⋅⋆ Capítulo 08.6
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Assim que Ki Giyeonghan entrou no auditório e se sentou, agarrou a cabeça. Estava perturbado. Puxou o cabelo e bateu na mesa com as unhas. Mordeu o lábio e lançou um olhar afiado. Queria poder bater a cabeça na mesa, mas lamentava não poder.
Aquela “trilha” era o problema. O coração de Ki Giyeonghan estava igual à subida e à descida da montanha. Suas emoções, que tinham se retorcido à vontade, sem falar no sobe e desce, e que mantinham uma tensão parecida com a da sua vida, na maior parte tranquila, se retorciam à vontade.
— Giyeonghan, oi.
Yoon Yejun, que ele tinha encontrado no elevador agora há pouco, veio à mente. Como a voz de um cara podia ser tão constrangedora…? Pensou isso, mas sabia que era delírio seu, então tentou umedecer os lábios secos.
Será que ele tinha enlouquecido depois de bancar o casal num trabalho em grupo? Franziu a testa irritado e fechou os olhos com força. Será que devia ficar indo e voltando entre a casa dos pais e a faculdade por um tempo? Tinha carro, então não haveria grande problema se acordasse um pouco mais cedo do que de costume. Sentia que estava pensando demais porque estava sozinho.
Ele não queria admitir. Que tinha pensado em Yoon Yejun o fim de semana inteiro. A aparência de Yoon Yejun quando estava molhado de chuva, o sutil cheiro de amaciante quando ele o amparou, a pequena quantidade que ia para a boca dele comparada à boca grande que abria ao comer, e até o jeito como arredondava os lábios ao tomar café.
Era um auditório com bastante gente, mas estava silencioso. Graças a isso, os gestos agitados de Ki Giyeonghan pareciam ainda maiores.
— …Não me cumprimenta.
Existe um limite para o quanto se pode ser patético. Como não esperava esbarrar nele e, principalmente, não esperava que Yoon Yejun o cumprimentasse de um jeito tão constrangedor, saiu uma resposta infantil que qualquer um perceberia. Ele não era um aluno transferido tímido, o que foi aquilo.
Ki Giyeonghan fechou os olhos com força diante da onda de vergonha. Mas não conseguia cumprimentar Yoon Yejun. Não conseguia dizer “Veterano, oi” como o outro fazia.
Porra…
Por que é tão complicado?
Ele nunca tinha se importado com relações humanas ficando calculando, então estava ainda mais confuso com a situação atual.
Ki Giyeonghan acabou mordendo o lábio. Olhou pela janela, frustrado. A paisagem ampla do campus entrou em seu campo de visão. Árvores verdes exuberantes e flores que pareciam tinta espalhada estavam em seus lugares. É inutilmente bonito. Ki Giyeonghan soltou um suspiro, com uma culpa que não tinha sujeito.
Queria que estivesse barulhento…
— Sim, noona. Ah, claro. Eu faço tudo, sim, posso levar as impressões pro professor, né? Sim, por favor, me manda por e-mail. Sim, tchau.
Era uma voz que ele normalmente não gostaria muito de ouvir, mas hoje tudo bem. Ki Giyeonghan virou rapidamente a cabeça em direção à voz que vinha de trás. Era Lee Yoon-hak, um colega de turma. Quando fez contato visual com ele, Lee Yoon-hak levantou a mão de um jeito bem amigável.
Logo depois de encerrar a ligação, colocou a mochila no assento da frente, perto do seu. Como Ki Giyeonghan nunca queria se sentar junto, eles sempre se sentavam um na frente do outro, por hábito. Se se sentassem lado a lado, ele se distrairia e isso atrapalharia os estudos. Enfim, era isso.
— Ei, Giyeonghan. Você sabe que eu faço parte do centro acadêmico, né?
— Não.
— Os presidentes de centro acadêmico não vão aos MTs dos outros departamentos?
— Como é que eu vou saber?
Ki Giyeonghan manteve o tom de sempre, apesar da conversa desinteressante. Já estava se sentindo péssimo e agora tinha que ouvir aquela tagarelice sem sentido. Poucos minutos antes, tinha pensado que um pouco de barulho seria melhor, mas seu humor azedou rapidamente.
— Mas sabe, a Min-jeong noona me paparica muito.
Min-jeong era a presidente do centro acadêmico do Departamento de Ciência Política e Diplomacia. Ki Giyeonghan manteve a expressão indiferente. Tinha recebido mensagens de Min-jeong pedindo que votasse no dia da eleição, e ela até tinha pedido pessoalmente, mas ele a ignorou.
Mesmo depois de ouvir que era alguém que jamais deveria entrar para a política, Ki Giyeonghan permaneceu impassível. Quem ia querer entrar para a política depois de se formar em Ciência Política e Diplomacia? “E daí?”, ele retrucou, o que fez Min-jeong agarrar a nuca, perguntando-se qual era o problema dele. Lee Yoon-hak, seu colega de turma, foi quem a acalmou na época.
Depois disso, fosse para cair nas graças dela ou por outro motivo, ele entrou tardiamente para o centro acadêmico e passou a agir como assessor de Min-jeong. Ki Giyeonghan achava ridículo quanta manobra política acontecia num mero centro acadêmico universitário. Vendo aquilo, sentiu que tinha tomado a decisão certa ao não votar.
— Então ela me pediu pra ir com ela ao MT (Membership Training) do Departamento de Mídia e Comunicação.
— Vai ou não vai, tanto faz.
Ki Giyeonghan perdeu o interesse rapidamente. Lee Yoon-hak continuou tagarelando, mesmo depois de ouvir a resposta seca. Ki Giyeonghan ficou impressionado mais uma vez com a capacidade de Lee Yoon-hak de continuar falando tão casualmente, mesmo diante de respostas espinhosas, e começou a mexer no celular. Abriu o aplicativo de mensagens. Ignorou as várias mensagens não lidas e procurou nos contatos.
Yoon Yejun.
— …….
Aquele cara também era do Departamento de Mídia e Comunicação. Provavelmente não iria ao MT. Primeiro, sexta-feira era o dia em que deviam se encontrar, e ele sempre fingia estar ocupado com trabalhos de meio período e sei lá o quê, então ir ao MT seria contraditório.
Ki Giyeonghan tocou no perfil de Yoon Yejun. A foto de perfil do aplicativo de mensagens era de um cachorro. Era um cachorro grande, de pelo castanho-claro. As patas eram finas e magrelas. Encarava diretamente a tela, com as orelhas em pé. Usava uma coleira velha, provavelmente por ser criado ao ar livre, e atrás dele havia uma casinha de cachorro simples. O cachorro estava com a língua de fora, sorrindo largamente. Dava para chamar aquilo de sorrir? Ki Giyeonghan, que nunca tivera um animal de estimação e não tinha intenção nenhuma de ter, achou estranho Yoon Yejun ter um cachorro como foto de perfil. Ele era o tipo de cara que jamais se interessaria por algo assim.
Haveria outras fotos? Tocou na foto e deslizou para o lado. Mas era a única foto. Ki Giyeonghan, que encarava o celular com uma expressão indiferente, logo apertou o botão de desligar a tela. Seu próprio rosto sobressaltado encheu a tela. Virou o celular rapidamente, com um gesto frenético.
Por que eu estou olhando a foto de perfil desse cara?
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna