⋅⋆ Capítulo 01
00. Inverno aos 23
Ki Giyeonghan, 23 anos. Formado no Colégio de Línguas Estrangeiras △△, dispensado com honra da Força Aérea, aluno do segundo ano do Departamento de Ciência Política e Diplomacia da Universidade da Coreia, média geral de 4,37 de 4,5, duas experiências de namoro, nenhum tipo ideal, observações especiais…
— Bem. Ki Giyeonghan é bom em todos os aspectos, mas…
Era a quarta orientação com um professor efetivo em seus quatro anos de vida universitária. Ki Giyeonghan encarava o professor com o rosto inexpressivo. O professor, que havia perguntado repetidas vezes se ele tinha intenção de fazer pós-graduação, acabou optando por apontar defeitos quando não recebeu a resposta que queria.
— Falta a ele habilidade de comunicação.
Velho caquético. Se está velho, aposente-se.
Ki Giyeonghan xingou por dentro, sem responder.
Observação especial: extremamente grosseiro.
— Com quantos colegas de turma da universidade você mantém contato?
— Jeong Jeon-eui, Park Eun-hyun e Lee Yoon-hak.
— Bem… certo. Mas, bem… veteranos e calouros, bem… fazer contatos com veteranos e calouros é muito importante no Departamento de Ciência Política e Diplomacia. Colegas de turma são bons. Eles vão aceitar o Ki Giyeonghan como ele é.
— …Que monte de merda.
Ki Giyeonghan murmurou para si mesmo, mexendo os lábios. Mas o professor, como se fosse algum grande conselheiro, começou um longo discurso e não percebeu os estalos de língua nem os xingamentos de baixo nível de Ki Giyeonghan.
O professor listou incontáveis talentos que haviam trazido honra ao Departamento de Ciência Política e Diplomacia da Universidade da Coreia, terminando por fim se gabando de si mesmo. Com o cabelo ralo, o pouco que restava estava branco; tivesse ele um dia trazido honra ao Departamento de Ciência Política e Diplomacia da Universidade da Coreia ou não, agora não conseguia escapar do destino de um velho enfurnado numa sala, a apenas cinco anos da aposentadoria. Esse professor se agarrava a Ki Giyeonghan para estender sua influência até o último instante, mas as coisas não saíram como ele queria.
— Desde dois anos atrás, bem… aquele, meu aluno, bem, ele entrou como professor associado e começou a lecionar, e a receptividade tem sido muito boa. Isso é… bem.
Ki Giyeonghan apertou os olhos com força. Merda, aquele “bem, bem”. Era como se ele não conseguisse continuar falando sem dizer “bem”. Ele estava prestes a decidir que, se o professor dissesse “bem” mais uma vez, simplesmente se levantaria e iria embora.
— É uma disciplina chamada “Comunicação Performática”. Já ouviu falar?
Ao ver o professor terminar a frase com habilidade sem dizer “bem” nem uma única vez, bem no momento de sua resolução, Ki Giyeonghan ergueu um canto da boca de forma torta. Ele já estava sentado com o corpo bem inclinado para trás. Comunicação é boa, né? Então ele não deveria entender o significado das suas atitudes agora? Mesmo com ele emanando do corpo inteiro uma aura de “não quero falar com você”, o professor não pensava em deixar Ki Giyeonghan ir. Ki Giyeonghan manteve o rosto inexpressivo e respondeu.
— Não. Nunca ouvi falar.
— Essa é… essa é a melhor disciplina eletiva da Universidade da Coreia. É muito elogiada… Ele fez o mestrado e o doutorado comigo… Você provavelmente vai saber quem é se eu disser o nome. Professor Lee Han-woo.
Ele definitivamente nunca tinha ouvido falar dele.
O método de Ki Giyeonghan para montar a grade de eletivas era parecido com o de todos os universitários. Primeiro, ele encaixava as disciplinas do curso e, depois, no tempo restante, encaixava matérias que mais ou menos batiam com o horário e eram razoavelmente interessantes, como se estivesse jogando Tetris. Ele queria passar o menor tempo possível na faculdade e terminar as aulas rápido, um verdadeiro universitário do século XXI.
— Enfim, para alunos como o Ki Giyeonghan… que são um pouco desajeitados para se comunicar com as pessoas… fazer essa disciplina vai… bem…
Ki Giyeonghan sorriu radiante. Encarou o professor com um sorriso límpido.
— Professor, eu tenho aula de eletiva, então vou me levantar primeiro.
Então ele se levantou da cadeira, pegou a mochila que tinha deixado ao lado e saiu. Assim que saiu da sala mofada do professor, com cheiro de velho, ele xingou.
— Que merda. Sério.
Depois de deixar o prédio dos professores, foi até a área de fumantes localizada no canto do edifício. Diferente do que se esperaria de uma universidade de prestígio, bitucas de cigarro e lixo estavam espalhados por todo lado, sem que ninguém limpasse. Ele não se importou muito e colocou um cigarro na boca.
Depois de girar a roda do isqueiro para acendê-lo, levou a chama até a ponta do cigarro. A fumaça que penetrou da boca até a garganta foi rapidamente expelida pela boca. Sua respiração também saía junto.
Estava frio a ponto de fazer os dentes baterem. Ki Giyeonghan, que era cheio de reclamações sobre tudo, enfiou as mãos nos bolsos com o cigarro na boca, dizendo que estava um frio do caralho. Ele repetia o ato de inspirar e expirar como um peixinho dourado num aquário. Bem quando ele pensava que estava bom porque não havia ninguém ali, um grupo de alunos saindo do prédio dos professores se aproximou da área de fumantes.
— Eu tô de saco cheio das broncas daquele professor maluco.
— Droga! A gente tem que pagar pra levar bronca?!
Ki Giyeonghan concordava cem vezes com as palavras daqueles homens desconhecidos.
— Ei, Yejun.
Eles brincavam uns com os outros e então se dirigiram ao homem do meio. Ki Giyeonghan o examinou de cima a baixo com o cigarro na boca. A cor da pele dele era um pouco mais escura que a dos homens amarelados ao redor, que pareciam ter icterícia. Parecia cacau com bastante leite. A pinta sob o olho era discreta. Ele segurava um cigarro eletrônico em uma das mãos.
— Ele só paparica o Yejun. E não é coisa de um ou dois dias. Ei, vai fazer pós.
— Do que você tá falando.
O homem sorriu, curvando os olhos lindamente. Ki Giyeonghan, que estava encostado no corrimão da escada, repetindo o ato de inspirar e expirar a fumaça do cigarro, soltou a fumaça em linha reta.
— Por que o professor só me paparicaria? Todos nós somos igualmente discípulos dele.
Ele está fingindo ser tão bonzinho. Pensou, olhando para o homem que abaixava os olhos como se estivessem curvados.
— ……
— ……
O homem virou a cabeça. Os olhos dele encontraram os de Ki Giyeonghan. Ki Giyeonghan não se abalou e tirou o cigarro da boca, prendendo-o entre o indicador e o dedo médio. Jogou o cigarro no cinzeiro cheio de sujeira com um baque. O homem abaixou e ergueu levemente o olhar, como se o cumprimentasse. Então trocou olhares com os amigos. Ki Giyeonghan enfiou as mãos nos bolsos.
Melhor eu ir pra casa.
Era o último dia do segundo semestre. O tempo estava sombrio e terrivelmente frio. Ki Giyeonghan, que caminhava em direção ao estacionamento, andou com passos firmes e então se virou. Os homens que dividiam cigarros já tinham ido embora. Ele ficou olhando fixamente para a área de fumantes, onde não restava ninguém.
A impressão do homem cujo olhar havia cruzado com o seu pouco antes estava bastante nítida.
— Por que o professor só me paparicaria? Todos nós somos igualmente discípulos dele.
Odeio gente assim. Gente que finge ser boazinha, achando que é alguma coisa especial.
Então ele voltou a caminhar. Em vez de ir para o seu estúdio, deveria ir para a casa dos pais, encher o saco do seu único irmão mais novo, Ki Young-hyun, e beber cerveja. Era o único hobby de Ki Giyeonghan, de 23 anos.
1 – Primavera aos 24 𝑷𝑳𝑼𝑽𝑰𝑶𝑷𝑯𝑰𝑳𝑬
01. Vinte e Quatro, Primavera
Ki Giyeonghan frequentemente se lembrava do professor que havia lhe recomendado uma disciplina de ciências humanas, alegando sua falta de habilidade de comunicação.
Pensou nele com mais frequência ainda depois de fechar sua grade de disciplinas. Era como se as palavras do professor tivessem sido uma profecia, pois ele acabou se matriculando em “Comunicação Performática”.
Não houve um motivo em particular. Enquanto navegava à toa pelo site de matrícula, com o queixo apoiado na mão, a disciplina “Comunicação Performática” que o professor havia mencionado chamou sua atenção. Ela tinha ficado no seu subconsciente, e o título era longo. Ele clicou nela com uma expressão vazia, com a intenção apenas de verificar o horário da aula.
A aula era às quintas-feiras, uma vez por semana, por três horas seguidas e, por sorte, das 12h às 15h, perfeitamente encaixada entre as disciplinas do seu curso. Parecia que os céus estavam o ajudando a encaixar as peças do Tetris, então não havia motivo para não se matricular.
Ele conseguiu se matricular em “Comunicação Performática”, que ocupava o primeiro lugar em popularidade entre as disciplinas de ciências humanas da Universidade da Coreia, sem muito esforço. Dizem que, se as coincidências continuam acontecendo, é destino. Era exatamente isso.
A sala de aula era a Sala Rosa de Saron, no primeiro andar do prédio de Ciências Humanas. Era uma estrutura em declive, em que se ficava mais perto do professor à medida que se descia os degraus. Havia pouco mais de 100 alunos matriculados na disciplina.
Ki Giyeonghan deu uma olhada ao redor e se acomodou num lugar no meio da sala. Ele não era do tipo que puxava o saco do professor para cair nas graças dele, e detestava quem se esparramava no fundo, mexendo no celular.
Ki Giyeonghan colocou a mochila no assento ao lado e passou o tempo à toa. Era uma pena que o plano de ensino não estivesse preenchido. O Ki Giyeonghan de antes teria xingado o professor irresponsável e escolhido outra disciplina, mas imaginou que devia haver um motivo para a disciplina ser popular, então decidiu deixar passar por enquanto.
Tirou o celular do bolso. Havia muitas mensagens. Seus colegas de turma do Departamento de Ciência Política e Diplomacia, que faziam parte do centro acadêmico, estavam mandando mensagens, insistindo para que ele fosse à festa de abertura e ao evento de boas-vindas aos calouros.
Eles estavam desesperados para pegar garotas. Ki Giyeonghan leu todas as mensagens que começavam com “Giyeonghan-ah” e as ignorou. Então, um nome familiar chamou sua atenção na janela de mensagens.
Ki Young-hyun
[Hyung, você vai vir pra casa essa semana?]
11:57
Era o único irmão mais novo de Ki Giyeonghan, Ki Young-hyun. Ele estava no último ano do ensino médio naquele ano e, de um jeito que não combinava com ele, era um cara corpulento, de porte robusto, que tinha namorado. O lamentável era que Ki Young-hyun também era homem.
Ki Giyeonghan vinha vivendo com o lema de não se meter na vida dos outros, mas se perguntava por que não conseguia fazer isso com o irmão. Sem perceber, franziu a testa e digitou no teclado.
Eu
Por quê.
12:01
Ki Young-hyun
[Não… É que a mãe e o pai vão viajar dessa vez, então….]
12:01
Faltava o sujeito da frase, mas ele parecia saber do que se tratava. Ki Giyeonghan soltou um palavrão sem hesitar.
— Esse desgraçado ficou maluco?
Eu
Vou pra casa.
12:02
Vá estudar.
12:02
Ki Young-hyun
[É hora do almoço….]
12:02
Um emoticon chorando voltou rapidamente. Um cara se fazendo de fofo.
Ki Giyeonghan virou o celular com uma expressão vazia. Nesse momento, o professor entrou na sala de aula. Ele era jovem para um professor, especialmente em comparação com os mais velhos. No máximo, estava no fim dos 30 anos. Mesmo assim, era muito mais jovem do que os professores que praticamente estavam com o pé na cova.
— Tem bastante aluno.
Disse o professor, de pé diante do púlpito, olhando ao redor da sala. Ki Giyeonghan também deu uma olhada ao redor, acompanhando o olhar dele. Mas logo abaixou os olhos com uma expressão desinteressada.
— Como esta é uma aula de comunicação, vamos chamar os nomes de vocês em vez de usar a chamada eletrônica. São muitos alunos, mas não deve ter problema, certo?
— Siiim…
Uma resposta sem entusiasmo voltou. O professor estendeu uma pilha de papéis que havia trazido.
— Por favor, passem para trás.
Os alunos se entreolharam e passaram os papéis. Ki Giyeonghan também recebeu uma folha. Era o plano de ensino da disciplina.
Objetivos da Disciplina
1. Compreender a Comunicação Performática
2. Compreender o romance ideal e os papéis de gênero na sociedade atual, e aprender visões desejáveis sobre o afeto.
Semana 1 Orientação
Semana 2 Compreendendo a Comunicação Performática
Semana 3 Papéis de Gênero na Sociedade Moderna (Plano de Encontro)
Semana 4 Relacionamentos e Comunicação (Primeiro Contato)
•
•
•
Era um plano de ensino típico, do tipo que se vê numa disciplina de ciências humanas. Mas Ki Giyeonghan franziu a testa. Mesmo que o sumário fosse assim, as palavras escritas entre parênteses — Plano de Encontro, Primeiro Contato, Conhecendo um ao Outro, Primeiro Encontro — eram perturbadoras.
O que Ki Giyeonghan mais odiava na universidade eram trabalhos em grupo. E aquilo obviamente seria sobre trabalhos em grupo. A flecha imediatamente apontou para o professor que havia lhe recomendado a disciplina. Me recomendar uma aula dessas? Ele ouviu vozes cochichando atrás dele.
— Ouvi dizer que o pessoal que faz essa disciplina namora de verdade.
— O trabalho em grupo é mesmo sair em encontros?
Cochichos e mais cochichos. Ki Giyeonghan apertou os olhos com força. Afrouxou a mão que segurava o plano de ensino. Jogue fora. Como uma coisa dessas podia ser uma disciplina popular? O mundo devia estar enlouquecendo.
Ele precisava trancar a disciplina. Ki Giyeonghan decidiu sem a menor hesitação.
— Vou fazer a chamada.
O professor chamou os nomes um por um. Quando chamou “Ki Giyeonghan”, ele respondeu casualmente:
— Sim.
Ele odiava trabalhos em grupo, e odiava ainda mais tarefas que exigiam interação cara a cara. E, para piorar, namoro? Era o pior. Sua sorte estava péssima desde o primeiro dia do semestre. Dizem que começar bem é meio caminho andado, mas ele concluiu instintivamente que aquele semestre seria o pior.
Foi então que aconteceu.
Nhéééc… A porta dos fundos da sala se abriu com um som desagradável. O professor continuou chamando os nomes dos alunos. Ki Giyeonghan virou a cabeça com uma expressão descontente para ver quem tinha entrado. No momento em que olhou para aquele rosto, a voz de alguns meses atrás passou como um relâmpago pelos seus ouvidos.
— Por que o professor só me paparicaria? Todos nós somos igualmente discípulos dele.
Era o homem que havia dito exatamente aquelas palavras enquanto fingia humildade. Ele conseguia se lembrar dele porque o rosto se destacava em comparação com os outros alunos. Ele era bem bonito. Em outras palavras, tinha um rosto difícil de esquecer depois de visto.
Da cor de cacau claro.
Depois de fazer essa avaliação do homem, Ki Giyeonghan voltou a olhar para a frente. E olhou para o professor, que ainda chamava os nomes dos alunos.
Tum, tum… O som de passos foi se aproximando. Mesmo sentindo a presença de alguém, Ki Giyeonghan não se virou. Ele podia sentir alguém parado perto dele, mas Ki Giyeonghan só olhava para o professor. Por mais alunos que houvesse, havia muitos lugares vazios. Ele não queria ter outra pessoa ao seu lado.
— Com licença, a mochila….
Mas, num momento terrível, o homem disse em voz baixa. De todos os lugares, ele tinha que sentar justo no meio. Deveria simplesmente ter ficado no fundo, já que ia trancar a disciplina de qualquer jeito. Ki Giyeonghan lançou um olhar para o homem e tirou a mochila.
— Obrigado.
A voz do homem vinha misturada com uma respiração ofegante. Ele devia ter vindo correndo. Ki Giyeonghan virou a cabeça para o lado oposto, com receio de sentir cheiro de suor. O homem que se sentou abanou a roupa. Toda vez que fazia isso, um aroma doce se espalhava. Ele devia usar muito amaciante.
— Yoon Yejun.
— Sim.
O homem levantou a mão e respondeu.
O nome do homem era Yoon Yejun. Ele tinha uma aparência bem marcante, mas o nome era suave e arredondado. Mas, como não ia vê-lo de novo mesmo, Ki Giyeonghan não pensou muito nisso.
Logo, a chamada terminou. O professor fez uma piada com um rosto bem-humorado.
— Tem tanta gente que fica difícil fazer a chamada. A partir da próxima aula, vamos alternar começando pela frente e pelo fim. Ouvi dizer que os colegas de sobrenome Kang têm muitas reclamações.
Depois da piada, ele logo começou a explicar o plano de ensino. Como estava escrito, era uma orientação, já que era a primeira aula. Os alunos riam toda vez que o professor falava, como se fosse muito engraçado. Era só uma piada típica de professor. Ki Giyeonghan colocou o plano de ensino sobre a mesa com uma expressão vazia e passou o tempo à toa.
— Como vocês podem ver, até a próxima aula, depois de hoje, vocês precisam formar duplas. Vocês sabem que tipo de dupla, certo? Esta é uma disciplina bem famosa na nossa universidade.
Ele ouviu vozes murmurando. Ki Giyeonghan permaneceu imóvel mesmo assim. Ia trancar a disciplina de qualquer jeito. Não se importava.
— As pessoas que formarem dupla nesta disciplina serão um casal até o fim do semestre. Só por precaução, se houver casais, ou pessoas que vieram sozinhas enquanto o namorado ou a namorada faz outra turma, tranquem a disciplina. Vocês não vão tirar uma boa nota se forem pegos.
— …….
— Além disso, para o caso de a proporção entre os gêneros não bater, casais do mesmo sexo também são permitidos. Vocês sabem que estamos no século XXI, certo?
Os alunos riram de novo da piada. Ki Giyeonghan, que não fazia ideia do que era tão engraçado, murmurou para si mesmo.
— Nojento, sério….
Ele não se importava se o irmão mais novo, Ki Young-hyun, namorava um homem ou não. Mesmo assim, Ki Giyeonghan era uma pessoa normal que tinha levado uma vida normal. Na verdade, quando o irmão lhe contou que estava namorando um homem, ele ficou bastante chocado, mas fingiu que estava tudo bem. Pensou que era possível, já que ele ainda era um estudante do ensino médio, que estava só passando por uma fase, e que, se ele se opusesse, o irmão poderia ficar ainda mais rebelde, então, por enquanto. Sim, por enquanto.
— …….
Ki Giyeonghan se recostou na cadeira, inclinou a cabeça para trás e olhou para o teto. Esperava que a aula acabasse logo. E, não muito depois, o professor, que havia terminado de explicar o plano de ensino, chamou a atenção dos alunos dizendo “Muito bem!”.
— Vou liberar vocês mais cedo hoje. Mas não saiam direto, formem as duplas antes de ir. Vocês não vão ter tempo de se encontrar separadamente lá fora. Então, por hoje é só. Até a semana que vem.
— Obrigado.
O professor olhou ao redor da sala com uma expressão curiosa e saiu sem hesitar. Ki Giyeonghan pegou com uma das mãos o plano de ensino que estava segurando. Yoon Yejun, que estava sentado ao seu lado, já se dirigia para a porta dos fundos da sala. Ele era rápido. Ki Giyeonghan estava prestes a se levantar da cadeira quando a mulher sentada à sua frente virou a cabeça.
— Você já decidiu sua dupla?
— Não. Não vou fazer a disciplina.
— Ah….
Ki Giyeonghan respondeu sem hesitar. Então, quando estava prestes a sair da sala, ouviu mais uma voz o detendo, dizendo “Com licença”.
— Você já formou dupla?
— Não. Vou trancar a disciplina.
Ele mal conseguiu sair da sala. Jogou o plano de ensino que segurava na lixeira ao lado da sala. Não precisava dele, já que ia trancar a disciplina de qualquer jeito. Será que devia ir fumar um cigarro?
Saiu do prédio e se dirigiu à área de fumantes. Acendeu um cigarro e o mordiscou. Que disciplina deveria fazer? Haveria alguma disciplina de ciências humanas decente disponível no site de matrícula? O horário tinha que bater. Ele não queria vir à faculdade às sextas-feiras. Estava perdido em pensamentos, de cabeça baixa.
Soltou uma baforada de fumaça. Ao mesmo tempo, ouviu uma voz.
— Com licença.
Não era a voz aguda que ele vinha ouvindo até agora há pouco.
— …….
Ki Giyeonghan levantou a cabeça, que estava abaixada, mantendo a testa franzida. Inclinou a cabeça e cruzou o olhar com ele. Yoon Yejun. Lembrava-se dele porque o nome era suave e arredondado, diferente da aparência. Encarou o homem, uma cabeça mais baixo que ele, com um olhar que dizia “O que você quer?”. O homem perguntou num tom calmo.
— Você já decidiu sua dupla?
Que porra esse cara está dizendo?
Ki Giyeonghan endireitou a cabeça inclinada. Colocou o cigarro que segurava na boca e soltou a fumaça. Então o jogou no canteiro feito para ser usado como cinzeiro. O cigarro se apagou no canteiro cheio de areia. Ki Giyeonghan piscou e encarou o homem.
— Eu?
— Sim.
— Você está perguntando se eu já decidi minha dupla?
— Sim.
— Eu sou homem.
Sua boca estava seca. A testa franzida de Ki Giyeonghan não se desfez. Com certeza o homem à sua frente sabia que ele era homem. Assim como ele sabia que a pessoa diante de si era um homem.
— Sim. Eu sei. O professor disse que não tem problema ser um casal do mesmo sexo.
Mas que porra é essa….
Ki Giyeonghan ficou tão atônito que não conseguiu nem responder. O homem perguntou de novo.
— Se você ainda não decidiu, vamos ficar na mesma dupla.
— Não. Vou trancar a disciplina.
— Ah, entendi…
O homem assentiu como se estivesse decepcionado. Então inclinou levemente a cabeça e foi embora.
— Hã….
Ki Giyeonghan ficou olhando, atordoado, para as costas do homem que se afastava. Que porra é aquele cara? Um palavrão escapou involuntariamente de seus lábios. Ele é gay? Por que tem tanto gay ao meu redor? Eu ainda estou lutando para aceitar meu irmão. O mundo que ele de repente havia descoberto se abateu sobre Ki Giyeonghan como uma onda.
Mas ele logo se recompôs. Preciso ir para a aula do meu curso. Que azar o meu. Ele nunca tinha passado por nada parecido antes.
── ⋆⋅𖤓⋅⋆ ──
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna