Capítulo 04
𓇼 ⋆.˚ 𓆉 Capítulo 4: Insetos humanos 𓆡⋆.˚𓇼
— Assim que você me viu, você saiu correndo. Isso não é suspeito? Você fez algo de errado que eu não saiba?
— Eu não fiz nada.
— Então não há razão para fugir.
— Eu não estava fugindo.
— Você realmente saiu correndo no momento em que me viu?
Yuri ficou momentaneamente sem palavras.
Ele nunca tinha pensado naquilo como fugir, mas, depois de ouvir aquelas palavras, percebeu que realmente se virou no momento em que o viu. Então, poderia parecer que ele estava fugindo. Mas não era o caso…
Sem sequer esperar 1 ou 2 segundos para Yuri processar sua confusão momentânea, ele disparou suas palavras como tiros rápidos de metralhadora.
— Por que você correu? Fez algo de errado comigo? Foi meu irmão mais velho que mandou você ficar de olho em mim? Ou você simplesmente falou mal do Taeui hyung? Se não foi isso, por que fugiria como um criminoso culpado no momento em que me viu?
— Não… Não, não é isso…
Ele não tinha ideia de como fazê-lo calar a boca.
Yuri, confuso, franziu a testa e tentou dizer algo, mas quando o jovem notou sua expressão, virou os olhos como os de um gato, cheio de satisfação. Yuri já tinha percebido no momento em que o viu. Ele veio aqui para provocá-lo. Mas por que ele?
Enquanto Yuri permanecia ali, confuso, o rapaz estudou cada centímetro de sua expressão antes de inclinar a cabeça. Então, de repente, ele riu e disse:
— Meu Deus.
Depois de dar um passo para trás, ele pareceu razoavelmente satisfeito à medida que a malícia venenosa em seus olhos desaparecia, e falou em um tom leve:
— Você é tão difícil de ler, mas por que é tão rápido em perceber os outros? Você lê a expressão de todo mundo como se não fosse nada. E então, quando lê a minha completamente, mostra imediatamente esse olhar decepcionado no rosto. Isso magoa ainda mais as pessoas, sabia?
— …Eu realmente fiz isso? Eu honestamente não tive a intenção. Me desculpe.
Yuri curvou a cabeça em desculpa. Ele não tinha a intenção de magoá-lo, mas, se aquilo o tinha chateado a ponto de fazê-lo ir atrás dele, pedir desculpas era o mínimo que podia fazer.
O jovem parecia detestar que qualquer pessoa visse seu lado vulnerável – fosse inveja, decepção ou tristeza –, aquelas eram emoções que ele não queria que ninguém percebesse.
Bem, seria o mesmo para todo mundo? Afinal, não é exatamente agradável ter suas fraquezas expostas.
Yuri assentiu e tentou se convencer.
— Uau, você é mais forte do que eu pensava. Como diabos você conseguiu correr com essas duas melancias? Eu honestamente pensei que você estava segurando bolas de borracha que só pareciam melancias… Cara, elas são pesadas.
De repente, uma das mãos de Yuri ficou mais leve. Quando olhou para baixo, a melancia em sua mão direita tinha desaparecido. A melancia agora na mão do jovem parecia suspeitamente com a que Yuri estava segurando.
— Hã?
Antes que Yuri pudesse dizer qualquer coisa, o jovem começou a andar alegremente à frente.
— Espere um segundo.
Yuri chamou. O jovem se virou com uma expressão intrigada.
— Você não está indo para a sua pousada agora? Não é por aqui?
— É, isso mesmo, mas… por que você não está voltando para o mercado?
— Você quer que eu volte para lá? …Estranho, eu pareço tão irritante assim para você? Ou há algo de errado? Meu rosto?
O jovem inclinou a cabeça repetidamente, franzindo a testa como se achasse algo verdadeiramente estranho. Murmurando para si mesmo:
— Ninguém nunca foi tão desconfiado comigo antes.
Então, notando Yuri parado a alguns passos atrás dele, encarando-o com o olhar vago enquanto segurava as melancias nos braços, o jovem se virou para olhá-lo. Com um leve sorriso, falou de forma curta e decisiva.
— Acho que vou encerrar o dia. Eu adoraria ver o Taeui hyung um pouco mais, mas tem algo desagradável grudado ao lado dele que é simplesmente insuportável. Está me deixando enjoado.
— …Ling Xinlu, sua hospedagem não fica para este lado, fica?
— Como você sabe disso?
Ao ver o piscar inocente e a surpresa fingida em seu rosto, Yuri se calou.
É um instinto básico aprender mais sobre alguém que pode ser perigoso. Embora o jovem provavelmente não esperasse que ninguém se importasse depois que ele apareceu diante deles.
— É bastante indelicado suspeitar de uma pessoa de bom coração que acabou de ajudar você a carregar uma melancia tão pesada.
Xinlu disse.
— …
— Você contou tudo ao Taeui hyung quando me conheceu?
O jovem perguntou enquanto passava por Yuri, que havia desacelerado atrás dele. Yuri balançou a cabeça. Ele não tinha intenção de ajudar Xinlu a alcançar seus objetivos, mas também não o estava sabotando ativamente ao contar tudo aos outros. Ainda assim, não podia deixar de se perguntar o quão ruins as coisas poderiam ficar se tudo fosse revelado.
Na verdade, desde que não interferisse em encontrar Jeong Jaeui, Yuri não tinha intenção de se intrometer.
— Yuri Gable. 36 anos. Nascido em 30 de março, sob o signo de Áries. Tipo sanguíneo O. Filho único de Gustav Gable, um alemão, e Natalie Wasson, uma inglesa. Nascido na Cidade do Cabo – África do Sul, mas mudou-se para Berlim – Alemanha, antes do seu primeiro aniversário. Seus pais se divorciaram quando ele tinha 13 anos, e ele passou a adolescência em Birmingham – Inglaterra, antes de retornar a Berlim para frequentar a Freie Universität. No entanto, abandonou os estudos após apenas seis meses e trabalhou brevemente na T&R. Aos 27 anos, ingressou no Serviço Nacional de Inteligência (NIS). Após dois anos, pediu demissão e retornou à T&R, onde continua trabalhando sob seu nome atual.
As palavras de Xinlu saíram com facilidade, como se estivesse recitando a partir de um arquivo.
No beco quieto e deserto, que não carregava nenhuma sensação de perigo, a voz calma e constante do jovem fluiu por um longo tempo. A própria extensão das informações que recitava sem esforço fez Yuri pensar que devia ter sido difícil memorizar. Yuri olhou para o jovem, que não tinha olhado para ele nenhuma vez enquanto falava. Foi só depois de terminar com: “……onde continua trabalhando sob seu nome atual” que o jovem finalmente virou a cabeça. E com um sorriso brilhante, sorriu radiante para Yuri.
— Eu errei alguma coisa?
— Não.
— Na verdade, eu sei de mais detalhes, mas encurtei intencionalmente para não ser chato de ouvir.
Yuri observou em silêncio o rosto jovem sorrindo para ele, como se esperasse por uma frase de elogio como: “Muito bem”.
De fato, aquilo implicava que o jovem tinha se aprofundado no passado de Yuri, assim como ele devia ter pesquisado cuidadosamente sobre o jovem.
Yuri, que era uma pessoa que nunca tinha compartilhado tais detalhes sobre seu passado com ninguém, assentiu sem demonstrar nenhum sinal de desconforto.
— Você não está irritado?
O jovem estudou a expressão de Yuri e perguntou. Perdido em pensamentos, finalmente respondeu com calma.
— Se eu fosse Jeong Taeui, diria: “Não estou chateado por você ter encontrado minhas informações pessoais, mas estou um pouco triste por você ter perguntado se isso me incomoda.”
O jovem fechou a boca. Em um instante, o sorriso desapareceu de seu rosto. Enquanto o encarava intensamente, Yuri acrescentou casualmente um comentário.
— Mas eu não estou particularmente chateado com isso.
— ……xxxx……
O jovem murmurou algo baixinho. Embora estivesse em sua língua nativa, Yuri não precisava se dar ao trabalho de interpretar, mas o sentido era claro o suficiente. Algo na linha de: “Seu desgraçado”, talvez.
Yuri de alguma forma sentiu seu humor melhorar um pouco depois de ver a expressão emburrada e feroz do jovem, combinada com o murmúrio áspero naquela língua desconhecida.
— Mas você claramente sabia que isso me faria sentir mal.
Yuri não respondeu àquelas palavras frias. O jovem olhou feio para ele, como se confirmasse a acusação. No entanto, talvez percebendo que tinha provocado Yuri primeiro, o jovem pareceu ter decidido encerrar a conversa naquele ponto.
— Eu sei muito sobre o Taeui hyung. Não, mais do que muito. Eu sei em que hospital ele nasceu; a hora, o minuto e o segundo exatos em que nasceu; quais vacinas ele tomou em qual idade e em quais datas.
— …Você tem uma memória incrível.
Os olhos do jovem ficaram afiados novamente, mas pararam apenas depois de notar a expressão genuinamente impressionada de Yuri.
— Não sei se você sabe, mas o Taeui hyung originalmente gostava de mim. Então aquele cara louco apareceu do nada e o roubou de mim.
— Sério?
Yuri caminhava ao lado do jovem, olhando para ele com olhos curiosos.
— Tudo estava indo bem entre nós, sem nenhum problema, mas aquele cara o tomou de mim descaradamente. Nós até tínhamos concordado previamente que ele não interferiria com o Taeui hyung, mas ele quebrou essa promessa também.
— Uma pessoa vil e sem vergonha, sem nenhum senso de integridade.
O jovem rosnou, cuspindo pragas. Seus olhos brilhavam com tanta intensidade que parecia que uma luz afiada e penetrante poderia disparar deles.
— Eu nunca vou perdoá-lo.
O jovem murmurou para si mesmo em uma voz tão baixa que era mal audível. Yuri olhou brevemente para ele antes de voltar o olhar para a frente sem dizer uma palavra.
Por um tempo, o silêncio pairou no ar. O único som era o ranger suave de passos lentos na estrada de terra batida.
— E você, Sr. Gable? Na sua juventude, quem foi seu primeiro amor?
A pergunta repentina pegou Yuri de surpresa. Seu primeiro amor? Ele tentou se lembrar, mas não conseguiu se recordar de ninguém. Em vez disso, virou-se para o jovem e perguntou em resposta.
— Essa informação não está nos dados sobre mim?
— Dolores, a garota da porta ao lado com quem você costumava brincar quando tinha 12 anos? Brenda, com quem você namorou por dois meses aos 16 antes dela terminar com você por outro alguém? Ou Annette, sua colega de trabalho de quando você estava na Agência de Inteligência?
Ao ouvir esses nomes, o emocionalmente distante Yuri finalmente se lembrou das mulheres que tinham passado brevemente por sua vida. Após um momento de reflexão, ele balançou a cabeça.
— Eu acho que não há nenhuma… nenhuma.
Ao dizer aquelas palavras, Yuri sentiu um pequeno baque no coração.
Yuri não conseguia acreditar que nunca tinha pensado sobre aquilo antes. Mesmo depois de refletir sobre o assunto, ele ainda não conseguia entender; nunca tinha tido um primeiro amor com ninguém. Mas isso não significava que tinha vivido sem nunca amar alguém. Embora não tivesse estado apaixonado, tinha namorado mulheres algumas vezes, embora esses relacionamentos não parecessem amor. Ele ainda se lembrava do charme e da elegância de cada mulher com quem esteve.
No entanto, como o jovem tinha descrito, um amor que consumisse “uma parte da juventude de alguém inteiramente”, nada vinha à mente. Yuri percebeu que raramente tinha experimentado emoções tão intensas que varressem todo o seu ser.
“Talvez eu seja uma pessoa incrivelmente insensível e sem sentimentos…”
Yuri de repente percebeu, e o pensamento o fez se sentir um pouco melancólico.
O jovem sorriu enquanto observava Yuri. Ele deu um sorriso astuto. Havia algo na forma como seus lábios se curvaram para cima, como se tivesse vencido, que era irritante sem motivo. Talvez percebendo as emoções alteradas de Yuri, o jovem deu um tapinha brincalhão no ombro dele em uma tentativa de consolação zombeteira e generosa.
— Bem, não fique tão para baixo com isso. Você só não se lembra agora. Se você pensar com bastante força, deve ter havido pelo menos uma vez – mesmo que por um momento – em que você ficou cativado por alguém ou não conseguiu tirar os olhos dessa pessoa.
— Bem, se não, deixa para lá.
O jovem disse descuidadamente, claramente sem se importar. Ele parecia genuinamente satisfeito, como se sua veia travessa tivesse finalmente sido saciada. Que personalidade terrivelmente difícil.
Yuri franziu ligeiramente a testa enquanto observava o jovem dar passos à frente alegremente. Mais uma vez, desta vez com ainda mais urgência do que antes, ele procurou desesperadamente em suas memórias. Já tinha havido um momento em que ficou tão cativado por alguém que não conseguiu tirar os olhos dessa pessoa?
— …
Houve.
Ele não precisou pensar muito; a memória surgiu quase imediatamente, tão vívida que tinha permanecido com ele durante todo esse tempo. Foi um momento que tinha ressurgido inesperadamente em várias ocasiões desde então.
Antes que ele percebesse, seu passo havia diminuído. O jovem, que tinha ficado alguns passos à frente, voltou-se. Vendo Yuri encarando-o com o olhar vago, o jovem ergueu uma sobrancelha, com uma expressão curiosa.
— Você já se sentiu assim?
Depois de ter acabado de satisfazer sua veia travessa, a expressão do jovem mostrava claramente sua decepção com o anticlímax. Yuri simplesmente assentiu e retomou seu ritmo mais rápido. Um som de “Tsc” estalou audivelmente da língua do jovem.
Yuri olhou para o perfil inclinado do jovem enquanto ele caminhava à frente.
Uma flor radiante e bela que tinha desabrochado debaixo d’água.
Embora existisse por apenas um momento fugaz, era mais deslumbrante do que qualquer coisa que Yuri já tinha visto ou sentido sob a superfície.
Mesmo agora, a memória daquele momento permanecia vívida em sua mente.
…Tum
De repente, seu coração bateu fortemente.
— Hã
Yuri inclinou a cabeça ligeiramente.
Não doeu, mas havia uma ressonância abafada em algum lugar dentro dele. Mesmo assim, era vívida — como uma paixão há muito esquecida de sua primeira juventude que tivesse despertado momentaneamente.
Hã…?
Enquanto Yuri inclinava a cabeça e diminuía o passo novamente, o jovem, agora alguns passos à frente, voltou-se para olhá-lo. Yuri encarou silenciosamente o jovem, que carregava uma melancia em um dos braços sem esforço. A expressão do jovem parecia perguntar: “O que foi?”
— …Cabelo.
— Hã?
— Tem um inseto no seu cabelo…
Yuri deixou escapar algo para chamar a atenção do jovem. A verdade era que não havia inseto nenhum, mas seus olhos e sua boca tinham reagido instintivamente.
O jovem franziu a testa e bateu na cabeça com a mão livre, sacudindo o cabelo. O gafanhoto que estava descansando ali voou, apenas para pousar no lado oposto momentos depois.
— Foi embora?
— Não, está em outro lugar.
Yuri disse automaticamente, sua boca parecendo funcionar por conta própria, desconectada de seu cérebro.
Enquanto Yuri continuava murmurando, com a boca agindo independentemente de sua mente, o jovem rapidamente passou a melancia para o outro braço e sacudiu o outro lado da cabeça com vigor. O inseto decolou novamente, esvoaçou no ar por um momento e, astutamente, pousou de volta bem onde o jovem tinha acabado de abaixar a mão.
Yuri se aproximou rapidamente dele. Levantou a mão até a cabeça do jovem e fingiu espantar o inseto inexistente. Ele varreu o ar até que ele voou para longe.
Durante tudo isso, o olhar de Yuri permaneceu fixo no jovem. O jovem também encarou diretamente, seu olhar afiado e observador quase o dissecando. Após um momento, como se tivesse pensado em algo, os lábios do jovem se curvaram em um sorriso astuto, muito parecido com o de um gato travesso.
— Já foi embora.
Yuri não disse mais nada e caminhou à frente. O jovem rapidamente o alcançou por trás e parou ao lado de Yuri.
— Obrigado. Eu odeio insetos.
— É mesmo? Era um gafanhoto pequeno. Apenas um insetinho inofensivo.
— Mas um inseto ainda é um inseto. Eu não gosto deles. Seja um gafanhoto, um inseto voador ou uma larva.
— …
— Mas, dependendo do caso, “insetos humanos” não são tão ruins. Eles são divertidos.
Yuri se virou para olhar para o jovem. Para aquele que estava alegremente passando a melancia de uma mão para a outra como se fosse uma bola de borracha.
— Você é bem forte…
— Ao contrário do que pareço?
O jovem sorriu brilhantemente e acrescentou, claramente ciente do que Yuri estava insinuando. Ele já tinha ouvido tais comentários incontáveis vezes antes.
— Desde jovem, sempre atraí bastante “insetos humanos”. Quer dizer, faz sentido, não faz? Boa aparência, mente afiada, histórico sólido, riqueza transbordante e até uma personalidade aparentemente gentil. Quem não se atrairia? Diabos, até eu ficaria encantado se fosse outra pessoa. Mas, por causa de tudo isso, não eram apenas insetos inofensivos que vinham no meu caminho. O que eu podia fazer? Tive que malhar um pouco. E, antes que eu percebesse, me tornei mais forte do que a maioria das pessoas.
— Eu nunca perdi uma queda de braço.
O jovem disse enquanto acenava os braços casualmente. Apesar de escondido sob suas roupas, não dava a impressão de ser excessivamente volumoso ou bruto — apenas bem-proporcionado e de aparência forte.
Pensando sobre isso, Yuri se lembrou de Ling Tangyun ter mencionado uma vez que seu irmão mais novo tinha entrado para a UNHRDO como o primeiro da turma. O processo de seleção para a UNHRDO era notoriamente difícil, então, se alguém tirasse a pontuação mais alta lá, devia ter uma força física extraordinária.
— Bem, bom para você.
A condição física de Yuri não era particularmente deficiente em comparação com a dos outros, mas como seu trabalho dependia principalmente de seu intelecto (e raciocínio rápido), havia momentos em que sentia que sua resistência já não era o que costumava ser. Quando ocasionalmente encontrava e conversava com pessoas em linhas de trabalho semelhantes, muitas vezes se pegava invejando aqueles com excelente resistência física.
Ele invejava genuinamente a energia juvenil do jovem. Mesmo agora, os braços de Yuri estavam começando a doer pelo peso da melancia que carregava, enquanto essa pessoa estava jogando a dele para cima casualmente como se fosse uma bola de brinquedo, completamente imperturbada.
Quando Yuri murmurou algo baixinho, o jovem de repente caiu na gargalhada. Olhou para Yuri, que o encarava com uma mistura de confusão e curiosidade, seus olhos se estreitando de forma brincalhona.
— Sr. Gable, você é realmente divertido. Se eu apenas ouvisse essas palavras, elas poderiam soar como sarcasmo. Mas vindo de alguém como você, tenho certeza de que não são.
— …Eu não estava sendo sarcástico.
— Eu sei.
O jovem sorriu alegremente e acenou a mão levemente. Em seguida, diminuiu o sorriso.
— De qualquer forma, nem todos os “insetos humanos” me incomodam. É divertido vê-los zumbindo por aí, dizendo que gostam de mim. Vê-los zumbir em pânico com um único gesto, sem saber o que fazer, e circulando ao meu redor, isso também é divertido.
Yuri se perguntou por que o jovem esteve encarando-o intensamente sem desviar o olhar há algum tempo. Foi só um momento depois que percebeu que aquele olhar poderia estar conectado às coisas que o jovem estava dizendo.
— Eu sou esse inseto?
— Hahaha, não foi isso que eu quis dizer.
— Claro que não.
O jovem disse, abanando a mão em tom de desdém. No entanto, seu olhar permaneceu fixo em Yuri, escaneando meticulosamente cada canto de seu rosto, como se procurasse por algo quase imperceptível.
Yuri também travou o olhar com o jovem e lentamente estudou seus traços um por um — seus olhos, nariz e lábios.
…Por alguma razão, parecia que seu coração poderia bater forte novamente.
Eventualmente, o jovem franziu ligeiramente as sobrancelhas enquanto encarava Yuri. Era uma expressão estranha — meio sorriso, meio franzir de testa — como se não conseguisse decidir como reagir. Inclinando a cabeça, ele falou.
— Uau…, você realmente é alguém com muito pouca expressão. Normalmente, consigo perceber instantaneamente quando alguém está olhando para mim, mas agora não tenho tanta certeza…bAh, ou você está encarando por algum outro motivo..?
O jovem murmurou para si mesmo, pensou por um momento e depois falou.
— Meu irmão pediu para você ficar de olho em mim? Bem, farei questão de dizer a ele que você cuidou muito bem de mim e me fez sentir o mais confortável possível.
— …Ele disse que eu deveria cuidar bem de você para que não se machucasse gravemente.
— Nossa. Então era isso.
O jovem estalou a língua novamente, sua expressão azeda como se seu humor tivesse caído de repente. Embora pudesse ter caminhado mais rápido, ele deliberadamente ficou para trás de Yuri por um momento, apenas para alcançá-lo em apenas alguns passos. Então, inclinando a cabeça como se estivesse em profundo pensamento, virou-se de repente para encarar Yuri.
— Isso não é nada divertido. Estou começando a ficar com sono. Estou voltando.
Ao dizer isso, ele jogou a melancia em uma das mãos como se fosse uma bola de basquete.
Em pânico, Yuri moveu rapidamente a melancia com um braço e pegou a melancia voadora com a mão livre. Por sorte, conseguiu segurá-la com segurança, mas o impacto atingiu sua lateral, enviando uma dor aguda por seu corpo. O peso da melancia não era brincadeira.
— Ai!
Yuri gemeu baixinho, engolindo um som baixo de dor. Levou alguns segundos até que pudesse finalmente endireitar seu corpo curvado. A essa altura, o jovem já estava longe, desaparecendo pelo beco escuro sem dar sequer um olhar para trás. Parecia ter perdido todo o interesse nele. Yuri encarou a parte de trás de sua cabeça, observando-o se afastar sem pensar duas vezes. As palavras que Yuri gritou a seguir foram algo que ele mesmo não esperava.
— Qual é o padrão para distinguir entre uma pessoa e um inseto?
A palavra “inseto” em si não o incomodava particularmente. Ao longo de sua vida, especialmente enquanto trabalhava, Yuri tinha ouvido todo tipo de insulto imaginável — de palavrões a pragas diretas e desejos maliciosos. Comparado a isso, ser chamado de inseto era quase carinhoso. Além disso, Yuri sempre acreditou que tais palavras refletiam mais sobre a pessoa que as dizia do que sobre quem as recebia. Como tal, dificilmente registrava como algo pelo qual valesse a pena se irritar.
Por alguma razão, Yuri não conseguia se livrar do sentimento persistente. Não era desconforto, mas algo mais próximo do arrependimento ou da amargura.
O jovem parou de caminhar e olhou para trás, para Yuri. Seus olhos se arregalaram ligeiramente em surpresa, como se não tivesse esperado tal pergunta. Então, lentamente, seus olhos se estreitaram com um sorriso.
— Bem, vejamos.
Ele disse, como se estivesse considerando a pergunta pela primeira vez. Inclinou a cabeça e olhou para o céu pensativamente.
— O padrão entre uma pessoa e um inseto… Em certo sentido — seja de forma positiva ou negativa —, talvez seja sobre se eu levo a outra pessoa pelo menos um pouco a sério ou não. Ah, isso te incomodou?
Se Yuri perguntasse ao jovem que sorria calmamente: “Eu sou o último?”, ele provavelmente sorriria e mentiria calmamente: “Claro que não.”
De alguma forma, Yuri sentiu que tinha começado a entender o jovem só um pouco.
— …Não. Apenas tenha cuidado ao caminhar à noite.
Quando Yuri disse isso, o jovem sorriu ainda mais belamente e acenou os braços amplamente. Em seguida, virou-se e foi embora com passos mais leves do que antes.
Enquanto observava silenciosamente sua figura em retirada, Yuri sentiu sua natureza de coração honesto vacilar. Ele percebeu uma verdade: Pela primeira vez em sua memória, suas emoções tinham sido influenciadas pela reação de outra pessoa.
E assim Yuri, com sua intuição afiada, rapidamente percebeu por que se sentia tão melancólico, por que a melancia parecia incomumente pesada e por que seu coração vinha batendo em baques lentos, mas inconfundivelmente fortes e deliberados desde um momento atrás.
↫。🫧 Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki