Capítulo 04.2
𓇼 ⋆.˚ 𓆉Capítulo 4.2: O caminho do amor (4)𓆝 𓆡⋆.˚ 𓇼
De algum lugar além das nuvens, uma língua estalando ecoou. “Em breve…”, fosse lá o que fosse, pois o calor sufocante permanecia. Ele gemeu, o rosto contorcido. Gotas de suor continuavam a escorrer por suas costas, seu corpo, seu rosto.
— Meu Deus… Você está queimando? Deixe-me ver.
A voz apenas estalou a língua já desapareceu em algum lugar.
Retornando ao calor sufocante que o envolvia, Yuri soltou um gemido e rolou para o lado. Sua bochecha pressionou o chão, o frescor fugaz oferecendo-lhe uma salvação momentânea. Mas quase imediatamente, até o chão sob ele esquentou. Ele se virou novamente, pressionando o rosto contra um ponto mais frio na superfície. Mãos, braços, barriga, tudo se agarrava desesperadamente ao chão. Cada vez que a madeira esquentava sob ele, ele simplesmente rolava para outro lugar, repetindo o mesmo movimento inútil várias vezes.
— Ha, sério, é realmente um espetáculo, hein… Lula grelhada, hein? Fica quieto.
Um som de “Hmph” irrompeu com um sorriso desamparado, então essa pessoa se aproximou e agachou-se ao lado de Yuri. Essa pessoa virou o corpo de Yuri, que jazia pressionado no chão, para que ele se deitasse de bruços novamente, e começou a desabotoar cada botão da camisa, de cima para baixo.
Pele exposta, ar tocado. A sensação de calor e opressão pareceu aliviar um pouco. Certo, se ao menos tirasse toda a roupa desde o início e…
Mas apenas por um momento, então aquele ar também não aliviava mais a queimação do corpo.
E então…
Um arrepio gelado percorreu seu rosto. Incapaz de contê-lo, Yuri se assustou e se encolheu, mas aos poucos relaxou após todos aqueles momentos de gemidos de dor.
A compressa fria pressionada contra seu rosto parecia uma tábua de salvação.
— Ah, que legal… Que legal…
Seus lábios se moveram levemente em um murmúrio, e uma risada suave pareceu responder.
— Está se sentindo grato agora, não é? Claro que deveria estar. Raramente aceito ajudar os outros, quanto mais atender assim. Você deveria me agradecer direito.
A voz transbordava de condescendência arrogante, mas não conseguia esconder a preocupação subjacente. O pano se levantou de seu rosto e começou a enxugar seu corpo febril.
Do pescoço ao peito, e então gradualmente até a barriga. Cada vez que o pano úmido passava sobre ele, a água fria penetrava em sua pele antes de evaporar, levando embora o calor em ondas reconfortantes. Era como se estivesse saciando uma sede profunda e sufocante.
— Ah… tão bom… Um pouco mais… Aqui também. Aqui também.
Seu corpo só esfriou pelo breve instante em que o pano o tocou antes que o calor retornasse, então ele se moveu ligeiramente, pressionando cada parte do corpo contra a compressa. A voz que o atendia soltou uma risada baixa e exasperada: “Hmph”.
— Você está me dando ordens como se eu fosse um servo agora. Ótimo, ótimo. Eu vou cuidar bem de você.
A voz murmurou com humor, sem demonstrar qualquer sinal de irritação, continuando a limpar o corpo de Yuri. Quando o pano esquentava, desaparecia e retornava com um frescor renovado.
Gradualmente, o calor sufocante dentro dele começou a diminuir. A sensação de calor e umidade permanecia, mas era muito mais suportável do que antes.
Seu corpo relaxou, os músculos frouxos. Assim, ele poderia simplesmente cair num sono profundo.
— Sentindo-se melhor?
— Hum, melhor.
— Você ainda está bem quentinho. Mas deve estar melhor do que antes…
A voz murmurou de repente, como se estivesse falando sozinha. Uma sensação fria e suave tocou sua bochecha – as costas de uma mão.
Como se estivesse testando sua temperatura, as costas da mão pressionaram a bochecha de Yuri antes de murmurar: “Ainda está muito quente”, enquanto acariciava suavemente sua pele aquecida.
Aquele frescor relaxante parecia tão familiar, tão reconfortante.
Então Yuri virou a cabeça, aninhando a outra bochecha na mão. Um suspiro de alívio escapou dele.
De repente, a voz fez uma breve pausa. A mão se imobilizou. Mas, sem se deixar abater, Yuri continuou pressionando a bochecha em chamas contra ela. Mesmo com a mão esquentando gradualmente, sua maciez permaneceu reconfortante.
— Você gosta disso, hein?
Por algum motivo, a voz pareceu ficar mais baixa. Talvez mais suave, mas ligeiramente áspera.
Mas as costas da mão não se afastaram. Pelo contrário, começaram a acariciar suavemente a bochecha e a testa de Yuri. Aquelas carícias leves e ternas.
Tão reconfortante. Lânguido. Confortável. Embora o calor persistente ainda se agarrasse ao seu corpo, até mesmo esse calor havia se transformado em uma sensação reconfortante e envolvente.
— Sr. Gable… Você está bêbado agora?
De repente, a voz murmurou como se estivesse incrédula. Seguiu-se um estalo de língua.
Alto. Embora cada palavra fosse registrada com clareza, sua mente confusa não conseguia captar o significado. Ele apenas sentia a respiração acelerar em meio à névoa agradável e sufocante que o envolvia.
— Só umas carícias na bochecha, uma leve limpeza, e você já está assim… Meu Deus. Tem algum problema com essa bebida?
— Tsk – A voz estalou a língua novamente. Após uma longa pausa, não saiu mais nenhuma palavra. Como se estivesse ponderando o que fazer, ou talvez encarando-o atentamente.
Achando a mão em sua bochecha insuportavelmente agradável, Yuri soltou um suspiro cansado e esfregou o nariz na palma. Uma fragrância reconfortante subiu até ele. Um aroma familiar. E então, levemente, ele pressionou os lábios naquela palma, juntamente com uma expiração calorosa.
Instintivamente, a mão se contraiu levemente. Mas não recuou, permanecendo exatamente onde estava. Uma breve e delicada hesitação.
Então, dissolveu-se numa voz suave. Um sussurro em seu ouvido:
— Eu já te disse antes, eu odeio servir os outros.
Quando foi isso? Alguém parecia ter dito essas palavras. A lembrança veio à tona vividamente, fazendo Yuri de repente soltar uma risada alegre. O olhar sobre ele pareceu se demorar no sorriso que brevemente tocou seus lábios.
— Mas, por outro lado, recebi tanto do Sr. Gable que pensei que deveria retribuir um pouco.
Essa frase também me soava familiar. Quando aconteceu? Quem disse isso? – As memórias nebulosas cintilavam no limite da lembrança antes de desaparecerem novamente.
Enquanto lutava para se lembrar, essa sensação reconfortante fez com que todo o resto parecesse sem importância, então Yuri parou de tentar. Então, perto do seu ouvido, uma voz rouca, porém gentil, sussurrou:
— Então… considere-se com sorte.
↫。🫧 Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki