⋅⋆ Capítulo 09.1
O tempo de aula passava devagar, enquanto a semana voava.
Em particular, a aula de “Comunicação Performática” estava marcada para o horário esquisito do meio-dia às quintas-feiras, então parecia que a hora da aula chegava num piscar de olhos.
Ki Giyeonghan estava de pé em frente a um café perto do prédio de Ciências Humanas. Tinha ido comprar café. Havia bastante gente, já que era aquele horário, mas era um lugar que só trabalhava com viagem, então a vez dele chegou rápido. Ki Giyeonghan se aproximou do balcão e fez o pedido com naturalidade.
— Um americano gelado, por favor.
Depois de pagar rapidamente, Ki Giyeonghan apoiou a mão na vitrine e olhou ao redor enquanto esperava o café.
O curativo quadrado no joelho o incomodava enquanto ele estava de pé com as pernas esticadas. Não havia rostos conhecidos entre os grupos de alunos que andavam juntos. Ki Giyeonghan abaixou a mão em silêncio e olhou para a palma. Suspirou baixinho ao olhar os arranhões espalhados na parte de baixo da palma.
Pensou em por que Yoon Yejun o incomodava e o deixava inquieto. Provavelmente porque o outro o tinha ajudado no dia da trilha. Mesmo tendo pagado uma refeição para ele e o levado de volta até a faculdade sem reclamar, ainda havia um resíduo desagradável dentro dele.
Yoon Yejun tinha lhe mandado uma mensagem naquele dia perguntando se ele tinha chegado bem em casa e dizendo que ele tinha se esforçado muito, mas Ki Giyeonghan não respondeu. Ainda assim, checou o celular várias vezes durante o fim de semana. Não sabia por quê. Depois de pensar muito, chegou à conclusão de que era porque não tinha retribuído direito a gentileza desnecessária chamada “boa vontade”.
Ki Giyeonghan olhou para o prédio de Ciências Humanas, onde as pessoas iam e vinham, e então se aproximou do balcão.
— Mais um americano gelado, por favor.
Queria acreditar que dar aquilo a ele aliviaria um pouco sua inquietação.
Yoon Yejun sempre chegava bem quando a aula estava começando, quase em cima da hora. Ki Giyeonghan pensou que podia simplesmente colocar o café ao lado dele e o outro beberia, então pegou os cafés e entrou na Sala Rosa de Saron, onde a aula acontecia. Examinou naturalmente os assentos onde costumava se sentar. Seus passos vacilaram.
— Nossa, eu não sabia que você era caloura.
— Todos os nossos colegas de turma te conhecem, oppa.
Yoon Yejun, que tinha chegado cedo pela primeira vez, conversava e brincava. Um rapaz e uma moça, que pareciam formar dupla, estavam sentados na frente dele. Yoon Yejun conversava animadamente, como se não tivesse dificuldade nenhuma em fazer amizades.
“Levando uma vida boa.”
Ki Giyeonghan torceu o nariz. Vê-lo conversando tão à vontade, quando mal falava com ele, o deixou retorcido por dentro. Não deveria ter comprado o café. Para quem estava fazendo aquilo? Moveu os pés, zombando dele amargamente em pensamento.
— Hum-hum.
Pigarreou alto de propósito. Yoon Yejun virou a cabeça ao ouvir o som.
— Giyeonghan-ah, chegou?
Ele estava ficando bom em fingir ser desnecessariamente amigável. Ki Giyeonghan não respondeu ao cumprimento de Yoon Yejun e se sentou ao lado dele.
A aluna, que estivera conversando com Yoon Yejun, perguntou a Ki Giyeonghan.
— Você é de Ciência Política, né?
— Por que está perguntando?
Ki Giyeonghan respondeu da forma mais emburrada possível. Sentou-se o mais torto possível e lançou um olhar para cima, fulminante. Não se importava se Yoon Yejun falasse com ele, mas não gostou do jeito como ela agia de forma amigável com ele. Percebeu a expressão constrangida dela diante da resposta espinhosa, mas não ligou.
Yoon Yejun lançou um olhar para Ki Giyeonghan e depois desviou. Ki Giyeonghan sentiu o olhar de Yoon Yejun sobre si, mas não se deu ao trabalho de reagir. Em vez disso, empurrou um dos copos na direção dele como se o enfiasse em suas mãos.
— …Isso é pra você.
— O que é isso?
— Não dá pra saber só de olhar?
A umidade tinha se condensado no copo plástico para viagem. Ki Giyeonghan olhou para o rosto atônito de Yoon Yejun e, de repente, sentiu sede. Pegou o copo à sua frente e colocou o canudo na boca. Sugou o café gelado até a cabeça doer e depois pousou o copo em silêncio.
Droga…. Nem estava calor, então por que se sentia tão sufocado? Ki Giyeonghan mal conseguiu engolir o fôlego que subia pela garganta.
Yoon Yejun encarou o copo por um longo tempo antes de falar com cautela.
— …Obrigado. Vou aproveitar.
Não tinha sido por isso que ele comprara. Ki Giyeonghan respondeu:
— Tá, tanto faz…
E virou a cabeça para o outro lado.
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
— O momento em que uma pessoa se apaixona à primeira vista ou se sente atraída por alguém é determinado entre 15 segundos, no mínimo, e 2 minutos. O desejo de ter contato sexual a partir de uma simples atração ocorre em etapas, mas, mesmo que você sinta vontade de ter contato sexual com alguém assim que o vê, pode-se entender que a sequência de atração, imersão e desejo avançou num período de tempo muito curto.
As emoções eram pouco confiáveis porque eram invisíveis, mas, por outro lado, se não houvesse emoções, muitas coisas no mundo seriam irreais demais, então elas também eram o que havia de mais próximo da realidade.
Ki Giyeonghan sublinhou as palavras escritas na impressão. Professores que gostavam de números e estatísticas mais do que ninguém davam notas generosas se você escrevesse esses detalhes na prova.
Mas, mesmo se apaixonando à primeira vista, 15 segundos no mínimo e 2 minutos no máximo? Aquilo era mesmo possível? Era uma quantidade de tempo desconhecida para Ki Giyeonghan, que nunca tinha se apaixonado à primeira vista, muito menos tido um relacionamento de verdade.
Ki Giyeonghan umedeceu os lábios secos com a língua, pegou o copo e o levou aos lábios. Molhou a boca com o café que subiu pelo canudo e revirou os olhos para o lado. Sem perceber, seu olhar se voltou para Yoon Yejun. Yoon Yejun, que estivera ouvindo a aula com bastante dedicação, em algum momento passara a mexer no celular. Dava para ver vários “kkk”, indicando que ele estava trocando mensagens com alguém.
Yoon Yejun era o tipo de pessoa que sempre lhe mandava mensagens só com a informação necessária e com a ortografia correta, então aquilo era estranho e o deixava inexplicavelmente irritado. Era só mais um dia. Ki Giyeonghan estava sempre retorcido por dentro, sempre emburrado e sempre cheio de reclamações. Não se interessava particularmente por coisas felizes e alegres.
A aula estava chegando ao fim. Restavam só alguns slides na apresentação do professor na tela. No máximo, dois slides. Alunos exaustos estavam largados por toda parte.
Ki Giyeonghan folheou os papéis nervosamente. Então lançou abertamente um olhar para Yoon Yejun, que não se concentrava na aula e só batucava no celular.
— Com licença.
— …….
O olhar de Yoon Yejun, que estivera fixo no celular, se voltou para Ki Giyeonghan como se desse uma espiada.
— Você fica mexendo no celular, e eu não consigo me concentrar na aula. Etiqueta em sala de aula. Hein?
Enquanto ele recitava isso examinando-o de cima a baixo, Yoon Yejun assentiu obedientemente. Ki Giyeonghan checou a última mensagem que Yoon Yejun deixara.
[Estou em aula agora, então entro em contato depois.]
[Você pode atender o telefone às 6 horas mais tarde? Vou te ligar nesse horário, então, por favor, atenda.]
O conteúdo era o mais amigável possível, em contraste com o jeito como ele batucava os polegares sem hesitar. Ligação uma ova. Ki Giyeonghan lançou um breve olhar para o professor antes de continuar.
— Por que você vai ligar se disse que tem trabalho de meio período nesse horário?
— …….
Yoon Yejun estreitou os olhos e examinou Ki Giyeonghan antes de largar o celular. Abaixou a voz.
— Você viu a mensagem?
Ki Giyeonghan franziu a testa diante da voz emburrada e da expressão desconfortável no rosto dele. Quem ele achava que era, chamando-o de perseguidor?
— Quem ia espiar sem permissão? Eu não sou tão grosseiro assim.
— Então como você sabe o que estava escrito?
— Eu também tenho olhos, então vi sem querer, sem querer.
Dava no mesmo.
Yoon Yejun não queria discutir com Ki Giyeonghan, que despejava palavras sem lógica. Estava trocando mensagens com o aluno sobre adiar a aula particular de sábado. Já tinha praticamente acertado com a mãe dele, então só precisava marcar um horário com o aluno. Será que ficaria cansado demais se fizessem no domingo à noite?
Enfim….
Nesse momento, o professor, que encerrava a aula, anunciou que ela tinha terminado. Yoon Yejun juntou as impressões espalhadas e bateu com elas na mesa para organizá-las. Devia ir para casa e organizá-las no caderno de novo. E lançou mais um olhar para Ki Giyeonghan. Precisava ir direto ao ponto logo….
A expressão de Ki Giyeonghan não estava boa, então os lábios dele não se abriam com facilidade. Enquanto ele hesitava, mexendo os lábios, Ki Giyeonghan perguntou primeiro, no momento certo.
— Que horas a gente se encontra amanhã?
— Bem….
— Vamos nos encontrar à tarde amanhã. As provas estão chegando.
As provas intermediárias começavam em pouco mais de uma semana. Ele já estava pensando em estudar? Yoon Yejun costumava revisar a matéria logo depois da aula, fosse como fosse, mas, quando se tratava de estudar para as provas, tinha o hábito de estudar tudo de última hora uma semana antes, como outros universitários. Fosse por sorte ou porque os professores gostavam dele, suas notas eram razoáveis.
Yoon Yejun o avaliou com cautela. O auditório, que estivera em silêncio a não ser pela voz do professor, ficou barulhento. Embora fizesse só pouco mais de um mês desde o início das aulas, os alunos tinham ficado bem amigos. Mas só aquele lado continuava numa guerra fria.
Ele achava que tinham ficado bem próximos depois da trilha, mas continuavam na estaca zero. Ki Giyeonghan estava sempre espinhoso, e o tom dele era grosseiro. Ficou um pouco irritado por ter que se curvar diante dele de novo, mas Yoon Yejun falou com cautela.
— Eu vou para o MT… sexta, sábado e domingo.
— MT?
Yoon Yejun assentiu lentamente diante da pergunta.
— Ah, então você diz que não tem tempo porque trabalha meio período e implorou e suplicou pra alguém que tem folga na sexta sair de casa.
Não era tão grave assim….
Se Ki Giyeonghan não tivesse sido um pé no saco daqueles, Yoon Yejun não se importaria se se encontrassem durante a semana depois do fim de semana. Tinha sido o próprio Ki Giyeonghan quem insistira na sexta-feira, e agora estava pondo a culpa nele.
— Então você vai para o MT?
— Não é isso, Giyeonghan-ah.
A boca de Yoon Yejun parecia seca, e ele aliviou o palato ressecado com o café que Ki Giyeonghan tinha gentilmente comprado para ele. Colocou o canudo entre os lábios, arredondando-os ao sugar. O café, com o gelo derretido deixando um frescor suave, subiu pelo canudo fino. Diferente dele, que se acalmava, Ki Giyeonghan estava corado e agitado.
— Não bebe café enquanto eu estou falando.
— ……
Qual é o problema da personalidade dele?
— Então nos fins de semana ou nos dias de semana…
— Que horas você vai pro trabalho hoje?
— Começo às sete.
— O professor vai terminar mais cedo, então a aula acaba por volta das cinco. Vamos nos encontrar nesse horário.
Encontrar às cinco significava que havia cerca de duas horas para matar. O plano dele de descansar em casa antes de ir trabalhar foi despedaçado por Ki Giyeonghan. Enquanto Yoon Yejun lambia os lábios, sem graça, Ki Giyeonghan o fulminou com o olhar abruptamente.
Isso é tão revoltante assim? Um calor sutil girou em sua cabeça. Existe um limite para o quanto alguém consegue tolerar. Ki Giyeonghan, que nunca precisara se conter, parecia não saber disso.
— Enfim, vou pra aula. Eu entro em contato. Pelo KakaoTalk.
Com essas palavras, Ki Giyeonghan se levantou de um salto. Então juntou tanto o próprio copo quanto o de Yoon Yejun, que mal estava pela metade, e foi em direção à porta dos fundos do auditório. Yoon Yejun acompanhou a figura que se afastava com um olhar de total cansaço.
Ki Giyeonghan jogou os dois copos na lixeira no fundo da sala. Mesmo de costas, era evidente que estava fervendo de raiva. Yoon Yejun não fazia ideia de por que ele estava agindo assim. Só uma personalidade destruída, como sempre. Chegou rapidamente a essa conclusão.
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Só o som de páginas virando e de algo sendo escrito enchia o ar. Yoon Yejun estava passando o tempo na biblioteca central.
Pessoas dormindo, pessoas lendo, pessoas estudando, pessoas no celular – todo tipo de ser humano fazia o máximo que se podia fazer numa biblioteca.
Yoon Yejun tinha terminado de organizar as anotações uma hora antes e pegara um livro da seção de literatura para ler. Achou que seria uma boa forma de passar o tempo, já que era um romance policial, mas acabou sendo surpreendentemente profundo e, no fim das contas, entediante. Quatro da tarde de um dia de semana. O romance perfeito para pegar no sono.
Virou mais uma página, mas não conseguiu ler mais. Enquanto hesitava, pensando se devia simplesmente fechá-lo, o olhar de Yoon Yejun se desviou para o celular que tinha deixado sobre a mesa.
A tela do celular se acendeu com uma janela de notificação. Yoon Yejun largou o livro que segurava e pegou o celular. Era uma mensagem de Ki Giyeonghan.
Departamento de Ciência Política e Diplomacia Ki Giyeonghan
[Onde você está.]
16:07
Ele manda eu não usar o celular durante a aula, mas usa numa boa.
Yoon Yejun fez bico uma vez e usou só o polegar para digitar no teclado.
Eu
[Biblioteca central. 3º andar, área de leitura.]
16:08
[Me avisa quando a aula acabar. Eu desço.]
16:08
Yoon Yejun enviou a mensagem, direto ao ponto, e balançou o corpo levemente para a frente e para trás. Respirou longamente pelo nariz e virou o celular. Não sabia se Ki Giyeonghan responderia ou não, mas tinha dito tudo o que precisava dizer, então não importava muito.
Será que descanso um pouco?
Yoon Yejun esticou os dedos sobre a mesa como se fizesse um alongamento de corpo inteiro, depois os fechou num punho e abaixou lentamente a parte de cima do corpo. Àquela hora, deveria estar na cama do seu quarto, mas de algum modo estava sentado ereto na biblioteca. Era tudo culpa daquele egoísta do Ki Giyeonghan.
Apoiou a bochecha na mesa e piscou enquanto olhava pela janela. Como esperado, as pálpebras ficaram pesadas assim que ele se deitou. Não conseguiu resistir à sonolência que o invadia e fechou e abriu os olhos lentamente.
Só um instante.
Se eu dormir só um pouquinho, vou ficar bem….
As pálpebras pesadas foram se fechando lentamente.
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna