Parte 03
Projection Vol. 4.3
Embora fosse uma mentira que seria descoberta facilmente se encontrassem Cheon Seju no quarto, Sejin respondeu assim com uma expressão inexpressiva, sem mudar a cor do rosto. Ah, que pena. Vendo as palavras que elas disseram rindo de brincadeira, ele olhou para Kim Hyungkyung, esticando os lábios.
— Você comeu?
— Sim, comi. O que foi? Você comprou de novo? Eu disse para vir de mãos vazias.
— É para você comer com as tias.
— Ah, de novo com esse “tias”!
Às palavras de Sejin, uma jovem mulher sentada à direita de Kim Hyungkyung levantou a voz e riu. Sejin chamava incondicionalmente de “tia” qualquer mulher mais de 4 anos mais velha que ele. Embora ela parecesse ressentida por ser chamada de tia, mesmo tendo apenas 24 anos, Sejin não se importava. Ele não podia chamar qualquer pessoa de “noona” (irmã mais velha).
— Coma quando estiver frio.
Sejin colocou a sacola de papel que trouxe sobre a mesa. Elas afastaram o ponto cruz de joias para o lado e abriram a embalagem. Quando apareceram tiramisu, torta de queijo, dacquoise, sobremesas perfeitas para comer, os olhos das mulheres brilharam.
— Você não vai comer?
— Não. Comam vocês. Vou ficar no quarto.
— Entendi, vá descansar um pouco na cama da mamãe.
Sejin assentiu vagamente e saiu do lugar. Ele perdia a energia se ficasse em lugares com muitas pessoas. Especialmente depois que ficou alto, era ainda mais assim. Era uma tarefa não se importar com o olhar deles, olhando fixamente, crianças ou adultos. Sejin saiu da sala de convivência, pensando em como Cheon Seju suportava esse olhar.
Olhando para trás antes de fechar a porta, viu que, como havia muitos lanches, eles estavam até dividindo com a mesa ao lado. O fato de que havia apenas um pequeno dacquoise na frente de sua mãe doía, mas Sejin lembrou-se do que a enfermeira disse no dia em que foi transferido para o centro oncológico. Ela disse que o melhor era que o paciente estivesse feliz e confortável. Então, se dividir com outras pessoas fazia sua mãe feliz, Sejin deveria estar satisfeito com isso.
No quarto de hospital para onde ele voltou, Cheon Seju estava conversando com o cuidador de Kim Hyungkyung. O cuidador, que parecia ter acabado de lavar roupa e estava dobrando roupas secas do secador, era uma jovem mulher de 32 anos.
— Ah, agora eu entendi! É que eu tenho um pouco de dificuldade de compreensão.
— Não, fui eu quem explicou de forma estranha. Ouço com frequência que não sei explicar muito bem.
Com a voz de Cheon Seju, Sejin olhou para dentro com uma expressão franzida. Cheon Seju e o cuidador, sentados um de frente para o outro na mesa, conversavam rindo alto. Sejin deu um risinho de descrença diante da fala de Cheon Seju de que ele mesmo explicou de forma estranha.
Ele atormentava tanto as pessoas dizendo que elas eram as primeiras a não entender suas explicações toda vez que estudava, mas na frente de uma mulher, não havia anjo mais gentil no mundo. Se ele fosse assim comigo também… Sejin pensou nisso, mordeu o lábio e abriu a porta, que estava um pouco aberta, com um estrondo. Quando a porta deslizante bateu na parede, o cuidador, surpreso, virou-se para a saída, viu Sejin e sorriu.
— Olá, Sejin. Você foi à sala de convivência? A porta não abre bem?
— Olá. Acho que quebrou.
Sejin fez uma reverência para ela e entrou. Embora soubesse que ela tratava sua mãe como uma irmã e que ela era de grande ajuda para sua mãe, ele não conseguia evitar ficar irritado. Ele odiava Cheon Seju, que era gentil apenas com mulheres.
Sejin aproximou-se de Cheon Seju com uma cara emburrada e olhou para ele. Enquanto encontrava o olhar dele, que ergueu os olhos para encará-lo como se perguntasse se havia algum problema, ele logo puxou seu braço.
— Me leve para casa.
— Já?
— Sim. Quero voltar amanhã.
Domingo era o dia de folga do cuidador. Como ele teria que estar lá de qualquer maneira desde a manhã de amanhã, não havia necessidade de ficar até tarde hoje. Diante das palavras de Sejin, Cheon Seju ficou confuso, mas logo se levantou.
— Certo, então. Eu vou indo.
— Sim, tome cuidado! Tchau, Sejin. Sua irmã tem um exame na segunda-feira, entrarei em contato depois.
— Adeus.
Sejin cumprimentou-a casualmente e puxou o braço de Cheon Seju. Por que tanta pressa, Cheon Seju murmurou isso, mas pegou o pote de vidro vazio que estava sobre a mesa e jogou no lixo. O pote que continha o pudim estava limpo e vazio. Sejin fechou a porta do quarto e, antes de ir para o elevador, deixou Cheon Seju parado ali e disse:
— Vou me despedir da mamãe. Espere aqui um pouco.
— O que é isso? Tudo bem.
Cheon Seju franziu a testa como se perguntasse se ele tinha vindo sem nem se despedir, e empurrou as costas dele. Sejin correu para a sala de convivência a passos rápidos. Ele entrou, disse a Kim Hyungkyung, que estava comendo lanches e batendo papo, que voltaria amanhã de manhã, e saiu para o corredor novamente. Estranhamente, seu coração estava apressado. Ele queria ir para casa logo. Quando Sejin voltou para a frente do elevador assim, Cheon Seju estava conversando ao telefone com alguém.
— Sim, pode ir lá e dizer meu nome. Até mais.
A saudação que ele deu à outra pessoa era gentil. Sejin observou Cheon Seju, prendendo a respiração. Ele, que tirou o celular do ouvido, virou-se para Sejin e fez um gesto com o queixo para o lado onde estava o elevador.
— Vamos.
— …Sim.
Naquele curto período de tempo, Sejin viu o nome que apareceu no celular. Kang Doyun, a raiva surgiu com três letras.
Você disse que não ia encontrá-lo. Você disse que ia beber. As palavras que ele queria cobrar de Cheon Seju subiram até a garganta. Sejin subiu no elevador com os lábios cerrados e encarou o homem parado ao seu lado.
Cheon Seju é sempre bonito, mas quando ele penteia o cabelo para cima e usa gravata como hoje, ele fica muito mais atraente do que o habitual. O rosto dele era odioso hoje. Sejin não conseguia controlar seu coração magoado e abaixou a cabeça.
Mesmo depois de entrar no carro, ele não conseguia dizer nada por medo de que palavras inúteis saíssem se abrisse a boca. Como ele não pensava em contar seus sentimentos a ele em tal situação, Sejin, que fechou a boca como uma ostra, virou a cabeça para fora da janela e ficou em silêncio.
Ele odiava tudo. Ele odiava o céu, que estava tingido de um rosa bonito hoje, odiava o fato de o trânsito não estar congestionado e odiava o cheiro do perfume que Cheon Seju usava.
O que ele mais odiava era o fato de Cheon Seju não parecer de bom humor. Será que ele vai procurar aquele homem quando não está de bom humor? Cheon Seju fica feliz quando encontra aquele homem? Pensando assim, parecia que ele ia chorar. Sejin também queria ser alguém que pudesse consolar Cheon Seju.
— …
E, enquanto iam para casa para deixar Sejin, Cheon Seju percebeu que ele estava estranho. A expressão refletida na janela escura do carro não era muito boa. Até agora estava tudo bem, mas o que aconteceu na sala de convivência…
No entanto, Cheon Seju, que normalmente teria perguntado a Sejin o porquê, ficou calado apenas hoje. Amanhã era o dia memorial de Hyein, e como ele estava se esforçando para esquecer esse fato, ele não tinha energia para se preocupar nem com Sejin. Cheon Seju só queria deixar Sejin o mais rápido possível e se concentrar em outra coisa até perder a consciência.
Assim, o tempo passou com os dois sem dizer nada. O carro que Cheon Seju dirigia logo entrou no complexo de apartamentos, e ele estacionou na frente da entrada do 1º andar com as luzes de emergência ligadas.
— Entre. Como não posso entrar até segunda-feira, pegue um táxi e vá ao hospital amanhã.
— …
No entanto, não houve resposta ou ação de Sejin diante das palavras de Cheon Seju. Ao ver Sejin olhando pela janela, segurando as duas mãos com força e sem dizer nada, Cheon Seju inclinou a cabeça. Logo, um sorriso fraco surgiu em seus lábios.
Normalmente, as pessoas se esforçam para esconder seus sentimentos, mas Sejin sempre faz uma demonstração para que ele saiba como se sente. Não podia mais fingir que não sabia depois de fazer tudo isso. Por que ele age como uma criança, mesmo sendo grande? Cheon Seju pensou nisso e estendeu a mão.
— O que houve?
Cheon Seju perguntou isso enquanto acariciava seu cabelo macio. Sejin se encolheu com isso e suspirou, logo virando-se para Cheon Seju com o rosto endurecido de forma emburrada. De alguma forma, seus olhos estavam avermelhados como se ele fosse chorar. Cheon Seju não ficou confuso com a mudança repentina de emoção de Sejin. Pessoas com familiares doentes são sempre assim. De bom humor, deprimido, esperançoso, desesperado. Isso era normal.
Em vez de consolar Sejin, Cheon Seju estendeu a mão e limpou o canto de seus olhos como se dissesse para não chorar. Sejin, que encostou a bochecha na palma da mão de Cheon Seju, abaixou os olhos e entregou o rosto a ele docilmente. Cheon Seju perguntou-lhe em voz baixa:
— Não está de bom humor?
Diante da pergunta de Cheon Seju, Sejin ergueu o olhar para encará-lo, mas logo desviou os olhos novamente. Ele piscou algumas vezes enquanto seus cílios tremiam, e logo balançou a cabeça minimamente e disse:
— Não quero ficar sozinho.
— …
— Você não pode deixar de ir beber?
Era uma voz extremamente frágil, diferente do habitual. As duas mãos de Sejin seguraram o pulso de Cheon Seju, que estava acariciando sua bochecha. Mantendo a mão áspera dele entre as palmas de suas mãos grandes, Sejin abriu a boca em voz baixa:
— Eu fui à ala de pacientes graves…
Ele não disse exatamente quando foi. Porque isso não era importante.
— Era tão silencioso e assustador. Não havia ninguém no corredor, e só se ouvia o som do respirador de oxigênio no quarto…
O suspiro de Cheon Seju, como um lamento, caiu. Sejin segurou a mão de Cheon Seju com força. Ele disse isso pensando que esperava que aquela mão cheia de calor não se separasse dele.
— Toda vez que fico sozinho, aquele quarto me vem à mente. Estou com medo, Cheon Seju. Não quero ficar sozinho…
A voz de Sejin era baixa, mas também frágil. A luz do poste de luz que entrava pela janela do carro iluminava o olhar de Sejin de forma suave. De alguma forma, como se seus olhos fossem ficar molhados em breve, Cheon Seju mordeu o lábio como se estivesse em apuros ao ver aquela expressão lamentável.
Ele não conseguia passar o dia 15 de setembro sóbrio. Se o fizesse, não poderia garantir que conseguiria enfrentar o dia 16 fisicamente ileso. Mas…
Não era como se ele precisasse ir encontrar Doyun para passar o dia de forma ocupada. Havia outra maneira de Cheon Seju passar os dias chuvosos e o 15 de setembro.
— …Certo. Não vou sair. Vá para casa, então.
O fato de ter dito a Sejin que ia beber foi uma desculpa que ele inventou de repente, mas não foi uma conversa totalmente sem sentido. Porque já houve um tempo em que ele passou o dia 15 de setembro bebendo excessivamente. Claro, se ele não recebesse a chamada de Shin Kyoyeon, seria repreendido severamente, mas como ele não tinha nada para entrar em contato com ele ultimamente, estaria tudo bem.
— Você vai para casa?
Às palavras de Cheon Seju, Sejin ergueu os olhos como se não pudesse acreditar. Mas, ao contrário do que ele pensou que fosse chorar a qualquer momento, a expressão de Sejin não era ruim. Cheon Seju pensou que Sejin tinha se tornado muito corajoso e assentiu.
— Posso beber em casa. Vá e faça alguns petiscos para mim.
— Sim. Eu vou fazer.
Um sorriso fraco surgiu no rosto de Sejin. Ao ver que ele se sentia aliviado, com o ar deprimido que viu antes desaparecendo completamente, Cheon Seju deu um sorriso amargo.
Ele desligou as luzes de emergência e moveu o carro novamente. Depois de ir ao estacionamento subterrâneo e estacionar, ele subiu para casa, pegou roupas com a desculpa de se lavar e entrou no banheiro. Depois disso, ligou direto para Doyun.
— Doyun.
— Sim, Hyung! Estou me despedindo dos meus sobrinhos agora. Demorou um pouco porque eles choraram para eu não ir.
— É mesmo? Desculpe, mas surgiu algo urgente, então não acho que terei tempo. Se não se importar, quer ir ao hotel com sua irmã? Já paguei as taxas, então vá e divirta-se confortavelmente. Vá à piscina com seus sobrinhos também.
Não faltava nem uma hora para o horário marcado. Nunca tinha acontecido de ele cancelar um compromisso dessa maneira. Mesmo sendo parceiros sexuais, era uma etiqueta que deveria ser respeitada fundamentalmente. Ouvindo Cheon Seju, cuja fala se alongava por causa da culpa, Doyun expressou um tom de decepção.
— Sério? Não tem jeito… Então vou perguntar para minha irmã. Quando você terá tempo de novo, Hyung?
No entanto, acabou por aí. Ele se sentiu aliviado por conhecer a personalidade sem rancor de Doyun, mas ainda assim sentia muito. Cheon Seju pediu desculpas a Doyun mais uma vez.
— Não sei. Entrarei em contato depois. Desculpe.
— Não é isso. Sei que você está ocupado, Hyung. Tudo bem, então. Entre em contato comigo depois.
— Sim, desculpe. Obrigado.
— Eu também te amo.
Doyun deu uma resposta inesperada com uma voz cheia de travessura. Cheon Seju riu um pouco, despediu-se dele novamente e desligou o telefone. Doyun não insistiu em manter Cheon Seju até o fim. Essa era a razão pela qual os dois podiam manter um relacionamento por muito tempo.
Depois de colocar o celular de lado, ele tirou as roupas exatamente como estava. Ele não tinha estado no estúdio, mas parecia que cheirava a sangue. Não havia como, já que ele tinha se lavado antes de sair, mas Cheon Seju lavou o corpo minuciosamente. Esse era um hábito doentio que ele adquiriu depois de entrar na organização.
Depois de terminar o banho, ele secou o cabelo casualmente com uma toalha e saiu para o corredor vestindo um roupão de seda. As luzes da sala estavam apagadas e, na cozinha, ouvia-se o som de uma faca batendo na tábua. Ao caminhar lentamente, ele viu Sejin, que também parecia ter se lavado, com gotas de água no cabelo e vestindo um pequeno avental, cortando cebolinhas.
— Cheon Seju.
— Sim.
Quando ele se aproximou para beber água, Sejin virou a cabeça. Seu olhar silencioso varreu a parte superior do corpo de Cheon Seju, que estava aberta através da abertura do roupão. Cheon Seju fechou a frente do roupão com a mão por medo de ouvir algum sermão desnecessário dele. Sejin, que logo olhou de relance para ele e virou o corpo novamente, perguntou de costas para ele:
— Você vai beber cerveja?
— Não. Whisky.
— Certo. Espere só um pouco.
Cheon Seju assentiu, pegou uma garrafa de água para beber e foi para o seu quarto. Ele foi ao closet, tirou uma camiseta macia e fina para vestir e também tirou uma calça curta. Enquanto ele estava assim, sentiu que sua energia estava diminuindo gradualmente. Era natural que ele ficasse sem forças depois de ter ficado firme o dia todo, tentando não ser pego com as mãos trêmulas.
Sozinho no quarto, ele relaxou a tensão lentamente. Enquanto esfregava a cabeça, onde a dor de cabeça durava horas com as pontas dos dedos tremendo levemente, logo abriu a porta com uma respiração profunda. Pelo menos foi um alívio que não choveu. No ano passado, por causa da chuva de outono naquela época, ele ficou preso em um hotel durante três dias com Doyun, que tinha acabado de começar o semestre.
Ao sair, Sejin estava parado na frente do bar da ilha. Ele estava com uma bandeja de madeira, na qual estava colocada uma tigela com canapés feitos para acompanhamento e uvas, na sua frente. Ele perguntou olhando para Cheon Seju:
— Deixo isso na sala?
— Sim. Se você não gosta de silêncio, durma na sala. Ligue a TV.
Cheon Seju respondeu assim e foi para o armário de exposição deixado em um canto da cozinha. Ele tirou duas garrafas de whisky e copos dedicados que estavam guardados lá e mudou-se para a sala de estar. Quando ele colocou a garrafa sobre a mesa e bebeu uma dose de álcool no copo, Sejin aproximou-se dele.
Canapés de cream cheese com cebolinha, canapés de cream cheese com salmão defumado e endro, e uma tigela com uvas estavam arrumados na bandeja. Sejin colocou na frente de Cheon Seju e olhou para ele fixamente.
— Você bebe aquilo puro?
Era uma pergunta feita porque ele já tinha visto Cheon Seju beber whisky com gelo no copo. À pergunta de Sejin, Cheon Seju assentiu. Ele precisava ficar bêbado rapidamente. Só assim ele poderia esquecer essa sensação miserável, mesmo que fosse um pouco mais cedo.
Sejin olhou para Cheon Seju com olhos preocupados e deixou o lugar. Ele atravessou o corredor e foi para o seu próprio quarto, então voltou com um travesseiro e um cobertor e deitou-se no sofá do lado oposto ao de Cheon Seju. Um rosto pequeno estava sobre o travesseiro branco. Sejin, que desarrumou o cabelo molhado com a mão, puxou o cobertor até o pescoço e olhou para Cheon Seju.
— Por quê?
Cheon Seju, que sentiu o olhar fixo, perguntou isso enquanto rolava uma uva dentro da boca. Diante da sua pergunta suave, Sejin piscou os olhos em silêncio e perguntou-lhe de volta com uma voz baixa:
— Por que você não está de bom humor?
— …
Foi uma pergunta inesperada. Cheon Seju lançou um olhar para Sejin, franzindo as sobrancelhas.
Kwon Sejin não tinha uma capacidade de observação muito boa. Como ele não tinha boa memória e compreensão, era inevitável que ele fosse lento em descobrir a diferença entre o estado anterior e posterior. No entanto, havia momentos em que ele surpreendia Cheon Seju, quando ele reagia inesperadamente de forma sensível às mudanças dele.
A observação era uma forma de expressar interesse. Cheon Seju ficou curioso sobre o que se passava na mente de Sejin, que mostrava um interesse inesperado nele. Se tudo isso era um erro dele, ou se havia algum tipo de sentimento em Sejin que ele não conhecia.
— Por que você se interessa tanto por mim?
À pergunta lançada de repente, Sejin encontrou o olhar dele de forma mais clara. Seus olhos claros enviavam um olhar fixo e persistente. Enquanto se encaravam em silêncio, Sejin falou com uma voz baixa:
— Por que você pergunta? Você também se interessa muito por mim.
— Eu?
Cheon Seju ergueu as sobrancelhas diante da resposta inesperada. O copo vazio estava cheio de whisky, e esvaziou novamente. Ele encostou o queixo no braço do sofá, consciente de que o calor subia ardentemente por dentro com o álcool forte que era despejado cru. Com a bochecha, que estava ficando quente, encostada na palma fria da mão, ele encarou Sejin.
Que eu me interesso muito por Kwon Sejin. Diante daquele olhar confuso, Sejin balbuciou os lábios e abriu a boca.
— …Sim. Como me sinto, o que preciso, você também me pergunta essas coisas o tempo todo.
Cheon Seju balançou a cabeça. Kwon Sejin era do tipo que sempre mostrava quando não estava de bom humor. Como ele queria expressar suas emoções assim, ele não poderia deixar de perguntar, certo? No entanto, ao contrário de Sejin, ele nunca demonstrou nenhum sinal. Era surpreendente até o fato de Sejin ter descoberto seu humor. Cheon Seju pensou nisso e respondeu:
— Você sempre demonstra. Pedindo para eu perguntar.
— Não, eu nunca fiz isso.
No entanto, a resposta de Sejin foi firme. Ele segurou o cobertor com força nas duas mãos e respondeu olhando para Cheon Seju com olhos como contas de vidro.
— Sempre foi você quem começou. Você quem olhou para mim primeiro.
Se havia ressentimento na voz com a qual ele dizia isso, seria um erro da parte dele? Cheon Seju olhou para Sejin atordoado.
— Isso vem primeiro.
— …
— Porque você está olhando para mim, é por isso.
Às palavras de Sejin, Cheon Seju fechou os olhos devagar e pensou depois de abri-los.
Fui eu quem viu Kwon Sejin primeiro… É óbvio. Como eu poderia não ver quando você está fazendo essa expressão…
Mas agora, pensando bem, o ponto de partida era vago. Ele não sabia se seu olhar foi atraído primeiro e Sejin chorou, ou se Sejin chorou e depois o olhar foi atraído. Talvez por causa da embriaguez, sua cabeça não estava funcionando bem. Era como se estivessem travando o velho debate sobre quem veio primeiro, o ovo ou a galinha.
Eventualmente, Cheon Seju desistiu de chegar a uma conclusão. Ele respondeu a ele pensando que foi porque ele estava preocupado com a criança na sua frente.
— Talvez porque você é um bebê e eu estou preocupado.
— …Não me chame de bebê.
A voz de Sejin, que era séria, logo ficou emburrada. Cheon Seju riu silenciosamente e colocou na boca o canapé que ele fez. Enquanto lambia o cream cheese que estava em seus lábios e bebia mais um copo de whisky, ele olhou para Sejin com a visão ficando cada vez mais nebulosa de calor.
O rosto de Kwon Sejin não era muito diferente da primeira vez que eles se conheceram. O canto de seus olhos, que tinham pálpebras duplas finas, estava virado para cima como um gato, e sobrancelhas com formato bonito, que se estendiam com uma textura bonita, estavam arrumadas sobre o osso da sobrancelha. Os longos cílios que cresciam densamente agitavam-se toda vez que ele piscava, e graças à pele branca, esse movimento era ainda mais nítido.
As bochechas de Sejin não tinham muita carne e davam uma impressão sensível, mas como a curva que continuava da maçã do rosto era suave, ele emanava uma sensação de traços finos. A ponta do nariz, que era comprida e dobrada, era composta por curvas suaves, o que se adequava à expressão de ser arrumado, e seus lábios, que tinham um tom rosa como um pêssego bem maduro, estavam sempre úmidos.
E, embora ele fosse fazer vinte anos e se tornar um adulto em breve, não havia uma marca de barba no queixo de Sejin. O queixo liso, no entanto, revelava uma linha de homem mais grossa do que quando se conheceram, mas até isso estava mais próximo de uma aparência de beleza do que de um homem bonito.
Sempre que ele olhava para aquele rosto, Cheon Seju sentia como se estivesse enfeitiçado por ele. As feições de Kwon Sejin continham uma sensibilidade nítida, e foi por isso que ele o fez tentar brincadeiras sem sentido. Cheon Seju queria repetidamente quebrar a sensibilidade fraca que estava sobre Sejin.
— Ou será que foi porque você é bonito?
Diante da palavra que Cheon Seju lançou, Sejin franziu a testa novamente. Sejin, que logo se virou para olhar para ele e deitar-se, disse isso com uma bochecha esmagada.
— Não me chame de bonito.
— Bebê não pode, bonito também não, então o que eu devo dizer, afinal?
— Diga que sou bonito (bem parecido).
— …
Cheon Seju, que ficou sem palavras, deu um risinho e inclinou a garrafa. Em pouco tempo, a garrafa de whisky estava metade vazia. Depois que ele bebeu álcool puro novamente, ele colocou uvas com umidade na boca e rolou. Uma pronúncia levemente arrastada saiu dele.
— Olhe bem, Kwon Sejin. “Bem parecido” é um termo usado para alguém com a minha aparência.
— …O que muda?
Sejin também sabia que Cheon Seju era bem parecido. Ele também sabia que sua atmosfera era muito diferente da dele. Mas ele ainda não queria admitir. Ele não gostava da palavra “bonito (bonitinho)”. Sejin queria parecer bem parecido para Cheon Seju. Diante de sua resposta misturada com obstinação, Cheon Seju deu um riso de descrença, mas logo inclinou o corpo, baixando os dois braços sobre as coxas. Ele disse isso enquanto esticava a cabeça na direção de Sejin.
— Olhe com atenção. É totalmente diferente, então.
— …
Sejin, que estufou as bochechas, olhou para Cheon Seju com um olhar fixo. Então ele fechou os olhos enquanto apoiava o queixo como se dissesse para ele olhar à vontade. Sejin olhou para os cílios dele que pousaram suavemente, e logo se levantou.
— Quero ver de perto.
À voz de Sejin sussurrando baixinho, Cheon Seju ergueu um olho e logo deu de ombros. Enquanto ele relaxava o corpo novamente e encostava as costas no sofá, Sejin, que se levantou, colocou o cobertor de lado e aproximou-se ao lado de Cheon Seju.
— Considere uma honra. Porque é um rosto difícil de ver tão de perto assim.
Às palavras que Cheon Seju disse com travessura, Sejin deu um risinho em silêncio. Sinto muito, mas ele já tinha visto o rosto de Cheon Seju de perto. Sejin também não se esqueceu da sensação de beijar o pescoço dele. Não diga essas coisas sem saber de nada. Engolindo as palavras por dentro, Sejin prendeu a respiração em silêncio.
Sejin, que se ajoelhou ao lado do sofá onde Cheon Seju estava sentado, estendeu o braço e tocou no braço do sofá. Então, ele inclinou a cabeça para o lado onde ele estava. Cheon Seju, que havia esvaziado o copo mais uma vez, sentiu tontura e estava com a cabeça enterrada no encosto. Sejin engoliu em seco e olhou para o rosto dele, que estava com os olhos fechados.
O rosto de Cheon Seju era uma escultura magnífica que não podia ser explicada com uma única palavra. Se Sejin tivesse lido muitos livros, ele teria conseguido descrever sua aparência com palavras mais plausíveis, mas, infelizmente, Sejin não tinha expressividade suficiente. Sejin apenas pensou que Cheon Seju combinava bem com o adjetivo “perfeito”. Ele também pensou que a palavra “bem parecido” era um pouco lamentável, e que o adjetivo “magnífico” combinava mais para descrever sua atmosfera que atraía o olhar dos outros.
De qualquer forma, seus olhos, que possuíam uma leve frieza quando abertos, pareciam infinitamente suaves quando estavam fechados. Parecia que ele podia sentir a gentileza dele que ele não mostrava bem para Sejin.
Talvez por causa do álcool, sua pele estava mais pálida que o normal. Sejin olhou para os cílios de Cheon Seju que pousaram de forma arrumada nos olhos, e então levantou a mão como se estivesse enfeitiçado. No momento em que a ponta dos dedos macios de Sejin varreu o canto dos olhos de Cheon Seju, ele ergueu as pálpebras lentamente.
— …
Os olhos pretos do homem encontraram as pupilas transparentes de Sejin. O olhar pesado, como se sombras tivessem caído, traçou os traços de Sejin. O olhar que se movia como se lambesse seu rosto parecia capturá-lo como correntes.
Sejin prendeu a respiração e perseguiu a trajetória do olhar. O olhar de Cheon Seju varreu lentamente a linha fina dos olhos dele, os cílios, as bochechas magras e a ponte do nariz macio. Por último, o olhar persistente dele permaneceu nos lábios de Sejin, e finalmente, quando a respiração leve de Cheon Seju penetrou entre os lábios levemente abertos… seu coração parecia que ia explodir.
— Ah…
No entanto, Cheon Seju, que franziu a testa de repente, afastou-se com um suspiro, e Sejin despertou do silêncio. Ele recuperou a consciência como se tivesse tomado um banho de água fria. O som de batimentos cardíacos gigantescos cobria seus ouvidos. Sejin piscou os olhos vagamente e viu Cheon Seju se levantar do lugar.
— …Não entre no quarto.
Segurando o novo whisky e o copo que estavam sobre a mesa, ele virou o corpo sem hesitar. Com o som da porta se fechando, ele desapareceu. Sejin, que estava sentado naquele lugar, enterrou o rosto avermelhado nas duas mãos. O calor que explodiu junto com um suspiro molhado era incrivelmente quente.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna