Capítulo 03.2
𓇼 ⋆.˚ 𓆉 Capítulo 3.2: Quem dera eu pudesse me tornar um peixe 𓆡⋆.˚𓇼
— Vim fazer as pazes com você. Vamos nos dar bem. — O jovem finalmente disse.
O jovem falou enquanto estendia a mão para um aperto de mão. Yuri olhou alternadamente entre a mão e o rosto dele. Ao contrário de seu rosto bonito, suas mãos eram bastante grandes e tinham juntas grossas — mãos inconfundivelmente masculinas. No entanto, eram surpreendentemente macias, como se estivesse tocando a pata felpuda de um predador com garras escondidas por baixo.
— Fazer as pazes, é……
Yuri encarou o jovem com cautela, preocupado de que aquelas garras metafóricas pudessem sair a qualquer momento. Os olhos escuros do jovem se estreitaram ligeiramente enquanto ele sorria.
— Significa que deixaremos o passado para trás, como se nada tivesse acontecido. Hum, honestamente, nosso primeiro encontro não foi legal, e me sinto mal sempre que penso nisso. Mas, sério, o que eu poderia fazer quando ele disse que você era amigo dele?
O jovem piscou brincalhão, fingindo atirar com os dedos em forma de arma.
“Aquele não foi o nosso primeiro encontro”, pensou Yuri, mas optou por não dizer em voz alta. Ele não queria arruinar as intenções do jovem mencionando que o havia salvado quando ele era uma criança. Ou melhor, quando o jovem disse que veio fazer as pazes, Yuri já tinha entendido o real motivo de ele estar ali.
— Mesmo assim, não tenho nenhuma informação útil sobre Jeong Taeui para compartilhar. Não sei muito.
Ouvindo isso, o jovem caiu na gargalhada de repente.
— Ei, por que você pensaria isso? Estou aqui para fazer as pazes. Não há necessidade de perguntar sobre o Taeui-hyung. Eu provavelmente sei mais sobre ele do que você.
— E eu não tenho intenção de fazer nada que o beneficie ou que resulte na derrota de Rick.
Yuri esclareceu, como se nem tivesse ouvido as palavras do jovem. Como esperado, o jovem ficou em silêncio desta vez. A maneira como ele olhava para Yuri com aquele sorriso brilhante era um tanto perturbadora.
— Bem…… tudo bem. Não estou esperando muito de você de qualquer forma. Mas, sabe, as oportunidades são sempre criadas a partir das menores coisas — como uma semente de mostarda.
— Talvez você pudesse criar uma oportunidade, não é?
Um olhar cheio de riso. Como se insinuasse que, se houvesse o menor potencial para ser usado, com certeza seria notado e aproveitado.
— Mais do que isso.
O jovem continuou, falando vagamente antes de se calar e inclinar a cabeça. Sua expressão parecia notavelmente inocente, provavelmente por causa daqueles olhos escuros, grandes e redondos. Esse cara realmente tem metade da batalha ganha só pela aparência.
— Acho que meu irmão mais velho tem um relacionamento muito bom com você. Embora você não fale muito, parece direto. Ele diz que você é confiável, uma boa pessoa e alguém sem más intenções, então me disse para deixar as coisas passarem. Meu irmão mais velho raramente elogia alguém.
— …Obrigado pelo elogio. — disse Yuri.
— Hahaha, eu não estava elogiando você. Estava apenas citando meu irmão.
O jovem respondeu, rindo calorosamente enquanto dava um tapinha amigável no ombro de Yuri. A razão pela qual não achou aquele garoto insolente foi por causa de sua risada suave e despreocupada.
Yuri ajustou a toalha que estava escorregando de seu ombro e olhou para o jovem em silêncio.
“Ele é inegavelmente lindo. Não consigo entender por que Jeong Taeui escolheu aquela bomba-relógio em vez deste jovem deslumbrante. Se considerarmos suas personalidades, ambos são igualmente difíceis de lidar… então é um empate. Mas, se formos julgar pela aparência, este aqui é de longe superior.”
— Há algo de errado com o meu rosto?
O jovem perguntou, pegando Yuri o encarando. Sua expressão sugeria que ele já sabia o motivo dele estar olhando, ou talvez estivesse apenas acostumado a receber tais olhares. Yuri balançou a cabeça ligeiramente e desviou o olhar.
“Acho que entendi agora. Deve ser por causa daqueles olhos de tigre. Olhos que parecem perfurar a alma de uma pessoa — sem dúvida, são intimidadores.”
— Acho que devo voltar logo. Ajustei meu alarme para acordar cedo só para te encontrar, mas estou com tanto sono agora. Você deveria voltar e se trocar também. Ficar aqui fora com o corpo encharcado assim vai fazer você congelar. Ah… você já está arrepiado.
O jovem estendeu a mão em direção ao braço exposto de Yuri abaixo da toalha. Antes que pudesse se afastar, a mão do jovem já havia deslizado do seu ombro até o cotovelo. Só então Yuri percebeu que seu braço estava coberto de arrepios, seu corpo tremendo ligeiramente pelo frio. Ao mesmo tempo, ele se deu conta de quão quente era o toque do jovem.
Aquelas mãos macias e gentis, mas que poderiam se tornar fortes e impiedosas se surgisse a necessidade.
Yuri rapidamente desviou o olhar da mão do jovem. O jovem disse: “Tudo bem, então”, e partiu tão rapidamente quanto havia chegado, despedindo-se com um sorriso. Yuri ficou ali por um momento, encarando a figura do jovem que se afastava.
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Era estranhamente divertido pensar que Ilay Riegrow pudesse parecer uma pessoa comum.
A cerca de 10 a 20 minutos de caminhada do Backpacker em um ritmo tranquilo, havia um pequeno mercado noturno. Realizado a cada dois dias, esse mercado não era tão grande quanto o grande mercado semanal de Bahel, mas cerca de uma dúzia de barracas ao ar livre, montadas em uma pequena clareira, ofereciam frutos do mar frescos e alimentos variados. Era um local favorito dos moradores locais.
A pedido de Anna (a proprietária do Backpacker), Yuri tinha saído para comprar uma melancia. Enquanto se movia pela multidão agitada, ele avistou Rick e Jeong Taeui e parou.
Os dois estavam parados em frente a uma barraca ao ar livre, cercada por ar enfumaçado, comendo lagostim grelhado. Se seus rostos não fossem familiares, eles poderiam parecer tão comuns que Yuri teria passado direto por eles.
— …
Ele nunca imaginou, nem por um único momento em sua vida, que aquele homem pudesse parecer uma pessoa comum.
Yuri os observou em silêncio, sentindo-se estranhamente sentimental.
Ilay Riegrow é um nome que faria qualquer um familiarizado com ele fazer uma careta instantânea e balançar a cabeça. As incontáveis histórias sombrias associadas a esse nome não deixavam espaço para conforto. Até onde Yuri sabia, ninguém queria voluntariamente compartilhar o mesmo espaço com aquele homem.
No entanto, aqui estava ele, oferecendo um espetinho de vieiras ao seu companheiro depois de terminar o lagostim grelhado. Ele pegou casualmente um frasco de molho do dono da barraca, murmurou um descompromissado “Obrigado” e se misturou perfeitamente à cena movimentada do mercado. Nada nele se destacava, uma imagem de perfeita normalidade naquele ambiente animado.
Yuri encarou-o por um momento antes de murmurar: — Ah. Ele havia percebido por que Ilay Riegrow parecia tão comum naquele momento. Era porque o companheiro ao lado dele estava mastigando calmamente o espetinho de vieira que lhe fora entregue. O homem se misturava de forma tão fluida, parecendo normal, porque a pessoa ao seu lado o tratava como se ele realmente fosse apenas mais um indivíduo comum.
— …
Por alguma razão, Jeong Taeui parecia extraordinário.
Desta vez, o olhar de Yuri mudou para Jeong Taeui. Ele colocou no chão as duas melancias que estava carregando e os observou cuidadosamente.
“O que há nesse jovem que o atraiu para alguém como ele?”
Yuri ainda não conseguia entender.
“O que naquele homem comum o atraiu?”
Yuri não conseguia compreender. Depois de ter trocado palavras com Jeong Taeui várias vezes, o próprio Yuri tinha passado a gostar dele. Embora ocasionalmente exibisse um lado excêntrico e imprevisível, Jeong Taeui era um jovem correto e de bons modos.
Mas uma coisa era certa: seja qual for a razão, Riegrow não soltaria aquele homem uma vez que o tivesse em suas mãos. E, na verdade, para alguém se apaixonar por outro, nem sempre é necessário um evento extraordinário ou um grande motivo.
— …
Não, mas ele achava que Jeong Taeui podia ter algo de especial. Ser perseguido por dois homens como aqueles não é algo que qualquer um consiga lidar.
Yuri ficou observando-os como um espectador e então notou um rosto familiar formando o terceiro ponto do triângulo, como a ponta, ele próprio, dos outros dois vértices. Um jovem estava sentado de pernas cruzadas na ponta de um banco ocupado por três pessoas, apoiando o queixo nos joelhos e encarando o casal com uma expressão pensativa.
É o filho mais novo.
Como havia tão poucos asiáticos ali, o jovem imediatamente chamou a atenção de Yuri. Ele estava sentado ali calmamente, aparentemente indiferente se era ou não notado. Nem parecia que ele estava tentando ser sutil ao observá-los. Pelo contrário, parecia mais irritado por eles não terem percebido que ele estava lá e continuarem imersos em conversa um com o outro.
— …
Ah, não.
Ele tinha visto Yuri ali.
Não, não parecia que ele tinha acabado de notar Yuri. Ele já devia saber que estava lá, mas simplesmente não se importava. Quando Yuri olhou para ele, devolveu o olhar com uma expressão casual, como se dissesse: “Ah, você está olhando para mim?”
Depois que seus olhos se cruzaram, Yuri sentiu um sentimento de arrependimento ainda mais profundo. Por que o momento era tão ruim? Ou talvez ele devesse ter fingido rapidamente não tê-lo visto no momento em que o notou.
Mais uma vez, ele agiu casualmente, mas havia um sutil traço de irritação em seu rosto. Era como se tivesse sido pego mostrando uma expressão que não queria que os outros vissem. Talvez estivesse envergonhado por ter sido visto olhando com tanto anseio para Jeong Taeui ou com tanta inveja para Riegrow. De qualquer forma, parecia ferir seu orgulho.
Se for esse o caso, aquele jovem não deveria estar sentado em um lugar tão visível. Yuri reassegurou a si mesmo de que a culpa não era sua, pegou rapidamente as melancias e se virou para sair.
“Preciso voltar para o Backpacker rapidamente. Sim, Anna provavelmente está esperando pelas melancias……”
Embora não tivesse feito nada de errado, uma inquietação inexplicável pairava no peito de Yuri, fazendo-o acelerar o passo. Suas passadas longas o levaram para longe das luzes amarelas tremeluzentes do mercado noturno, em direção a um beco escuro, onde seus passos gradualmente diminuíram de ritmo.
Mas, ainda assim…
“Ele poderia realmente ter desejado tanto assim?”
Yuri se lembrou do jovem, apoiando o queixo na mão, encarando-os sem parar. A expressão em seu rosto era uma mistura de inveja, anseio, frustração e raiva. Com aquele olhar intenso, ele os observara fervorosamente, como se gritasse em silêncio: “Apenas uma vez, vocês não podem olhar para cá? Como não percebem quando estou encarando tão intensamente?!” Era um rosto cheio de ressentimento e tristeza.
“…Apenas uma vez, eles não poderiam ter olhado para ele? Se fosse eu, eu teria olhado de volta para ele com a mesma intensidade.”
Foi enquanto ele suspirava suavemente — Hmph, perdido em tais pensamentos.
— Por que você está fugindo? No momento em que vê o rosto de alguém?
Uma mão de repente agarrou seu ombro por trás. Silenciosamente, e provavelmente de forma intencional, ele se aproximou sorrateiramente antes de segurá-lo com força. Sob a força implacável da mão, Yuri estremeceu muito ligeiramente. Embora não fosse perceptível por fora, quem segurava seu ombro provavelmente percebeu.
A pessoa que parou Yuri, sorrindo com os olhos estreitados, era ninguém menos que o próprio filho mais novo.
— …O que você está fazendo aqui?
Yuri perguntou com desconfiança, achando estranho que a mesma pessoa que estava encarando tão fervorosamente os dois no mercado há poucos momentos estivesse agora, de repente, parada atrás dele.
↫。🫧 Fim do capítulo.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki