Parte 04
Projection Vol. 3.4
O contato de Hayeorum aconteceu quase um mês depois do reencontro. Parecia que ela tinha decidido perdoá-lo. Ao ler a mensagem de texto perguntando como ele estava, como se nada tivesse acontecido, Cheon Seju sentiu alívio e, ao mesmo tempo, uma leve culpa. Por isso, ao sentar-se para comer com Hayeorum pela primeira vez em cinco anos, ele foi o primeiro a pedir desculpas.
— É tarde demais. Eu não aceito. Nunca vou te perdoar na vida.
Hayeorum disse isso com um riso de escárnio. Pedir desculpas agora, dizer que entende o sentimento dele agora, nada disso mudaria o que passou.
Hayeorum agora sabia que Cheon Seju era alguém que poderia desaparecer de sua frente a qualquer momento. Ela não sabia com que sentimento ele havia se escondido daquela forma, mas, por imaginar que havia motivos para isso, não perguntou.
Portanto, ela evitou falar sobre o passado, pensando que seria inútil. No entanto, ela disse que não podia perdoá-lo para que ele guardasse a culpa por muito tempo. Se ele ao menos se sentisse culpado, talvez, na próxima vez que pensasse em cortar contato, ele hesitasse e a poupasse pelo menos uma vez.
— Vendo seu rosto, sei que você sobreviveu bem. Continua sendo irritantemente bonito, como sempre. E continua com aquela mania de fazer as mulheres chorarem com esse seu jeito cavalheiro, mesmo sem querer.
Hayeorum disse isso olhando para Cheon Seju. Em vez de perguntar se ele estava bem, ela disse que ele “continuava o mesmo”, um modo de dizer que estava aliviada por vê-lo bem. Cheon Seju sorriu sem jeito e respondeu “você também está igual”, mas acabou levando uma bronca. Ele até levou uns tapas no ombro, sob a desculpa de Hayeorum de que ela tinha ficado muito bonita após fazer cirurgia nas pálpebras, e como ele poderia dizer tal coisa.
O tempo que passou com Hayeorum foi mais divertido do que ele imaginava. Ela não tocou no passado e, ao contrário do que ele temia, Cheon Seju pôde desfrutar da refeição com ela de forma leve antes de voltar para casa.
Ao chegar em casa, Sejin o esperava. Kwon Sejin, que recebeu um choque de nota 778 no simulado de março, estava estudando até tarde da noite, furioso com as críticas de Cheon Seju sobre ele não ser muito inteligente. É claro que Sejin, sendo um pouco atrevido, não se esqueceu de pedir o pagamento de horas extras noturnas como desculpa.
Ao entrar em casa, Cheon Seju perguntou com uma voz lenta:
— Ainda não dormiu?
Eram quase onze horas e as luzes da sala estavam acesas. Cheon Seju, um pouco embriagado, viu a pequena cabeça de Sejin resolvendo problemas sem sequer virar para trás, como se não tivesse ouvido sua voz, e sorriu em silêncio.
Parecia que tinha sido ontem que ele não conseguia resolver um problema sequer, mas agora Sejin estava exercendo uma concentração admirável. Era adorável ver o garoto, que antes gritava perguntando por que precisava estudar, esforçando-se tanto. Cheon Seju, contendo o impulso de abraçá-lo fortemente por trás, foi para a cozinha.
Tirou o paletó, pendurou na cadeira e pegou água mineral para umedecer sua boca seca. Agora sim ele se sentia melhor. Acabou bebendo demais, tentando acompanhar o ritmo de Hayeorum, que era uma bebedora ainda pior. Meio zonzo, Cheon Seju pensou em fumar um cigarro, mas, sentindo que isso só aumentaria a embriaguez, deixou o isqueiro de lado. Então, foi para a sala para revisar um pouco dos estudos de Sejin antes de dormir.
— Kwon Sejin.
Com esse chamado dito lentamente, Sejin virou a cabeça. Um olhar um pouco perdido percorreu o rosto suavizado de Cheon Seju.
— Até onde você chegou? Deixe-me ver.
— …….
Cheon Seju, tropeçando um pouco ao caminhar, sentou-se no chão e aproximou o rosto de Sejin. Sejin o olhou com desaprovação, vendo que ele havia voltado, após passar a noite fora sem jantar, com um perfume doce como flores de primavera. Sejin, que estava encostado no sofá segurando uma lapiseira, moveu o corpo para o lado para evitar Cheon Seju. O aroma misturado com o cheiro amargo de vinho deixava seu estômago estranhamente desconfortável. Não sabia o motivo, mas estava irritado.
— Você está com cheiro de álcool. Vá para lá.
Ignorando as palavras de Sejin, Cheon Seju se encostou nele e examinou a apostila. O caderno de exercícios de inglês estava uma bagunça. Sejin tentou esconder com a mão, mas Cheon Seju foi mais rápido. Ele perguntou, franzindo a testa:
— Você… ainda não entendeu o particípio passado?
A ladainha estava começando. Cheon Seju costumava falar muito sobre estudos e educação, mas quando bebia, era ainda pior. Ele tinha talento para irritar as pessoas. Sejin, que não queria ouvir o sermão de um bêbado, empurrou Cheon Seju com irritação.
— Ah, vai para lá.
— O que você tem nessa cabeça…?
Claro, ele não se moveu. Embora Sejin tivesse crescido e agora houvesse apenas uma diferença de uns 5 a 6 cm, Sejin, com seu corpo magro e sem músculos, não conseguia vencer Cheon Seju pela força. Cheon Seju estalou a língua e estendeu o braço para a cabeça de Sejin. Colocou a mão sobre o topo da cabeça dele, bagunçando seus cabelos macios. Um cheiro suave de xampu emanou dali. Ele olhou para baixo e viu Sejin, que já estava ofegante com o rosto vermelho.
O garoto, que parecia um problema impossível de lidar, ultimamente estava estranhamente dócil. Era bonito vê-lo se esforçar em tudo — nos estudos, na limpeza, na cozinha. Cheon Seju sorriu em silêncio enquanto examinava o rosto de Sejin, que tinha crescido consideravelmente desde a primeira vez que o viu.
Hoje, Cheon Seju ouviu as notícias dos colegas através de Hayeorum. Entre eles, havia um amigo que já se casou e é pai, um que deixou a medicina devido a um acidente repentino e um que mudou seu estilo de vida para o exterior. Ao ouvir essas histórias, Cheon Seju refletiu sobre como sua vida mudou nos últimos cinco anos.
Então, ele passou a enxergar coisas que não via antes.
Cinco anos atrás, Shin Gyo-yeon o entregou a Seok Yun-hyeong, da matriz da DG, sob o pretexto de treiná-lo. Sob a tutela de Seok Yun-hyeong, o capataz de Shin Gyo-yeon, Cheon Seju sofreu todo tipo de humilhação. O hospital já tinha uma atmosfera vertical rígida, mas este lugar não podia nem ser comparado àquele. Não obedecer resultava em tapas no rosto, e mesmo com o menor erro, ele tinha que suportar insultos e críticas.
Cheon Seju aprendeu a lutar enquanto era esfaqueado e cortado, e foi nessa época que aprendeu a lidar com pessoas que viviam no fundo do poço. Darwinismo social: aqueles que viviam a vida baseada na lógica de que foram deixados para trás pela sociedade desde cedo só podiam ser controlados por força e poder. As pessoas dentro da organização eram feras que não podiam ser controladas por persuasão ou cuidados. Para se tornar alguém capaz de superar aqueles homens e corresponder às expectativas de Shin Gyo-yeon, Cheon Seju aprendeu a se curvar suavemente antes de quebrar e também aprendeu a se valorizar diante dos outros.
Os membros da equipe de tratamento que ele lidera passaram quase pelo mesmo processo. Tanto Goo Hae-ung, Seo Jin-young quanto Yoon Cheol-joo já tinham sido espancados por Cheon Seju até sangrarem. O único que abaixou a cabeça para ele antes mesmo de Cheon Seju fazer qualquer coisa foi Moon Seon-hyeok. Seon-hyeok nunca demonstrou resistência, mesmo quando Cheon Seju o empurrou e assumiu a liderança da equipe de tratamento.
Cheon Seju mudou muito durante o processo de adaptação à organização. Ele não sabia disso até então. Cheon Seju pensava que estava apenas interpretando a pessoa que Shin Gyo-yeon queria, mas, pensando bem agora, não era isso. Ele estava mudando. Embora não na direção que desejava, ele estava claramente fluindo para algum lugar.
O tempo era justo. Não deixava ninguém de fora. Portanto, não foi só Cheon Seju quem mudou.
Cheon Seju olhou para Sejin, que o encarava com um olhar afiado. Ele se lembrou do dia em que o viu pela primeira vez. Naquele corredor, o Cheon Seju que viu Sejin pela primeira vez pensou que ele fosse uma criança ainda menor que Hyein. Isso porque a aparência dele, encolhido e mostrando defensividade enquanto o encarava, parecia extremamente patética. Mas, ao conhecê-lo de fato, Sejin não era tão frágil assim. Pelo contrário, era mais forte, mais resistente e mais tenaz do que qualquer um.
— Qual é a sua altura agora?
— 176 cm.
Sejin respondeu sem hesitar à pergunta repentina de Cheon Seju. Ele cresceu 8 cm em apenas seis meses. Além disso, não foi só a altura; Sejin cresceu muito em vários aspectos.
O rosto, que parecia uma garota de qualquer ângulo por ser fino, continuava com traços delicados, mas agora não havia como não notar que ele era um homem, e o físico, que ele confundiu com o de uma criança, agora era bastante robusto. É claro que, comparado a Cheon Seju, ele ainda era magro e pequeno, mas apenas olhando para seus ombros, que ficavam cada vez mais largos, e para suas mãos e pés grandes, era claro que o crescimento de Sejin não pararia por aí.
— Você cresceu muito…
Às palavras que ele murmurou, Sejin encarou Cheon Seju com um olhar atento. Cheon Seju sentiu, de alguma forma, que até aquele olhar tinha mudado. Sejin não o hostilizava mais. Não o evitava. O relacionamento deles também mudava infinitamente.
O tempo de Sejin também fluía sem falhas. Embora fosse apenas uma convivência temporária, o próprio fato de poder testemunhar o crescimento de Kwon Sejin bem ao seu lado parecia trazer conforto a Cheon Seju. Seus lábios se suavizaram.
— Minha irmã também…
Ele bebeu demais. Palavras que não deveriam ter saído escaparam. No entanto, Cheon Seju sorriu sem conseguir conter as palavras.
Não foi a vida de Cheon Seju que parou. Foi a vida de Cheon Hyein que foi preservada em uma única fotografia. Para ela, não havia mais passado nem futuro. Cheon Seju estava apenas olhando para a última foto dela.
— Seria bom se você crescesse como ela…
A bebida excessiva destravou as trancas do coração, fazendo o que estava represado transbordar. Cheon Seju sentiu o peito apertar e pensou:
Pelo menos eu.
Se ao menos eu tivesse morrido em seu lugar.
Se fosse assim, ele não teria que decepcionar Hyein enquanto vivesse, nem prolongar uma vida que não correspondia às expectativas dela. O pensamento de que, se Cheon Hyein estivesse viva, ela teria vivido uma vida muito mais significativa que a dele, não saía de sua cabeça. Cheon Seju abaixou a cabeça, incapaz de lidar com a culpa que esmagava seu cérebro.
Sua testa reta tocou o ombro de Sejin. O ombro que ele pensava ser pequeno era mais firme e largo do que ele imaginava. Por um momento, era um lugar onde ele podia se apoiar. Sentindo o cheiro acolhedor que emanava dele, Cheon Seju fechou os olhos suavemente. Ele murmurou, como se achasse Sejin admirável:
— Você cresceu muito, nosso Sejin…
— …….
Com essa frase, o silêncio caiu sobre o ambiente. Ouvindo a respiração pesada de Cheon Seju, Sejin parou de respirar. Um rubor surgiu em seu rosto pálido, e ele ficou paralisado, sem saber o que fazer com as bochechas vermelhas.
Deveria tê-lo empurrado, dito que tipo de embriaguez era essa e mandado que fosse dormir, mas seu corpo não se movia. Por que isso está acontecendo? Parecia que o ombro onde a testa dele tocava estava pegando fogo. Mas ele não conseguia saber se era Cheon Seju que estava quente ou se era ele mesmo.
— Cheon Seju.
A voz que chamava seu nome tremia levemente. Sejin, sentindo estranhamente seu coração bater forte, levantou o braço. A mão, colocada sobre as costas de Cheon Seju, que adormeceu como se tivesse desmaiado, deslizou logo em seguida e envolveu sua cintura. Puxando-o para que Cheon Seju pudesse se apoiar nele completamente, Sejin engoliu seco.
Era um sentimento estranho. Sejin não sabia de onde vinha a ganância de querer que aquele momento durasse muito tempo.
Com certeza ele ouviu de alguém que eu fui ao Ihwagak e me encontrei com Kim Hyunkyung sozinho. Sejin, que perguntou sentindo-se culpado, assentiu como esperado. Com o rosto rígido, ele respondeu apenas um ah, franziu a testa, empurrou a cadeira e levantou-se.
Eu pensei que ele estivesse tentando evitar uma conversa por estar irritado, mas Sejin foi até a panela elétrica e serviu uma segunda porção de arroz. Pelo visto, ele não estava tão bravo assim. Cheon Seju pensou isso e perguntou a ele novamente.
— Como…?
Quem diabos contou a ele? Kim Hyunkyung, com certeza não. Han Jiwon também, de jeito nenhum. Então, Chae Beomjun? A única pessoa capaz de ouvir sobre o Ihwagak e contar ao Sejin era aquele sujeito. Embora Chae Beomjun e Sejin não se conhecessem, ele era o tipo de pessoa que, ao encontrar Sejin no elevador, teria tagarelado sobre qualquer segredo que soubesse, só por vontade própria.
No entanto, à pergunta de Cheon Seju, Sejin deu uma resposta incompreensível.
— …A porta estava um pouco aberta.
— …
A porta estava aberta? Cheon Seju perguntou de volta com uma expressão de quem não entendia nada.
— A porta do dormitório estava aberta?
Então ele ouviu a conversa entre mim e Kim Hyunkyung? Cheon Seju lembrou-se do que Kim Hyunkyung havia confessado ontem. Ela disse que havia um homem de quem ela gostava na cozinha. Se ele ouviu aquilo, é compreensível que Sejin esteja se sentindo incomodado. Não, espere, como ele, que estava na escola, foi ao Ihwagak ouvir isso? Será que Chae Beomjun realmente…
— O que a porta do dormitório tem a ver com isso?
— …Ah?
Enquanto Cheon Seju suspeitava de Chae Beomjun, Sejin perguntou de volta, semicerrando os olhos. O rosto de Sejin estava cheio de uma expressão de quem não entendia aquela conversa. Quando Cheon Seju abriu a boca, incapaz de responder imediatamente, Sejin estufou levemente as bochechas, olhou diretamente para Cheon Seju e perguntou.
— Porta do dormitório? Você está falando da porta do dormitório do Ihwagak? Você foi ao Ihwagak? Por quê? Quando? Ontem? Ontem era segunda-feira, por que você foi lá? Aconteceu alguma coisa com a minha mãe?
— …O quê? Não, espere um pouco.
Com uma expressão confusa, ele levantou a mão e passou-a pelos cabelos molhados enquanto olhava para Sejin. Um suspiro perplexo escapou de seus lábios ao perceber o erro. Porra, não era isso. Kwon Sejin definitivamente não sabia sobre o Ihwagak. Então, de que porta ele estava falando?
Cheon Seju sentiu um calafrio percorrer sua espinha e olhou para Sejin com um olhar de desconfiança. Sejin não se importou com aquele olhar e o apressou.
— Do que você está falando sobre a porta do dormitório? Realmente aconteceu alguma coisa?
— Não, não, não aconteceu nada.
Eu queria enrolar de alguma forma, mas não consegui pensar em uma desculpa adequada. Como Sejin estava com um olhar persistente, como se fosse fazer a mesma pergunta centenas de vezes se eu não desse uma resposta convincente, Cheon Seju, que estava apenas ganhando tempo, suspirou profundamente e não teve escolha a não ser contar parte da verdade.
— É verdade que eu fui ao Ihwagak.
— Por quê? Você disse que tinha coisas importantes para fazer ontem. Isso era assunto do Ihwagak? Você foi por causa da minha mãe?
Uma rachadura surgiu no rosto antes frio de Sejin. Ele me interrogou com uma expressão de preocupação máxima, como se algo tivesse acabado de acontecer. Bem, ele era o tipo de pessoa que nunca conseguia manter a calma quando se tratava da mãe. Era por isso que Kim Hyunkyung havia pedido para não deixar Sejin saber que ela havia desmaiado. Cheon Seju estalou a língua mentalmente e inventou uma desculpa que veio à sua mente.
— Eu fui por sua causa, por sua causa.
— Eu? Por quê? O que eu fiz?
— Você… fui fazer um aconselhamento vocacional.
— O quê?
Diante do assunto repentino, Sejin perguntou de volta como se achasse absurdo. Eu já tinha muito o que dizer, então isso veio a calhar. Deixando-o atordoado, Cheon Seju despejou seus sentimentos internos como se fossem os de Kim Hyunkyung.
— Sua mãe perguntou se você estava estudando bastante. Ela me ligou separadamente para perguntar porque achou que, se perguntasse na sua frente, você ficaria irritado e preocupado, então eu passei lá um pouco antes da hora do jantar e conversamos. Sua mãe disse que não sabe se você resolve os problemas direito porque você é impaciente e estúpido, mas que, se você estudar bastante, talvez consiga uma bolsa de estudos para famílias de baixa renda e ir para a universidade, e perguntou se eu sabia o que você queria fazer, pois não tinha certeza. Então eu disse que não sabia direito, mas que você, Kwon Sejin, estava se esforçando à sua maneira. Sobre a universidade, de qualquer forma, isso pode ser decidido depois do vestibular, olhando as notas. Primeiro, você entra, estuda, e se tiver interesse em alguma coisa, pode mudar de curso depois. Eu disse para ela não se preocupar muito.
— …
Enquanto ouvia Cheon Seju falar sem parar, Sejin continuava semicerrando os olhos. Era porque ele não acreditava nem um pouco. Quando ele terminou, Sejin, ainda desconfiado, perguntou a Cheon Seju.
— Minha mãe disse que eu sou estúpido?
— Sim.
Aquela resposta concisa era absurda. Quem ele estava tentando enganar? Sejin largou os hashis e retrucou, encarando Cheon Seju.
— Não minta. Minha mãe disse que sou inteligente, só que não estudo. Você está mentindo agora, não está? E isso de resolver os problemas direito, isso é tudo o que você sempre diz.
— Ei.
Ele era mais esperto do que eu pensava, mas Cheon Seju riu com desdém, sem nenhum sinal de pânico, e zombou de Sejin. Enrolar Kwon Sejin não era nada difícil. Se você arranhasse um pouco o ego dele, Sejin logo perdia o foco e sua mente se voltava para outro lugar.
— Mesmo sendo mãe, ela diria abertamente para o filho que ele é estúpido? Você deve filtrar o que uma mãe diz. Quando saem lá fora, 90 em cada 100 homens acham que são bonitos. Sabe por quê? Porque as mães deles vivem dizendo isso. Mas olhe na realidade. Existe um homem tão bonito quanto o seu hyung em cada 100?
— …
Seu rosto pequeno estava distorcido de forma carrancuda. O exemplo era absurdo, mas como não estava totalmente errado, ele não podia discutir muito. Sejin olhou para Cheon Seju por um bom tempo com um rosto insatisfeito, com uma das bochechas inchada.
Kim Hyunkyung não estava muito interessada nas notas de Sejin. Ela era alguém que dizia que, se ele não quisesse estudar, não precisava, e que era mais importante encontrar algo que ele gostasse de fazer. Não fazia sentido que ela tivesse chamado Cheon Seju para tratar da sua progressão escolar. Mas, se fosse verdade que essa conversa aconteceu entre os dois, provavelmente não foi a mãe dele que chamou Cheon Seju, mas Cheon Seju quem foi até ela primeiro para falar sobre o assunto dele.
Ao pensar nisso, além da suspeita absurda, ele se sentiu ofendido. Sejin olhou diretamente nos olhos dele, como se estivesse avisando, e falou com uma voz baixa.
— Você, não tem segundas intenções com a minha mãe, tem…?
— …O quê?
A coisa que ele disse depois de preparar todo aquele clima era apenas esse tipo de bobagem. Diante de uma suposição tão absurda, Cheon Seju abriu a boca, rindo com escárnio, como se estivesse ouvindo a coisa mais inacreditável da vida. Para ele, Sejin fez uma ameaça real.
— Se você estiver pensando nisso, nem que seja um pouco, é melhor tirar o cavalinho da chuva. Porque a minha mãe não gosta de homens como você, que são apenas uns cafajestes bonitos.
— O que você está dizendo?
Como a diferença de idade entre os dois não era tão grande, a suspeita de Sejin era até razoável. Mas Cheon Seju era um homossexual nato que nunca tinha tido sentimentos por uma mulher, e acima de tudo.
— Ei, se você disser que terei um filho como você, já sinto que minha cabeça vai explodir, então não diga essas coisas terríveis. Eu não quero um filho burro como você, nem que me tragam de caminhão.
Já era cansativo apenas morar na mesma casa, então só de pensar em criar um cara teimoso como Kwon Sejin, ele sentia arrepios em todo o corpo. Mesmo que o mundo virasse de cabeça para baixo e ele se envolvesse com Kim Hyunkyung, Cheon Seju não gostaria de se casar com ela por causa de Kwon Sejin.
Com as palavras dele, Sejin franziu a testa como se seu orgulho tivesse sido ferido. Quem é você para me rejeitar? Antes que ele pudesse abrir a boca para reclamar, Cheon Seju mudou de assunto primeiro.
— Então, eu falei, agora você também fale. De que porta aberta você estava falando?
— …
E Sejin fechou a boca como se estivesse possuído. Ao ver Sejin desviar o olhar como se não quisesse conversar, ao contrário de quando ele estava falando bobagens com uma expressão séria agora há pouco, uma frustração subiu. Definitivamente havia algo. Quando Sejin disse anteriormente que a porta estava aberta, Cheon Seju sentiu algo que o incomodou estranhamente. Não, não pode ser. Pensando nisso, ele pressionou Sejin para confirmar.
— Do que você está falando? Quando alguém pergunta, deve-se responder.
— …Não é nada.
— Eu também contei. Diga logo. Não me irrite.
Se terminássemos a conversa assim, eu me sentiria tão mal que não conseguiria dormir de jeito nenhum. A situação inverteu de uma vez. Desta vez, Cheon Seju interrogou Sejin, e Sejin tentou manter o silêncio. No entanto, em termos de persistência, Cheon Seju não ficava atrás de Sejin.
— Que porta. Que porta estava aberta.
Porta do banheiro? Porta do quarto? Não é a porta do quarto, é? Por favor, Cheon Seju continuou a pressionar Sejin, esperando que não fosse isso. No final, Sejin não conseguiu vencer Cheon Seju e teve que contar a verdade.
— De madrugada.
Parecia que o inverno estava chegando com aquelas três sílabas. Sua espinha ficou gelada.
— A porta do seu quarto estava aberta… então eu vi.
Porra…
O rosto de Cheon Seju endureceu friamente. Ele estava pensando, não pode ser, não pode ser, mas torcia para que não fosse, mas parecia que o que ele sentiu de madrugada não tinha sido um erro.
O banheiro era o problema. Cheon Seju, que entrou no seu quarto dormindo enquanto ia urinar, encontrou Doyun dormindo profundamente na cama e o abraçou. Doyun, que havia bebido muito e adormecido cedo, acabou acordando com aquele abraço e, incapaz de superar a embriaguez residual, começou a se esfregar em Cheon Seju.
O fato de Kwon Sejin estar em casa já tinha sido completamente esquecido quando ele acariciou a cintura de Doyun. Como um procedimento natural, Cheon Seju o abraçou. Mas, no meio da relação, um vento frio soprou de algum lugar. Como se a porta estivesse aberta… Mas, quando ele se virou estranhando, a porta já estava bem fechada, então Cheon Seju descartou como sendo um erro seu. Mas a porta estava realmente aberta.
— Você estava falando disso.
— Então…
Foi por isso que ele ficou tão irritado. Cheon Seju escondeu a testa franzida sob a palma da mão e a segurou. Foi justamente na noite passada que ele pensou que não tinha intenção de se assumir para Sejin. Mas ser descoberto dessa maneira naquela madrugada. Ele ficou muito perplexo, pensando que isso era um desastre não só para ele, mas também para Doyun.
Além disso, não deve ter sido uma cena agradável para Sejin. Eles não eram estranhos completos, e ele presenciou a cena de sexo do seu tutor, então ele deve ter ficado bastante incomodado, e não era heterossexualidade, era sexo entre homens, que é um tabu.
— …Desculpe.
O que diabos eu deveria dizer? Cheon Seju, que estava 고민, acabou se desculpando com Sejin. Diante do pedido de desculpas conciso, Sejin apenas acenou com a cabeça com os lábios cerrados, sem dizer nada. Cheon Seju mexeu nos lábios como se estivesse em apuros e olhou para Sejin de soslaio. Inesperadamente, não havia nenhum sinal de nojo em Sejin.
Naquele momento, pensei que fosse inesperado. Sejin tinha um jeito de falar que parecia ter vindo da dinastia Joseon, um heterossexual clássico, e já tinha expressado que achava nojento que homens fizessem esse tipo de coisa. Cheon Seju, que se recompôs um pouco com isso, apoiou o queixo na mão e observou Sejin fixamente.
— …
Sejin estava apenas com o rosto emburrado. Ele não parecia ter intenção de perguntar sobre a orientação de Cheon Seju ou sobre seu relacionamento com Doyun. Seu coração, que estava agitado, acalmou-se gradualmente com aquela aparência calma. Ele é realmente uma pessoa de mente aberta? Kwon Sejin? Cheon Seju ponderou e repassou o que aconteceu pela manhã.
Ao contrário de agora, de manhã houve uma reação notável. Cheon Seju, lembrando-se de Sejin, que estava irritado na frente do elevador, de repente se perguntou se aquilo era realmente irritação com o cheiro do seu suor.
— Você não está nem aí?
— O quê? Sobre você tocar em alguém que estava bêbado e dormindo, sem ter consciência? Ou sobre fazer sexo com um homem em uma casa onde há um menor de idade? Ou sobre fazer esse tipo de coisa com alguém com quem você nem é tão próximo?
— …
Não era que ele não estivesse nem aí, parecia que havia tantas coisas que o incomodavam que ele estava escolhendo por onde começar. Diante das palavras que Sejin disparou assim que fiz a pergunta, Cheon Seju colou os lábios e acariciou a bochecha com a mão que apoiava o queixo.
Sim, era estranho que Kwon Sejin, que tinha uma mentalidade conservadora a ponto de dizer que deveria usar roupas mesmo em casa, não mostrasse nenhuma reação. Olhando para o comportamento habitual de Sejin, o normal seria que tudo aquilo o incomodasse.
— Sinto muito. Não foi de propósito.
A distância do quarto de Cheon Seju ao de Sejin era grande o suficiente para que não se ouvisse mesmo que gritassem. Mas, ainda assim, era uma casa onde morávamos juntos, então deveríamos ter sido mais cuidadosos. Cheon Seju admitiu seu erro sem hesitação e se desculpou com Sejin mais uma vez. Então o rosto de Sejin foi ficando cada vez mais amuado. Com os olhos cerrados, os lábios esticados de insatisfação e as bochechas estufadas, Sejin encarou Cheon Seju com um olhar que parecia de alguma forma injustiçado, e então abaixou a cabeça.
Como ele não dizia nada, era impossível saber o que ele estava pensando. Mas sua reação era perfeitamente compreensível. Como não podia terminar a conversa assim, Cheon Seju relembrou os namorados que reagiram ao seu coming out. Pensando que Sejin também parecia heterossexual e que não teria uma reação muito diferente da deles, ele abriu a boca.
— Vou ser mais cuidadoso no futuro. E eu não pretendia falar sobre isso dessa maneira, mas sinto que preciso ser claro, eu gosto de homens.
Com essa confissão repentina, Sejin se assustou e levantou a cabeça. Os olhos arregalados, as pupilas transparentes como vidro brilhavam. Sentindo aquele olhar que o encarava fixamente, Cheon Seju falou para tranquilizar Sejin.
— Mas não precisa se preocupar. Você não faz o meu tipo, então não precisa se preocupar se eu gosto de você ou se vou fazer alguma coisa.
Normalmente, quando se dizia isso, os amigos heterossexuais que aceitavam o coming out ficavam perplexos, mas costumavam rir daquelas palavras. No entanto, a reação de Sejin foi diferente de qualquer outra.
— O quê? O que tem de errado comigo?
Kwon Sejin estava… irritado. Os cantos dos olhos, que estavam caídos, subiram para cima, e um calor brilhou em suas pupilas transparentes. Encarando Cheon Seju, Sejin perguntou com uma voz que parecia mastigar as palavras.
— O que me falta? O que eu tenho de menos que aquele homem para você dizer uma coisa dessas?
Aquela reação foi desconcertante. Cheon Seju, que mexia na garrafa de água, olhou para ele fixamente com os olhos um pouco arregalados, depois riu como se fosse absurdo e perguntou.
— Ei, por que você está bravo? Você ficou ofendido?
— Quando foi que eu fiquei bravo?
Sejin negou imediatamente, mas Cheon Seju viu. E aquele comportamento de Sejin era…
— Você está bravo agora. Como se…
Como se você gostasse de mim.
Cheon Seju, que não conseguiu terminar a frase, ficou momentaneamente perplexo e fechou a boca.
Enquanto vivia com Sejin, as situações que eu ignorava pensando, não pode ser, passaram pela minha cabeça num instante. O olhar persistente que começou a me seguir desde certo dia, o olhar que mirava a marca no meu pescoço, Kwon Sejin, que corava toda vez que eu acariciava sua cabeça, até mesmo a discussão da noite passada sobre não querer deixar Doyun e eu no mesmo quarto…
Não, porra.
Será? A suspeita, que crescia incontrolavelmente, voltou-se para Sejin, que estava na minha frente. Ao pensar em tudo o que ele fez até agora, a peça se encaixava perfeitamente se eu pensasse que Sejin, que estava bravo naquele momento, estava assim porque gostava de mim. Sério? Cheon Seju olhou para Sejin como se não pudesse acreditar. Com aquele olhar, Sejin explodiu de raiva.
— Eu não estou bravo!
Fiquei muito perplexo. Observando Sejin, que continuava bravo até no momento em que insistia que não estava, Cheon Seju abriu a tampa da garrafa de água em silêncio. Bebendo a água que tinha ficado morna, ele se esforçou para acalmar o coração e observou a reação de Sejin, que bufava de raiva.
Mesmo assim, era um mal menor dentro do azar. Kwon Sejin tinha apenas 19 anos, e mesmo que ele realmente gostasse de mim, havia uma alta probabilidade de que fosse apenas um sentimento passageiro. Eu não achava que aquilo pudesse ser sincero.
Mas, morando na mesma casa, era uma situação embaraçosa, mesmo que fosse apenas um incidente passageiro. Cheon Seju, com uma das mãos apoiando a bochecha, encarou Sejin com um olhar de preocupação e abriu a boca com dificuldade.
— Kwon Sejin.
— O quê.
O olhar que me encarava era impuro. Cheon Seju franziu a testa e perguntou diante do olhar que parecia estar queimando, como se estivesse pegando fogo por algum motivo.
— Você gosta de homens?
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna