Parte 01
Projection Vol. 4
Reflection (2)
Com o passar do tempo, Cheon Seju pediu a Kim Donggil que enviasse uma mensagem de texto para Han Jiwon. Ela pareceu desconfiada com a mensagem repentina de Kim Donggil, que dizia que ela poderia levar Kim Hyunkyung para outro lugar, mas, como sua preocupação por ela era maior, não questionou os detalhes.
Duas horas depois, Ha Yeoreum ligou novamente para Cheon Seju, e, após receber o aviso dela, ele organizou imediatamente uma ambulância particular para transferir Kim Hyunkyung para o Hospital da Universidade Coreana.
Uma hora depois, Kim Hyunkyung, que ainda não havia acordado, foi colocada na ambulância junto com os soros, e Sejin acomodou-se ao lado dela. Com o passar do tempo, Sejin, incapaz de esconder a palidez de seu rosto, estava em um estado de extrema ansiedade.
— Você não vai junto?
Pouco antes de a porta do veículo se fechar, Sejin perguntou isso, agarrando a gola da camisa de Cheon Seju. Cheon Seju, ao olhar para as pontas dos dedos pálidos de Sejin, levantou o braço e colocou sua mão sobre a dele. Ele olhou para Sejin enquanto aplicava uma leve pressão.
— Vou seguir com o carro. Pode ir na frente. Quando chegar, você será levado direto para o quarto.
— …Certo.
Com a voz tranquilizadora, Sejin assentiu fracamente e soltou a gola. Cheon Seju estendeu a mão, afagou o cabelo dele e fechou a porta traseira do carro. Logo, a ambulância, com Kim Hyunkyung e Sejin a bordo, partiu para o Hospital da Universidade Coreana com a sirene ligada.
Cheon Seju também retornou ao estacionamento e subiu em seu carro. Com o rosto endurecido e sem expressão, ele pisou no acelerador e dirigiu em direção ao hospital, cujo aspecto ele mal conseguia lembrar.
Quando ele estacionou no hospital, uma mensagem de Sejin havia chegado. Ao saber que ele havia conseguido um quarto individual e estava tratando dos trâmites da internação, Cheon Seju sentiu-se aliviado e subiu para o 17º andar, onde ficava o quarto.
O corredor da ala hospitalar estava silencioso, porém movimentado. Pacientes e acompanhantes conversavam baixo enquanto caminhavam, e enfermeiros empurravam carrinhos de um lado para o outro. Cheon Seju caminhou em direção ao quarto que Sejin havia indicado. Ao chegar diante da porta do quarto 1701, ouviu vozes lá dentro. Parecia que a equipe médica estava presente. Receoso de encontrar alguém conhecido, ele respirou fundo e abriu a porta.
— Precisamos fazer uma ultrassonografia disso.
O exame físico estava em andamento lá dentro. Felizmente, o médico parecia ter sido contratado recentemente, alguém que Cheon Seju não conhecia, e ele percebeu imediatamente que o estado da paciente era grave.
O médico, que pressionava o abdômen da inconsciente Kim Hyunkyung, inclinou a cabeça para o lado. Ele tocou a área onde os órgãos dela estavam mais algumas vezes antes de se virar para Cheon Seju, que acabara de entrar.
— O senhor é o responsável? Disseram que era aluno do professor Kim Cheonggeun da cirurgia torácica…
Parecia que a notícia havia chegado até o professor Kim Cheonggeun, chefe da cirurgia torácica. Sim, Cheon Seju assentiu, e o médico apontou para Kim Hyunkyung e disse:
— Acho que precisamos fazer o exame para ter certeza. O que acha, começamos com uma ultrassonografia?
— Gostaria que fizesse uma ressonância magnética imediatamente.
— Ah, certo. Vou pedir para verificar a agenda deles. O chefe pediu para cuidar muito bem dela. Entraremos em contato em breve.
— …Obrigado.
Fazia tempo que ele não ouvia o nome Kim Cheonggeun. O que será que o professor pensou ao ouvir seu nome através de terceiros, depois de tanto tempo sem contato? Cheon Seju afastou esses pensamentos com um sentimento de desconforto.
Depois que o médico saiu, o silêncio se instalou no quarto. Sejin estava de pé, em silêncio, ao lado da cama. Seus olhos estavam avermelhados, talvez por ter chorado durante aquele breve período de separação. Cheon Seju observou Sejin por um momento, afagou seu cabelo e saiu do quarto.
Ao chegar ao corredor, ele sentou-se na cadeira disposta em frente ao quarto. Com os cotovelos apoiados nos joelhos, ele juntou as mãos em prece e fechou os olhos.
Cheon Seju, que cresceu em um orfanato católico, era um católico devoto antes de entrar para a organização. Ele era homossexual, mas a irmã Maria, que percebeu sua diferença precocemente, disse-lhe que o Senhor ama todos os Seus filhos e vê até mesmo suas falhas com ternura, o que o permitiu manter sua fé e servir ao Senhor.
No entanto, depois de entrar na organização, ele não conseguia mais rezar. A última vez que Cheon Seju rezou foi no dia em que o corpo de Hyein queimava. No momento em que ela desapareceu em cinzas, Cheon Seju desejou e implorou que Hyein não sofresse mais e não se sentisse mais sozinha.
Hoje, muito tempo depois daquele dia, Cheon Seju juntou as mãos novamente. Em silêncio, ele rezou para que Sejin não se quebrasse com o que estava por vir.
— Cheon Seju.
Foi cerca de uma hora depois que Sejin saiu do quarto. Sejin, com os olhos ainda avermelhados, aproximou-se de Cheon Seju e sentou-se bem ao lado dele. Suas pernas se tocaram, e o olhar de Sejin, que estava com as costas encostadas na parede, voltou-se para Cheon Seju. Ele também olhou para Sejin, sem dizer nada. Para apaziguar a ansiedade que habitava o garoto, ele segurou a mão de Sejin, dizendo a si mesmo que tudo ficaria bem.
Lentamente, com um olhar sem brilho, Sejin examinou Cheon Seju e, depois de um tempo, abriu a boca. Sua voz parecia um pouco desanimada.
— Você… se formou em medicina?
Parecia que ele não tinha deixado passar a menção sobre o aluno do professor Kim Cheonggeun. À pergunta de Sejin, que surpreendentemente era perspicaz, Cheon Seju encostou as costas na parede, assim como Sejin, e assentiu.
— Sim.
— …Sério? Você é médico? Tem diploma?
Sejin arregalou os olhos. Houve um tempo em que ele desejou que Sejin se surpreendesse ao saber que ele era formado em medicina. Mas, dadas as circunstâncias, ele não se sentiu muito feliz com aquela surpresa. Cheon Seju respondeu com uma voz suave:
— Eu me formei como o primeiro da turma na Faculdade de Medicina da Universidade Coreana.
— …
Seus lábios vermelhos se entreabriram com o choque, e os olhos bonitos de Sejin se ergueram como se não conseguisse entender. Sejin endireitou a cintura, examinou Cheon Seju de cima a baixo e murmurou como se fosse inacreditável.
— Não combina…
— Por quê? Você acha que eu deveria ser ator em vez de médico?
— …
Diante da pergunta calma, Sejin franziu a testa e fechou a boca. Ele olhou para Cheon Seju com uma expressão insatisfeita, com os lábios esticados, e então soltou um suspiro fraco e assentiu.
— Sim. Parece um ator interpretando um médico.
— O que é isso?
Cheon Seju riu, como se achasse absurdo. Então, Sejin, talvez achando sua própria fala engraçada, curvou os lábios em um sorriso contido e, logo em seguida, abaixou a cabeça com uma expressão inexpressiva. O breve diálogo terminou e os dois foram deixados em silêncio. Aquele que pressente a desgraça que se aproxima não pode falar levianamente.
A situação de Sejin era, de certa forma, melhor que a de Cheon Seju. Diferente dele, que sabia desde quando Kim Hyunkyung sentia dores abdominais, Sejin sabia apenas que ela havia desmaiado após fazer uma dieta rigorosa e que estava excessivamente magra ultimamente.
Portanto, a preocupação de Sejin se limitava às despesas hospitalares. Como ele não sabia que Cheon Seju havia pago a dívida de sua mãe, ele se preocupava com o futuro sombrio dela, retornando ao Hwahwagak endividada mais uma vez com as contas do hospital.
— Não sei por que nos trouxeram para um quarto individual. As despesas médicas devem ser altas…
— Não se preocupe com isso.
Cheon Seju o acalmou com uma voz carinhosa. Sua mão áspera, agora menor que a de Kwon Sejin, pousou sobre o topo da cabeça dele. Como naquelas noites em que ele aliviava as dores de crescimento repentinas de Sejin, ele acariciou o garoto com um toque carregado de calor.
— Você não precisa se preocupar com isso.
A voz suave de Cheon Seju possuía um poder que acalmava as pessoas. Sejin sentia que, com Cheon Seju, tudo ficaria bem. Mesmo sabendo que não deveria, mesmo não sendo o momento para ficar parado sem preocupações como um bobo, Sejin fechou os olhos sentindo o calor do homem sentado ao seu lado.
Felizmente, havia um horário vago, e Kim Hyunkyung conseguiu fazer a ressonância magnética naquela mesma noite. Após a administração do contraste na paciente, que acordou confusa sob efeito da medicação, o exame foi concluído antes mesmo que Kim Hyunkyung tivesse plena consciência do que estava acontecendo.
— Mãe, mãe!
Enquanto os resultados eram verificados lá dentro, Kim Hyunkyung, que havia sido transferida para uma maca, saiu da sala de exames. Sejin, que esperava na cadeira, levantou-se rapidamente e correu até ela. Vendo Sejin seguir a maca de Kim Hyunkyung, que não estava totalmente consciente, corredor afora, Cheon Seju levantou-se e começou a andar pelo corredor em frente ao departamento de radiologia.
— Seju.
Pouco depois, alguém abriu a porta da sala de laudos e o chamou. Ao virar a cabeça, viu seu veterano Kim Joowon, que trabalhava como radiologista no Hospital da Universidade Coreana, parado com um sorriso vago.
— Quer entrar e dar uma olhada rápida?
— Posso?
— Sim, você não é o responsável? Tudo bem.
Kim Joowon, que pertencia ao mesmo clube católico da faculdade de medicina que Cheon Seju e Ha Yeoreum, não estava exatamente feliz em ver Cheon Seju, mas também não se sentia desconfortável. Kim Joowon, que olhava para ele com um olhar de compaixão como se o entendesse até certo ponto, já tinha ouvido de Yeoreum que a paciente era próxima de Cheon Seju. Por isso, ele chamou Cheon Seju, pensando que deveria avisá-lo primeiro após a análise da imagem.
Ao entrar, viu uma médica bolsista que estava cursando a especialização em radiologia. Cheon Seju fez uma saudação com os olhos para ela, que o olhava com curiosidade, e foi até o lado de Kim Joowon.
— Veja, a partir daqui… o coração e os pulmões estão limpos.
A imagem da ressonância magnética do corpo de Kim Hyunkyung apareceu na tela. Embora não fosse um especialista em radiologia, Cheon Seju conseguia entender mais ou menos. Como ele disse, o cérebro, o coração e os pulmões não tinham lesões e estavam limpos. No entanto, o órgão que Kim Joowon indicou ao mover o mouse era diferente.
— Está vendo? É o pâncreas.
Havia várias lesões circulares no pâncreas. Pela forma, pareciam tumores. Cheon Seju mordeu o lábio e encarou a tela. A voz de Kim Joowon, explicando o estado de Kim Hyunkyung, soava distante.
O pâncreas fica entre outros órgãos do abdômen, por isso não é fácil detectá-lo se houver problemas. Como está em uma localização difícil de examinar por ultrassom e é um órgão que não apresenta grandes sintomas enquanto o tumor cresce e a doença progride, o tamanho do tumor descoberto tardiamente era considerável. Se aquilo fosse um tumor maligno, ou seja, câncer, deveria ser pelo menos estágio 3. Tinha que ser considerado um estado difícil de tratar.
— Precisamos fazer uma biópsia para ter certeza, mas geralmente, quando há algo assim no pâncreas… Seju, você sabe, não é?
— …Sim. Obrigado, veterano.
— De nada, que agradecimento que nada. Vou ver a paciente agora, você vai junto?
— Não, eu vou ficar um pouco…
As palavras, que deveriam sair facilmente, não continuaram. Cheon Seju fechou a boca com o rosto rígido e passou a mão pelo rosto. Como se entendesse seus sentimentos, Kim Joowon sorriu amargamente, deu um tapinha no ombro dele e saiu da sala de laudos. A médica bolsista, que observava o homem sentado na cadeira, seguiu Kim Joowon, e Cheon Seju logo ficou sozinho na ampla sala. Podia-se ouvir o som do tique-taque do relógio, mas parecia que o tempo não estava passando.
Ele olhou fixamente para o monitor e, em seguida, enterrou o rosto nas mãos, com os olhos franzidos.
Ele já esperava um pouco, mas o choque foi grande ao confirmar. O problema não era apenas o fato de que uma conhecida estava doente. Parecia que tudo aquilo era culpa dele. Cheon Seju estava sendo soterrado pelas memórias do passado que surgiam vagamente.
A ganância de Cheon Seju foi o que matou Hyein. Se ele não a tivesse tirado de lá por ganância e a deixado sozinha naquela casa, ela não teria sido levada à beira do abismo. Se ela tivesse permanecido no orfanato, teria recebido os cuidados de Maria e das freiras, não teria sofrido abuso emocional de agressores em tenra idade e poderia estar vivendo feliz até hoje.
Em contrapartida, estritamente falando, a infelicidade de Kim Hyunkyung não era culpa de Cheon Seju. No entanto, Cheon Seju, que valorizava Sejin, sentia-se responsável pela infelicidade que o garoto enfrentaria no futuro.
Era porque, se ele tivesse prestado mais atenção a Kim Hyunkyung, poderia não ter deixado passar os sinais da doença. Cheon Seju não podia deixar de se arrepender.
— Por que…
Por que justo Kwon Sejin? Por que justo Kim Hyunkyung? Eles querem viver com esforço. Eles querem viver com afinco, sem se importar com sua própria infelicidade. Por que essas coisas acontecem justamente com essas pessoas…
O interior de suas pálpebras fechadas estava ardendo. Parecia que, se ele relaxasse a tensão, as lágrimas sairiam. Ele não tinha cara para encarar Sejin. Não tinha confiança para dizer a Sejin, que receberia essa notícia, para se manter firme como se nada tivesse acontecido.
Haveria pessoa mais estúpida e idiota no mundo? Cheon Seju desprezou a si mesmo e levantou-se. Com passos trôpegos, saiu da sala de laudos e foi para o telhado do hospital.
Do telhado do Hospital da Universidade Coreana, localizado no centro da cidade, podia-se ver todo o centro da cidade escuro. A cidade cheia de cruzes vermelhas parecia um túmulo gigante. De lá, soprava o vento quente da noite tropical, como se tivesse subido do inferno. Naquele calor, Cheon Seju culpou a si mesmo.
Quando ouviu pela primeira vez a notícia de que Kim Hyunkyung havia desmaiado, como teria sido se não tivesse escondido o fato de Sejin, como ela havia dito? Se não tivesse aceitado a desculpa da dieta e tivesse achado estranho, se a tivesse arrastado para o hospital pelo menos uma vez… Se ele não tivesse pensado que Kim Hyunkyung, perdendo peso continuamente, estava apenas se esforçando demais e tivesse percebido que havia algo errado com sua saúde… Se ele tivesse percebido a intenção de Kim Hyunkyung de usar maquiagem mesmo em seus dias de folga toda vez que ia ao Hwahwagak…
Todos esses sinais, agora, eram óbvios o suficiente para serem percebidos se ele tivesse prestado um pouco mais de atenção nela. Como ele não percebeu isso? Parecia que ia enlouquecer.
Foi o mesmo quando perdeu Hyein. Cheon Seju estava tão focado em seguir em frente por ela que não percebeu as mudanças que estavam acontecendo com ela, e desta vez não foi diferente. A existência de Kim Hyunkyung era essencial para a felicidade de Sejin, mas ele se sentia um estúpido por estar indiferente às mudanças de Kim Hyunkyung, focado apenas em Sejin.
O peito doía. Sentia um impulso de cortar o abdômen com uma faca e tirar tudo o que havia dentro, pois se sentia sufocado. Cheon Seju respirou fundo, pressionando a área do peito com o rosto inexpressivo.
O que o tirou do estado em que estava enterrado no arrependimento por um bom tempo foi o som da vibração do celular no bolso de seu paletó. Cheon Seju recuperou a consciência ao perceber que Sejin estava ligando para ele. Ao olhar para a tela, viu que havia duas chamadas perdidas.
— …Sim.
— Onde você está?
A voz de Sejin perguntando sua localização era mais calma do que ele esperava. Será que ele ainda não tinha ouvido a notícia? Cheon Seju levantou a mão direita para verificar o relógio. Já tinha passado tempo suficiente para Kim Joowon explicar o estado delas para eles. Cheon Seju virou o corpo, pensando que Sejin estava se contendo. Ele deu passos lentos ao perceber que Sejin estava procurando por ele, e não pela mãe, naquele estado. Sejin precisava dele.
— No telhado. Já estou indo.
— Venha rápido…
— …Espere só um pouco.
Pôde ouvir a voz respondendo baixinho: “Certo”. Cheon Seju desligou o telefone e desceu as escadas. Ao chegar ao 17º andar e entrar no corredor, viu Sejin sentado em frente ao quarto.
Kwon Sejin estava com a mesma aparência de quando saiu de casa durante o dia. Camiseta branca de manga curta e shorts pretos. Sentado na cadeira com os tênis novos que comprou recentemente porque seus pés cresceram, Sejin estava com a mesma expressão de sempre. Ele parecia não ter ouvido a notícia de Kim Joowon à primeira vista, olhando para o chão com um rosto inexpressivo e frio. Será que ele não ouviu nada porque foi a outro quarto primeiro? Cheon Seju aproximou-se de Sejin pensando nisso. No entanto, foi um julgamento precipitado.
A expressão de Sejin, que levantou a cabeça ao ouvir os passos de Cheon Seju, desmoronou rapidamente. Os olhos, que estavam indiferentes, ficaram úmidos, e as sobrancelhas se curvaram. Seus lábios vermelho-vivos estavam cheios de marcas de dentes. Sejin olhou para Cheon Seju e chamou-o com uma voz cheia de ressentimento.
— Cheon Seju.
Uma voz que tremia fracamente, como se fosse cair no choro a qualquer momento.
— Onde você estava que só vem agora?
Sejin enterrou o rosto no peito do homem que estava diante dele. Braços grandes abraçaram sua cintura. Cheon Seju, que ficou paralisado, não conseguiu afastar Sejin, que se agarrava a ele como uma criança, e permaneceu ali.
Com o calor do corpo de Sejin somado ao que restava em seu corpo, ele sentia como se estivesse ardendo por dentro. O remorso, que caía como cinzas, deixava uma cicatriz indelével em seu coração.
— Dizem que a mamãe está muito doente… Dizem que está muito, muito doente…
Seus lábios se moveram com o monólogo de Sejin.
…Eu também sei. Sua mãe já desmaiou há alguns meses também. Mas Sejin, eu deixei isso passar como se não fosse nada. Se eu tivesse pensado um pouco mais, as coisas não teriam chegado a esse ponto, mas confiei apenas na palavra de sua mãe de que estava bem e deixei tudo passar…
No entanto, as palavras que deveriam ser ditas apenas apodreciam dentro de sua boca.
— O que eu devo fazer?
A camisa em que Sejin encostava a bochecha ficou encharcada. Kwon Sejin balançava a cabeça, esfregando o rosto no peito dele, como se realmente não soubesse de nada.
— Me diga o que fazer… Eu não sei de nada…
A voz frágil rasgou o peito de Cheon Seju.
Ele não conseguia contar a ele. Não conseguia confessar. Não podia admitir que perdeu a oportunidade.
— É só tratar. …Não é tarde demais, nem um pouco.
Ele não queria ser odiado por Kwon Sejin. Pelo menos para você, pelo menos para Sejin, ele queria ser uma boa pessoa até o fim. Cheon Seju, ignorando o terrível sentimento de culpa, não resistiu ao calor de Sejin que se agarrava a ele desesperadamente. Com ele abraçado, ele apenas sussurrou várias vezes que tudo ficaria bem.
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A velocidade com que Sejin aceitou a infelicidade foi rápida. Sejin, que derramou lágrimas abraçado a Cheon Seju até as luzes do corredor se apagarem, começou a procurar informações sobre tumores pancreáticos a partir do dia seguinte. O problema era justamente Kim Hyunkyung. Como se ela mesma tivesse percebido vagamente que havia algo errado consigo, ela não mostrava uma atitude muito positiva em relação ao tratamento.
— Eu só quero ter alta.
Foi o que Kim Hyunkyung disse assim que viu o médico que saiu da ronda. Ao ouvir isso, Sejin arqueou as sobrancelhas ferozmente e gritou para ela não dizer tal coisa, mas Kim Hyunkyung era teimosa.
— Eu aguento. Não quero tratamento. Por favor, me deixe ter alta.
— Por que você está agindo assim!
O oncologista, com uma expressão embaraçada, olhou para Cheon Seju. Era porque ele o reconhecia como responsável, e não Sejin, que parecia apenas um estudante, apesar de sua altura. Cheon Seju olhou para Kim Hyunkyung e Sejin, e logo balançou a cabeça para o médico e disse:
— Faremos uma biópsia e, se for câncer… entraremos no centro e faremos o tratamento.
— Chefe!
Desta vez, Kim Hyunkyung gritou com sua voz firme. Embora a vontade do paciente fosse a mais importante, o médico, julgando que precisava dar um tempo, instruiu a enfermeira apenas para fazer exames de sangue e PET, entre outros, e saiu.
Depois que o médico saiu do quarto, ao olhar para trás, Kim Hyunkyung estava com um rosto rígido que ele nunca tinha visto antes. Cheon Seju olhou para ela, que mantinha a boca fechada com força como se estivesse com raiva, e disse a Sejin:
— Kwon Sejin, saia um pouco.
— Eu…!
— Sejin.
Sejin, que estava prestes a gritar com Kim Hyunkyung, fez careta e resistiu, mas acabou não vencendo o chamado baixo de Cheon Seju. Depois que ele saiu para o corredor e a porta de correr foi fechada até o fim, Cheon Seju deu um passo. Assim que ele puxou a cadeira que estava perto da janela e sentou-se ao lado da cama do paciente, Kim Hyunkyung lançou-lhe um olhar direto. Cheon Seju, enfrentando aquele olhar, falou com uma voz firme:
— Faça os exames e siga o tratamento.
— Isso não é problema seu, chefe. Sou muito grata por você cuidar do Sejin, mas isso é um assunto meu. Não é algo que você deva decidir.
Kwon Sejin era exatamente como a mãe. Tanto na aparência quanto na personalidade. Portanto, Kim Hyunkyung também era uma pessoa extremamente teimosa, como Sejin. Mesmo com o rosto pálido pela perda de peso, sentia-se que ela não desistiria facilmente de sua teimosia. Cheon Seju olhou fixamente para Kim Hyunkyung e perguntou:
— É por causa do dinheiro?
Ele não desconhecia os sentimentos dela de não querer tratamento. O Cheon Seju da infância também estava acostumado à pobreza. Espiar a mentalidade daqueles que estavam mergulhados na pobreza não era uma tarefa muito difícil para ele.
O que assusta aqueles que não têm nada não é a proximidade da morte. A situação de ficar endividado enquanto luta para sobreviver era mais desesperadora para eles do que a morte. Além disso, como mencionou o tamanho do tumor e sugeriu a possibilidade de câncer, Kim Hyunkyung não poderia deixar de pensar no dia em que ela morreria após o tratamento. Ela concluía que, julgando que Sejin não conseguiria arcar com as despesas médicas, seria melhor sofrer e morrer. Para ela, a morte era preferível à pobreza.
— Se isso é o que lhe preocupa, as despesas médicas serão cobertas pelo Hwahwagak como um benefício aos funcionários.
Cheon Seju mentiu com um rosto inexpressivo. Ele não queria dar a ela o fardo de dever um favor. Além de não ajudar no tratamento, se ela fosse teimosa como Sejin, havia a chance de ela recusar o tratamento com mais força ao saber que ele estava ajudando.
— Portanto, não se preocupe com isso…
— Chefe, você me acha idiota?
No entanto, Kim Hyunkyung não era uma criança como Sejin. Para enganá-la com algumas palavras, Kim Hyunkyung sabia demais.
Ela interrompeu a fala de Cheon Seju e abriu a boca, encarando-o.
— Disseram que aqui é o Hospital da Universidade Coreana. Sei que o fato de eu estar aqui também é porque você deu um jeito. Se fosse pelas regras, eu nem deveria ter conseguido sair das proximidades do Hwahwagak. Sei de tudo isso. Se fossem outros funcionários, não sei, mas aqueles que entraram no Hwahwagak por causa de dívidas têm muitas restrições. Sabe quantas vezes ouvi que o trabalho vem antes do tratamento, mesmo que eu esteja doente, e que é melhor não ficar doente? Então não diga mentiras absurdas.
— …
Diante da voz amarga de Kim Hyunkyung, Cheon Seju baixou os olhos.
Ela é uma pessoa que viveu pagando as dívidas feitas pelo marido após o casamento. O que a deixava desesperada era a existência de Sejin. Para não deixar dívidas para Sejin, Kim Hyunkyung estava se esforçando para quitar suas obrigações.
Recusar o tratamento também seguia a mesma lógica. Assumindo a morte, ela estava recusando até mesmo a biópsia porque não queria deixar dívidas para Sejin, assim como Kwon Yongbum fez com ela. Mas Cheon Seju não podia ficar parado vendo Kim Hyunkyung morrer sem fazer nada.
— Isso. As despesas do hospital, as despesas do tratamento, não são nada para mim. Então faça os exames. De qualquer forma, só saberemos com certeza quando o resultado da biópsia sair, e existe a possibilidade de não ser câncer. Não podemos ficar sem saber o que é.
Dizer a ela apenas para não se preocupar com as contas do hospital não adiantava. Toda ajuda de Cheon Seju parecia apenas outra dívida para Kim Hyunkyung. Se ela morresse mesmo após o tratamento sem melhora, seria uma dívida que se tornaria uma corrente para Sejin.
Ele precisava mudar esse pensamento. Julgando que precisava deixar clara sua intenção, Cheon Seju disse olhando para ela:
— Não espero nada em troca pela ajuda que ofereço. Não tenho intenção de pedir que a senhora ou Sejin paguem de volta. Então apenas…
— Chefe Cheon.
Uma voz que parecia uma grande parede, como se fosse alguém que não ouviria nada do que ele dissesse, o interrompeu. Podia-se sentir uma firmeza exatamente igual à de Sejin. Como se provasse que foi ela quem plantou a dúvida e a desconfiança em relação ao mundo em Sejin, Kim Hyunkyung não estava disposta a aceitar facilmente uma bondade sem segundas intenções.
— Por que você está tão desesperado para nos ajudar?
Diante da pergunta afiada, como se tivesse espinhos, diferente do habitual, Cheon Seju fechou a boca. Kim Hyunkyung era de fato mais experiente que Sejin. Diferente de Sejin, que poderia ser facilmente manipulado com um pouco de cenoura ou de chicote, Kim Hyunkyung, que era um adulto mais maduro do que Cheon Seju, não era um alvo que pudesse ser convencido apenas com a bondade e as poucas palavras que ele demonstrava. Sabendo que o mundo não é fácil, Kim Hyunkyung era uma pessoa que não aceitaria nenhuma ajuda antes de entender a intenção de Cheon Seju.
Aquela era a última gota de orgulho que Kim Hyunkyung possuía. Assim como Sejin não pediu ajuda a Cheon Seju, mesmo estando disposto a viver nas ruas, Kim Hyunkyung não tentava obter ajuda de outros facilmente, mesmo estando disposta a encarar a morte.
— Por que você continua fazendo isso? Você também sabe que isso está muito além do alcance do que se pode considerar como uma leve bondade. Honestamente, se você dissesse que é por minha causa, eu aceitaria. Mas o chefe não é assim. Por isso não consigo entender de jeito nenhum. Por que você está tentando ir tão longe?
Cheon Seju sentiu que aquilo significava que ela estaria disposta a aceitar ajuda se pudesse entender a intenção. Se fosse assim, o que ele deveria dizer para convencê-la?
Dizer simplesmente que valorizava Kwon Sejin não seria convincente. Ele precisava explicar a Kim Hyunkyung a razão pela qual ele não tinha escolha a não ser valorizar Sejin, e isso era um sentimento que se originava no passado. Cheon Seju percebeu, no final, que precisava revelar a história que havia escondido no fundo do coração. Ele precisava mencionar o nome de Hyein.
— …
Sua garganta estava seca. Ele engoliu em seco, fechou e abriu o punho e molhou os lábios. No entanto, a hesitação não foi longa. Assim que lembrou da memória de ontem, em que Kwon Sejin chorou em seus braços com as duas bochechas completamente molhadas, Cheon Seju terminou sua preparação mental. Por causa de Sejin, ele poderia fazer pelo menos isso. Ele poderia estar disposto a explicar o que passou.
Fazia quase cinco anos que ele não mencionava o nome de Hyein. Porque, depois de Seok Yoon-hyung, ninguém mais tinha ouvido o nome de Hyein da boca dele. Portanto, mesmo querendo revelar a verdade, não era fácil começar.
— Eu tinha uma irmã mais nova chamada Cheon Hyein.
No entanto, depois de conseguir pronunciar o nome dela, as palavras fluíram naturalmente, como se estivesse esperando que alguém contasse aquela história. Cheon Seju sentiu a trava em seu coração se soltar e começou a contar.
— Ela era a única família que eu tinha, a família com a qual eu pensava que passaria o resto da minha vida.
Da cabeça aos pés de Hyein, Cheon Seju amava tudo nela. Minha única irmã, minha única família; indo além dessa relação, Hyein era a direção para a qual a vida de Cheon Seju apontava e a força motriz de sua vida.
— Hyein… morreu há 5 anos. Ela cometeu suicídio depois de ser intimidada por colegas da mesma turma. Enquanto eu trabalhava, ela foi deixada sozinha em casa e negligenciada, e, incapaz de suportar os constantes insultos verbais dos agressores, ela se jogou do telhado carregando o pensamento de que era um fardo para mim.
— …
Um brilho de pena passou pelo rosto de Kim Hyunkyung, que ouvia a história. Ela encarou Cheon Seju com um olhar de compaixão, mantendo as duas mãos unidas com força. Para ela, Cheon Seju explicou calmamente o que aconteceu no inverno passado.
— Talvez você não saiba, mas na escola de Sejin havia crianças que o intimidavam. Agora o problema está resolvido, então é algo com que você não precisa se preocupar, e Sejin também é forte como você, Kim Hyunkyung-ssi, então agora ele está bem, não se preocupe.
— Ah…
Com a palavra que ele acrescentou por medo de que ela se preocupasse, ela suspirou e baixou os ombros. Cheon Seju continuou falando, lembrando-se do tempo que passou.
— Durante o tempo em que vivi com Sejin, eu agi como responsável por ele. Desde que recebi o telefonema da professora de Sejin em pleno inverno, quando ele tinha 18 anos.
Ele olhou fixamente para Kim Hyunkyung. Em Kim Hyunkyung, que não tinha nada da aparência do dia em que a viu pela primeira vez e tinha um rosto abatido, restando apenas ossos, Cheon Seju descobriu sua própria aparência do passado.
Houve uma época, por um tempo após Hyein partir, em que Cheon Seju também não conseguia comer direito. Lembro-me vagamente de perder quase 10 kg e ouvir que parecia um cadáver.
Ao mesmo tempo, olhando para Kim Hyunkyung, Cheon Seju também lembrou de Sejin. Ele sobrepôs a imagem da criança que, por não conseguir falar com a mãe por uma semana, pediu ajuda com um coração desesperado, e a imagem de Kim Hyunkyung que abaixou a cabeça para mim para confiar a ele tal Sejin.
— A primeira vez que conheci Sejin foi quando ele tinha 18 anos. Ele parecia exausto e parecia estar passando por momentos difíceis.
Sejin, agachado no corredor, dava a sensação de ser visivelmente menor do que sua aparência real. Exausto, sofrendo… Cheon Seju tinha visto Sejin, que estava sentado encolhido com toda a sua força, como uma criança de apenas uns 14 anos.
— A morte de Hyein também aconteceu quando eu tinha 18 anos. Ela esperou por mim por várias horas, encolhida no corredor escuro do apartamento, e partiu deste mundo. E no dia em que conheci Sejin… Sejin também estava encolhido exatamente naquela posição.
— …
Vendo Kim Hyunkyung sentada sem palavras, Cheon Seju fechou os olhos silenciosamente e abriu-os. Ele já pensou que, se chegasse o dia em que ele falasse sobre Hyein para alguém, esse dia certamente seria um dia muito difícil. Porque Hyein permaneceu como uma grande cicatriz e arrependimento no coração de Cheon Seju. No entanto, não foi tão difícil quanto ele pensou. Pelo contrário, depois de falar sobre a história de Hyein, sua mente ficou calma. Cheon Seju disse a Kim Hyunkyung com uma voz tranquila:
— Agora você deve entender por que continuo tentando ajudar você e Sejin, Kim Hyunkyung-ssi. Toda vez que olho para Sejin, eu… lembro dela. Por isso não posso ficar parado vendo Sejin sofrer. Não importa o quanto você diga que não quer, eu prosseguirei com o tratamento. Então, pense apenas em Sejin e concentre-se no tratamento. É o que eu gostaria.
Cheon Seju sabia muito bem o quanto Kwon Sejin valorizava Kim Hyunkyung. E tal Sejin era precioso para ele.
— No começo, eu só queria ajudar por uma simples bondade. Mas agora… não é mais.
— Chefe…
Kim Hyunkyung precisava sobreviver. Só assim Sejin poderia ser feliz sem dor quando ela partisse. Era a única coisa que Cheon Seju desejava.
— Faça o tratamento. Você vai melhorar. Com certeza.
Como ele prometeu ao levar Sejin para casa, para encerrar essa vida árdua, tal conclusão era absolutamente necessária.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna