⋅⋆ Capítulo 09.3
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Ki Giyeonghan teve um sonho terrível. Era um sonho que ele não conseguia entender com seu bom senso. Mesmo que os sonhos sejam um produto do inconsciente, a culpa veio à tona só por ter um inconsciente daqueles dentro de si.
Não podia dizer que tinha vivido uma vida longa, pensando bem, mas tinha trilhado o caminho de um heterossexual convicto graças à aparência, da qual não tinha do que se envergonhar, ao ambiente econômico de uma família rica sem nenhuma carência e aos pais amorosos.
No meio disso, o irmão mais novo de repente surgira do nada dizendo que estava namorando um cara, chorando, soluçando e batendo na cabeça dele, mas ele tentara não se importar.
Ainda se preocupava com o irmão mais novo, que tinha sido particularmente frágil desde criança, mas agora ele estava muito mais velho. Então, a vida do irmão era a vida do irmão. Tentava traçar uma linha entre a vida dele e a sua. É claro que não era fácil.
Mas….
Mas…….
— Giyeonghan.
Yoon Yejun apareceu em seu sonho. Estava vestido com esmero, como de costume. Teria sido melhor se tivessem simplesmente saído no soco. Mas, no sonho, ele examinava o rosto de Yoon Yejun, exatamente como fizera no dia anterior, quando o outro dormia na biblioteca.
Os olhos que não sorriam eram bem frios, e os cantos dos olhos eram erguidos, mas não passavam uma sensação feroz. A pinta sob o olho e a ponta arredondada do nariz. Ele absorveu cada traço um a um e então voltou o olhar para os lábios escuros e curvados. E, ao mesmo tempo, Yoon Yejun sorriu.
— Por que você fica olhando pra minha boca?
Ki Giyeonghan ficou desconcertado e desviou o olhar. Yoon Yejun riu baixinho. Hahaha. Ki Giyeonghan ficou muito nervoso diante daquela voz sucinta. Tinha sido pego espiando, então não havia nada que pudesse fazer. Não conseguiu dizer nada e só lambeu os lábios ressecados com a língua. Yoon Yejun, que estava a alguns passos de distância, se aproximou lentamente. Então pousou a mão sobre a mão de Ki Giyeonghan.
— Giyeonghan.
A voz que perguntava era indecente, como a de um filme adulto que ele nunca tinha visto direito. As pontas dos dedos formigavam como se estivessem eletrificadas.
— Você quer me beijar?
Ki Giyeonghan não conseguiu responder, no fim. Em vez disso, acordou do pesadelo ofegante. Ergueu a parte de cima do corpo e pôs a mão no peito. Tum, tum… o coração batia acelerado. A boca estava muito seca. Apertou os olhos com força e se deitou de novo.
— Morre…
Xingou a si mesmo e cobriu os olhos com as costas do braço. Era um sonho terrível. Por que isso está acontecendo? Isso é normal? É possível sentir um desejo sexual desses por alguém do mesmo sexo? Mas eu nunca senti isso por mais ninguém.
Ele era um animal? Como podia sentir emoções assim por alguém com quem só tinha conversado algumas vezes, alguém que cheirava tão bem encharcado de chuva, que o amparara, que tremia de frio mas agia de forma tão madura? Eles nem se davam bem antes, até tinham discutido. Ele tinha jogado fora todas as suas roupas favoritas por causa daquele cara. E agora, de repente, o outro estava agindo de forma amigável por conta própria.
Ki Giyeonghan cerrou o punho e se virou para ficar de bruços. Era patético. Queria voltar a dormir, mas tinha medo de ter um sonho parecido de novo, então só desperdiçou tempo, sem conseguir dormir.
Nesse momento.
Ding-dong. A campainha tocou na sala, do lado de fora do quarto. O apartamento onde Ki Giyeonghan morava era um apartamento de três quartos com sala de estar. Originalmente, os pais o tinham comprado como investimento, mas Ki Giyeonghan o usava porque ficava perto da faculdade.
Ainda assim, era definitivamente melhor do que morar numa quitinete, como a maioria dos universitários. Ele era meticuloso por natureza e limpava com dedicação. E, quanto maior a casa, menos ela sujava. Era porque o espaço que ele de fato usava era pequeno em comparação com o tamanho da casa.
Ki Giyeonghan ignorou a campainha tocando. Já estava perturbado o suficiente; por que se importaria com quem tocava a campainha logo cedo? Respirou frustrado e enterrou o rosto no travesseiro.
Bzzzz— Bzzzz—
Ignorando a campainha, desta vez a vibração disparou feito louca. Ki Giyeonghan, que estava com o rosto enterrado no travesseiro, ergueu lentamente a parte de cima do corpo. Pegou o celular que tinha jogado descuidadamente ao lado da cama e olhou para ele.
— …
Era Lee Yoon-hak, colega de turma. Ki Giyeonghan baixou as pálpebras pela metade e apertou os olhos. Encarou o celular com um olhar de nojo e então atendeu a ligação.
— Que foi.
— Giyeonghan, você não está em casa?
— Era você tocando a campainha?
— É, eu te pedi ontem. Por causa daquela coisa.
Ontem? Pediu?
Ki Giyeonghan inclinou a cabeça. É claro que não se lembrava. A única disciplina que fazia com Lee Yoon-hak era Teoria da Segurança Nacional, uma disciplina do curso. Depois dela, tinha corrido até a biblioteca central para pegar Yoon Yejun. Pensando bem, quando estava saindo da sala, Lee Yoon-hak o chamara e dissera alguma coisa.
Ki Giyeonghan inclinou levemente a cabeça e checou a hora no celular. 7h47. Nem eram 8 horas ainda.
— Preciso imprimir uma coisa, mas a copiadora Apple está fechada agora. Salva a vida de uma pessoa e abre a porta pra mim. Prometi pra Min-jeong noona que ia imprimir uma coisa pra ela também.
— Por que tem que ser na minha casa?
— Giyeonghan, você sabe. Se eu quiser trazer a impressora da minha casa, meus três irmãos vão…
— Argh, tá bom.
Ki Giyeonghan acabou se levantando de um jeito desajeitado e atrapalhado. Lee Yoon-hak, que era do interior, sempre dava desculpas assim, e Ki Giyeonghan meio acreditava nele, meio o ignorava. Normalmente, teria dito “Tá, tanto faz, faz o que quiser” e desligado, mas hoje não conseguiu. O corpo e a mente estavam ambos perturbados, e aquilo parecia melhor do que ficar sozinho.
Calçou os chinelos cuidadosamente colocados ao lado da cama e saiu. Passou pela porta do meio e segurou a maçaneta da porta de entrada.
— Bom dia!
Lee Yoon-hak cumprimentou Ki Giyeonghan com um rosto amigável, e Ki Giyeonghan o recebeu com uma expressão azeda.
— Achei que seria falta de educação vir de mãos vazias, então trouxe algo pra comer. Você não tomou café da manhã, né?
— Quem toma café da manhã a essa hora?
Lee Yoon-hak não respondeu e foi direto para a cozinha. Colocou a sacola plástica branca que segurava sobre a mesa e tirou um pote plástico.
Era sopa de arroz vendida em frente à faculdade. Ki Giyeonghan não conseguia tomar sopa com gordura branca boiando por cima, mas tomava sopa de arroz com broto de feijão. Se não fosse isso, preferia uma sopa vermelho-viva. Lee Yoon-hak conhecia as preferências de Ki Giyeonghan, então trouxe sopa de arroz com broto de feijão e sopa de arroz com sundae, presumivelmente para si mesmo. Vendo Lee Yoon-hak colocar os potes plásticos sobre a mesa com naturalidade, Ki Giyeonghan foi ao banheiro, lavou o rosto rapidamente e saiu. Ainda assim, um colega tinha vindo, então não queria se mostrar desarrumado.
— Come primeiro. Eu só vou imprimir isso e depois volto pra comer. Ah… ah, droga. Tenho que estar no portão principal até as nove, será que dá pra entregar até lá?
Lee Yoon-hak murmurou enquanto tirava apressadamente o notebook da mochila. Já tinha imprimido coisas ali uma ou duas vezes, então tinha prática em conectar à impressora.
Ki Giyeonghan soltou um bocejo misturado com cansaço, depois puxou uma cadeira e se sentou à mesa com o rosto ainda meio adormecido. Tirou os acompanhamentos, o arroz e a sopa, todos embalados em plástico, e começou a comer. Devia tirar outro cochilo depois que Lee Yoon-hak fosse embora. E devia ir para a casa dos pais por volta da noite. Era o privilégio de ter a sexta-feira livre.
— Mas o departamento de Comunicação tem mesmo um vínculo forte entre veteranos e calouros.
Lee Yoon-hak disse algo do nada. Ki Giyeonghan não respondeu. Enxaguou a boca com água. Comunicação? Yoon Yejun?
— Você quer me beijar?
A voz de Yoon Yejun no sonho era tão nítida como se ele a tivesse ouvido na realidade. Ki Giyeonghan apertou os olhos com força. Engoliu a sopa em vez de um suspiro. Era sem sal e apimentada, porque os estudantes a tomavam principalmente para curar ressaca.
— Os ex-alunos cuidam bem deles. Às vezes até vão ao MT.
— Eles não têm nada melhor pra fazer? Estão todos desempregados?
Ki Giyeonghan murmurou enquanto tomava a sopa. Por que está tão apimentado? Aliviou a boca atordoada com água. Mas não seria melhor ele ter imprimido no dia anterior com o dinheiro que usou para comprar a comida? De repente, esse pensamento lhe ocorreu. Ele comeu e… bem, talvez fosse uma combinação de coisas. Inclinou a cabeça, depois organizou os pensamentos e se concentrou na refeição.
Lee Yoon-hak, que imprimiu quase vinte páginas, tagarelou por muito tempo antes de ir embora, mesmo que só devesse comer e ir. Estava cheio de orgulho por ser membro do centro acadêmico e, apesar de Ki Giyeonghan não perguntar e pedir educadamente que parasse de falar, divagou sobre o propósito do centro acadêmico em manter o centro da universidade caótica. Quando estava quase dando 9 horas, saiu às pressas, atrapalhado.
Assim que a voz alta desapareceu, o silêncio encheu a casa. No entanto, o silêncio não era constrangedor, mas sim confortável. Ficar sozinho é definitivamente mais confortável.
Separou o lixo da comida que tinha comido e voltou para o quarto para tomar banho. Enquanto remexia no armário para pegar uma cueca, o celular, que tinha jogado na cama, vibrou. Será que Lee Yoon-hak tinha esquecido algo de novo? Ele era atrapalhado o tempo todo, então muitas vezes aquilo era um incômodo para Ki Giyeonghan. Embora ele geralmente ignorasse.
No entanto, o remetente da mensagem não era Lee Yoon-hak.
Ki Young-hyun
[Hyung,]
08:49
[Só fiquei curioso]
08:49
[A nota do simulado de março é a mesma da nota do vestibular?]
08:50
[Agora eu estou no nível 3, mas é possível tirar nível 1 no vestibular? O percentil está perto do nível 2, mas… se eu estudar muito]
08:52
Ki Giyeonghan franziu levemente a testa e digitou no teclado.
Eu
[Suas notas caíram?]
09:03
Ki Giyeonghan mandou uma resposta curta e jogou o celular na cama. Não haveria resposta por um tempo. Ki Young-hyun não era do tipo que mexia no celular durante a aula. As notas dele tinham caído mesmo? Ele se perguntou se o irmão estava tão desesperado a ponto de entrar em contato com ele, o que o deixou um pouco preocupado.
Ele não é burro a ponto de não estudar porque está namorando. Ki Giyeonghan, que fingia estar perdido em pensamentos, pegou as roupas que segurava e se virou. Seria sorte se não levasse um tapa na cabeça por se preocupar com ele.
Depois de tomar banho e se arrumar, voltou a se deitar na cama. Deitou-se encarando o teto e piscando. Vários pensamentos aleatórios giravam em sua cabeça. Lembrou-se do sonho que tivera. Nem tinha beijado Yoon Yejun no sonho, mas se sentia culpado, como se tivesse tido uma polução noturna, como se tivesse tido um sonho indecente.
Não, o próprio fato de ter tido um sonho daqueles o enchia de uma estranha sensação de culpa. O que diabos estava acontecendo? O motivo de continuar pensando em Yoon Yejun não era porque não tinha retribuído a gentileza dele? Estava sentindo desejo por aquele homem?
…Mas ele definitivamente estava sendo frustrante e irritante.
Ki Giyeonghan, perdido em pensamentos com uma expressão inflexível, se revirou na cama antes de voltar a se deitar e olhar para o teto de novo. Por fim, fechou os olhos com força. Vamos parar de pensar nisso e dormir um pouco. Vamos dormir um pouco mais e depois estudar. Mas e se ele aparecer nos meus sonhos de novo? Vou acordar de novo sem dizer nada? Uma tensão desconhecida o dominou.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna