Capítulo 11.3
𓇼 ⋆.˚ 𓆉 Capítulo 11.3: Não Olhe para Mim 𓆝 𓆡⋆.˚ 𓇼
Yuri ficou tão desconcertado que até mesmo seu rosto, habitualmente estóico, não conseguiu manter a calma característica. Mas Xinlu não prestou atenção, arregalando ainda mais os olhos enquanto pressionava em um tom afiado:
— Não o quê?! O que exatamente não é?!
— É verdade que olhei para você, e admito que não consegui tirar os olhos de você. Mas nunca tive nenhum pensamento indiscreto a seu respeito. Nunca sequer considerei algo assim.
Embora sua voz não tremesse, ainda traía um toque de constrangimento enquanto ele tentava se explicar. No entanto, sua explicação parecia manchada, como se uma partícula de poeira tivesse pousado sobre ela. Xinlu estava prestes me disparar outra resposta irritada, mas parou de repente, fechando a boca e encarando Yuri com desconfiança.
Yuri olhou diretamente para Xinlu, tentando dissipar o desconforto que se formava no homem mais jovem. Mas, quando se preparava para dizer algo mais, hesitou por um longo momento, sem saber como continuar. Por fim, deixou escapar uma declaração fraca e pouco convincente:
— Acredite ou não, sou hétero.
— …
— Eu sempre fui, de verdade.
— …
— …Embora agora esteja começando a ter algumas dúvidas.
As palavras de Yuri, embora verdadeiras, de alguma forma pareciam estar diminuindo de volume, como a confissão de algo inominável. Ao final, sua voz ficou reduzida a um murmúrio fraco e indefeso, e ele baixou o olhar para o chão.
— …
— …
Um silêncio pesado pairava entre os dois.
Até mesmo Xinlu, que esteve prestes a ter uma explosão de raiva momentos atrás, de repente se calou. Quanto a Yuri, que estava tentando se defender, agora se encontrava preso em um estado de confusão embaraçosa e sem palavras. No fim, nenhum dos dois falou primeiro.
— …Já conheci muitas pessoas como você. Aqueles que dizem que são héteros, que dizem que não se importam com homens.
No final, foi Xinlu quem quebrou o silêncio. Seu tom era ressentido e carregado de irritação, como se estivesse se apegando teimosamente a um argumento, mesmo quando o raciocínio por trás dele já se tornara confuso.
— Mas, no fim, eles sempre tentam vir atrás de mim. Alguns culpam meus “olhos sedutores”, outros usam a desculpa de que estavam bêbados e me confundiram com uma mulher por causa do meu rosto. E houve alegações ainda mais ridículas do que essas.
— E todos eles acabaram no hospital. Alguns ainda estão lá… e provavelmente ficarão por um bom tempo. Eu já disse antes: nunca perdi uma briga… ou, pelo menos, quase nunca.
Ele enfatizou a palavra “quase” com uma rigidez momentânea em sua expressão. Yuri entendeu imediatamente ao que ele se referia, e a imagem daquele que fizera Xinlu dizer “quase” surgiu em sua mente. Quase por instinto, Yuri se pronunciou:
— Eu não faria isso. Eu só… Eu só gosto de olhar para você.
Qualquer coisa — ele precisava dizer algo, qualquer coisa, para tirar Xinlu daquelas memórias dolorosas. Esse pensamento levou Yuri a soltar as palavras sem pensar. Somente depois de dizer isso ele congelou, assustado com a própria admissão.
— …O quê?
“Algo parece errado”, Yuri pensou consigo mesmo. Suas palavras não eram uma mentira, mas saíram parecendo uma confissão em pânico e descuidada. Uma admissão desajeitada e ingênua — se Annette estivesse aqui, sem dúvida o repreenderia por se confessar de uma forma tão absurda.
Xinlu também olhou para Yuri com uma expressão semelhante à que Annette poderia ter na imaginação de Yuri. Felizmente, porém, a frieza que surgia em seu rosto desapareceu rapidamente, retornando à sua compostura habitual. Ele encarou Yuri com um olhar confuso, como se estivesse acabado de ouvir uma piada que não tinha a menor graça.
— Tem certeza?
Xinlu ergueu ligeiramente o queixo ao perguntar, em tom desafiador. Yuri assentiu imediatamente e respondeu com firmeza:
— Tenho certeza.
Ele nunca, nem de passagem, pensara em “tocar” Xinlu. Mesmo que não fosse hétero (uma ideia que começava a questionar), Yuri jamais alimentaria a ideia de violar os limites físicos de alguém contra a vontade dessa pessoa, nem mesmo em seus sonhos.
Xinlu encarou Yuri intensamente, que não desviou o olhar, antes de soltar uma fraca risada zombeteira. Ele se virou, como se sinalizasse que a conversa tinha terminado, mas não sem dar uma observação afiada por cima do ombro:
— Não se esqueça do que acabou de dizer.
Yuri assentiu obedientemente e respondeu:
— Sim.
Mas, no fundo, não pôde deixar de achar a situação divertida de uma forma estranhamente irônica.
Aqui estava ele, um homem autodeclarado hétero, confessando-se acidentalmente para alguém que era gay, apenas para ser rejeitado sumariamente. A absurdidade de tudo era quase demais para ele processar.
Ele soltou uma confissão desajeitada e foi rejeitado imediatamente.
Dizer que não ficou magoado seria mentira. Mas, ao mesmo tempo, ele se tranquilizou: “Está tudo bem, sério.” Afinal, ele nunca pretendera “colher a flor”. Apenas admirá-la de longe já era o suficiente.
Com esse pensamento, uma sensação de alívio o tomou. “Ótimo”, ele murmurou para si mesmo.
Mas bem naquele momento, seus olhos pousaram em Xinlu, que se curvara para pegar a camisa que jogara no chão. Ele a limpou antes de vesti-la novamente. Sem conseguir se conter, Yuri murmurou inconscientemente:
— Ah…
Xinlu estava na metade do caminho de deslizar o braço pela manga quando, de repente, se virou para olhar para Yuri com desconfiança.
— …Não é nada. Pode ir em frente e vestir.
— …O quê?
Xinlu perguntou enquanto abotoava a camisa, aproximando-se dele. Yuri permaneceu em silêncio, apenas observando-o.
Lógico, Yuri não tinha intenção de tocar ou fazer qualquer coisa inadequada. Mas Xinlu era realmente deslumbrante. Tão belo que alguém poderia facilmente se perder apenas contemplando-o. E não era apenas seu rosto radiante e adorável; seu corpo também era igualmente de tirar o fôlego.
Mas chamar de “belo” talvez não fosse inteiramente exato, embora fosse a palavra mais próxima que Yuri conseguia pensar para descrever. Em contraste com seu rosto brilhante e charmoso, podia-se esperar que o físico de Xinlu fosse esbelto ou delicado. Mas, na realidade, era impecável, com músculos bem desenvolvidos e proporcionais, firmes e perfeitamente modelados, sem uma única imperfeição. Era, talvez, a própria definição de uma forma masculina ideal, capaz de deixar qualquer um silenciosamente maravilhado.
— …Você tem certeza de que apenas quer olhar e não tem nenhuma intenção oculta?
A voz de Xinlu interrompeu o devaneio de Yuri, com seu tom gotejando desconfiança.
Enquanto abotoava perto da clavícula, Xinlu parou e se virou para encarar Yuri com um olhar penetrante. Seu tom era frio ao falar, mas havia um leve toque de diversão, como se estivesse provocando. Ele rapidamente desviou o olhar, virando o rosto.
Apenas momentos antes, ele declarara com confiança: “…Eu não tenho nenhuma intenção oculta.” No entanto, agora, sob aquele olhar, Yuri não conseguia entender por que se sentia tão estranhamente desconcertado. Até aquele momento, nunca havia alimentado pensamentos além dos limites da decência.
O leve sentimento de culpa e constrangimento fez Yuri hesitar. Eventualmente, ele suspirou, deixando os ombros caírem enquanto admitia:
— Até alguns minutos atrás, eu realmente não tinha nenhum pensamento assim. Sinceramente… me desculpe. Vou tentar me esforçar mais.
Aos poucos, a voz de Yuri foi sumindo, e ele pressionou os lábios com força, a culpa estampada em todo o seu rosto. Baixou a cabeça, encarando fixamente os sapatos de Xinlu, incapaz de erguer o olhar.
“Quão patético… Dizer que gosto dele e, ainda assim, acabar deste jeito.”
De pé diante de Xinlu com a cabeça baixa, Yuri engoliu esses pensamentos em silêncio, perguntando-se que tipo de expressão o outro homem estaria fazendo. Talvez um olhar furioso, ou talvez um sorriso zombeteiro, provavelmente algo entre os dois.
— …Você realmente não demonstra nada no rosto…
A voz de Xinlu rompeu o silêncio, o tom tingido de zombaria, como se estivesse refletindo consigo mesmo:
— Mas agora… acho que estou começando a entender. Consigo entender o que você está pensando.
Sua voz carregava um leve desdém quando acrescentou:
— Pensando bem, você nunca mente, então nem preciso ler suas expressões.
Yuri ergueu a cabeça devagar. E então, ele viu. Ao contrário de suas expectativas, o rosto de Xinlu exibia um leve sorriso, e seus olhos brilhavam com uma diversão sutil enquanto olhava para ele. Aqueles olhos eram belos — tão belos que Yuri sentiu como se sua alma estivesse sendo atraída para eles.
“Não, não, pare com isso!”, ele pensou consigo mesmo. Xinlu sem dúvida lhe diria para não encarar novamente. No entanto, mesmo assim, Yuri não pôde deixar de querer contemplá-lo mais um pouco.
Depois de cruzar os olhos com Yuri por um momento, Xinlu soltou uma risada suave, os olhos se curvando com um toque de malícia.
— Se você não agisse de forma tão irritante, poderia ter se tornado um insetinho charmoso e simpático aos meus olhos… Enfim, olhe para outro lugar. Pare de encarar.
↫。🫧 Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki