Capítulo 213
O que Eileen queria agora provavelmente era a última coisa que Cesare desejaria.
Ele havia dedicado toda a sua existência a criar um mundo onde ela pudesse viver, mesmo que tivesse que ficar sozinha. Mas Eileen não conseguia existir sem este homem; afinal, foi ele quem a tornou assim.
Ele a havia amado e protegido, salvando-a de todos os perigos e ensinando-a a amar. Até mesmo a única vez em que afirmou ter falhado com ela foi uma mentira. Ele a ressuscitou após sua execução, mergulhando no inferno para voltar no tempo e trazê-la de volta. Foi ele quem a tornou Arquiduquesa Erzet, colocou seu nome no Arco do Triunfo e, eventualmente, a fez imperatriz. Deu a ela um nome que permaneceria gravado na história.
Mas um mundo sem Cesare não era um mundo para Eileen. Qualquer que fosse o resultado, ela permaneceria ao seu lado para sempre.
Sua convicção era tão inabalável quanto uma pedra, brilhando em seus olhos verde-dourados. Tendo aceitado até mesmo a morte, seu coração não vacilaria, não importava quais provações surgissem diante dela.
Por um longo tempo, ele olhou em seus olhos sem dizer uma palavra. O que ela desejava era o oposto de tudo o que ele havia tentado alcançar.
Ela queria que estivessem juntos, mesmo que isso significasse que ambos fossem aniquilados.
Mas Eileen não estava ansiosa; ela sabia que o coração dele não mudaria.
— Até desta vez… — A voz de Cesare era suave, carregando um suave traço de alívio, enquanto um leve sorriso surgia em seus lábios. — Já que você me escolheu.
Seus olhos escarlates, já não mais despedaçados, brilhavam com uma clareza deslumbrantemente radiante. Ele pegou sua mãozinha, levou os lábios ao dorso e sussurrou:
— Eu devo seguir a vontade da minha esposa.
Como um cavaleiro jurando lealdade à sua dama, ele beijou sua mão e a segurou com firmeza.
Seus dedos se entrelaçaram, uma promessa de que ele nunca mais a deixaria.
Segurando sua mão, Eileen olhou para o céu. Tudo no espaço estava suspenso, congelado no lugar.
Naquele mundo de lírios, ela fez seu pedido ao deus.
— Por favor, apague nossa existência neste lugar.
Eileen havia passado pelas mesmas provações que Cesare. Ela testemunhara sua dor. E agora possuía o direito de fazer um desejo àquele deus.
Mas sabia que o pedido viria com um preço. Ela formulou seu pedido com cuidado. Ainda assim, o deus permaneceu em silêncio.
O acordo referente à “sobrevivência de Eileen” havia sido distorcido no instante em que ela escolheu morrer junto dele.
Ela falou novamente, sua voz carregada de ansiedade.
— Se for impossível, então… por favor, envie Cesare e eu de volta. Se fizer isso…
Ela estava ciente que o deus estava furioso pela rebeldia de Cesare. Mas também sabia que não podia agir como ele. Aquilo não era uma troca equivalente.
— Pagarei qualquer preço com prazer — implorou, sua voz repleta de sinceridade.
A mão de Cesare apertou a dela.
Eileen respirou fundo.
— Então, por favor… por favor, me deixe ficar com Cesare…
Assim que ela terminou sua súplica, uma voz ecoou pelo espaço.
— Eileen Elrod.
Ela sentiu uma dor abrasadora, enquanto sua alma era ligada ao deus. Também havia feito um acordo, assim como Cesare.
Não tinha ideia de qual seria o preço que pagariam, mas sabia que, qualquer que fosse o resultado, eles permaneceriam juntos.
O mundo se despedaçou como vidro. Eileen e Cesare caíram, agarrados um ao outro com força.
‘Vamos desaparecer assim…?’
Esse foi seu primeiro pensamento.
Ela olhou para ele, seus olhos escarlates estavam fixos apenas nela.
— Está tudo bem, Eileen — sussurrou ele.
Sua voz era reconfortante, e ela assentiu, gravando seu rosto profundamente na memória.
Então os dois caíram, abraçados, em uma escuridão sem fim.
🌸🌸🌸
Sua cabeça girava. O próprio tempo parecia ter se misturado, chacoalhando violentamente seus pensamentos.
Um gemido escapou de seus lábios enquanto tentava recuperar o foco.
Seu corpo parecia pesado, a coroa sobre sua cabeça e a pesada capa sobre seus ombros. Tudo a pressionava. Sua visão finalmente clareou, então ela viu. O salão do Palácio Imperial.
Estava sentada no trono. E diante dela… ela fechou os olhos e depois os abriu novamente. Ele ainda estava lá. Ela estendeu a mão, e seus dedos encontraram os dele. Ela podia tocá-lo.
Ele era real.
— Cesare… — sussurrou, a voz sufocada pela emoção.
Ele pronunciou seu nome como um garoto confessando seus sentimentos pela primeira vez.
— Eileen.
Ela se lançou para ele. Os dois se abraçaram, seus lábios se encontraram em um beijo urgente e desesperado. Era uma marca gravada em sua alma. Um selo de seu reencontro.
Eles se beijaram com os olhos abertos, memorizando cada momento. Suas lágrimas tinham gosto salgado enquanto caíam, e ela não conseguia detê-las. Soluçou, chamando o nome dele inúmeras vezes. Ele fazia o mesmo. Sussurrava o nome dela como se fosse a única palavra que conhecesse.
A coroa e a capa caíram no chão. Esquecidas. Eles haviam passado por coisas demais para se importarem com algo tão insignificante.
Sua voz saiu como um sussurro quebrado.
— Não é um sonho, é…? É realmente você, Cesare…?
Ele a abraçou com força. Uma onda de culpa atravessou o coração do homem. Por causa dele, ela agora estava ligada ao deus. Ele já não era o imperador arrogante que não temia nada; agora era apenas um homem transformado pelo amor.
Ainda em seus braços, Eileen sorriu. Mesmo com lágrimas cobrindo seu rosto. Ela finalmente havia reencontrado o homem que vagou através do tempo por ela.
— Senti sua falta, Cesare.
Finalmente estavam juntos.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet