❖ Mind Your Loved One, 01.1
❖ Mind Your Loved One, 01.1
1.
O som das cigarras tornava-se mais barulhento a cada dia. O tempo, que ocasionalmente apresentava variações de temperatura, agora abraçava um calor pleno, e o solo sob o sol escaldante chegava a queimar. A chuva e o vento persistentes que marcaram o inverno e a primavera haviam desaparecido sem deixar vestígios.
Alex protegeu os olhos com a mão para escapar da luz intensa. Era sábado, uma da tarde; um dia claro, sem uma única nuvem de penugem no céu. Um calor suave aderia por baixo de sua camisa branca.
Hoje, pela primeira vez na vida, ele havia saído para passar um fim de semana de verdade com outras pessoas.
Na vida de Alex, o fim de semana nunca fora sinônimo de descanso. Desde que entrou na faculdade, sempre teve empregos de meio período e, mesmo depois de se tornar policial, vivia ansioso tentando ganhar dinheiro de qualquer maneira.
Mesmo quando tinha um dia de folga ocasional, não conseguia descansar adequadamente. Exceto quando ficava acamado para se recuperar das sequelas de seu rut, ele nunca se permitia ficar parado.
Alex olhou para o relógio. O acessório que Nathan lhe dera de presente no mês passado tinha o poder de animá-lo só de olhar. O belo design certamente contribuía, mas era especial por ser o primeiro presente que recebeu após voltarem a ficar juntos depois de tanto tempo. Ele amava o sentimento contido ali. “É por isso que as pessoas trocam presentes?”, pensou; uma agitação que ele havia esquecido brotava toda vez que consultava as horas.
O horário marcado era 1h30. Hoje, ele se encontraria com Anna — de quem se tornara bastante próximo ultimamente — amiga dele e Nathan. Normalmente, ele teria vindo no carro de Nathan, mas este fora chamado para uma emergência logo cedo. Por causa disso, Alex acabou chegando primeiro e sozinho.
Em frente à estação de Richmond, Alex observou ao redor. Havia muitas famílias e casais que aproveitaram o fim de semana para ir ao parque. Mesmo observando as pessoas com a pele avermelhada pelo sol e usando óculos escuros, Alex não sentia vazio. A solidão que sempre o preenchia ao ver pessoas acompanhadas não estava lá.
Pois agora ele tinha Nathan.
Escondendo um sorriso leve ao curvar os lábios, Alex apreciava a paisagem de verão. A estação que costumava ser um fardo agora parecia refrescante. Exatamente como naquela vez em que foi para Brighton com Nathan.
Lembrar de Brighton o fez sentir saudades de Nathan instantaneamente. “Seria bom se ele chegasse um pouco mais rápido.” Embora agora morassem juntos todos os dias, ele sempre sentia falta de Nathan no momento em que estava sozinho na rua.
Para aplacar a saudade, Alex pegou o celular. Lá estava Nathan, preenchendo lindamente a tela. Pensar que agora ele podia usar como tela de bloqueio a foto de Nathan que, no passado, ele olhava apenas em segredo…
Era realmente bom.
— Oh, você chegou muito cedo, não?
Ouvindo a voz ao seu lado, Alex desviou o olhar. Lá estava Anna, empurrando os óculos escuros com o dedo. Ao lado dela, estava uma mulher de cabelos castanhos-dourados curtos. Olhos curiosos, como os de um gato, observavam Alex.
— Olá, Anna.
Alex cumprimentou-a de forma sem jeito. Embora tivesse se aproximado muito de Anna, a mulher ao lado dela era uma estranha.
Normalmente, não haveria razão para os quatro se encontrarem assim. Nathan talvez não se importasse, mas Alex sentia muito desconforto em situações com pessoas desconhecidas. No entanto, Anna implorou para que ele saísse com elas no fim de semana e, como Alex precisava da ajuda dela em vários aspectos, acabou cedendo.
Anna e a mulher aproximaram-se de Alex sem cerimônia. Anna apresentou Alex primeiro.
— Jen, este é o meu veterano, Alex. Como eu disse antes, somos da mesma equipe.
Com as palavras de Anna, Jen aproximou-se ainda mais. Parada à frente de Alex, ela acenou.
— Olá.
Jen parecia ser muito sociável. Ao contrário da alta Anna, seu corpo pequeno e rosto delicado faziam-na parecer difícil de abordar, mas sua voz era brilhante. Alex respondeu calmamente ao olhar que o examinava de cima a baixo.
— Olá.
— Veterano, esta é a Jen. Minha acompanhante de hoje.
Com essas palavras, Anna deu uma piscadela por trás de Jen. Provavelmente significava “por favor, seja legal”.
Antes de virem para cá, Anna dissera que estava sendo difícil lidar sozinha com Jen e pediu ajuda. O que Anna queria era apenas uma parceira ômega para passar o próximo rut, mas Jen insistia em ter encontros românticos, e sua personalidade era “extremamente ativa”.
“Quão ativa ela deve ser para que a alegre Anna se sinta sobrecarregada?”, Alex pensou brevemente, e a resposta veio logo em seguida.
— Uau, você é ainda mais bonito do que eu ouvi. Sua aparência marcante combina muito com a profissão de detetive.
Admirando a aparência de Alex com naturalidade, Jen parou de examiná-lo por inteiro. Seu olhar pousou na tela do celular dele.
— Essa pessoa é seu namorado?
Jen demonstrou um interesse profundo no rosto de Nathan. Alex estremeceu com a pergunta direta. Nathan era seu namorado, sim, mas ao ver o interesse de Jen, um instinto de proteção surgiu; ele não queria revelar mais nada sobre ele.
Ele baixou a guarda. Nathan tinha um rosto pelo qual as pessoas se apaixonariam apenas por ele estar respirando; no que Alex estava pensando ao mostrá-lo para alguém que acabara de conhecer? Se apenas uma foto atraía tanto interesse, Jen poderia se apaixonar por ele pessoalmente. Isso seria terrível até para Anna.
“Deveria ligar agora e dizer para ele não vir?”
Enquanto Alex hesitava, Anna interveio para conter Jen. Com um sorriso radiante, Anna a puxou para perto de si.
— Sim, é o namorado do veterano. E ele é um Beta.
Ao enfatizar que ele era um Beta, Jen soltou um “Humm”.
— É mesmo?
Ao ver a expressão de decepção dela, o estado de alerta de Alex aumentou. “Tudo bem ela agir assim, sendo que está em um encontro com a Anna?” Ele olhou para Anna, que parecia acostumada com aquilo.
— Então o relógio também foi presente do namorado?
Mas o comportamento de Jen, que alimentava a desconfiança dele, não parou por aí.
Ela perguntou apontando para o relógio de pulso. Os olhos de Alex se estreitaram levemente. Embora suas relações interpessoais não fossem das melhores, ele sabia que o comportamento de Jen era um tanto rude.
No entanto, mais do que apontar a falta de educação, ele estava curioso sobre como ela sabia, então abriu a boca.
— …Como você soube?
— Acho que seria difícil comprar um relógio como um “A. Lange & Söhne” com o salário de um jovem funcionário público. Além disso, esse modelo… mesmo de segunda mão, passaria facilmente das 30 mil libras. Bem, a menos que o senhor Alex seja incrivelmente rico.
Alex piscou. Pensando ter ouvido o valor errado, Anna explicou sobre Jen enquanto acariciava o cabelo dela.
— A Jen aqui é designer de moda. Ela se interessa muito por essas coisas. Mas Jen, falar sobre isso logo no primeiro encontro é um pouco demais, não acha?
— Foi mesmo?
Jen inclinou a cabeça como se não soubesse e pediu desculpas a Alex.
— Sinto muito. Sou do tipo que diz exatamente o que pensa.
Com a advertência de Anna, Jen concordou surpreendentemente rápido. O interesse dela no rosto de Nathan ainda o incomodava, mas Alex tinha algo que queria confirmar imediatamente.
— Não, tudo bem. Mais do que isso…
Seu olhar trêmulo dirigiu-se ao pulso. Não sabia se era impressão, mas uma sensação de que seu pulso subitamente pesara o invadiu.
— Você disse que isso custa mais de 30 mil libras?
As pontas de seus dedos tremeram levemente. Não era possível. Por mais dinheiro que Nathan tivesse, ele não teria gasto um valor tão absurdo no presente de aniversário dele. Coisas assim eram para pessoas extremamente ricas.
Claro, Nathan vivia bem, mas gastar uma fortuna dessas em um presente não era algo que apenas magnatas de cinema faziam? Alex tentava negar a realidade com todas as suas forças.
— Sim. É um A. Lange & Söhne.
Jen olhou para Alex com estranheza, aproximou-se um pouco mais e inclinou a cabeça. Alex nem conseguia respirar enquanto ela examinava o relógio como uma perita. Ele torcia para que fosse falso.
— Não sou uma avaliadora profissional, mas parece autêntico.
No entanto, Jen despedaçou o desejo fervoroso de Alex. Com aquela expressão de certeza, o coração dele disparou. Por um breve momento, sua cabeça girou.
Como ele comprou isso? O dinheiro que Alex levaria anos trabalhando sem parar para economizar estava ali, naquele relógio.
“E se o Nathan tiver se sobrecarregado por causa disso? Devo pedir o reembolso secretamente? Não, será que aceitariam a devolução? Será que desta vez eu realmente deveria fazer muitas horas extras…!”
— O que está fazendo?
Naquele momento, ouviu uma voz atrás de si. Ao virar a cabeça rapidamente, viu que era Nathan.
O relógio em questão marcava 1h15. Tendo chegado mais cedo do que o combinado, Nathan olhava para ele com os olhos semicerrados. Na verdade, o olhar era direcionado a Jen, mas Alex, em choque por causa do relógio, não percebeu.
— Nate…? Você chegou cedo.
Apesar do susto, Alex ficou feliz ao ver Nathan. Quando um sorriso bobo surgiu em seu rosto antes inexpressivo, Nathan aproximou-se a passos largos.
Talvez pelas roupas leves de verão, o rosto dele parecia excepcionalmente radiante. Sua pele branca, que não bronzeava nem sob o sol forte, destacava-se. Seus braços expostos pareciam firmes, porém macios, e seu cabelo loiro claro brilhava. Ele era absurdamente lindo.
— Terminei cedo. Olá, Anna.
Somente após puxar Alex para perto de si, Nathan cumprimentou Anna e Jen. Ela fez menção de se apresentar com uma expressão interessada, mas desta vez Anna foi mais rápida.
— Olá, Nathan! Esta é a Jen. A Ômega com quem estou saindo ultimamente.
As sobrancelhas de Nathan se ergueram ao ouvir a palavra Ômega. Alternando o olhar entre Anna e Jen, ele disse pausadamente:
— Sou Nathan White.
Após uma breve apresentação, Nathan dirigiu-se a Anna:
— Se vocês começaram a sair recentemente, sinto que estamos atrapalhando o tempo de vocês.
Ao dizer isso, Nathan ergueu levemente as sobrancelhas e encontrou o olhar de Alex. Embora não tivesse dito em voz alta, Alex achou que sabia o que ele queria dizer.
Desde que o encontro fora marcado, Nathan vinha dizendo a Alex nos últimos dias:
— Por que temos que nos meter no encontro dos outros?
Como se realmente não entendesse, Nathan dissera isso até hoje de manhã, antes de saírem. Para ser exato, até de madrugada. Já que, durante todo aquele tempo, ele o segurara e não o soltara.
Eles faziam a-aquele tipo de coisa íntima todos os dias, mas ontem fora especialmente longo. Nathan costumava demonstrar através de ações quando algo não o agradava.
— Ora, claro que não. A alegria dobra quando compartilhada, não é? Vamos nos divertir juntos!
Anna interveio diante da fala de Nathan. Para não dar chance de recusa, ela se posicionou ao lado deles e gesticulou para que fossem logo. Nathan estreitou um dos olhos. Era raro ele mostrar tantas variações de expressão. “Fofo”, pensou Alex enquanto admirava Nathan em segredo e seguia Anna apressadamente.
Embora o interesse de Jen na foto de Nathan fosse desconfortável, Alex tinha um motivo para seguir Anna. No fundo, era a razão de ter aceitado o convite de hoje.
Ele precisava pedir um conselho a Anna e sentia-se mal em perguntar isso no ambiente sagrado de trabalho. Além disso, usar o telefone ou aplicativos de mensagens o deixava ansioso, temendo que palavras “profanas” ficassem registradas em algum lugar.
Alex estava procurando um evento “daqueles” para fazer no aniversário de Nathan.
Ele daria um presente, é claro. No entanto, mesmo que estivesse esvaziando todas as suas economias com todo o empenho, tinha certeza de que não conseguiria retribuir na mesma medida que Nathan fizera por ele.
Ele não tinha a capacidade de trazer tanta comida, nem a sociabilidade para convidar os amigos de Nathan. Além disso, os amigos de Nathan eram, em sua esmagadora maioria, Betas femininas. Ele não queria ver tal cena.
Então, a conclusão a que chegou foi diverti-lo de outra forma. Baseando-se no que aconteceu no hospital da última vez ou na vez em que usou o uniforme de futebol, Alex estava deduzindo os gostos de Nathan. Era estranho usar suas habilidades profissionais para isso. De qualquer forma, a conclusão era que Nathan parecia gostar de situações especiais.
Quem mais estaria por perto para pedir conselhos sobre esse assunto? Anna era a única no círculo de Alex.
Matthew também parecia ter experiência, mas de alguma forma parecia que ele detestaria esse tipo de conversa; e, acima de tudo, não parecia certo compartilhar histórias sobre Nathan com ele. Além de um não gostar muito do outro, Alex sentia como se estivesse contando algo para um membro da família.
Portanto, restava apenas Anna. Além disso, em termos de experiência, Alex honestamente achava que Anna estava em vantagem.
— O que você estava falando?
Nathan perguntou enquanto seguiam Anna, que caminhava à frente com o braço em volta dos ombros de Jen. Sua voz baixa e profunda soou como um sussurro calmo. Ao olhar para ele com dúvida, ele acrescentou:
— Com aquela Ômega.
Nathan referiu-se a Jen apenas como Ômega. Alex entendeu. Tanto Nathan quanto ele tiveram várias experiências ruins com Ômegas, e Nathan frequentemente demonstrava desgosto pelo fato de não conseguir sentir os feromônios de Alex.
Alex teve que se esforçar para conter o riso diante do comportamento de Nathan, que estava especialmente fofo hoje. Mas seria uma pena deixar passar assim. Ele queria acariciar o cabelo dele. Após hesitar, Alex levantou a mão e a colocou na cabeça de Nathan, dando tapinhas suaves e cuidadosos.
— Não falamos nada demais. Nos encontramos uns cinco minutos antes de você chegar.
Quando Alex começou a acariciar seu cabelo, Nathan fez uma expressão de incredulidade. Seus adoráveis olhos verdes se franziram, mas ele não impediu Alex. Em vez disso, estendeu a mão e segurou firmemente a outra mão de Alex.
Palmas se tocaram, dedos se entrelaçaram e se sobrepuseram. O calor se misturou. Mesmo no calor do dia, a temperatura corporal de Nathan não era nem um pouco desagradável.
— Para uma conversa qualquer, vocês pareciam desnecessariamente próximos.
— Ah, isso é porque ela estava olhando o meu relógio…!
Alex respondeu honestamente e sem pensar, mas parou de falar. O relógio, que ele havia esquecido completamente com a chegada de Nathan, voltou à sua mente. De repente, seu pulso pesou novamente. Como a mão que Nathan segurava era justamente a esquerda, onde estava o relógio, o peso pareceu dobrar.
— O relógio?
Alex assentiu à pergunta dele. Após hesitar por um momento, ele decidiu perguntar diretamente a Nathan.
Mesmo sendo Nathan, ele não teria comprado um relógio tão caro quanto Jen dissera. Com alta probabilidade, era falso. Ele pode não ter dito nada apenas por vergonha.
Tudo bem. Alex preferia que fosse falso. Embora não fosse do feitio de Nathan comprar algo assim… bem, então poderia ser de outra marca. Mesmo sendo designer de moda, ela não saberia de tudo. Provavelmente…
— Isso é um A. Lange & Söhne?
Alex respirou fundo e perguntou a Nathan. Esperando que a resposta fosse um “não”. No entanto, Nathan hesitou diante da pergunta. Alex sentiu a mão que o segurava ganhar força. De alguma forma, ele parecia um pouco perplexo.
— …Você descobriu. Achei que não saberia.
A resposta que Alex desejava não veio. Ao ver Nathan admitir sem negar, Alex paralisou. Nathan, mais do que qualquer outro, não mentia. Ele fora alguém que sempre dissera a verdade, mesmo quando Alex tentava contornar os fatos, então ele não mentiria sobre isso.
— É sério?
Alex perguntou novamente, como se não pudesse acreditar.
— É. Comprei porque combina com você.
— Então, isso… custa mesmo… mais de 30 mil libras…?
A voz de Alex começou a tremer. Sentia-se encurralado. As sobrancelhas de Nathan se ergueram levemente ao ouvir o valor. Ele soltou um “Hum” e assentiu lentamente.
— Mais ou menos isso.
— …!
Seu coração estremeceu. Era um valor vertiginoso apenas de ouvir. Já levaria muito tempo para retribuir tudo o que recebera de Nathan, e agora mais 30 mil libras foram adicionadas. Embora não pretendesse fazer cálculos materiais exatos em um relacionamento, não estaria ele recebendo demais?
— Não faça essa cara. Usei o dinheiro que estava economizado para mim desde criança. Eu te disse. O marido do meu irmão é transbordante de riqueza. Não pense bobagens.
Como se soubesse exatamente o que Alex estava pensando, Nathan segurou o queixo dele. Com a mão que acariciava o cabelo paralisada, Alex exibia uma expressão de quem não sabia o que fazer.
Nathan tocou o rosto que parecia prestes a chorar. Seus dedos brancos e delicados tocaram suavemente os cantos dos olhos de Alex, que estavam avermelhados pela perplexidade. Independentemente do choque, a sensação era boa. “Não, este não é o momento para pensar nisso.”
— Mas… o valor é muito alto. Eu não posso aceitar algo assim…!
Para Alex, se Nathan fizesse um relógio de trevo, ele o guardaria com carinho. Não precisava ser caro; ele sentia o coração apertado pensando que Nathan poderia ter se esforçado demais por sua causa. Quando estava prestes a continuar seu apelo fervoroso, Anna, que caminhava à frente, parou. Eles haviam chegado a um pub perto do Richmond Park.
— Casal de pombinhos, chegamos. Que tal almoçarmos, tomarmos uma cerveja e depois andarmos de barco?
— É a minha primeira vez andando de barco em Richmond — disse Jen, que já estava de braços dados com Anna. Ela parecia animada.
— Vou pegar as cervejas primeiro. Alex, Nathan, o que vão beber?
Deixando a bolsa no pátio, Jen perguntou naturalmente. Parecia que Anna liderava o relacionamento das duas, mas ver Jen indo fazer o pedido com tanta habilidade foi uma surpresa. Naquele momento, Nathan interveio.
— Eu vou com você. Preciso olhar o menu para ver o que o Alex pode comer.
— Bem, certo. Vamos?
Jen fez um gesto com o queixo e Nathan assentiu. Soltando cuidadosamente a mão que segurava, ele inclinou o corpo. Então, encostou os lábios suavemente na bochecha de Alex e sussurrou:
— Não sinto nem um pouco de pena de gastar com você. Não foi um esforço exagerado. Então, pare de pensar bobagens e sente-se com a Anna.
Após o breve beijo, Nathan deu um leve toque no queixo dele e se afastou. Enquanto Alex observava Nathan seguir Jen sem lhe dar chance de impedi-lo, Anna o conduziu.
— Veterano, não fique aí parado, sente-se. Temos que conversar nos intervalos.
— Anna…!
Alex sussurrou assim que se sentou.
— Disseram que este relógio custa mesmo mais de 30 mil libras…?
Ao falar com cautela, como se fosse um segredo de Estado, Anna soltou uma risadinha. Apoiando o queixo na mão, ela deu batidinhas na mesa.
— Você realmente não sabia? Dá para ver de longe que é caro. Embora eu também não conhecesse a marca.
— Como alguém pode gastar esse dinheiro em um presente?
Ao perguntar por não conseguir entender, Anna gargalhou.
— É por isso que você arranjou um ótimo namorado. Bonito e rico. Não, mas nosso veterano é ainda melhor. Um detetive incrível é melhor do que um rico.
Mesmo com o elogio de Anna, Alex não se sentia tranquilo. Olhando ansiosamente para a direção onde Nathan desaparecera, Alex disse:
— O aniversário do Nathan é logo, mas eu não tenho esse dinheiro. Com o salário de detetive, ainda estou longe de conseguir…
— Ei, o que é isso? Não tem nada a ver. Quem tem condições deu porque quis.
— Mas eu quero realmente fazer algo bom para o Nathan.
Ele falou com sinceridade. Queria retribuir os anos de sofrimento que Nathan passou por causa dele e queria sair da posição de apenas receber. Proteger e cuidar de Nathan era seu desejo de longa data.
— Então pague com o corpo.
Anna bateu na mesa como se fosse simples. Alex arregalou os olhos diante daquela firmeza. Embora tivesse saído para perguntar exatamente sobre isso, Anna foi direto ao ponto rápido demais. Alex Yeon, um mestiço de coreano um tanto conservador, ainda sentia vergonha de tais conversas.
— Você disse que tinha algo para perguntar hoje. Pelo visto, o senhor Nathan não vai te deixar sozinho por muito tempo, então fale logo agora.
— É que…
O suor frio escorria por sua coluna devido ao nervosismo. O momento chegara, mas as palavras não saíam. No entanto, precisava se apressar, como Anna dissera. Alex tomou uma decisão.
— Você poderia… me recomendar… um “roleplay”?
Ao soltar a palavra “roleplay”, Alex sentiu o pescoço queimar de humilhação e vergonha. Queria desaparecer naquele instante. “Deveria ter procurado na internet”, pensou já se arrependo.
Por outro lado, Anna parecia não se importar. Soltando um “Humm”, ela começou a pensar.
— Veterano, seu gosto é desse tipo? Você é mais ousado do que eu pensava. Como nunca teve namoradas ômegas, achei que fosse inexperiente… Mas um Alfa é sempre um Alfa, afinal.
A nuance foi um pouco estranha, mas Alex esperou. Como Anna estava tão indiferente, seu nervosismo diminuiu gradualmente.
— É um pouco incerto. Uniforme de enfermeiro masculino não é muito sexy, e o que mais teria…
Acariciando o queixo, Anna piscou os olhos.
— Vocês já brincaram de polícia?
— …O quê?
— Sinceramente, se a roupa do “roleplay” for barata, a gente não entra no clima. Mas nós temos uniformes, não temos? O de gala. O uniforme de serviço da época de guarda, honestamente, não é bonito…
Ah, havia aquilo. O uniforme de gala, como um terno, usado apenas em dias especiais ou eventos. Mas como o cargo dele era o que era, não tinha medalhas ou insígnias, então não era tão glamouroso.
— Façam o papel de criminoso e detetive. É excitante e bom. Quem é preso adora.
Com essas palavras, Anna gesticulou discretamente para onde Jen desaparecera.
— Pelo menos a maioria adorou. Pode confiar, é um resultado comprovado por estatísticas.
Naquele momento, Anna parecia mais velha que ele. Diante de Nathan, ele era tratado como o mais novo, mas na delegacia não sentia isso. Naquele instante, ali, a pessoa mais insignificante era Alex.
— Será que o Nathan… vai gostar disso?
Olhando para as experiências que tiveram, parecia que sim, mas a parte do criminoso era incerta. Então Anna deu um tapa entusiasmado nas costas de Alex.
— Você só precisa dominá-lo com o vigor de um Alfa. Alguém vai ficar bem animado no aniversário.
Alex sentiu-se encorajado pela expressão “vigor de um Alfa”. Era verdade. Nathan era tão determinado que Alex às vezes esquecia, mas ele era legitimamente um Alfa. Com sua altura bem acima da média, corpo treinado e musculoso, além da profissão de detetive, honestamente, qualquer um o veria como um Alfa.
Se Nathan não tivesse crescido tão subitamente, a situação de Alex ser dominado não teria acontecido. Embora… se um Alfa fizesse a penetração… havia o risco de ferimentos.
Assim que a conversa terminou, Nathan e Jen voltaram no momento exato. Ambos segurando copos de “pint” em cada mão, sentaram-se sem trocar uma palavra. Anna perguntou diante do clima que parecia um pouco frio:
— Vocês dois estão bem?
Jen, que deixou a cerveja na mesa com indiferença, respondeu:
— Não, o senhor Nathan recusou minha proposta. Eu disse que uma revista de um amigo está procurando rostos novos e perguntei se ele não queria tentar ser modelo. Assim que vi a foto na tela, pensei: “é isso”.
“Então foi por isso que ela olhou para a tela.” Alex pegou o celular cuidadosamente. Então, rapidamente escolheu qualquer outra foto da galeria e a trocou.
Era bom ter o rosto bonito de Nathan na tela, mas outra pessoa interessada poderia aparecer, como agora. Precisaria de atenção redobrada de agora em diante. Na próxima vez que encontrasse estranhos, trocaria a foto de fundo.
— E você foi perguntar?
Anna beliscou a bochecha de Jen como se a achasse fofa. Jen, que recebia o toque de Anna como um gato, desviou o olhar e perguntou a Alex:
— Senhor Alex, por acaso não tem interesse em ser modelo? Não perguntei antes por não saber se um policial poderia fazer isso.
Antes que Anna ou Alex pudessem responder, Nathan recusou.
— Ele não fará esse tipo de coisa.
Nathan disse com firmeza, segurando a cintura de Alex e puxando-o para si.
— Eu perguntei ao senhor Alex.
Jen também não recuou. Alex não teve tempo de dizer que, como funcionário público, não poderia fazer tal trabalho e nem tinha interesse. Nathan apontou diretamente a personalidade de Jen.
— Parece que a senhorita Jen não tem noção.
— Sim, ouço muito isso.
Nathan costumava falar de forma tão direta que chegava a ser frio, e geralmente as pessoas tinham medo dele. Mas Jen era diferente. Com um rosto que parecia não ter sofrido impacto algum, ela começou a rebater Nathan.
Enquanto os dois discutiam sobre Alex ser modelo ou não, Anna aproximou-se e sussurrou:
— A Jen é ótima, mas quando sai, sempre acaba entrando em conflitos desse tipo com alguém. Achei que o senhor Nathan saberia lidar bem com ela.
— …Se é mais confortável sair com alguém intermediando assim, não seria melhor não se encontrarem?
Anna assentiu enquanto levava o copo de cerveja à boca.
— É verdade, mas ela é bonita, não é? Como um gato. Estranhamente, não consigo parar de olhar.
Alex concordou com aquilo. Para ser exato, era assim que Nathan parecia ao rebater Jen sem expressão. Os cílios dourados curvados, os olhos verdes delicados e aquela personalidade que poderia ser sentida como ríspida, tudo nele lembrava um gato.
“Fofo.”
Alex também pegou seu copo de cidra. O vento que soprava do rio e do parque era suave. O sol estava quente e o ar, seco. A bebida gelada tocando seus lábios era adequada para aliviar o calor.
Seu coração, que tremia de susto, acalmou-se. Ele se sentia bem. Embora estivesse um pouco preocupado com o presente de aniversário de Nathan, com o que Anna dissera, daria um jeito.
Por enquanto, era hora de aproveitar o auge do verão com Nathan.
↫────✶────↬
↫─ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna