⋅⋆ Capítulo 08.5
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Quando chegaram à entrada da trilha, Yoon Yejun parou Ki Giyeonghan.
— Giyeonghan-ah.
— …….
— Vamos ao posto de saúde primeiro.
Assim que Yoon Yejun parou de usar honoríficos, passou a falar comigo com toda a desenvoltura. Ki Giyeonghan, que finalmente tinha voltado a si depois de descer, perguntou secamente.
— Por que você está falando comigo sem formalidade?
Yoon Yejun perguntou de volta, com naturalidade.
— A gente decidiu se dar bem, então não posso deixar a formalidade de lado um pouquinho?
— Inacreditável…
Mas ele não tinha o que dizer, então só resmungou consigo mesmo. Os dois foram lado a lado até o posto de saúde. Ki Giyeonghan passou desinfetante no joelho e na palma da mão e colocou um curativo grande. Enquanto isso, Yoon Yejun envolveu o corpo numa toalha que parecia ser de praia e enxugou o corpo molhado.
Depois de terminar o tratamento, comeram bibimbap e baeksuk de frango num restaurante próximo, recomendado pelos funcionários do posto de saúde. Yoon Yejun se ofereceu para pagar a refeição, mas Ki Giyeonghan o fulminou com o olhar no restaurante espaçoso e quase vazio, perguntando se ele estava maluco.
Ki Giyeonghan admitiu que aquele dia tinha sido inteiramente culpa sua. Depois da refeição, quando Ki Giyeonghan saía depois de pagar, Yoon Yejun comprou dois cafés no café ao lado e lhe entregou um.
Ki Giyeonghan mordiscou o canudo ao entrar no carro. Yoon Yejun, que colocava o cinto no banco do passageiro, olhava para a frente. O carro deslizou silenciosamente pela estrada livre. O joelho e a palma da mão estavam em frangalhos. Mas quem estava mais em frangalhos era o próprio Ki Giyeonghan.
Joguei lenha na fogueira para os próximos encontros.
Como Yoon Yejun tinha aberto a janela, o vento não parava de entrar. O ar tinha um leve cheiro de chuva. O que eu faço daqui pra frente? Depois de dirigir por um tempo, Ki Giyeonghan perguntou.
— Então, como eu devo te chamar?
Yoon Yejun, que olhava pela janela, virou a cabeça sutilmente. Ki Giyeonghan sentiu o olhar dele, mas só olhou para a frente. Não queria fazer contato visual.
— Quer me chamar de “hyung”?
A voz que oferecia com gentileza me fez sentir, de certa forma, mal. “Hyung” parecia um termo íntimo demais. Eu não queria entregar tanto do meu coração a Yoon Yejun. Eu não tinha entregado meu coração a ninguém, para começo de conversa. As pessoas mais velhas que eu conhecia na faculdade eram chamadas, no máximo, de veterano ou com “-ssi” no fim, ou até só com “com licença”, pensou Ki Giyeonghan.
Isso, veterano é melhor.
— Vou te chamar de veterano.
Ele provavelmente nem chamava os veteranos do próprio departamento de veterano. Yoon Yejun achou engraçado Ki Giyeonghan, que mantinha teimosamente o orgulho. Não era só engraçado; combinava tanto com Ki Giyeonghan que era genuinamente engraçado.
Pensando bem, não parecia que a palavra “hyung” combinaria com ele também. Yoon Yejun ergueu os cantos dos lábios sem perceber. Ki Giyeonghan, que olhava para a frente, lançou-lhe um olhar de lado antes de virar a cabeça completamente. Então, com o rosto sobressaltado, arregalou os olhos, pigarreou e voltou a se concentrar na direção.
— Ah….
— …….
— Ah, merda…. Por que o trânsito está tão ruim….
Ki Giyeonghan murmurou para si mesmo enquanto dirigia pela estrada livre, sem nenhum carro. A mão que segurava o volante estava cheia de força, e as veias do dorso da mão saltavam. Sabendo que tinha dito algo idiota, ficou de boca fechada depois disso.
Yoon Yejun encarou Ki Giyeonghan. Para ser sincero, ele não parecia tão astuto quanto eu pensava. Na verdade, parecia um pouco simples. Senti que sabia como lidar com ele.
Yoon Yejun fechou a jaqueta de Ki Giyeonghan que vestia. Recostou-se e olhou pela janela. Quando se deu conta, as nuvens escuras tinham desaparecido completamente, e só nuvens claras e uma luz do sol suave enchiam o céu.
02. A Primavera dos 26 Anos
O mundo de Yoon Yejun girava em torno de sua casa, do bar onde trabalhava meio período, da casa do aluno a quem dava aulas particulares e da faculdade. Mesmo na faculdade, além dos auditórios onde assistia às aulas, a única coisa que fazia era ir à loja de conveniência comprar pão nos intervalos. Se não, fazia uma refeição simples na sua quitinete, que ficava a cinco minutos da faculdade, e depois ia para a sala de estudos. O bar só fechava às 2 da manhã, e os horários das aulas particulares eram flexíveis, então ele tinha que encaixar o tempo de estudo sempre que podia.
Hoje não era diferente. Ele tinha aula do curso às 16h, e agora eram pouco mais de 14h. Tinha comido em casa, então não precisava se preocupar com comida. Depois da aula, podia ir direto para o bar e comer lá. Era um lugar pequeno, com só três funcionários de meio período, incluindo ele, que cuidavam tanto do atendimento quanto da louça, além da senhora da cozinha. Mas os donos sempre faziam questão de alimentar os funcionários até eles quase explodirem. O casal sempre dizia que alimentar os estudantes era a alegria deles.
Yoon Yejun planejava estudar na sala de estudos durante o intervalo. Estava prestes a pegar a mochila, cuidadosamente colocada ao seu lado, e colocá-la no colo quando ouviu:
— Yejun.
Yoon Yejun virou a cabeça em direção à voz. Seu olhar passou pela janela. Era perto da Faculdade de Ciências Sociais, famosa pelo campus bonito. Na primavera, as cerejeiras floresciam por completo. Flores de cerejeira rosa-claro brotavam lentamente nos galhos.
Era primavera, de fato. Ele só sentia de verdade a chegada da primavera depois que as flores de cerejeira ocupavam seu lugar. Então é por isso que as pessoas vão aos festivais de cerejeira e para ver as flores. Entendia um pouco. Mas, de qualquer forma, aquilo não tinha nada a ver com ele.
A mudança das estações significava a passagem do tempo. Ocorreu-lhe de novo que tinha 26 anos e nem estava no último semestre, muito menos se formando. Parecia que tinha sido ontem que entrara na universidade, mas já estava na metade dos vinte.
Yoon Yejun fez contato visual direto com a pessoa que o chamara. Era Kim Dong-hoon. Eles não tinham nenhuma aula juntos naquele semestre, então como ele sabia que estava ali? A testa de Yoon Yejun se franziu levemente diante da aproximação sorridente de Kim Dong-hoon. Aquele rosto era definitivamente o rosto que ele fazia quando queria alguma coisa.
— Ah, não.
Yoon Yejun franziu a testa, o que não era do seu feitio.
— Ei, como você sabe o que eu vou falar?
Kim Dong-hoon retrucou imediatamente. Ele precisava arrumar as coisas e sair rápido. As mãos de Yoon Yejun se moveram mais depressa enquanto ele enfiava livros e impressões na mochila.
— Ei, por que você não tira folga do trabalho no sábado?
Nem valia a pena ouvir. Yoon Yejun nem respondeu.
— O Min-ho quer muito que você vá. Disse que não vai cobrar nada. De você e de mim.
Min-ho era o presidente do centro acadêmico do Departamento de Mídia e Comunicação e colega de turma de Yoon Yejun e Kim Dong-hoon. Não era tão próximo dele quanto Kim Dong-hoon, mas andavam bastante juntos. Tinha sido mais entusiasmado com a vida universitária do que ninguém e acabara conquistando o cargo de presidente do centro acadêmico.
Yoon Yejun arrumou as coisas em silêncio, mas Kim Dong-hoon era diferente.
— Por que você acha que o Min-ho quer tanto que a gente vá?
Yoon Yejun fez uma cara de nojo diante das palavras sorridentes dele. Ele fica feliz assim em ser elogiado pela aparência? Bem quando estava pensando isso, Kim Dong-hoon acrescentou imediatamente:
— É porque eu sou bonito…
— É só porque os alunos atuais não vão.
Yoon Yejun fechou o zíper da mochila e se levantou da carteira, em que a mesa e a cadeira eram presas uma à outra. O assento era duro, e o espaço entre a mesa e a cadeira era desconfortável, então os ombros doíam. Mas ele nem pensou em relaxar os ombros e imediatamente jogou a mochila no ombro. Saiu do auditório e foi em direção ao elevador. Kim Dong-hoon seguiu Yoon Yejun, insistindo.
— Ei, vamos só nos divertir uma vez. Você tem que ir a um MT enquanto está na faculdade, né? Depois tudo vira lembrança.
— Então você pode ir.
Yoon Yejun apertou o botão do elevador, deu as costas para a porta e ficou de frente para Kim Dong-hoon. Respondeu de um jeito bem firme, do seu modo, e achou que Kim Dong-hoon entenderia, mas o outro fez uma cara bem preocupada. Yoon Yejun foi percebendo aos poucos o significado daquela expressão e estreitou levemente os olhos.
— …Não me diga.
— ……
— Você já disse que eu ia?
Kim Dong-hoon mal conseguiu erguer os cantos dos lábios trêmulos num sorriso. Você é muito irritante. As palavras subiram até a ponta da garganta, mas ele as segurou.
Kim Dong-hoon cuidava bem dele, mas havia momentos em que se intrometia sem necessidade. Tinha sido Kim Dong-hoon quem marcara uma orientação com o professor no ano anterior, mesmo que ele não precisasse ir. Disse que seria bom encontrar o professor e se aproximar, já que ele ia voltar à faculdade. Por causa disso, acabou virando assistente de uma disciplina do curso que não precisava fazer. Tudo o que fazia era colocar o material da aula na tela antes de o professor chegar e recolher os trabalhos manuscritos dos alunos.
Kim Dong-hoon, que sorria sem jeito, continuou:
— Yejun, eu…
— ……
— Eu não achei que você não fosse atender meu pedido depois de fazer aquela bagunça no bar… Eu…
— …Para de falar.
Disse com suavidade, mas era claramente uma ameaça. A boca de Yoon Yejun ficou seca. Ele mal tinha conseguido esquecer aquilo, e o outro estava remexendo o assunto. Por mais que tentasse lembrar, as lembranças daquele dia tinham desaparecido completamente. Mas, a julgar pelo que as pessoas ao redor diziam, parecia que ele tinha causado alguns problemas. Normalmente não ficava bêbado com facilidade, então tinha sido um pouco descuidado.
Haa… Engoliu um suspiro. Pensando bem, Kim Dong-hoon também devia ter passado maus bocados naquele dia. Ao contrário do que as pessoas ao redor diziam sobre o vômito, ele estava limpo e arrumado quando acordou no dia seguinte, e não havia vestígio nenhum.
Encurralado, Yoon Yejun evitou o olhar de Kim Dong-hoon. Virou o corpo completamente e checou o painel do elevador. Chegaria logo. Kim Dong-hoon ficou grudado em Yoon Yejun e tagarelou.
— Você não precisa ir se não quiser… Yejun.
— Ei…
— …Você vai, né?
Kim Dong-hoon tinha colocado todas as ameaças na mesa e agora perguntava com cautela.
Aquela droga de bebida. Nunca mais vou beber.
Yoon Yejun assentiu lentamente.
— …Vou perguntar pro chefe primeiro.
Ding— O elevador chegou ao mesmo tempo. Yoon Yejun se afastou um pouco da porta e virou o corpo. Para que a pessoa lá dentro pudesse sair com conforto. Com um leve som mecânico, as portas do elevador, bem fechadas, se abriram.
— ……
— ……
Ki Giyeonghan estava no elevador. Os olhares se encontraram. Estavam no mesmo prédio da Faculdade de Ciências Sociais e, como ele era de Ciência Política e Diplomacia e o outro de Mídia e Comunicação, esbarravam-se com frequência.
Yoon Yejun se lembrou de repente do dia em que tinha feito trilha com Ki Giyeonghan. Ficou um pouco surpreso com a trilha num dia de semana, mas foi uma oportunidade de se aproximarem. É claro que a mensagem que ele mandou dizendo que o outro tinha se esforçado muito naquele dia foi impiedosamente ignorada. Ainda assim, achava que tinham ficado bem próximos. Depois do fim de semana, Ki Giyeonghan, que ele reencontrou, evitava contato visual como se fosse uma pessoa tímida. Yoon Yejun desviou sutilmente o olhar e agarrou o braço de Ki Giyeonghan quando ele tentou sair.
— Giyeonghan, oi.
— ……
Estava curioso para ver como ele reagiria. Tinha uma ideia geral, mas mesmo assim.
Como Yoon Yejun esperava, Ki Giyeonghan franziu a testa abertamente. Yoon Yejun sorriu de leve diante da cena, que não era nada diferente do que esperava, e mal conseguiu conter os cantos dos lábios. Ki Giyeonghan puxou o braço para se livrar da mão de Yoon Yejun.
— …Não me cumprimenta.
Então passou por ele sem hesitar. Kim Dong-hoon murmurou baixinho:
— Uau…
Yoon Yejun entrou no elevador de onde Ki Giyeonghan tinha acabado de sair. Apertou imediatamente o botão do primeiro andar. Kim Dong-hoon, de quem ele achava que se separaria no elevador, também entrou. Yoon Yejun examinou Kim Dong-hoon de cima a baixo. Até onde ele ia segui-lo? Quando disse isso abertamente com os olhos, Kim Dong-hoon ficou bem surpreso e levantou a voz.
— Não estou te seguindo. Vou lá fumar.
— Eu não perguntei, por que está falando isso por conta própria?
Diante dessas palavras, Kim Dong-hoon soltou:
— Aish.
Kim Dong-hoon, que conferia a aparência no espelho, mudou de assunto.
— Mas ele é mesmo algo à parte. Você não é mais velho que ele?
Era sobre Ki Giyeonghan. Yoon Yejun respondeu com naturalidade.
— Sou. Mas ele é assim com todo mundo.
— Deve ser difícil viver no mundo com uma personalidade dessas.
— Acho que sim.
Yoon Yejun respondeu brevemente e depois checou o painel. As portas do elevador, que tinha descido rapidamente até o primeiro andar, se abriram. Yoon Yejun saiu primeiro, e Kim Dong-hoon o seguiu.
Kim Dong-hoon parou para ir à área de fumantes.
— Enfim, Yoon Yejun, o MT é nesta sexta, sábado e domingo, então tira folga de todos os trabalhos nesses dias. O professor tem aula do curso na sexta, então você vai faltar essa. Só resolve o sábado e o domingo.
— Tá. Vai lá.
— Tá. Vai.
Os dois trocaram cumprimentos casuais e seguiram caminhos separados. Yoon Yejun também saiu direto do prédio, sem olhar para nenhum lugar em particular.
O passo de Yoon Yejun desacelerou ao sair do prédio, e ele logo parou. Havia um jardim bem decorado diante dele.
— Ah…
Soltou uma exclamação baixa. Achava que nunca iria a um MT, mas por que estava sendo arrastado de um lado para o outro por causa daquela droga de bebida? Inclinou a cabeça para trás, frustrado, e fechou os olhos. O tempo estava bem mais quente do que algumas semanas antes, mas ainda fazia frio.
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna