⋅⋆ Capítulo 08.4
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Quando saíram da trilha acidentada da montanha e chegaram ao calçadão, havia um grande pavilhão. Yoon Yejun amparou Ki Giyeonghan até lá sem uma palavra de reclamação. Ki Giyeonghan moveu os passos rigidamente e se largou no pavilhão.
Yoon Yejun encheu uma garrafa com água da fonte ao lado. A chuva estava bem forte e ele estava encharcado, mas não pareceu se importar muito.
Ki Giyeonghan olhou para Yoon Yejun e se perguntou o que ele próprio teria feito. O que faria? Teria descido sozinho, tivesse Yoon Yejun caído ou não. Pensando nele como um estorvo.
Por que ele me ajudou? Ficou se perguntando. Os dois viviam se estranhando. Não havia motivo para ele ajudá-lo.
Yoon Yejun, que tinha trazido a garrafa cheia para o pavilhão, a entregou a Ki Giyeonghan. A água gelada estava cheia até a boca. Ki Giyeonghan recebeu a garrafa sem expressão alguma. Engoliu a água gelada, fria o suficiente para despertá-lo.
— Enxágue a roupa também.
Quando derramou água no joelho, o tecido ficou úmido e ele sentiu dor mais uma vez. Ki Giyeonghan xingou baixinho:
— Ah, merda….
Yoon Yejun se largou ao lado dele. A água se espalhou ao redor do lugar onde ele se sentou, como tinta se espalhando.
Yoon Yejun bateu com a mão no chão do pavilhão.
— Põe a perna aqui em cima.
— Por que eu faria isso?
— Tenho que ver o machucado.
Diante dessas palavras, Ki Giyeonghan, que resmungava, colocou a perna em cima. Puxou a calça até o joelho. O machucado não era grave, mas escorria bastante sangue. Também havia arranhões na palma da mão. Não é tão ruim assim. Ki Giyeonghan se sentiu um pouco envergonhado.
Yoon Yejun só olhou para o machucado de Ki Giyeonghan e não riu.
— Tem um posto de saúde lá embaixo, vai lá.
Por que esse cara está fazendo isso? Por que está me ajudando e por que não está rindo, quando eu teria rido dele? Ki Giyeonghan tocou com a língua a carne macia do lado de dentro da bochecha e abriu a boca.
— Quero te perguntar uma coisa.
Yoon Yejun, que derramava água com cuidado no machucado de Ki Giyeonghan, levantou a cabeça e fez contato visual.
— Por que você me ajudou?
— Qualquer um ajudaria alguém que caiu.
Eu não sou humano?
Era uma palavra que tinha subido até a ponta da garganta, mas ele sabia que não precisava dizer tanto naquela situação.
Yoon Yejun continuou.
— Vamos descer quando a chuva diminuir um pouco. Está caindo demais agora.
Ki Giyeonghan também concordou com as palavras de Yoon Yejun. Chuááá— Uma chuva bem forte batia nos galhos e nas folhas e caía no chão. As cores do mundo se encharcavam na chuva e ficavam mais nítidas.
Isso também não é tão ruim. Ki Giyeonghan pensou, olhando para a frente com o olhar vazio.
— Está frio….
Ele ouviu uma voz ao lado. Ki Giyeonghan revirou levemente os olhos para o lado ao ouvir a voz. Diferente dele, que pelo menos tinha vestido um corta-vento fino, Yoon Yejun usava só um moletom. Além disso, estava encharcado de chuva, murcho feito um filhotinho molhado.
Ki Giyeonghan respirou fundo por um instante e virou o corpo. Então tirou a jaqueta que vestia. Era algo que ele jamais faria normalmente. Mas hoje era uma exceção. Poderia se sentir desconfortável depois sem motivo. Era por isso que estava fazendo aquilo.
Mas, de algum modo, sentiu uma pontada de amargura por entregá-la com gentileza. Precisava ter feito isso antes, não precisava? No fim, entregou a jaqueta a Yoon Yejun como se a jogasse. Esperava que caísse direitinho, mas não caiu. Acertou a cabeça de Yoon Yejun e caiu.
— …….
Os olhos de Yoon Yejun, que imediatamente se voltaram para ele, estavam cheios de todo tipo de xingamento. Ki Giyeonghan levantou a mão e apontou para a jaqueta.
— Isso… veste. Não fica choramingando de frio.
— Por quê?
Por quê, ele pergunta. Era suspeitamente enxerido. Yoon Yejun era claramente desse tipo.
— Ah, só veste se eu estou mandando. Por que você fala tanto?
Foi tudo o que ele conseguiu dizer. Yoon Yejun disse:
— Obrigado.
E vestiu a jaqueta com um farfalhar.
A chuva não dava sinais de parar. Já tinha passado uma hora desde que se sentaram no pavilhão. Pensando bem, Yoon Yejun parecia ter aula à tarde. Ki Giyeonghan perguntou com cautela.
— Você não disse que tinha aula à tarde?
— Hoje foi cancelada.
— Ah.
A conversa terminou de novo. Yoon Yejun bocejou de leve. Queria dormir um pouquinho. Será que devia se encostar na pilastra do pavilhão e dormir um pouco? O corpo estava lânguido. Foi no momento em que estava prestes a se mover.
— Ei.
Ki Giyeonghan chamou Yoon Yejun de novo.
Por que ele fica chamando as pessoas? Estava mais sensível que o normal porque o corpo estava cansado. Yoon Yejun franziu a testa e fez contato visual com Ki Giyeonghan, que o chamava.
— Você não está irritado?
Ele parecia saber o que estava perguntando. Devia estar falando de si mesmo. Mas parecia ter o mínimo de moralidade como ser humano. Até emprestou a jaqueta. Embora já estivesse molhada, de qualquer jeito.
Yoon Yejun olhou para Ki Giyeonghan com indiferença e respondeu.
— Estou irritado.
— …….
— Estou tão irritado que quero te abandonar e descer agora. Quer você tome chuva ou não. Quer você fique doente ou não.
— Então por quê….
— Porque eu não sou um lixo a ponto de abandonar uma pessoa machucada. E….
A expressão de Ki Giyeonghan estava estranha. Parecia muito nervoso. Perguntando-se o que eu ia dizer. Também parecia estar sutilmente esperando alguma coisa. Embora provavelmente fosse tudo minha imaginação. Devia ser por causa da chuva.
Os olhos de Yoon Yejun percorreram de leve o rosto puro de Ki Giyeonghan, molhado de chuva, e o corpo firme dele. O corpo dele é bem bom. Achei que ele fosse só alto e magrelo.
— Você também tem que dirigir, sabia?
Haa…. Pensando bem, parecia sem esperança. Quando é que eu chegaria em casa? Um suspiro escapou involuntariamente.
Ki Giyeonghan contraiu os lábios como uma criança emburrada e voltou o olhar para a frente. Ao mesmo tempo, uma ideia ocorreu a Yoon Yejun.
O clima estava propício, e parecia que Ki Giyeonghan estava baixando um pouco o orgulho, graças à minha ajuda. Então, eu deveria dizer o que quero dizer.
— Então, tenho um favor pra te pedir.
Yoon Yejun virou a cabeça completamente em direção a Ki Giyeonghan. O pomo de adão de Ki Giyeonghan subiu e desceu enquanto ele olhava a paisagem molhada além do pavilhão.
— A gente não pode simplesmente se dar bem por um semestre?
— …….
— Não quero ter dor de cabeça com relações humanas. Além disso, a gente só tem que aguentar um semestre. Tanto você quanto eu.
Ele não diria não de novo depois de eu ter dito tudo isso, diria?
— …….
Ki Giyeonghan encarou Yoon Yejun antes de desviar rapidamente o olhar para o lado oposto.
— Faz como quiser.
Podia simplesmente ter dito que tudo bem, mas tinha que dizer de um jeito tão grosseiro.
No entanto, Yoon Yejun ficou satisfeito só com isso. A quinta-feira não seria mais desconfortável. Poderiam simplesmente se dar bem como irmãos. Diferente de Yoon Yejun, que se sentiu aliviado, a mente de Ki Giyeonghan estava complicada. O rosto parecia quente. Sentia como se estivesse corado, como se tivesse bebido.
— Então, tenho um favor pra te pedir.
No que eu estava pensando? Quando ele disse favor, não pude evitar ter um pensamento indecente.
Ki Giyeonghan, controle-se. Aquele cara é homem. Lembrava a si mesmo constantemente, mal conseguindo acalmar o coração.
— Giyeonghan-ah.
— …….
Será que ouvi errado? Mas Ki Giyeonghan virou rapidamente a cabeça em direção à voz. Foi uma reação mecânica.
— Vamos parar de brigar e nos dar bem, tá?
O rosto de Ki Giyeonghan se contorceu. Parecia que algo estava preso na garganta. Não conseguia se lembrar de como tinha feito amigos ou conhecido namoradas. As pessoas sempre falavam de um jeito tão meloso e constrangedor? Agrupando os dois como “a gente”.
Ki Giyeonghan não conseguia desfazer o vinco entre as sobrancelhas, sentindo como se as vias respiratórias estivessem bloqueadas. Sentia-se estranho e não conseguiu responder, então voltou a olhar para a frente.
— …….
Como se nunca tivesse chovido, o tempo abriu. No máximo, só as gotas de chuva presas às folhas pingavam. O sol espiava por entre as nuvens escuras.
Ki Giyeonghan esticou os lábios num sorriso longo, relaxando os músculos faciais sem jeito. Levantou-se num salto. O joelho ainda doía. Deu as costas a Yoon Yejun e começou a andar.
— Vamos descer.
— …….
Não houve som de ninguém o seguindo.
— Ah, anda logo e vem!
Acabou gritando. Ki Giyeonghan xingou baixinho enquanto descia. Eu tinha certeza de que éramos do mesmo tipo. Mas, ao contrário do que eu esperava, Yoon Yejun não parecia uma pessoa ruim, e isso me irritava ainda mais.
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna