Parte 09
Projection Vol. 3.9
Cheon Seju recebeu o telefonema de Han Jiwon em meados de agosto, numa terça-feira à tarde. Depois de ter se encontrado com Kim Hyunkyung em julho, no momento em que Sejin estava em casa, esforçando-se para fazer acompanhamentos, para ir encontrá-la novamente amanhã, após um mês. Cheon Seju, que estava fazendo sparring com Moon Seonhyuk no prédio do estúdio, longe dele, ouviu o som da vibração do celular e fez Seonhyuk parar.
— Espere um pouco.
— Sim.
Cheon Seju, recuperando o fôlego ofegante, desceu do tapete e pegou o celular que tocava sobre a mesa. Logo, ao confirmar o nome, suas sobrancelhas se estreitaram suavemente. Terça-feira, às 3 horas da tarde, não era um bom momento para receber uma ligação de Han Jiwon. Quando ele atendeu o telefone em um horário semelhante a este, recebeu a notícia de que Kim Hyunkyung havia desmaiado.
Lá no fundo do coração, uma ansiedade começou a surgir lentamente. Cheon Seju abriu a tampa da garrafa de água que estava sobre a mesa para molhar a garganta. Era um comportamento instintivo, vindo do desejo de adiar, nem que fosse um pouco, o recebimento de notícias desagradáveis. Só depois de limpar a garganta é que Cheon Seju atendeu o telefone.
— Sim, gerente. O que houve…
— Chefe!
Uma voz urgente parecia estar rasgando o alto-falante. Cheon Seju endureceu o rosto e ficou calado.
— A Hyunkyung desmaiou e não consegue acordar. Ela estava gemendo de dor, então desmaiou e não consegue recuperar a consciência. Por isso, estamos levando ela para o hospital de carro agora, e acho que o Sejin também deveria ir para lá. A Hyunkyung disse para não contar ao Sejin enquanto estava fora de si, mas, de qualquer forma…
Não dava para saber o motivo do desmaio, mas só pelo jeito desordenado dela falar, diferente do habitual, ele pôde perceber que algo sério tinha acontecido. Cheon Seju fez um sinal para Seonhyuk trazer suas roupas e respondeu a ela.
— Mande o nome do hospital por mensagem. Eu a levarei logo. E não importa o custo, peça para que façam todos os exames assim que chegarem.
— Sim, sim. Vou mandar a mensagem. Venha logo.
Assim que desligou o telefone com Han Jiwon, chegou a mensagem dela com a localização do hospital. Enquanto confirmava aquilo, ligou para Sejin, mas ele não atendeu. Cheon Seju deixou chamadas perdidas para ele novamente enquanto trocava de roupa. Depois de tirar tudo ali mesmo, deixando apenas a roupa íntima, e abotoar a camisa, Seonhyuk se aproximou com o cenho franzido. Ele viu uma urgência que não era típica de Cheon Seju.
— O que aconteceu?
— A mãe do garoto parece que desmaiou. Preciso ir lá.
Diante da expressão estranha, Moon Seonhyuk arregalou os olhos como se não estivesse entendendo. Depois, ao perceber que se referia à mãe de Sejin, ele franziu levemente a testa. Estava marcado para todos da equipe jantarem juntos à tarde. Era um jantar que, pela primeira vez em muito tempo, Cheon Seju também participaria, então ele não conseguia entender por que ele estava indo embora sem mencionar uma palavra sobre o jantar.
— Então o jantar…
— Ah.
Quando ele começou a falar, Cheon Seju, que estava vestindo a jaqueta rapidamente, piscou os olhos como se tivesse acabado de se lembrar. Um ar de embaraço passou pelo seu rosto. No entanto, não havia escolha. Cheon Seju disse diretamente a Moon Seonhyuk.
— Fica para a próxima. Comam algo gostoso entre vocês. Você sabe onde meu cartão está.
— …Sim.
Seonhyuk baixou a cabeça com o rosto endurecido e inexpressivo. No entanto, Cheon Seju, que não percebeu essa mudança, deu um tapinha no ombro dele e saiu apressado. Seonhyuk levantou a voz para as costas dele, que se distanciavam.
— Se precisar de algo, me ligue.
— Tá. Bom trabalho.
Cheon Seju, que acenou para ele, abriu a porta e desceu as escadas. Acenou mais ou menos para Ha Woong, que estava indo tirar uma soneca no 4º andar, e, depois de descer ao 1º andar, confirmou que Sejin estava ligando de volta e foi em direção ao seu carro.
— Kwon Sejin.
— Oi. Você me ligou?
Ao contrário de Han Jiwon, era uma voz calma. Cheon Seju franziu a testa e perguntou, tentando soar relaxado.
— É… O que está fazendo?
Não podia simplesmente contar que a mãe dele desmaiou. Pelo temperamento de Kwon Sejin, era óbvio que ele ficaria preocupado e não conseguiria se acalmar assim que ouvisse aquilo, então, se possível, era melhor contar um pouco antes de chegar ao hospital. Diante da voz dele, que parecia relaxada à primeira vista, Sejin ficou momentaneamente confuso, e logo depois sussurrou com uma voz pequena.
— Estou fazendo a marmita… Você vai vir para casa? Quer comer?
— Sim. Já terminou? Estou indo para casa agora, então se prepare e desça. Precisamos ir a um lugar rapidinho.
— Acho que em 10 minutos termina… Por que de repente? Aonde vamos?
— Aonde vamos…
Como precisava inventar uma desculpa de repente, não conseguia pensar em nada. Cheon Seju bateu ansiosamente no volante enquanto pensava e, finalmente, encontrou uma desculpa adequada.
— Um conhecido disse que está alugando um officetel e me perguntou se eu conhecia alguém. Quando disse que se ele indicasse, ele daria um desconto no aluguel, ele disse que sim, então pensei que se você tivesse interesse, poderia dar uma olhada.
— Por que vamos ver isso agora? Vou para o exército assim que fizer vinte anos e depois procurarei um quarto, não adianta ver agora. Ainda faltam mais de dois anos para eu entrar.
Errou. Não foi nem um pouco adequado. Cheon Seju estalou a língua mentalmente e abriu a boca. Como era óbvio que ele acharia estranho se inventasse outra desculpa agora, não restava alternativa a não ser arrastar Sejin com uma lógica forçada.
— É por isso que tem que ver agora. Quando você sair do exército, já terão se passado uns dois anos, e será incômodo procurar um quarto nessa época. Essa pessoa também encontra inquilinos quase a cada dois anos, então, se você gostar agora, eu posso falar para ele deixar o quarto livre daqui a dois anos. Se você entrar, vai viver com sua mãe por muito tempo, então acho que eles também vão gostar, não? Não quer?
— …
Sejin parecia estar pensando, como se o que ele adicionou fizesse sentido. Cheon Seju pisou no acelerador em direção a casa e disse.
— O proprietário é um amigo próximo meu. Como ele usa para investimento, disse que não se importa em receber um pouco menos de aluguel, então eu vou te indicar. O andar é alto e entra bastante luz. Será silencioso.
— …Entendi. Que horas você chega? Desço agora?
— Não, desça em frente ao centro comercial daqui a 10 minutos.
— Tá. Até mais.
— Tá.
Felizmente, Sejin não suspeitou dele. O fato de tê-lo atraído falando de casa o incomodava, mas era melhor do que dar a notícia de que Kim Hyunkyung tinha desmaiado agora. Cheon Seju deu um suspiro profundo, desligou o telefone e cheirou a mensagem de Han Jiwon. Parecia ser o maior hospital perto de Ihwagak, mas era um lugar do qual nunca tinha ouvido falar.
Definiu o hospital como destino no GPS e saiu em direção a casa. Assim, encontrou Sejin sob o centro comercial do apartamento, chegando 10 minutos mais cedo do que o normal.
Vestindo uma camiseta de manga curta e shorts, Sejin parecia ter ganhado um pouco de peso. Sejin subiu no banco do passageiro com um corpo que parecia ter um porte maior que o de Cheon Seju, embora tivessem alturas parecidas, e aumentou a intensidade do ar-condicionado enquanto perguntava.
— Mas precisa ir tão rápido? É só hoje que tem tempo?
— …É. A pessoa que mora lá agora está ocupada e disse que só tem esse tempo agora. Coloque o cinto.
Como estava mentindo, o tom de voz saiu um pouco duro. Diante da resposta de Cheon Seju, Sejin assentiu enquanto o observava de relance.
— Sim…
Assim que ele colocou o cinto de segurança, Cheon Seju pisou fundo no acelerador. No entanto, como era um hospital perto de Ihwagak, não havia como seguir um caminho diferente do que Sejin conhecia, e Sejin, que achava o caminho facilmente, percebeu isso logo. Enquanto esfriava as bochechas, que estavam vermelhas por causa do vento frio, ele se virou para Cheon Seju e perguntou.
— O officetel não fica em Seul?
— É, é.
— …
Diante da resposta vaga, Sejin estreitou os olhos. Ele verificou o destino do GPS, que estava configurado com uma quilometragem semelhante à de Ihwagak, e inclinou a cabeça. Logo, Sejin esticou a mão, reduziu o zoom do mapa e verificou para onde estava indo.
— É um prédio perto do hospital? Perto de Ihwagak.
— …
— Mas aqui é muito isolado. Em lugares assim, nem tem trabalho decente.
Sejin murmurou com uma voz emburrada. Precisava retrucar com algo, mas não conseguia responder normalmente. Cheon Seju, que estava com o coração desconfortável, murmurou “é mesmo” e enrolou a resposta, e era natural que Sejin percebesse a estranheza daquele comportamento.
— Por que sua resposta é assim?
— …O que tem?
— …
Kwon Sejin se importava muito com Cheon Seju. Mais do que ele pensava, Sejin sabia muitas coisas sobre ele.
Diante do comportamento de Cheon Seju, que estava taciturno e com poucas palavras, diferente do habitual, Sejin sentiu ansiedade e olhou para ele. Seus olhos, como os de um gato, examinavam Cheon Seju de cima a baixo. Sejin, que notou pequenas gotas de suor formadas na nuca dele, fechou a boca.
O olhar ágil voltou-se novamente para o mapa do GPS. Sejin ficou ali parado, mastigando a localização daquele hospital, e logo perguntou com uma voz baixa.
— A mamãe está doente?
— Ha…
Não dava para esconder de jeito nenhum. Não era como se ele não soubesse manter uma “poker face”, mas, justamente por ser um assunto sobre a única família de Sejin estar doente, ele não conseguia ficar de boca fechada. Ele tirou uma das mãos que segurava o volante para passar pelo rosto e, aproveitando que parou no sinal, olhou para Sejin.
Sejin, refletido naqueles olhos submersos, estava com uma aparência de homem completo, diferente de quando se conheceram. Ele cresceu mais de 10cm, seus ombros ficaram mais largos que os dele, e as mãos, que antes eram pequenas, agora eram grandes o suficiente para cobrir totalmente as suas.
Mesmo assim, aos olhos de Cheon Seju, Sejin ainda parecia uma criança. Parecia a criança que suplicava por ver a mãe e chorava.
Seu peito subia e descia. Achava que não seria algo tão grave, que poderia ser insolação por causa do calor do dia, mas os eventos que passaram despercebidos o levaram a ter suspeitas do tipo “será?”. Cheon Seju engoliu um suspiro profundo e abriu a boca. Explicou para ele com uma voz calma.
— Não se surpreenda, mas ouça. Recebi a notícia de que sua mãe desmaiou. Como ela não estava conseguindo recuperar a consciência, a levaram para o hospital, e estamos indo para lá agora.
— …
Sejin, que parou de respirar, encarou Cheon Seju. Olhos transparentes tremiam vagamente.
— Por que… por que ela desmaiou?
A voz com que ele perguntou era frágil. Cheon Seju encostou o carro no acostamento e passou a mão pelo cabelo com um gesto frustrado. Então, explicou para ele com uma voz normal, que tentou forjar.
— Eu também não sei o motivo. Mas disseram que, depois que desmaiou, ela gemia como se sentisse dor e desmaiou novamente. Sua mãe pediu para não entrar em contato com você, mas achei que você deveria saber, por isso te chamei. Acho que é o certo irmos juntos.
— …
Sejin, que piscava os olhos sem rumo, fechou a boca por um instante e soltou um suspiro profundo. O silêncio tomou conta do carro. Sejin fechou os olhos com força, como se estivesse organizando seus pensamentos, e, logo depois, olhou para Cheon Seju e sorriu fracamente.
— Você me deu um susto. Minha mãe costuma desmaiar de vez em quando no verão. Ela tem hipotensão postural, então desmaiava por causa de tonturas depois de trabalhar em pé. Já vi algumas vezes. Desta vez deve ser a mesma coisa. Deve ter doído porque ela bateu em algum lugar enquanto caía. Eu sei.
— …Sim.
— Não abaixe sua voz. Faz parecer desnecessariamente sério.
Sejin o repreendeu com uma voz emburrada. Seu estômago embrulhava. Cheon Seju tentou engolir as palavras, franziu os olhos e sorriu. “Desculpe”, pediu desculpas, esticou a mão para acariciar o cabelo dele e fez o carro arrancar novamente.
Como era um pouco mais cedo que o habitual, o trânsito não estava congestionado. Em pouco tempo, os dois chegaram ao Hospital Gyeonggi Sarang, perto de Ihwagak. Já tinha um pressentimento desde que viu o nome, mas o hospital que viu ao chegar não era um lugar tão grande. Como Ihwagak ficava nas montanhas de Gyeonggi, a população residente nas vilas próximas não era muito grande, e, por isso, inevitavelmente, o hospital também não podia ser grande.
Cheon Seju, que estacionou o carro no estacionamento, levou Sejin para a emergência. No caminho, ligou para Han Jiwon e, ao ouvi-la dizer que sairia, ficou esperando em frente à emergência.
— Sejin, Chefe.
Han Jiwon, que apareceu do lado de dentro da emergência, cumprimentou-os com um rosto pálido. Han Jiwon estava vestindo uma camiseta leve e shorts, e, considerando sua aparência impecável de sempre, dava para perceber o quão apressada ela tinha saído. Sejin cumprimentou-a e perguntou diretamente pelo paradeiro de Kim Hyunkyung.
— Olá. Onde está a mamãe?
— Ah, a Hyunkyung está ali no leito 2. Ela está tomando soro e dormindo agora. Sejin, você quer ficar lá?
— …Sim.
Sejin, que curvou a cabeça educadamente, passou por Han Jiwon e entrou na emergência. Ao contrário de agora há pouco, quando sorria dizendo que se preocupou à toa, seus passos eram urgentes. Cheon Seju percebeu que Sejin estava reprimindo sua ansiedade. Enquanto olhava para aquelas costas, a voz de Han Jiwon soou à sua frente.
— Chegaram cedo.
— Sim, o trânsito estava livre…
Enquanto respondia assim, Cheon Seju detectou algo estranho de repente e desviou o olhar. Os olhos dela, que estavam ao seu lado, estavam úmidos. Até o suspiro profundo que ela soltou, como se a tensão tivesse diminuído quando Sejin desapareceu, parecia tremer levemente. A região do peito, que estava agitada, acalmou-se friamente. Logo, as palavras que ela soltou com uma voz molhada reviraram o estômago de Cheon Seju completamente.
— O analgésico não funcionou… então administramos morfina.
É raro usar morfina para dores comuns. Não existe um médico louco que administre analgésicos narcóticos imprudentemente em um paciente cujo quadro não conhece adequadamente. No entanto, o fato de terem administrado morfina significava que o estado de Kim Hyunkyung era ruim o suficiente para que fosse necessário. Significava que ela sofria tanto que analgésicos comuns não conseguiam suprimir a dor.
Como Cheon Seju não conseguia abrir a boca de choque, Han Jiwon enxugou o canto dos olhos e murmurou.
— Disseram que não podem fazer os exames hoje no hospital. Por isso não fizeram nem ultrassom, apenas administraram analgésicos e a fizeram dormir. Mas Chefe Cheon, meu pai faleceu de câncer.
Soluços começaram a se misturar à sua voz. Como não era fácil conter o choro, no final, Han Jiwon continuou a falar enquanto enxugava violentamente as lágrimas que escorriam pelo rosto.
— Mesmo fazendo exames de saúde todos os anos, não detectaram, e só descobrimos quando estava no estágio 4. Mas, mesmo fazendo quimioterapia, não adiantou e, no final, ele faleceu por causa do câncer… E a aparência de Hyunkyung sofrendo é exatamente igual àquela época…
— Não será isso.
Cheon Seju abriu a boca com dificuldade.
— Não pode ser isso.
Diante da voz determinada que se seguiu, Han Jiwon arregalou os olhos e olhou para cima para ele. Ele não sabia o quão assustado ficou ao ver Kim Hyunkyung desmaiar e lembrar dos acontecimentos passados. No final, como ela acabou sendo medicada até com morfina, ele estava em um estado em que não conseguia se acalmar facilmente, pois a aparência de seu pai vinha à mente.
Em meio a isso, a afirmação de Cheon Seju trouxe a ela uma estabilidade impossível de descrever. Ao ver a expressão firme dele, que parecia nunca desmoronar, ela pensou que tinha se preocupado demais. Han Jiwon suspirou suavemente com a mão sobre o peito.
Logo, como se tivesse dito algo inútil, ela limpou o rosto e assentiu com vigor.
— É verdade, não será. Não será, né. Falei uma besteira.
Han Jiwon continuou a falar sorrindo desajeitadamente. Acho que é apenas insolação. O dia esteve excepcionalmente quente hoje, não é? Cheon Seju apenas assentiu sem dizer nada enquanto ela continuava inventando desculpas.
Assim, depois de muito tempo, Han Jiwon se acalmou e saiu do lugar, dizendo que faria uma ligação para Ihwagak. Só então, Cheon Seju foi procurar o médico para ouvir o estado preciso.
Não são muitos os casos em que um professor de medicina de emergência atende um paciente que chega à emergência. Era mais fácil pensar que a maioria das pessoas que cuidavam de inúmeros pacientes eram estagiários ou residentes que tinham acabado de tirar a marca de estudantes universitários. O médico que examinou Kim Hyunkyung também era o mesmo. A médica de rosto jovial tinha uma aparência jovem, como se tivesse apenas uns vinte e poucos anos.
— Sou o responsável pela paciente Kim Hyunkyung do leito 2. Gostaria de ouvir sobre o estado da paciente.
Quando Cheon Seju apareceu, a médica, que olhava para o pager com um rosto cansado, levantou a cabeça surpresa. Ela olhou para Cheon Seju com os olhos arregalados como se tivesse acordado, e depois, entendendo tardiamente o que ele disse, começou a folhear os prontuários.
— Ah, sim. Só um momento. Leito 2. Ah… A pessoa que foi medicada com morfina agora há pouco.
— Sim. Ouvi dizer que ainda não fizeram os exames, quando será possível? Ela parece sentir dor abdominal, fizeram uma palpação?
— Hã? Sim. Fizemos, mas…
Diante da pergunta, que de certa forma não era comum, ela gaguejou com um rosto confuso. Logo, pigarreou e explicou.
— Ela sentia tanta dor que a comunicação era impossível, e não havia nada que pudéssemos saber por palpação. Acho que precisam fazer um ultrassom, mas como os exames não são possíveis todos os dias em nosso hospital…
— Está me dizendo que não é possível fazer um ultrassom durante o dia de hoje? Nem tomografia ou ressonância?
— Sim…
Ha, um suspiro curto escapou. Parecia que, por ser um hospital pequeno, a sala de exames não funcionava todos os dias. Devo considerar uma sorte que eles operem até mesmo uma emergência em um lugar desses? Cheon Seju assentiu com um sentimento de desamparo e se virou. Onde seu olhar se dirigiu estava o leito 2, onde Kim Hyunkyung estava deitada. No momento em que pensava em Kim Hyunkyung, que estaria dormindo lá dentro, a cortina foi aberta e Sejin saiu caminhando.
Sua expressão não parecia muito ruim. Provavelmente porque chegou depois que ela dormiu e não viu o quanto Kim Hyunkyung sofreu. Cheon Seju pensou em explicar sobre a morfina para Sejin, mas fechou a boca. Não queria causar ansiedade nele com suas próprias palavras.
— O que o médico disse?
— …Seria bom ir a outro hospital. Como o hospital é velho, é difícil fazer os exames adequadamente.
Diante das palavras de Cheon Seju, Sejin franziu a testa. Ele olhou ao redor, verificou o estado do prédio, que parecia ter uns 40 anos, e logo assentiu de forma insatisfeita.
— Como vamos…? Vamos juntos de carro quando a mamãe acordar?
Se fosse Kim Hyunkyung, provavelmente seria melhor administrar analgésicos novamente antes que ela acordasse. Era melhor que Sejin não visse a cena da mãe sofrendo a ponto de não conseguir se orientar. E, por alguma razão, sentindo que Kim Hyunkyung também desejaria isso, Cheon Seju explicou enquanto segurava o ombro de Sejin.
— Não, é melhor chamar uma ambulância para transferi-la enquanto ela estiver dormindo. Vou verificar, então você vá sentar lá. Assim que sua mãe acordar, chame a enfermeira imediatamente.
— …Sim.
Sejin, que respondeu baixinho, olhou para Cheon Seju antes de voltar para o leito de Kim Hyunkyung. Ele encarou fixamente o homem que estava ali com um rosto indiferente como sempre, sorriu como se estivesse aliviado e, depois, dirigiu-se a ela tardiamente.
Depois disso, Cheon Seju primeiro procurou Han Jiwon. Ela estava esperando o carro que viria buscá-la no saguão em frente à emergência, já que tinha coisas para fazer assim que chegasse a Ihwagak.
— Gerente, estou pensando em transferir Kim Hyunkyung para outro hospital. Podemos levá-la agora?
— Ah…
Han Jiwon, que tinha recuperado a calma, demonstrou desconforto. Ela estava apenas na posição de gerenciar aqueles que vinham trabalhar em Ihwagak e não tinha poder de decisão sobre eles. Havia outra pessoa que gerenciava aqueles que vinham a Ihwagak por causa de dívidas.
— De acordo com o princípio, eles devem receber os exames e voltar imediatamente. Eu disse que os exames seriam possíveis apenas amanhã, então fiz com que pudessem ficar no hospital até amanhã, mas, para transferi-la para outro hospital, preciso de permissão do Diretor Baek…
Cheon Seju, que lembrou de Baek Seonghwan, outro subordinado de Shin Gyoyeon, franziu levemente a testa. Sua relação com Baek Seonghwan não era muito boa. Ele teve um grande conflito com ele na época em que terminou o treinamento com Seok Yunhyung e assumiu a equipe de tratamento, e como nunca mais o tinha visto depois disso, nem teve tempo de resolver as mágoas.
— Devo ligar para ele? Desculpe, se soubesse que seria assim, nem teria entrado em contato com o Diretor Baek desde o início.
— Não, não. Você fez o que tinha que fazer, mas espere… Deixe-me pensar um pouco.
Impedindo Han Jiwon, que pegava o celular, Cheon Seju saiu do lugar e foi para fora da emergência.
Não adiantaria nada ligar para Baek Seonghwan e ouvir algo bom. Se quisesse falar sobre a transferência do hospital de Kim Hyunkyung, Han Jiwon inevitavelmente teria que mencionar seu nome, e se fizesse isso, poderia ser importunada por intrometer-se desnecessariamente nos assuntos dos cobradores de dívidas.
…Se fosse assim, não seria melhor fazer com que não houvesse nada para pedir permissão a ele? A razão pela qual Baek Seonghwan tinha autoridade para decidir sobre o paradeiro de Kim Hyunkyung era por causa da dívida que o marido dela tinha com a Shinsa Capital. Isso significava que, se não houvesse dívida, as correntes que a prendiam também desapareceriam. Cheon Seju, que concluiu rapidamente, ligou diretamente para Kim Donggil. Antes mesmo que o sinal de chamada completasse, uma voz oleosa pôde ser ouvida.
— Ah, Chefe. Como assim, me ligando?
“Você está no escritório.”
Kim Donggil não parava de falar depois que alguém aceitava uma conversa. Cheon Seju, ignorando os cumprimentos dele, foi direto ao assunto.
— Sim, tem alguma coisa para mandar eu fazer?
— A dívida de Kim Hyunkyung, que foi transferida para Ihwagak no final de setembro do ano passado, quanto resta?
— Hã? Ah, só um momento. Setembro, Ihwagak, Kim Hyunkyung… Por favor, espere um instante.
Com um “argh”, Kim Donggil, que se levantou do lugar, fez um som de abrir a gaveta. Com um “trrrr, trrrr”, abriu a gaveta de metal, vasculhou algo por um bom tempo e, só depois de um tempo, encontrou o documento de Kim Hyunkyung.
— O salário que entrava de Ihwagak foi bloqueado rigorosamente, e com o principal e os juros… agora resta 57.240.000 wons. Por que está perguntando isso?
57 milhões de wons. Não era um dinheiro tão grande assim. Cheon Seju abriu a boca, avaliando o dinheiro que restava em sua conta.
— Diga a conta. Para onde deve ser feito o pagamento?
— Hã?
— Diga a conta, seu filho da puta.
— Uh…
Kim Donggil ficou um tempo sem falar, parecendo confuso. Depois, como se tivesse entendido o que ele estava dizendo, explicou com uma voz incômoda.
— Chefe, em princípio, os membros da organização não podem interferir com os devedores… Se isso for descoberto, estou fodido.
Em uma financeira de merda, havia regras demais. Mas Cheon Seju já sabia que Kim Donggil não estava seguindo essas regras. Porque não foram poucas as crianças que ele levou com a desculpa de pagar a dívida para Han Jonghyun.
— Han Jonghyun está acima da lei? Pare de besteira e diga a conta.
— Ai, Chefe!
Ao mencionar o nome de Han Jonghyun abertamente, Kim Donggil gritou como se estivesse confuso. Ele sabia que, se Baek Seonghwan ou Chae Beomjun soubessem disso, Kim Donggil seria fortemente repreendido primeiro, mas isso não importava para Cheon Seju. Acima de tudo, o que o permitia agir era a certeza de que os executivos não se importariam com a situação de um simples devedor. Por isso, Cheon Seju o pressionou.
— Estou dizendo pela quarta vez. Diga a conta de pagamento. Se disser mais uma vez, você vai morrer.
Diante daquelas palavras violentas, Kim Donggil finalmente baixou a guarda apressadamente.
— Ai, Chefe. Só um momento! Para pagar tudo de uma vez assim, há uma taxa de pagamento antecipado. Deixe-me calcular isso…
Não era nenhum banco, mas estava fazendo essa putaria de taxa de pagamento antecipado. Cheon Seju engoliu sua irritação e esperou. Se passou um minuto, e Kim Donggil, que calculou na calculadora, disse.
— Se adicionar a taxa… 72.813.500…
— Porra, seu estelionatário de merda.
Uma taxa de 15 milhões de wons. Que sistema de merda é esse. Cheon Seju xingou e Kim Donggil riu dando risadinhas.
— Eu também não recebo porque quero… Por favor, entenda.
Claro que diria isso. No topo de todo esse sistema de merda, estava Shin Gyoyeon. Pensando no psicopata de temperamento ruim, Cheon Seju passou a mão pelo cabelo violentamente. Só depois de dizer pela quinta vez, com uma voz fria, que tinha entendido e para enviar a conta, é que Donggil enviou a mensagem para ele.
[Shinsa Kim Donggil]
Banco da Coreia, Shinsa Capital Ltda., 551-2938109-121, 72.813.500 wons hehe.
16:32
Cheon Seju, que confirmou a mensagem, transferiu todo o dinheiro para a conta indicada por Kim Donggil. E então, ligou novamente para ele.
— Quando será o relatório para o Diretor Baek?
— O relatório de que a dívida foi totalmente paga? É na próxima semana. Por que pergunta?
— Mas é verdade que Kim Hyunkyung não precisa mais trabalhar a partir de agora, certo?
— Uhum, certo? Já que pagou toda a dívida?
A resposta esperada veio à pergunta feita para confirmar. Baek Seonghwan certamente não se importaria muito com o fato de que um dos inúmeros devedores obteve a liberdade de forma excepcionalmente rápida. Agora ele podia transferir Kim Hyunkyung para outro hospital.
Gastou quase todo o dinheiro que tinha em uma decisão um pouco impulsiva, mas não houve arrependimento. Pelo contrário, até se sentiu aliviado. O coração ficou mais leve ao pensar que Sejin ficaria feliz com o fato de que Kim Hyunkyung não precisava mais trabalhar arduamente.
No entanto, por outro lado, sentiu uma dor no estômago pelo fato de Sejin estar vivendo separado da mãe por causa de um assunto que podia ter sido resolvido com apenas um telefonema. Sentiu nojo de si mesmo por ter sido um espectador do infortúnio deles até agora e estar fazendo o papel de salvador tardiamente.
Cheon Seju tentou acalmar o estômago doído e fumou um cigarro. Depois disso, pegou o celular novamente e fez uma ligação. Desta vez, era Ha Yeo-reum .
— Sim, o que houve?
Como se estivesse cochilando, Yeo-reum atendeu o telefone com uma voz tomada pelo sono.
— O que está fazendo, está ocupada?
— Não, só isso. Por quê? Tem algum problema?
Cheon Seju explicou a situação para ela, que perguntava como se fosse “o que houve?”. Uma pessoa próxima está doente. Precisa fazer exames no hospital, mas não há lugar onde possa fazer exames imediatamente. Pode me ajudar? Diante daquelas palavras, Yeo-reum ficou sem falar por um tempo. Depois, abriu a boca com uma voz preocupada.
— O veterano Joowon está no departamento de radiologia do hospital central. Como lá está cheio de colegas, posso fazer com que ela faça os exames imediatamente apenas com uma ligação minha. Mas você tem certeza? A maioria dos rapazes foi para o exército, mas Lee Jeong-o ainda está lá.
Não importava a qual hospital fosse daqui, não haveria lugar onde pudesse fazer uma ressonância ou tomografia imediatamente. Era uma realidade amarga, mas contatos também são importantes no hospital. É um mundo onde o atendimento no mesmo dia ou a reserva para 3 meses depois são decididos pelo fato de conhecer ou não uma pessoa entre os médicos.
Mesmo que levasse Kim Hyunkyung de ambulância nesse estado, ela teria que esperar alguns dias ao chegar em outro hospital. Mas se ele ligasse para o veterano com quem o contato foi cortado, com a ajuda de Yeo-reum , Kim Hyunkyung poderia fazer uma ressonância hoje à noite. No entanto, para fazer isso, Cheon Seju teria que ir com ela ao Hospital da Universidade da Coreia. Teria que colocar os pés em um lugar que se tornou um lugar para o qual nunca poderia voltar no momento em que sujou as mãos de sangue.
Quando ele foi pego pela polícia e preso, inúmeros colegas que souberam de sua situação enviaram petições por ele. No entanto, nem todos entenderam a situação de Cheon Seju.
‘Respeitarei a vida humana desde a sua concepção. Sob nenhuma ameaça, não usarei meu conhecimento em lugares onde a ética humana é violada.’
Cheon Seju foi a pessoa que, como representante, leu a Declaração de Genebra, conhecida como o Juramento de Hipócrates, diante de centenas de formandos de medicina.
O fato de tal Cheon Seju ter abandonado a honra de médico e tentado prejudicar as pessoas trouxe reações de muitos. Alguém criticou que ele sujou a honra dos médicos formados na Universidade da Coreia, e alguém alegou que deveriam fazer com que ele nunca mais entrasse no campo médico, exigindo a revogação de sua licença médica. Entre as figuras que o atacaram, havia Lee Jeong-o, um colega que até foi ao centro de detenção e lhe lançou palavras duras.
O lugar onde aqueles que o apoiavam e aqueles que o criticavam estavam reunidos era o Hospital da Universidade da Coreia. Pisar naquele lugar era como enfrentar o passado que Cheon Seju ignorou por 5 anos.
— Eu estou bem.
Mas Cheon Seju estava preparado para suportar tudo aquilo. Cheon Seju também era um dos que o criticavam. Com ele mesmo não estando do seu lado e se odiando, não seria difícil só porque os outros adicionaram algumas palavras.
— Então, pode me ajudar?
Não restava mais rosto para Yeo-reum, mas ela era a única a quem podia pedir agora. Diante daquelas palavras, Yeo-reum ficou sem falar por um tempo e, logo, respondeu que entendeu.
— Vou ligar para o veterano e entro em contato novamente mais tarde.
— Sim. Obrigado.
— Se sabe, está ótimo.
Depois de desligar o telefone, uma dor de cabeça veio. Cheon Seju, enquanto segurava a testa latejante e respirava fundo por um bom tempo, saiu do lugar quando sua cabeça clareou um pouco. Ao se dirigir ao leito onde Kim Hyunkyung estava deitada, seus olhos encontraram Sejin, que estava sentado sem rumo no assento do acompanhante. Sejin estava segurando a mão seca dela e vigiando o lugar em silêncio.
Só depois de ver Kim Hyunkyung dormindo tardiamente é que Cheon Seju percebeu que o estado dela era sério. Kim Hyunkyung, vista depois de um mês, estava em um estado muito mais magro do que em julho. O dorso das mãos esqueléticas estava com as veias saltadas e azuis, e, entre a camisa de funcionária, que ela estava com os botões abertos, a forma das costelas aparecia nitidamente. O rosto, ao menos, parecia normal com maquiagem, e talvez por isso ninguém tenha percebido tal mudança física grande.
Cheon Seju naturalmente relembrou a última conversa com Kim Hyunkyung. Quando ele foi a Ihwagak sozinho e perguntou se ela tinha algum lugar onde doesse, Kim Hyunkyung fez uma expressão de embaraço e respondeu que estava fazendo dieta. Como as coisas que ela dizia faziam sentido, ele não prestou muita atenção ao estado dela, mas se aquilo fosse uma mentira. Se ela soubesse do seu estado há muito tempo e tivesse escondido propositalmente…
Era difícil respirar diante da suposição miserável. Cheon Seju estava parado lá, movendo a mão fechada em punho, e saiu da emergência quando não conseguiu mais suportar. Ele, sentado na cadeira colocada no corredor, segurou a testa com as duas palmas das mãos. Junto com uma dor de cabeça persistente, veio um impulso de querer esmagar a própria cabeça. Ele sentia que ia morrer.
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Fim do Volume 3
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna