Parte 08
Projection Vol. 3.8
Era uma voz que parecia misturada com riso, mas também séria. À pergunta de Seok Yunhyung, Cheon Seju não respondeu e fechou a boca. Seu olhar, abaixado silenciosamente, rondava a borda da tigela de arroz.
Não eram muitas as pessoas que sabiam das circunstâncias detalhadas de como Cheon Seju, um médico promissor, acabou chegando aqui. Shin Gyuyeon, Chae Beomjun, Seok Yunhyung e Moon Sunhyuk eram tudo.
Entre eles, Seok Yunhyung era a pessoa que compreendia melhor as intenções de Cheon Seju. Foi Seok Yunhyung quem pressionou Cheon Seju, que estava tendo dificuldades ao entrar na organização pela primeira vez, quem o fez se acostumar a ferir as pessoas, e quem fez Cheon Seju, que sofria de culpa, cair em si.
— Não fique fazendo drama e viva diligentemente. —
Parecia frustrante beber álcool em um copinho, então Seok Yunhyung, que bebeu o vinho de ginseng direto da garrafa, disse isso em um tom de voz como se estivesse jogando as palavras. Há alguns anos, a primeira coisa que Seok Yunhyung disse ao perceber o estado de Cheon Seju, que não conseguia dormir e sofria por causa da culpa de que Hyein morreu por sua causa, foi isso.
“Fazendo drama. Viva diligentemente, apenas.”
Na visão de Seok Yunhyung, o que Cheon Seju estava fazendo não passava de drama. A irmã já morreu, e ele já se vingou. Então ele deveria parar de insistir e viver sua própria vida agora, por que ele estava preso ao passado? Esse era o significado.
— Se eu fosse sua irmã, eu teria descido correndo de lá de cima. Teria descido para dar um tapa na sua cara e dizer para não desperdiçar sua vida, irmão. —
Cheon Seju soltou um riso ao ouvir “irmão” de Seok Yunhyung, que tinha mais de setenta anos. Ao contrário de Seok Yunhyung, ele era uma pessoa que não conseguia viver sem olhar para o passado. Por isso, as palavras dele não tocavam Cheon Seju. No entanto, ele podia sorrir porque sabia com que tipo de coração ele lhe dizia tais coisas.
Durante o treinamento, ele bateu muito em Cheon Seju e deixou inúmeras cicatrizes em seu abdômen, mas Seok Yunhyung valorizava Cheon Seju. Era porque ele nunca tinha visto um cara tão inteligente quanto Cheon Seju, embora tenha passado 50 anos na organização. No entanto, o sujeito que entendia dez coisas quando se dizia uma, não conseguia entender nem meia coisa quando se tratava do assunto do irmão, então Seok Yunhyung não tinha escolha a não ser despejar resmungos toda vez que o encontrava. Era uma pena e ele se sentia mal que um cara bonito e inteligente estivesse desperdiçando sua vida preso na culpa.
— Não estou dizendo apenas para viver diligentemente como um condenado. Porra, quem sabe quando vamos morrer, o que faremos então? Só seria um desperdício quando morrermos. O que estou dizendo é, Seju. —
— Sim. —
Seok Yunhyung pegou um camarão com os hashis e colocou na tigela de arroz de Cheon Seju. Era o fruto do mar favorito de Cheon Seju.
— Se houver algo que você gosta, algo que chama um pouco sua atenção, dê uma olhada, é isso que estou dizendo para você viver. —
A afeição escondida no tom de voz rude podia ser sentida. Cheon Seju sorriu cerrando o punho enquanto mantinha a cabeça baixa. Seok Yunhyung, que colocou mais um camarão na tigela de arroz dele, continuou falando.
— Não é isso que é viver? Bem, você também já sabe agora que viver não é algo grandioso. —
— Eu também sei o que você está dizendo. —
— Filho da puta, você sabe responder bem. —
Seok Yunhyung, que riu balançando os ombros, bebeu o vinho de ginseng de uma vez e de repente levantou o braço. Olhe, disse ele, quando ele arregaçou a camisa rudemente, uma ferida profunda era visível no antebraço do braço direito, que ele estava usando para os hashis até agora. Era uma ferida que não tinha cicatrizado há muito tempo, com os fios saindo para cima. Quando Cheon Seju franziu os olhos e curvou os lábios, Seok Yunhyung disse com um sorriso largo.
— Aquele desgraçado chinês fez isso. Ha, porra, ele enfiou uma faca e rasgou, eu achei que ia morrer de tanta dor. Enfim, o que importa não é isso. Pessoas que vivem como nós, como eu disse, precisam viver assim para aguentar este mundo perigoso, não é? Caso contrário, é fácil virar um doente mental. —
Seok Yunhyung, com o rosto vermelho, disse batendo na própria cabeça. Com um som de “paf, paf”, o dedo indicador da mão direita, que descansava sobre seus cabelos meio brancos, não tinha metade da falange, e no quarto dedo havia um vestígio de ter sido cortado e recolado. Cheon Seju examinou o estado de Seok Yunhyung para ver se havia outro lugar ferido e assentiu.
Ele sabia o que Seok Yunhyung queria dizer. Ele sabia que era porque ele era uma pena, vivendo sem entusiasmo apenas fazendo o que lhe pediam como alguém que recebeu o dia de sua morte. Ele já tinha ouvido isso várias vezes antes, e naquelas vezes ele apenas respondia obedientemente e deixava passar. Mas hoje, pela primeira vez, Cheon Seju ruminou as palavras de Seok Yunhyung.
Dê uma olhada em algo que você gosta, algo que chama sua atenção, pelo menos uma vez. Havia um rosto que vinha à mente ao ouvir essas palavras. Se ele dissesse que se lembrou dele ao ouvir essa história, ele provavelmente gritaria e ficaria com raiva, mas de qualquer forma, a primeira coisa que veio à mente foi aquele rosto branco e emburrado.
Cheon Seju passou seu tempo com Seok Yunhyung pensando em Sejin. Aquele que tinha o hábito de repetir as mesmas palavras quando bêbado, se levantou apenas depois de dizer a Cheon Seju umas dez vezes para olhar para o que ele gosta.
— Enfim, obrigado pelo trabalho. Leve isso e compre algo saboroso para seus filhos. Isso é o que eu estou dando, e isso é o que nosso presidente está dando. Você não sabe o quanto ele ficou feliz que aquele cara foi esmagado e o dente dolorido foi arrancado. —
Enquanto dizia isso, ele entregou dois cheques, e o valor era muito grande. Cheon Seju, que levantou os olhos, pensou em recusar um deles, mas inclinou a cabeça e aceitou o dinheiro. Ele estava pensando em distribuir tudo para os membros da equipe.
— Estou indo. Se não tiver nada para fazer, venha visitar a sede também. Lá, os rostos dos garotos são escuros, então garotos como você precisam aparecer de vez em quando. —
— Sim, quando eu tiver tempo, eu irei. —
— Você sabe responder bem. —
Seok Yunhyung saiu da casa de hóspedes rindo. Ele saiu do local primeiro e Cheon Seju verificou o horário. Eles passaram um tempo bastante longo juntos, e como se encontraram antes da hora do jantar, eram pouco menos de 22:00. Kwon Sejin está dormindo? Cheon Seju enviou uma mensagem a Sejin perguntando se havia algo para comprar para casa e esperou um pouco antes de sair da casa de hóspedes.
O vento morno de verão envolveu todo o seu corpo. Embora o Ihwagak estivesse nas montanhas, estava quente o suficiente para que gotas de suor se formassem rapidamente. Diziam que era uma noite tropical, e parecia que este lugar não era exceção. No entanto, aquele calor sufocante não era tão ruim, então Cheon Seju sentou-se na varanda da casa de hóspedes e fumou um cigarro.
Enquanto aproveitava o calor calmamente e queimava o cigarro, foi nesse momento. De algum lugar, sons de passos pequenos foram ouvidos, e uma criança apareceu gritando e correu para o jardim de musgo.
— Han Junhoo, se você for lá, um tio assustador vai fazer “roaaar”. —
Havia também uma voz seguindo atrás. Cheon Seju olhou silenciosamente para a pessoa que apareceu contornando a esquina. Han Jonghyun, um rosto que ele via depois de muito tempo.
Sem saber que Cheon Seju estava lá, os dois lutaram na frente do jardim de musgo. A criança estendeu a mão para tocar o musgo, e Han Jonghyun balançou os dedos dizendo que não podia, então fez cócegas nas axilas e fez a criança deitar no chão.
Cheon Seju observou a cena com uma expressão de que estava vendo a coisa mais estranha do mundo. Han Jonghyun parecia ter múltiplas personalidades. Aquele que estava vadiando como um cara que cheirava a drogas e arruinou sua vida, e aquele que estava bebendo álcool e lamentando sua própria sorte pareciam personalidades diferentes daquele Han Jonghyun.
— Rendo-me! Rendo-me! Não farei mais! —
No final, a criança que ria gargalhando declarou sua rendição. Só então Han Jonghyun riu, levantou a criança e limpou a poeira que estava em seu pequeno terno. Então, em algum momento, Han Jonghyun, que parecia ter sentido o cheiro de cigarro soprado pelo vento, olhou ao redor e encontrou Cheon Seju. O rosto cheio de riso endureceu desagradavelmente e a linha dos lábios desceu.
— Me carrega nas costas. Quero dormir. —
A criança choramingou agarrando-se à perna de Han Jonghyun. Cheon Seju olhou de soslaio para a criança e acenou com a cabeça para cumprimentá-lo. Han Jonghyun pareceu não gostar daquela atitude preguiçosa, franziu a testa enquanto curvava os lábios, então acariciou a cabeça da criança e o acalmou.
— Fique olhando o jardim um pouco. Já volto. —
— Entendi… —
A criança assentiu tristemente e agachou-se na frente do jardim de musgo. Han Jonghyun caminhou em direção a Cheon Seju com passos lentos. Antes que ele pudesse provocar, Cheon Seju tomou a iniciativa.
— É filho do diretor? —
— O quê? Eu te vi depois de muito tempo e você nem me cumprimenta educadamente. —
Han Jonghyun reclamou e aproximou-se e sentou-se ao lado de Cheon Seju. Era a primeira vez que se encontravam depois de ouvir sua bebedeira no inverno. Ele pensou que não era um relacionamento que pudesse sentar ao lado dele silenciosamente assim, mas, ao que parece, aos olhos de Han Jonghyun, a distância em seu coração diminuiu devido ao acontecimento passado. Vendo que ele não disse nada especial, embora não tenha cumprimentado adequadamente, realmente parecia ser o caso.
Han Jonghyun pegou o maço de cigarros que Cheon Seju tinha deixado no chão da varanda sem permissão. Enquanto abria a tampa e tirava um cigarro dele, ele disse.
— Você acha que este rosto aqui pode ser o de um homem casado? —
— … —
Não seria impossível, certo? Não era uma idade estranha para ser casado, e a criança e Han Jonghyun tinham rostos muito parecidos. Como ele ficou em silêncio com esse pensamento, Han Jonghyun levantou a mão e apontou para o próprio rosto com um gesto um tanto vulgar e disse.
— Homens casados têm rostos todos podres. Eu brilho. —
— …Sim. —
— É meu sobrinho. —
— É mesmo? —
Embora fosse um tanto absurdo, não era uma mentira. Han Jonghyun parecia estar em boas condições pela primeira vez em muito tempo. Seu rosto inocente brilhava intensamente e ele parecia um pouco normal. É claro que, toda vez que ele abria a boca, ele voltava ao Han Jonghyun que Cheon Seju conhecia.
— Você não tem interesse em mulheres, então por que seduz as pessoas? —
— … O quê? Quando eu fiz isso? —
Era uma fala absurda. Quando ele perguntou franzindo a testa por estar perplexo, Han Jonghyun levantou a mão que apoiava na varanda. Ele apontou para a ponta dos lábios de Cheon Seju com o dedo indicador e puxou levemente para cima.
— Você sorriu assim para a nossa cunhada agora pouco. Quem você vai seduzir se nem levanta? —
Era uma provocação sem sentido. Cheon Seju, perplexo, desviou o olhar, afastou a mão dele e olhou para Han Jonghyun novamente. Examinando a boca que cuspia absurdos toda vez que abria, ele perguntou a ele.
— Parece que aos olhos do Diretor Han, até quando eu apenas sorrio, parece que estou seduzindo alguém. —
— Então não é? —
Seu sangue ferveu com a pergunta feita rindo pelo nariz. Han Jonghyun tratava-o como um gay promíscuo toda vez que o via. Como se ele soubesse quem era o convertido, o ditado “olhos de cão só veem cães” era perfeito, já que era ele quem balançava o “coisa” dele por aí. Cheon Seju, que teve seu orgulho ferido, curvou os lábios olhando para Han Jonghyun.
— Então, seria verdade? Como o Diretor disse, não levanta nem para mulheres, então por que eu seduziria a cunhada do Diretor? Se fosse para seduzir, eu seduziria o Diretor Han. —
Enquanto ele sorria profundamente, Han Jonghyun, que estava fumando, abriu a boca e franziu a testa. Ele encarou o rosto sorridente de Cheon Seju, então soltou um riso irônico e amaldiçoou.
— Filho da puta. —
— Filho da puta. —
— Eu sei bem que sou um filho da puta. —
Ele respondeu assim porque pensou que ele agiria como de costume. As palavras que se seguiram superaram as expectativas de Cheon Seju.
— É desnecessariamente bonito. —
— … —
A expressão de Cheon Seju endureceu com as palavras que ele não pensou que ouviria de Han Jonghyun. Só depois de ver seu rosto perplexo, Han Jonghyun riu brincando e desviou o olhar. Cheon Seju, que só então percebeu que tinha sido superado por ele, suspirou como se achasse absurdo. Era absurdo que Han Jonghyun brincasse com ele, e era inacreditável que o que ele fez fosse sobre o tópico que ele sempre detestava.
Por que esse cara está assim? Escondendo o desconforto, Cheon Seju examinou Han Jonghyun, que estava sentado ao lado. Um perfume peculiar, que poderia ser chamado de assinatura de Han Jonghyun, exalava dele que estava com um traje impecável, e um cheiro forte de álcool estava misturado nisso.
(Han Jonghyun conta sua história sobre ser comparado ao irmão, sobre ser decepção e sobre querer provar seu valor para o Diretor Shin).
— Estou com fome. — (Mensagem de Sejin)
— Pedi frango. Já vou chegar, estou saindo. — (Cheon Seju responde)
— Sim, tome cuidado ao vir. — (Sejin responde)
Cheon Seju percebeu que Chae Beomjun o esperava no estacionamento ao voltar para casa. Cheon Seju ignorou o cumprimento dele, mas enquanto ia para o elevador, Chae Beomjun seguiu ao seu lado.
Aos olhos de Cheon Seju, ele parecia uma puta a caminho de um encontro com a família, mas, aos olhos dos outros, aquilo era passável, o que significava que ele devia ser bom em lidar com pessoas.
— Que milagre é esse que você não dormiu fora e se arrastou para casa?
Disse Cheon Seju, que havia chamado o elevador que descia do 43º andar. Chae Beomjun, que estava parado bem colado ao lado dele, fungou o ar com uma expressão estranha, sorriu diante daquela fala e respondeu.
— Como tenho um almoço marcado com a madame amanhã, passei o tempo no carro hoje.
Com razão ele saiu de um carro com o motor desligado. Parecia que estava limpando. Enfim, porra. Não podia deixar de ser um animal no cio… Cheon Seju franziu a testa e se afastou um passo dele. No entanto, Chae Beomjun grudou em Cheon Seju como uma sanguessuga. Dando um passo à frente na mesma medida em que ele se afastava, Chae Beomjun, apesar da reação de nojo de Cheon Seju, enterrou o nariz em seu ombro e fungou. Enquanto isso, murmurou.
— Sinto um cheiro estranho.
Ele não era nenhum cachorro, era um ser humano mestre em fazer besteiras. Como era a primeira vez que ele o importunava desse jeito, Cheon Seju, irritado, esquivou-se dele.
— O cheiro deve estar vindo de você. Saia daqui.
— Ah… Você está sentindo o cheiro do meu sêmen? E então? É cheiroso, não é?
Não dava para conversar com aquele filho da puta promíscuo. No momento em que Cheon Seju xingava mentalmente e revirava os olhos, o elevador chegou. Como ele mencionou sêmen, parecia que aquele cheiro estava realmente ali, então ele entrou rapidamente e apertou o botão do 41º andar. Chae Beomjun, que entrou no elevador logo depois, também sorriu, apertou o botão do 42º andar e, enquanto o examinava de cima a baixo, disse.
— Parece que você foi a algum lugar legal.
— Ah, sim.
Apesar da resposta sem interesse, Chae Beomjun riu e se colou nele. E então fungou o ar novamente. Como era um homem meio palmo mais alto que ele, a respiração dele batia no seu pescoço. Arrepiado, Cheon Seju tentou empurrá-lo para baixo, mas Chae Beomjun era obstinado. Pelo fato de ele ter dirigido, parecia que não tinha bebido, mas, como se estivesse fora de si, enterrou o nariz no ombro direito dele e murmurou.
— Ah, eu definitivamente já senti esse cheiro em algum lugar…
Ele era um maluco, mesmo. Cheon Seju, sentindo um cansaço repentino, nem pensou em discutir com Chae Beomjun e apenas desejou que o elevador chegasse ao 41º andar. Queria entrar logo, tomar um banho e deitar na cama para dormir. No entanto, assim que a porta do elevador se abriu com um toque suave de sino e ele colocou os pés no corredor, Chae Beomjun esticou o braço apressadamente.
A mão esguia agarrou o antebraço de Cheon Seju com força. Ele sacudiu o ombro com irritação pelo contato repentino, mas Chae Beomjun era insistente, e, no fim, Cheon Seju virou-se para ele com o rosto frio.
— Pare com isso.
— …Você estava com o Diretor Han?
Mas o rosto de Chae Beomjun, diante dele, não era nada comum. Ao ver Chae Beomjun perguntar de supetão, franzindo as sobrancelhas, Cheon Seju fechou a boca. Não sabia por que ele fazia aquela expressão, mas não precisava reportar a ele tudo o que fazia. De qualquer forma, o lugar onde ele havia passado hoje era o Ihwagak. Se Chae Beomjun quisesse descobrir, não seria difícil para ele ficar sabendo que ele tinha se encontrado com Seok Yunhyung.
Como Cheon Seju não respondeu, Chae Beomjun assumiu uma expressão deliberadamente séria e esticou os lábios. Suas bochechas estavam inchadas, e ele movia a boca como se tivesse algo a dizer.
Só então Cheon Seju estreitou os olhos, achando estranho. Desde o primeiro momento em que se conheceram, ele nunca tinha visto Chae Beomjun economizar palavras. Por isso, a atitude dele naquele momento era o suficiente para deixar Cheon Seju intrigado.
— Por que você está perguntando isso?
No fim, Cheon Seju não aguentou e perguntou. Chae Beomjun parecia ter aceitado o contra-ataque como uma confirmação da sua pergunta. Ele endureceu a expressão com frieza e abriu a boca.
— Não fique próximo de Han Jonghyun.
O final da frase foi um aviso curto. Chae Beomjun estava com um rosto inexpressivo. Aquilo também era a mesma coisa. Cheon Seju nunca tinha visto ele fazer aquela expressão nem uma vez sequer.
Só então, um senso de alerta envolveu todo o seu corpo.
Por que Han Jonghyun, que não tinha capacidade alguma, mantinha o cargo de diretor? Por que Shin Gyoyeon o mantinha naquele lugar e fingia não saber que ele andava se metendo em tudo? Por que, sob as regras definidas por Shin Gyoyeon, apenas Han Jonghyun era uma exceção? Todas essas perguntas deveriam ser direcionadas a Shin Gyoyeon, mas, mesmo que não fosse ele, havia outra pessoa que sabia a resposta. A única pessoa que sabia todos os pensamentos de Shin Gyoyeon.
— Qual é o motivo?
Cheon Seju, virando o corpo completamente, encarou Chae Beomjun diretamente. Se fosse Chae Beomjun, ele deveria saber o motivo.
— Por que o Presidente trouxe o Diretor Han para a organização?
Não se podia ignorar a probabilidade de que Shin Gyoyeon tivesse visto algum potencial nele, como Han Jonghyun disse. Ele poderia tê-lo aceitado para algum papel que só poderia confiar a Han Jonghyun, como ele mesmo pensava.
Mas, mesmo tentando pensar assim, o desconforto não desaparecia. Parecia que havia uma verdade irritante escondida. Por isso, Chae Beomjun não respondeu à pergunta feita. Ele observou Cheon Seju em silêncio, e, em certo momento, quando ele sorriu levantando os cantos da boca, a atmosfera tensa e afiada dispersou-se suavemente.
Chae Beomjun esticou a mão para o painel do elevador e disse.
— Eu avisei claramente, Chefe Cheon.
— Chae Beomjun.
Mesmo chamando seu nome, ele não parou. Suavemente, sem barulho, a porta do elevador se fechou e Chae Beomjun desapareceu de sua visão. Cheon Seju não conseguiu sair do lugar imediatamente e ficou parado por um bom tempo diante da porta do elevador, que refletia seu próprio rosto.
Pelo tom de voz de Chae Beomjun, era óbvio que, mesmo que ele o perseguisse para pedir uma explicação, ele não diria nada. Avisar, transmitir um aviso a ele, era tudo o que Chae Beomjun podia fazer. Isso significava que Shin Gyoyeon estava controlando Han Jonghyun por algum motivo específico.
O que seria? Mas, por mais que pensasse, nada vinha à mente imediatamente. Sua cabeça doía. Cheon Seju, com um pressentimento incômodo, não conseguiu entrar em casa de imediato e fumou um cigarro no saguão. Depois disso, pegou o frango que tinha acabado de chegar e entrou em casa.
— Chegou?
Sejin estava parado na frente da porta interna. Surpreso pelo fato de a porta da frente ter se aberto de repente e Cheon Seju ter entrado, Sejin o recebeu pegando o frango. Era óbvio que ele tinha vindo recepcionar o frango, mas, ainda assim, o fato de ter alguém para recebê-lo não era uma sensação tão ruim. Cheon Seju sentiu a dor de cabeça passar e sorriu.
— O papai chegou.
Ao ver a reação de nojo dele, franzindo a testa com força pela piada jogada, seu humor melhorou ainda mais. Era a sensação de ter voltado para casa.
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As férias de verão de Sejin foram tranquilas. Quanto mais perto ficava o vestibular, mais sua concentração aumentava dia após dia, e a proporção de acertos ao chutar respostas de questões que ele não sabia subia. Cheon Seju e Sejin marcavam horários todo fim de semana para fazer provas de anos anteriores, e nos dias em que as notas saíam boas, havia dias em que ele tirava nível 6 em tudo.
Sejin era péssimo para decorar, mas sua capacidade de compreensão era maior do que pensava, e, graças a isso, suas notas em língua coreana estavam subindo mais rápido do que em outras matérias. Sua nota em matemática era de dar raiva, e em inglês, onde havia muitas coisas para memorizar, ele ainda estava no nível de alguém que não sabia ler, mas, ainda assim, não estava ruim. Cheon Seju queria dar uma nota alta para o fato de Sejin estar se esforçando tanto.
Sejin também parecia sentir uma sensação de conquista, não pela classificação visível, mas pelo fato de que o que ele sabia estava aumentando gradualmente. De vez em quando, enquanto corrigia as provas, ele olhava de relance para ele com um olhar orgulhoso, e, sempre que isso acontecia, Cheon Seju lutava para conter a vontade de abraçá-lo.
Os dois passaram o verão assim. Estudando todos os dias sentados um de frente para o outro sob o vento do ar-condicionado, comendo juntos e, nos fins de semana, descansando um pouco para assistir a filmes ou passear. Como ambos eram teimosos, as brigas verbais eram frequentes, mas, mesmo assim, não havia mais situações em que feriam os sentimentos um do outro. Cheon Seju sentia um conforto profundo quando estava com Kwon Sejin. Foi a primeira vez depois daquele dia. Que sentiu que a vida estava em paz.
No entanto, o infortúnio veio de onde menos se esperava, e o cotidiano tranquilo dos dois não conseguiu passar do verão.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna