Parte 09
Projection Vol. 4.9
Cheon Seju, cujas bochechas haviam emagrecido em poucos dias por não ter se alimentado adequadamente, desceu do carro. A dor de cabeça era insuportável. Apesar de ter se lavado na sala de trabalho, parecia que todo o seu corpo cheirava a sangue. Ele caminhou tentando esquecer os gritos de Kang Junmyeon que ecoavam como o som do vento.
O interrogatório de Kang Junmyeon era quase inteiramente conduzido por Shin Gyoyeon. Embora Cheon Seju raramente tivesse sujado as mãos, suportar aquele tempo era algo realmente difícil. Shin Gyoyeon era um homem que não tinha misericórdia em suas mãos. Ao ver a tortura extrema que ele infligia ao outro, parecia que a sanidade estava indo embora. Cheon Seju teve que morder a língua várias vezes para manter a sanidade.
No meio do caminho, Baek Seonghwan, que invadira o clube de Kang Junmyeon, apareceu na sala de trabalho com documentos encontrados em seu escritório. Cheon Seju, parado protegendo Kang Junmyeon, observou tudo enquanto Shin Gyoyeon examinava o celular de nome falso e o livro de contas de Kang Junmyeon.
Para fins de segurança, Shin Gyoyeon não compartilhava todas as informações com seus subordinados. Como a única pessoa que sabia tudo o que ele sabia era Chae Beomjun, Cheon Seju não podia saber que informação Baek Seonghwan havia encontrado. No entanto, considerando que o humor de Shin Gyoyeon atingiu o ponto mais baixo depois disso, parecia que Kang Junmyeon havia feito mais coisas. Afinal, até seus subordinados foram chamados um a um para sofrerem as consequências.
Cheon Seju apertou os olhos para apagar os rastros de sangue que flutuavam à sua frente e entrou no elevador. Ao chegar ao 41º andar e parar no saguão, viu a porta da entrada. Cheon Seju permaneceu parado naquele lugar por um tempo, olhando fixamente para a porta.
A preocupação com Sejin, que ele fora forçado a enterrar, finalmente floresceu. Sejin era tão frágil que dizia não gostar do silêncio e que, na ausência de Cheon Seju, não conseguia dormir direito por um tempo. Um súbito sentimento de culpa tomou conta dele pelo fato de ter deixado uma criança assim sozinha em casa por mais de uma semana.
Ao digitar o código na fechadura e entrar, o saguão silencioso o recebeu. No chão, os sapatos de Sejin e os seus estavam alinhados. Pelo fato de os tênis estarem ao lado, parecia que ele não tinha saído de casa. Ao contrário de quando conheceu Sejin pela primeira vez, o simples fato de ele estar em casa há vários dias não o assustava mais. Cheon Seju sabia muito bem o quão forte e resistente era Sejin.
Ao entrar no corredor, a luz do sensor acendeu. Cheon Seju caminhou em direção à sala, seguindo a luz que o guiava. Mesmo estando cada vez mais perto da área de convivência, não havia nenhum som. Ele olhou lentamente ao redor da casa.
A lava-louças na cozinha estava com a porta aberta e abandonada. Ao notar que os pratos dentro eram diferentes de sua memória, Cheon Seju percebeu que Sejin havia feito suas refeições. Embora não houvesse nada na geladeira, como ele era uma criança que sabia pedir comida e até preparar algo com ingredientes simples, ele não precisava se preocupar com o fato de ele ter passado fome.
Cheon Seju, convencido de que Sejin estava passando bem à sua própria maneira, deu um passo à frente. Ele pensou em entrar no quarto para pegar roupas e trocar, já que precisava se lavar, mas, por algum motivo, sentiu que Sejin estaria dormindo em seu próprio quarto, então retirou a mão da maçaneta. Ele não queria acordá-lo. Ou melhor, não queria encontrar Sejin naquele estado.
Cheon Seju, que olhava inexpressivamente para seu próprio estado envolto em roupas pretas, virou-se em silêncio. Ele entrou no quarto alfa, pegou as roupas que estavam na secadora e foi para o banheiro. E lá, lavou o corpo todo com água quente. Ele ficou sob a água por muito tempo, até que o cheiro de sangue que permanecia em sua memória, além da realidade, fosse esquecido, e só saiu de lá depois de um longo tempo.
Cheon Seju parou diante de seu próprio quarto com o rosto avermelhado. Hesitou com a mão na maçaneta, mas logo abriu a porta lentamente.
O interior do quarto, coberto pela escuridão, estava silencioso e escuro. A luz que passava pela pequena fresta entre o teto e a cortina iluminava levemente a forma de Sejin.
Sejin, encolhido sozinho, parecia extremamente solitário. Com uma sensação de que sua garganta estava ficando apertada, Cheon Seju não conseguia se mover e ficou ali parado, olhando para Sejin.
Kwon Sejin estava deitado na cama de Cheon Seju. Em vez de um cobertor, ele se cobria com as roupas que Cheon Seju costumava usar, e estava encolhido, segurando com força a camiseta que Cheon Seju havia tirado e deixado para trás há uma semana.
Não sei que tipo de sonho ele estava tendo, mas seus olhos estavam úmidos e as veias saltavam nas costas das mãos de Sejin, que agarrava a roupa. Como se não quisesse soltar de jeito nenhum, segurando com força seus rastros, Sejin esperava por ele dessa forma.
Ao ver aquela imagem, de repente, parecia que um fogo estava se espalhando no fundo de seu peito. Cheon Seju lembrou-se dos inúmeros olhares e toques que Sejin lhe enviara até então. O braço que não parava no abraço e envolvia sua cintura, a cabeça que se apoiava em seu ombro. O olhar de Sejin, que o encarava profundamente, sempre terminava nos lábios de Cheon Seju, e aquele olhar não se afastava facilmente mesmo depois que ele virava o rosto.
Ele percebeu apenas agora que significados ocultos estavam escondidos nas ações de Sejin, as quais ele havia se esforçado para disfarçar como afeto por um guardião.
Não era que ele nunca tivesse achado estranho, mas até então, Cheon Seju achava que o fato de Sejin se apoiar nele e depender dele era apenas um sentimento por um guardião. Afinal, ele era um filho zeloso com Kim Hyeon-gyeong e, para sua idade, era um pouco mimado. Por isso, Cheon Seju também confortava Sejin e o abraçava sem hesitação, mas foi um erro completo.
Isso… foi longe demais. A urgência de Sejin que ele enfrentou em silêncio, aquele afeto, aquele desejo, jamais poderia ser um sentimento por um guardião.
Por que, afinal, eu…….
Foi no momento em que ele, sem palavras, recuou involuntariamente. Sentindo uma presença, Sejin, que estava em um sono leve, acordou. No escuro, olhos como contas de vidro emitiam luz. Sejin, que olhava fixamente para a frente, logo encontrou a silhueta escondida nas sombras e levantou a cabeça.
— …Cheon Seju.
O foco retornou gradualmente aos olhos vazios. Foi possível ver que os olhos de Sejin se encheram de lágrimas instantaneamente apenas com a luz fraca. Cheon Seju, paralisado como uma estátua, fechou a boca. Nesse meio tempo, Sejin levantou-se da cama, correu até ele e desabou em seus braços. Ele encolheu seu corpo grande, passou os braços ao redor do pescoço de Cheon Seju e colou o corpo nele. O calor intenso cobriu Cheon Seju.
— Por que você só veio agora…
Sejin culpou Cheon Seju com uma voz frágil. A tristeza, o ressentimento, a saudade contidos naquela pergunta eram mais pesados do que qualquer outra coisa no mundo. Quando ele ficou tão grande? O sentimento que cresceu nos equívocos de Cheon Seju tinha um peso insuportável para ele. Cheon Seju sentiu falta de ar e fechou os olhos.
Ele se lembrou de Sejin, que frequentemente se apoiava nele. Aquele corpo pequeno… não, na verdade, há muito tempo, Sejin nunca tinha sido menor que Cheon Seju. Cheon Seju apenas o considerava jovem, mas, em algum momento, Sejin o olhava de um lugar mais alto que Cheon Seju.
O motivo pelo qual ele considerava Sejin como uma criança era claro. O olhar cego que Sejin frequentemente enviava a ele era puro como o de uma criança. Era um coração completo, tão puro que ninguém poderia contaminá-lo. Por isso, Cheon Seju não pensou que aquilo fosse dele. Ele apenas pensou que eram sentimentos voltados para o “guardião”, o papel que ele assumira.
…Isso não é verdade. Ele não queria um coração tão pesado assim. Cheon Seju apenas o estimava porque queria que Sejin fosse feliz, e esse foi um ato egoísta que não merecia recompensa.
— Agora, a única pessoa que me resta é você…
Lágrimas como fogo molharam o pescoço de Cheon Seju. Em meio à percepção que lhe causava uma dor como se estivesse sufocando, Cheon Seju empurrou Sejin. Ele olhou para Cheon Seju com uma expressão triste. Com o rosto encharcado e avermelhado, ele segurou seu pulso, perguntando para onde ele ia de novo.
Cheon Seju afastou até aquela mão e virou-se para sair. Uma onda que ele nunca conseguiria suportar estava chegando. Ele fugiu da asfixia.
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Fim do Volume 4
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna