Parte 08
Projection Vol. 5.8
— Gu Haeung.
Cheon Seju, que estava largado no sofá girando uma caneta, chamou Haeung que mexia no celular com o rosto alegre. Haeung respondeu com um “sim?” e só virou a cabeça depois de digitar dezenas de vezes no teclado.
O rosto que sorria a ponto de parecer que a boca ia rasgar entrou em seus olhos. Cheon Seju olhou fixamente para aquele rosto sorridente e perguntou.
— É tão bom assim?
Haeung conseguiu uma namorada. Encontrou-se em uma boate, comeram juntos algumas vezes e, após quase ter um amor unilateral, começou a namorar após se confessar, e graças a isso o humor de Haeung andava nas alturas ultimamente. Claro que não seria o caso, mas ele não se irritava mesmo que Jinyoung falasse qualquer coisa, a ponto de causar a ilusão de que o transtorno explosivo intermitente havia sido totalmente curado.
— Ah, é bom sim. É bom sim. É bom demais.
Embora fosse membro de uma organização de gângsteres corporativa, Haeung não emanava um aspecto marginal. Como ele tinha um corpo grande e cabelos curtos, mas não exibia uma única tatuagem e as roupas eram casuais, transmitia apenas a sensação de um estudante de educação física à primeira vista. Aquela namorada também parecia estar totalmente caidinha pelo robusto Haeung. Ligava sempre que a aula terminava nos intervalos e Cheon Seju ficava mais enjoado com a voz que dizia “querido” saindo pelo alto-falante do celular.
— Realmente as atitudes dela são tão fofas e lindas… Realmente quero casar com ela.
Para quem namorava há uma semana era uma fala com um teor excessivamente apressado, mas de qualquer forma Haeung estava namorando feliz. Ao contrário de alguém que sofria por causa do amor.
— …
Cheon Seju olhou para Haeung com o queixo apoiado no sofá. Embora tivesse a grande falha chamada transtorno explosivo intermitente, Haeung tinha um charme simples e positivo. Talvez a namorada também gostasse de Haeung por esses pontos, Cheon Seju pensou até ali e perguntou por ter ficado curioso de repente.
— Ela também sabe que você tem transtorno explosivo intermitente?
— Ficou mal… não, Chefe. Que tipo de fala assustadora você está fazendo…?
Haeung, que ficou apavorado, ia perguntar se ele tinha ficado maluco, mas pigarreou e mudou as palavras. Ele se levantou do lugar de um salto e, segurando o celular como se fosse um tesouro sagrado, se aproximou do sofá onde Cheon Seju estava largado. No caminho, tirou duas maçãs da geladeira, jogou uma para Cheon Seju e, dando uma mordida na que segurava, acomodou-se sentado no lado oposto de Cheon Seju.
— Como vou falar isso? Ela vai fugir se souber…
— …
Será que era um problema grande a ponto de fugir? Havia muitas pessoas que diziam a si mesmas que tinham transtorno explosivo intermitente, mas eram poucas as pessoas que realmente sofriam daquela doença. Haeung, que conhecia o perigo de sua doença, parecia pensar que aquilo pareceria uma grande falha aos olhos de uma pessoa comum. Diante das palavras de Haeung, Cheon Seju pensou em silêncio e abriu a boca novamente.
— E sobre o trabalho que você faz? Você falou?
— …
Diante daquela pergunta, Haeung olhou para Cheon Seju com o rosto horrorizado. “Será que ele está fazendo isso porque não gosta que eu namore…?” Pensou de forma desanimada e balançou a cabeça.
— Como vou explicar isso? Apenas disse que trabalho em um escritório.
— Pretende não falar a vida inteira?
— Não seria a vida inteira, mas ainda assim agora é um pouco ruim, né? Mas precisa mesmo informar? Não falei nem para a família. Bem, trabalhar em um escritório está correto, não está?
Não importa o quanto gostasse, pelo visto ele realmente não conseguia falar imediatamente. Cheon Seju, que sofria se deveria revelar suas falhas a Sejin, soltou um breve suspiro e mexeu na maçã em sua mão.
Não podia deixar Sejin desse jeito. Se continuasse grudado com ele, certamente chegaria um momento em que não conseguiria controlar esse sentimento, e Cheon Seju pensou em revelar tudo para ele pensando em levar a punição antes, em vez de revelar o fato tardiamente quando chegasse essa hora.
Haeung perguntou se precisava mesmo falar, mas Cheon Seju não podia fazer isso. O próprio fato de ter trazido Sejin foi uma atitude realizada projetando Hyein, e entre as coisas que Sejin pensava que Cheon Seju fez por ele, existiam coisas onde aquela projeção foi a causa.
Aceitar o coração de Sejin sem revelar esse fato parecia uma farsa. Cheon Seju não queria enganar Sejin.
Mas será que precisava mesmo falar tudo para ele, de fato. Se o sofrimento continuasse, podia surgir o pensamento de que Kwon Sejin talvez nem quisesse saber, de fato. Sempre que isso acontecia, Cheon Seju sorria amarelo ao descobrir a si mesmo querendo esconder a verdade de forma covarde.
Ele soltou um suspiro e levou a mão à testa. Não vinha de forma alguma a noção de que tipo de escolha deveria tomar. Diante dele que sofria daquele jeito, de repente a voz de Haeung o alcançou.
— Mas às vezes sinto vontade de falar para a minha mãe.
— …
Diante dele que ergueu a cabeça com a fala repentina, Haeung cruzou o olhar. Haeung, que exibia um rosto inocente que não combinava com o corpo imenso, gostava terrivelmente de sua mãe. Ouviu dizer que ele cortou relações com o irmão e o pai após ser expulso da academia de polícia por causa de um caso de agressão, mas a mulher que o deu à luz continuava amando Haeung.
— Quando vou a um encontro com a minha mãe no fim de semana, ela me diz coisas como: o trabalho não está difícil? Se alguém de cima te atormentar, fale para a mãe; como o seu é um caso leve, não ligue muito para o fato de ter transtorno explosivo, todo mundo carrega pelo menos um lugar doloroso, ela sempre me fala assim. Quando ouço essa fala, aqui fica…
Haeung fez um bico com os lábios e acalentou a região de seu peito robusto. Continuou a falar nesse estado.
— Aqui fica pontucando. Por isso às vezes sinto vontade de falar honestamente para a minha mãe que tipo de trabalho eu faço. Quero falar que ela não precisa se preocupar tanto, que o filho dela, Haeung, encontrou sua vocação e está vivendo bem. Mas como não posso, fica uma sensação de estar enganando, por assim dizer. Não fiz isso por querer… apenas não falo, mas sinto como se estivesse enganando a minha mãe, então meu coração fica desconfortável.
Diante das palavras de Haeung, Cheon Seju balançou la cabeça sem perceber. Ele também era assim. Era a sensação de estar enganando Sejin. E, ao ouvir a fala de Haeung, houve algo que tocou seu coração.
Assim como Haeung amava sua progenitora, significava que ele próprio também gostava de Kwon Sejin de forma mais profunda do que pensava.
— Parece que a gente sente vontade de falar tudo para a pessoa que ama de verdade. Sinceramente, a Hyungju… é boa, mas ainda não é a esse ponto. Não posso falar nem do transtorno explosivo.
Haeung falou daquele jeito e deu uma risada sem jeito, talvez por se desculpar com a namorada. Cheon Seju sorriu junto em silêncio e afundou o corpo no sofá. Seu coração pendeu para o lado de querer revelar tudo para Sejin.
Embora fosse infantil, aquilo era próximo ao desejo de querer ser amado por Kwon Sejin exatamente como era. Não era apenas um sentimento entre namorados, provinha do desejo ganancioso de querer mostrar todas as suas falhas para ele e ser compreendido, tornando-se uma relação mais profunda do que se tivessem laços de sangue.
Desde quando teria sido, de fato. Desde quando, de fato, Sejin começou a sustentar a vida que desmoronou de forma terrível após a morte de Hyein. Cheon Seju não conseguia saber sequer o ponto de partida. Apenas queria apenas mostrar todo o seu fundo para Sejin agora e perguntar se estaria tudo bem mesmo assim.
Mas não vinha coragem imediatamente. Assim como Haeung não conseguia falar nada para a mãe no fim das contas, Cheon Seju também não tinha coragem por um motivo semelhante ao dele. Parecia precisar de um pouco mais de tempo para revelar tudo para Sejin de forma a aliviar o peito.
Soltando um breve suspiro, ele confirmou as horas e levantou-se do lugar. Já passava das quatro da tarde. Vendo que não havia contato de Sejin até agora, ele podia não ter recobrado os sentidos ainda. Estava se esforçando para suportar o desejo de correr para casa imediatamente por estar preocupado, mas agora era o limite. Cheon Seju acenou a mão para Haeung enquanto segurava o relatório que havia separado para levar a Shin Kyoyeon.
— Estou indo.
— Vá com Deus!
Haeung respondeu com um sorriso largo e curvou a cabeça em cumprimento. Cheon Seju deu uma risada curta, saiu do escritório e desceu as escadas. No início de fevereiro, o tempo oscilava e soprava um vento de primavera fora de época. Um vento fresco soprava por entre o colarinho da camisa onde a gravata frouxamente afrouxada estava pendurada.
Cheon Seju fumou um cigarro sem pressa diante da sala de trabalho e subiu no carro. Originalmente deveria ter ido encontrar Shin Kyoyeon na sede hoje, mas o compromisso acabou sendo adiado para amanhã devido ao fato de ele ter deixado o lugar repentinamente. Aquele psicopata realmente tem um lado que irrita as pessoas, pensou Cheon Seju enquanto dirigia devagar.
Era a primeira vez em muito tempo que voltava cedo para casa depois de assumir a Shinsa Capital, por isso a estrada totalmente livre parecia estranha. Embora tivesse saído após dar o remédio a Sejin de madrugada, estava cheio de preocupações, achando que a febre não teria baixado.
Com o coração ansioso, Cheon Seju dirigiu como um membro de gangue de motoqueiros e só conseguiu acalmar sua impaciência depois de estacionar o carro na garagem subterrânea. Ao pensar que Sejin estava bem ali na frente, só então sua mente começou a se estabilizar com o pensamento de que não queria que ele descobrisse seus verdadeiros sentimentos. Cheon Seju respirou fundo no carro e só então pegou o elevador para subir ao quadragésimo primeiro andar.
Ao digitar a senha e entrar, o silêncio que se instalava mudamente o acolheu. Parado ali, Cheon Seju confirmou que não vinha nenhum som do lado de dentro e tirou os sapatos com pressa novamente. Foi porque a imagem de Sejin, que estaria gemendo e sofrendo em sua cama, veio à mente.
— …
No entanto, quando ele passou pelo corredor e se aproximou perto da cozinha, houve um som que ecoava fracamente. Diante do efeito sonoro familiar vindo da TV, Cheon Seju respirou fundo e virou a esquina. E então, Sejin, que estava encolhido em cima do sofá onde ele sempre deitava, com a bochecha encostada no joelho, entrou em seus olhos.
O rosto branco estava com as bochechas e a região dos olhos avermelhadas, e o cabelo estava levemente molhado. Não dava para distinguir se aquilo estava molhado de suor frio ou se estava molhado por ter tomado banho. Cheon Seju se aproximou dele com passos silenciosos.
— …Cheon Seju.
Sejin o descobriu quando faltavam cerca de dez passos para Cheon Seju chegar ao sofá. Os olhos de Sejin, que virou a cabeça vagamente, se arregalaram, e logo quando seus cílios pareceram decair, ele se levantou de um salto e correu em sua direção com um rosto que parecia que ia chorar a qualquer momento. O cobertor caiu no chão e, com o vento que Sejin causou, o cheiro doce de xampu veio misturado. E Sejin começou a justificar-se imediatamente com uma voz melancólica.
— Eu, eu realmente não menti… Doeu de verdade! Olha, olha isto!
Sejin esticou o braço e agarrou a mão de Cheon Seju. Levando a mão de Cheon Seju, que estava parado sem o menor movimento, e colocando-a em sua própria testa, fez com que ele confirmasse que ainda estava com febre. Ele parecia não saber de jeito nenhum que Cheon Seju havia vindo e saído de madrugada. Foi um alívio. Valera a pena ter dado o antitérmico e recolhido o copo ao sair no romper da alvorada.
— Ontem doeu de verdade. Estava com muito mais febre do que isto. Por isso enviei a mensagem. Eu não menti…
Diante das palavras proferidas enquanto media sua reação, Cheon Seju apenas balançou a cabeça. A mão de Sejin que segurava seu pulso continuava quente. Estava melhor do que ontem, mas a sensação era de que a febre não havia baixado totalmente.
A ponta dos dedos áspera de Cheon Seju acariciou a testa e a bochecha de Sejin. Sejin recebeu aquele toque calmamente, com as bochechas vermelhas de forma vaga.
— E o remédio. Tomou?
Diante da pergunta feita calmamente por Cheon Seju, Sejin balançou a cabeça de leve.
— O antitérmico acabou todo e eu não consegui sair para comprar…
— Sério?
Cheon Seju seguiu em direção ao armário sem dizer nada. De madrugada, ele havia deixado o antitérmico na parte de trás da caixa de primeiros socorros antes de ir embora. Quando ele ficou na ponta dos pés e esticou a mão para encontrar aquilo, Sejin piscou os olhos e abriu a boca com um rosto de quem não conseguia acreditar.
— Não, realmente não tinha… Não é que eu não tomei de propósito…
— Eu sei. Você pode não ter visto.
Antes que Sejin se encolhesse mais, Cheon Seju informou com firmeza que não era culpa dele. Sejin estava totalmente desanimado. Ele parecia pensar que Cheon Seju não havia entrado em casa porque ele havia mentido de novo.
Sentia pena dele sendo assim, mas como não queria fazê-lo lembrar do caso de ontem de propósito, Cheon Seju pegou o antitérmico sem dizer nada. Colocou dois comprimidos sobre a palma da mão de Sejin, pegou água morna e entregou a ele. Sejin tomou o remédio e bebeu a água mesmo medindo a reação dele. Depois de olhar fixamente para o pomo de Adão dele que oscilava, Cheon Seju virou a cabeça e perguntou a Sejin.
— Comeu?
— Não…
— Desde quando não consegue comer.
— Desde ontem de manhã…
Pensar que o garoto que comia até dez tigelas de arroz por dia estava em jejum há dois dias o deixou com o coração magoado. Reprimindo o desejo de abraçá-lo e acalentá-lo, Cheon Seju levou Sejin e seguiu em direção ao seu quarto. Como se estivesse surpreso com a atitude afetuosa, ele deitou Sejin, que rolava os olhos calmamente, em cima de sua cama e ergueu o celular.
— Vou pedir um mingau, então deite-se por um momento.
— …Meus joelhos doem.
No entanto, Sejin não recuou, mesmo estando confuso. Como se este momento em que Cheon Seju agia de forma afetuosa fosse a oportunidade, informou sua fraqueza com uma voz pequena. Achando Sejin ridículo e ao mesmo tempo fofo, Cheon Seju soltou uma risada baixa.
— Onde mais. Onde mais dói.
— …Aqui e aqui.
Diante da pergunta feita de forma afetuosa por ele, Sejin apontou prontamente para o tornozelo e o pulso. Cheon Seju sorriu com um dos olhos franzidos e envolveu o tornozelo dele com a mão restante. Conforme massageava suavemente o joelho e o tornozelo, o formigamento que restava minimamente pareceu ceder gradualmente. Com o rosto tingido de vermelho, Sejin olhou para o homem que abaixava a cabeça e aliviava a sua dor.
O que é isto. Por que ele está tão afetuoso. Será que é porque descobriu que não era mentira e se sente culpado por isso? Sejin, que pensava em silêncio, perguntou a ele.
— Você não entrou em casa ontem porque estava zangado…?
— …Não. O trabalho estava corrido demais. Também só vi a mensagem hoje e saí do trabalho imediatamente.
— Sério…?
Ele respondeu engolindo a saliva, com um aspecto um pouco animado. Cheon Seju olhou para ele daquele jeito, sorriu em silêncio e esticou a mão calmamente para mexer nos cabelos de Sejin. O cabelo que ainda mantinha umidade ficou preso suavemente em seus dedos e, enquanto cruzava o olhar com Sejin que o encarava vagamente, Cheon Seju pensou que não daria certo e puxou os cabelos dele de leve.
— Ai!
— A cabeça não dói?
E então, disse para Sejin que massageava o couro cabeludo franzindo a testa.
— Vendo que virou um bebê após dizer que dói, parece que a cabeça também está doendo um pouco…
— Não estou não!
Ao falar como se o provocasse, só então Sejin recuperou a vitalidade soltando um grito alto. Apenas após ver o rubor voltar ao rosto sem forças, Cheon Seju se afastou dele sorrindo. Deixando de lado o rapaz que o fuzilava com o olhar enquanto bufava, mexeu no celular para encomendar o mingau que ele comeria.
— Pedi o mingau. Vou tomar banho, então deite-se por um momento.
— Entendido…
Quando ele puxou e cobriu com o cobertor, Sejin respondeu de relance, rolando os olhos. Cheon Seju deixou Sejin daquele jeito, foi para o closet para pegar a roupa e seguiu para o banheiro da sala. Após passar um longo tempo se lavando com esmero e sair para fora, uma mensagem informando que o mingau havia sido deixado diante da porta havia chegado. Foi até a entrada, pegou o mingau de frango com ginseng que continuava quente, despejou em uma tigela e arrumou a mesa, e apenas depois disso retornou ao seu quarto e chamou Sejin.
— Kwon Sejin.
No entanto, quando ele chegou à cabeceira da cama, Sejin havia virado para o lado e caído em um sono raso. Com apenas o rosto aparecendo para fora, o aspecto de segurar o cobertor com força com os dedos brancos e longos era inofensivo como o de uma criança. Claro que o único que veria um homem com mais de 180cm de altura como uma criança seria ele…
— Sejin. Coma e vá dormir.
Cheon Seju, que se ajoelhou e sentou ao lado da cama, o acordou em silêncio. A testa que estava relaxada de forma confortável se franziu de leve e, diante do toque que mexia em sua testa, Sejin acabou não demorando muito para abrir os olhos. No entanto, talvez o impacto do curto sono tenha sido forte, o olhar de Sejin estava turvo. Ao ver as pupilas limpas encarando seu rosto vagamente, Cheon Seju se levantou do lugar.
— Levante-se. Coma e volte a dormir.
— …Cheon Seju.
Sejin chamou e deteve ele que se virava para sair do quarto. Ao virar a cabeça, viu a figura de Sejin que já havia erguido o corpo e piscava os olhos sentado na ponta do colchão. Ele ficou encarando Cheon Seju fixamente naquele estado e, em algum momento, perguntou.
— Por acaso você veio em casa ontem à noite?
— …
O rosto que esteve calmo pareceu se enrijecer de leve, mas logo se desfez suavemente. Cheon Seju sorriu franzindo os olhos. Negou o fato como se não fosse nada.
— Já disse que só vi a mensagem hoje? Saia logo.
E Sejin encarou as costas que desapareciam de forma penetrante. Era estranho. Até agora o sonho com Cheon Seju nunca havia sido tão vívido, mas a forma de Cheon Seju que surgiu vagamente enquanto estava no sono leve agora há pouco era nítida demais. Sua temperatura corporal, sua respiração e até o cheiro, tudo se aproximava de forma clara como se fosse uma situação que havia vivenciado de verdade.
Será que eu tive um sonho porque estava com tantas saudades? Mas a cena que surgiu diante de seus olhos agora há pouco parecia mais uma reconstrução de algo que vivenciou do que a reprodução de um sonho esquecido. Sejin inclinou a cabeça com desconfiança e levantou-se do lugar.
Ao sair para a sala, viu Cheon Seju sentado na cadeira alta. Em cima do balcão da cozinha americana estavam a garrafa de água mineral que ele havia deixado e o mingau que havia sido transferido para a tigela. Sejin sorriu de leve ao ver a mesa que ele havia arrumado.
— Vou comer bem.
— Deu trabalho para fazer, então coma bastante.
Sendo que você pediu… Sejin não reagiu à piada sem graça de Cheon Seju e ergueu a colher. Conforme algo começava a entrar no estômago vazio por dois dias, o estômago logo mostrou reação. Ele esvaziou a tigela de forma limpa, mas por algum motivo parecia estar com mais fome do que antes de comer.
Como Sejin lambia os lábios com uma expressão de lamento, Cheon Seju sorriu como se soubesse que seria assim, levantou-se do lugar e seguiu para o micro-ondas. O que ele tirou lá de dentro foi o mingau de polvo colocado em uma tigela. Sejin sorriu ao confirmar que Cheon Seju havia pedido mais uma porção de mingau para ele.
— Você sabia que eu ia comer muito?
Gostava do fato de Cheon Seju cuidar dele de forma minuciosa. Diante da pergunta feita com animação, uma resposta misturada com riso retornou.
— Porque você é um porco.
— …Não sou não.
Sejin alongou os lábios de forma emburrada com a palavra porco e ergueu os talheres novamente. Como comeu o mingau de frango com ginseng e passou a comer o mingau de polvo, o sabor era diferente de novo e suas mãos se moviam sozinhas. Desse jeito, Sejin só se levantou do lugar depois de esvaziar as duas tigelas de mingau que Cheon Seju havia pedido.
Como a barriga ficou cheia após passar fome, parecia que só agora ia viver. Embora a febre continuasse, o calor circulou pelas mãos e pés que estavam frios e a força surgiu no corpo. Quando ele, que ganhou energia, tentou organizar a mesa de jantar, Cheon Seju, que estava no lado oposto, esticou a mão e segurou junto a tigela que estava na mão de Sejin.
— Eu faço isso.
A ponta dos dedos que segurou para tirar a tigela estava em contato com seus dedos. Sejin mordeu os lábios com força, balançou a cabeça e, muito lentamente, retirou a mão. Viu Cheon Seju que limpava a mesa com um rosto indiferente. Sejin seguiu as costas dele com os olhos mantendo a boca fechada. Nas costas dele que estava ajoelhado diante da lava-louças, a tatuagem se destacava. O tigre negro que exibia um pequeno movimento sempre que ele movia o braço parecia estar vivo. Sejin olhou para o recesso de suas costas que transmitia uma sensação excessivamente sexual e, não conseguindo conter, levantou-se do lugar e correu para o banheiro.
Enquanto ligava a água fria para lavar o rosto e escovar os dentes, a parte de baixo mal conseguiu se acalmar. Que tipo de ato era esse em meio à dor. Foi um alívio Cheon Seju não ter visto. Se tivesse visto, provavelmente desconfiaria se ele não estaria fingindo estar doente agora. Ao sair com o rosto calmo após muito tempo daquele jeito, Cheon Seju estava sentado no sofá.
Ele apoiava o queixo no braço do sofá enquanto assistia à TV e, ao cruzar o olhar com Sejin, levantou-se do lugar imediatamente.
— Vai dormir?
— Quero ficar deitado.
— Entendido.
Cheon Seju, que balançou a cabeça, seguiu para a cozinha. Tirou água morna e o relaxante muscular e entregou a Sejin, e Sejin recebeu aquilo com um rosto surpreso. Embora ele estivesse junto sempre que ficou doente até agora, nunca havia cuidado de cada uma dessas coisas uma por uma desse jeito. Era extremamente estranho, mas a sensação também era boa, então Sejin aceitou a gentileza dele em silêncio.
Após beber toda a água, Sejin olhou de soslaio medindo a reação e seguiu para o quarto de Cheon Seju. Ao confirmar que ele não o impedia, escondeu a expressão vitoriosa, acomodou-se em cima da cama e deitou. Cheon Seju fechou as cortinas para que as luzes da cidade não entrassem durante esse tempo e fechou todas as portas que davam para o closet e o banheiro. Depois disso, Sejin deteve ele que tentava sair dizendo para dormir bem.
— Cheon Seju.
Ele se virou lentamente como se perguntasse o que foi. Sejin olhou para o rosto dele que era magnífico e sem defeitos e lhe pediu baixinho.
— Me faça dormir…
Apoiando-se no fato de estar doente, tentou fazer um pouco de manha. Como quase não haviam dormido juntos desde que Cheon Seju saiu e voltou para casa, Sejin estava com saudades do colo dele. Ele podia zombar perguntando que tipo de bobagem era aquela, mas por algum motivo sentiu que ele não recusaria. Sejin falou mais uma vez para Cheon Seju que estava parado em silêncio com os olhos descaradamente erguidos.
— Não quero dormir sozinho.
E, assim como Sejin previu, Cheon Seju não recusou o seu pedido. Balançando a cabeça e resmungando que era um bebê, um bebê, ele fechou a porta do quarto e subiu na cama. Deitou-se ao lado de Sejin e estendeu o braço. Kwon Sejin puxou os cantos dos lábios que tentavam subir até o céu de forma forçada e se aninhou no colo dele.
— Durma. Vai ficar tudo bem se você dormir.
A mão de Cheon Seju acariciou as costas de Sejin suavemente. Por algum motivo parecia que o som do coração batendo alcançaria até ele. Sejin reprimiu com dificuldade a respiração que tentava ficar ofegante, esticou o braço e envolveu a cintura dele.
O corpo de Cheon Seju era coberto por músculos firmes, então parecia extremamente duro quando visto com os olhos, mas, no momento em que colocava a mão, passava apenas uma sensação suave. A cintura dele era fina em comparação com os ombros, o que o fazia querer confirmar aquela existência repetidamente, e do peito dele vinha um cheiro que realmente não dava nem para expressar de tão bom.
Mesmo usando o mesmo sabonete líquido e xampu, o aroma que vinha dele era um pouco diferente. Talvez porque o cheiro do perfume que costumava usar estivesse impregnado de forma fraca no closet, de qualquer forma um leve cheiro de baunilha sempre exalava de Cheon Seju.
Sejin fechou os olhos pensando que queria beijar as duas pintas que estavam diante de seus olhos. Foi pensando que ele poderia sair se não dormisse, então deveria pelo menos fingir que estava dormindo. No entanto, o corpo de Sejin que passava pelo crescimento necessitava de muito mais descanso do que ele sentia, e Sejin acabou pegando no sono sem perceber.
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Fim do Volume 5
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna