⋅⋆ Capítulo 09.2
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Ki Giyeonghan ficou inquieto a aula inteira. Lee Yoon-hak estava sentado na frente dele. Franziu a testa, virou a cabeça e olhou para Ki Giyeonghan, que se remexia atrás dele.
— Giyeonghan, fica quieto.
Ki Giyeonghan o fulminou com o olhar. Já estava irritado até a morte, e ser incomodado pela frente só endureceu sua expressão. Com um movimento violento, desvirou o celular que estava com a tela para baixo sobre a mesa. Não havia notificações novas.
Eu
[Estou na biblioteca central, como eu vou saber quando a aula acabar?]
16:10
[?]
16:23
Yoon Yejun nem tinha visualizado a mensagem, muito menos respondido. Como alguém podia ser tão sem consideração? Se você marca um compromisso, não deveria ficar em contato constante até lá? Mas ele nem visualizou. Ki Giyeonghan soltou uma risada incrédula e passou a língua pelos lábios.
Normalmente, era Ki Giyeonghan quem não mantinha contato. Só trocava mensagens quando necessário, então os amigos estavam acostumados. Mas o problema era que era igual até nos relacionamentos.
A namorada mais recente tinha terminado com ele durante uma ligação. Gritou com ele, perguntando se o celular dele era só enfeite e mandando trocá-lo por puxa-puxa se ia agir daquele jeito. Ele retrucou infantilmente, perguntando o que ia fazer com puxa-puxa e que tipo de pessoa antiquada usava aquela expressão, e então ela lhe deu um fora.
Era assim que o celular era inútil para Ki Giyeonghan.
Além disso, entrar em contato e trocar mensagens era completamente sem sentido….
Era nisso que ele acreditava….
Eu
[Está quase acabando.]
16:47
Ki Giyeonghan engoliu o orgulho e mandou outra mensagem para Yoon Yejun. Mas Yoon Yejun não respondeu até o fim da aula.
Ki Giyeonghan, que checava o celular a cada dois minutos, cerrou os dentes e engoliu as emoções que se reviravam. Ao mesmo tempo em que o professor disse aos alunos atrasados que viessem à frente para registrar presença, Ki Giyeonghan se levantou às pressas.
Caminhou até a porta dos fundos do auditório quase correndo. Achava que devia dizer umas verdades a Yoon Yejun. Como ele podia ser tão rápido para trocar mensagens e atender ligações durante a aula de “Gênero e Comunicação” e ignorar as mensagens dele? Que lei era essa? O celular dele era só enfeite? Devia trocá-lo por puxa-puxa. As frases jorravam da garganta dele.
— Ei, Giyeonghan!
Bem quando estava prestes a sair do auditório, Lee Yoon-hak pôs a cabeça para fora da porta e gritou alguma coisa. Ki Giyeonghan, que estava ocupado até a morte, se irritou com Lee Yoon-hak, que continuava falando com ele como se gritasse, e saiu acrescentando um palavrão desnecessário:
— Resolve você mesmo, seu desgraçado.
Dirigiu o carro estacionado no prédio de ciências sociais até a biblioteca central, estacionou e entrou imediatamente. Procurou sem rumo a partir do 3º andar. Estava determinado a confrontar Yoon Yejun e vasculhou cada canto do 3º andar da biblioteca. Ki Giyeonghan era, por natureza, uma pessoa persistente. Era mais fácil acreditar nisso.
Não era uma sala de estudos, e era horário de aula, então não havia muita gente no 3º andar. Ki Giyeonghan examinou as estantes densamente agrupadas como um labirinto, procurando em cada lugar onde alguém poderia estar sentado, e parou quando viu uma figura pelo vão entre as estantes.
Caminhou lentamente até lá. Estranhamente, sentiu sede. Uma tensão sutil se acumulou nas palmas das mãos. Yoon Yejun estava sozinho numa mesa para seis pessoas. Descansava a cabeça sobre a mesa, de costas para a janela.
Uma das bochechas, que pareciam macias, estava pressionada contra a mesa, e os lábios carnudos estavam projetados para fora. A pequena pinta sob o olho estava quieta em seu lugar, e os longos cílios estavam abaixados com delicadeza.
— ……
Por um momento, Ki Giyeonghan encarou Yoon Yejun, esquecendo-se de respirar.
— O momento em que um ser humano se apaixona à primeira vista e sente atração por outra pessoa é determinado em no mínimo 15 segundos ou no máximo 2 minutos. A progressão de uma simples atração até o desejo de contato sexual acontece em etapas, mas, mesmo que você sinta vontade de ter contato sexual com alguém assim que o vê, pode-se entender isso como um processo de atração, imersão e desejo acontecendo num período muito curto.
As palavras do professor de poucas horas antes vieram à mente. A voz, como cacos de vidro, cravou-se em sua cabeça. No mínimo 15 segundos, no máximo 2 minutos. Ki Giyeonghan examinou com cuidado mais uma vez o rosto adormecido de Yoon Yejun. As bochechas, os cílios, a ponta arredondada do nariz. Seu olhar, que vinha percorrendo tudo em círculo, finalmente se voltou para os lábios de Yoon Yejun.
Os lábios rosados de Yoon Yejun eram de um tom bem escuro e carnudos. O arco do cupido do lábio superior era nitidamente elevado, e os cantos da boca eram curvados. Ele dormia profundamente e não acordou nem quando Ki Giyeonghan fez barulhos farfalhantes enquanto o encarava. Ki Giyeonghan o observava e, quando Yoon Yejun contraiu os lábios durante o sono, sobressaltou-se e desviou o olhar por um instante, depois voltou a olhar para os lábios dele.
— Mesmo que você sinta vontade de ter contato sexual com alguém assim que o vê, pode-se entender isso como um processo de atração, imersão e desejo acontecendo num período muito curto.
Ele não sabia quanto à atração, mas imersão e desejo já bastavam.
Pela primeira vez na vida, Ki Giyeonghan teve uma fantasia indecente que não tivera nem na puberdade. Queria beijá-lo. Queria beijar o cara diante dele. Queria chupar aqueles lábios carnudos só uma vez. Assim que teve esse pensamento, deu um tapa no próprio rosto sem hesitar.
Paf! O som fez Yoon Yejun, que dormia, erguer as pálpebras sonolentas. Os olhos, embaçados de sono, se arregalaram lentamente. Ele ergueu o corpo com um olhar surpreso e checou a hora no celular. Passava das 5. Estava ferrado. Sorriu sem jeito e fez contato visual com Ki Giyeonghan, concluindo que Ki Giyeonghan certamente estaria furioso.
— Você veio me procurar porque eu não respondi?
Os lábios que se moviam enquanto ele sussurrava estavam particularmente em evidência. Ki Giyeonghan inclinou levemente a cabeça. Recolheu os lábios para dentro e tocou as gengivas com a língua. Queria assentir e despejar tudo em cima dele, mas se sentiu culpado por causa dos pensamentos pervertidos que tivera e não conseguiu dizer nada.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna