⋅⋆ Capítulo 03
Yoon Yejun. 26 anos, formado no Colégio ◇◇, dispensado com honra do Exército, aluno do terceiro ano do Departamento de Jornalismo e Comunicação Social da Universidade da Coreia. Média geral de 3,89 de 4,5, boas habilidades interpessoais, 4 experiências de namoro. Observação especial: gosta de homens. Tipo ideal: um homem de personalidade calorosa e rosto másculo.
Estilo que ele detestava. Aquele cara.
O homem com quem ele fazia dupla na disciplina de ciências humanas “Gênero e Comunicação” desapareceu depois da aula sem nem um cumprimento protocolar.
Observando aquele homem, Yoon Yejun soltou uma risada vazia. Mas, como se nada tivesse acontecido, arrumou a mochila com sua habitual expressão calma. Juntou o material que havia imprimido do sistema do portal acadêmico e a caneta esferográfica e saiu do auditório. Assim que pôs os pés do lado de fora, deu de cara com seu amigo próximo, Kim Donghoon.
— Ah, Yejun.
O amigo levantou a mão e o cumprimentou. Yoon Yejun também falou com o amigo, que se aproximava dele.
— Você teve aula aqui?
— Tive, ah, que merda. Compreensão de Biblioteconomia, Informação e Digital. Me ferrei completamente na matrícula.
— Por que você fez isso?
Yoon Yejun olhou para o amigo com uma cara travessa, erguendo levemente o canto dos lábios.
— Seu desgraçado. Tá se exibindo porque tem uma grade boa?
Donghoon levantou a voz sem que Yoon Yejun dissesse nada. Yoon Yejun não conseguia entender como alguém se dava mal na matrícula. Era só apertar o botão na hora certa, então por que daria errado? Mas não disse isso em voz alta. O que ele podia fazer?
Yoon Yejun apenas riu e desconversou:
— Que exibição o quê?
Ele não parecia perceber que sua atitude era mais como o sorriso presunçoso de um vencedor.
— Vamos fumar um.
— Beleza.
Os dois se aproximaram da área de fumantes em frente ao prédio de Ciências Humanas. Yoon Yejun, que alternava entre cigarros comuns e cigarros eletrônicos, colocou o cigarro eletrônico na boca. Enquanto apertava o botão do aparelho e esperava, um homem fumando e falando ao telefone chamou sua atenção.
— Você ficou maluco? …Ei, não grita. Sério… Eu não te falei que vou pra casa todo fim de semana? Não consegue falar direito? …Perdeu o juízo? Por que tá querendo me bater de novo? Ei, esquece. Tenta trancar a porta pra você ver. Ei, ei!
Uau…
Yoon Yejun exclamou por dentro.
Era o homem que estava na mesma dupla que ele. A expressão dele era afetada, e ele sempre falava de um jeito torto. Yoon Yejun tinha simplesmente presumido que ele estava contrariado por estar na mesma dupla que ele, mas o homem falava daquele jeito com todo mundo. Não devia ser fácil ter uma personalidade tão ruim. Yoon Yejun anotou as palavras do homem enquanto preenchia o plano de encontro.
Não tenho interesse.
Não gosto.
Por que eu deveria?
Ele era bonito, então Yoon Yejun pensou que ele fosse do mesmo time, mas estava mais para homofóbico. Lembrou-se do homem xingando que era nojento quando o professor disse que não tinha problema fazer dupla com alguém do mesmo gênero. Ele havia sugerido que fizessem dupla num acesso de raiva. Vai se ferrar. Uma pessoa do mesmo sexo, que você odeia tanto, vai fazer dupla com você.
Mas eles realmente acabaram na mesma dupla. Isso era algo que nem Yoon Yejun esperava. Como poderia imaginar que as pessoas já teriam formado duplas entre si?
Se pudesse avaliar as pessoas pela primeira impressão, aquele homem não mereceria nem 2 de 10 pontos. Poderia chegar a 7 pontos só pela aparência, mas a personalidade era terrível, então ele só ficava com 2 pontos pelo rosto.
8 pontos ou mais era o nível para entrar no seu radar de namoro, mas, mesmo que aquele homem de alguma forma conseguisse chegar a 8 pontos, ele recusaria.
Mesmo que fosse homofóbico, pelo menos esconderia isso na universidade por vergonha, mas Ki Giyeonghan era diferente. Yoon Yejun sorriu levemente. Quem era ele para ficar dando nota para as pessoas?
— Argh, sério… Esse desgraçado não me escuta ultimamente.
O homem, com uma expressão irritada, se virou depois de encerrar a ligação. Yoon Yejun, que estava observando as costas dele, desviou o olhar com naturalidade. O homem se aproximou do cinzeiro com o cigarro terminado e jogou o que segurava dentro dele com um peteleco. Então, como se nada tivesse acontecido, foi embora a passos largos.
Yoon Yejun soltou, sem perceber, uma bufada de desdém. O colega que estava fumando a uma curta distância olhou para ele e falou.
— Entrou vento no seu pulmão, foi?
— Você fala igual a um velho.
— Mas por que você tá rindo à toa?
— Ele é muito engraçado.
Apontou com o queixo para as costas do homem. O colega começou:
— Ah. Ele.
— Qual é o nome dele mesmo?
— Não sei.
Infelizmente, Yoon Yejun não sabia o nome do homem. Só se lembrava dele como um babaca bonito, mas grosseiro. Ele não colocava todo mundo no seu radar de namoro, mas aquele homem estava no extremo oposto das suas preferências. Ele odiava gente chamativa. Uma pessoa simples era, de longe, a melhor.
— Ele é do Departamento de Administração Pública. É famoso.
— Por quê?
— Você não sabe porque estava trancado. As épocas devem ter coincidido.
Donghoon coçou o nariz com o dedo indicador. Disse com leveza, como se não fosse nada.
— A personalidade dele é um lixo completo.
Todo mundo parece enxergar direitinho. Yoon Yejun assentiu, concordando.
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— Na aquisição dos papéis de gênero, por meio da observação e da imitação… de acordo com a teoria da aprendizagem social… as crianças…
Gênero e Comunicação não tinha um livro-texto específico. Era uma aula em que se imprimia com antecedência o material disponibilizado no sistema do portal acadêmico e se assistia fazendo anotações sobre o que o professor dizia.
O conteúdo da aula era razoável. Diferente dos irritantes trabalhos em grupo, o conteúdo era basicamente de memorização. Ki Giyeonghan mexia na caneta e inclinava a cabeça, concentrado na tela da apresentação, e então deu uma olhada nos assentos da frente. Embora as pessoas pudessem cochilar numa aula de sociologia, não havia muita gente naquele auditório deitada sobre a mesa ou usando o celular.
Ki Giyeonghan concluiu que o motivo era que eles tinham que se sentar ao lado da pessoa com quem formaram dupla durante o semestre inteiro. Era impossível fazer outras coisas ou cair no sono numa aula em que se tinha que cumprir missões como um casal com um desconhecido do sexo oposto durante um semestre.
Exceto por uma pessoa.
Ki Giyeonghan fulminou com o olhar o homem ao seu lado, que abaixava e levantava a cabeça como uma galinha bicando ração. Não podia ser bonito de ver alguém cabeceando tanto que o pescoço parecia prestes a quebrar.
Não seria uma distração se ele simplesmente deitasse e dormisse, mas o jeito como ele ficava abaixando e levantando a cabeça como uma galinha doente era simplesmente irritante e dificultava a concentração.
— ……
Yoon Yejun abaixou a cabeça mais uma vez e a levantou rapidamente, sobressaltado. Os olhares se encontraram. Ki Giyeonghan ergueu uma sobrancelha e olhou para Yoon Yejun, que estava claramente sonolento, e então o examinou de cima a baixo.
Yoon Yejun sentiu o olhar dele, mas fingiu não perceber. Em vez disso, esfregou os olhos e virou a página para acompanhar o que o professor dizia.
— Ei.
Ki Giyeonghan chamou o homem. Yoon Yejun o encarou em vez de responder.
— Deita e dorme de uma vez.
— …Como é?
— Não, quer dizer, isso distrai, então para de balançar a cabeça e dorme de uma vez. Se não vai estudar, então não estude sozinho, por que está me atrapalhando?
— ……
Yoon Yejun encontrou os olhos de Ki Giyeonghan com um olhar de incredulidade.
— Ha…
Uma risada curta e tardia veio em seguida. Ele abaixou a voz.
— É só ignorar. Sua concentração é tão fraca assim? A ponto de alguém cochilando te distrair?
— ……
— Fico me perguntando como você conseguiu estudar.
Ele é que está me atrapalhando, então por que está fazendo escândalo? Ki Giyeonghan cerrou os dentes.
— É porque você fica me irritando. Por que você veio pra universidade, afinal? Veio só pra ficar de brincadeira?
— Por que está falando comigo sem formalidade? Como alguém sem educação.
— Ah. Acho que a escola onde você estudou deixava você cochilar e atrapalhar os outros durante a aula, né? Não sabe o que é ambiente de estudo? A mãe de Mêncio não se mudou à toa, sabia?
O homem não cedia nem um pouco. Não adiantava conversar. Era inútil se envolver com uma pessoa tão maluca. Yoon Yejun, que havia cultivado a paciência convivendo com inúmeras pessoas em diversos trabalhos de meio período, como atendimento, aulas particulares e trabalho em fábrica, curvou lentamente os olhos e sorriu.
— Desculpa. Eu aprendi errado. Sinto muito, muito mesmo por atrapalhar seus estudos. Não vou mais cochilar, então, por favor, estude.
Apontou para a apostila do homem, demonstrando grande respeito. É claro que era tudo sarcasmo.
O rosto do homem fervia. Ele fazia escândalo até quando Yoon Yejun cedia. Yoon Yejun estalou a língua por dentro enquanto voltava o olhar para o professor. Conhecia bem aquele tipo. Geralmente era o tipo que não cedia para ninguém. Eles davam um jeito de achar defeito e arrastavam a coisa sem fim. Era melhor evitar. Não era que tivesse medo de merda. Só era sujo.
Faltavam 10 minutos para o fim da aula. O professor, que havia terminado a aula antes do previsto, abriu a boca.
— Como consta no plano, a tarefa é a entrega de um relatório, e o tema desta semana é . Bem, quem já se conhece pode fazer como uma encenação de situação… Mas, como a maioria de vocês está se encontrando pela primeira vez, basta se sentarem frente a frente num café e conversarem. Não há limite de tamanho para o relatório, mas gostaria que vocês o escrevessem com foco nas emoções, como eu disse na orientação. E… como a aula é na quinta-feira, entreguem até as 10h desse dia. Não vou aceitar nem que seja um minuto de atraso. Por hoje é só.
O professor terminou de falar e organizou o notebook. Alguns alunos que tinham chegado atrasados à aula se aproximaram do professor. Ki Giyeonghan ficou sentado ali, com o olhar vazio. Estava exausto de tanto se sentir consciente do homem sentado ao seu lado durante toda a aula.
No entanto, Yoon Yejun falou com ele como se tivesse esquecido a disputa de poder de uma hora atrás. Ele virava a página rápido.
— Que horas a gente se encontra amanhã?
Ki Giyeonghan respondeu secamente.
— Vamos resolver isso logo. Vamos nos encontrar às 9h.
— Desculpa, mas eu trabalho até tarde da noite. Dá pra ser um pouco mais tarde?
— Eu estou até abrindo mão do meu dia livre pra vir à faculdade por sua causa, e você não consegue nem decidir um horário? Você é muito egoísta.
— Ah…
Yoon Yejun suspirou abertamente. Ki Giyeonghan sentiu uma pontada na consciência por um breve instante, mas foi só por um instante. Ele já tinha cedido o máximo que podia. Quem sairia numa sexta-feira sem aula só para fazer uma tarefa de poucos minutos?
Yoon Yejun, que estava com os lábios contraídos por um momento, assentiu e levantou a cabeça como se tivesse perdido.
— Tudo bem, vamos fazer assim. Te vejo às 9h. A gente se encontra em frente à faculdade?
— Tá, tanto faz.
Depois de falar, Ki Giyeonghan arrumou a mochila. Não importava para ele se o homem trabalhava até tarde da noite ou não. Assim que arrumou suas coisas, saiu do auditório sem se despedir. De qualquer forma, tinha que ir imediatamente para outro lugar para a aula do seu curso.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna