⋅⋆ Capítulo 08.1
Yoon Yejun estava pensando em matar aula por conta própria, algo que não fazia desde o primeiro ano da faculdade.
Ele não sabia por que o tempo estava passando tão rápido, ou se o seu tempo corria mais depressa que o das outras pessoas. Enfim, a quinta-feira chegou num piscar de olhos.
Quinta-feira, 12h. Uma disciplina eletiva de ciências humanas de 3 horas, “Gênero e Comunicação”. Yoon Yejun enterrou a cabeça no travesseiro assim que abriu os olhos ao som do despertador. Não fazia a menor ideia do que fazer. Rolou na cama tentando organizar os pensamentos, mas o tempo simplesmente passava.
Por fim, esperou até o último momento possível antes de se atrasar e então pulou da cama.
— ……
Apertou com cuidado o botão de ligar do celular. As mensagens na tela de bloqueio eram todas de colegas de turma ou dos grupos dos trabalhos de meio período. Ele se perguntou se tinha deixado passar alguma coisa. Entrou no aplicativo de mensagens e checou as mensagens que tinha enviado a Ki Giyeonghan.
Terça-feira
Eu
[Ouvi dizer que fui grosseiro. Eu estava bêbado demais… Se você não se importar, eu pago a lavanderia, então pode entrar em contato comigo? Te liguei, mas você não atendeu.]
14:05
Quarta-feira
Eu
[Você está muito bravo? A, a questão de eu ter vomitado… teve um motivo. Não, independentemente do motivo, me desculpe. Por favor, entre em contato comigo.]
16:27
[Você já entregou o relatório? Eu estou confiante no relatório. Se não quiser escrever, por favor, entre em contato comigo. ^^]
19:49
Era tudo em linguagem educada e formal. Yoon Yejun nem sabia o que tinha dito a Ki Giyeonghan. As lembranças daquela noite tinham sido completamente apagadas. Mas o que ele tinha ouvido de Kim Dong-hoon era algo digno de se ver.
— Você foi arrastado pra cá, com vômito em toda a roupa do Ki Giyeonghan. O Ki Giyeonghan estava prestes a surtar. Achei que eu fosse morrer com o jeito que ele encarava.
— Vocês fazem a mesma disciplina de ciências humanas? Peça desculpas primeiro. Ele pode te matar de verdade se esbarrar com você. Eu nunca vi um olhar daqueles antes.
— Ele também não parecia estar no juízo perfeito. Ficou gritando pra chamarem a polícia naquele bar lotado… Ele surtou quando pareceu que você ia vomitar de novo.
Kim Dong-hoon descreveu os acontecimentos daquele dia em detalhes para que ele se lembrasse, mas ele continuava sem lembrar de nada. Era simplesmente terrível. Ele tinha ligado para Ki Giyeonghan e mandado mensagens, mas o outro nunca atendeu o telefone e só visualizou as mensagens, sem nem responder.
— Ha…
Yoon Yejun suspirou. Seria melhor simplesmente ir e conversar com ele cara a cara. Conhecendo a personalidade de Ki Giyeonghan, ele com certeza mandaria que se ajoelhasse ou algo assim. O que faria então? Não, será que deveria se ajoelhar? Seria melhor morrer, como Kim Dong-hoon disse.
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Ao mesmo tempo.
O professor da disciplina do curso lia o conteúdo do livro-texto do jeito que estava, fazendo uma leitura minuciosa. Ele só recitava o livro e depois escolhia um aluno para traduzir o conteúdo do livro-texto para o coreano. A disciplina se chamava Península Coreana e Política Internacional, mas quase dava para confundir com uma aula de tradução.
No estado normal, Ki Giyeonghan teria simplesmente aceitado aquilo como o estilo de ensino do professor, mesmo que tivesse reclamações. Mas hoje não conseguia.
— ……
Ele era confiante nos estudos desde pequeno. Nunca fazia outra coisa durante a aula e normalmente se concentrava e ouvia a aula, a menos que alguém o atrapalhasse. Mas agora não conseguia se concentrar. Não sabia o que o professor estava dizendo, e as letras diante dele pareciam minhocas atravessando terra molhada.
Fechou os olhos profundamente para acalmar a mente, mas continuava igual mesmo quando os abria.
Ele se perguntou se era porque não tinha dormido bem na noite anterior. Tinha esbarrado com Yoon Yejun no bar na segunda-feira, então achava compreensível não ter conseguido dormir na madrugada de terça. Achou que fosse morrer de tanta raiva.
Voltou correndo para o apartamento e jogou fora todas as roupas que estava vestindo, tomou banho duas vezes, mas a raiva não passou. E, mesmo deitado imóvel, ficava com raiva ao pensar em Yoon Yejun e chutava o ar feito louco, e, quando mal conseguia fechar os olhos, lembrava da cena de Yoon Yejun fechando os olhos bem direitinho logo antes de vomitar nele, e ficava ainda mais irritado.
Sim, isso poderia ter acontecido no primeiro dia. Mas o problema era que foi igual no dia seguinte e no outro. Ele não tinha conseguido dormir direito até a noite anterior.
A cabeça dele estava cheia de pensamentos sobre Yoon Yejun. Ficava com raiva e ficava com raiva de novo. Os olhos de Yoon Yejun fechados bem direitinho, os lábios lustrosos e úmidos. E o vômito que jorrava da boca dele. Ele já estava puto por causa de Yoon Yejun, mas o outro continuava fazendo ligações e mandando mensagens como se quisesse deixá-lo ainda mais puto. Isso o deixava ainda mais chateado.
Era compreensível não conseguir dormir. Era inevitável ficar com raiva quando alguém lhe causava problemas. Mas, quando aquilo começou a afetar seu dia a dia, a raiva que ele mal tinha conseguido conter voltou a se inflamar.
— Haa…
Ki Giyeonghan acabou apoiando os braços na mesa e enterrando a cabeça no livro-texto. Não tinha como estudar…
— O Giyeonghan gostaria de tentar? …Giyeonghan, você está dormindo?
Assim que Ki Giyeonghan se deitou sobre a mesa, o professor, infelizmente, chamou seu nome. Ki Giyeonghan ergueu só os olhos, ainda deitado, e endireitou as costas lentamente.
Yoon Yejun, seu filho da puta. Seu desgraçado maluco. Como é que eu fui me enrolar com alguém assim?
Não pude deixar de xingar.
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Yejun foi a um café perto do prédio de Ciências Humanas que trabalhava principalmente com viagem. Planejava comprar um copo para Ki Giyeonghan junto com o seu, já que não tinha dormido bem na noite anterior. Tentaria pedir desculpas pelo menos dando isso a ele. Não podia nem avisar que estava comprando algo, porque não conseguia entrar em contato com ele. Não que fossem próximos o suficiente para isso, para começo de conversa.
Havia algumas pessoas na frente dele, mas pegaram as bebidas rapidamente e foram embora, e chegou a vez de Yoon Yejun.
— Bem-vindo!
O funcionário o cumprimentou animado. Yoon Yejun retribuiu o cumprimento, dizendo:
— Olá.
Normalmente, ele teria sorrido radiante, curvando os olhos, mas hoje não conseguiu.
Yoon Yejun pegou o cartão e o entregou.
— Dois americanos gelados, por favor…
Seu olhar se desviou para o painel de propaganda ao lado do balcão do café.
Primavera Refrescante, aproveite com Menta com Chocolate.
O cardápio popular indiscutível do Café 00, com chantili cor de esmeralda e muitas gotas de chocolate!
Experimente você mesmo o encontro do chocolate intenso com a menta refrescante.
Será que um americano é barato demais? Afinal, estou comprando como pedido de desculpas. Além disso, é o momento perfeito para uma dose de açúcar. É claro que as aulas são divididas em blocos de uma hora e meia, mas três horas seguidas de aula seriam bem pesadas.
Yoon Yejun estava definitivamente de bom humor. Ele só tinha tomado o americano gelado naquele café, mas era bem bom. Então, se era um item popular do cardápio, com certeza seria pelo menos razoavelmente gostoso.
— Um americano gelado e uma menta com chocolate gelada, por favor.
Pegou os copos para viagem. O americano gelado veio num copo transparente, enquanto o latte de menta com chocolate veio num copo de papel. Isso não é normalmente só para bebidas quentes? Que incomum. Yoon Yejun inclinou a cabeça e caminhou em direção ao prédio de Ciências Humanas.
Yoon Yejun se aproximou da Sala Rosa de Saron, no primeiro andar do prédio de Ciências Humanas. Normalmente, teria entrado sem hesitar, mas hoje não.
Precisava entrar, mas os pés não se mexiam. Parou um momento para recuperar o fôlego num banco em frente à Sala Rosa de Saron e tomou um gole do americano gelado antes de engolir. Por fim, levantou-se depois de passar uns dez minutos do lado de fora.
“Vamos entrar. Você vai pedir desculpas de qualquer jeito.”
Abriu a porta e entrou. Alguns alunos que tinham chegado antes olharam para trás, para ele.
— ……
O conhecido lobo solitário estava sentado bem no meio, como sempre.
Yoon Yejun engoliu em seco. Continuava sentindo sede, e apertou os copos com mais força. Aproximou-se lentamente do lobo solitário. Mesmo quando estava bem ao lado dele, Ki Giyeonghan não virou a cabeça. Yoon Yejun mordeu o lábio com força e depois o soltou lentamente.
— …Olá.
No fim, foi ele quem cumprimentou primeiro. Ki Giyeonghan, que mexia no celular sem expressão, virou a cabeça de uma vez. O rosto dele, que estava vazio, se encheu instantaneamente de desagrado.
…Tô ferrado.
— Acho que você estava ocupado.
Yoon Yejun colocou os copos sobre a mesa e se sentou ao lado de Ki Giyeonghan. Como havia muitas atividades em dupla, ele tinha que se sentar com a pessoa com quem fazia o trabalho em grupo.
Yoon Yejun entregou a Ki Giyeonghan o latte de menta com chocolate que estava sobre a mesa.
Ki Giyeonghan não disse uma palavra. Preferia que ele estivesse do seu jeito barulhento e implicante de sempre. Tô fodido. Yoon Yejun xingou por dentro. Então curvou os olhos, como sempre. Sentia como se estivesse suando frio.
Yoon Yejun empurrou o copo para viagem um pouco mais para perto de Ki Giyeonghan.
— Aqui, toma. Comprei no caminho.
Ki Giyeonghan olhou para Yoon Yejun com uma expressão frustrada. Então pegou o copo para viagem. Pelo menos não disse que não queria.
Ki Giyeonghan perguntou:
— O que é isso?
E colocou o canudo na boca sem esperar resposta. Uma mistura de verde e marrom subiu pelo canudo transparente, um pouco mais grosso que os outros canudos. Ainda assim, era um alívio ele não ter recusado. Yoon Yejun estava prestes a soltar um suspiro de alívio quando…
Ki Giyeonghan tirou abruptamente o canudo da boca. Ergueu o copo e fulminou Yoon Yejun com olhos afiados.
— …Você me compra uma coisa dessas?
Não havia como ele deixar passar em silêncio. O sorriso sem graça de Yoon Yejun se despedaçou. Ki Giyeonghan devolveu o copo a Yoon Yejun.
— Bebe você.
Ki Giyeonghan foi abertamente sarcástico. A boca de Yoon Yejun ficou seca.
— Ah…
— ……
— Acho que você não gosta muito.
Ainda assim, era ele quem estava errado, então tentou amenizar a situação. Ninguém ao seu redor desgostava particularmente de menta, então Yoon Yejun ficou sem saber o que fazer. Ou será que o gosto é estranho?
Yoon Yejun colocou o canudo na boca e tomou um gole do copo que Ki Giyeonghan tinha devolvido. A expressão de Ki Giyeonghan foi de choque. Está normal…
— Você odeia menta?
— Quem gosta dessa coisa?
Ele odeia. Yoon Yejun achou que estava bom.
Ki Giyeonghan voltou a olhar para o celular com uma expressão emburrada. Yoon Yejun apertou os olhos com força e os abriu. Primeiro, pegou as impressões e a caneta para a aula, depois se virou para olhar Ki Giyeonghan.
— Hum… Não sei se você viu minha mensagem. Eu estava tão bêbado naquele dia… Não lembro direito. Você… lavou a roupa?
— Joguei fora.
— Jogou… Ah, entendi. Então quer que eu te compre roupas novas?
— Não. Não fala comigo.
— Ah, você não quer que eu fale com você…
Yoon Yejun virou a cabeça para o outro lado. Olhou para os alunos que conversavam alegremente entre si. Bons tempos. Dava para entender por que aquela disciplina era boa para fazer amigos. Mas por que eu tenho que ficar aqui tentando agradar o cara do meu lado? Admito que errei, não lembro, mas tenho que fazer isso porque ele diz que a culpa é minha… mas, tirando isso, um sentimento distorcido estava todo emaranhado dentro dele.
A personalidade de Ki Giyeonghan era mais do que estranha, era bizarra. Desde que se tornara adulto, Yoon Yejun tinha trabalhado em vários empregos de meio período e conhecido pessoas de todo tipo de personalidade. Tinha conhecido muitas pessoas boas, muitas pessoas tranquilas, e também enfrentara momentos com pessoas estranhas e ruins que o faziam se preocupar com como elas viviam no mundo. Então, passara a acreditar que tinha certa confiança em lidar com as pessoas. Mas nunca tinha conhecido ninguém como Ki Giyeonghan.
Ki Giyeonghan estava constantemente irritado e implicava com tudo. Se Yoon Yejun deixasse a caneta cair sem querer durante a aula, ele estreitava os olhos e o fulminava com o olhar.
Mesmo que a culpa fosse dele, era demais. Não aceitava dinheiro, mandava não falar com ele e, mesmo depois de ganhar uma bebida, retrucava abertamente perguntando quem tomaria uma coisa daquelas. Por que ele continua tão espinhoso?
Mas essa era só a opinião dele. Se Ki Giyeonghan estava chateado, não havia nada que pudesse fazer. Ainda assim, não conseguia esconder a sensação de estar sentado sobre alfinetes.
— ……
Normalmente, ele teria cochilado, mas hoje não. Tinha certeza de que o outro já tinha feito escândalo por ele cochilar da última vez, então como seria desta vez? Forçou os olhos e continuou sua difícil batalha contra a sonolência.
Depois de ouvir a aula por um tempo, Yoon Yejun revirou os olhos disfarçadamente. Espiou as anotações de Ki Giyeonghan. As letras que enchiam o papel com as palavras do professor, escritas a caneta, eram caprichadas. Diferente dele, que escrevia de qualquer jeito durante a aula e organizava tudo separadamente depois. A letra de Ki Giyeonghan era tão boa que, se ele tivesse nascido na Dinastia Joseon, seria chamado de mestre calígrafo. De certa forma, combinava com ele. Era meticuloso e rígido.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna