Capítulo 20.2
𓇼 ⋆.˚ 𓆉 Capítulo 20.2: ano botão (5)𓆝 𓆡⋆.˚ 𓇼
Ling Xinlu caminhou rapidamente pelas pessoas ao seu redor, trocando apenas olhares fugazes, e logo deixou o corredor. Ele não olhou para trás nem uma única vez, marchando para a frente como se impulsionado pela raiva. Yuri vinha um par de passos atrás, também sem dizer nada.
Finalmente, quando chegaram ao estacionamento, Yuri assumiu o banco do motorista e Ling Xinlu sentou-se no banco do passageiro, mas eles ainda não trocaram uma única palavra nem sequer olharam um para o outro. Na verdade, Yuri esteve olhando para ele enquanto caminhava atrás, mas Ling Xinlu nunca olhou para trás. Quando ele ligou o carro e segurou o volante, Xinlu permaneceu sentado silenciosamente no banco do passageiro, encarando direto para a frente. Yuri virou-se para olhar para ele e disse suavemente:
— Coloque o cinto de segurança.
Contudo, Ling Xinlu não reagiu, seus olhos ainda fixos reto para a frente. Yuri o observou por um momento, depois se inclinou e afivelou o cinto de segurança para ele. Depois disso, dirigiu em silêncio.
Durante todo o trajeto de volta, o carro foi preenchido por um silêncio pesado.
Mesmo quando chegaram ao apartamento e estacionaram o carro, Ling Xinlu continuou encarando através da janela, imóvel. Yuri também dirigiu em silêncio, ocasionalmente olhando pelo retrovisor, mas sem olhar nem falar com Ling Xinlu.
Yuri pensou que ele devia estar extremamente furioso. Mas, ao mesmo tempo, ele também refletiu que, comparado ao passado, quando Ling Xinlu não conseguia se controlar e frequentemente entrava em acessos de raiva a ponto de seu rosto ficar pálido, talvez isso fosse uma leve melhora… Ainda assim, mesmo se fosse o caso, ele não se sentia nem um pouco mais à vontade do que durante aquelas vezes em que Xinlu desabafava sua raiva tão ferozmente a ponto de gritar. Embora Yuri não ficasse particularmente incomodado com esse tipo de silêncio, seu humor também não estava exatamente leve.
Esta foi a primeira vez que Yuri viu Ling Xinlu tão bravo, então não conseguia prever quanto tempo a situação duraria.
Yuri esperava que não durasse muito. Quando estacionou o carro na garagem do apartamento e desligou o motor, ele olhou para Ling Xinlu pelo espelho retrovisor. Ainda não tinha se movido, apenas encarando fora da janela, aparentemente perdido em pensamentos.
— … Chegamos.
Yuri pensou que talvez Ling Xinlu estivesse tão profundo em seus pensamentos que não percebera que tinham chegado, por isso falou suavemente.
Ling Xinlu inclinou a cabeça ligeiramente, indicando que tinha ouvido, mas ainda não se moveu. Yuri o observou por um momento, depois se inclinou para desafivelar o cinto de segurança dele e continuou a esperar em silêncio. Ele poderia esperar o tempo que fosse necessário. Reclinou a cabeça contra o banco, esperando que o humor de Xinlu acalmasse — ou talvez que ele organizasse seus pensamentos.
Mas a espera não durou muito.
Yuri sentiu o olhar de Ling Xinlu se voltar para ele enquanto ainda encarava a janela escura.
— Você está bravo comigo?
A pergunta inesperada pegou Yuri de surpresa. Se tivesse sido uma afirmação dizendo que Yuri estava com raiva, ele poderia ter entendido apenas pelo tom frio e ressentido de Ling Xinlu. Mas com aquele mesmo tom irritado, ele estava perguntando a Yuri se ele estava bravo.
Yuri, que estava reclinado em seu banco, endireitou-se e virou para olhar para Xinlu. Ele encarou Yuri diretamente com um olhar provocador.
— Com aquela garota mais cedo, eu realmente estava apenas conversando. Se ela não estivesse tão facilmente me seguido, eu não teria me apegado a ela daquele jeito.
Ling Xinlu virou-se totalmente para Yuri. Suas palavras jorraram como uma torrente, cheias de frustração e ressentimento.
Yuri permaneceu em silêncio, sem responder. Ling Xinlu o encarou fixamente, e então, de repente, fechou a boca. Os cantos de seus lábios começaram a se contorcer e se distorcer.
— … Isso mesmo. Porque o sorriso dela era um pouco parecido com… com o do Taeui-hyung.
Um suspiro baixo e reprimido, como se saísse das profundezas do seu coração, cheio de ressentimento.
— Então, quer ela tivesse um namorado ou não, embora eu soubesse que ela no fundo não era como o Taeui-hyung, ainda puxei conversa. Eu deliberadamente sussurrei coisas que a abalariam, e então mostrei aquele sorriso. … Mas desde o início, antes mesmo de eu tomar uma atitude, ela já estava olhando para mim. Ela olhava para mim com olhos ansiosos para que eu me aproximasse. Toda vez que nossos olhos se cruzavam, ela sorria brilhantemente, e assim que falei, me seguiu ansiosamente, embora não soubesse nada sobre mim.
As palavras jorraram em uma torrente de raiva, como uma desculpa esfarrapada, uma autojustificativa. E ele próprio estava ciente disso. É por isso que, quanto mais falava, mais contorcida sua expressão ficava.
Aquele desgaste em sua autoestimada deturpada era a punição mais severa que ele havia trazido sobre si mesmo. Embora ninguém o estivesse punindo — talvez ninguém pudesse —, ele rangia os dentes e suportava a dor, usando suas próprias palavras para se tormentar.
— Você é do mesmo jeito.
Então, de repente, Ling Xinlu resmungou após travar a mandíbula.
— Você também não entende nada sobre mim e, ainda assim, gosta de mim. O que há em mim para você gostar?
— Você nem mesmo se conhece. — O tom, cheio de um ressentimento reprimido, agora estava totalmente direcionado a Yuri. Ele observava em silêncio Xinlu — a pessoa se agarrando à sua dor como se estivesse à beira de um colapso. Então, Yuri falou lentamente:
— Que parte de você você quer que eu goste?
Yuri perguntou de volta gentilmente.
Por um momento, Ling Xinlu enrijeceu, apenas capaz de encarar Yuri vagamente, caindo em silêncio como se tivesse perdido a voz.
Yuri continuou depois de um momento observando-o silenciosamente:
— Eu gosto de você, incluindo essas partes suas… Mas não é sobre isso que precisamos discutir agora. Eu não gosto da ideia de machucar os outros apenas por causa de um capricho descuidado. Eu também não acho que isso seja algo aceitável.
Enquanto Yuri falava com calma, Ling Xinlu permanecia em silêncio. Seus olhos não piscavam nem uma vez, apenas fixos silenciosamente nele.
— Embora eu goste de você, não posso transformar o errado em certo.
Yuri terminou de falar e fechou a boca.
Ele não condenaria os erros de Ling Xinlu, mas também não os defenderia nem os cobriria.
Um longo tempo se passou e Ling Xinlu ainda não disse nada. Ele encarou Yuri fixamente, e então, de repente, seu rosto se contorceu como se algo estivesse fervendo dentro dele. Mas após o olhar que parecia pronto para descarregar sua raiva nele, ele acabou caindo em silêncio novamente.
Então…
— Não fique mais bravo.
Uma voz fraca, quase extinta, sussurrou.
— Não fique mais bravo. Eu estava errado.
Os olhos pretos antes brilhantes agora guardavam apenas uma escuridão silenciosa. A voz, pesada como sombras, implorou: — Eu estava errado, então, por favor, não fique mais bravo.
Yuri o encarou fixamente. Ling Xinlu abaixou a cabeça, olhou para ele e resmungou novamente: — Não fique mais bravo.
— Eu estava errado. Eu realmente só… queria conversar um pouco. Eu sabia que isso causaria um desentendimento entre aqueles dois, mas não tinha a intenção de deixar as coisas assim.
A voz ficou mais fraca, quase se dissolvendo no nada.
Yuri permaneceu em silêncio, observando-o, seu coração cheio de confusão. Como ele poderia acalmar essa pessoa se afogando na escuridão?
“Não, não estou bravo. Não estou mais bravo. Está tudo bem.”
Aquelas palavras piscaram e desapareceram na ponta de sua língua. Nenhuma delas parecia bastante certa.
Então, Yuri estendeu a mão gentilmente em direção a Ling Xinlu, que ainda estava imóvel com a cabeça baixa. A mão dele pousou suavemente sobre o cabelo de Xinlu.
O pescoço de Xinlu se contraiu, mas ele não se moveu, permitindo que Yuri acariciasse seus cabelos. O toque dele era hesitante, quase desajeitado, mas, à medida que continuava, os ombros largos de Ling Xinlu relaxaram gradualmente. As olheiras em seu rosto começaram a se dissipar.
Ele finalmente ergueu os olhos para Yuri, e seus olhares finalmente se encontraram. Yuri hesitou por um instante, depois acenou com a cabeça de forma quase imperceptível. Era a sua resposta.
A expressão de XinLu suavizou. Ele expirou lentamente, estudando atentamente o rosto de Yuri.
— Ah, sério… – murmurou ele, como se suspirando.
— Detesto quando pessoas que normalmente são calmas ficam com raiva. – sussurrou ele, como se estivesse falando consigo mesmo.
Ele permaneceu imóvel por um instante, depois esfregou a testa no ombro de Yuri enquanto a mão dele, que acariciava seus cabelos, pairava desajeitada no ar. Yuri congelou, surpreso com o gesto inesperado de afeto.
Era como um gatinho se aconchegando nele. Mas era um gatinho bem grande, mais parecido com um leão elegante e poderoso.
O roçar suave dos seus cabelos na sua nuca, o calor do seu corpo, o leve aroma do seu perfume… tudo era intensamente físico, quase avassalador.
— …
Yuri ficou momentâneo sem jeito.
Sua surpresa talvez tenha transparecido no seu rosto, geralmente impassível. Ling Xinlu, com a testa ainda apoiado no ombro dele, não teria percebido, mas Yuri piscou, ciente de sua própria reação.
Mas então, Xinlu pareceu perceber a sua hesitação. Ele ergueu ligeiramente a sua cabeça e olhou para Yuri com um olhar interrogativo.
— …
— …
Naquele breve instante ele pareceu ler a expressão de Yuri.
Então, inesperadamente, um lampejo de constrangimento cobriu seu próprio rosto.
Yuri devia esperar que Xinlu risse, o provocasse ou simplesmente ignorasse o gesto. Mas não esperava essa reação. Ling Xinlu, envergonhado e sem jeito.
Foi tão inesperado que Yuri se viu encarando-o atentamente.
— O quê? Por que você está tão perturbado?
Ling Xinlu franziu a testa de repente, afastando-se de Yuri e virando a cabeça.
Yuri pensou que ele provavelmente estava desconfortável por ter demonstrado um momento de vulnerabilidade.
— Não é nada. – disse ele balançando a cabeça.
Xinlu olhou para a janela por um instante, depois voltou-se para Yuri, com a expressão habitual restaurada.
— Vamos subir? – disse ele, gesticulando para cima com o queixo, com seu sorriso encantador de volta ao rosto. Abriu a porta do carro, o seu semblante calmo e sereno, o conflito anterior aparentemente esquecido.
Ao ver sua expressão, Yuri percebeu que a tensão entre eles tinha se dissipado. Eles haviam voltado ao normal.
Ele sorriu, um sorriso discreto e genuíno que mal chegava aos olhos.
— Sim. – respondeu brevemente, saindo do carro.
— Mas…
Ao entrarem no elevador, Ling Xinlu falou de repente, com um toque de hesitação na sua voz. Ele olhou para Yuri, que esperava pacientemente, e então continuou.
— O que Fei quis dizer quando falou que fez coisas na sua casa que não podia contar a ninguém?
— Ah, isso…
Yuri deu uma risadinha discreta.
— Não é nada demais. – ele disse, prontamente revelando o seu segredo de seu sobrinho, embora não fosse de sangue, sobre o olhar insistente de Xinlu.
— Ele usava meu computador para acessar sites adultos todos os dias e acabou pegando vírus. E quando ficava sem cuecas limpas, usava meu calção de banho. Embaraçoso, talvez, mas não é um segredo obscuro.
Ele se lembrou de Fei implorando: “Não conte a ninguém, tio. Principalmente à Xiaoqun. Se ela descobrir, o mundo inteiro saberá.” Mas considerando o problema que Fei lhe causara, tendo que recuperar os dois meses de dados perdidos por causa do vírus, ele não se sentia particularmente culpado.
“Além disso, não é Xiaoqun.” pensou ele.
Xinlu olhou para ele com uma expressão estranha.
— Você ainda usa aquele calção de banho?
— Sim, ainda uso.
Os calções de banho modernos eram mais duráveis que os antigos. Ele garantiu a Xinlu que ainda estavam em bom estado, mas Ling Xinlu pareceu insatisfeito, como se quisesse dizer algo mais.
Mas, no fim, ele permaneceu em silêncio e estalando a língua levemente sairam pelo corredor.
— De repente, estou me sentindo cansado. Faça uma massagem nos meus olhos quando entrarmos.
↫。🫧 Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki