Parte 05
Projection Vol. 4.5
Embora fosse horário de saída do trabalho, felizmente a casa noturna de Kang Junmyun não ficava muito longe do hospital. Chegando ao estacionamento subterrâneo em menos de 30 minutos, ele jogou o canivete no porta-luvas e saiu do carro. E no momento em que subiu no elevador vazio, ele mordeu o lábio ao ver seu reflexo na porta limpa.
Ao fazer vigilância, Cheon Seju usava tudo preto: boné, casaco, calça e sapatos. Isso porque, caso respingasse sangue ao ferir alguém, não deveria ficar marcado. Se fosse em circunstâncias normais, ele não se importaria com suas roupas, mas hoje aquilo era detestável.
O cadáver do homem que perdeu a vida em suas mãos dias atrás e o cheiro de sangue pairavam diante de seus olhos. Quando o choro de Sejin se sobrepôs a isso, ele sentiu que ele mesmo, vestindo roupas pretas, era terrível. Parecia que ele estava atraindo a morte.
Cheon Seju, que de repente distorceu o rosto, assim que chegou ao saguão do primeiro andar, que dava acesso ao centro de oncologia, tirou o casaco e o boné e os jogou na lixeira mais próxima. A roupa que vestia por baixo era uma de manga curta branca, mas aquilo era melhor do que estar vestido como se fosse a um funeral. Ele se dirigiu à ala do hospital vestido com roupas fora de estação.
Foi quando ele entrou no elevador que subia de volta para o centro de oncologia e finalmente desceu no andar desejado. Cheon Seju parou no lugar ao ver a figura sombria em frente ao corredor onde ficava o quarto de Kim Hyungyeong.
Sejin, sentado na cadeira em frente ao quarto, estava curvado com os cotovelos sobre as coxas. Por causa do cabelo caído, não dava para ver que expressão o rosto, que estava caído em direção ao chão, tinha. Apenas que as gotas que escorriam, ploc, ploc, sobre o piso brilhante do hospital, entre as pernas dele, formavam uma pequena poça.
Era Sejin quem estava chorando, mas parecia que seu próprio peito estava sendo rasgado. Cheon Seju, engolindo o que subia à garganta, aproximou-se de Sejin e chamou seu nome.
— …Kwon Sejin.
Àquela voz familiar, Sejin levantou a cabeça lentamente.
Ambas as bochechas estavam encharcadas. O contorno dos olhos, que estava inchado, estava tão vermelho que parecia que sangraria se tocassem, e as marcas de dentes eram nítidas no lábio que ele mordia para conter o choro. O cabelo desgrenhado estava molhado de suor. Sejin olhou para cima, para Cheon Seju, que se aproximara com o rosto cheio de calor.
— …
Seus lábios tremeram como se quisessem dizer algo. Então, logo em seguida, encontrou os olhos calorosos de Cheon Seju, que entendia seu pesar mesmo sem palavras, e derramou lágrimas. Uma trilha de água desenhou-se em sua bochecha. Uma mão grande enxugou aquele rosto.
— …Está tudo bem.
A voz baixa ecoou pelo corredor. Cheon Seju ajoelhou-se ali e abraçou Sejin. O corpo, que desde algum tempo havia ficado maior que o dele, veio ao encontro de seus braços sem resistência. Sejin chorou de mágoa como uma criança que não conhece o tamanho de seu próprio corpo, como se quisesse se enterrar nos braços de Cheon Seju.
Os níveis elevados de inflamação não eram gastrite, mas sinais de metástase.
A invasão vascular já havia progredido muito, e as células cancerígenas se espalharam por todo o corpo, incluindo o fígado e o peritônio. Diante disso, deveria ser considerado que a metástase começou de forma sutil desde o momento em que o câncer foi diagnosticado. Era um fato inevitável, pois massas cancerígenas abaixo de um certo tamanho não podiam ser detectadas por nenhum método.
A metástase do câncer de pâncreas significava estágio 4, ou seja, terminal. No hospital, decidiram que o tratamento não faria mais sentido e os fizeram escolher entre continuar com a quimioterapia ou transferi-la para a ala de cuidados paliativos. Sejin não conseguia aceitar esse fato.
— Não faz sentido estar assim em apenas um mês… Mês passado disseram claramente que a quimioterapia estava sendo eficaz, por que estão falando isso agora. É tudo mentira. Não faz sentido, isso…
Sejin, que o abraçava com força pelo pescoço, murmurava com uma voz soluçante. O momento da tarde, quando ele perguntava sobre questões que não sabia por mensagem, parecia ter acontecido há muito tempo. Sejin estava repetindo a mesma coisa como alguém cujo mundo desabou. Que essa situação não fazia sentido, que não podia acreditar. Cheon Seju sentia o mesmo. Ele não queria negar o fato, mas queria negar a realidade. Ele só queria que tudo aquilo fosse um sonho.
No entanto, estava claro que toda aquela tragédia era real, e Cheon Seju e Sejin tiveram que aceitar esse fato em meio ao pesar. Sejin só parou de chorar duas horas depois. Como já era hora de todos dormirem, não havia ninguém no corredor. Não aguentando mais ver Sejin, que tremia de corpo enquanto soluçava intermitentemente, Cheon Seju o levou para a sala de descanso apagada. De lá, tirou um copo de leite da máquina de venda automática e o colocou nas mãos de Sejin.
— Beba isso.
— …E você?
A voz estava úmida e arrastada. Sejin olhou para Cheon Seju com olhos ainda cheios de lágrimas. O copo de papel envolvido por suas duas mãos parecia infinitamente pequeno. Cheon Seju pegou um copo vazio para que ele não se queimasse nas mãos, colocou um copo sobre o outro e afagou o cabelo de Sejin.
— Vou passar no quarto rapidinho.
— Sim…
Tendo saído da sala de descanso, ele caminhou silenciosamente em direção ao quarto de Kim Hyungyeong. Olhando do corredor, as luzes do quarto estavam apagadas. Assim que Cheon Seju abriu a porta lentamente e entrou, a cuidadora, que estava deitada na cama destinada aos acompanhantes mexendo no celular, levantou a cabeça.
Você chegou, cumprimentou-a baixinho, e logo apontou para Kim Hyungyeong, que estava profundamente adormecida.
— Ela dormiu logo depois de brigar com Sejin.
À voz sussurrada, Cheon Seju deu um sorriso amargo. Não precisava nem ver para saber por que tinham brigado. Kim Hyungyeong certamente escolheria a ala de cuidados paliativos logo ao ouvir que o tratamento talvez não tivesse mais significado. Sejin nunca teria aceitado isso.
No entanto, Cheon Seju, que conhecia mais ou menos a vida dos pacientes com câncer de pâncreas em estágio terminal, queria ficar do lado de Kim Hyungyeong. Agora, mesmo que fizesse quimioterapia, não poderia eliminar as células cancerígenas espalhadas por todo o corpo. Uma quimioterapia além disso apenas retardaria a velocidade com que as células cancerígenas se espalhariam pelo corpo de Kim Hyungyeong, adiando a morte. Do ponto de vista do paciente, não passava de repetir um processo doloroso sem sentido.
Agora a morte era inevitável. …Sejin acabaria ficando sozinho.
A morte de Kim Hyungyeong também acabou fluindo para pensamentos sobre Sejin. Cheon Seju tentou esvaziar sua mente complexa, foi até o armário e pegou o casaco de Sejin. Despediu-se da cuidadora e saiu do quarto.
Quando ele voltou para a sala de descanso, Sejin estava olhando para fora da janela, vazio, tendo terminado de esvaziar o copo de papel. A figura sentada sozinha sob a luz da lua parecia extremamente solitária. Diante do fato de que Sejin também teria que passar pelo que ele mesmo passou, Cheon Seju não pôde mais observar aquelas costas e aproximou-se dele.
— Sua mãe dormiu. Vamos para casa primeiro. Vou te trazer de volta amanhã de manhã.
— …Sim.
Sejin levantou-se do lugar. Cheon Seju vestiu-o. Depois de colocar os braços dele no casaco grosso, ele saiu da sala de descanso. Depois de se despedir brevemente de quem estava sentado no posto de enfermagem, pegou o elevador e desceu.
O carro estava estacionado, mas o casaco e a faca, que não perdiam o cheiro de sangue, estavam dentro dele. Cheon Seju, que não queria colocar Sejin lá dentro, levou-o ao saguão principal e explicou:
— Não consegui pegar o carro porque estava em outro lugar. Vamos de táxi. Vou chamar, quando o carro chegar, saia, está frio lá fora.
— …
Cheon Seju, que disse isso, subiu o zíper do casaco de Sejin, que estava parado como um louco, até o pescoço. Em uma noite de novembro, o ar frio era cortante. Ele até colocou o capuz que ficava nas costas de Sejin para que ele não pegasse um resfriado e pegou o celular.
Sejin observava fixamente as costas de Cheon Seju, que saía do saguão chamando um táxi. Ele viu a porta de vidro abrir-se pesadamente com o vento que vinha de fora e depois fechar-se. Com o ar frio e gélido que entrava por aquela fresta por um momento, Sejin se recompôs um pouco.
— …
As duas palmas das mãos fechadas com força doíam. O copo de papel que Cheon Seju lhe entregara estava na mão, amassado. Sejin, percebendo que trouxera lixo até o primeiro andar, olhou ao redor. Foi no momento em que encontrou a grande lixeira na frente do elevador e estava prestes a jogar o copo de papel dentro dela. Um casaco preto que emitia uma luz sombria de dentro dela chamou a atenção de Sejin.
Não sei por que fiz isso. Talvez fosse porque, mesmo no meio de tal distração, o fato de Cheon Seju não estar usando um casaco estivesse vagamente gravado em sua mente. Sejin estendeu a mão, esquecendo que aquela roupa estava dentro da lixeira.
O tecido sem brilho enrolou-se em sua palma. A manga limpa era de alguma forma familiar. Sejin, que a pegou, aproximou a roupa toda tingida de preto do nariz, como se estivesse enfeitiçado. O cheiro doce misturado com o cheiro amargo de cigarro cativou Sejin. Era o perfume corporal de Cheon Seju. Parado no lugar, ele virou a cabeça em direção ao lado de fora.
Tarde da noite, Cheon Seju estava parado em frente ao saguão do hospital, onde a luz do poste brilhava, fumando um cigarro. O homem que tinha como pano de fundo a brasa alaranjada do cigarro e a fumaça branca que escapava de entre seus lábios estava vestido com uma roupa de manga curta, o que não combinava com a estação. Sejin olhou alternadamente para aquela figura solitária e para a roupa de inverno em suas mãos.
O peito, que parecia ter ficado vazio ao ouvir a notícia da metástase, que era equivalente a uma sentença de morte, parecia estar sendo preenchido por Cheon Seju. Sejin observou Cheon Seju, que estava sozinho na escuridão, com o nariz enterrado em suas roupas.
De alguma forma, Sejin parecia não conseguir mais imaginar uma vida sem ele. Toda vez que sua vida parecia estar sendo jogada no fundo do poço, Cheon Seju estendia a mão para ele sem hesitação. Uma, talvez duas vezes, Sejin empurrou a mão dele, mas, mesmo assim, Cheon Seju estendia a mão para Sejin novamente no momento da queda.
Agora Sejin não queria soltar a mão de Cheon Seju que ele havia segurado. O abraço sereno sussurrando que estava tudo bem, a voz carinhosa implicando que toda tempestade passaria eventualmente. Ele não queria perder. Sejin gostava de Cheon Seju.
Mas, ao mesmo tempo, sentia vergonha de si mesmo por sentir tais sentimentos naquele momento. Enquanto sua mãe caminhava em direção à morte dia após dia, ele se sentia o ser humano mais patético do mundo por se sentir com o coração palpitante com a consideração dele, cego pelo amor.
— …
Naquele momento, a luz de um veículo entrando em direção ao saguão perfurou dolorosamente os olhos de Sejin. Percebendo pela dor que o táxi havia chegado, Sejin jogou o casaco que segurava de volta na lixeira e se virou. Coincidentemente, Cheon Seju, que havia encontrado o táxi, também se virou e fez sinal para ele sair.
Ao abrir a porta para sair do saguão, um vento tão forte que fazia os ombros encolherem arranhou seu corpo e passou. O frio que Cheon Seju teria que ter ganho em troca de sua consideração era tão cortante que dava vontade de chorar. Sejin, que parou por um momento, tirou sem hesitar o casaco que Cheon Seju lhe havia colocado. Depois, colocou a roupa sobre os ombros de Cheon Seju, que estava parado segurando a porta do carro. Um olhar franzido foi em direção a Sejin.
— O que você está fazendo?
— …Está quente. Você veste.
Dito isso, ele entrou no carro. Ao entrar, o vento quente do aquecedor soprou em direção ao seu corpo. Cheon Seju sentou-se ao lado dele, e quando o táxi partiu, o som baixo do rádio e o som do motor atravessaram o espaço entre os dois como o vento. Sejin estendeu o braço, ouvindo o locutor de rádio falando sobre o primeiro amor. Agarrou a mão de Cheon Seju que estava sobre o banco.
Diante daquele pequeno contato, o olhar silencioso de Cheon Seju pousou sobre as costas da mão onde eles se tocaram e logo pousou na bochecha magra de Sejin. Sejin desviou o olhar e encarou os olhos de Cheon Seju.
— …Está tudo bem.
Em um momento em que eles se olhavam sem dizer nada, Cheon Seju disse. Sejin também murmurou para si mesmo. Está tudo bem. Esse tanto de consolo, eu posso receber… Não querendo sentir culpa pelos sentimentos encontrados na pior das situações, Sejin cobriu o sentimento de gostar de Cheon Seju com o nome de consolo.
─── ✧・゚: * ✧・゚:* ───
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna