⋅⋆ Capítulo 08.2
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A aula, que parecia estar sentado numa cadeira cravada de agulhas afiadas, finalmente terminou. Yoon Yejun, que tinha que ir trabalhar dali a duas horas, se perguntou se deveria ir para casa jantar.
Então, Ki Giyeonghan, que arrumava as coisas, chamou Yoon Yejun:
— Ei.
Yoon Yejun, que enfiava papéis amassados na mochila, respondeu tenso:
— Sim.
O que ele vai dizer agora?
Ki Giyeonghan era como uma bomba-relógio quebrada. Nunca se sabia quando ia explodir. Ele queria ter se lembrado do dia em que ficou bêbado. Assim, não importava o que Ki Giyeonghan lhe dissesse, poderia usar as lembranças daquele dia como petisco, mas não tinha lembrança nenhuma, precisava tomar cuidado e, sinceramente, se sentia um pouco injustiçado.
Ki Giyeonghan perguntou.
— A gente vai se encontrar amanhã, certo?
— Ah, sim.
Yoon Yejun assentiu e respondeu. Ki Giyeonghan olhou para a tela do celular e se levantou.
— Vamos nos encontrar às 7 da manhã amanhã. Tem um lugar aonde eu quero ir.
Não seria 7 da noite? Queria ter ouvido errado. Os olhos de Yoon Yejun se arregalaram. Mas a pessoa à sua frente repetiu mais uma vez, só para o caso de ele ter ouvido errado.
— 7 da manhã. Não da noite.
Yoon Yejun, que ficara atordoado por um momento, cuspiu as palavras que tinham subido até a garganta.
— Você ficou maluco?
— Não.
— Você está fazendo isso porque eu vomitei, não está?
— Estou.
— Sério… você não é um desgraçado maluco?
Era hora de recusar, mesmo que Ki Giyeonghan pagasse tudo e o levasse ao Havaí. Yoon Yejun tinha trabalho de meio período até as 2 da manhã na noite anterior. Era um bar lotado. O outro sabia disso, porque ele tinha dito claramente no dia em que marcaram o primeiro encontro, mas Ki Giyeonghan teimosamente marcava o horário como bem entendia.
— Então vamos nos encontrar depois da aula hoje. Eu termino às 18h.
— Você disse que tem trabalho de meio período.
— Sim, eu sei. Vamos nos encontrar na faculdade às 7 da manhã.
— Ei.
Por fim, quando ele chamou Ki Giyeonghan, o outro inclinou o olhar e encontrou os seus olhos. Eram olhos secos. Yoon Yejun não conseguiu conter a raiva que borbulhava dentro dele.
— Eu disse que sentia muito por ter vomitado naquele dia.
— Você acha que foi só isso?
— O que mais tem?
— Quantas vezes você me disse na cara que eu era grosseiro?
— ……
Yoon Yejun desviou o olhar. Por mais que fizesse tempo que não bebia, por que tinha ficado tão bêbado? Foi porque despejou álcool sem petisco nenhum? Foi porque subiu ao terraço para fumar quando já estava bem bêbado? Se pudesse voltar alguns dias no tempo, teria agarrado a si mesmo pelo colarinho e o impedido de beber.
Yoon Yejun acabou cedendo. Quando forçou os cantos dos lábios para cima, a expressão de Ki Giyeonghan ficou ainda mais sombria. Ele sabia que Ki Giyeonghan não era alguém que simplesmente deixaria passar. Yoon Yejun abordou o assunto com cuidado.
— Dá pra ser às oito?
— ……
— Por favor.
Pediu, erguendo os olhos. Piscou rapidamente algumas vezes de propósito. Ki Giyeonghan, que encontrou seus olhos, franziu a testa. Orgulho era um luxo para Yoon Yejun. Ele queria dormir um pouco mais. Sorriu com um rosto amigável e inclinou a cabeça. Quando piscou, Ki Giyeonghan virou a cabeça para o lado. Então, rapidamente, jogou a mochila no ombro.
— …Então faz desse jeito.
Em seguida, saiu da sala sem um momento de hesitação. Yoon Yejun observou as costas de Ki Giyeonghan e bateu a cabeça na mesa da sala. E repetiu infinitas vezes:
— Yoon Yejun está morto.
Afinal, não adiantava nada ter bebido.
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Ki Giyeonghan, que se apressava rumo ao prédio de Ciências Sociais, passou a mão pelo cabelo. Estava quase correndo, então estava sem fôlego e o coração batia acelerado.
— ……
Não conseguia entender Yoon Yejun de jeito nenhum. Eles não eram nada um do outro, não eram particularmente próximos, mas ele usou sem hesitar o canudo que Ki Giyeonghan tinha usado, e a letra dele era redondinha e fofa, o que não combinava nem um pouco com ele.
Quando ele se irritou com tudo, procurou às pressas uma montanha próxima durante o intervalo e jurou fazê-lo passar maus bocados, e mesmo quando de fato disse isso, Yoon Yejun arregalou os olhos e se fez de coitado, pedindo para adiar o horário, nem que fosse só um pouco. Aquele olhar era nojento. Ele não tinha orgulho nenhum, e era ridículo que ficasse exibindo o rosto no meio disso tudo. O que era ainda mais revoltante era que tinha sido ele quem caíra naquele rosto e acabara adiando o horário.
— Ah…
Ki Giyeonghan parou em frente ao prédio de Ciências Sociais e encarou o prédio alto com o olhar vazio. Por que ele fica tão irritado quando pensa naquele homem? Além disso, não termina só em irritação: aquele homem fica aparecendo na cabeça dele.
Provavelmente tinha começado depois do dia em que se encontraram no terraço do bar. Sua visão escureceu. Estava frustrado e se achava patético por se deixar abalar.
Vamos só pra aula. Entrou no prédio para acalmar a mente. Mesmo esperando o elevador, pensava em Yoon Yejun. A imagem dele inclinando a cabeça e sugando o canudo que Ki Giyeonghan tinha usado estava profundamente gravada na memória.
Lá vamos nós de novo.
Um aperto no peito o fez retorcer o corpo. Do outro lado do elevador, viu um cartaz grande colado no mural do prédio da faculdade.
Data: XX. 04. 02 ~ XX. 04. 04
Local: Resort XX em Gapyeong
Taxa: Alunos matriculados ₩10.000, calouros grátis (Entre em contato com o centro acadêmico caso a taxa de atividades estudantis não esteja paga)
Normalmente, os outros departamentos iam para o MT no fim de março, mas o Departamento de Mídia e Comunicação parecia que ia na primeira semana de abril. Enquanto esperava o elevador, Ki Giyeonghan leu o cartaz feito de qualquer jeito. Planejavam arrancar dinheiro extra dos alunos que não tinham pagado a taxa de atividades estudantis entrando em contato com eles separadamente? Ele se perguntou o que estavam fazendo, agindo assim já sendo universitários.
Nesse momento, o elevador soou e as portas se abriram. Tomando o som como sinal, Ki Giyeonghan se aproximou do elevador. Não importava para ele se o Departamento de Mídia e Comunicação ia para o MT em abril ou se recolhia um milhão de wons de taxa de atividades estudantis, já que não era o seu departamento. Mas Yoon Yejun parecia ser daquele departamento. Bem, e daí? Não havia como aquele cara, que vivia falando de trabalho de meio período e sei lá o quê, ir a um lugar daqueles.
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— Yejun, você trabalhou muito hoje. Já pode bater o ponto.
— Ah, sim. Só depois de terminar a louça.
Yoon Yejun levantou a voz enquanto esfregava a louça coberta de detergente com as mãos em luvas de borracha. O trabalho no bar era mais cansativo fisicamente do que as aulas particulares, mas ele gostava das pessoas. Hoje, sentia que conseguia aguentar muito bem. Seria perfeito ir para casa, tomar banho e cair no sono. Estava com vontade de uma cerveja, mas mal conseguiu resistir. Não fazia nem uma semana desde que causara problemas por causa de álcool.
Vai ser difícil acordar cedo amanhã. Depois de terminar a louça, Yoon Yejun tirou as luvas de borracha molhadas e pegou a mochila na sala dos funcionários, atrás do salão.
Mesmo sendo tarde da noite, o bar continuava barulhento e movimentado. Pessoas bêbadas riam alto, levantando a voz. Como havia muita gente, o interior estava bem quente. Ele queria sair logo, sentindo-se sufocado. Yoon Yejun acenou rapidamente com a cabeça para os funcionários que ficavam e saiu do prédio.
Seria por ser primavera, com sua grande variação de temperatura ao longo do dia, ou porque tinha acabado de sair do bar abafado? O ar estava bem frio. Ele passou pelas pessoas que riam e conversavam entre si, rumo à sua quitinete.
Não havia postes de luz perto da quitinete de Yoon Yejun, então, diferente da rua em que ele estava agora, era escuro e silencioso. Parecia sereno. Exceto por algum bêbado ocasional fazendo algazarra ou um gato miando, não havia som nenhum.
Mesmo assim, o aluguel era caro. Provavelmente porque ficava perto da faculdade, mas às vezes ele sentia rancor. Pensar que um quarto daqueles custava mais de 500 mil wons por mês. Não havia fim para a autopiedade. Yoon Yejun balançou a cabeça e tirou o celular que tinha colocado no bolso.
— …….
Havia uma mensagem de Ki Giyeonghan.
Departamento de Ciência Política e Diplomacia Ki Giyeonghan
[Te vejo na faculdade amanhã até as 8h.]
19:49
[Não vai responder?]
22:29
Eram pouco mais de 2 da manhã. Yoon Yejun suspirou profundamente e digitou no celular.
Eu
[Acabei de sair do trabalho. Vou estar na faculdade até as 8h.]
02:14
[Até amanhã.]
02:14
Assim que ele enviou a mensagem, o número “1” que estava na janela do aplicativo de mensagens desapareceu. Mas foi só isso; nenhuma resposta voltou.
Aonde diabos ele está planejando ir, pedindo para encontrar alguém às 8 da manhã? Pelo menos ele tinha conteúdo para escrever no relatório. Ele marca o horário como bem quiser. Não entende a situação da outra pessoa e faz o que quer. Mas, por mais insultos que escrevesse, Ki Giyeonghan não seria afetado. Argh. Se eu agir do mesmo jeito, só vou virar um cara parecido. Yoon Yejun saiu rapidamente da conversa com Ki Giyeonghan.
Preciso colocar pelo menos três ou quatro alarmes antes de dormir. Senão, não tem como eu acordar.
Depois de colocar os alarmes, Yoon Yejun mexeu as mãos rapidamente. Checou outras mensagens além da de Ki Giyeonghan. Por sorte, a aula da tarde do dia seguinte tinha sido cancelada. Se só encontrasse Ki Giyeonghan de manhã cedo, poderia tirar um cochilo. Que alívio. Mesmo que o céu desabe, sempre há uma saída.
As outras mensagens insistiam para que ele fosse ao MT. Ele sabia que iriam para o MT em breve depois de ver o cartaz. Mas não tinha intenção de ir. Poderia facilmente se liberar do trabalho de meio período, mas isso significava uma diminuição na diária. Ele mal conseguia se sustentar e juntar dinheiro fazendo o que fazia agora. Ir ao MT seria só desperdiçar dinheiro e tempo. Yoon Yejun mandou uma resposta curta dizendo que não ia.
Devia só ir pra casa dormir. Bocejou de leve, sentindo o cansaço pesado pressionando as pálpebras.
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Yoon Yejun chegou ao portão principal da Universidade da Coreia às 7h57.
— Aquele desgraçado maluco….
Assim que viu Ki Giyeonghan de pé em frente ao portão principal, xingou baixinho. Ki Giyeonghan usava roupas esportivas confortáveis. Era um conjunto combinando. Talvez fosse por ele ser alto. Ou talvez pelas boas proporções. Parecia um modelo.
Mas, diferente do corpo bem constituído, ele só encarava o celular com a cara emburrada. Provavelmente estava só esperando eu me atrasar. Qual é o problema com a personalidade dele? Yoon Yejun suspirou brevemente e se aproximou de Ki Giyeonghan.
— …….
— …….
Os dois não trocaram nenhum cumprimento. Ki Giyeonghan examinou Yoon Yejun da cabeça aos pés, estalou a língua para si mesmo e se virou.
“Estalando a língua logo de manhã, que babaca.”
Yoon Yejun xingou por dentro enquanto olhava as costas de Ki Giyeonghan. Mas, ao contrário dos pensamentos, uma voz até bem gentil escapou da sua boca.
— Aonde vamos hoje?
— Me segue.
Ki Giyeonghan disse essas palavras e imediatamente começou a andar. Yoon Yejun não teve escolha a não ser segui-lo obedientemente. Inclinou a cabeça, intrigado, e correu atrás do homem.
Ki Giyeonghan foi em direção ao estacionamento mais próximo do portão principal. Ele tem carro, é? Ou é o carro dos pais? Yoon Yejun, que tinha carteira de motorista mas não tinha carro, como a maioria dos universitários comuns, achou Ki Giyeonghan fascinante. Ele devia ser de família rica. Por isso a personalidade dele é assim. Só pensou isso consigo mesmo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna