⋅⋆ Capítulo 07.2
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— Ah, merda… Quanto aquele desgraçado está bebendo?
Como sempre, ele bebe feito uma esponja. Ki Giyeonghan murmurou um palavrão e colocou um cigarro na boca.
Como o bar ficava no último andar de um prédio de quatro andares, o terraço era usado como área de fumantes. É bom pegar um ar fresco. Tentei evitar beber o máximo possível, mas o bar, tomado pelo cheiro de comida, era sufocante. Ainda bem que o Yoon-hak não fuma. Se fumasse, teria vindo atrás de mim até aqui e ficado falando com aquela voz manhosa.
Ki Giyeonghan mordiscou o filtro com os dentes e girou a roda do isqueiro para acender a chama. A pequena chama que subiu passou para a ponta do cigarro. O fogo pegou, e o cigarro queimou rapidamente.
Era primavera, mas ainda estava bem frio. A área além do prédio estava barulhenta. Músicas de primavera tocavam alto, e calouros que pareciam ter se reunido para beber saíam em grupos e desapareciam. Eles têm a vida boa. Ki Giyeonghan zombou repetidas vezes.
Com o cigarro na boca, sem usar as mãos, abriu uma fresta nos lábios e soltou a fumaça. Bzz. Uma vibração curta soou.
Só então Ki Giyeonghan prendeu entre os dedos o cigarro que fumava e tirou o celular do bolso para checar a mensagem. Era tudo do grupo de mensagens do departamento e de quatro ou cinco calouros com quem tinha esbarrado por acaso.
Não era nada importante, então Ki Giyeonghan só leu o conteúdo e seguiu em frente, quando de repente sentiu uma presença. Sua cabeça se virou lentamente para onde sentira a presença. Havia um balanço de madeira no canto do terraço. Parecia ter sido feito para complementar a decoração, mas só a área onde eu estava era iluminada, e a área ao redor do balanço estava escura. Era compreensível que eu tivesse sentido a presença tarde.
Uma pessoa estava sentada no balanço, encolhida. Não estava fumando, então o que estava fazendo ali?
Ki Giyeonghan olhou para o balanço por um momento e depois virou a cabeça de volta. Era melhor observar o grupo dando risadinhas entre si lá dentro do bar.
Estivesse bêbado ou não, eu não tinha intenção de me intrometer. Ele apagou no cinzeiro o cigarro quase no fim. E, bem quando estava prestes a descer de novo, a pessoa no banco chamou seu nome.
— …É o Ki Giyeonghan.
— ……
Sem querer, a cabeça dele se virou de novo. Olhou para ver se havia mais alguém, mas não havia. Só a pessoa sentada no balanço e eu estávamos no terraço. Era uma voz calma. Antes que ele conseguisse reconhecer o dono da voz, a outra pessoa se levantou de um salto e caminhou lentamente na minha direção.
Por fim, quando chegou à área onde as luzes estavam acesas, Ki Giyeonghan percebeu quem era a outra pessoa. Era Yoon Yejun.
Yoon Yejun me chamou e se aproximou, apenas piscando os olhos. Estava mais lento do que de costume. Será que estava bêbado? O motivo de ele ter subido para fumar era óbvio. Ele também devia estar bebendo no bar lá embaixo. O jeito como ele encarava era, de alguma forma, desconfortável.
Por fim, Ki Giyeonghan falou primeiro.
— Tá olhando o quê?
Ki Giyeonghan disse isso e virou a cabeça. O bairro universitário estava sempre barulhento, como de costume. Calouros eram calouros, e alunos que voltavam do trancamento eram alunos que voltavam do trancamento. Ele achava que aquela atmosfera flutuante e peculiar não combinava com ele.
Mesmo sendo primavera, à noite fazia bastante frio. Ainda bem que vim de casaco. Mas vai esquentar de novo num piscar de olhos. Ele fechou bem o casaco e depois conferiu o estado de Yoon Yejun.
Eu não achava que haveria mais conversa com Yoon Yejun. A boca de Ki Giyeonghan ficou seca sem motivo. Pensei se deveria fumar outro cigarro, mas ele voltou a fixar o olhar, com a cara torta, na figura que se aproximava dele.
— ……
Yoon Yejun, que tinha chegado mais perto, ficou de pé com a mão no parapeito do terraço. Parecia bem bêbado. Os olhos, que ele costumava manter atentos, estavam baixos. Ki Giyeonghan olhou para Yoon Yejun com o mesmo olhar frio de sempre.
Mesmo sendo um palmo mais baixo que eu, Yoon Yejun inclinou a cabeça. E as palavras que ele cuspiu foram ridículas.
— Por que eu não posso olhar?
Ele ficou maluco mesmo?
Ki Giyeonghan não respondeu. Se você tem mania de ficar alterado quando bebe, não deveria beber. Ele estava arrumando briga com uma pessoa inocente. Enfim, não tem nada nele de que eu goste. Preferia que ele só ficasse dando risadinhas quando está bêbado. Odiava ainda mais gente que arruma briga desse jeito.
Ki Giyeonghan umedeceu em silêncio os lábios secos com a língua.
Yoon Yejun continuou falando com Ki Giyeonghan, que não respondia.
— Não posso só olhar um pouquinho? Eu também tenho olhos.
— Uau… Isso é sinistro.
Se você tem globos oculares, deveria desviá-los ou evitar contato visual se por acaso encontrar os de alguém. Ele é do tipo que fica arrogante quando bebe? Ainda assim, se você faz uma disciplina com alguém ou conversa com a pessoa uma vez, consegue ter uma ideia geral da personalidade dela. Foi assim que Ki Giyeonghan definiu Yoon Yejun. Uma pessoa de duas caras, que esconde a personalidade ruim. Ele dava risadinhas na frente do professor, e não fez o mesmo na frente do colega de turma que encontrou hoje? Mas, quando está bêbado, nada disso existe.
— Desgraçado maluco…
Yoon Yejun murmurou baixinho.
Está chamando quem disso? Ki Giyeonghan mexeu os lábios. Não tinha intenção de discutir com um bêbado.
Encarou Yoon Yejun por um momento. O cabelo dele balançava ao vento. Yoon Yejun franziu levemente a testa, como se o cabelo fazendo cócegas na pele o incomodasse.
Objetivamente. Muito objetivamente. Deixando de lado toda a personalidade dele e olhando só para a aparência, Yoon Yejun era bonito.
“Pensar nisso logo agora. Eu também devo estar bêbado.”
Ki Giyeonghan mal conseguiu engolir a vontade de perguntar por que ele o fulminava com o olhar de um jeito tão bonito. Não estava tão fora de si a ponto de não entender a situação. Embora a pessoa à sua frente não parecesse estar em condições.
— Você é muito… grosseiro.
Eu sei. Já ouvi muito isso. Mas era a primeira vez que ouvia na cara.
Enfim, ele é uma pessoa estranha. De repente reconhece alguém que nem conhece e depois arruma briga. É claro que o poder do álcool é forte.
Ki Giyeonghan olhou para Yoon Yejun com uma expressão atônita e cuspiu:
— Se está bêbado, para e vai embora.
Não era como se não fossem se ver de novo. Teria que vê-lo por pelo menos dois ou três meses. Regularmente. Não só durante a aula, mas haveria muitas vezes em que teriam que se ver fora dela, então ele não sabia por que Yoon Yejun estava agindo assim com ele.
— Por que eu estaria bêbado…
— Ah, sério.
— Ki Giyeonghan, você é tão grosseiro.
Yoon Yejun não parou em uma vez só. Duas, três, quatro vezes… Continuou dizendo a Ki Giyeonghan que ele era grosseiro. Era a primeira vez que ouvia isso na cara, e agora vinha como uma chuva de balas. Ele estava tentando fazer lavagem cerebral nele?
Ki Giyeonghan passou a língua pelos dentes e pelos lábios e então assentiu.
Vamos embora de uma vez.
Foi bem quando ele estava prestes a dar as costas para Yoon Yejun.
Inclinando-se, o corpo de Yoon Yejun, com as pernas cedendo, começou a cair.
— Hã…
Sem nada em que se agarrar, ele só soltou um som atordoado. E foi Ki Giyeonghan quem segurou Yoon Yejun.
— ……
Yoon Yejun não conseguiu se sustentar e desabou para a frente, colocando todo o peso em Ki Giyeonghan. A estrutura de Yoon Yejun entrou em contato com a de Ki Giyeonghan, que era larga e firme. Não havia comparação com a sua. Ele tinha sentido isso no cinema, mas ele era mesmo magro. Sem perceber, Ki Giyeonghan segurou de leve o pulso de Yoon Yejun e depois afrouxou a mão.
— Ele ficou maluco, porra…
Não conseguiu segurar o palavrão que fervia na boca. Não conseguia entender por que continuava se envolvendo com aquele cara. Ki Giyeonghan tinha levado uma vida tranquila e estável. Tranquila. Não tinha feito nada particularmente errado. Era um pouco ríspido e esquentado, mas, bem…
Bem…
Se essa provação estava desabando sobre ele por causa disso, sentia que podia levar uma vida gentil e bondosa daqui para a frente.
— ……
Yoon Yejun, amparado pelo braço de Ki Giyeonghan, com a cabeça contra o peito dele, olhou para cima.
— ……
O espaço entre as sobrancelhas de Ki Giyeonghan se contraiu involuntariamente. Yoon Yejun piscou devagar. Ki Giyeonghan franziu a testa abertamente. Por que ele tinha que ter uma pinta sob o olho? Por que os cílios eram curvados daquele jeito desnecessário? Por que os lábios eram tão desnecessariamente lustrosos e brilhantes?
Ele também devia estar bêbado.
Apertou os olhos com força. E, quando os abriu de novo, Yoon Yejun também estava fechando os olhos lentamente.
E, ao mesmo tempo…
— Ugh…
Yoon Yejun vomitou. Um som horrível, que era terrível só de ouvir, continuou. O casaco bege de Ki Giyeonghan ficou coberto de vômito. A comida que jorrava da boca dele escorreu pelas roupas e respingou no chão. Em meio a tudo isso, Yoon Yejun, incapaz de se sustentar, continuava apoiado em Ki Giyeonghan.
— Ah, porra…!
Ki Giyeonghan, horrorizado, empurrou Yoon Yejun. Estava prestes a dar um empurrão forte que o faria cair, mas agarrou a gola da jaqueta dele. As pontas dos seus dedos tremiam de raiva.
— Hã…
Esticando bem o braço, mal conseguiu manter Yoon Yejun de pé e olhou para o próprio corpo.
— Argh…
Virou a cabeça para longe da cena horrenda. Queria fugir da situação se pudesse, mas não podia.
Yoon Yejun, apoiado no braço de Ki Giyeonghan, mal conseguiu ficar de pé, encostado no parapeito do terraço. Ki Giyeonghan não conseguia nem olhar para o casaco e revirou os bolsos com a mão livre. Tinha que ligar para a polícia e dar um fim naquilo.
Yoon Yejun, com vômito lambuzado ao redor da boca, murmurou.
— O pessoal… está lá embaixo… Minha cabeça, dói…
— Não me vem com essa merda, sério.
— Vou, vou vomitar…
— Você fez isso esse tempo todo!
Ele ficou maluco mesmo?!
Yoon Yejun levou a mão à boca. Soltou outro “Ugh…”. O rosto de Ki Giyeonghan ficou pálido e acinzentado. Sem hesitar, levou a mão à gola de Yoon Yejun e o arrastou. Apressou o passo. Decidiu que se livrar daquela bagagem era muito melhor do que chamar a polícia.
Queria poder arrastá-lo pelos cabelos, mas não poder fazer isso era o arrependimento de uma vida. Ki Giyeonghan respirava de forma ofegante, xingando a cada duas palavras enquanto andava. Palavrões inimagináveis jorravam da sua boca.
Suspirou de frustração. Achava que o vento estava bem frio, e até parecia morno, mas isso não era da sua conta, e era definitivamente porque estava puto.
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— …Minha cabeça dói.
Uma voz rouca escapou. Quando ergueu as pálpebras pesadas, viu um teto desconhecido.
Yoon Yejun queria se recompor diante do fato de que aquela não era sua quitinete de 4 pyeong, mas o teto estava girando. Sentia como se ele também estivesse girando.
Na noite anterior, tinha bebido muito. Não queria saber, mas não sabia se tinha sido por causa de alguém cujo paradeiro descobrira por acaso, ou por causa da atmosfera do bar, ou porque era a primeira vez que bebia em muito tempo. A memória tinha apagado, e ele não tinha nem uma lembrança direito. Para recuperar os fragmentos da memória, primeiro precisava voltar a si.
E este lugar.
— ……
Yoon Yejun se levantou num salto. O cobertor que tinha sido puxado até a parte de cima do corpo escorregou. Ele estava sem camisa. Queria entender a situação, mas não conseguiu aguentar por muito tempo com a ressaca que lhe esmagava a cabeça.
Havia um cheiro forte e gorduroso. Yoon Yejun mal conseguiu olhar para o lado.
— Acordou?
O colega de turma Kim Dong-hoon tinha pegado uma mesinha baixa e estava comendo lámen.
Ah…
Era a casa de Kim Dong-hoon. Que alívio. Pensando bem, não era um espaço tão desconhecido assim. Só não era o seu próprio lugar. Só então a tensão do corpo se desfez. Yoon Yejun suspirou profundamente.
— Ugh, ugh…
— Você bebeu muito ontem.
— Ha…
Cobriu a cabeça latejante com a mão, que parecia mais pesada do que o normal. O corpo ainda estava quente. Sentia que uma ressaca terrível ia devorar seu corpo.
— Eu apaguei.
— Parece que sim. Fazia anos que eu não te via bêbado.
Kim Dong-hoon terminou de falar e continuou comendo o lámen. Slurp, slurp… O cheiro gorduroso dava vontade de vomitar. Yoon Yejun não aguentou e mal conseguiu se levantar para abrir a janela ao lado da cama.
— Quer que eu faça lámen pra você também?
— Não precisa…
Kim Dong-hoon, que tinha se levantado, vasculhou as prateleiras. O som dele se movendo chegava aos ouvidos de Yoon Yejun. Rasgou o plástico e apertou o botão do micro-ondas, bip bip. Devia estar pensando em comer arroz com o caldo.
Yoon Yejun, incapaz de se deitar de lado por causa da ressaca dolorosa que sentia pela primeira vez em muito tempo, ficou imóvel, encarando o teto. Se abria os olhos, o teto girava, e se os fechava, sentia que ia vomitar.
Tentou encontrar sua última lembrança.
A última lembrança era…
Só de ter subido ao terraço para fumar. Subiu as escadas cambaleando. Será que ele chegou a ir ao terraço? Será que chegou a fumar? A memória era vaga.
Slurp, slurp. Kim Dong-hoon, que comia o arroz com o caldo, abriu a boca com ela cheia de comida.
— Você conhece o Ki Giyeonghan?
— O quê?
Yoon Yejun perguntou de volta diante do nome familiar que de repente saiu da boca de Kim Dong-hoon. O único Ki Giyeonghan que ele conhecia era uma pessoa.
— Ki Giyeonghan. O de Ciência Política.
— Ah…
Como ele sabia disso? Yoon Yejun soltou uma exclamação baixa e se recompôs. Que diferença fazia? Devia ter dito enquanto bebia.
— Ele disse que você vomitou nele ontem e te trouxe até aqui. Você nunca fica bêbado normalmente, por que estava daquele jeito ontem? Vomitou em toda a roupa dele e fez uma sujeira. O Ki Giyeonghan parecia que ia matar alguém.
— ……
…Tô ferrado.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna