Capítulo 12
𓇼 ⋆.˚ 𓆉 Capítulo 12.1: Cuidado𓆝 𓆡⋆.˚ 𓇼
De repente, um som baixo ecoou por um breve momento. Yuri abriu os olhos e sentou-se abruptamente na sua cama.
Parecia que ele tinha acabado de acordar de um sonho. Aqui, apenas a escuridão profunda envolvia o espaço, sem um único som para ser ouvido. Yuri encarou a porta por um momento, depois se levantou, jogou sua capa sobre os ombros e pisou do lado de fora.
Atravessando outra sala de estar fria e sombria, ele parou em frente a uma porta. A porta estava ligeiramente entreaberta, apenas a uma distância de mão, e lá dentro, o silêncio parecia insinuar o quão profundamente a pessoa em seu interior estava perdida no sono.
— …
Mas antes que Yuri, segurando a respiração, pudesse piscar algumas vezes, um som baixo veio de dentro novamente. Era a respiração pesada e arfante de uma fera ferida.
— … Minhas desculpas.
Uma voz suave acompanhada por uma batida leve na porta quebrou a quietude da noite, soando mais clara do que nunca em meio ao silêncio. Instantaneamente, a respiração pesada do lado de dentro cessou como se nunca tivesse existido. No entanto, Yuri ainda empurrou a porta e entrou.
Mesmo sem acender a luz, seus olhos, acostumados com a escuridão, permitiram que ele visse o quarto claramente. Na mesa ao lado da cama havia uma cartela vazia de analgésicos. O copo de água estava drenado até a última gota. Yuri sabia que a cartela antes continha oito analgésicos.
— Dói muito?
Yuri se curvou e perguntou suavemente à pessoa deitada na cama.
A “pessoa” permanecia imóvel sob o cobertor, sem dar resposta alguma. O som da respiração de antes, assemelhando-se a um ruído vindo de um sonho, realmente fazia parecer que ela estava profundamente adormecida.
— Vou pegar um pano úmido.
Quando Yuri falou brevemente e estava prestes a se levantar, uma voz rouca e fraca emergiu de debaixo do cobertor. Cada palavra parecia escapar com grande esforço em meio à exaustão.
— Se você não vai trazer mais analgésicos, então caia fora.
Yuri olhou para ele por um momento, depois em silêncio se virou e caminhou para fora. Quando ele retornou pouco tempo depois, o que ele carregava ainda era apenas um pano morno. Yuri puxou o cobertor para baixo. Surpreendentemente, o cobertor foi retirado facilmente, revelando o rosto pálido de Ling Xinlu encharcado de suor frio. Na escuridão, um de seus olhos captou a luz, brilhando enquanto ele encarava Yuri fixamente, antes de piscar levemente e desaparecer por um instante. Talvez o suor estivesse escorrendo em seus olhos, pois ele piscou mais algumas vezes.
— Não me toque à noite… Estou seriamente ficando louco com a vontade de te matar.
Na realidade, a declaração mais precisa poderia ser esta: Ele queria matar, mas seu corpo não permitia, e era isso que realmente o levava à loucura. Seus olhos brilhantes como os de uma fera pareciam transmitir exatamente isso.
Durante o dia, quando seu corpo estava ativo, a dor poderia diminuir ligeiramente. Mas à noite, a agonia explodia violentamente, como se uma barra de ferro em brasa estivesse sendo cravada direto em seu olho. Uma dor comum não era nada para ele, mas essa sensação era tão insuportável que deixava sua mente completamente em branco. Não importava quantos analgésicos ele tomasse, a dor nunca desaparecia; em vez disso, apenas fazia seu olho queimar com uma intensidade insuportável. Seu corpo inteiro ficava encharcado de suor frio.
Era a mesma coisa todas as noites.
Por causa da dor insuportável, ele desmaiava, apenas para acordar novamente e desmoronar mais uma vez de exaustão causada pela agonia. Apenas quando o amanhecer se aproximava seu corpo encharcado de suor finalmente começava a se acalmar — quer fosse graças aos analgésicos ou à luz da alvorada dissipando o tormento, ele não sabia.
E toda vez, Yuri estava lá ao lado de Ling Xinlu enquanto ele rangia os dentes, suportando os gemidos abafados que escapavam de si mesmo.
— Ver outra pessoa em dor excruciante… te deixa feliz? Droga… Eu não preciso de misericórdia… não, ugh…
— Não morda a sua língua.
A dor vinha em ondas. Momentos de agonia tão intensa que o branco dos seus olhos quase tomava conta das pupilas, intercalando-se com breves instâncias de clareza, suficientes para ter consciência do suor frio derramando e da sua própria respiração descompassada. Toda vez que a dor se tornava tão avassaladora que ele perdia o controle, Ling Xinlu tentava morder o próprio lábio ou fazer algo para aliviar o tormento. Nesses momentos, Yuri o impedia silenciosamente. Se necessário, ele ia ao ponto de colocar o próprio dedo na boca de Ling Xinlu, deixando-se morder de bom grado para evitar que ele se machucasse. Quando a dor diminuía momentaneamente, Ling Xinlu deitava exausto na cama e ofegava pesadamente.
—Há gosto de sangue na minha boca… quem iria querer provar o seu sangue?
— Me dê a sua mão.
Ignorando completamente as palavras murmuradas de Xinlu, Yuri puxou o braço dele e limpou o suor do seu corpo com o pano morno. Ocasionalmente, os olhos negros e afiados de Ling Xinlu olhavam para ele com um toque perigoso, mas parecia que não tinha mais forças para resistir ao toque dele.
Não importava. Quando a luz do dia chegava, Ling Xinlu voltava a ser alguém que agia como se nada tivesse acontecido na calada da noite. Ele ainda usaria seu sorriso radiante, como em qualquer outro dia, escondendo tudo atrás de sua máscara impecável. Apenas neste momento, sobrecarregado por uma dor excruciante, faltavam-lhe forças para colocar a máscara que ocultava seu verdadeiro eu.
E assim, a noite gradualmente deu lugar ao brilho tênue do amanhecer.
— … Taeui-hyung…
Um nome familiar de repente escapou dos lábios exaustos de Ling Xinlu. Talvez ele estivesse meio consciente, preso entre o estar acordado e o sonhar.
— Não importa o que aconteça, ele ainda vai escolher aquela pessoa… mesmo quando eu esteja com tanta dor, querendo morrer.
Yuri não respondeu. Ele simplesmente colocou o pano que havia usado para limpar o corpo de Xinlu no lugar de forma quieta, e então puxou o cobertor para cima. O ajeitou cuidadosamente para garantir que não houvesse frestas.
— Eu o conheci primeiro. Eu gostei dele primeiro. E ele gostava de mim também… não daquela pessoa.
Sua voz era rouca e frágil. Seus lábios, mordidos a ponto de sangrar, estavam secos e rachados.
Quantas vezes ele tinha pensado sobre isso? Embora parecesse tão radiante quanto a luz do sol durante o dia, sua mente devia ter reprisado esses pensamentos dezenas, centenas de vezes. Mesmo sabendo que sua raiva inflamaria como fogo e que ele seria esmagado pelo seu próprio desespero.
— Por que tem que ser aquele desgraçado? Por que tem que ser sempre ele? Se não fosse por aquela pessoa… se ao menos…
Ling Xinlu resmungou como se estivesse falando sozinho, e então de repente ficou em silêncio. Após um momento, ele puxou o cobertor sobre os ombros e o envolveu firmemente ao redor da cabeça, encolhendo-se em si mesmo. O homem que irradiava uma presença avassaladora, maior até do que a de homens mais velhos durante o dia, agora parecia tão pequeno, exatamente como uma criança. Yuri instintivamente estendeu a mão para consolá-lo, mas hesitou e puxou a mão de volta.
— Não olhe para mim… o seu olhar… é tão irritante. O que você está esperando?
— … Eu não estou esperando nada.
“… Exceto ver você”, Yuri adicionou silenciosamente em seu coração.
Um som tênue veio de dentro do cobertor. Talvez fosse uma risada zombeteira, mas era tão fraca que se dissolveu no ar.
— Não seja ridículo… Até pais biológicos têm a ambição de receber amor em troca do que dão sem pedir. Eles querem ser queridos, querem ver sorrisos quando os olhos se encontram. Você sabe o quão barulhentos esses olhares são? Mas pelo menos eles são suportáveis. E você… e os seus? Eu não entendo o que você está esperando quando olha para mim.
Yuri não respondeu.
A voz de Ling Xinlu diminuiu gradualmente. Talvez as ondas implacáveis de dor o tivessem exaurido, e ele finalmente se rendeu, caindo no sono. Essa dor, por mais terrível que fosse, duraria apenas mais alguns dias. Talvez amanhã, ela diminuísse o suficiente para que ele pudesse suportar. E no dia seguinte, ele certamente estaria melhor.
Depois disso, ele não estaria mais meio consciente, deixando escapar confissões inconscientes como essa. Nem sentiria o mesmo desconforto ao encarar Yuri pela manhã.
Mesmo assim, Yuri ainda desejava que ele não guardasse tudo engarrafado dentro de si, que ele pudesse falar o que pensava. Mas… esse não era o papel dele.
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Alegria, tristeza, euforia, infortúnio — nada disso existia.
Abaixo da superfície da água, havia apenas uma tranquilidade abrangente.
Se ao menos ele pudesse se dissolver neste lugar…
O pensamento que o deixará ansioso, uma vez que se submerge na água , em algum momento, desvanecia de sua mente. Quando ele afundava sob a superfície, tanto seu corpo quanto sua mente pareciam se esvaziar, como se eles realmente se tornassem um com a água.
Quente e tranquilo. Parecia que ele estava retornando a um lugar ao qual pertencia desde o início.
— …
— Ufa… — Yuri emergiu da água, exalando um longo suspiro. Ele empurrou para trás o cabelo molhado que grudava em seus olhos e olhou para cima. O céu tom de piche estava apenas começando a clarear com os primeiros sinais do amanhecer.
No momento em que ele emergiu da água, a sensação de estar dissolvido nela começou a desaparecer, e sua consciência retornou gradualmente. Ele deu um passo para fora da piscina, pegou a toalha pendurada na escada e a colocou sobre os ombros.
O início do amanhecer ainda estava escuro, e o frio no ar fez seu corpo encharcado sentir frio. Mas seu humor havia melhorado significativamente. Como sempre, toda vez que ele deixava a água, o peso em seu coração parecia se dissipar.
— Talvez eu não consiga viver em um lugar sem água, — ele murmurou suavemente, balançando a cabeça para secar as orelhas.
Esta era a única hora em que ele podia ir para a água… quando Xinlu ainda estava profundamente adormecido. Mesmo que por um breve momento, Yuri já havia instruído os outros guardas do turno da noite a permanecerem vigilantes. Mas quando Ling Xinlu estava acordado e se movendo, Yuri raramente saía do seu lado.
Na verdade, mesmo agora, ele tinha passado muito menos tempo na água do que o habitual. Então, mesmo que quisesse nadar um pouco mais, sentia-se satisfeito com apenas isso por hoje. Era o suficiente para ajudá-lo a suportar o dia pela frente.
— Bem, hora de voltar para o quarto… — Ele murmurou, curvando-se para deslizar os pés em seus chinelos.
— Na escuridão, você parece um fantasma da água.
Naquele momento, uma voz soou de repente por trás, assustando Yuri tanto que seus ombros sobressaltaram involuntariamente, porque ele não tinha sentido presença alguma.
— … O que você está fazendo aqui?
Yuri virou a cabeça, ainda ligeiramente curvado pelo susto, e imediatamente reconheceu a voz familiar, embora soasse mais áspera, provavelmente pelo cansaço. Ele piscou e perguntou novamente. A pessoa que ele pensava estar profundamente adormecida no quarto, após uma noite lutando contra a dor e a exaustão, estava agora parada bem na sua frente.
— A dor me acordou. Ainda assim, não está tão ruim quanto estava à meia-noite, então consigo aguentar.
Ling Xinlu sentou-se no banco perto da piscina, franzindo a testa. Uma das mãos segurava as ataduras, enquanto a outra massageava suavemente a têmpora, como se tentasse acalmar uma dor de cabeça.
— Entendo… — Yuri ficou em silêncio por um momento, olhando para ele.
Pela forma como Ling Xinlu falava com clareza, parecia que a dor tinha diminuído para um nível suportável, assim como ele disse. Graças a Deus.
— Veio aqui fora para respirar um pouco de ar fresco?
— Lá do alto, eu vi alguém monopolizando a piscina nas primeiras horas da manhã. Parado por muito tempo, pensei que poderia acabar sendo a primeira pessoa a descobrir uma vítima de afogamento, então desci para checar.
Sua voz permanecia calma e suave, como de costume, mas o tom era distintamente de Ling Xinlu. A maneira como ele falava, tão suave e composta, fazia até suas observações sarcásticas não parecerem em nada com sarcasmo.
— Você gosta tanto assim de água? Aposto que você não dormiu muito a noite passada também. Nadar é melhor do que dormir, eu suponho… Eu te invejo. Eu nunca estive tão cativado por algo desse jeito.
— … Agora mesmo, você já está cativado. Ao ponto em que sua mente inteira gira em torno daquela pessoa, dia e noite.
Quando Yuri respondeu em um tom uniforme, Ling Xinlu caiu em silêncio. Parecia que as palavras dele haviam atingido algo que o deixou desconfortável por um momento, mas ele não parecia irritado. Meramente estalou a língua e murmurou suavemente: — É realmente irritante…
— É por isso que minha cabeça parece tão pesada logo cedo de manhã.
Yuri encarou-o por um tempo, depois olhou para baixo, para as gotas de água caindo do seu cabelo e acumulando-se nos seus pés. Após um momento, ele falou silenciosamente: — Certo.
— Já que você já está aqui embaixo, por que não tenta se molhar na água? Sua mente vai se sentir muito mais leve. Pensamentos pesados se dissolvem como sal marinho.
— … Com esta perna? E com estes olhos?
Ling Xinlu olhou para ele através de seus olhos turvos, erguendo o tornozelo enfaixado ligeiramente. Seu queixo se inclinou só um pouco para cima. Apenas então Yuri percebeu, soltando sem jeito: — Ah, certo… — como um tolo. E Xinlu, por outro lado, deu-lhe um olhar como se estivesse encarando um idiota completo. Ele continuou, como se para dar o golpe final: — E além disso.
— Eu acho que já disse isso, não disse? Eu não nado. Eu quase me afoguei uma vez. E agora, eu não tenho razão alguma para querer entrar na água.
— Parando para pensar, eu me pergunto onde aquela pessoa está… Aquela que ficou lá parada assistindo uma criança prestes a morrer sem fazer nada. O que ela está fazendo agora. Mesmo quando eu estava à beira da morte, pensei que, se sobrevivesse, iria caçá-la e matá-la com minhas próprias mãos. — Xinlu continuou a murmurar. Ouvindo aquelas palavras, Yuri só pôde permanecer em silêncio.
↫。🫧 Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki
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