❖ Mind Your Loved One, 01.2
❖ Mind Your Loved One, 01.2
Diferente do início um tanto estranho, a tarde no Richmond Park passou de forma agradável. Jen ficou muito surpresa ao saber que, embora Alex tivesse vivido em Londres a vida toda, aquela era sua primeira vez no parque, e passou a guiar o grupo como alguém que já estivera ali dezenas de vezes.
Antes de irem andar de barco, caminharam pelo enorme parque. Ao contrário de Nathan, que bebia cerveja sem álcool por estar dirigindo, ou de Alex, que bebia apenas uma cidra fraca, as duas mulheres já estavam animadas.
Jen mostrou a Isabella Plantation e guiou o grupo dizendo que conhecia um lugar estratégico. Enquanto iam para o melhor local para ver os cervos, Alex também acabou ficando um pouco animado.
Era embaraçoso dizer, mas fazia muito tempo que ele não via animais além de cães e gatos.
Detetives de outros departamentos diziam que às vezes viam animais bizarros por causa de casos, mas Alex ainda não tivera essa experiência. Desde que fora ao zoológico de Londres uma vez quando criança, não visitara espaços assim. Ele não tinha esse luxo.
Ah, claro, ele vira muitas raposas. Em Peckham, onde Alex morava, havia vários lugares onde raposas viviam em grupos. Raposas magras e de aparência feroz não eram animais tão difíceis de ver no centro de Londres, junto com os cisnes.
Como Jen garantira, o grupo logo encontrou um rebanho de cervos. Depois de passar pelos majestosos gamos e caminhar bastante até ver os cervos-vermelhos, Alex ficou tão feliz que era difícil esconder. Nathan o observava fixamente e, ocasionalmente, acariciava seu cabelo.
O tempo esquentou muito e, após darem a volta no parque imenso, Alex sentiu-se cansado. Quando Jen demonstrou cansaço, Anna a carregou nas costas e foram para os barcos.
Não era um local de passeio de barco profissional como Cambridge ou Oxford, mas era o suficiente para sentir a brisa do rio. Nathan disse que remaria, mas Alex o impediu. Não poderia deixar o lindo e pálido Nathan se esforçar.
Diante da insistência de Alex, Nathan fez uma expressão de quem cedia e entregou os remos a ele. Alex remou com todo o seu empenho.
Após circularem o rio adequadamente, pararam em um café. Era um lugar rústico e bonito que parecia ter saído de uma fantasia de Tolkien. Enquanto comiam chá preto e sobremesa no Hollyhock Café, o céu começou a ficar tingido de vermelho. A luz que fluía pelas nuvens parecia um rio cor de púrpura.
— Foi divertido, veterano!
Quando Jen começou a sentir sono, todos se prepararam para partir. Anna, que apoiava ela já meio adormecida por ter bebido bastante, despediu-se alegremente. Enquanto esperavam juntos por um táxi, Anna disse sorrindo:
— Uau, quem diria que eu faria um passeio desses com o veterano. Vou ter que me gabar para o veterano Matthew.
Alex olhou para ela com estranheza, pois ela falava como se tivesse realizado uma tarefa extremamente difícil.
— Por quê?
— Durante todo o tempo de trabalho, você quase nunca aparecia em reuniões, veterano, você só trabalhava. Os colegas ômegas que gostavam de você sempre ficavam lamentando por isso…
Ao chegar nesse ponto, Anna arregalou os olhos. Sentindo um olhar gélido, Alex virou-se levemente e viu Nathan observando fixamente. Ele tinha um rosto assustador. Era a expressão que ele fazia antes de dar uma bronca em Alex.
— Opa, o táxi chegou. Então, tchau! Foi divertido hoje, vocês dois. Força, veterano!
Anna entrou rapidamente no táxi que chegou no momento certo. Após se despedir das duas, que acenavam enquanto a porta se fechava, Alex virou-se sem jeito. Então, segurou suavemente a mão de Nathan.
— N-nós também vamos? Você está cansado?
Durante o tempo que passara com Nathan, ele também desenvolvera um pouco de percepção. Para Alex, que tinha dificuldade em relações humanas fora do trabalho, aquilo era um grande avanço.
Especialmente na parte relacionada ao romance, ele dera um salto enorme. Por exemplo, ele chegara ao nível de perceber que o que Anna dissera incomodara Nathan. E também ao nível de tentar um pequeno contato físico para acalmá-lo.
Quando Alex entrelaçou os dedos cautelosamente, Nathan olhou para baixo. Após observar a mão unida em silêncio, ele abriu a boca.
— Você está cansado?
Alex sentiu-se aliviado por ele não perguntar imediatamente sobre o que Anna dissera. Para ser sincero, ele não sabia de nada daquilo, então sentia-se um pouco injustiçado por ter que se policiar, mas como teria o mesmo ciúme se fosse o contrário, não disse nada.
— Sim! Acho que remei com força demais.
Embora não estivesse nem um pouco cansado, Alex mentiu desajeitadamente. Nathan ergueu levemente as sobrancelhas e o examinou. Logo, levantou a mão para arrumar o cabelo de Alex que fora bagunçado pelo vento e disse:
— Por isso eu disse que eu remaria.
— Mas você veio do trabalho, está cansado.
Ao olhar para ele preocupado com o que acabara de dizer, o rosto de Nathan relaxou. Um sorriso que não aparecera o dia todo surgiu levemente naquele rosto pálido. Seus olhos habitualmente inexpressivos se curvaram suavemente, o que era lindo.
Como ele não sorrira em momento algum, Alex ficara preocupado achando que só ele estava se divertindo, mas vendo aquilo, sentiu que fora melhor ele não ter sorrido. Pois Jen ou Anna poderiam ter se apaixonado por ele.
— Vamos para casa.
Nathan riu baixo e o puxou. Caminhando no mesmo ritmo, os dois seguiram lentamente até onde o carro estava estacionado. O ar devidamente resfriado, o som das conversas distantes das pessoas…
Estava perfeitamente calmo.
Talvez fosse um momento que Alex nunca teria desfrutado se não fosse por Nathan. Ele sempre pensava nisso: Nathan era como um milagre. Apenas por ver o rosto dele, Alex tornava-se a pessoa mais feliz do mundo. Ele mal conseguia acreditar que chegara o dia em que caminharia com tal ser ao seu lado.
Embora estivesse melhor do que quando começaram a namorar, Alex ainda sentia medo às vezes, questionando se merecia tal sorte. Quando ele apertou a mão unida sem querer, Nathan falou:
— Foi divertido hoje?
Ao olhar para o lado, viu Nathan observando-o. Ele tinha o rosto de quem pensava profundamente em algo.
— Sim, foi muito bom.
— Se eu soubesse que você gostava de se divertir com todo mundo, teria feito isso antes. Eu não sabia que você gostava desses lugares…
Nathan parecia estranhamente estar se culpando. Como Alex não sabia que ele pensaria assim, apressou-se em gesticular negativamente.
— Não, realmente não.
Ele continuou apressadamente. Ficou preocupado achando que Nathan pudesse ter ficado triste.
— Para mim, basta ter você. Não que eu não goste de sair com todo mundo, mas foi bom porque você estava lá. Então…
Seria bom se houvesse uma frase que expressasse plenamente seu coração. É muito difícil transformar emoções transbordantes em linguagem refinada. Alex costumava pensar que, se fosse alguém que falasse bem, talvez fizesse Nathan mais feliz. Como agora.
— Foi bom apenas porque foi a minha primeira vez com você. Não é que o significado esteja na “primeira vez”, mas sim porque a pessoa com quem estou é você…
Enquanto Alex se esforçava para continuar falando, Nathan sorriu suavemente. A imagem de Nathan sorrindo com as sobrancelhas levemente franzidas gravou-se em seus olhos.
— Você é realmente…
Nathan aproximou-se e abraçou sua cintura. Alex foi apertado contra o peito dele.
— Tão adorável que chega a ser enlouquecedor. A ponto de eu me perguntar como pode existir alguém como você no mundo.
As mãos bonitas e grandes pressionaram suas costas com força. A pressão adequada trouxe uma sensação excitante. Ao retribuir o abraço, Alex encostou a testa no pescoço dele.
— Eu te amo.
Ao sussurrar baixo, Nathan riu baixinho.
— Eu também, muito.
Nathan desfez um pouco o abraço e sussurrou enquanto mexia no cabelo de Alex. Atrás dele, o rio vermelho fluía no céu. Aquela cena por si só era bela. Se houvesse um momento que ele quisesse que fosse eterno, seria hoje. Era uma paisagem assim de arrebatadora.
— Vamos passear muito de agora em diante. Vou dar um jeito de arranjar tempo e farei você fazer tudo o que não pôde. Vou te mostrar o que você ainda não viu. Vamos ver coisas ainda mais belas do que os cervos.
Alex amava tanto, tanto Nathan falando calmamente assim. De uma forma difícil de controlar.
— Sim, eu adoraria!
A emoção transpareceu na voz animada. Nathan soltou uma risadinha diante da resposta vigorosa e voltou a caminhar. Assim, os dois seguiram novamente para o carro.
No caminho para casa, Alex acabou dormindo um pouco. De Richmond, nos arredores de Londres, até Shoreditch, levava cerca de uma hora. Ele certamente estava falando com Nathan sobre animais que ainda não vira, mas quando deu por si, haviam chegado em casa. Ao ver a garagem, que agora lhe era mais familiar do que qualquer outro lugar, seu corpo amoleceu.
— Acordou?
Quando abriu os olhos, Nathan perguntou.
— Sim… Desculpe, eu não queria dormir.
— Tudo bem. Se estiver com sono, vamos entrar e dormir.
Ao ouvir a voz pausada e carinhosa, a moleza aumentou. Nessas horas, Nathan parecia mesmo o mais velho.
Ou talvez Alex estivesse agindo de forma muito infantil. Mas não tinha jeito. Nathan fora a primeira pessoa em sua vida que o aceitara desse jeito, então, estranhamente, diante dele, Alex às vezes sentia vontade de fazer manha como se tivesse voltado a ser criança.
Alex assentiu contendo um bocejo. Nathan soltou uma risadinha. A mão estendida bagunçou o cabelo dele e se retirou. Após estacionarem, entraram em casa. Ao se deparar com o corredor que sempre tinha a temperatura ideal e um aroma agradável, o sono sumiu um pouco.
— Tenho um assunto rápido para resolver. Vou fazer isso. Tome banho primeiro e vá dormir.
Nathan disse enquanto deixava a chave do carro no aparador e seguia para o sofá da sala.
— Sim, entendi.
Embora tivesse respondido assim, sentia um vazio estranho. Como se tornara natural tomarem banho juntos sempre que estavam em casa, Alex hesitou em subir para o segundo andar. No entanto, Nathan parecia realmente ter trabalho a fazer, pois já pegara o notebook sobre a mesa da sala.
Observando aquela cena, Alex finalmente se moveu. Ele sabia que Nathan estava sendo atencioso por estar com sono, mas a ausência da-daquilo que sempre acontecia era um pouco estranha. A ponto de fazer parecer mentira que ele às vezes achava aquilo exaustivo.
Talvez por causa disso, Alex acordou completamente enquanto tomava banho. Seus olhos ficaram bem abertos. Graças ao cochilo curto, o cansaço parecia ter sumido e seu corpo estava até leve.
Alex terminou rapidamente o banho que normalmente levaria bastante tempo. E, por um motivo que não sabia, lavou minuciosamente até as partes que lhe dava vergonha de nomear. Secou o cabelo de qualquer jeito, vestiu apenas o roupão e saiu logo do banheiro.
Primeiro, verificou o quarto. Mas Nathan não estava lá. Após uma busca rápida por todo o segundo andar, pareceu que ele tomara banho no banheiro externo. Ao ver o vapor d’água restante, Alex ficou um pouco murcho.
“Ele realmente quer apenas que eu durma…?”
Ele até tomara banho e Nathan não estava no quarto; devia estar muito ocupado. Então, não deveria atrapalhá-lo.
Embora pensasse assim, quando deu por si, já estava descendo para o primeiro andar. “Não posso”, pensava, mas já descera toda a escada. Ao espiar, viu Nathan usando apenas um roupão enquanto olhava para o notebook. Seu rosto, observando a tela sem expressão, era novamente impressionante.
A mandíbula marcada somada à pele branca criava uma impressão bela e ao mesmo tempo viril. O nariz reto era mais perfeito do que o de qualquer modelo ou ator, tornando compreensível por que Jen fizera o convite.
Observando-o em silêncio, Alex não conseguiu resistir. Aproximou-se cautelosamente de Nathan e sentou-se ao lado dele no sofá.
Nathan, que certamente o vira chegar, só virou a cabeça depois que Alex se sentou ao seu lado.
— Não dormiu e desceu?
Alex balançou a cabeça rapidamente.
— Não estou com muito sono. Como dormi agora há pouco, estou bem.
Ao enfatizar que estava bem, Nathan riu baixinho. Mas não tirou o notebook do colo.
— Você deve estar cansado, descanse mesmo assim.
Após bagunçar levemente o cabelo de Alex, Nathan voltou o olhar para o notebook. Foi só isso. Nathan, que nunca o deixava em paz após um banho, agia como se tal coisa nunca tivesse acontecido.
Alex ficou confuso. Tudo o que ele podia fazer era piscar os olhos e observar o corpo branco de Nathan revelado entre a abertura do roupão.
Ao ver o peito com curvas sutis e o abdômen perfeito levemente visível, ele sentiu algo estranho. Seu corpo esquentou um pouco. Inconscientemente, fechou as mãos em punho sobre as coxas. Engoliu em seco.
“O que eu faço?”
Imaginação perigosa surgiu na mente de Alex. Para ser sincero, Alex só tentara tomar a iniciativa no início do relacionamento. Fora difícil agir ativamente depois que ele, inesperadamente, assumira aquele papel. Pois um Alfa ser… su-submetido por um Beta… não parecia ser comum. Mesmo que fosse comum, ele nunca vira.
Por isso, até agora, ele não conseguira tomar a iniciativa. Claro que, quando começavam, ele também pedia com frequência para continuar, mas o início era sempre Nathan.
Mas não seria necessário mudar um pouco agora? O aniversário de Nathan seria em uma semana, então, até para o presente surpresa daquele dia, ele precisava se tornar um pouco habilidoso.
“…Tudo bem eu começar, não é? Ele não vai odiar, vai?”
Ao pensar nisso, seu baixo ventre ficou tenso. Ele não tinha lembranças de ter tomado a iniciativa de chupar Nathan por conta própria. Quando o tocava por acaso, Nathan não aguentava e o atacava, então Alex não o tocava primeiro nem com as mãos. Pensando bem, ele apenas recebia demais.
Hoje era a vez dele.
Após tomar a decisão, Alex observou Nathan mais uma vez. Ele parecia realmente concentrado nos textos densos na tela do notebook. Ao ler uma ou duas frases, pareceu ser um relatório. Alex desviou o olhar rapidamente, intimidado pelos termos médicos onipresentes. Então, a abertura do roupão entrou em seu campo de visão.
“Eu consigo!”
↫─ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna