Parte 03
Projection Vol. 6.3
Ao abrir os olhos diante da luz da alvorada, um rosto familiar estava bem à sua frente. O dono do rosto que não possuía um único traço que não fosse bonito era Sejin. Cheon Seju observou as feições diante de si com um olhar turvo. Por que Kwon Sejin está aqui, Cheon Seju teve esse pensamento repentino e abriu a boca lentamente diante das memórias da noite anterior que desabavam como uma inundação.
Suas duas pupilas vacilantes examinaram Sejin de cima a baixo, que mantinha os olhos fechados. Sejin estava dormindo deitado de frente para Cheon Seju. Em seus cabelos macios, havia os vestígios do suor que havia surgido e resfriado, o rosto excessivamente branco exibia vermelhidão apenas na região dos olhos e, na nuca delicada, os vestígios vermelhos de mordidas eram evidentes. Ao compreender que aquela era uma marca de sucção que ele mesmo havia deixado, Cheon Seju virou a cabeça para o lado oposto como se não conseguisse continuar olhando.
Por qual fluxo de pensamento havia chegado a ter relações sexuais com Sejin, Cheon Seju se lembrava claramente. Como sabia que a linha da razão se tornaria turva se ficasse bêbado, havia dito para ele não entrar no quarto, mas Sejin não ouviu aquelas palavras. Sentia ressentimento em relação a Kwon Sejin, que havia surgido diante de si se exibindo, e achava cômico o fato de ele despejar bobagens sem saber de nada. A intenção de assustá-lo para expulsá-lo acabou se revelando a pior jogada possível.
Ao pensar novamente, chegava a ser um absurdo. Ao se lembrar de suas próprias defesas que se desfaziam miseravelmente assim que tocou a cintura de Kwon Sejin, Cheon Seju soltou um riso contido. Pelo menos o Cheon Seju embriagado possuía consciência e não havia devorado aquela criança. Enquanto respondia à provocação dele, talvez soubesse intimamente que ele era um parceiro valioso demais, o que o fez acabar entregando a parte de baixo para ele.
No entanto, o fato de o processo ser claro não significava que ele pudesse aceitar aquilo imediatamente. Cheon Seju, que havia despertado da embriaguez, arrependeu-se profundamente da escolha da noite anterior e soltou um breve suspiro.
…Não era dessa maneira. Não queria cometer um erro impulsionado por sentimentos impossíveis de controlar dessa forma…. Seu olhar desanimado direcionou-se para Sejin. Sejin, que exalava uma respiração serena feito uma criança, exibia claros sinais de exaustão. Provavelmente havia ejaculado umas duas vezes após a inserção antes de encerrarem o ato, e como todo o processo era a primeira vez para Sejin, deve ter sido pesado tanto emocionalmente quanto fisicamente.
Cheon Seju ergueu a mão calmamente e tentou tocar aquele rosto de dar pena. Quando a bochecha macia encostou em sua palma, Sejin tremeu as pálpebras e esfregou o rosto naquela mão de forma natural. Era uma aparência adorável como um pequeno animal que implorava por afeto, mas ao ver aquela cena, por alguma razão seu peito ardeu.
Sua mente ficou obscurecida diante do pensamento de que já não podia mais retroceder em relação aos seus sentimentos por Sejin. O toque que o havia acariciado a noite inteira era excessivamente caloroso, e Cheon Seju obteve um conforto impossível de expressar em palavras ao aceitar Sejin, que colava a boca na sua.
Os questionamentos sobre a própria existência e a desilusão com a vida que o assolavam de tempos em tempos desde a morte de Han Jonghyun pareceram não ter a menor importância naquele momento. Apenas a compreensão de que eu estou vivendo este instante, Sejin proporcionou esse tipo de compreensão a Cheon Seju. E junto com isso, a ganância de querer continuar com esse tipo de vida no futuro….
Portanto, o medo não tinha como não se tornar ainda maior. A lembrança de ter recebido conforto de Kwon Sejin jamais o abandonaria por toda a vida, e se o dono daquela lembrança se afastasse de seu lado, Cheon Seju talvez já não conseguisse mais suportar….
— …Cheon Seju.
Se aquela existência que olhava para ele com os olhos brilhando como se tivesse conquistado o mundo inteiro, em determinado momento, passasse a encará-lo com um olhar de desprezo…. Se olhasse para mim com um olhar de que sou terrível e abominável….
Sejin, que despertou do sono, estendeu a mão em direção à bochecha de Cheon Seju. Foi o momento em que Sejin, que mal conseguia acreditar no fato de ter acordado na mesma cama que ele, tentou confirmar a existência de Cheon Seju.
— ……
Cheon Seju, que empurrou Sejin com o rosto endurecido, desceu para o chão como se estivesse caindo da cama. Ignorando Sejin, que o olhava de baixo com uma expressão aérea, ele recolheu as roupas caídas no chão e as vestiu.
Não podia deixar passar dessa forma, como se não fosse nada. Sentindo uma sensação de estar enganando Sejin, Cheon Seju não queria beijá-lo. Se ocorresse de colar a boca na dele novamente, desejava que naquele momento Kwon Sejin soubesse de absolutamente tudo a seu respeito.
— …Por que está assim?
Sejin fez essa pergunta no momento em que ele havia puxado a calça até a altura da cintura. Sejin, que se sentou erguendo o tronco, olhou para Cheon Seju enquanto mantinha o cobertor que cobria a parte inferior de seu corpo preso nas duas mãos e perguntou:
— Por que está agindo assim…
A voz que perguntava aquilo tremeu excessivamente. Cheon Seju ergueu a cabeça em meio ao pânico e olhou para Sejin. Lambendo os lábios secos, Sejin engoliu os sentimentos que subiam e abriu a boca novamente:
— Ficou irritado?
Não era irritação. Não era nada disso. No entanto, ele hesitava em como explicar. Passar a noite cometendo um erro com alguém de quem gostava de verdade era algo inédito também para Cheon Seju. Sentia-se como se estivesse retornando aos tempos de juventude, quando era desajeitado nas relações humanas. Cheon Seju moveu a boca em meio a um estranho embaraço e balançou a cabeça com dificuldade. Não é isso, resmungou baixinho e disse junto com um suspiro:
— Dê-me… um pouco de tempo.
Cheon Seju precisava de coragem. A coragem de se despir de todos os seus defeitos diante de Sejin, a coragem de suportar o impacto que viria em seguida. Quer aquilo se transformasse na compreensão de Sejin, quer se transformasse na condenação de Sejin, ele precisava de uma preparação mental para expor tudo aquilo. Precisava de uma defesa que impedisse que ele desmoronasse diante de Kwon Sejin caso ele tentasse rejeitá-lo.
Por isso havia dito aquilo, mas Sejin interpretou as palavras de Cheon Seju de uma maneira diferente.
— ……
Sejin, que o olhava de baixo com um rosto atônito, mordeu firmemente os lábios e exibiu um olhar magoado. Certamente não foi assim durante a noite. Cheon Seju havia colado a boca na de Sejin repetidas vezes, havia chocado os lábios contra o corpo dele e não o havia rejeitado nenhuma única vez. Portanto, diante da recusa com a qual deparou assim que abriu os olhos, Sejin não teve outra escolha a não ser extrair todo tipo de suposição.
Será que ele se arrependeu quando acordou da bebedeira. Ele disse que detestava crianças, então será que está agindo assim por odiar ter cometido um erro com alguém assim. Ele agiu tão bem enquanto estávamos fazendo que eu nem percebi, mas será que ao acordar do sono ele passou a me sentir excessivamente jovem? Quem disse que tudo bem foi você. Por acaso eu fiz um pedido de casamento, ou fiz uma confissão? Eu pedi para namorar? Por que agir assim de repente? Pedir tempo, em termos de drama, é o mesmo que dizer para terminar. Eu não disse absolutamente nada!
Os pensamentos fluíram em uma direção impossível de controlar. Sentindo um aperto no peito em um piscar de olhos, Sejin encarou Cheon Seju e fechou os punhos. No entanto, quer ele tivesse perdido o interesse por ele ser jovem demais, quer estivesse arrependido da noite anterior, aquilo já não importava. Sejin não tinha a menor intenção de libertar Cheon Seju. Em vez de devolvê-lo para Kang Doyoon novamente, era muito melhor soldar a porta da entrada e morrerem os dois trancados aqui dentro.
— Por acaso eu pedi para você namorar comigo?
— …O quê?
Diante das palavras disparadas por Sejin, Cheon Seju franziu o cenho e rebateu. Encarando-o fixamente, Sejin expôs sua própria ganância direcionada a Cheon Seju:
— Eu também não tinha a menor intenção de pedir para namorar com você! Eu também vou ser apenas seu parceiro sexual, exatamente como aquele homem, o Kang Doyoon!
Diante das palavras que Sejin soltou elevando o tom de voz, Cheon Seju franziu a testa como se achasse aquilo um absurdo e, após a menção ao termo parceiro, ele endureceu de forma gélida.
Quer ele agisse assim, quer não, Sejin estava falando sério. Se ele não fosse aceitar sua confissão, preferia se tornar um parceiro sexual. Se pudesse abraçar todo o corpo de Cheon Seju e colar a boca na dele ao menos durante o tempo em que passavam a noite juntos, parecia que não haveria mais nada a desejar. Se pudesse monopolizá-lo mesmo que por um breve período, seria feliz apenas com isso. No entanto, sem sequer saber desse sentimento de Sejin, Cheon Seju o repreendeu de forma fria:
— Kwon Sejin. Que tipo de bobagem você está dizendo.
— O que é uma bobagem? Você também não faz isso.
O conceito de parceiro sexual foi algo que Sejin aprendeu através de Cheon Seju. Portanto, para ele, o conceito de parceiro era diferenciado. Poder passar uma noite incrível com ele mesmo sem namorar, onde haveria uma relação mais vantajosa do que essa? Parecia ser a melhor relação logo abaixo da de namorado de Cheon Seju, então por que dizer que era uma bobagem. Diante de Sejin que rebateu como se não conseguisse compreender, Cheon Seju disse junto com um suspiro:
— …Estou dizendo para você não se tratar de qualquer maneira.
— ……
Diante daquela fala, o rosto de Sejin se desfez com ainda mais insatisfação. Sejin, que franziu o cenho, olhou ao redor. Como permanecia despido sozinho o tempo todo, havia uma óbvia sensação de constrangimento, então Sejin estendeu a mão, recolheu a própria camiseta caída no chão e a vestiu. A calça e a cueca estavam caídas longe demais, de modo que ele não podia ir recolhê-las exibindo a parte de baixo, nem podia pedir para ele recolhê-las. Por isso, mantendo as pernas envolvidas pelo cobertor feito uma sereia de forma improvisada, Sejin permaneceu sentado sobre a cama, encarou Cheon Seju diretamente e disse:
— Essa é uma fala que cabe a mim dizer.
— O quê?
Diante da voz firme de Sejin, Cheon Seju cruzou os braços. De alguma forma, sentia que uma conversa problemática estava prestes a começar. E sua previsão estava exatamente correta.
— Se o fato de eu ter um parceiro sexual significa que ele me trata de qualquer jeito, por que você faz isso com o Kang Doyun? Não trate a si mesmo de qualquer jeito também.
— Garoto, eu sou um adulto.
— Eu também já sou maior de idade. Tenho o direito de dizer isso!
Diante das palavras de Sejin, que nem sequer havia terminado o ensino médio, Cheon Seju não encontrou argumentos e apenas soltou uma risada incrédula. Sejin e ele viveram vidas muito diferentes. Para Cheon Seju, um parceiro sexual era apenas uma das muitas formas de satisfazer seus desejos, mas, para o jovem Sejin, um parceiro sexual era apenas um relacionamento que beirava a exploração.
No entanto, parecia que Sejin não pensava dessa forma. Bufando e com as bochechas infladas, ele gritou para Cheon Seju.
— Para mim, você e eu somos iguais. Se entrar em um relacionamento assim significa que estou me tratando de qualquer jeito, então você também está se tratando de qualquer jeito. Mas por que você acha que tudo bem fazer isso consigo mesmo?
Tendo falado até ali, Sejin olhou para Cheon Seju com os punhos cerrados, como se estivesse com o peito sufocado e magoado. Os lábios que ele mordia estavam vermelhos. Logo, com as sobrancelhas caídas em uma expressão de tristeza, Sejin perguntou a ele:
— Por que você continua se rebaixando? Por que não se valoriza? Quando machucou a mão, o que você me disse naquela hora? Disse que era um ferimento sem importância. Mas pense ao contrário. Se eu tivesse me machucado assim e dissesse a mesma coisa, você teria ficado bravo comigo. Estou errado?
A mágoa que estava acumulada como uma montanha em seu coração começou a transbordar, uma a uma. Aquela mágoa não era por si mesmo. Era algo acumulado em relação a Cheon Seju, que era frio consigo mesmo.
Sentia como se seu peito fosse explodir. Ele continuou esperando e esperando, mas não dava mais. Sejin trouxe à tona o assunto que havia guardado profundamente, esperando que o outro falasse primeiro.
— O mesmo vale para as despesas do hospital. Você pagou as despesas do hospital da minha mãe, pagou a minha dívida, por que não me contou? Quando exatamente pretendia me contar? Tinha intenção de falar antes que eu morresse? Não, né?
— ……
Diante das palavras inesperadas, Cheon Seju franziu os olhos e fechou a boca. Pelo visto, ele não imaginava que Sejin saberia daquilo. Ao perceber por aquela expressão sem jeito que ele ainda queria esconder o fato, Sejin foi tomado por um sentimento de injustiça ainda maior.
— Por que você é assim? Se fez algo desse tipo, deveria falar! Deveria se gabar dizendo que me ajudou e que por isso eu deveria te tratar bem! Você não é bobo, por que tenta esconder isso!
Com aquele grito, Cheon Seju passou a mão pelo cabelo e soltou um suspiro. Olhando para Cheon Seju, que o encarava com um rosto que parecia realmente desconfortável, Sejin sentiu como se seu coração estivesse sendo esmagado. Estava chateado por não conseguir entendê-lo. Odiava o fato de não saber absolutamente nada sobre o motivo de Cheon Seju agir daquela forma.
— É porque isso realmente não é grande coisa…
Diante das palavras que Cheon Seju finalmente soltou como uma desculpa, Sejin aumentou o tom de voz, dizendo que não. Ele mordeu os lábios com força para conter as lágrimas que subiram de repente. Não queria conversar chorando. Desejando que sua sinceridade genuína fosse transmitida a Cheon Seju, Sejin engoliu o pranto com dificuldade e abriu a boca.
— Cheon Seju, nenhuma pessoa no mundo pensaria que o que você fez não é grande coisa.
Assim que despejou as palavras que tanto queria dizer, as lágrimas rolaram, escorrendo por suas bochechas.
Cheon Seju acolheu Sejin, que estava prestes a ficar sozinho no mundo, e o protegeu em segurança. Um homem que não compartilhava uma única gota de sangue com Sejin cuidou dele de forma mais doce e calorosa do que seu próprio pai biológico. Ele tirou Sejin de um ambiente perigoso e fez muitas coisas nos bastidores para garantir que ele não se arrependesse de nada. As coisas que Cheon Seju dedicou a ele eram ações de um significado profundo que ninguém no mundo poderia deixar de reconhecer.
E dizer que aquilo não era grande coisa. Sejin não conseguia evitar sentir pena daquele homem. Por que não havia percebido antes o fato de que Cheon Seju era cruel apenas consigo mesmo? As lágrimas que molharam suas bochechas ficaram penduradas em gotículas na ponta de seu queixo. Não queria continuar chorando como uma criança, mas não tinha jeito.
— Você… por que é tão rigoroso consigo mesmo…
Sentia como se seu interior estivesse se despedaçando.
Qualquer pessoa é generosa consigo mesma. Quando comete um erro, é natural para o ser humano perdoar a si mesmo através da autorracionalização. Sejin também havia feito isso várias vezes. Enquanto a morte de sua mãe se aproximava, para racionalizar seus sentimentos por Cheon Seju, ele deu a isso o nome de consolo e, acolhendo-o enquanto ele estava bêbado e sem nenhuma consciência, justificou aquela ação covarde dizendo que era algo que o outro havia permitido. Dessa forma, para qualquer um, a pessoa mais generosa do mundo inevitavelmente acabava sendo ela mesma.
No entanto……
— Se você age de forma tão cruel consigo mesmo… então quem vai te consolar?
Ficou claramente perceptível o fato de que ele não amava a si mesmo. Coisas que não sabia até o dia anterior agora pareciam visíveis através de seus olhos, através de seu coração. A autoaversão de Cheon Seju estava lançando uma escuridão profunda e densa sobre sua vida, muito mais do que Sejin imaginava.
Sejin lembrou-se do momento em que sentiu um ódio terrível de si mesmo por sentir apetite após perder Kim Hyungkyung. Ao pensar que Cheon Seju devia estar imerso naquele sentimento miserável por muito tempo, sentiu como se seu coração estivesse partido.
Uma lamentação indescritível se alojou nas pupilas de Sejin. As lágrimas corriam desamparadas. Limpando as bochechas bruscamente, ele olhou para Cheon Seju e perguntou:
— Cheon Seju, onde está a pessoa que pode te perdoar?
Em quem você busca conforto? Existe sequer uma pessoa assim? Diante da pergunta melancólica de Sejin, Cheon Seju não respondeu. Apenas olhou para ele por um longo tempo com um olhar incompreensível e se retirou do local.
Embora pudesse persegui-lo imediatamente, Sejin não foi atrás de Cheon Seju. Preciso de tempo, gravando tardiamente em seu coração as palavras que ele havia deixado, ele digeriu a tristeza sozinho.
E Cheon Seju, que saiu para a sala, foi em direção ao banheiro segurando a cintura que latejava com uma dor aguda. Ele encheu a banheira com água quente e mergulhou o corpo nela. Sentia uma dor de cabeça extrema, como se tivesse levado um golpe na nuca. No entanto, a atenção de Cheon Seju não estava voltada para aquilo.
A dor que se estendia desde a penetração da noite anterior estava espalhada levemente por todo o seu corpo. Havia muito tempo que não sentia algo assim. Como sabia muito bem o que aquela mudança inesperada sugeria, ele passou a mão pelo rosto, sem conseguir conter o coração trêmulo.
Canais de água correram como lágrimas no lugar por onde a palma úmida passou. Nesse estado, Cheon Seju lembrou-se do que Sejin havia dito.
— Por que você é tão rigoroso consigo mesmo…
Não sabia por que aquelas palavras pareceram tão tristes. No entanto, também não era como se fosse puramente tristeza. No momento em que ouviu aquilo, no momento em que Sejin perguntou onde estava a pessoa que o perdoaria, Cheon Seju sentiu seu coração ficar calorosamente encharcado, como se água quente tivesse sido despejada na região do peito. Era semelhante à sensação que teve no dia anterior. A sensação de receber consolo. A sensação de receber conforto. E por isso, a sensação de querer chorar copiosamente…
No entanto, como não queria desabar em lágrimas na frente de Sejin, Cheon Seju aguentou a duras penas e veio até ali. Aquele momento já havia passado e o sentimento era vago, mas o impacto da emoção permanecia. Cheon Seju esfregou os olhos que ficavam vermelhos e pensou.
Na verdade, Sejin não foi o único a dizer coisas do tipo. Cheon Seju já havia ouvido palavras parecidas de Seok Yunhyung e também de Chae Beomjun. Você não está sendo severo demais consigo mesmo? Com certeza os dois já haviam dito aquilo. No entanto, as palavras que naquela época ele havia deixado passar sem dar importância, desta vez se aproximaram de uma forma completamente diferente.
Uma voz de consolo que, mesmo querendo ignorar, não conseguia, e que acabava deixando um rastro profundo de suas palavras no fundo do coração…
Seria porque a outra pessoa era Sejin? Porque eu gosto do Kwon Sejin? Por ser a pessoa de quem gosto, isso me toca mais? Mas parecia que não era simplesmente por esse motivo. Houve algumas vezes em que se sentiu bem ao ouvir o que Sejin lhe dizia até então, mas aquilo era mais do que isso.
Parecia haver algum outro motivo, mas não conseguia encontrar a resposta de imediato. Continuar pensando apenas faria sua cabeça doer, e nada mudaria, então Cheon Seju esvaziou a mente com um suspiro. Não queria pensar em nada. Fechando os olhos, ele enfiou a cabeça debaixo d’água.
Quando ele terminou um banho extremamente longo e saiu, um cheiro de comida pairava pela casa. Pensando bem, era fim de semana. Como não conseguia pensar direito com Sejin por perto, sua intenção era ir ao trabalho para refletir um pouco sozinho, mas aquilo também tinha ido por água abaixo. Cheon Seju estalou a língua de leve e foi em direção ao seu quarto. Ao passar pela cozinha, viu que um ensopado fervia no fogão de indução e a panela de arroz soltava vapor. Sejin devia ter se afastado, pois só dava para ver a porta do quarto multiuso aberta.
Cheon Seju entrou em seu quarto e trocou de roupa. Vestindo uma camiseta grossa e calças diferentes das que costumava usar, quando saiu novamente, Sejin, de avental, estava colocando a sopa em uma tigela. Percebendo de relance a presença de alguém, Sejin se virou, olhou para Cheon Seju e abriu a tampa da panela de arroz.
Cheon Seju também pegou água mineral na geladeira, e os dois se sentaram frente a frente e começaram a refeição. Cerca de 30 minutos haviam se passado quando Sejin lançou a pergunta. Depois que Kwon Sejin esvaziou sua quinta tigela de arroz, ele pousou os palitinhos, bebeu água e perguntou:
— Terminou de pensar?
— ……
Cheon Seju, que estava imerso em pensamentos com o queixo apoiado na mão distraidamente, ergueu os olhos lentamente diante daquela pergunta. Vendo Sejin com uma expressão um tanto melancólica, ele piscou os olhos intrigado e perguntou de volta:
— Eu não pedi que me desse um tempo?
— Eu já dei bastante.
— ……
O tempo em que os dois estiveram afastados foi de apenas uma hora e vinte minutos. O tempo de que Cheon Seju falava era uma margem de alguns dias, mas para Sejin, aquilo parecia ter sido longo. Lembrando-se de repente da natureza impaciente de Sejin, Cheon Seju olhou para ele sem dizer nada. Sejin, que dizia não ter paciência, sentado comportadamente esperando por sua resposta, era excessivamente adorável. Era um rosto que, se tivesse orelhas como as de um cachorrinho, pareceriam coladas na cabeça.
Objetivamente, embora tivesse uma personalidade um pouco peculiar, Sejin era um garoto que atrairia a atenção e seria amado onde quer que fosse. Claro que isso era inteiramente sob a perspectiva de Cheon Seju, e ele nem sequer havia percebido o fato de ter perdido a objetividade.
Deixando de lado o fato de que gostava de Sejin, o fato de Sejin ter passado a gostar dele era algo lamentável mesmo pensando agora. Ele ainda era jovem e, para encontrar alguém mais velho como ele, tinha um futuro brilhante e muitos dias de vida pela frente. Pensando assim, Cheon Seju de repente sentiu curiosidade e perguntou a Sejin:
— Kwon Sejin.
— Sim.
Sejin, que estava esperando a resposta de Cheon Seju, acenou com a cabeça e respondeu. Cheon Seju olhou fixamente para ele e perguntou:
— Você sabe quantos anos eu tenho?
— ……
Como havia visto o álbum de formatura dele há pouco tempo, Sejin sabia que eles tinham 12 anos de diferença, mas não respondeu. Seus nervos estavam totalmente à flor da pele devido à série de situações desde a manhã. Envolvido em todo tipo de suposição e confusão, Sejin não conseguiu aceitar aquela pergunta pelo valor nominal. Por quê? Agora vai usar a idade como desculpa para me rejeitar? Tendo esse pensamento de repente, ele respondeu com desdém e uma expressão emburrada:
— Quarenta e seis anos.
— ……
Diante daquela resposta sem cabimento, Cheon Seju franziu a testa e encarou Sejin. Mas, diante do tom de repreensão para não brincar, Sejin soltou uma risada debochada e continuou falando:
— Por que perguntou isso de repente? O que isso importa? O que tem de errado em você ser mais velho? Eu não me importo com esse tipo de coisa. Não ligo para quantos anos você tem ou que tipo de pessoa você é. Então, se for para falar bobagem, nem pergunte.
Diante da reação que retornou de forma excessivamente afiada, Cheon Seju cruzou olhares com ele com uma expressão descontente. Na verdade, o motivo pelo qual Cheon Seju havia percebido tarde que Sejin gostava dele incluía coisas do tipo.
Até então, todas as pessoas que haviam gostado de Cheon Seju eram submissas a ele. Não importava o que ele dissesse, nunca recusavam e, fossem mais velhas ou mais novas, agiam como se fossem aceitar tudo o que Cheon Seju falasse. Não eram apenas uma ou duas pessoas assim, todos que ele havia conhecido eram exatamente daquela forma.
Portanto, era natural não imaginar que Sejin, que respondia daquele jeito e falava informalmente de forma petulante com um rosto emburrado, gostaria dele. E toda vez que Sejin dizia coisas do tipo, Cheon Seju sentia ansiedade. Pelo pensamento de que ele falava aquilo por ser como uma criança que não sabe de nada, acabava considerando repetidamente que o sentimento de Sejin poderia não ser tão profundo quanto pensava.
— Então por que gosta de mim?
Aproveitando que estavam frente a frente, Cheon Seju sentiu o desejo de ter certeza sobre o afeto de Sejin. Se tivesse a clara certeza de que ele não o olharia com desgosto, sentia que naquele momento poderia confessar sua história sem hesitação.
Diante da contrapergunta de Cheon Seju, Sejin respondeu com o mesmo rosto embirrado:
— Precisa de um motivo para gostar de alguém?
A resposta clichê demais não ajudou muito. Cheon Seju soltou um suspiro baixo e apoiou o queixo no balcão da cozinha. Permaneceu olhando fixamente para Sejin daquela forma e, reunindo um pouco de coragem, perguntou:
— …E se eu for um louco maior do que você imagina, o que vai fazer?
Felizmente, a pergunta feita com coragem ao menos fez Sejin mergulhar em pensamentos. Kwon Sejin abriu a tampa da garrafa de água e encheu a boca, inflando as bochechas como um baiacu, e respondeu depois de um longo tempo:
— Não importa. Se eu gosto, está bom.
— ……
De certa forma, eram palavras muito gratificantes, mas, por outro lado, era uma resposta sem nenhum empenho. Cheon Seju franziu a testa intrigado, mantendo a postura com o queixo apoiado na mão. Vendo-o assim, Sejin também franziu a testa. O que ele quer? Olhando para Cheon Seju com esse olhar, ele complementou um pouco mais:
— Eu não gosto de você por você ser uma boa pessoa, então que diferença faz uma porcaria dessas?
— Mas você ainda precisa saber que tipo de homem eu sou.
Sejin não desconhecia o significado contido naquelas palavras. Se você souber que tipo de pessoa eu sou, talvez passe a me odiar. Agora, as intenções ocultas de Cheon Seju pareciam claras diante de seus olhos.
Aquele era um sentimento extremamente complexo. A menos que Cheon Seju tivesse o sentimento de gostar dele, não sentiria medo de algo assim. Afastar porque gosta, que sentimento contraditório. Pensou que Cheon Seju também devia se sentir muito sufocado por experimentar essa sensação.
Mas já havia se deparado com esse tipo de sentimento várias vezes. Sejin não queria mais deixar Cheon Seju apenas pensando sozinho. Além disso, eles haviam passado a noite juntos na noite anterior; se chegaram até aqui, Cheon Seju também tinha que assumir a responsabilidade por ter tirado sua primeira vez. Sejin, que jamais poderia deixá-lo recuar, pousou a garrafa de água que segurava e perguntou, encarando Cheon Seju com um olhar ardente:
— E daí se eu souber que tipo de pessoa você é? Acha que meu sentimento vai sumir de repente?
— ……
— Você está agindo como o protagonista de um drama.
Diante da bobagem repentina de Sejin, Cheon Seju ergueu as sobrancelhas como se perguntasse de que diabos ele estava falando. Sejin explicou com uma expressão emburrada:
— Quando assisto a dramas, os protagonistas masculinos sempre têm alguma situação que não podem contar. Por causa disso, eles agem de forma triste como se fossem o personagem principal de uma tragédia, mas você sabe como o drama termina no final? A protagonista feminina entende tudo. Situações como as que eles têm… diante do amor, não são nada…
Se as bochechas de Sejin ficaram um pouco avermelhadas no final, talvez por ser vergonhoso dizer aquilo com a própria boca. Com o rosto tímido daquela forma, Sejin falou para Cheon Seju como se estivesse se confessando:
— Comigo é igual. Posso entender qualquer situação que você tenha. Mas se não quiser compreensão, eu apenas vou aceitar. Não vou tentar entender à força que tipo de pessoa você é. Eu também não me importo com isso. Eu apenas… quero que você esteja ao meu lado. Isso é tudo o que eu desejo.
Era diferente de tudo até então. Diante das palavras carregadas de sinceridade de Sejin, Cheon Seju o olhou com o rosto endurecido.
Cheon Seju era alguém que pensava no amor como compreensão. Conhecer que tipo de pessoa o outro era, entender e aceitar. Pensava que aquilo era o amor.
No entanto, Sejin estava dizendo que poderia haver outra forma de amor além daquela… e que, se ele quisesse, o amaria daquela maneira.
— Como você consegue ser assim…
Como ele podia ser tão cheio de confiança? Como podia olhar apenas para o que desejava daquela forma? Seria por causa da personalidade teimosa de Sejin? De repente, o fato de ter se tornado algo em que Kwon Sejin insistia fez o coração de Cheon Seju acelerar.
Vendo o rosto dele corar, Sejin forçou os cantos da boca para baixo, impedindo-os de subir. Soltou uma tossesinha falsa e disse:
— Mesmo sem saber que tipo de pessoa você é, tenho confiança de que vou te amar pelo resto da vida. E mesmo que eu não te compreenda, também tenho confiança de que farei você me amar para sempre.
Kwon Sejin transbordava mesmo de confiança. Sejin era o tipo que, quando percebeu que gostava de Cheon Seju, pensou que bastava se tornar adulto para ter um namoro doce com ele. Sendo assim, não havia motivos para se desesperar agora porque ele o estava afastando. Por que não me dá uma chance? Embora pensasse em Cheon Seju com ressentimento dessa forma, Sejin não havia se desesperado uma única vez durante todo esse tempo. Porque…
— Afinal, eu sou perfeito para o seu gosto. Sou obediente, jovem e sem juízo.
— ……
E diante do complemento tímido de Sejin, Cheon Seju franziu a testa, interrompendo sua comoção.
— O quê?
Cheon Seju, que perguntou de volta como se achasse aquilo um absurdo, ofereceu o ouvido direito na direção de Sejin, como se tivesse ouvido errado. Diga de novo. Diante daquelas palavras, Sejin soltou uma risada nasal curta e explicou:
— Obediente, jovem e sem juízo. Perfeito, não é?
— …O que eu disse foi alguém dócil, cerca de cinco anos mais novo e sem ego. De que você está falando?
O foco estava sutilmente distorcido. Não importava por qual ângulo olhasse, Kwon Sejin estava longe do tipo ideal de Cheon Seju. Claro que o tipo ideal era apenas o tipo ideal; ele não tinha a intenção de encaixar Sejin ali à força, nem de trocar de parceiro caso o tipo ideal aparecesse no futuro, mas, de qualquer forma, Cheon Seju achou graça de Sejin tentando se enfiar à força em seu tipo ideal.
No entanto, não importava qual reação ele mostrasse, Sejin não se importava. Enquanto recolhia as tigelas vazias, Sejin deu de ombros.
— Qual é a diferença? Ser dócil significa que ouve bem o que os outros dizem. Olha o quanto eu escuto você.
— No seu caso deve ser ouvinte… O que eu quero é obediente.
— Você é americano? Fale em coreano.
— ……
Pensar em Sejin, que não entendia sequer uma palavra daquelas, de repente fez sua cabeça parecer doer. Cheon Seju balançou a cabeça sem dizer nada e massageou a testa. Sejin o encarou com uma expressão emburrada diante daquela reação, mas logo colocou as tigelas acumuladas dentro da lava-louças, voltou, limpou a mesa e disse:
— De qualquer forma, eu estou certo. E você gosta de pessoas mais jovens. Eu sou muito mais jovem do que você.
— Você nem sabe exatamente quantos anos eu sou mais velho do que você.
— Que diferença faz? De qualquer forma, o importante não é isso, sabe?
Quanto mais ouvia as palavras de Kwon Sejin, mais difícil era acreditar. Era uma atitude de que seus próprios sentimentos eram o mais importante e os demais fatores secundários não importavam, mas, apesar de tudo, Cheon Seju não podia deixar de considerar os elementos adicionais. Gostar de alguém sem sequer saber direito a idade da outra pessoa era algo impossível para Cheon Seju. Soltando um suspiro baixo, ele apoiou o queixo novamente e olhou para Sejin.
— Há doze anos de diferença entre você e eu. É um ciclo completo do zodíaco.
Rigoroamente falando, como Cheon Seju tinha o registro de nascimento em primeiro de janeiro, os signos do zodíaco seriam diferentes, mas era mais prático expressar uma diferença de 12 anos como um ciclo completo. Diante daquela expressão direta, Sejin finalmente mostrou uma reação que parecia uma reação. Ele, que lavava o pano de prato, virou a cabeça abruptamente, olhou para Cheon Seju e disse:
— Pensando bem, não combina nada. Eu achava que você era do signo do Dragão ou do Tigre, algo assim.
— ……
Não era a reação esperada. Ele havia informado a diferença de idade, e o máximo que o outro dizia era se o signo combinava ou não. Como ele próprio estava falando sério e Sejin parecia estar apenas brincando, Cheon Seju começou a sentir o peito sufocar gradualmente. Sentia vontade de pegá-lo pelo colarinho e perguntar se estava tirando sarro dele.
No entanto, enquanto seu rosto se endurecia gradualmente de forma fria, Sejin não se abalou. Kwon Sejin agarrava a oportunidade e concentrava todas as suas forças em se autopromover.
— E você disse que gosta de pessoas mais jovens. Como eu sou muito mais jovem do que aquele homem, o Kang Doyun, é uma vantagem. Mais tarde, quando você perder as forças, posso andar te carregando nas costas, e também te levo quando for para o centro de convivência de idosos. Se disser que vive com um homem doze anos mais novo, todos vão morrer de inveja, sabia?
— …Garoto, a diferença não é tanta assim, tá?
Por mais que fossem 12 anos de diferença, não era a ponto de ficar velho e precisar ser carregado nas costas por Sejin. Diante da contrapergunta de Cheon Seju, cujo humor se tornou desconfortável em um instante, Sejin olhou de relance para ele e deu de ombros.
— Quando você tiver sessenta anos, eu vou ter apenas quarenta e oito, é quase a mesma coisa. Bem.
Pensar em um futuro tão distante era algo que poderia parecer fofo, mas, antes disso, a prioridade era a irritação que subia diante da atitude de Sejin de tratá-lo como um idoso.
Era verdade que ele era mais velho do que Sejin. Também era verdade que sentiu culpa ao ir para a cama com o jovem Sejin. No entanto, aquilo era porque Sejin era excessivamente jovem, e não porque Cheon Seju era velho.
Queria encarar aquilo com um sorriso, mas ficou sutilmente irritado. Movendo a língua dentro da boca sem dizer nada, Cheon Seju logo provocou Sejin com uma voz descontente:
— É verdade que gosto de quem é mais novo do que eu, mas sou alguém que detesta moleques. Você é jovem demais. Além disso, fica retrucando e não obedece. Não sei por qual ângulo você acha que é obediente, mas você está bem longe do meu tipo ideal.
— ……
Diante daquelas palavras, Sejin, que estendeu o pano de prato sobre a panela de arroz e se virou, ergueu os olhos com insatisfação. Eles haviam passado uma noite tão doce e arrebatadora, e era realmente impossível entender por que a conversa estava fluindo para esse lado. Além disso, por causa das lembranças da primeira noite, ele próprio ainda se sentia envergonhado e constrangido, mas, por causa de Cheon Seju, que não mostrava o menor sinal disso, parecendo alguém acostumado a passar a noite com outras pessoas, a teimosia também subia.
A reação afiada de Cheon Seju parecia para Sejin apenas uma desculpa para afastá-lo. Acha que vou desistir? Soltando uma risada de desdém, Sejin contra-atacou sem sofrer nenhum impacto:
— Mas o que posso fazer? Eu gosto de um velhote como você.
— …Esse garoto realmente.
— Se não gosta de ser tratado como velho, não me chame de moleque. Eu já sei de tudo o que preciso saber agora.
Quem foi que te ensinou isso? Como se estivesse sem palavras, Cheon Seju soltou um suspiro curto. Vendo-o bagunçar o próprio cabelo, Sejin deu de ombros e voltou ao assunto original.
— De qualquer forma, eu sou parecido com o seu tipo ideal.
— Nem um pouco.
Ele insistia até o fim. Diante das palavras de Cheon Seju, que balançou a cabeça cortando o assunto, Sejin assentiu calmamente. No entanto, ao contrário de sua ação, as palavras que saíram foram extremamente obstinadas.
— Você acha que não. Eu vou achar que sim.
— Não, é o seu tipo ideal por acaso? É o meu tipo ideal, não é? Se a pessoa em questão diz que não, então não é. O que quer dizer com achar que sim.
O humor de Cheon Seju subiu diante daquela atitude com a qual não dava para dialogar, mas, quer ele reclamasse ou não, Sejin pegou três maçãs na geladeira e começou a descascá-las com uma faca de frutas sem dizer nada. Croc, croc, toda vez que a faca se movia na ponta de seus dedos finos, a casca da maçã caía descascada de forma fina. Tendo descascado a casca sem quebrá-la uma única vez, Sejin cortou a maçã que ficou exposta de forma bonita e espetou um garfo. Entregando-a a Cheon Seju, disse calmamente:
— Para sua informação, meu tipo ideal é você. Ficou assim depois que passei a gostar de você.
— ……
Agora, Sejin nem sequer tentava mais esconder seus sentimentos. Claro que, em uma situação onde sem querer haviam chegado a ter relações sexuais, pensou que não adiantava muito questionar aquilo, mas ouvir tais palavras diante de seus olhos era um pouco constrangedor. Foi no momento em que Cheon Seju apoiou o queixo na palma da mão para esconder as bochechas que esquentavam levemente. Sejin, que engoliu após morder seu pedaço de maçã, olhou fixamente para Cheon Seju e abriu a boca:
— Provavelmente, agora o seu tipo ideal também sou eu.
Porque você também gosta de mim. Diante daquelas palavras carregadas de certeza, Cheon Seju não conseguiu dizer nada. Sentindo algo ferver no fundo da garganta, o interior de sua boca ficou seco. Cheon Seju apenas mastigou a maçã que Sejin lhe dera sem dizer nada e, aproveitando a brecha em que ele se virou para recolher as cascas da maçã, levantou-se de seu lugar. Entrou direto em seu quarto.
O fato de Sejin ser ousado era algo que sabia desde o dia em que o conheceu, mas, com aquilo se manifestando daquela forma, era impossível aguentar. Para ignorar o afeto que o jovem de vinte anos despejava com todo o corpo, Cheon Seju também o desejava demais. Tinha que contar a verdade a ele o quanto antes. Cheon Seju engoliu um suspiro e deitou o corpo sobre as cobertas que já haviam sido arrumadas antes que percebesse.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna