaco dele que pegara emprestado para cobrir o próprio corpo e enterrou o nariz na camiseta de Cheon Seju. Ridiculamente, o cheiro de Sejin também estava impregnado de forma sutil na roupa de Cheon Seju, o que trouxe um pequeno consolo.
— Quero ser alguém significativo para você. Assim como você se tornou parte de mim, também quero me tornar parte de você… — A confissão afetuosa rondou o quarto sem dono.
Não se passou muito tempo desde então até que Cheon Seju voltou para casa. Assim que avistou Cheon Seju surgindo sem fazer barulho, Sejin não conseguiu conter a emoção que transbordava, levantou-se e se jogou nos braços dele. Pendurando-se em seu pescoço enquanto aspirava o cheiro de saudades com toda a força, as lágrimas vieram aos olhos.
— Por quê… só agora…
Sentia gratidão, raiva e amor por Cheon Seju. Sejin falou misturando rancor e sussurrou:
— Agora a única coisa que me resta é você…
Não me deixe sozinho. Não vá a lugar nenhum. Não quero me afastar de você. Antes mesmo que as palavras que Sejin engoliu pudessem se dispersar, Cheon Seju empurrou Sejin e deu passos para trás.
O rosto congelado pelo frio se afasta. Sejin observou desolado as costas do homem que finalmente virou as costas e fugiu dele.
Foi o dia em que ele enfrentou o medo de Cheon Seju pela primeira vez.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna