Parte 05
Projection Vol. 6.5
— Cheon Seju.
Uma voz doce alcançou a lateral de seu ouvido. Alguém massageava seus braços e pernas. Não conseguindo suportar aquela sensação que causava leve coceira, Cheon Seju ergueu a mão e agarrou o pulso da outra pessoa. Era um pulso fino, mas de ossatura larga. Como se já o tivesse segurado por um tempo cansativamente longo em algum momento no passado……
— Você está bem?
Diante da voz que ecoou mais uma vez, Cheon Seju ergueu as pálpebras lentamente. Onde seria este lugar. Avistou um teto totalmente branco dotado de um exaustor. Parecia um local que conhecia, mas a lembrança estava vaga.
O que estou fazendo aqui. Cheon Seju pensou distraidamente e virou a cabeça. Então, um rosto familiar entrou em seu campo de visão. As sobrancelhas de Sejin, carregadas de preocupação, estavam caídas em forma de tristeza, e os cantos de seus olhos estavam vermelhos como se tivesse derramado lágrimas. Observando aquele rosto bonito distraidamente, Cheon Seju ergueu a mão. Acariciando os olhos de Sejin, perguntou:
— …Você chorou?
Como se aquelas palavras fossem um sinal, as pupilas de Sejin se encheram de água. Cheon Seju limpou as lágrimas que corriam pelas bochechas dele sem dizer nada. Teria ele se lembrado de Kim Hyungkyung, foi no exato momento em que pensou assim.
Ao mesmo tempo em que o local exato onde estava surgiu em sua mente, a lembrança que havia se tornado vaga retornou de forma nítida. O coração acelerou os batimentos, tum, tum, e Cheon Seju ergueu a cabeça gradualmente, olhando para Sejin de baixo.
— ……
Kwon Sejin viu o subsolo. O fato que ele queria esquecer atingiu sua cabeça.
— Cheon Seju….
No entanto, antes que ele entrasse em pânico novamente, um calor caloroso envolveu todo o seu corpo. Cheon Seju agarrou a lucidez que se afastava diante da temperatura corporal de Sejin, que o abraçou com uma voz embargada pelo choro.
O coração continuava a bater como se fosse explodir. Não, talvez já tivesse explodido. Um desespero ardente transbordava em seu interior.
Sejin soube da verdade da maneira que ele menos desejava. Um arrependimento terrível o invadia. Como já havia arruinado a primeira relação, não imaginava que até mesmo o plano de confessar tudo se desestruturaria dessa forma. Sentiu uma autocrítica por ver por que as coisas continuavam sem se resolver da maneira que queria no que dizia respeito a Sejin.
Por que diabos eu teria pedido para ele vir me buscar.
A frase dita esquecendo completamente o fato de que Sejin já havia visitado o estúdio provocou um acidente irreversível. Deveria ter falado com precisão, deveria ter dito para ele vir para a Shinsa Capital. Cheon Seju sentiu seu interior queimar diante do arrependimento que o invadia como uma onda.
— Eu estou bem. Por isso, não sinta medo…
Então, diante das palavras que Sejin sussurrou em um determinado momento, Cheon Seju perdeu a fala. Está bem? O que está bem. Significa que, mesmo tendo visto tudo aquilo no subsolo, ainda assim está tudo bem? Várias palavras rondaram o interior de seus lábios que não se moviam de jeito nenhum.
No entanto, Cheon Seju não conseguiu abrir a boca facilmente devido a um incômodo que pressionava pesadamente todo o seu corpo e ergueu os braços. E então, pousou a mão hesitando nos cabelos de Sejin, que afundava o rosto em seu peito.
Ele reuniu coragem e acariciou o cabelo de Sejin. Sejin não fugiu. Também não empurrou a mão de Cheon Seju. Diante da imagem de Sejin, que apenas recebia seu toque calmamente como sempre, Cheon Seju só então recuperou a calma gradualmente.
Seria uma ilusão criada por mim, que desabei após receber o choque, ele chegou a ter esse pensamento por um instante, mas não era o caso. O cabelo de Sejin que se envolvia entre seus dedos possuía uma forma clara. Para ele, que assimilava o fato de que aquilo era a realidade e de que Sejin não havia fugido dele mesmo sabendo da existência do subsolo, a voz calma de Sejin se fez ouvir:
— Disseram que foi hiperventilação. Quase aconteceu algo grave…
Sejin murmurou enquanto escutava os batimentos cardíacos de Cheon Seju. Seo Jinyoung, que lia um gibi no escritório ignorando a ausência de Haeung e Seonhyuk, ouviu o alarme que tocou ao reconhecer o rosto de Sejin. Jinyoung, que verificou as câmeras de segurança, correu horrorizado ao ver que Cheon Seju havia desabado e constatou que ele havia sofrido uma crise de hiperventilação.
Apavorado sem saber que diabos de situação era aquela, ele acabou transferindo o Cheon Seju inconsciente junto com Sejin para o quarto do quarto andar, e Cheon Seju havia recuperado os sentidos cerca de 10 minutos depois daquilo. Cheon Seju, que ouviu o relato da situação através de Sejin, endureceu a expressão sem dizer nada.
Quão assustado ficou ao ver a imagem de Sejin subindo do subsolo. Pensou que seu interior havia revirado junto com um choque que fazia o coração parecer que ia explodir, mas não imaginava que aquilo levaria a um estado de pânico daquela forma. O mundo que girava e a mão que o segurava, provavelmente teria sido Sejin. Lembrando-se do momento em que desabou ao lado dele, Cheon Seju engoliu o amargor.
O pavor de que poderia perder Sejin provocou aquele tipo de reação em Cheon Seju. Aquilo significava que Kwon Sejin possuía um significado imenso para ele. Era uma constatação que já nem sequer parecia nova.
— Kwon Sejin.
— Sim…….
Cheon Seju respondeu baixinho e olhou para Sejin, que acariciava seu rosto. Como ele apoiava a bochecha em seu peito, o que dava para ver eram apenas as suas duas pupilas, mas, bastava cruzar os olhares com aqueles olhos para notar o fato de que ele não pretendia odiá-lo ou mantê-lo afastado. Após confirmar aquilo com os próprios olhos, pareceu que a pressão que esmagava pesadamente todo o seu corpo havia desaparecido. Cheon Seju soltou um suspiro ao sentir o coração que batia aceleradamente desacelerar aos poucos.
Assim que ele ergueu o corpo com dificuldade, Sejin, que endireitou o tronco, segurou o braço de Cheon Seju para apoiá-lo. Cheon Seju observou aquele rosto carregado de preocupação sem dizer nada. Realmente, era inacreditável o fato de que Kwon Sejin realmente não parecia se importar mesmo tendo visto o subsolo.
— …Vamos.
No entanto, Sejin existia de verdade diante de Cheon Seju. Sentado com um rosto sereno como uma pessoa com quem nada tivesse acontecido, não dava para encontrar sequer um sinal de abalo nele. Cheon Seju sentiu um profundo alívio diante daquela imagem e levantou-se de seu lugar.
Embora tenha cambaleado por um momento, não caiu. Enquanto ele estava de pé, apoiado na parede, respirando fundo, Sejin perguntou com uma voz preocupada:
— Você vai para casa?
— …Eu tenho um lugar para ir.
Ao encontrar Sejin em frente à Sinsa Capital, havia um lugar para o qual ele pretendia levá-lo. Embora Sejin já tivesse visto o porão, isso não significava que ele pudesse começar a falar dali sem dizer mais nada. Ele não queria isso. Cheon Seju queria, nem que fosse um pouco… nem que fosse um pouco, contar-lhe tudo o que lhe aconteceu para que ele não o odiasse. Ele queria se defender, dizendo que tinha motivos para isso.
Diante das palavras silenciosas de Cheon Seju, Sejin apenas acenou com a cabeça e se levantou. Seguindo Cheon Seju, que descia as escadas, ele saiu do prédio e entrou no carro que ele havia estacionado. O interior do veículo, cujo motor ainda não havia sido desligado, estava quente. Sejin colocou o cinto e observou o jeito que Cheon Seju dirigia, espiando-o de vez em quando.
O carro saiu de Seul. Mesmo sem ter um destino marcado no navegador, Cheon Seju parecia conhecer o caminho e dirigiu em silêncio em direção ao destino. E o lugar onde finalmente chegaram foi um columbário. Lembrando-se da existência da irmã mais nova, que ele havia esquecido, Sejin mordeu os lábios, lamentando o fato de que sua suposição estava correta.
Cheon Seju entrou naturalmente no estacionamento e parou o carro. Como ele saiu correndo da Sinsa Capital sem pegar nem o paletó, ele ainda estava apenas de camisa. O dia não estava tão frio, mas como ele não podia deixar alguém que havia desmaiado andar por aí apenas de camisa, assim que desceu do carro, Sejin tirou seu próprio casaco e entregou a ele.
— Vista isto.
— …….
Se Cheon Seju recusasse, ele pretendia vesti-lo à força, mas ele deu um sorriso fraco e aceitou a roupa de Sejin. De pé ao lado de Cheon Seju, que havia passado os braços pelas mangas e vestido o casaco, Sejin esperou que ele desse o primeiro passo.
No entanto, mesmo depois de muito tempo, Cheon Seju não deu sinal de que iria se mover. Enquanto ele observava parado, o homem de repente soltou uma risada seca e se virou para Sejin, sorrindo.
— Desculpe, não sei onde fica. Vamos falar com a recepção.
Era estranho que, tendo vindo de Seul até Suwon sem nem usar o navegador, ele não soubesse a localização do nicho. Sejin seguiu silenciosamente atrás de Cheon Seju. Juntos, foram até a recepção do columbário e encontraram um funcionário.
— Sim, qual é o nome do falecido?
— …É Cheon Hyein.
Cheon Hyein. Sejin provou o nome lentamente em sua boca. Ao lembrar do rosto que vira no álbum, imaginou ela abrindo um sorriso largo se ele a chamasse de Hyein-ah. Ela era uma pessoa linda, muito parecida com Cheon Seju.
Enquanto seguiam as instruções do funcionário até o local onde as cinzas dela estavam depositadas, Sejin não disse nada. Sabendo que Cheon Seju havia pensado muito e se esforçado muito para chegar até ali, e sabendo por quantos medos ele teve que passar até poder confessar seu passado, Sejin esperou em silêncio que ele abrisse a boca.
O nicho ao qual chegaram ficava na parte mais profunda do columbário, bem ao lado da janela onde o sol batia bem. No nicho, que ficava bem no campo de visão de Cheon Seju, estava uma urna feita de cerâmica delicada, onde o nome e a data de nascimento de Cheon Hyein estavam escritos. Ao verificar o dia em que ela partiu, Sejin percebeu que o período coincidia com o ano em que Cheon Seju desistiu da residência médica.
— É minha irmã mais nova.
Foi quase quinze minutos depois que Cheon Seju, que olhava fixamente para a urna dela, abriu a boca. Ele, que gravava o nome dela em seus olhos com um olhar doloroso, virou-se para Sejin e falou. Sua voz abafada, porém, não era lúgubre, mas monótona. Sejin sentiu uma tristeza ainda mais profunda com isso e acenou com a cabeça.
— …Não era minha intenção ver, mas vi um álbum e fotos em uma caixa dentro do armário. Ela é parecida com você. Ela era linda.
— …É mesmo?
Em vez de se irritar, Cheon Seju sorriu. Ele concordou fracamente com o comentário de que ela era bonita e desviou o olhar novamente. A luz do sol que entrava pela enorme janela iluminava o lado do rosto dele. Sejin observou fixamente a sombra que se formava no outro lado do rosto. O que Cheon Seju estava prestes a confessar era a história dentro daquela sombra. Não vamos ficar surpresos, não importa o que seja dito, não vamos ferir Cheon Seju. Sejin prometeu isso a si mesmo e ouviu atentamente a voz dele.
— Hyein… morreu há seis anos. Ela foi vítima de bullying pelos colegas da mesma turma e, no final, não aguentou e se suicidou. Para me vingar por Hyein, sequestrei e machuquei aqueles culpados e, nesse processo, fui preso pela polícia. E… Shin Gyuyeon, o homem a quem sirvo agora, se aproximou de mim demonstrando interesse. Ele perguntou se eu não gostaria de trabalhar para ele, dizendo que me deixaria terminar a vingança que não pude concluir.
A história resumida omitia inúmeros detalhes que não podiam ser ditos. Cheon Seju disse isso e sorriu amargamente. Uma voz baixa escapou dele.
— Eu aceitei a proposta e, com a ajuda de Shin Gyuyeon, terminei a vingança. Foi a partir daí que tudo começou. A vida na organização…
Seus olhos, afundados em profundidade, voltaram-se para Sejin. Cheon Seju olhou para Sejin com um olhar que parecia carregar arrependimento e começou a falar.
Até o momento em que se conheceram naquele corredor do prédio velho e ele levou Sejin para casa, ele nunca pensou que acabaria contando essa história. Ele pensou que seria um encontro passageiro e que pretendia deixar o mundo depois de expiar seus pecados por ele…
Mas Sejin não era apenas um encontro passageiro; em pouco tempo, tornou-se o pilar que sustentava a vida de Cheon Seju. Agora, a situação era o oposto. Se Cheon Seju perdesse Sejin, ele não conseguiria viver. Emoções complexas giravam dentro dele como uma tempestade. Engolindo o que subia à garganta, Cheon Seju confessou com um olhar doloroso.
— Antes de morrer… Hyein me esperou por um longo tempo no corredor do apartamento. Ela me ligou várias vezes enquanto isso, mas eu estava na sala de cirurgia e não pude atender.
Ele nunca havia mencionado o que aconteceu naquele dia. Chae Beomjun e Seok Yunhyung sabiam o que havia acontecido com Hyein, mas não sabiam que foi Cheon Seju quem declarou a morte dela naquele dia. Relembrar aquele dia fazia sentir como se houvesse fogo dentro dele. Cheon Seju engoliu com esforço o desespero que subia como lava e continuou a falar.
— Disseram que um paciente em estado crítico chegaria durante a cirurgia, então eu saí da sala de cirurgia primeiro. Enquanto esperava o paciente no saguão da emergência com os médicos… a ambulância chegou e o estado do paciente que descia… parecia que ia morrer logo. Mas ali, eu, eu…
A tristeza e o desespero reprimidos por seis anos reviraram seu interior. Cheon Seju, refletindo sobre o passado, olhou fixamente para a urna de Hyein. Suas bochechas, onde ele mordia os lábios trêmulos, estavam pálidas e secas, mas mesmo assim, Sejin sentiu que ele parecia estar chorando. Parecia que, se tocasse em suas bochechas, suas pontas dos dedos ficariam molhadas.
— Eu pensei que… não havia esperança para aquele paciente. No entanto. No entanto… aquele paciente…
Ele não precisava ouvir o resto para entender. Sem conseguir olhar para o rosto de Cheon Seju, que sofria em silêncio, Sejin o abraçou. As bochechas vermelhas de Sejin ficaram encharcadas. Chorando de forma dolorosa, talvez com um rosto ainda mais dolorido que o de Cheon Seju, Sejin o abraçou e o confortou.
— Cheon Seju, você era um médico… Você apenas julgou como médico. Você não fez nada de errado…
Diante do conforto de Sejin, ele finalmente desmoronou. Cheon Seju, apoiado no corpo de Sejin, chorou em silêncio. A tristeza acumulada molhou as roupas de Sejin com calor. O arrependimento, a injustiça e a dor que ele guardava no fundo do coração desde sempre finalmente transbordaram de Cheon Seju após muito tempo…
Você não tem culpa de nada. Essa história, ele ouviu de muitas pessoas, mas não sabia por que as palavras de Sejin rasgavam tanto o seu coração. Como se fosse a primeira vez que ouvia aquilo, Cheon Seju soluçou sem som.
Ele era um médico, e julgar o estado do paciente era um dever que lhe fora imposto. Era natural que Cheon Seju, vendo o estado de Hyein, tivesse chegado à conclusão de que não havia esperança. Mesmo assim, Cheon Seju não conseguia apagar o pensamento de que ela acabou não sobrevivendo por causa dele. Se ele tivesse pensado que ela sobreviveria, em vez de pensar que não havia esperança. Se ele tivesse pensado que poderia salvá-la, talvez ele pudesse realmente ter salvado Hyein… Cheon Seju nunca conseguiu apagar esse pensamento por um segundo sequer durante seis anos.
Mas agora, ele finalmente podia reconhecer que aquilo não era um erro seu e que ele apenas fez o que precisava fazer. Hyein queria que ele se tornasse médico, por isso ele apenas julgou como médico, não que ele quisesse que ela morresse… Ele finalmente podia admitir…
— Se você pensou assim, outra pessoa teria pensado igual. Cheon Seju, você apenas fez o que tinha que fazer. Portanto, sua irmã mais nova não vai te culpar por isso.
Sejin sussurrou para ele com os olhos cheios de lágrimas, abraçando Cheon Seju. Parecia que aquelas frases estavam juntando, pouco a pouco, seu coração que estava em pedaços. Ofegante, Cheon Seju abraçou Sejin. Como alguém que apostou a própria vida nele, agarrando-se desesperadamente, ele despejou todo o arrependimento daquele dia.
Foi só depois de muito tempo que Cheon Seju parou de chorar. Com os olhos avermelhados, os dois se olharam e, em um momento, sorriram em silêncio. Apertando as mãos, transmitindo gratidão por meio de ações, Cheon Seju desviou o olhar. Olhando para o nicho de Hyein, que recebeu o toque de alguém, ele se despediu dela e levou Sejin para sair dali.
A história que o assustava começava a partir de agora. O que aconteceu depois disso não era algo que Hyein precisava ouvir. Sentindo seu coração afundar cada vez mais, Cheon Seju começou a falar silenciosamente enquanto voltava para o estacionamento.
— …Descobri que Hyein havia se suicidado durante o funeral. Eu pensava que era uma queda acidental, mas soube depois que a polícia me contou. No circuito fechado de TV que vi naquela época, Hyein estava sentada encolhida no corredor por horas. …Assim como você estava no dia em que nos conhecemos.
— …….
Foi como se o quebra-cabeça estivesse sendo montado naquele momento. No início do encontro com ele, não foram poucas as vezes em que Sejin ficou frustrado por não entender de jeito nenhum por que Cheon Seju tentava se intrometer tanto em sua vida. Ele pensou que havia segundas intenções na bondade dele e duvidou da intenção várias vezes.
Agora que via, era porque essas circunstâncias estavam escondidas por trás disso. Cheon Seju viu a imagem de sua irmã mais nova em si mesmo, que estava sentado encolhido no corredor, e não conseguiu ignorar, levando-o para casa.
— Não sei o que você vai pensar, mas o motivo pelo qual ajudei você também incluía querer me livrar da culpa em relação a Hyein. …Porque Hyein morreu por minha causa. Pensei que, ajudando você e vendo você se tornar um adulto saudável, talvez pudesse me livrar daquela culpa. Pensando agora, isso era uma idiotice completa…
Sejin franziu o cenho levemente. Disseram que ela morreu sendo vítima de bullying, então por que isso se tornaria culpa de Cheon Seju? Sem conseguir conter a dúvida, ele segurou o braço de Cheon Seju.
— Sua irmã… Por que essa irmã morreu por sua causa? Disseram que ela sofria bullying. Então é culpa dos culpados, por que isso seria sua culpa? Será que é por causa daquele pensamento na frente da emergência…?
Diante dessa pergunta, Cheon Seju balançou a cabeça silenciosamente. Ficou olhando para o chão nessa posição e murmurou.
— Hyein e eu crescemos em um orfanato, e fui eu quem a tirei de lá sem que ela fosse sequer uma adulta. Quando entrei na universidade, por ganância de querer morar com Hyein em nossa própria casa, a tirei do orfanato. Então, enquanto eu ia para a faculdade, Hyein foi deixada de lado em casa, e eu…
Deveria dizer que não sabia? Ou que fingiu não saber? Cheon Seju fechou a boca por estar confuso. Sejin observava isso com as sobrancelhas franzidas.
— De qualquer forma, senti uma grande culpa pelo fato de Hyein ter morrido por minha causa. Tentar me vingar também deve ter sido uma tentativa de diminuir um pouco essa culpa. Levar você para casa foi a mesma coisa. Eu vi Hyein em você e fui gentil com você com a ideia de tornar você feliz em vez de Hyein.
— …….
Sejin mordeu os lábios silenciosamente. Ao ver isso, Cheon Seju sentiu como se seu interior estivesse secando e rachando. Não deve haver ninguém que não ficaria com raiva ao confessar que havia intenções ocultas por trás da gentileza voltada para si. Como o afeto de Sejin partia daquela bondade, não era irracional que ele duvidasse de seus sentimentos. Sejin talvez agora, neste momento, pudesse estar até se arrependendo de ter passado a amar Cheon Seju.
Com o medo subindo novamente e picando, Cheon Seju fechou os punhos e levou Sejin para fora. Seguindo Cheon Seju, que caminhava em silêncio, Sejin estava pensativo. Era porque as palavras de Cheon Seju eram incompreensíveis.
— …Sinto muito.
Ao entrar no carro, onde o calor havia desaparecido, Cheon Seju olhou para Sejin e pediu desculpas. Diante do pedido de desculpas inesperado, Sejin levantou as sobrancelhas.
— Por que pede desculpas?
— É desagradável. Eu ter projetado minha irmã mais nova em você o tempo todo…
Diante dessa fala, o rosto de Kwon Sejin se contorceu ainda mais. Ele encarou Cheon Seju, que falava absurdos com um rosto que parecia indiferente, e logo balançou a cabeça com um pequeno suspiro. Em seguida, Sejin murmurou com uma voz emburrada.
— Não é nem um pouco desagradável. Acho bom que você tenha visto sua irmã mais nova em mim. Se a gentileza que você me dedicou com esse sentimento confortou seu coração, fico satisfeito com isso.
— …….
Diante da dúvida que se espalhava no rosto elegante de Cheon Seju, Sejin esticou a linha dos lábios com insatisfação. Havia mais coisas que ele queria questionar, mas não era o momento. Sejin apenas esticou a mão e segurou a mão de Cheon Seju, que estava com os punhos cerrados como se estivesse tenso. Depois de forçar sua própria mão na palma dele, ele o apressou.
— Mais. Me diga mais. Eu disse da última vez. Que estarei ao seu lado, não importa o que aconteça. Então, não tenha medo de qual reação vou demonstrar às suas palavras…
Diante da voz decidida e carinhosa de Sejin, Cheon Seju só então percebeu que suas mãos estavam tremendo. Sentindo o tremor diminuir gradualmente, ele engoliu as emoções que subiam. Enquanto olhava pela janela e respirava fundo, ele continuou falando.
— Depois que terminei a vingança… tive que fazer como Shin Gyuyeon mandava. Você deve saber vagamente, mas a DG é uma empresa que transformou a organização criminosa Daegam-pa em uma corporação. Shin Gyuyeon é o sucessor de Shin Gyeongju, o chefe da Daegam-pa, e eu estou abaixo dele. Aquele homem que me colocou na organização queria me colocar na equipe de processamento que ele operava. O que eu faço lá é…
Sejin lembrou-se do porão sombrio e sufocante. Enquanto levava o desmaiado Cheon Seju para o andar de cima, Sejin também viu que havia um quarto que parecia um escritório naquele prédio. Provavelmente Cheon Seju vinha fazendo muitas coisas lá. O que ele mais queria esconder de Sejin eram todas essas coisas. Kwon Sejin segurou com força a mão de Cheon Seju, que tentava abrir a boca com dificuldade.
— Se você estiver com dificuldade, não precisa falar. Mesmo sem falar, eu sei. Tudo, completamente.
Cheon Seju, que movia os lábios com a voz dita em tom baixo, parou de se mover. Sejin olhou silenciosamente para os olhos de Cheon Seju. Os olhos, cheios de confusão, medo, coragem e vontade de enfrentá-los, estavam longe do homem forte que Sejin conhecia.
Ele disse a Moon Seonhyeok que você não conhece Cheon Seju, mas, na verdade, Sejin também não o conhecia completamente. Foi só agora que Sejin estava conhecendo tudo sobre Cheon Seju. Ele só agora percebeu seu lado fraco e autodestrutivo.
Ele nunca imaginou que Cheon Seju tivesse esse lado. Ele não sabia que ele estava tão enterrado em culpa até este ponto. Sejin abriu a boca enquanto tentava escolher as palavras com dificuldade.
— …Pode sentir que minhas palavras não são sinceras ao dizer isso, mas, honestamente, não importa para mim o que você fez para viver.
Como não poderia amar este homem? O homem que abriu os braços para abraçá-lo para que Sejin pudesse se apoiar totalmente nele estava sangrando com inúmeras cicatrizes nas costas… Como posso não amar você?
Sejin estava apenas grato a Cheon Seju. Não importa quais tenham sido suas intenções, Sejin foi salvo pela mão que ele estendeu e, graças a isso, suportou tempos difíceis. Era um fato que, durante esse tempo, Cheon Seju sustentou sozinho o peso dele. Apenas isso já bastava. Não havia mais nada a desejar.
Sejin piscou lentamente. Gotas que pendiam na ponta dos cílios se espalharam como gotas de chuva. Ele olhou para Cheon Seju com olhos úmidos e disse:
— Isso é apenas. Uma prova de que você suportou com esforço. Tudo o que você fez até agora… para mim, não é nada além de uma prova de que você suportou muito bem aquele tempo difícil.
Foi um milagre que ele ainda estivesse vivo depois de deixar sua irmã mais nova partir daquela maneira. Só pelo fato de Cheon Seju estar vivo e respirando ao seu lado neste momento, ele já tinha feito o seu melhor.
— Você fez isso para viver. Você fez isso por sentir muito. Quem culparia você?
Diante da pergunta de Sejin, Cheon Seju balançou a cabeça. Olhando para Sejin com os olhos que, em pouco tempo, ficaram vermelhos novamente, ele negou as palavras de Sejin.
— Não é. Eu, apenas…
Ele aguentou por orgulho. Enquanto matava inúmeras pessoas, enquanto removia seus órgãos, enquanto sentia uma aversão nojenta por si mesmo, Cheon Seju aguentou à força com o pensamento de que, se desistisse agora, até mesmo a vingança que fez por Hyein perderia o valor.
Pensando agora, não era grande coisa. Quem entenderia o fato de prejudicar a vida de pessoas vivas por alguém que já morreu e se foi? No entanto, como Cheon Seju fez um acordo com Shin Gyuyeon, ele não podia parar de sujar as mãos.
Cheon Seju, que uma vez perguntou a Shin Gyuyeon por que ele o escolheu, recebeu a seguinte resposta: ele estava curioso para saber o quanto você, que joga seu futuro fora por sua irmã, pode aguentar, e ele queria saber quão profunda era a profundidade desse coração.
Por isso, sempre que ele queria deixar tudo de lado, a voz de Shin Gyuyeon naturalmente vinha à tona e o atormentava. Você disse que faria tudo o que fosse mandado em troca da vingança, mas agora quer desistir? No final, era um coração sem importância, não era? Cheon Seju temia que Shin Gyuyeon dissesse isso. Ele temia que seu esforço pela irmã, e tudo o que fez até agora, fosse em vão.
— Eu… eu…
Foi a ganância de Cheon Seju que tornou Hyein solitária. Cheon Seju teve uma influência profunda no fato de ela tirar a própria vida. Para tal irmã, o que Cheon Seju podia fazer era apenas isso. Fazer a vingança, cumprir fielmente o dever que assumiu em troca da oportunidade de vingança. Depois que Cheon Hyein morreu, isso era tudo o que Cheon Seju podia fazer.
Como não podia pedir perdão a quem já tinha partido, ele escolheu empurrar a si mesmo para a beira do precipício. Porque queria mostrar a Hyein, nem que fosse assim, que ele estava sinceramente arrependido e que a amava.
No entanto, Cheon Hyein tornou-se uma pessoa que não existia mais neste mundo a partir do momento em que morreu, e não havia ninguém que reconhecesse o esforço de Cheon Seju. A partir do dia em que percebeu esse fato, ele apenas aguentou por orgulho. Foi assim que aconteceu…
As palavras que ele cuspia sem nexo estavam manchadas de autodesprezo. Ao ouvir suas palavras, Sejin finalmente não aguentou e abraçou Cheon Seju. Sentiu seus ombros ficarem encharcados.
Sejin lamentava profundamente o fato de que tal tristeza e sofrimento estavam adormecidos no coração daquele homem forte. Por que não percebeu antes? Ele sentia que ia enlouquecer de tanto ter pena de Cheon Seju. O mais doloroso era o fato de que ele estava culpando a si mesmo. Era muito triste o fato de que ele passou 6 anos se odiando, mesmo não sendo esse tipo de pessoa.
— Não pense coisas idiotas.
Sejin segurou o choro e alisou as costas de Cheon Seju. Consolando o homem que nem sequer conseguia chorar em voz alta, e apenas derramava lágrimas dolorosas, Sejin corrigiu o pensamento dele com uma voz decidida.
— Por que isso é sua culpa? Você não saiu levando sua irmã mais nova sabendo que seria assim. Sua irmã também deve ter sido feliz por poder morar na mesma casa que você. Você é um irmão orgulhoso. Ela nunca, nem uma vez, te culparia. Quem fez errado foram aquelas pessoas. As pessoas que atormentaram alguém gentil como sua irmã e as levaram a fazer essa escolha no final. Você não tem culpa de nada. Ela não morreu por sua causa.
Cheon Hyein era muito parecida com Cheon Seju. A aparência era a mesma, e a personalidade fraca o suficiente para se prejudicar ao final do sofrimento também. Se Sejin estivesse no lugar de Cheon Seju, ele teria amaldiçoado os culpados e seus pais para que morressem. Ele teria espalhado ressentimento e pragas sobre eles.
No entanto, Cheon Seju, mesmo tendo se vingado, acabou voltando a seta da causa que levou à morte de Cheon Hyein para si mesmo. Cheon Hyein também. Em vez de bater e atormentar os culpados, ela escolheu tirar a própria vida. Por que esses irmãos são tão idiotas de gentis? Sejin engoliu o ressentimento que subia e gritou.
— Você não tem culpa de nada! Como alguém que se formou em medicina pode ser mais estúpido do que o 21º colocado? O que aconteceu depois também! Não foi algo que você fez porque quis! Foi algo que aquele senhor Shin Gyuyeon mandou você fazer! Você apenas cumpriu a promessa. Você não é nem um pouco repugnante. Como agir com responsabilidade pode ser algo para ser criticado?
Diante dessa pergunta, Cheon Seju empurrou Sejin lentamente. Seus olhos encharcados tinham sentimentos complexos. Cheon Seju recuperou o fôlego com dificuldade. Dependendo do calor de Sejin que tocava a ponta dos dedos, ele reuniu coragem e abriu a boca depois de muito tempo.
— …É porque você não sabe.
Não era algo para se ignorar por medo. Cheon Seju pressentiu que, independentemente do que Sejin tivesse visto no porão, ele não conseguiria atravessar essa montanha de medo sem confessar diretamente a ele. Ele mordeu os lábios trêmulos e hesitou antes de continuar a falar.
— Eu matei tantas pessoas que você… você nem imagina…
— Cheon Seju.
— De agora em diante, também, se Shin Gyuyeon mandar, vou ter que fazer a mesma coisa várias vezes…
A voz que cuspia isso era vazia. Sejin sentiu uma dor que parecia despedaçar seu peito diante da imagem de Cheon Seju sussurrando como se estivesse resignado. E daí? Eu disse que não me importo. Sentindo que sua sinceridade não o alcançava, ele se sentia sufocado. Sejin ouviu a voz dele segurando com força a mão de Cheon Seju.
— …Sabe do que eu tenho medo de verdade?
Cheon Seju perguntou isso e abaixou a cabeça. Sem conseguir olhar nos olhos de Sejin, ele abriu a boca, lembrando-se da morte de Han Jonghyun.
— No começo… era claramente algo que eu fazia porque me mandavam, mas agora parece que não é mais…
Ele não conseguia dizer o que pensou quando matou Han Jonghyun. Ele não queria contar essas coisas para Sejin. Parecia que ele estava transferindo uma responsabilidade muito pesada para ele. Parecia que ele estava perguntando: Eu fiz tanto por você, até quando você pode ficar ao meu lado?
Cheon Seju lambeu os lábios secos e olhou para Sejin. Ele estava encarando Cheon Seju com o mesmo rosto de antes. O fato de que o coração de Sejin não foi abalado de forma alguma pelas palavras que ele confessou deu a Cheon Seju um profundo conforto. Então agora era a vez de oferecer a opção a Sejin.
— Eu não sou uma pessoa tão boa quanto você pensa. Não sei que tipo de coisas cometerei de agora em diante… Talvez chegue um dia em que terei que ir para a prisão. Ou talvez aconteça um dia em que eu saia de casa de repente e nunca mais volte.
Diante das suposições sobre o pior, os olhos de Sejin tremeram. Cheon Seju segurou os dedos de Sejin com força e abaixou a cabeça. Ele finalmente trouxe para fora as palavras que realmente queria dizer a ele.
— Então… apenas me deixe, Sejin… Eu não sou uma pessoa que combina com você. Você… ainda é jovem, então poderá conhecer alguém muito mais normal e melhor do que eu mais tarde…
A voz, seca como areia, parecia estar se partindo. Sejin não aguentou e esticou a mão para o rosto dele diante das palavras que Cheon Seju despejava com dificuldade, reunindo todas as energias.
Bochechas frias foram esfregadas na palma da mão. Sejin mordeu os lábios com força diante das lágrimas que escorriam pelas bochechas de Cheon Seju e limpou os olhos dele com o polegar. Diante daquele conforto carinhoso, Cheon Seju fechou os olhos com força. As palavras que ele acabou de dizer eram todas mentiras. As lágrimas que escorriam interminavelmente sob suas pálpebras eram a verdadeira sinceridade de Cheon Seju.
— Eu não sou um idiota, Cheon Seju.
Não era um pedido para que ele realmente fosse embora. Cheon Seju estava perguntando se ele poderia permanecer ao seu lado mesmo ouvindo toda essa história. Era porque ele achava que não tinha vergonha na cara, e porque não sabia se alguém repugnante como ele poderia dizer tais palavras, que ele expressava de forma tão indireta.
Você precisa ser um pouco honesto.
Sejin disse isso com uma voz cheia de choro e inclinou a cabeça para beijar profundamente o canto dos olhos dele. Com o desejo de limpar suas lágrimas, Sejin sussurrou.
— Eu disse, não disse? Tudo o que você fez até agora… não é nada além de uma prova de que você suportou bem os tempos difíceis.
Cheon Seju desmoronou sem forças. Abraçando-o enquanto ele chorava sem parar com o rosto enterrado em seu ombro, Sejin o confortou com uma voz carinhosa.
— Amanhã também, depois de amanhã também, não me importo com o que você fizer. Só pelo fato de você estar vivo e respirando aqui ao meu lado, já basta.
Como você pode fazer isso? Como você pode me amar tanto assim? A sensação era de que o amor incondicional que Sejin oferecia subia até a garganta. Cheon Seju achava aquela asfixia extasiante. Ele queria morrer sufocado pelo afeto de Kwon Sejin.
— Quando estou com… com você…
Cheon Seju abriu a boca com uma voz úmida enquanto abraçava o pescoço de Sejin. Depois de soluçar e chorar por muito tempo, ele confessou.
— Quando estou com você… parecia que voltei ao passado. Parecia que me tornei uma pessoa normal e boa, como quando Hyein estava viva… Eu tive muito medo disso. Eu já não posso… voltar àquela época, mas tinha medo de mim mesmo, que queria ficar ao seu lado porque sentia saudades daquele tempo…
— …….
Lágrimas também escorriam silenciosamente dos olhos de Sejin. Parecia que o medo, a dor e o sofrimento sem fim que ele deve ter suportado durante todo aquele longo tempo estavam sendo transmitidos. Sejin segurou o choro de querer gritar com o coração dolorido e disse:
— Você passou por muita coisa, Cheon Seju. Obrigado por aguentar…
Diante daquele conforto caloroso, parecia que seu coração desmoronava ainda mais. A culpa que ele havia enterrado profundamente surgiu entre os destroços. Cheon Seju perguntou a ele enquanto segurava desesperadamente os braços de Sejin.
— Você, você nem sente ressentimento por mim? Se eu… tivesse dito um pouco mais cedo que sua mãe… tinha desmaiado… Talvez…
Talvez ela pudesse ter sobrevivido, não é? As palavras que ele não conseguiu dizer se espalharam na boca. Suas pontas dos dedos tremeram. A memória do dia em que ele foi criticado por Sejin era clara. Foi um dia em que ele quis morrer. Foi um dia em que ele quis desaparecer do mundo exatamente como estava.
— Por que você diz essas coisas?
Os sentimentos de Cheon Seju, que se culpava, chegaram intactos a Sejin. Sua garganta doeu ao pensar que ele estava se pressionando novamente. Sejin balançou a cabeça enquanto chorava.
— Minha mãe não ficou doente por sua causa. Por que você tenta assumir a responsabilidade até esse ponto…
Não havia razão para Cheon Seju assumir a responsabilidade até pela morte de sua mãe. Mesmo assim, Sejin sentia como se seu interior estivesse se esfarelando ao vê-lo sentir culpa por isso.
Ele sentia que ia enlouquecer de tanta pena do homem que tentava encontrar a origem de todos os tipos de infortúnio em si mesmo. E, ao mesmo tempo, Sejin sentia que, neste momento, ele amava a si mesmo mais profundamente do que Sejin o amava.
O afeto e a dedicação que salvaram Sejin foram cultivados por Cheon Seju enquanto ele ruía a própria carne. Em troca de se reduzir assim, Cheon Seju agora estava jogado na lama, tendo perdido até mesmo a força para se levantar e ficar de pé. Até agora, ele só recebia dele. Agora era a vez de Sejin tirá-lo do pântano da culpa.
Kwon Sejin, que limpou as lágrimas, olhou para os dois olhos de Cheon Seju e abriu a boca. Ele transmitiu exatamente as palavras que Cheon Seju um dia disse a ele.
— Cheon Seju, você me disse isso. Não importa que tipo de coisas aconteçam, ou não aconteçam, no final, todos morrem. Então não se culpe. Isso não é culpa sua…
As palavras de conforto que retornaram através da boca de Sejin penetraram na vida de Cheon Seju, onde a sombra esteve lançada por muito tempo, como a luz do sol. E de quem era aquele conforto brilhante e caloroso… As lágrimas se acumularam novamente em seus olhos ao perceber de repente.
Cheon Seju, abandonado pela mãe biológica. Kwon Sejin, abandonado pelo pai biológico.
Cheon Seju perdeu sua única irmã mais nova no mundo há 6 anos, e desde o momento em que percebeu que Sejin poderia ficar sozinho porque Kim Hyunkyung estava doente, ele estava projetando a si mesmo, e não Hyein, em Sejin.
Agora, parecia que ele sabia o motivo pelo qual estava com tanta pressa e por que havia perdido a compostura. Como Cheon Seju viu a si mesmo do passado em Sejin, ele não podia deixar Sejin sozinho, então tentou salvar Kim Hyunkyung, e caminhou para dentro da sombra do passado por ela, sem olhar para trás ou para frente.
Então, depois que Kim Hyunkyung finalmente deixou este mundo, ele tentou ignorar e rejeitar o fato de que Sejin, que ficou sozinho, o amava. Como Cheon Seju odiava a si mesmo, ele não conseguia aceitar facilmente que Sejin, que se projetava nele, o amasse. Porque isso era diferente da realidade.
Porque Cheon Seju não estava conseguindo amar a si mesmo…
Por isso era tão assustador revelar a verdade para Sejin. Não apenas porque ele amava profundamente Kwon Sejin, mas por causa do medo de que, se o objeto que ele comparou a si mesmo soubesse a verdade e o rejeitasse e odiasse, ele nunca seria capaz de se perdoar por toda a vida.
Tudo bem, tudo vai ficar bem.
Morrer é assim. As coisas simplesmente fluíram assim.
Não tenha ressentimento, todo mundo morre um dia.
Não culpe. Estou dizendo isso por sua causa.
Todas as palavras e ações que Cheon Seju fez para Sejin eram palavras que ele queria dizer a si mesmo no passado, sofrendo por perder Hyein. Que ficaria bem, que não era culpa dele, que ele deveria continuar vivendo.
Cheon Seju queria dizer isso a si mesmo de 6 anos atrás.
A partir de certo momento, amar Sejin para Cheon Seju era amar a si mesmo. Só depois de perceber essa verdade é que a resposta apareceu.
— Onde está a pessoa que pode te perdoar?
Foi a pergunta que Sejin fez a ele dias atrás.
O fim da projeção, o que ele pensava ser uma sombra, era, no final, seu reflexo, e além disso estava Kwon Sejin. Para que Cheon Seju pudesse ver a verdade, havia Sejin, que brilhava inteiramente enquanto escondia a sombra com um afeto cego.
Naquele momento, palavras que pareciam um conforto ecoaram em sua cabeça. Sim, aquilo não foi culpa minha. Eu… fiz o meu melhor. Até este momento, aguentei bem… A voz sussurrando isso era do próprio Cheon Seju. As palavras ditas para aquele a quem ele amava retornaram para si mesmo. No final, quem perdoou Cheon Seju foi ele mesmo, e também Sejin.
Dentro do conforto generoso, a sombra desapareceu. Quando os vestígios da projeção, que chegou ao fim, se dispersaram, a vida que ele desejava aproximou-se um passo. Cheon Seju esticou a mão e segurou os dois lados de seu rosto. Encarando o calor quente que molhava a pele, ele lhe deu a resposta.
Sejin-ah, você me…
A voz misturada com lágrimas parecia bastante aliviada.
Finalmente, era o perdão.
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Fim da História Principal
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna