❖ Mind the language, 04
❖ Mind the language, 04.
A manhã surgiu. Alex abriu os olhos antes mesmo de o alarme tocar. Eram seis da manhã. Piscando os olhos ainda pesados de sono, ele naturalmente se virou para o lado.
Nathan, que costumava estar abraçado a ele, não estava lá. Apenas um calor que já esfriava sobre o lençol esquerdo indicava, de forma morna, que o dono do lugar estivera ali há pouco. Alex se levantou esfregando os olhos. Estava um pouco cansado por ter ficado até tarde decorando a casa.
— Nate?
Ao sair da cama, chamou por Nathan. Seus pés descalços tocaram o chão. Pisando no piso de madeira macia e seca, ele se dirigiu ao banheiro. Não havia ninguém lá dentro. A preocupação começou a surgir lentamente. Mesmo que tivesse que sair cedo para o trabalho, Nathan sempre lhe dava um beijo antes de partir.
— Nate, onde você está?
Será que o trabalho era tão urgente assim? Com uma expressão de ansiedade no rosto, Alex percorreu o corredor do segundo andar e verificou o banheiro ao fundo. Nathan também não estava lá. Foi então que ouviu um som. Vindo da cozinha, ecoou um barulho metálico de aço inoxidável se chocando.
Alex caminhou em direção ao som. Desceu as escadas em silêncio. Um leve cheiro de queimado vinha da cozinha. Ele avistou as costas de alguém parado, vestindo uma camiseta e calças largas. Apenas ver aquelas costas largas e firmes e o cabelo loiro bagunçado já o fazia se sentir bem.
— Nate, o que está fazendo aí?
Ao ouvir o chamado, Nathan hesitou. Ele se virou lentamente, olhou para Alex com uma expressão neutra e então pousou a frigideira. Parecia que aquela era a origem do cheiro de queimado.
— Alex.
— Bom dia, Nate!
Ele deu um bom dia animado e cheio de energia. Não importava o que Nathan estivesse tentando fazer desde cedo, era simplesmente fofo.
— Acordou cedo.
— Você também. Por que levantou tão rápido? Precisa sair?
— Não.
Nathan caminhou até ele, olhou-o de cima e ajeitou seu cabelo. Ele sorriu, fechando levemente os olhos. Seus lábios se abriram:
— Feliz aniversário.
— Ahn?
Ele piscou. As palavras inesperadas demoraram um pouco para serem devidamente processadas na mente de Alex. “Ah, é meu aniversário.”
— É verdade.
— Eu te avisei ontem e você esqueceu de novo?
— É que… não estou acostumado…
Alex deu um sorriso tímido. Receber parabéns logo de manhã… seu coração martelava e, logo em seguida, começou a bater rápido como se tivesse acabado de correr. Seus lábios se curvaram em um sorriso sem que ele percebesse.
— Obrigado por lembrar.
Nathan soltou uma risadinha, como se achasse aquilo um absurdo, e abraçou Alex apertado, beijando o topo de sua cabeça negra. Seus dedos faziam cócegas em suas costas.
— Não agradeça pelo óbvio.
— Mas mesmo assim…
Sua bochecha recebeu um leve beliscão. Enquanto Alex ria alto, Nathan sussurrou:
— Deixe disso e vamos tomar café.
— Café da manhã? Foi você quem fez, Nate?
A identidade do cheiro de queimado era o café da manhã. Ao perguntar com os olhos arregalados, Nathan assentiu. Com o rosto impassível, ele puxou Alex. A cozinha estava um caos.
— Não saiu como planejado.
Na frigideira, havia ovos mexidos queimados. Parecia que ele já havia queimado vários, pois uma cartela inteira de ovos estava vazia, e no lixo havia uma massa preta de ovos carbonizados. Nathan pegou o único prato limpo naquele lugar caótico. Uma torrada estava posicionada no centro.
A torrada estava decorada com o que parecia ser Nutella. As orelhas de cachorro eram feitas de mirtilos, e o nariz e os olhos eram de chocolate. Ao redor, havia pedaços de pepino e cenoura cortados de forma desajeitada. No momento em que viu aquilo, Alex caiu na risada.
— Não deboche tanto.
É muito, muito fofo.
Alex não conseguia parar de rir enquanto recebia o prato com carinho. O cachorrinho torto se parecia com o Husky de pelúcia que Nathan apelidara de Alec. Um “H” escrito com creme se destacava, provavelmente uma tentativa de escrever “Happy Birthday”. Ao ver aquilo, seus olhos lacrimejaram. Com um rosto estranho que misturava riso e choro, Alex ergueu a cabeça e olhou para Nathan.
— Obrigado. Vou comer bem.
Nathan estendeu a mão. Bagunçou o cabelo de Alex e esfregou sua orelha como se dissesse “bom trabalho”, fazendo Alex sorrir abertamente. Nathan cozinhando… O fato de Nathan, que mal sabia distinguir sal de açúcar, ter feito uma torrada para ele, o deixou imensamente comovido. Era um presente para ser lembrado a vida toda.
— Posso tirar uma foto?
— Faça como quiser.
— Eu quero tirar.
Seria um desperdício comer assim; Alex colocou o prato cuidadosamente sobre a mesa e subiu as escadas correndo. Deixando para trás o grito silencioso de Nathan para ele não correr, ele buscou o celular no quarto.
Nesse meio tempo, Nathan serviu as bebidas para os dois na mesa. Com os olhos brilhando, Alex disse feliz:
— Você poderia segurar o prato para mim?
Nathan deu uma risadinha diante do jeito cauteloso, mas já acostumado, de Alex pedir as coisas. Ele apoiou os cotovelos na mesa, inclinou o corpo e levantou levemente o prato com a torrada que fizera.
— Pronto, tire a foto.
— Obrigado.
Sorrindo suavemente, Alex passou dez minutos tirando fotos ali mesmo. Nathan não disse nada, esperando enquanto Alex tirava cerca de cinquenta fotos trêmulas.
Para alguém cujas únicas lembranças de fotos eram evidências registradas em cenas de crime, ele se esforçou ao máximo, mudando os ângulos para capturar Nathan. A câmera não conseguia captar toda a beleza de Nathan, mas, apesar disso, ele parecia um modelo nas imagens.
— Coma. Você não vai morrer.
Finalmente, Alex se sentou. Assim que ele se acomodou, Nathan espetou uma vela na torrada.
— Vou colocar o resto à noite.
— Sim!
Qualquer coisa estava ótima. Alex, sem saber como agir, esperou a vela ser acesa. Era apenas uma torrada, mas ele se sentia incontrolavelmente feliz.
— Feliz aniversário, Alex.
— Obrigado.
— Agora, faça um pedido.
Um dedo tocou levemente o nariz de Alex. Ele olhou para a vela que começava a derreter, sorriu em silêncio e soprou.
Após apagar a vela, era hora da degustação. Alex deu uma grande mordida na torrada, que parecia ter sido tirada do fogo no último segundo antes de queimar totalmente. A torrada crocante, acompanhada de Nutella, dificilmente teria um gosto ruim. Nathan parecia sutilmente tenso, observando Alex em silêncio.
— Está uma delícia.
Para mostrar que não era mentira, Alex ofereceu um pedaço a Nathan. Nathan, franzindo levemente a testa, deu uma pequena mordida. Após mastigar por um momento, ele soltou uma risada.
— Você é um bom mentiroso.
— Não, está mesmo gostoso.
“Porque eu comeria até veneno se fosse você quem me desse.”
Alex sorriu calmamente e terminou de comer a torrada. Mais do que qualquer prato que ele mesmo tivesse feito — ou melhor, de todos os pratos que já provara na vida — aquela torrada era a mais saborosa.
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— Tudo bem vocês beberem hoje, sendo que ainda é dia de semana?
No caminho para casa, Anna e Matthew o acompanhavam. Não se sabia que tipo de sorte os atingira, mas nas últimas duas semanas houve menos crimes de terrorismo ou assassinatos do que o habitual, então não precisaram correr dia e noite. Graças a isso, conseguiram sair do trabalho juntos por volta das sete horas. Alex perguntou cautelosamente ao ver os três fardos de seis latas de cerveja e o Royal Salute que Anna carregava.
— Por que está agindo de forma tão pouco britânica?
— Pela primeira vez, vou concordar com a Anna — acrescentou Matthew.
Isso só era possível porque a maioria do departamento de investigação, exceto Alex, tinha boa resistência ao álcool.
Além disso, eles não estavam errados. Mais da metade dos britânicos tinha uma relação intensa com a bebida. Eles bebiam sempre; era considerado sinal de educação tomar vários pints após o expediente, mesmo em dias úteis, antes de ir para casa. A Inglaterra era um país onde não era raro ver senhoras pedindo e secando várias garrafas de vinho no almoço.
— Não, é que… eu me pergunto se vocês estarão bem para acordar amanhã.
— Não se preocupe e vamos logo. Estou com fome.
— Não precisa levar o Sr. Ilay, veterano Matthew?
— Por que eu traria aquele homem?
Matthew respondeu com asco para Anna. Ela caiu na risada enquanto chamava um táxi em frente à sede da polícia. Tanto Matthew quanto Anna deixaram seus carros para trás para poderem beber.
Matthew também comprou tanta bebida quanto Anna. Ele trouxe cinco garrafas de Prosecco e um fardo de cidra Aspall para Alex. As pessoas até lançavam olhares curiosos enquanto passavam por eles.
— Não podemos permitir que aquele cara veja o nosso Alex bêbado.
— É verdade! Quando mais veríamos o veterano bêbado se não for hoje?
Seu argumento de que não ficaria bêbado não funcionou. Não que ele estivesse chateado. Pelo contrário, Alex começou a ficar animado e entrou no táxi sorrindo. Os três homens altos se espremeram dentro do veículo estreito.
Ao chegar em casa, Alex deparou-se com uma cena inesperada. A porta da casa de Nathan estava aberta, e pessoas de terno entravam e saíam repetidamente. Matthew, observando a cena com estranheza, perguntou primeiro:
— Você faliu?
— Que besteira é essa? — rebateu Alex com calma.
No entanto, ele não conseguiu evitar que seu coração se apertasse. Ele observou as pessoas com olhos ansiosos. Olhando de perto, todos carregavam várias caixas. Anna soltou um som de surpresa.
— Eu conheço aquilo! Se for do Hotel Langham, deve ser famoso pelas sobremesas! Oh, aquilo ali é da Cakes & Bubbles.
— Não conheço nada disso.
— São sobremesas caríssimas. Uau, aquele ali também é de um restaurante que já ouvi falar! — exclamou Anna com a voz excitada.
Alex tomou coragem e decidiu entrar. Pedindo licença às pessoas de terno, ele entrou cautelosamente na casa. Nathan estava na cozinha. Uma mesa comprida de madeira de nogueira, que Alex nunca vira antes, estava posta na cozinha. Estava coberta com uma toalha de mesa, e sobre ela havia velas e todo tipo de comida luxuosa.
— Chegaram?
— Nate, o que é tudo isso?
— Meu irmão quem enviou — disse Nathan com uma expressão de descontentamento, olhando ao redor.
Outras mesas extras também estavam cheias de caixas. Alex observou tudo atordoado, sem conseguir acreditar, e então foi até a geladeira e a abriu. Lá dentro, estava lotado de todo tipo de champanhe e vinho, incluindo Moët & Chandon, além de sobremesas.
— Nate… escuta, você pode perguntar ao seu irmão se eu posso pagar parcelado?
— Que conversa é essa agora?
— É que… isso tudo é muito caro…
A bebida mais cara na vida de Alex tinha sido o pint que tomou com Nathan. Ele era um cidadão comum que nunca gastara mais de £30 por pessoa em comida. E mesmo isso só acontecia em ocasiões sociais. Embora estivesse vivendo de forma muito mais digna desde que começara a morar com Nathan, o coração de Alex ainda não era tão forte.
— Ele enviou como presente, então não se preocupe. Ele mandou tanto de propósito, só para me provocar.
Anna, que estava mais animada que Alex examinando a mesa, gritou de lá:
— Veterano, esta mesa aqui é toda de chocolate!
— Vamos baixar a temperatura do ar-condicionado.
Até Matthew, que não era muito fã de chocolate, pareceu gostar do menu, e os dois começaram a explorar a comida como uma dupla em sintonia. Alex percebeu que não era hora para aquilo. Finalmente era o momento de Nathan e seus amigos se apresentarem formalmente.
— Anna, apresente-se! Este é o meu na-na-namorado, Nathan.
Alex gaguejou na parte do “namorado”. Superando a timidez, ele pronunciou a frase com firmeza. Como se vencesse a hesitação que sentira no cinema, ele teve coragem. Sua nuca ficou vermelha. Anna soltou um “Ah!” e correu para a frente de Nathan, estendendo a mão.
— Olá! Já nos vimos várias vezes, não é? Eu sou a Anna. Sou da mesma unidade de investigação que o veterano.
— Prazer em conhecê-la. Sou Nathan White.
O próximo era Matthew. Matthew caminhou com um passo visivelmente relutante e parou diante de Nathan. Nathan olhou para ele de cima, com imponência, e abriu a boca. Sua voz seca saiu de forma enviesada:
— Sr. Matthew Wayne.
Matthew também respondeu solenemente:
— Sr. Nathan White.
— Eu gostaria que não ficasse pedindo para o meu namorado cozinhar o tempo todo.
— Foi uma recompensa justa. A propósito, como você simplesmente foi embora anteontem, a lasanha acabou queimando.
Nathan apenas torceu o canto da boca sem dizer nada. “Matthew também é péssimo na cozinha.” Alex ficou impressionado ao ouvir que ele queimara uma lasanha, algo que só precisava ser colocado no forno e tirado na hora certa.
— Uau, vocês dois se dão super bem — Anna riu alto e bateu palmas.
Nesse meio tempo, a campainha tocou. Alex arregalou os olhos.
— Mais alguém vem?
— Sim.
Nathan caminhou em direção à entrada sem dar maiores explicações. Alex o seguiu de perto. Após acariciar o cabelo de Alex, que balançava ao seu lado enquanto ele caminhava apressado, Nathan abriu a porta. Duas pessoas conhecidas apareceram diante deles.
— Alex, feliz aniversário!
— Feliz aniversário!
Eram Tina e Jude. Alex piscou diante daqueles rostos inesperados, mas logo recobrou os sentidos e balbuciou:
— Vocês não estavam ocupadas?
— É o seu aniversário, Alex, claro que tínhamos que vir! O Nathan disse que fazia questão da nossa presença. Não foi?
— Foi — Tina respondeu calmamente à voz animada de Jude.
Alex olhou alternadamente para Nathan e para elas, e então disse baixinho com um sorriso:
— Bem-vindas. Obrigado.
— Pensando bem, é a primeira vez que nós quatro nos reunimos para comemorar um aniversário!
Estar reunido assim trazia uma sensação de volta ao passado. Mas era incomparavelmente mais feliz do que o passado. Controlando as emoções que transbordavam, Alex abraçou Tina e Jude, uma de cada vez. Atrás deles, Matthew e Anna se aproximaram.
— Matthew, Anna. Estas são minhas amigas do ensino médio, Tina e Jude.
— Uau, o veterano tinha mais amigos? E ainda por cima essas beldades?
Anna disse algo que, embora risse, partia o coração dele. Alex se calou. Nathan silenciosamente tomou o partido de Alex:
— É que o Alex é tímido.
— Isso é verdade. O Alex é uma gracinha, mas não é muito sociável — Matthew concordou.
Como não era mentira, Alex se grudou ao lado de Nathan. Ao levar uma cutucada na cintura, Nathan riu.
— Vocês dois são colegas de trabalho do Alex? — perguntou Jude.
— Sim. Somos os responsáveis por achar o Alex fofo — respondeu Matthew.
Jude soltou uma risada e, animada, deu o braço a Tina. Tendo Alex como assunto, eles se aproximaram rapidamente. Anna e Matthew levaram Tina e Jude para longe, querendo ouvir histórias dele na época de escola. Alex sorriu ao vê-los se entrosando por conta própria.
— Barulhentos — disse Nathan, observando calmamente o grupo de quatro pessoas.
Alex assentiu enquanto segurava firme a mão de Nathan. Há quanto tempo ele não vivia uma atmosfera tão vibrante? Em um espaço privado, cercado apenas por pessoas queridas e sendo feliz…
Provavelmente era a primeira vez.
— É. São barulhentos.
— Quando o álcool entrar, vai ser uma bagunça maior ainda.
— Você tem que me impedir de ficar bêbado.
Ao dizer isso preocupado, Nathan falou de forma fria:
— Com certeza. Eu jamais deixaria você agir de forma fofa com os outros.
— Não… não é agir de forma fofa.
— Se implorar para fazer sexo não é agir de forma fofa, então eu não sei o que é.
Quando sua conduta da primeira vez que ficou bêbado veio à tona, Alex cobriu rapidamente a boca dele. Nathan sorriu com os olhos e moveu os lábios cobertos pela palma da mão.
— E olha que fizemos muito bem lá fora também.
— N-n-não!
“Aquilo era um hospital, então era um ambiente interno!” Alex fez uma cara de choro. Nathan pressionou as sobrancelhas de Alex, que caíam melancólicas. Após observar os arredores por um momento, Alex retirou a mão que cobria a boca dele. Assim que ficou livre, Nathan o beijou. Os lábios se tocaram levemente. Seus olhos se encontraram.
— Vamos nos divertir, Alex. É o seu aniversário.
A voz sussurrada era imensamente doce.
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A mesa, cercada por seis pessoas, estava repleta de bebidas e comida. No centro, havia um bolo redondo revestido com uma camada finíssima de chocolate. Vinte e oito velas estavam espetadas. Nathan insistiu em colocar um chapéu de festa em Alex. Matthew e Anna tiravam fotos com entusiasmo.
Enquanto a música de “Parabéns a Você” ecoava, Alex ficou parado sem jeito diante do bolo, preparando um brinde. Ao fim da canção, estalinhos e palmas ressoaram. Papéis coloridos e finos foram lançados sobre seu chapéu.
— Sopre as velas, Alex!
— E faça um pedido.
Nathan estava sentado ao seu lado, sorrindo. Alex conteve o riso com os lábios cerrados e, lentamente, abaixou a cabeça para encarar as velas. Observando as pequenas chamas vacilantes, ele pensou em um pedido em silêncio.
“Deus, por favor, não tire o Nathan de mim.”
Embora não acreditasse em Deus, ele rezou daquela forma. Não precisava de mais nada. Se Nathan estivesse com ele, sua vida estaria completa, como um quebra-cabeça cujas peças finalmente se encaixaram. Por isso, na verdade, os presentes não importavam. Para Alex, Nathan era o próprio presente.
Diante da insistência dos amigos, Alex soprou as velas com força. As chamas vacilantes se apagaram de uma só vez, sem sobrar nenhuma. As três mulheres aplaudiram com entusiasmo. Matthew se dedicava fervorosamente à gravação do vídeo.
Finalmente chegou a hora de cortar o bolo. Segurando uma taça de champanhe sem álcool — que Nathan trocara secretamente — Alex trocou olhares tímidos com as cinco pessoas que o observavam. Com o coração cheio de alegria e gratidão.
— Obrigado, pessoal.
Seus lábios tremeram. As palavras que queria dizer estavam dispersas, sem ordem. O pedido de desculpas por certamente ter magoado algum deles por não ter o hábito de depender das pessoas, a promessa de que não faria mais isso… Por falta de eloquência, Alex acabou acrescentando apenas a frase que melhor expressava seu sentimento:
— Por favor, continuem cuidando de mim.
Matthew sorriu, apoiando o queixo na mão. Anna, que já havia ficado amiga de Jude e Tina, começou a aplaudir enquanto olhava para Alex. Nathan falou:
— Feliz aniversário, Alex.
— Obrigado por ter nascido!
As felicitações continuaram. Brindes se sucederam com cada um erguendo sua taça. Alex olhou para Nathan com o rosto corado. Ao estender a mão silenciosamente, Nathan a segurou. As taças de todos se chocaram. A festa de aniversário em plena noite de dia útil começou.
Em seguida, veio a cerimônia de entrega de presentes. Matthew e Anna deram um laptop de última geração, dizendo que juntaram dinheiro. Diante de Alex, que tentava recusar por estar constrangido, os dois o forçaram a segurar a caixa. Tina trouxe uma cesta cheia de todo tipo de vitaminas boas para a fadiga, e Jude presenteou-os com moletons de casal de uma marca famosa para que ele usasse com Nathan. Fazia tanto tempo que Alex não recebia presentes de outras pessoas que ele chegou a ficar ansioso.
Depois disso, começaram a jantar. Anna, como prometido, começou abrindo o uísque, e Tina e Jude também beberam sem parar o Prosecco que Matthew trouxera e o Moët & Chandon que o irmão de Nathan enviara. Diferente da época do ensino médio, quando nunca tinham tocado em álcool, elas pareciam transbordar amor pela bebida. Alex ficou um pouco surpreso com essa nova faceta de Tina e Jude, diferente da imagem que ele guardava na memória.
— Ah, Alex. Você não pode comer isso. Tem cereja.
— Ah, sério?
No meio do jantar, Matthew apontou para a carne de peru. Alex ia espetar a carne com o garfo, mas recuou a mão. Nathan, que estava olhando o celular por um momento, talvez resolvendo algo de trabalho, hesitou e virou a cabeça. Seus olhos se encontraram.
— Nate, por quê? Você quer comer isso?
Não houve resposta. A expressão de Nathan piorou.
— Você não come cereja? Você comeu da outra vez.
Nathan perguntou, olhando para Matthew com desaprovação. Matthew respondeu prontamente, com um rosto muito alegre, antes mesmo de Alex abrir a boca:
— Ele come a fruta in natura, mas não come em pratos cozidos. O Alex tem umas frescurinhas com comida. Bem, mesmo sendo o namorado, você pode não saber. Eu sei porque sou um amigo próximo.
Diante das palavras provocativas de Matthew, a expressão de Nathan gelou. Tina, que observava a cena, caiu na gargalhada.
— Olha só, Jude. O Nathan está com ciúmes.
— É a primeira vez que vejo o Nathan com ciúmes!
Jude começou a observar Nathan abertamente. Ele ignorou o olhar de todos e disse a Alex:
— Por que não me contou?
Alex respondeu rápido:
— Acho que é porque não tive muita oportunidade de comer.
— Tem mais alguma coisa que eu não saiba?
Nathan parecia muito incomodado com o fato de haver partes de Alex que ele desconhecia, e começou a interrogá-lo.
— Ele também não costuma comer nada que leve amendoim! — Matthew se intrometeu.
Nathan cerrou os lábios e encarou Matthew por alguns segundos. Desta vez, Alex também fez um sinal de “shiu” com o dedo para Matthew.
— Já chega, Matthew.
— Só estou informando ao seu namorado o que ele não sabe.
Nathan fitou Matthew por alguns segundos e logo em seguida torceu os lábios em um sorriso.
— É mesmo? Obrigado.
Desta vez, a expressão de Matthew ficou estranha.
— Por que do nada?
— Já que você está sendo tão bondoso, eu vou retribuir a bondade.
Nathan levantou-se após dizer isso. Os olhares de todos seguiram suas costas. Ele foi direto para a entrada e abriu a porta. Do outro lado da porta, havia mais uma pessoa conhecida.
— Convidei-o porque ele parecia estar com saudades.
— Esperou muito, gracinha?
Ilay Walker entrou acenando. Matthew arregalou os olhos e apertou o garfo com força. Ele se levantou.
— Eu vou embora.
— Ir para onde? É o aniversário do nosso Alex, temos que festejar até tarde.
Ilay, passando a mão pelo cabelo cinza claro, caminhou a passos largos em direção a Matthew. Sem esquecer de cumprimentar Tina e Jude, ele acabou abraçando Matthew, que tentava pegar suas roupas, deixando-o em agonia.
Mesmo passando das onze da noite, a cozinha e a sala continuavam barulhentas. Do “Jogo do Rei” com cartas até jogos de tabuleiro desconhecidos, a diversão continuava. Alex, que apesar de tentar fugir fora capturado por Matthew e forçado a beber algumas taças de champanhe, estava sentado na cadeira com uma leve embriaguez.
— Vamos beber água.
Nathan parou na frente de Alex, colocando um copo de água diante dele. Erguendo a cabeça lentamente, Alex deu um sorriso bobo.
— Oi, Nate.
— Sim. Sou eu.
— O chão não para de girar. Não é um terremoto, né?
— É.
Nathan levou o copo de água aos lábios de Alex. Ele abriu a boca obedientemente e bebeu a água. Nathan bagunçou seu cabelo como se dissesse “muito bem” e o ajudou a levantar da cadeira. Embora Nathan fosse mais alto, não havia uma diferença corporal gritante, mas ele sempre levantava Alex com facilidade.
Normalmente ele ficaria envergonhado, mas agora sentia-se apenas bem. Nathan segurou Alex pela cintura e o amparou.
Deixando para trás as pessoas que se divertiam, os dois subiram as escadas. A paisagem do segundo andar já era mais familiar do que o antigo apartamento onde vivera por anos ou a casa onde morara com o pai. Tomado pela emoção, Alex abraçou o pescoço de Nathan com força.
— Está com sono?
— Um pouco.
— Você precisa ver o meu presente antes de dormir, Alex.
Com essas palavras, o sono sumiu instantaneamente. Alex piscou os olhos.
— Presente?
— Sim.
— Mas você já fez a torrada de manhã.
Nathan franziu levemente os olhos e puxou Alex para sentar na cama. Sentado de frente para ele, Nathan retrucou brevemente:
— Aquilo não foi um presente.
— Mas eu gostei tanto…
Em vez de responder, Nathan virou o corpo em direção à mesa de cabeceira. Ouviu-se o som de uma gaveta abrindo, e em seguida Nathan tirou uma caixa de lá. Em suas mãos estava um estojo elegante, retangular e comprido. Sendo feito de madeira, o próprio estojo parecia ser muito caro.
— Como você não pode mais usar o primeiro presente que te dei… — Nathan disse em voz baixa enquanto puxava o pulso esquerdo de Alex. Sem entender o que estava acontecendo, ele observou Nathan agir. Nathan abriu o estojo e de lá tirou um relógio de pulso com pulseira de couro marrom suave. A moldura dourada de cor discreta e os ponteiros pareciam elegantes e, ao mesmo tempo, simples.
— Use este no lugar.
Os dedos longos de Nathan colocaram suavemente o relógio no pulso dele. Alex moveu os lábios. A marca do relógio, começando com a letra A, parecia estar em alemão. Enquanto ele buscava palavras, Nathan, com um toque carinhoso, ajustou a pulseira ao pulso de Alex e fechou o relógio. Nathan acariciou o relógio perfeitamente ajustado.
— Vou cuidar de você tanto quanto não pude nos últimos dez anos, Alex.
Alex olhou silenciosamente para o relógio. “Será que, na verdade, não estou sonhando até agora?” Depois dos presentes dos amigos e agora vendo o relógio que Nathan preparara com tanto significado, ele se sentiu tão feliz que chegou a sentir medo.
— Isso… é muito caro… não… eu posso aceitar isso?
Mesmo bêbado, Alex se preocupava com a parte prática. Ele não entendia nada de relógios, mas aquele certamente devia ser caro. O que ele fizera por Nathan era tão pouco… será que ele tinha o direito de receber algo assim?
— Nessas horas, basta dizer obrigado — disse Nathan de forma severa, mas com uma voz que, se ouvida com atenção, carregava um tom de brincadeira.
Alex olhou por um longo tempo para o pulso onde o relógio estava preso e então assentiu, mordendo os lábios.
— Obrigado.
Muito obrigado mesmo.
— Diga também que me ama — Nathan sorriu suavemente.
Alex assentiu e, com a voz um pouco embargada, disse:
— Eu te amo.
Amo muito mesmo.
— Bom menino.
Nathan segurou suas bochechas. Suas mãos frias refrescaram as bochechas que estavam quentes por causa do álcool. Como sempre, Nathan exalava um cheiro agradável.
— Não estou te dando isso à toa. Dei para que você pense em mim toda vez que olhar para ele.
— Entendi.
Alex decidiu não dizer que, desde o momento em que acordava até a hora de dormir, passara a vida inteira pensando apenas em Nathan. Ele queria contar isso no aniversário de Nathan.
— Se você se comportar bem, te darei um prêmio.
Nathan sussurrou como na infância, quando os dois assistiam a filmes sozinhos na sala às escuras. Olhando para os olhos verdes que se curvavam de forma brilhante, Alex perguntou como se estivesse enfeitiçado. Mesmo depois de tanto tempo, Alex sempre perdia os sentidos diante do sorriso de Nathan.
— Que tipo de prêmio?
— Não sei, diga você.
O que ele queria naquela época? “Pensei que queria estar ao seu lado. Que pudéssemos namorar, que você gostasse de mim.”
Mas esse desejo já havia se realizado.
— Então, me dê você.
Alex decidiu se atrever a ser ganancioso.
— Eu?
— Sim, você.
Ele observou a reação dele cautelosamente. Nathan soltou um sorriso lânguido e balançou a cabeça.
— Isso vai ser difícil.
— …É o que eu imaginei, né?
“Acho que estou mesmo um pouco bêbado.” No momento em que ele ia dizer isso, Nathan abriu os braços. Alex ficou apenas olhando para ele. Com um sorriso profundo, Nathan sussurrou:
— É que você já me tem. Só existe um Nathan White, então não tenho como te dar mais do que isso.
— Eu já te tenho?
— Sim. Você me tem na palma da mão e faz o que quer.
Seus olhos se curvaram longamente. Relaxando as sobrancelhas, Alex parou de morder o lábio e deu um sorriso radiante. Seus olhos arderam. Nathan abriu ainda mais os braços. Após observar Nathan, que esperava para abraçá-lo, por um longo tempo, Alex também abriu os braços e o abraçou com força. Como se não fosse soltá-lo, com muita força.
Enterrando o rosto naquele peito largo e firme, ele ouviu as batidas do coração. O som do ponteiro do relógio girando ecoava fracamente atrás de suas costas. Somando-se ao riso das pessoas queridas que vinha do andar de baixo, Alex finalmente compreendeu o que as pessoas chamavam de um aniversário feliz.
Era exatamente este momento, este instante em que estava com a pessoa amada.
↫─ Fim do Extra 1 de <Mind the Gap>
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna