Parte 02
Projection Vol. 4.2
No final, Kim Hyunkyung, convencida pela persuasão de Cheon Seju, fez a biópsia. O resultado do exame foi câncer, conforme previsto, diagnosticado como câncer de pâncreas em estágio 3, que ainda não havia se espalhado para outros órgãos. Cheon Seju esperava desde que viu a ressonância magnética, mas Kwon Sejin parecia estar em estado de choque. Ouvir de um médico que existe um grande tumor que pode ser câncer e confirmar que é realmente câncer são coisas de dimensões diferentes. Tornar realidade o que ele tentava negar era algo muito terrível.
No final, quem cuidou de Sejin, que estava fora de si, e transferiu Kim Hyunkyung para o centro de tratamento de câncer foi Cheon Seju. Enquanto Sejin não conseguia aceitar a realidade, ele assumiu todos os procedimentos.
O Centro de Oncologia do Hospital da Universidade Coreana era um lugar onde os especialistas de renome do país estavam reunidos. Era também um centro de tratamento onde a pesquisa sobre terapia direcionada para o câncer de pâncreas era ativa e a taxa de sobrevivência de 5 anos de pacientes com câncer de pâncreas era a mais alta do país. Lá, Kim Hyunkyung iniciou o tratamento de quimioterapia.
No entanto, ao contrário da previsão positiva de que ela ficaria bem se fizesse o tratamento, a quimioterapia era algo que destruía a mente não apenas do paciente, mas também de sua família. Observar ao lado alguém que sente dor extrema e efeitos colaterais devido aos efeitos colaterais de vários medicamentos… não era algo que se pudesse fazer com a mente sã.
— Você, vá para casa!
Cheon Seju, que visitou o hospital depois de alguns dias cuidando de assuntos pendentes, não conseguiu abrir a porta e hesitou devido à voz que vinha de dentro do quarto. Kim Hyunkyung estava brava com Sejin. Que ele fosse para casa, que não ficasse ao lado dela.
— …
— Vá embora, Kwon Sejin! Você não ouve o que a mamãe diz!
Pelo fato de não haver resposta, parecia que Sejin estava fingindo não ouvir os gritos dela. Extremamente típico de Kwon Sejin. Cheon Seju suspirou por dentro enquanto colocava a mão na maçaneta.
As férias de verão já tinham acabado há muito tempo. Mesmo tendo passado mais de uma semana desde o início das aulas, Sejin ainda não tinha ido à escola. Claro, não é que ele não entendesse a posição de Sejin. Ele não queria deixar Kim Hyunkyung sozinha nessa situação, e Cheon Seju pensou que, se estivesse no lugar de Sejin, ele também não teria ido à escola. No entanto, ele também podia entender perfeitamente a posição de Kim Hyunkyung.
Kim Hyunkyung deve estar sentindo-se muito culpada pela situação em que o filho, que estava começando a gostar de estudar, desistiu da escola para cuidar dela devido à sua doença. Ela deve ter ouvido exatamente qual é a taxa de sobrevivência do câncer de pâncreas de um médico que sempre assume o pior, e, como ela não pode deixar de pensar na morte, ela não consegue ficar parada vendo Sejin, que tem um futuro brilhante pela frente, jogar sua vida fora por causa dela, que é a paciente. Talvez ela esteja até se arrependendo de ter sido internada no centro de tratamento agora.
Nessa situação, quem ele queria apoiar era, de fato, o lado de Kim Hyunkyung. Há também o fato de ela pensar no futuro de Sejin como ela, mas, mais do que isso, Cheon Seju estava preocupado que Sejin estivesse derramando todo o seu tempo, afeto e vida em Kim Hyunkyung. Era porque ele pensava que, se Kim Hyunkyung partisse deste mundo enquanto isso acontecia, seria difícil para Sejin suportar o vazio que surgiria repentinamente.
Além de cuidar de Kim Hyunkyung, Sejin precisava de uma rotina. Uma vida cotidiana comum que ele pudesse manter sem mudanças, aconteça o que acontecer com ela…
— Chefe.
Assim que Cheon Seju abriu a porta e entrou, Kim Hyunkyung o chamou com um rosto pálido. Ela, que estava com uma injeção de analgésico na coluna, parecia bastante exausta por causa da quimioterapia que continuou até ontem. Ver o rosto abatido dela, apesar de seu corpo inteiro estar inchado, deixava Cheon Seju ainda mais compadecido. Se eu estou assim, como está Kwon Sejin? Cheon Seju cumprimentou Kim Hyunkyung com um leve sorriso e olhou para Sejin, que estava de pé perto da janela.
Kwon Sejin estava limpando a moldura da janela com um pano na mão. Como ele limpava todos os dias, não devia haver nem um grão de poeira, mas ele estava gastando tempo inutilmente para criar uma desculpa para ficar ao lado de Kim Hyunkyung. Ele estava de costas, mas Cheon Seju sentia como se soubesse que tipo de expressão Sejin estava fazendo. Desmentindo seu tamanho grande, Sejin parecia pequeno como uma criança. Chegará o dia em que Kwon Sejin parecerá maior que eu? Cheon Seju pensou nisso e o chamou.
— Sejin.
— …Sim.
Sejin respondeu calmamente, na mesma posição, olhando para a janela. Cheon Seju, que se aproximou dele, vasculhou a carteira que estava no bolso e tirou um cartão. Ele o colocou na mão de Sejin e disse:
— Vá comprar um café. Estou morrendo de cansaço.
— Você não podia ter comprado no caminho?
Sejin olhou para Cheon Seju com os lábios esticados. Ao ver que os cantos dos olhos dele estavam avermelhados, Cheon Seju sorriu casualmente e afagou o cabelo dele. Kwon Sejin aceitou o toque calmamente.
— É mais gostoso quando outra pessoa compra.
— Não aja como um velho chato.
— Rápido.
Quando ele insistiu, bagunçando o cabelo dele, Sejin olhou para ele com uma expressão rabugenta e virou-se. Sejin estava prestes a perguntar a sua mãe se ela também queria beber algo, mas percebeu que ela estava em jejum e saiu do quarto em silêncio. Assim que a porta do quarto se fechou, Kim Hyunkyung suspirou.
— A quem ele puxou para ser tão teimoso? Quem mais seria, eu…
Ela, que respondeu a si mesma em um instante, passou a mão pelo cabelo desalinhado e deitou-se encostada na cama. Como se o analgésico que ela colocou na coluna estivesse incomodando, ela se virou algumas vezes e logo se deitou de lado, olhando para Cheon Seju, que estava de pé na janela, e abriu a boca.
— Chefe. Por favor, faça o Sejin ir para a escola. Como ele ainda pode se mover sozinho, não é necessário que ele fique aqui.
— Eu já pretendia fazer isso. Mesmo que Sejin diga que vai ajudar, deve ser difícil para lavar-se ou coisas assim.
— É verdade. Ha, ele não ajuda em nada e é muito incômodo. Acho que sinto mais dor por causa dele.
Diante da conversa de Kim Hyunkyung, Cheon Seju levantou os cantos da boca em silêncio. Ele sentou-se na cadeira que estava perto da janela. Kim Hyunkyung piscou os olhos como se estivesse cansada e disse com uma voz exausta:
— Sejin gosta muito do chefe. Ele é um garoto que odeia quase todos os homens.
— De mim?
Cheon Seju riu, franzindo a testa como se não pudesse acreditar. Então Kim Hyunkyung mudou de posição e perguntou: “Você não sabia?”. E explicou o que Sejin fez durante os dois dias em que Cheon Seju não pôde vir.
— Ele gosta tanto. Enquanto comíamos juntos pedindo a comida de acompanhante, ele parou e começou a explicar de que acompanhamento o chefe gostava, e eu me perguntei o que eu deveria fazer com aquilo. Ontem à noite, como não houve contato do chefe, ele me perguntou se ficava irritado se recebesse ligações durante o trabalho, nossa. Nem sei desde quando ele se importa com essas coisas, fiquei chocada…
Por que eu teria razão para explicar para a mãe dele quais acompanhamentos eu gosto? Cheon Seju também ficou chocado e riu enquanto ouvia as palavras de Kim Hyunkyung.
— De qualquer forma, chefe, caso algo aconteça comigo.
— Não diga tais coisas. Os médicos que tratam de Kim Hyunkyung-ssi são os melhores médicos do país. Fazer tais suposições e ter tais pensamentos também não é bom para o tratamento. Não tenha pensamentos ruins.
Então, quando Kim Hyunkyung disse isso baixando a voz de repente, Cheon Seju interrompeu suas palavras. Ele não queria ouvir tal história de Kim Hyunkyung. Ele não queria pensar em um futuro em que Sejin fosse infeliz. A isso, Kim Hyunkyung riu casualmente e acenou com a mão.
— Ah, nossa, eu sei. Eu já estou pensando em ter alta e mandar Sejin para o exército, então. É só para você saber.
No entanto, Kim Hyunkyung era Kim Hyunkyung. A mãe de Kwon Sejin, a personificação da teimosia. Como se quisesse dizer o que queria, não importa o que ele dissesse, Kim Hyunkyung acabou confessando a ele o que queria dizer.
— Outros seguros foram todos cancelados por causa daquele homem, Kwon Yongbum, mas há um seguro de vida que fiz de novo. Foi feito através de um conhecido logo depois que fui para o Hwahwagak, então, como pago apenas uns 30 mil won por mês, o valor do seguro é de apenas 100 milhões de won, mas isso é suficiente para Sejin conseguir uma casa para morar sozinho… então, por favor, cuide disso.
— Não há chance de você morrer, então não há necessidade de cuidar desse dinheiro.
— A seguradora é a Seoil e o beneficiário está designado como Sejin. Mas, caso aquele canalha Kwon Yongbum ouça de algum lugar e apareça tentando tirar… Certifique-se de que Sejin receba. Se Kwon Yongbum realmente aparecer, você pode bater nele…
Ouvindo isso, fiquei chocado. Cheon Seju riu ao ver Kim Hyunkyung, que estava revelando seus desejos secretamente. Logo, como se não houvesse escolha, ele assentiu.
— Entendido. Caso eu o encontre, farei com que ele não consiga agir como um ser humano.
A essa fala, Kim Hyunkyung também riu, como se fosse engraçado. E naquele momento, drrr… a porta do quarto se abriu de repente e Sejin apareceu. Sejin, que estava com o rosto muito mais carrancudo do que quando saiu, olhou para Cheon Seju e para sua mãe, alternadamente, com os olhos arregalados.
— O que é tão engraçado?
— Xingando você.
— …
Cheon Seju respondeu assim, com o rosto ainda sem esconder o riso, ao que Sejin perguntou com biquinho. Sejin voltou instantaneamente com o rosto cheio de insatisfação e estufou as bochechas. Ele olhou para Cheon Seju com os lábios esticados e uma bochecha saliente, e logo soltou um bufo, aproximou-se e entregou-lhe o café. Sejin então tirou um copo de papel do porta-copos e colocou-o na mesa ao lado da cama de Kim Hyunkyung.
— Algum chá de rooibos? Ou algo assim. Disse que pode beber depois que esfriar, então beba amanhã quando o jejum acabar.
— Deve ser rooibos.
— Tanto faz!
Com a correção de Cheon Seju, Sejin gritou com as bochechas vermelhas. Kim Hyunkyung olhou para o filho com a expressão de “Nossa, a quem ele puxou para ser tão estúpido”, e suspirou ao perceber mais uma vez que ele era exatamente como ela.
Sejin esticou os lábios com insatisfação e sentou-se ao lado de Cheon Seju. Ele grudou ao lado dele e pegou sua própria bebida, mas havia um milk-shake com todos os tipos de coberturas e molhos misturados em um copo plástico que era duas vezes maior que o copo de Cheon Seju.
Só de olhar parecia ter muitas calorias, mas Sejin costumava beber dois copos desses em sequência ultimamente e ainda ficava querendo mais. Cheon Seju bebeu café lentamente e estimou a altura de Sejin, se ele cresceria mais do que isso.
Assim, o curto chá da tarde terminou e, ao cair da noite, as luzes da ala começaram a se apagar. Como Cheon Seju chegou tarde depois de estar no estúdio, já fazia muito tempo que o horário do jantar tinha passado. Como os pacientes costumam dormir cedo e acordar cedo, era hora de voltar para casa.
— Vamos.
— Eu vou dormir aqui.
Sejin respondeu como se estivesse esperando pelo pedido de ir para casa. Ao ver isso, Kim Hyunkyung encontrou os olhos de Cheon Seju como se dissesse para olhar para ele. Até agora, ele deixava Sejin fazer o que queria, mas como agora Cheon Seju achava que ele deveria enviá-lo de volta à rotina, ele decidiu concordar com Kim Hyunkyung. Como era óbvio que ele resistiria se mencionasse diretamente o cuidador, Cheon Seju decidiu que primeiro precisava tirar Sejin de lá e olhou para ele:
— Vamos juntos. Não consigo dormir sem você.
— …
Diante da fala repentina, Sejin arregalou os olhos e olhou para Cheon Seju. Sentindo que o rosto rabugento de Sejin estava corando, ele continuou:
— Pensando apenas nas suas notas nos simulados, parece que deveria te deixar trancado em casa para estudar, mas como não posso, não consigo dormir. Vá para casa e durma hoje para trazer pelo menos o caderno de exercícios.
— …
Com as palavras seguintes, Sejin fechou a boca com um rosto de frustração. Ele apertou com força o copo com a bebida, fazendo o milk-shake transbordar pelo canudo. Lambendo isso, Sejin encarou Cheon Seju. Cheon Seju o apressou.
— Levante-se rápido. De qualquer forma, Kim Hyunkyung-ssi não tem compromissos amanhã, então você pode ficar ausente por um tempo.
— Certo. Vá logo, vá. Estou morrendo de cansaço.
Kim Hyunkyung concordou com as palavras de Cheon Seju. Sejin olhou para os dois, que combinavam perfeitamente, e logo suspirou e levantou-se. Como sabia que Kim Hyunkyung não gostava que ele ficasse perdendo tempo no quarto, ele planejava trazer pelo menos o caderno de exercícios e fingir estudar, como ele disse. Sejin entrou no banheiro, pegou a pilha de roupas sujas que havia reunido e seus pertences. Antes de sair do quarto com Cheon Seju, ele olhou para Kim Hyunkyung e pediu várias vezes:
— Mãe, se acontecer alguma coisa, ligue imediatamente.
— Chefe, dirija com cuidado.
— Sim, descanse.
— Ligue, hein!
— Ah, tá bom.
Deixando Kim Hyunkyung, que acenava com a mão como se estivesse incomodada, para trás, Sejin fechou a porta do quarto. Seus passos eram pesados. No entanto, consciente de Cheon Seju ao seu lado, Sejin esforçou-se para caminhar. Durante esse tempo, Sejin passava em casa durante o dia para fazer as tarefas domésticas e voltava para o hospital, então caminhava ao lado de Cheon Seju, sentindo-se estranho.
Tarde da noite, Sejin, que entrou no elevador vazio, lambeu os lábios ao ver as costas do homem parado um pouco à sua frente. Cheon Seju, que ele via depois de muito tempo, ainda era bonito até nas costas. Com o olhar fixo no pescoço liso dele, Sejin pensou que queria tocá-lo.
— Ei.
No meio disso, Sejin recuperou a consciência com o chamamento descuidado que ouviu de repente. O elevador, que chegou ao estacionamento subterrâneo não sabia quando, estava com a porta escancarada.
— Não vai descer?
À pergunta de Cheon Seju, Sejin franziu a testa, disse “Desço”, e desceu do elevador seguindo-o. Enquanto perseguia Cheon Seju, que ia em direção ao carro com muitas bagagens, ele estufou as bochechas com um desagrado que surgiu de repente. Por que “ei” quando tem um nome normal, de repente pensou isso. Sejin não hesitou e disse a Cheon Seju:
— Não me chame de “ei”.
À palavra que Sejin soltou de repente enquanto o seguia, Cheon Seju virou a cabeça e olhou para ele, como se perguntasse do que ele estava falando. Encarando seu rosto bonito banhado de cansaço, Sejin disse novamente:
— Não me chame de “ei”. Eu também chamo bem o seu nome de Cheon Seju, por que você é assim?
— …
Cheon Seju, que estava abrindo a porta do banco traseiro para carregar a bagagem, virou-se para ele com um rosto absurdo. Ele piscou os olhos calmamente, pegou a bolsa de roupas que estava nos braços de Sejin e perguntou:
— Você não acha que esse é o problema?
— O quê? O que é o problema.
— Você não acha que é errado uma criança que ainda nem secou o sangue da cabeça chamar o mais velho de Cheon Seju, Cheon Seju? Entre.
Ele carregou a bolsa de roupas e fechou a porta, abriu a porta do passageiro e empurrou Sejin para dentro. Sejin, que foi enfiado para dentro como se estivesse sendo amassado por suas mãos, ficou sentado com um rosto rabugento, e assim que Cheon Seju se acomodou no banco do motorista, respondeu:
— Chamo o nome que está aí para ser chamado, o que tem de errado?
— Sim… Kwon Sejin.
— Não brinque.
— Que brincadeira o quê. Como sua mentalidade é como a de um ocidental, vou te chamar assim.
— …
Sejin estufou as bochechas com rabugice. Agora ele era maior que ele, mas era fofo agindo assim. Cheon Seju apagou o pensamento absurdo de que queria morder aquela bochecha e deu ré no carro. Enquanto ele estava pagando a conta com a máquina na entrada do estacionamento, Sejin, que não desistiu, disse-lhe:
— De qualquer forma, não me chame de “ei”. Fico de mau humor.
— Ah, sim. Você ficou de mau humor porque eu te chamei de “ei”?
Cheon Seju perguntou de volta soltando uma risada baixa. Ele pensou um pouco enquanto virava à direita em direção à casa e, como se achasse muito engraçado, virou-se para Sejin novamente e curvou os olhos. Sejin, que já tinha 19 anos, mas expressava seus sentimentos tão honestamente, parecia muito jovem. Não, na verdade ele era jovem mesmo. Cheon Seju riu enquanto olhava para Sejin, que era 12 anos mais novo que ele, e perguntou-lhe:
— Quer que eu te chame de “bebê”?
— …
— Bebê, é perfeito.
Estou zangado. Expressar seus sentimentos dessa forma era uma linguagem infantil de jardim de infância. Assim que esse pensamento surgiu, chamei-o de bebê e Sejin me encarou, franzindo os olhos ferozmente. O rosto claro, a linha do queixo ainda sem vestígios de barba, a estrutura óssea bonita e até as ações. Por que Kwon Sejin parece tão jovem? Pensando nisso, Cheon Seju sorriu.
— Sejin bebê. Vamos para casa e estudar.
— Não faça isso.
— A casa está uma bagunça porque não tem o bebê. Se o bebê for para casa depois, pode xingar o irmão.
— Eu disse para não fazer isso!
Sejin, que ficou com as bochechas vermelhas por causa da ladainha de bebê de Cheon Seju, gritou. Cheon Seju acabou não conseguindo se segurar e soltou uma gargalhada ao ver Sejin abrindo a janela e virando a cabeça enquanto bufava. Com aquele riso límpido, difícil de ouvir, Sejin desviou o olhar que tinha lançado para fora e espiou Cheon Seju.
O rosto sempre frio estava relaxado de uma forma agradável. A figura dele, com os lábios entreabertos e rindo em voz alta, era muito bonita e legal. Não, na verdade não era apenas legal. A figura de Cheon Seju rindo tinha um lado que fazia o coração disparar. Só o fato de que o rosto, sempre rígido de frio, parecia feliz, era o suficiente para fazer o coração de Sejin explodir.
— De qualquer forma, não faça…
Sejin, que ficou sem fôlego, disse isso com uma voz que se tornou silenciosa. Cheon Seju sentiu o olhar que o observava atentamente depois de rir por um bom tempo e fechou a boca. Ele, que voltou a ter uma expressão fria e séria, verificou o sinal e pisou no freio enquanto dizia:
— Entendido. Não vou te chamar de “ei” nem de “bebê”.
— Sim.
— Então, “baby” pode ser? Já que você é uma pessoa ocidental.
— Cheon Seju!
Uma vez que ele aceitou, a brincadeira não tinha fim. Com a palavra “baby”, que me deu arrepios só de ouvir, Sejin gritou novamente e ficou irritado. Então Cheon Seju disse “entendido, entendido” e riu novamente.
Depois que sua mãe foi internada no hospital, as brincadeiras de Cheon Seju aumentaram. Como Sejin sabia que era para aliviar seu humor deprimido, ele sentia uma gratidão infinita por Cheon Seju. No entanto, ainda era um fato que ele ficava irritado quando ele dizia coisas tão absurdas.
Sejin não queria parecer uma criança para o homem que ele gostava. Qual é a diferença de idade, para me tratar como um bebê? Na verdade, ele nem sabia qual era a diferença de idade, mas, de qualquer forma, isso não importava. A idade era apenas um número. De qualquer forma, Sejin, que odiava ser tratado como criança, fechou os lábios com força e ignorou sua brincadeira de forma adulta.
Enquanto Sejin estava assim, o carro estava ficando cada vez mais perto de casa. Cheon Seju, que dirigia mais devagar que o normal e calculava o tempo, abriu a boca quando julgou que o humor de Sejin tinha melhorado um pouco.
— Vamos contratar um cuidador, Sejin.
— …O quê?
Sejin, que estava com o queixo apoiado na porta, virou a cabeça bruscamente e ergueu os olhos. Então Cheon Seju estendeu a mão e segurou seu braço esquerdo. Sejin olhou para a mão áspera de Cheon Seju, que o pressionava com um pouco de força como se dissesse para se acalmar, e logo soltou um suspiro e perguntou-lhe de volta:
— Cuidador?
— Sim. Acho que seria melhor.
— …Você não lembra de ter visto o noticiário?
Cheon Seju sabia exatamente do que Sejin estava falando. Coincidentemente, recentemente no noticiário, foi relatado que um cuidador que trabalhava em uma instalação de cuidados abusou de um idoso. Sejin, que não costumava olhar nem para o noticiário em tempos normais, viu isso enquanto estava no quarto com Kim Hyunkyung, e depois disso ele rejeitou o cuidador que nem tinha contratado, tratando-o como um criminoso odioso. Graças a isso, ele nem tinha pensado em usar um cuidador até agora.
Cheon Seju assentiu lentamente e explicou:
— Lembro. Sei. Mas não é como se todas as pessoas fossem assim. Foi para o noticiário porque era uma pessoa particularmente má.
— Claro que nem todas as pessoas são assim!
Sejin não era idiota. No entanto, o que ele estava preocupado era a possibilidade. Ela pegou câncer de pâncreas, algo que outras pessoas nem pegam, então não havia lei que dissesse que um cuidador não pegaria uma pessoa assim.
— Mas e se uma pessoa assim se tornar cuidadora da minha mãe por acaso? Então não quero, eu vou fazer. Eu consigo fazer.
Sejin se recusou categoricamente e virou a cabeça. Ao ver ele cruzando os braços como se não quisesse mais conversar só porque ele disse uma palavra, Cheon Seju franziu a testa. Pensando por um momento nesse estado, ele soltou as palavras para convencer Sejin.
— Agora você também sabe que me formei em medicina. Também fiz estágio e residência no Hospital da Universidade Coreana, onde sua mãe está, então, sobre pacientes, eu sei muito melhor que você.
— …E daí.
— Sabe o que é mais importante para o paciente? É ter a mente tranquila. É importante estar em um estado em que possa se concentrar apenas no tratamento sem pensar em nada. Só assim a quimioterapia é eficaz e a recuperação é rápida. Mas se você estiver assim no hospital, como vai estar a mente da sua mãe?
Ele não queria fazer isso, mas para tirar Sejin do hospital, era necessário fazê-lo perceber que sua existência não era apenas uma ajuda para sua mãe. Como não era uma coisa boa de ouvir, Sejin imediatamente ficou com os olhos avermelhados e aumentou o tom de voz.
— O que eu…!
— Sei que você se esforça. Sua mãe também sabe, e as enfermeiras da ala também sabem. Ouvi várias vezes dizerem que não existe filho filial como você no mundo. Mas agora não é só isso que você precisa fazer. Faltam menos de 3 meses para o vestibular.
— Você me pediu para ir para casa só para dizer isso agora? É a mamãe que diz? Sua mãe pediu para você me mandar para a escola?
O final da frase era afiado. Sejin perguntou isso olhando para Cheon Seju com uma expressão como se tivesse sido traído. Seus olhos ficaram úmidos. Com uma expressão como se fosse chorar a qualquer momento, Sejin estava com raiva dele. Cheon Seju baixou lentamente a mão e segurou a mão de Sejin. Com os dedos entrelaçados como se o consolasse, ele acariciou as costas da mão dele com o polegar e disse:
— Sim, é verdade que sua mãe pediu. Mas pense bem. Se você estragar o vestibular enquanto faz isso, o que você acha que sua mãe vai pensar? Ela vai pensar, ah, nosso Sejin deve ter achado o teste muito difícil? Você sabe que não é assim. Ela vai pensar, ela vai pensar que ela ficou doente por nada e deixou meu filho, que nem pôde estudar, ficar preso no hospital, estragando o teste. Você conhece bem a personalidade da sua mãe. Sua mãe, mesmo sendo doloroso estar doente, se você fizer disso um sentimento de culpa, o que você vai fazer?
— Mamãe… Mamãe…
A voz de Sejin, que murmurava, parou. Cheon Seju continuou falando enquanto olhava para ele, que soltava respirações pesadas com os lábios firmemente fechados.
— Enquanto estiver no hospital, você precisa tomar banho, mas você não pode ajudar com isso, não é? Mesmo que Kim Hyunkyung-ssi diga que pode cuidar sozinha, não seria muito mais confortável se houvesse alguém para ajudar ao lado? Agora é porque não há quem ajude, mas se houvesse quem ajude, obviamente não seria mais fácil e confortável para passar o tempo?
— …
— E pense. Existe algum dia em que você não brigou com sua mãe enquanto esteve com ela nos últimos dias?
Quando Cheon Seju foi lá, Kim Hyunkyung também estava brava com Sejin. Como era uma situação que durava dias, Sejin não conseguiu dizer nada diante da observação de Cheon Seju. Lágrimas caíam, gotejando de suas bochechas, que ele mordia com raiva. Como se estivesse frustrado por não poder ajudar sua mãe, Sejin não conseguia esconder seu aborrecimento.
— Vou procurar alguém com uma idade parecida com a da sua mãe. Então, os assuntos de conversa um do outro combinarão bem, e não seria ótimo? Vou procurar uma boa pessoa para que você não precise se preocupar, então agora deixe sua mãe aos cuidados do cuidador e vamos para a escola. Certo?
Sejin, que limpou as bochechas violentamente com a mão direita, que não estava segurando a mão, levantou os olhos avermelhados e olhou para Cheon Seju. De repente, os dois entraram no estacionamento. Cheon Seju, que estacionou o carro em seu lugar, desligou o motor e virou-se para Sejin.
— Você vai fazer assim?
— …
Sejin baixou a cabeça em silêncio. Estava suando na palma da mão que segurava com força. Cheon Seju percebeu que ainda estava segurando a mão de Sejin e tentou tirar o braço, mas Sejin não o soltou. A mão direita, molhada com as costas úmidas, cobriu as costas da mão de Cheon Seju. O que acalmava Sejin era apenas Cheon Seju. Até agora, na situação que ele não queria acreditar, apenas Cheon Seju estava servindo de consolo para ele.
Sejin manteve o silêncio com a mão sobre a mão dele, e só depois de muito tempo abriu a boca.
— …A mamãe pode melhorar?
— Que pergunta óbvia.
Cheon Seju respondeu sem nem pensar. A taxa de sobrevivência de 5 anos para o câncer de pâncreas estágio 3 era de 10%. No caso do Centro de Oncologia do Hospital da Universidade Coreana, era pouco mais de 15%, mas certamente era uma taxa muito baixa para ser otimista sobre a sobrevivência. No entanto, era uma afirmação de que, se tratados, 15 em cada 100 pessoas viveriam mais de 5 anos. Cheon Seju não tinha dúvidas de que ela seria essa pessoa. Comparada a outros pacientes, Kim Hyunkyung era jovem e não tinha metástase.
— Como ela vai melhorar, naturalmente vai ser assim, então não se preocupe e pense apenas em fazer o vestibular. Não há nada tão bom quanto fazer os pacientes sorrirem. Se você for bem no teste, isso é o mesmo que ajudar no tratamento da sua mãe.
— …
Diante das palavras de Cheon Seju, Sejin acabou assentindo lentamente. Ele, que parou de chorar, levantou a cabeça. Os olhos vermelhos, que estavam úmidos, encaravam Cheon Seju atentamente. Sejin pensou, sentindo o calor de Cheon Seju que ele sentia através das mãos dadas.
Por que Cheon Seju é tão gentil? Por que essa pessoa se importa tanto comigo?
Ele era o primeiro homem adulto que Sejin conheceu na vida. Os homens que ele conheceu antes eram bestas em forma de homem, sobre as quais não fazia sentido chamar de adulto. Sejin de repente pensou em como teria sido se Cheon Seju tivesse entrado em sua vida um pouco mais cedo. Definitivamente, não teria sido como agora.
— …Como teria sido se uma pessoa como você fosse meu pai?
Um pensamento profundo se tornou uma pergunta. Sejin fechou a boca novamente porque achou a pergunta estranha depois de pronunciá-la. E parecia que Sejin não foi o único que sentiu isso.
— Não diga coisas terríveis, 21º lugar.
À fala de Cheon Seju, que riu franzindo os olhos, Sejin desviou o olhar. Não era que Sejin realmente quisesse ser família com Cheon Seju. Mas era algo que valia a pena pensar pelo menos uma vez. Se uma pessoa como Cheon Seju fosse meu pai. Se um homem tão responsável, gentil e legal como aquele fosse meu pai… Será que minha mãe e eu teríamos vivido felizes?
Pensando nisso, parecia que ele estava lembrando de como Cheon Seju era uma boa pessoa. Sejin, que levantou a cabeça lentamente, encontrou Cheon Seju, que o olhava silenciosamente e sorria, e de repente sentiu um aperto no peito.
Eu gostava muito de Cheon Seju. Mas, toda vez que ele percebia esse sentimento, seu interior ficava confuso. Ele se sentia patético por pensar em segurar a mão de Cheon Seju mais uma vez enquanto sua mãe estava doente. Era terrível que ele estivesse animado com o sorriso dele, quando não tinha tempo suficiente para ficar triste com o sofrimento de sua mãe.
Tudo bem fazer isso? Com o sentimento de culpa aumentando, Sejin desviou o olhar dele. Ele sentia que não deveria inserir nenhum sentimento no meio da tristeza.
Depois de contratar o cuidador, Sejin ia para a escola em Gangdong-gu com Cheon Seju de manhã e passava no hospital antes de ir para casa por vários dias. Era porque Sejin estava muito ansioso, pois não conseguia se acalmar, mesmo tendo chamado o cuidador. No entanto, depois de conversar algumas vezes com a cuidadora, que era gentil e cheia de energia, e descobrir que ela se dava bem como amiga com sua mãe, Sejin também diminuiu sua preocupação. Três dias depois de sair do hospital, ele decidiu passar no hospital apenas às terças, quintas e nos finais de semana.
Assim, chegou o fim de semana em que os dois passaram tempo juntos pela primeira vez em muito tempo, depois que Kim Hyunkyung desmaiou. Como Sejin ficou no hospital por várias semanas, Cheon Seju sentiu o cheiro de comida vindo da cozinha um pouco estranho na tarde em que o sol estava alto.
Graças à sua condição não muito boa, não era fácil levantar-se. Cheon Seju deitou-se na cama, apertou e soltou as mãos trêmulas, e tentou adivinhar que tipo de acompanhamento Sejin estaria fazendo na cozinha. O cheiro de óleo de gergelim era saboroso. Será que ele temperou ervas? Pensando nisso, ele abriu a porta e saiu, e Sejin o viu e virou-se ao sentir sua presença.
— Lave-se e coma.
Sejin, vestindo um avental, disse isso a ele enquanto mexia na panela com os hashis. Cheon Seju, que ainda estava sonolento mesmo depois das 12h, apenas olhou para Sejin, que estava longe, em pé na sala de estar. A parte de trás do avental, que servia perfeitamente em seu corpo pequeno, estava aberta. Como ele cresceu tanto que não conseguia grudar o velcro, era uma forma que Sejin parecia estar preso no avental. Cheon Seju, que riu sozinho ao ver aquela cena, moveu-se tardiamente depois de receber o olhar de Sejin, que o encarava como se perguntasse o que ele estava fazendo sem se lavar. Ao entrar no banheiro e sair depois de lavar-se levemente, Sejin estava colocando a comida na hora certa.
Cheon Seju tirou duas garrafas de água da geladeira, colocou-as sobre a mesa e sentou-se em frente a Sejin. Durante os dias úteis, ele costumava fazer refeições leves com milk-shake pela manhã, mas nos fins de semana ele costumava acordar tarde e almoçar. Graças a isso, Sejin também se preocupava mais em preparar a mesa do almoço no fim de semana, então a mesa estava farta pela primeira vez em muito tempo.
Batata cozida grande que Cheon Seju gosta, ervas temperadas, alga marinada e gungchae que Sejin gosta. Está cheio de acompanhamentos feitos diligentemente ao acordar cedo. Cheon Seju esvaziou metade da garrafa de água e pegou os hashis.
— Vou comer bem.
— Sim.
Sejin olhou de relance para Cheon Seju e levantou a colher. Ele pegou uma colher cheia de arroz branco, colocou na boca e mastigou os acompanhamentos com avidez. Se você olhar apenas para as ações, era uma refeição de combate, mas a aparência de comer era boa, talvez porque ele não fizesse barulho. Vendo as bochechas brancas estufarem e desaparecerem, Cheon Seju também mastigou a comida lentamente.
Quando Sejin esvaziou a segunda tigela de arroz e estava prestes a servir a terceira, Cheon Seju mal tinha esvaziado meia tigela e pousou os hashis. Bebendo água e apoiando o queixo na mesa de jantar, ele olhou fixamente para Sejin, que parecia estar com fome mesmo tendo comido duas tigelas de arroz, e disse:
— Teria que comprar um avental novo. Estava muito pequeno.
— Está perfeito, para que comprar. Não é desconfortável. Pode usar mais.
— Quer que eu compre um com renda? Acho que combinaria bem.
— …
Diante da voz brincalhona, Sejin parou de comer e ergueu os olhos. Cheon Seju sorriu para ele em silêncio, sentindo que os olhos afiados como de um gato estavam o encarando. Sejin não reagiu.
— Pare de falar bobagem e coma mais.
Sejin tinha um aspecto mais rabugento que Cheon Seju de várias maneiras. Como odiar falar enquanto come, ou detestar brincadeiras desnecessárias. De certa forma, parece que ele tem pouca sociabilidade porque não tem amigos… Será que ele não tem amigos porque não tem sociabilidade?
Enquanto Cheon Seju o observava vagamente, analisando a razão pela qual Sejin não tinha amigos, Sejin de repente ergueu a cabeça com o rosto vermelho.
— Pare de olhar tanto. Você quer que eu engasgue?
— Estou olhando porque você está na frente, por que se importa tanto. Coma.
— Então vá para longe. Por sua causa, não sei por onde a comida está descendo.
— Você também sabe dizer esse tipo de coisa?
Não saber por onde a comida desce. Não é uma frase baseada em um provérbio à sua própria maneira? Cheon Seju, achando Sejin admirável, estendeu a mão e afagou seu cabelo. Sejin esqueceu de ficar irritado, baixou os olhos e deixou que ele afagasse seu cabelo, e quando Cheon Seju baixou a mão, ele fez um gesto com o queixo para o sofá.
— Vá para longe.
Cheon Seju, que acabou sendo expulso, levantou-se do assento. Ele entrou no banheiro, escovou os dentes, deitou-se no sofá e levantou o celular. E olhou vagamente para a data.
14 de setembro, véspera do aniversário de morte de Hyein. Ao lembrar desse fato, seu estômago ficou embrulhado e ele teve dor de cabeça. Cheon Seju pressionou a testa com as pontas dos dedos trêmulas e virou-se para o lado da TV.
Já faz algum tempo desde que Hyein morreu, mas ele nunca tinha feito um ritual ou rezado por ela até agora. Não era porque ela havia violado a doutrina católica e tirado a própria vida. O motivo de ele não ter rezado, mesmo podendo, era a culpa que ele carregava. Ele não era uma pessoa tão cara de pau a ponto de rezar por ela vivendo uma vida que ela menos desejaria.
Portanto, Cheon Seju escolheu esquecer o aniversário de morte dela e deixar passar, mas não era algo que simplesmente acontecia. Para suportar esse período, ele geralmente bebia ou encontrava Doyoon. Foi assim no ano passado, e no ano retrasado, então este ano também seria da mesma forma.
Kang Doyoon
Estou na casa da minha irmã agora, volto para casa à noite! Você quer vir para casa? XD
12:59
Parecia que seria melhor encontrar Doyoon à noite e passar o tempo até a manhã de segunda-feira. Cheon Seju enviou uma mensagem de resposta dizendo para se encontrarem no hotel e colocou o celular de lado de qualquer jeito.
Ao levantar a cabeça, Sejin, que tinha terminado de comer, estava limpando a mesa de jantar. Cheon Seju levantou-se do assento depois de vê-lo até mesmo lavar e pendurar o pano de prato.
— Vai direto para o hospital?
— Não, a mãe disse que está brincando com as tias na sala de descanso, então vá na hora do jantar mais tarde.
— Certo. Então vamos nos exercitar depois de uma hora.
— Exercício?
Às palavras de Cheon Seju, Sejin estreitou os olhos furtivamente. Em julho, ele ainda se exercitava bastante. A hora do exercício dos dois, que levava o nome de educação em autodefesa, era na verdade mais próxima de luta livre na perspectiva de Sejin, mas Cheon Seju o ensinava mais seriamente do que pensava. Durante esse tempo, Sejin também aprendeu como afastar o oponente que agarrou seu colarinho, e como subjugar o oponente depois de apanhar um golpe sem doer para não se tornar agressão unilateral.
No começo, ele sentia resistência, perguntando onde ele usaria esse tipo de coisa enquanto apenas apanhava de Cheon Seju, mas depois que começou a aprender como lidar com a violência, Sejin também costumava gostar daquele tempo. Mas o problema era que havia contato excessivo com Cheon Seju enquanto se exercitava, e ele não tinha confiança para reagir a esse contato como se nada tivesse acontecido.
— Faça. Tem que fazer. Se não fizer, logo vai esquecer.
Como Sejin hesitava, Cheon Seju disse isso com um tom firme e virou-se. Ao vê-lo deitar-se no sofá novamente, Sejin acabou não conseguindo dizer que não queria. Assim como ele não queria ser pego por Cheon Seju em sua reação física, ele queria tocar nele.
Sejin terminou a limpeza da cozinha rapidamente e voltou para seu quarto. Ele precisava fazer a digestão antes de se exercitar, e também…
— Ha…
Sejin, que fechou os olhos com força, soltou um suspiro com a cabeça encostada na porta.
Segundo sua mãe, um homem deve ser recatado e afetuoso. Felizmente, Sejin era um homem muito recatado. Ele nunca tinha segurado a mão de outra mulher ou homem, e era raro ter conversado adequadamente com outras pessoas. A sociabilidade excessivamente baixa não é algo para se orgulhar, mas, de qualquer forma, não é assim que deve ser? Sejin pensou positivamente.
Embora a mente de Sejin fosse recatada, seu corpo, por outro lado, era cheio de energia. O que Cheon Seju pensaria se ele ficasse ereto durante o sagrado horário de exercícios? Sem querer ser tratado como um pervertido, Sejin entrou apressadamente no banheiro, pensando que não podia mostrar aquela cena para Cheon Seju. Ele fechou a porta do box de banho para que o interior não fosse visto mesmo com a porta do banheiro aberta, ligou a água quente para obscurecer a visão e então liberou toda a energia acumulada em seu corpo.
Quando terminou, a uma hora que Cheon Seju mencionara já estava quase chegando. Sejin saiu depois de lavar o corpo cuidadosamente para não deixar cheiro. Diante do espelho, alisou as bochechas coradas algumas vezes, vestiu uma camiseta de manga curta e calças de treino compridas e saiu do quarto.
— O que você estava fazendo, tomando banho por uma hora?
— …
Quando ele entrou na sala com colchonetes, Cheon Seju estava se alongando enquanto recebia o vento do ar-condicionado. O olhar de Sejin foi direto para o abdômen exposto dele.
— Por que… por que você está sem camisa?
O corpo firme estava coberto apenas por uma calça. Diante da pergunta confusa de Sejin, Cheon Seju olhou brevemente para o próprio tronco e deu de ombros.
— Estava suado depois de treinar no quarto ao lado e tive preguiça de trocar de roupa.
Do quarto com os equipamentos de exercício até o quarto de Cheon Seju, não levava nem um minuto. Trocar de roupa e voltar levaria apenas dois minutos, mas o fato de ele estar sem camisa por pura preguiça irritou Sejin.
O ressentimento surgiu em Sejin ao sentir que Cheon Seju, que gosta de homens, agia sem nenhum cuidado na sua frente, como se isso significasse que ele nunca o veria como um pretendente amoroso. Com as bochechas estufadas e uma expressão de desagrado, Sejin olhou para ele e perguntou:
— Se você tem preguiça até disso, como é que você come e respira?
— Pois é. Será que devo encomendar um respirador de oxigênio?
— …
Irritado com a resposta relaxada dele, Sejin suspirou e levantou os braços. Com um movimento brusco, ele tirou a camiseta que estava vestindo e a jogou em Cheon Seju. Cheon Seju pegou a peça no ar, franziu a testa e fez uma cara de quem perguntava o que ele queria dizer com aquilo.
— Vista isso.
— Você… está confiante?
Cheon Seju, com uma expressão de descrença, riu e examinou o corpo de Sejin de cima a baixo. Com aquele olhar explícito, foi como se um incêndio tivesse começado dentro dele. Sejin pensou que três vezes não seriam suficientes, virou o rosto com as bochechas vermelhas e respondeu em tom ríspido:
— Não quero ver o corpo de outra pessoa.
— Isso é mania de limpeza, sabia?
— Se sabe, então vista.
Ele disse a primeira coisa que lhe veio à mente, mas, felizmente, a desculpa pareceu funcionar. Isso porque ele já havia dado sermão em Cheon Seju várias vezes, dizendo que era repulsivo e que ele deveria andar vestido.
Sejin olhou para Cheon Seju, que estava vestindo sua camiseta, com um olhar trêmulo, mas logo se virou e correu para o seu quarto. Ele pegou uma camiseta nova, vestiu-a, voltou para a sala com colchonetes e, de costas para ele, começou a se alongar. Cheon Seju riu como se achasse tudo aquilo um drama desnecessário, levantou-se e ajustou o ar-condicionado. Ele aumentou a temperatura e diminuiu a intensidade do vento para que Sejin não ficasse com frio e, logo depois, ficou de frente para Sejin, que havia terminado o alongamento.
— Eu te disse da última vez. O que você deve fazer se alguém armado com uma faca te atacar?
— Você disse para fugir.
— Sim. Você sabe bem.
Cheon Seju deu um sorriso fraco e tirou uma faca de plástico do armário. Sejin olhou para a faca de plástico na mão dele com os olhos semicerrados. Ele não sabia o quanto se sentiu absurdo quando Cheon Seju disse que o ensinaria a lidar com alguém armado pela primeira vez. No entanto, quando ele perguntou o que diabos ele estava tentando ensinar, Cheon Seju respondeu que, vendo as notícias ultimamente, não faltavam malucos por aí. Depois de ver centenas de notícias sobre ataques com armas brancas que ele encontrou e mostrou, Sejin não teve escolha a não ser aceitar o ensinamento.
Mas isso não significava que os dois lutavam com facas todos os dias. Cheon Seju geralmente ensinava técnicas leves de autodefesa nas manhãs de dias úteis e como lidar com um oponente armado nos fins de semana. No entanto, como não faziam exercícios desde que Kim Hyungkyung adoeceu, aquela era a primeira vez em um mês que ele via a faca. Sejin engoliu em seco e encontrou o olhar de Cheon Seju, que se aproximava.
— Mas as situações não são iguais todos os dias. Você pode estar em um beco, ou pode não ser fácil fugir. Ou talvez a pessoa já esteja perto de você.
Cheon Seju disse isso e foi para trás de Sejin. Foi no momento em que ele sentiu a respiração dele no pescoço. O peito de Cheon Seju encostou nas costas de Sejin, e o braço passado por cima de seu ombro foi colocado sob o queixo de Sejin. Sejin, confuso, prendeu a respiração.
— O que você vai fazer se eu te pegar por trás como um refém? E se eu tentar te levar para um lugar escuro?
A faca que ele segurava tocou o lado esquerdo do pescoço de Sejin. Mas ele não conseguia se concentrar nisso. Sejin fechou a boca, consciente do calor de Cheon Seju encostado em suas costas. Parecia que seu coração ia sair pela boca. Com o perfume do homem parado tão perto dele, sua mente estava girando.
— Kwon Sejin, eu perguntei o que você vai fazer! Você vai morrer?
Como Sejin não dizia nada e permanecia imóvel, Cheon Seju o pressionou, perguntando. Sejin finalmente recuperou a consciência e engoliu em seco. Ele limpou a garganta e respondeu:
— Eu me rendo. Faça o que quiser.
— Você enlouqueceu.
Quem ficou sem palavras com aquela resposta foi Cheon Seju. Ele deu uma risada de descrença, como se tivesse ouvido a maior bobagem, baixou o braço e foi para a frente de Sejin. Depois de encontrar seu olhar, ele falou como se quisesse que ele ficasse atento:
— Eu não te disse? O momento em que você é sequestrado é a sua única chance de resistir! Uma vez levado, é difícil sair vivo de lá. Tente resistir com todas as suas forças desde a primeira ameaça. E você se rende?
— …
Sejin, que não conseguia absorver bem o que ele estava dizendo, piscou e manteve a boca fechada. Ao ver a área ao redor do pescoço dele, que desviava o olhar, corada, Cheon Seju pensou se ele não tinha apertado o pescoço com muita força, mas logo suspirou e colocou a faca na mão dele.
— Tente você. Eu vou te ensinar o que fazer.
— …Certo.
A faca, com o calor de Cheon Seju ainda presente, foi para a mão de Sejin. Sejin foi para trás das costas de Cheon Seju e ficou lá, assim como ele tinha feito. As costas indefesas de Cheon Seju entraram em sua visão. O cabelo bem arrumado, os músculos trapézios esticados. A camiseta de Sejin não era tão fina quanto as que ele costumava usar, então não dava para ver a tatuagem nas costas, mas era o suficiente para revelar suas escápulas levemente salientes. Sejin olhou para as costas curvas, como se tivessem asas, e deu um passo mais perto dele.
— Passe o braço no pescoço, como eu fiz, e aponte a faca como se estivesse fazendo um refém. Você já viu muito isso em filmes, não viu?
Como Sejin estava hesitante, Cheon Seju explicou para ele. Sejin respondeu um baixo “sim” e passou o braço pelo pescoço dele.
O peito de Sejin encostou nas costas de Cheon Seju, e a bochecha direita dele tocou o interior do braço de Sejin. Sejin baixou o olhar para ver se a ponta da faca que segurava estava apontada para o lado esquerdo do pescoço dele.
Então, algo entrou em sua visão. Ele viu dois pontinhos muito pequenos, um ao lado do outro, que não podiam ser vistos a menos que olhasse bem de perto. Um dia, ele havia beijado aquele local secretamente. Você não deve saber, deve? Sejin baixou a cabeça levemente, ouvindo o som barulhento do seu coração batendo. Seus lábios quase tocaram a linha do pescoço de Cheon Seju.
— Muito bem. Agora veja como eu faço.
No entanto, o contato íntimo foi apenas por um momento. No instante em que Cheon Seju segurou o braço direito de Sejin e inclinou o corpo, o corpo que estava em seus braços escapou, e a faca que Sejin segurava foi voltada para o próprio peito. Ele ficou perplexo com o que aconteceu em um piscar de olhos. Como se tivesse sido um sonho, o corpo de Cheon Seju estava longe dele. Sejin abriu a boca e olhou para Cheon Seju, que havia escapado com uma facilidade tão frustrante. Vendo aquele rosto abobalhado, Cheon Seju franziu a testa e perguntou:
— Você não está se concentrando agora.
— Não… eu estava. Como você fez isso?
— Se estivesse, não teria…
Cheon Seju suspirou, murmurou isso e voltou para os braços de Sejin. Ele puxou seu braço para envolvê-lo em seu pescoço novamente, e depois de avisar Sejin para prestar atenção, ele ensinou novamente como escapar do domínio. Era um método absurdamente simples. Sejin, que não conseguia acreditar, tentou de tudo para evitar que Cheon Seju escapasse, mas mesmo depois de repetir dez vezes, não conseguiu impedi-lo de escapar de seus braços.
— O que é isso?
Com o passar do tempo, o desejo sexual se dissipou e o espírito de resistência aumentou. Sejin, que em pouco tempo estava com uma cara emburrada, olhou para Cheon Seju, que escapava como uma enguia, e perguntou que tipo de truque ele estava fazendo.
— Não faça coisas estranhas.
— O que é coisa estranha? Você ainda não entendeu o princípio? O centro de gravidade mudou. Bem, na verdade… o que alguém com nota 8 em matemática poderia saber?
— Por que esse assunto vem parar aqui?
Com o ataque repentino, Sejin corou e gritou. Querendo ou não, Cheon Seju estalou a língua, levantou o braço de Sejin e o enrolou em volta do próprio pescoço novamente. Então ele segurou os antebraços dele com as duas mãos e retirou o corpo por baixo. Nesse processo, o centro de gravidade mudou de Sejin para Cheon Seju, e a faca não ficou apontada para Cheon Seju, mas para Sejin. Como se não tivesse entendido o princípio simples, Sejin estava com uma expressão perdida novamente. Era como ver um show de mágica.
— Há…
Cheon Seju, ao ver Sejin assim, sentiu uma dor de cabeça. Ele explicou mais de dez vezes, mas como ele não entendia, ele ficou exausto. Ele é humano? Cheon Seju estendeu a mão e deu um tapinha na cabeça pequena de Sejin.
— O que tem aqui dentro, afinal?
— …
Diante do que ele disse enquanto suspirava, Sejin fez um bico. Cheon Seju parou de provocá-lo ainda mais, já que Sejin, apesar de grande, ainda agia como uma criança, e jogou a faca dentro do armário. Ele queria ensinar até que ele entendesse, mas era hora de ir ao hospital. Já fazia muito tempo que o horário de exercícios tinha passado de uma hora.
— Vamos fazer de novo da próxima vez. Primeiro, vá se lavar e saia. Precisamos ir ao hospital.
Mesmo com essas palavras, Sejin não se moveu. Ele ficou parado ali, tentando entender os movimentos de Cheon Seju mudando a direção dos braços, e, como parecia não entender de jeito nenhum, inclinou a cabeça e fez um bico com os lábios. Cheon Seju riu ao ver aquilo e saiu do quarto.
Embora dissessem que ele aprendia rápido se fosse ensinado, já que não era desajeitado, o teimoso Kwon Sejin tinha a tendência de não aprender corretamente até entender o princípio. A falta de memória de Sejin também se devia a isso. Ele tinha dificuldade em memorizar coisas que não entendia. De certa forma, era uma tendência perfeccionista, mas de outra, era um temperamento frustrante.
De qualquer forma, sem energia para gastar mais, Cheon Seju logo foi ao banheiro na sala, tomou banho e saiu. Ele voltou para o quarto de roupão, secou o cabelo e trocou de roupa com mais cuidado do que o habitual. Embora fosse uma roupa que ele tiraria de qualquer maneira ao levar Sejin ao hospital e ir ao hotel, ele ainda preferia mostrar o máximo de cortesia possível.
Quando ele arrumou o cabelo e saiu até com perfume, Sejin, que também tinha trocado de roupa, estava na sala. Sejin, vestindo sua habitual camiseta grossa e calças compridas, endureceu a expressão ao ver Cheon Seju de terno. Cheon Seju, recebendo seu olhar feroz, fez um gesto com o queixo para a entrada, respondendo com um “o quê?”. Sejin ficou parado ali, encarando as costas de Cheon Seju, e logo o seguiu.
— Tem compromisso?
— Sim.
Enquanto calçava os sapatos, Sejin perguntou de repente. Quando ele respondeu casualmente, Sejin, que estava calçando seus tênis, levantou a cabeça. Ele olhou para Cheon Seju com um olhar fixo e perguntou novamente:
— Você vai encontrar aquele tal de Kang Doyun?
— …
Ao ouvir o nome sair da boca de Sejin, Cheon Seju inclinou a cabeça e encarou Sejin. Os olhares se encontraram de perto. Cheon Seju percebeu o interesse excessivo que Sejin vinha demonstrando recentemente e fechou a boca. Um olhar frio varreu Sejin, como se quisesse perfurá-lo. Kwon Sejin não desviou o olhar. Seus olhos pretos estavam voltados para Cheon Seju com uma resistência de origem desconhecida.
— …Não.
— Então?
Naquele momento, Cheon Seju não conseguiu entender por que mentiu. No entanto, ele não estava com vontade de contar a verdade. Diante da pergunta de Sejin, Cheon Seju franziu a testa e ficou calado, mas logo disse a ele:
— Vou beber.
— …Por que de repente?
— Fico irritado só de pensar que você vai receber suas notas do exame.
À resposta de Cheon Seju enquanto abria a porta da frente, Sejin mordeu o lábio. As pontas de suas orelhas estavam tingidas de vermelho por causa da vergonha das notas.
Cheon Seju, que saiu deixando Sejin envergonhado, subiu direto no elevador que já estava no 41º andar. Sejin, que o seguiu com uma cara emburrada, também se acomodou lá dentro, e Cheon Seju olhou para a parte de trás da cabeça redonda de Sejin, que estava parada à sua frente enquanto desciam para o estacionamento subterrâneo.
Já fazia alguns meses que Sejin e Doyun se cruzaram. Desde então, ele não levou Doyun para casa, nem teve motivo para mencionar a história dele na frente de Sejin, então Doyun nunca tinha sido assunto deles. No entanto, ele não esperava que Kwon Sejin ainda se lembrasse do nome de Doyun e o perguntasse especificamente. Cheon Seju não conseguia distinguir se isso era um interesse pessoal de Sejin ou uma curiosidade como coabitante, então apenas encarou a nuca dele. Mas como não encontrava a resposta, ele acabou saindo do elevador sem chegar a uma conclusão.
Os dois, que entraram no SUV, passaram em uma loja de departamentos antes de ir ao hospital. Era para comprar lanches para Kim Hyungkyung e outros pacientes. Normalmente, ele não olharia para lanches tão caros, mas depois que ela adoeceu, Sejin queria dar apenas coisas boas para Kim Hyungkyung. Graças a isso, o dinheiro que ele economizou ao receber de Cheon Seju estava diminuindo pouco a pouco, mas ele não se importava.
Enquanto Cheon Seju comprava café em um café em um canto da loja de departamentos, Sejin pensou profundamente e escolheu os lanches. Tiramisus grandes, dacquoises, tortas de queijo. Enquanto recebia as embalagens uma por uma após pagar em cada loja, um carrinho de exibição na frente da escada rolante chamou a atenção de Sejin.
Estavam vendendo o cream cheese que Cheon Seju gostava. Era um cream cheese defumado com salmão defumado e endro, e como era feito e vendido na hora, o tempo para consumi-lo com bom sabor não era muito longo. Talvez apenas um dia ou mais.
Ele hesitou porque não era um carrinho que ele podia ver todos os dias. Como Cheon Seju disse que sairia à noite, ele pensou que ele não conseguiria comer se comprasse agora. Sejin hesitou, virou a cabeça e olhou para o lado do café. Cheon Seju, segurando o café, estava caminhando para cá.
Já era o suficiente para atrair olhares apenas pelo fato de estar vestindo um terno impecável em um fim de semana cheio de pessoas em roupas casuais, mas o rosto não era outro senão o de Cheon Seju. Seu físico e aparência atraíam a atenção de todos. Quando visto de longe, em vez de perto, a atmosfera que ele emanava era claramente notável. Todos ao redor não conseguiam tirar os olhos dele.
— …
Sejin olhou para o homem magnífico caminhando em sua direção com os lábios cerrados. Não importava que Cheon Seju atraísse os olhares das pessoas. Ele era um homem com uma aparência da qual não se podia deixar de olhar. Mas ele não queria que outra pessoa monopolizasse aquele homem. Se apenas uma pessoa pudesse olhar para Cheon Seju, essa pessoa deveria ser ele.
Eventualmente, Sejin não conseguiu aguentar, virou o corpo e se aproximou da escada rolante. Sem hesitar, ele pediu ao funcionário diretamente.
— Por favor, me dê o cream cheese de salmão.
— Ah, sim! Só um momento. Vou preparar agora mesmo!
Enquanto o funcionário picava o salmão defumado e o endro, Cheon Seju chegou. Ele pegou as três sacolas de compras nas mãos de Sejin e colocou um frappuccino cheio de chocolate nas mãos dele. Então ele tirou o cartão de dentro do paletó e o entregou ao funcionário.
— Pague com este. Você vai comer? Você disse que não gostava de cheiro de ervas.
Como dito, Sejin não gostava muito de cheiro de ervas. Se fosse folha de gergelim, tudo bem, mas ervas estrangeiras faziam com que ele perdesse o apetite, parecia que ele estava comendo cosméticos. Sejin olhou de relance para Cheon Seju, pegou o cartão dele sem dizer nada, colocou-o de volta no bolso do paletó de Cheon Seju e entregou seu próprio cartão de débito ao funcionário, que estava com a mão estendida de forma estranha.
— Com este, por favor.
— Você se tornou um verdadeiro chaebol. Compre uma casa para mim.
— …
Cheon Seju, que riu baixo, disse isso enquanto encostava suavemente sua cabeça na cabeça de Sejin. Sejin olhou para ele como se dissesse para parar de dizer bobagens com uma cara emburrada, e logo recebeu o cartão e o cream cheese do funcionário. Segurando-os, os dois foram novamente para o estacionamento subterrâneo.
Sejin não sabia que Cheon Seju era responsável pelas despesas hospitalares de Kim Hyungkyung. Como eles queriam que Sejin não soubesse disso, Kim Hyungkyung e Cheon Seju concordaram em dizer que as despesas médicas e hospitalares vinham de Ihwagak. Kim Hyungkyung disse que Sejin deveria saber reconhecer a gratidão, mas ela aceitou e atendeu ao pedido de Cheon Seju, que disse que não queria que Sejin ficasse com uma dívida de gratidão.
Como não havia preocupação com as despesas hospitalares, Sejin pôde estudar com tranquilidade, pensando apenas no tratamento de Kim Hyungkyung, e Kim Hyungkyung também não parecia ter nenhuma preocupação, pelo menos superficialmente. Ninguém sabia o que se passava lá dentro, mas de qualquer forma, Cheon Seju queria que Kim Hyungkyung se concentrasse apenas no tratamento. Ele não queria que Sejin chorasse nos seus braços novamente.
— Me dê, eu levo.
— Eu posso carregar tudo sozinho.
Sejin, que encheu as duas mãos com bebidas e lanches comprados com antecedência no supermercado, balançou a cabeça diante das palavras de Cheon Seju ao estacionar o carro no estacionamento do hospital. Cheon Seju estalou a língua por dentro ao ver Sejin insistindo em algo desnecessário, mas logo respondeu que entendeu e o seguiu.
Quando chegaram ao quarto de hospital de Kim Hyungkyung e abriram a porta, estava vazio. No entanto, Sejin não ficou surpreso; ele colocou a sacola de papel sobre a mesa perto da janela e abriu a geladeira, confirmando que todas as frutas e lanches que comprara dias atrás haviam desaparecido.
Kim Hyungkyung, que fez tratamento de quimioterapia na semana passada, perdeu o apetite e quase parou de comer. Não havia como a pessoa que mal terminava metade da comida do hospital ter comido todos aqueles lanches, então era claro que ela havia dividido com as pessoas de outros quartos. Sejin não gostava que a comida que comprou com o dinheiro que ganhou limpando fosse parar na barriga de outras pessoas, mas ele se segurava porque elas estavam se dando bem com sua mãe.
Sejin, que encheu a geladeira vazia com bebidas novamente, olhou para Cheon Seju e disse:
— Fique aqui.
— Hein?
— Eu vou buscar a mamãe. Como você dirigiu e está cansado, fique sentado.
— Isso é respeito aos idosos?
Diante das palavras atenciosas de Sejin, Cheon Seju riu como se achasse absurdo, mas assentiu. Eles não eram família, e não havia motivo para ele ir junto até onde Kim Hyungkyung estava. Então Sejin vasculhou a sacola de papel que ele trouxe da loja de departamentos e tirou um pudim em um pequeno pote de vidro e entregou a ele. Cheon Seju olhou para Sejin franzindo a testa, mas como sabia que ele comeria bem, Sejin o deixou lá e saiu do quarto.
Quanto mais perto da sala de convivência, mais barulho se ouvia. Quando ele abriu a porta em silêncio e espiou, viu pacientes reunidos em grupos, dividindo lanches após a hora do jantar.
Embora todas as pessoas na ala oncológica fossem pacientes com câncer, não havia apenas pessoas em estágio avançado como Kim Hyungkyung. Havia muitos pacientes que tiveram sorte de descobrir cedo e removeram o tumor com uma cirurgia simples, e muitos que tinham acabado de ser hospitalizados e estavam fazendo quimioterapia. Embora a atmosfera devesse ser sombria por causa da característica da doença chamada câncer, a atmosfera da sala de convivência não era assim.
O centro oncológico do Hospital da Universidade da Coreia estava apenas no seu quinto ano de inauguração e, ao contrário de outros hospitais, buscava tratamentos abertos e progressivos. Para mostrar que o câncer não era uma doença tão desesperadora, os pacientes viviam em um ambiente livre, e a equipe médica também incentivava ativamente as atividades sociais dos pacientes. Foi por causa do julgamento de que o isolamento no quarto do hospital teria um impacto pior no tratamento deles.
No entanto, essa atmosfera só se aplicava à ala de pacientes com casos leves. Sejin lembrou-se de quando veio ao hospital da última vez e pegou o elevador errado, entrando na ala de pacientes graves um andar acima. Aquele lugar era diferente deste. A ala onde os pacientes que enfrentavam a morte tentavam suas últimas tentativas estava envolta em um silêncio pesado, e não se podia encontrar vitalidade. Sejin olhou ao redor, esperando apenas que Kim Hyungkyung não fosse para lá.
Kim Hyungkyung estava no grupo de pacientes jovens, na frente da grande TV da sala de convivência. Devido ao seu rosto que parecia jovem, apesar de estar na metade dos trinta anos, ela estava no grupo de pacientes na casa dos 20 anos, e não com as mulheres de meia-idade. As cinco mulheres estavam sentadas em uma mesa redonda, fazendo ponto cruz de joias com uma tigela cheia de maçãs frescas no centro.
— Mamãe.
— Ah, filho, você chegou?
— Oi, Sejin.
— Olá.
Com o aparecimento de Sejin, um sorriso vibrante surgiu nos rostos pálidos das mulheres. As mulheres olharam ao redor e perguntaram a Sejin sutilmente:
— O chefe não veio?
Cheon Seju era popular. Como ele era carinhoso e gentil com aquele rosto, parecia que todas as mulheres que conversaram uma vez com Cheon Seju gostavam dele. Sejin achava isso muito irritante.
— Ele está ocupado.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna