Parte 01
Projection Vol. 3
A maneira como Cheon Seju e Kwon Sejin aceitavam um ao outro era diferente. Se Cheon Seju cedeu um dos quartos vazios de sua casa para que Sejin pudesse habitar seu espaço, Sejin preencheu o vazio em sua própria vida com Cheon Seju.
Que tipo de comida ele gostava, o que ele fazia quando estava em casa, que roupas costumava usar, de que maneira as dobrava ao tirá-las; informações que Sejin acabava armazenando em sua mente, mesmo que não quisesse saber.
No entanto, o Cheon Seju que Sejin conhecia era apenas o que estava dentro de casa. Do inverno até a chegada da primavera, Sejin não sabia exatamente o que Cheon Seju fazia lá fora. Ele sentia curiosidade sobre essa lacuna, mas nunca perguntava primeiro. Era porque, ao imaginar-se perguntando sobre a vida dele, sentia que pareceria patético.
Apesar disso, ao ver certas coisas, não conseguia evitar que a boca coçasse. Ao entrar no carro e colocar o cinto, Sejin olhou para a mão direita enfaixada dele. Não estava assim no fim de semana, mas ao vê-la esta manhã, notou aquele curativo. Como ele teria se machucado? Sendo Cheon Seju canhoto, não haveria grande prejuízo na vida cotidiana, mas parecia muito desconfortável para dirigir.
— Vou partir.
— …Certo.
Cheon Seju dirigiu o carro sem se importar com o olhar de Sejin, que fitava sua mão fixamente. Era o final de março, a caminho de visitar Kim Hyun-kyung pela primeira vez em um mês.
Havia algumas coisas que Cheon Seju descobriu ao frequentar o Hwahagak durante meio ano. Que Kim Hyun-kyung tinha uma força mental muito maior do que pensava e que ela era apenas cinco anos mais velha que ele. Quando a viu pela primeira vez, sua impressão de que tinham a mesma idade estava correta. Kim Hyun-kyung deu à luz Sejin aos dezessete anos.
— Mãe.
— Filho, você veio?
Mãe e filho, que no início choravam e lamentavam a cada encontro, agora estavam acostumados. Apesar de ser a primeira visita em um mês, a saudação foi bastante seca.
No ano passado, ele fazia com que ela se encontrasse com Sejin uma vez por semana, ou pelo menos uma vez a cada três semanas. Recentemente, a pedido de Kim Hyun-kyung, a frequência diminuiu.
No Hwahagak, além de Kim Hyun-kyung, havia algumas outras pessoas que vieram pagar dívidas como ela. Parece que houve uma espécie de briga interna porque uma delas, diferente de Sejin, que não conseguia entrar em contato com a família, sentia ciúmes e hostilidade por Kim Hyun-kyung poder ver o filho. Por causa disso, Kim Hyun-kyung hesitou e acabou sugerindo a Sejin que se vissem apenas uma vez por mês. Foi uma decisão tomada porque ela também sabia que Kwon Sejin estava sob a proteção confiável de Cheon Seju.
Dizem que, desde que ela se propôs a ver o filho apenas uma vez por mês, em vez de toda semana, a hostilidade contra ela diminuiu. Pelo que ouviu de Han Ji-won, parece que ela se dá bem com os outros devedores agora.
— Já comeu? Entre logo.
Kim Hyun-kyung, que estava descascando alho na cozinha do dormitório junto com outras pessoas, gesticulou. Cheon Seju, que estava atrás de Sejin, deu um leve aceno de cabeça para ela e se virou.
Quando os dois estavam juntos, ele preferia se retirar. Cheon Seju se sentia extremamente desconfortável com aquela corrente amigável e próxima entre pais e filhos. Como nunca tinha experimentado aquilo, ao ver aquela cena, sentia-se desnecessariamente envergonhado.
Por outro lado, surgia a dúvida de que, se Kim Hyun-kyung, que deu à luz aos dezessete anos, conseguiu criar Sejin tão bem, que circunstâncias teria tido sua própria mãe biológica para deixar ele e Hyein em um orfanato, o que o impedia de permanecer ali.
Quando Cheon Seju era pequeno, havia uma pessoa que vinha periodicamente ao orfanato como voluntária. Era uma mulher que lembrava, não por ser carinhosa, mas porque frequentemente o encarava. Teria aquela mulher, que vestia um vestido longo e prendia o cabelo, fingindo ser decente, mas que não conseguia esconder o cheiro forte de cigarro e álcool, sido a mãe biológica deles? Ultimamente, Cheon Seju lembrava-se dela toda vez que via Kim Hyun-kyung.
De qualquer forma, naquele momento, não era algo importante. No fim das contas, o pensamento sempre acabava em: se até Kim Hyun-kyung, que estimava Sejin terrivelmente, quase teve que se separar dele por circunstâncias inevitáveis, a mãe dele também deve ter tido seus motivos, e o assunto morria ali.
Ao sair do dormitório, Cheon Seju engoliu o amargor e pegou um cigarro. Sentou-se no muro de pedra, acendeu-o e ligou para Seon-hyeok, que tinha deixado uma chamada perdida.
— Sim, gerente.
— É. Ligou?
— Sim. Está ocupado?
— Não, no Hwahagak. Por quê?
Na voz desinteressada, Seon-hyeok explicou a situação. Disse que o esfaqueador coreano-chinês, capturado ontem, estava tendo um surto violento e que seria bom que ele desse uma olhada. Cheon Seju franziu o cenho e olhou para a própria mão. O sujeito mencionado por Seon-hyeok era justamente o responsável por ter cravado um canivete no dorso de sua mão direita.
O Grupo DG estava dominando Seul com sucesso. O Grupo Chilryong, que dividia Seul com o Grupo Daegam nos anos 80 e 90, perdeu seu chefe nas mãos do presidente Shin Kyung-ju e há muito havia colapsado. Depois disso, por mais de vinte anos, a DG governou o submundo da área metropolitana, incluindo Seul.
A situação não mudou mesmo depois que a DG começou a se corporativizar, saindo da sombra e escondendo bem os negócios que movia no submundo. Enquanto se apresentava como uma empresa inovadora por fora, pisoteava as organizações emergentes como se fossem ratos por trás, de modo que as organizações hostis nem conseguiam tentar crescer.
Quem penetrou nessa brecha e começou a abalar a situação na região metropolitana foi um bando de coreanos-chineses que veio da China. Estabelecendo-se nas várias Chinatowns, eles aumentaram seu poder silenciosamente, fingindo não ter conexão entre si, e formaram a facção Geumseong, uma organização coreana-chinesa na Coreia.
Quando a DG percebeu a existência deles, já era tarde. Os veteranos do Grupo Daegam levantaram suas bundas pesadas para tentar arrancar o mal pela raiz, mas a potência de fogo era insuficiente para derrubar de uma só vez aqueles que estavam espalhados como ervas daninhas por toda a região metropolitana. Isso ocorria porque, embora o corpo da própria DG tivesse crescido ao se tornar uma empresa, o número dos chamados chefes de ação, que costumavam lutar sacrificando a vida pela organização como antigamente, tinha diminuído drasticamente.
No entanto, os coreanos-chineses que vieram da China ainda mantinham a mentalidade dos anos 80 e 90, então, quando uma briga acontecia, atacavam com facas sem olhar para trás ou para frente. Seok Yoon-hyung, um dos subordinados diretos do presidente Shin Kyung-ju, estava travando batalhas intensas levando consigo rapazes habilidosos em brigas corporais para reduzir o poder deles, mas os resultados eram lentos.
A luta durou anos, e recentemente o presidente Shin Kyung-ju ordenou que Shin Gyo-yeon buscasse uma solução para os coreanos-chineses. Assim, Cheon Seju e os membros de sua equipe estavam perseguindo Lee Hwan-bae, a figura suspeita de ser o líder da facção Geumseong, por várias semanas. Dois dias atrás, Seo Jin-young, que se infiltrou na Chinatown de Incheon, obteve a informação de que Kang Cheol-myeong, braço direito de Lee Hwan-bae que havia saído para a China, estava entrando ilegalmente na Coreia novamente, e Cheon Seju, levando Moon Seon-hyeok, Seo Jin-young e Goo Hae-woong, os emboscou perto do porto de Incheon.
Cheon Seju, que acabou se envolvendo em uma briga corporal com os coreanos-chineses de quem só ouvira falar, estava simplesmente fora de si. Embora soubesse por Seok Yoon-hyung que aqueles sujeitos atacavam como se quisessem morrer, ele não sabia que era a esse ponto. Os coreanos-chineses avançaram como se tivessem nascido para matar Cheon Seju, e nesse meio tempo, Kang Cheol-myeong desapareceu. No entanto, enquanto levavam para o carro dois dos sujeitos restantes que mal conseguiram subjugar, um esfaqueador atacou com um canivete que escondia na boca. Graças ao fato de não ter relaxado, ele bloqueou, cedendo apenas a palma da mão, mas foi um momento em que quase aconteceu algo grave.
De qualquer forma, eles levaram os sujeitos direto para o estúdio, fizeram uma confusão e os amarraram, mas a notícia era que eles tinham acordado e estavam dando um show de loucura, talvez porque o efeito do sonífero tivesse passado.
— Não os provoquem muito, apenas os mantenham em silêncio. Irei à noite.
— Sim, se acontecer algo, ligarei.
— Certo.
Ao desligar, Cheon Seju soltou um suspiro, sentindo uma dor de cabeça surgir. Só de pensar no estúdio, sua cabeça doía. Enquanto esfregava a testa por um longo tempo, segurando o cigarro com a mão esquerda, em um momento, uma sensação de calor se espalhou na mão direita.
Ao olhar para baixo, viu que o sangue estava se espalhando na palma. Parecia que o ferimento na mão direita tinha aberto. Por sorte ou azar, como atravessou de forma limpa sem tocar em músculos ou ossos, ele apenas tinha borrifado um agente hemostático e enfaixado, mas parecia que precisaria levar pontos.
Cheon Seju colocou a mão direita enfaixada sobre o muro de pedra e pressionou o local do ferimento com a mão esquerda. Sentia como se o sangue estivesse escorrendo, mas não havia dor. Desde a morte de Hyein, Cheon Seju estava em um estado em que não sentia dores moderadas.
— Cheon Seju.
Enquanto ele fazia a hemostasia de uma maneira bruta, a voz baixa de Sejin foi ouvida. Cheon Seju, que desde algum tempo se acostumou com o comportamento dele de chamar seu nome, virou a cabeça lentamente para olhar de onde vinha o som. Sejin estava de pé em frente ao dormitório dos funcionários. Sejin, que segurava uma tigela com panqueca de kimchi na mão, encarava a mão direita de Cheon Seju, que estava encharcada de vermelho, com um rosto pálido.
— …Está sangrando?
— Um pouco.
Cheon Seju respondeu encolhendo os ombros diante da voz de Sejin, que parecia chocado. Aquilo não era nada. Parecia grandioso por causa do sangue, mas, se tirasse o curativo, não passava de um pequeno ferimento perfurante que ninguém notaria.
No entanto, esse era o ponto de vista de Cheon Seju, e Sejin aproximou-se dele com o rosto esbranquiçado, como se tivesse visto alguém com o pulso cortado. Seus olhos delicados tremiam. Sejin, que olhava para a mão encharcada de sangue, mordeu o lábio inferior. Um pouco. Não era nada de pouco. Além de encharcar todo o curativo enrolado na palma, o sangue que escorria pelo muro de pedra estava chegando ao chão. Sejin, ao confirmar aquilo, olhou para Cheon Seju com um rosto que parecia furioso e disse:
— Como é que isso é sangrar pouco?
— O sangue parou. Está bem. Me dê os pauzinhos. Estou com fome.
Como se o interesse de Sejin fosse um estorvo, Cheon Seju escondeu o braço direito levantado atrás das costas e disse isso. Ele estendeu a mão pedindo a panqueca de kimchi, fingindo não ver Sejin, que levantava as sobrancelhas ferozmente, mas não houve jeito. Sejin, que soltou um suspiro, fuzilou Cheon Seju com o olhar, depois se virou para guardar a tigela e foi novamente para o dormitório. Cheon Seju, atônito, gritou para as costas dele:
— Onde você vai? Isso não é para mim?
— Você tem que ir ao hospital! Espere. Vou vestir uma roupa e sair.
Sejin repreendeu Cheon Seju com uma voz aguda. Ele sabia que, toda vez que fumava, Sejin o olhava com uma expressão como se estivesse vendo alguém desesperado para morrer logo e dava sermões, mas Cheon Seju, que não sabia que ele reagiria tão exageradamente a esse pequeno ferimento, deu passos com uma expressão perplexa. Ele alcançou Sejin, virou-o e mostrou a mão, dizendo:
— Já disse que não é nada.
No entanto, diante disso, Sejin pareceu ficar ainda mais furioso e explodiu:
— O que não é nada, se está sangrando desse jeito!
— …
Cheon Seju, assustado com o ímpeto de Sejin, fechou a boca. Seus olhos frios se enrugaram com desconforto.
Depois de entrar na organização, ele se machucou inúmeras vezes. Aprendeu a manejar facas com Seok Yoon-hyung, chefe de ação de Shin Kyung-ju, e naquela época, como treinava com facas reais, sangrava dia sim, dia não, e mastigava suplementos de ferro. As cicatrizes por todo o corpo eram marcas dos ferimentos daquela época, e mesmo quando teve o abdômen cortado em mais de 2cm, Cheon Seju pensou que aquilo era tolerável.
Em nenhum lugar do raio de ação de Cheon Seju havia alguém que ficasse com raiva por ele ter se machucado. Como Cheon Seju e os membros de sua equipe estavam acostumados a esse tipo de coisa, consideravam esse tipo de ferimento perfurante como uma pequena escoriação que curaria tomando uma injeção de antibiótico e comendo remédios por alguns dias.
Portanto… Cheon Seju viu, depois de muito tempo, alguém que se preocupava com ele apenas por ter machucado um pouco a mão. Como ele não pôde responder, parado ali, por nunca imaginar que ouviria tais palavras de Sejin, Sejin gritou com os olhos lacrimejando:
— Você acha que só é algo grave se tiver um dedo cortado? Você chegou a ir ao hospital? Digo, você recebeu tratamento! Se isso é o que você recebeu depois de ser tratado, esse médico é um total charlatão, então você deveria ir lá e reclamar! Se não recebeu, vá agora mesmo levar pontos ou faça qualquer coisa! Por que você está tão tranquilo? Você vai acabar morrendo desse jeito!
Sejin era uma criança que chorava primeiro quando as emoções se intensificavam, seja de raiva ou de tristeza. Cheon Seju ficou interiormente surpreso ao ver Sejin gritando com os olhos marejados. Era porque Sejin parecia chateado.
Enquanto isso, Kim Hyun-kyung, que ouviu a voz de Sejin, saiu com chinelos, e ela também, da mesma forma, empalideceu ao ver a mão de Cheon Seju.
— Oh meu Deus, gerente!
Com o grito dela, os outros que estavam descascando alho também correram para fora descalços, achando que algo grave tinha acontecido. O pátio em frente ao dormitório ficou agitado. Cheon Seju tornou-se subitamente um paciente em estado grave na frente dos funcionários que faziam um alvoroço.
— Não deveríamos chamar a ambulância?
— Ali, tem um kit de primeiros socorros na cozinha! Querida, traga isso logo.
— Onde está o gerente? Alguém chame por telefone!
Cheon Seju ficou parado no meio das pessoas que faziam alvoroço ao seu redor, sem conseguir dizer nada. Se fossem Moon Seon-hyeok ou os caras da empresa, ele teria gritado para sumirem porque estava barulhento, mas como todas eram mulheres magras, ele nem conseguia elevar a voz para dizer algo.
— Não, eu realmente estou bem. O sangue parou, e isso parece grave apenas por causa do curativo, é apenas um ferimento leve…
No fim das contas, ele, não aguentando mais, explicou seu estado em detalhes com um rosto embaraçado. No entanto, quando Cheon Seju, achando que era realmente um ferimento leve, soltou o curativo para mostrar, o entorno fez um alvoroço ainda maior.
— Não, como você pode deixar assim!
— Por que os homens são assim? Meu marido também, antigamente, chegou com o dedo quase pendurado e ficou blefando que sararia se colasse um band-aid, e o gerente está fazendo a mesma coisa.
Era um ferimento perfurante que tinha rasgado de forma limpa. A carne estava um pouco aberta e o interior visível, mas como não havia danos aos ossos nem aos músculos, era óbvio que curaria depois de alguns dias… Cheon Seju, com a observação de que estava blefando, não conseguiu insistir novamente que estava bem e escondeu a mão atrás. Suor frio escorria. Parecia que ele tinha se tornado um paciente com uma doença terminal.
Enquanto eles faziam aquela confusão no pátio, não demorou muito para que Han Ji-won, que recebeu o contato, se aproximasse com passos apressados. Em sua mão, ela trazia um grande kit de primeiros socorros que tinha pegado na cozinha.
— Dizem que o gerente se machucou?
Quando Han Ji-won apareceu, com os olhos redondos como se estivesse surpresa, os funcionários abriram caminho. Cheon Seju ia dizer que não era nada realmente, mas, não aguentando a força de Sejin que segurava seu pulso, acabou estendendo a mão para ela.
— Aqui.
Sejin mostrou a mão dele para Han Ji-won enquanto segurava firmemente o pulso de Cheon Seju. Han Ji-won, que confirmou a palma e o dorso da mão avermelhados pelo sangue, franziu a testa e balançou a cabeça. Embora não fizesse alvoroço como os outros, talvez porque já tivesse passado por situações semelhantes, o olhar com que via Cheon Seju como uma pessoa patética era o mesmo. Ela suspirou brevemente, balançou a cabeça e lhe deu um sermão.
— Como o senhor deixou chegar a esse ponto? O senhor tem que ir ao hospital. Tem que levar pontos, como pode deixar assim?
— É o que eu digo!
Com as palavras de Han Ji-won, os funcionários, incluindo Kim Hyun-kyung, concordaram violentamente. No meio deles, Sejin olhava para Cheon Seju com uma cara de “Eu não disse? Tem que ir ao hospital, não tem?”. Ao ver a expressão vitoriosa de Sejin, Cheon Seju perdeu o fôlego.
Realmente não era nada… De alguma forma, sentia que, se não fosse ao hospital, algo realmente grave aconteceria. Por algum motivo, sentia uma coceira no estômago. Também lembrava-se de quando morava no orfanato. Daquela época barulhenta, antes de os colegas partirem com os pais…
No fim das contas, Cheon Seju assentiu e admitiu que era um paciente.
— Sim, irei direto ao hospital. Obrigado a todos.
— Certo. Sejin, vá logo pegar as roupas e saia. Não, espere! Entre junto. Gerente, fiz um pouco de panqueca de kimchi, leve e coma junto com Sejin.
Kim Hyun-kyung empurrou Sejin para dentro do dormitório e, como se percebesse que não daria certo, ela mesma caminhou para dentro do prédio. Quando Sejin saiu com um casaco pouco tempo depois, ele carregava uma mão cheia de bagagem, incluindo a panqueca de kimchi que Kim Hyun-kyung embalou, além de alho e cebolinha que os funcionários estavam descascando juntos.
— Vá logo! Ouça o gerente e vivam bem!
— Vão rápido, antes que o hospital feche.
A frente do dormitório estava barulhenta. Kim Hyun-kyung, os funcionários e Han Ji-won estavam todos reunidos para se despedir de Sejin e Cheon Seju. Todos tinham criado uma afinidade interna com Cheon Seju, a quem viam há seis meses, e como se fosse um reflexo disso, todos saíram do dormitório e acenaram, como se estivessem se despedindo de seu próprio filho.
— …Vamos indo.
Cheon Seju pensou que, da próxima vez, deveria enviar Sejin de táxi sozinho, e despediu-se deles. Depois disso, voltou ao estacionamento com Sejin e entrou no carro. Ao ficar a sós com Sejin no carro, saindo daquele lugar barulhento, ele quase sentiu alívio pelo silêncio.
Cheon Seju, que ligou o motor, percebeu que a dor de cabeça tinha desaparecido. Ele colocou as mãos no volante com a mente limpa e clara.
— Mão.
Naquele momento, Sejin estendeu a mão com uma voz rígida. Puxando para baixo a mão direita de Cheon Seju, que estava no volante sem saber, Sejin esticou os lábios com insatisfação e disse:
— Você é canhoto, por que insiste em dirigir com a mão direita?
— …Você tem muito interesse em mim, né? Sabe até que sou canhoto?
Hoje, de alguma forma, sentia que estava descobrindo novos lados de Sejin. Sejin tinha mais interesse nele do que pensava e estimava Cheon Seju o suficiente para ficar bravo e chateado com sua indiferença. A existência de afeição sentida em suas ações era peculiar.
— Não mude de assunto. Nós vamos para o hospital.
Sejin, que nem fingiu ouvir suas palavras, mexeu no celular enquanto desciam a estrada da montanha e, em pouco tempo, definiu uma clínica ortopédica que atendia de noite como destino no sistema de navegação do veículo. Era um ferimento que ele poderia tratar sozinho suficientemente, mas Cheon Seju não disse nada, consciente do sermão de Sejin. Como explicar como se machucou era incômodo, não havia nada de errado em ir ao hospital.
O problema surgiu no meio do caminho para o hospital. Ao sair de Gyeonggi-do e entrar em Seul, Moon Seon-hyeok ligou. Como Sejin estava ao lado, ele não queria atender para evitar a conversa, mas, assim que desligou, o celular tocou novamente logo em seguida. Parecia ser algo urgente.
Cheon Seju levantou o celular, notando Sejin. Sejin olhou para ele com olhos arregalados enquanto atendia o telefone com a mão esquerda e segurava o volante com a direita, mas não havia o que fazer.
— Por quê?
— Gerente, o senhor ainda está no Hwahagak?
— Não, entrei em Seul.
Como ele respondeu silenciosamente, olhando de lado para ver se o conteúdo da conversa seria ouvido por Kwon Sejin, Seon-hyeok explicou com uma voz rígida:
— Não é outra coisa, o sujeito que estava no estúdio se soltou e tentou fugir. Parecia não estar com a cabeça no lugar, então entrei com o caçula para capturá-lo novamente, mas, como o sujeito balançou um bisturi, o rapaz se machucou um pouco.
— Que porra…
Um palavrão absurdo explodiu. Cheon Seju esqueceu que Kwon Sejin estava ao lado e deu uma risada seca.
No estúdio, havia várias ferramentas para restringir pessoas. Uma cadeira de metal que nunca quebrava e uma mesa cirúrgica estavam entre elas, e os dois sujeitos capturados ontem estavam amarrados lado a lado ali. No entanto, dizem que o sujeito que estava com os membros amarrados na mesa cirúrgica com tiras de couro resistentes conseguiu se soltar e tentou escapar.
Claro, como a porta do estúdio só podia ser aberta por reconhecimento de íris, ele não conseguiu sair, mas só o fato de ter recuperado a liberdade lá dentro já era um grande problema. O estúdio estava cheio de ferramentas que podiam atacar o oponente, como bisturis, martelos, chaves inglesas, anestésicos e alucinógenos. Dizem que ele já encontrou um bisturi e o balançou, então o sujeito preso lá dentro talvez estivesse totalmente armado agora.
— Ele se machucou muito?
— Está sangrando um pouco. Pelo que vejo, parece que apenas a pele foi rasgada, e o rapaz também diz que está bem, mas seria bom que o senhor viesse dar uma olhada. Ele diz que não vai ao hospital.
Hae-woong detestava o hospital. O quanto ele detestava? A ponto de, no início do trabalho, ter começado a brigar com Cheon Seju, que tentou mandá-lo ao hospital depois que ele machucou a mão. Para Goo Hae-woong, o hospital era sinônimo de um gerador de transtorno de explosão de raiva. Não havia jeito, parecia que precisaria passar no escritório primeiro antes de ir para casa.
De qualquer forma, que o sujeito que deveria estar dormindo até amanhã por causa do sonífero já tivesse acordado… Cheon Seju estalou a língua por dentro. Ele claramente tirou todas as roupas para conferir, mas onde ele teria escondido a arma para se soltar das amarras? Ele sentiu isso quando o sujeito o atacou com o canivete que tinha na boca, mas ele era realmente um bastardo sinistro. Ele soltou um suspiro baixo e olhou para o lado. Encontrando o olhar de Sejin, que estava arregalando os olhos como se pedisse para ir logo ao hospital, respondeu a Seon-hyeok:
— É perigoso, então deixe-o e espere. Eu irei. Levará de trinta minutos a uma hora.
— Sim, esperarei.
Como era hora do rush, parecia que o trânsito estaria engarrafado. Cheon Seju mudou o destino no navegador e olhou para Sejin. Para deixá-lo em casa antes de ir, precisaria passar pelo trecho de congestionamento crônico, então levaria mais 30 minutos. Pensando que era um incômodo, mas que precisaria levá-lo por um tempo e pedir que esperasse no carro, ele abriu a boca.
— Tenho um trabalho, então preciso passar no escritório por um instante.
— O quê?
— Vamos passar no escritório e depois ao hospital.
— …
Diante do que era praticamente uma notificação, Sejin endureceu a expressão friamente. Cheon Seju, que se sentiu observado por Kwon Sejin sem motivo, mesmo não tendo feito nada de errado, fechou a boca e apenas dirigiu. Pouco tempo depois, Sejin perguntou com uma voz emburrada:
— Seus subordinados não conseguem fazer nada sem você?
— O quê?
Cheon Seju perguntou de volta querendo saber o que era aquilo, e olhou para o lado. Sejin disse com uma cara de que achava aquilo muito patético:
— Eles ligam todo dia pedindo para você vir. E você corre lá prontamente.
— Quando foi que eu corri lá prontamente?
A generalização excessiva de Sejin não era apropriada. Cheon Seju explicou com uma risada seca:
— E não é que eles não conseguem fazer nada sem mim, é que há coisas que só eu posso fazer. Eles também cuidam do que precisam fazer por conta própria.
— Então você só precisa ensinar o que você faz para essas pessoas. Para que não te chamem nessas horas.
Era uma frase que ele podia dizer porque não sabia o que Cheon Seju fazia. Como Han Jong-hyun, que falava sem saber de nada que podia fazer igual a ele, Sejin também dizia aquilo porque não o conhecia. Ele sorriu e acrescentou:
— No mundo, existem coisas insubstituíveis. Existem trabalhos que a pessoa tem que fazer obrigatoriamente. Isso é um trabalho que eu tenho que fazer, e mesmo que outra pessoa pudesse fazer igual, sou eu quem tem que fazer.
— Onde existe isso. Trabalho é tudo igual.
Parecia que ele estava conversando com uma criança do ensino fundamental. No entanto, como ninguém jamais entenderia a posição de Cheon Seju, aquilo não era frustrante. Como ele também não desejava que ninguém o entendesse, não adicionou mais palavras para tentar convencer Sejin. Pois é, respondeu vagamente assim, e Sejin fechou a boca. Parecia que ele também não queria mais discutir.
Os dois foram em direção a Gangdong-gu em silêncio. Ao ver que passavam pelo prédio do Shinsa Capital, Sejin inclinou a cabeça levemente, e só depois de pararem na frente do estúdio pareceu ter entendido e olhou para Cheon Seju. Pensando bem, foi apenas uma vez que ele encontrou Cheon Seju no Shinsa Capital. Até quando ele estava em situação de rua, pensou ser estranho não ver Cheon Seju, mas parece que havia dois escritórios.
— Você trabalha aqui?
— É, tipo isso.
Cheon Seju, que assentiu vagamente, conferiu o relógio e bateu os dedos como se estivesse avaliando algo. Então, olhou para Sejin e disse:
— Vou ali rapidinho e volto, então espere aqui por 30 minutos. Escute música, ou escute o rádio. Se estiver com sono, durma.
— Certo.
Sejin assentiu calmamente. Cheon Seju olhou para ele com olhos de quem achava aquilo uma nova descoberta: “Desde quando ele me obedece tanto?”. Ele estendeu a mão, bagunçou o cabelo de Sejin e desceu do carro. Entrou pela porta de entrada, abriu a porta de ferro com teclado numérico e, depois de abrir a segunda porta com reconhecimento de íris, subiu direto para o segundo andar.
— O senhor chegou?
— Gerente!
— Ah, finalmente chegou.
Moon Seon-hyeok, Goo Hae-woong e Seo Jin-young ficaram contentes ao vê-lo. O interior estava um caos. Toalhas manchadas de sangue estavam jogadas na mesa e algum som estranho de música ecoava pelo escritório.
Hae-woong estava bufando sem conseguir conter a raiva pelo fato de ter sido atingido por ninguém menos que um sujeito que era um capanga da Chinatown, e por isso o sangue não parava de escorrer, e Moon Seon-hyeok estava sofrendo para estancar o ferimento na cabeça. E Seo Jin-young estava mostrando a Goo Hae-woong, pelo celular, um vídeo de um monge batendo um moktak (instrumento de percussão budista) para acalmá-lo, e o som da música que Cheon Seju achou estranho era justamente a melodia do Sutra do Coração que o monge murmurava.
“Maha-prajnaparamita-hrdaya-sutra, Avalokiteshvara…”
Cheon Seju, que deu instruções para desligar o Sutra do Coração que ecoava nos ouvidos, tirou o paletó, dobrou as mangas da camisa e entrou no fundo do escritório. Depois de entrar no banheiro, lavar bem as mãos e sair, havia um kit de primeiros socorros em cima da mesa.
— Deite-se.
Diante das instruções de Cheon Seju, Hae-woong, que estava ofegante, deitou-se de lado no sofá. Cheon Seju, que desinfetou as mãos com álcool, colocou as luvas de nitrila que estavam seladas e sentou-se na frente da mesa. Assim que ele se posicionou, Seon-hyeok removeu a toalha que pressionava a cabeça de Hae-woong. Mesmo tendo passado um bom tempo desde que se machucou, o sangue ainda escorria. Cheon Seju examinou a área afetada limpando o sangue com uma gaze estéril. Por sorte, não era um ferimento profundo.
— Só rasgou a parte de fora.
— Viu só! Eu disse que não precisava ir ao hospital! Deixe-me descer novamente!
Assim que Cheon Seju disse isso, Hae-woong gritou. Ele arregalou os olhos como se dissesse que rasgaria e mataria da mesma forma aquele que se atreveu a rasgar seu couro cabeludo. Vendo Hae-woong assim, Cheon Seju deu um sinal para Seon-hyeok. Então, o atento Moon Seon-hyeok cobriu a cabeça e os olhos de Hae-woong com uma nova toalha.
— Vou costurar, então fique em silêncio. Se falar, vou costurar em forma de pau.
— Ai, de qualquer forma, gerente! Rápido!
Enquanto Hae-woong insistia sem saber de nada, Cheon Seju tirou do kit de primeiros socorros um pequeno frasco de vidro. Transferindo o líquido para a seringa que Seo Jin-young passou do lado, ele aplicou a injeção em Hae-woong, que estava tagarelando. Era um calmante. Como a prioridade era estancar o sangue, era necessário acalmá-lo.
— Gerente, aquele bastardo me chamou de verme…
A voz de Hae-woong, que estava dedurando para Cheon Seju, foi interrompida subitamente. À medida que sua respiração áspera se acalmava gradualmente e sua frequência cardíaca diminuía, a velocidade do sangramento também diminuía. Só então Cheon Seju borrifou o agente hemostático sobre o ferimento e tirou a linha e a agulha. Ele rasgou pouco mais de 2cm, mas sangrou muito. Originalmente, a cabeça é um lugar que sangra muito mesmo com um pequeno rasgo, mas provavelmente sangrou mais porque Hae-woong estava excitado e agitado.
Com mãos rápidas, ele costurou a pele de Hae-woong. Não havia necessidade de costurar de forma bonita, e como não era a primeira vez que fazia aquilo, todo o trabalho foi concluído em menos de 20 minutos desde que entrou no escritório. Cheon Seju, que cortou a ponta da linha, levantou a cintura e conferiu o horário. Restavam agora 10 minutos dos 30 minutos que ele pediu para Sejin esperar, e havia outro trabalho a ser resolvido dentro desse tempo.
— Levem-no para o 4º andar, façam-no dormir e cuidem bem para que não tenha surtos por enquanto.
— Sim, não se preocupe.
Às instruções de Cheon Seju, Seo Jin-young assentiu e sorriu. “Surtos” era a gíria deles para o transtorno de explosão de raiva de Hae-woong. Jin-young carregou Hae-woong nas costas e saiu do escritório, e Cheon Seju olhou para Seon-hyeok enquanto ia em direção ao armário.
— Você está bem?
— Sim. Estou bem.
— Consegue se mover?
— Sem problemas.
Seon-hyeok mostrou uma expressão confiável, como se dissesse para deixar com ele. Cheon Seju examinou Seon-hyeok de cima a baixo enquanto enfaixava as mãos com o suporte. Se ele rasgou a cabeça de Hae-woong com um bisturi, significa que lutaram bem de perto, e como Moon Seon-hyeok era um sujeito que não mostrava quando estava ferido, Cheon Seju estava preocupado.
— O que é isso?
Cheon Seju, que descobriu o ombro direito de Seon-hyeok, onde a roupa estava um pouco rasgada, estendeu a mão. Ao abrir o buraco, viu um pequeno corte. O sangue já tinha parado há tempos, mas, como não sabia que tipo de coisa o sujeito poderia ter feito com o bisturi, Cheon Seju jogou antibióticos para ele tomar. Seon-hyeok mastigou os dois comprimidos sem nem água e perguntou:
— Vamos entrar juntos?
— Espere na entrada. Disse que apenas um acordou, certo? O outro ainda não está na hora de acordar, mas se por acaso tiver acordado, isso é com você.
— Entendido. Gerente, isto.
— Deixa. O que é isso, não é nada demais.
Seon-hyeok entregou a Cheon Seju um colete à prova de facadas, mas ele balançou a mão para recusar. Era muito mais confortável se mover com o corpo livre. Coisas daquelas apenas deixavam o corpo lento se ele as vestisse.
Ele relaxou o corpo, que estava rígido por dirigir e costurar a cabeça, abriu a porta do escritório e saiu. Ao descer a escada em direção ao estúdio, mais um par de passos de uma pessoa o seguiu. Era Jin-young, que subiu depois de deixar Hae-woong.
Ao chegarem na frente do estúdio, entraram primeiro na sala de observação anexa ao lado. Era um lugar onde se podia observar a situação dentro do estúdio através de um grande vidro especial. Assim que pisaram lá, Cheon Seju sorriu friamente.
— Esse bastardo usa a cabeça.
Na frente da janela de vidro da sala de observação, havia armários enfileirados. Foi o esfaqueador que, ao perceber que se tratava de um vidro especial, os moveu para bloquear a visão deles.
Graças a isso, tudo o que Cheon Seju e os outros podiam ver era o piso de concreto encharcado que aparecia pelas brechas dos armários. Nem dava para confirmar se o outro sujeito tinha acordado ou se apenas o sujeito estava sozinho acordado. Foi uma situação inesperada. Cheon Seju perguntou com uma voz gelada:
— Como foi antes?
— Ele apenas revirou onde estavam as ferramentas.
— O estado daquele bastardo?
— Depois que confirmei que o caçula estava sangrando, eu o joguei contra a parede. Não confirmei, pois levei Hae-woong logo, mas ele não deve estar inteiro.
— Deve ser…
Hae-woong teve até o couro cabeludo rasgado, então não faz sentido se o sujeito estiver inteiro. Cheon Seju deu uma risadinha e bateu na face do vidro. Quando o som ecoou levemente, “ton, ton”, algo caiu lá dentro com um baque. Parecia que o rato encurralado na armadilha estava muito assustado.
Por medo de deixar evidências, não havia nem CCTV dentro do estúdio. Significava que era impossível prever em que estado o sujeito estava ou o que ele tinha feito. Cheon Seju sentiu o sangue esfriar pela tensão e soltou a respiração lentamente. Ele abriu o pacote de couro que tinha trazido de cima, tirou de lá uma faca de cozinha afiada. Enquanto movia a mão, fechando-a e abrindo-a, e mexendo no cabo da faca, ele logo gesticulou com o queixo para Seon-hyeok como se estivesse pronto, e disse a Jin-young:
— Você fica aqui. Se eu não sair em 10 minutos, entre em contato com o gerente Chae.
— Sim. Tenha cuidado.
Jin-young assentiu vigorosamente. Cheon Seju deixou a sala de observação e foi em direção ao estúdio. De pé na frente da porta, ele gesticulou para Seon-hyeok. Quando Moon Seon-hyeok colocou os olhos no painel ao lado da porta de ferro, com um pequeno bipe, ouviu-se o som da trava sendo destravada com um “clack”. Cheon Seju abriu a porta de um solavanco e entrou. Moon Seon-hyeok entrou logo atrás e fechou a porta.
— Seus cachorros!
Assim que eles apareceram, o esfaqueador coreano-chinês, segurando uma chave inglesa, avançou com olhos brilhantes. Cheon Seju desviou o corpo rapidamente e examinou o interior. Felizmente, apenas um estava acordado. O outro parecia não ter se livrado do efeito do sonífero e estava deitado no chão como um cadáver.
Nesse caso, não havia nada difícil. Uma boca era o suficiente para tagarelar informações. Cheon Seju, que tomou essa decisão, balançou a faca sem hesitar.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna