❖ Mind the language, 03
❖ Mind the language, 03.
3.
Terça-feira chegou. Na noite anterior, os dois planejaram o que fariam para a festa de aniversário. Nathan, que acabara de sair do banho, envolveu Alex em seus braços enquanto pesquisavam juntos no tablet. Por um momento, acabaram se envolvendo em algo embaraçoso no sofá porque Alex, sem querer, tocou na coxa de Nathan — na verdade, em seu membro — mas, dada a presença marcante ali, era quase impossível não tocar! De qualquer forma, dedicaram a noite passada aos preparativos da festa.
Nathan insistia em entrar em sites cheios de chapéus cônicos e artigos de festa que crianças usariam. Alex tinha consciência de que, quando estava com Nathan, agia quase da mesma forma de quando era um estudante do ensino médio.
Mas, ainda assim, não combinava com alguém no final dos vinte anos usar um chapéu de festa daqueles. Diante da teimosia de Alex, Nathan mudou de assunto, e começaram a falar sobre a comida.
Quando Alex disse que ele mesmo cozinharia, Nathan respondeu que não queria dividir o tempero dele com Matthew Wayne. Alex achou aquilo fofo e riu alto. Assim, ficou decidido que Nathan pediria ao seu irmão mais velho para contratar um chef e um confeiteiro. Alex sentiu-se intimidado por um instante ao ouvir sobre aquele mundo da alta sociedade, com o qual ele jamais teria contato.
Como não precisariam se preocupar com o bolo nem com a comida, restava apenas a decoração do ambiente. Já era terça-feira, então combinaram de fazer compras juntos após o expediente. Alex sentia-se estranho ao discutir os detalhes de sua própria festa de aniversário, pois era a primeira vez que algo assim acontecia desde a infância remota, da qual ele mal se lembrava. Para Alex, aniversários eram quase datas comemorativas que ele preferia ignorar.
Apesar disso, o fato de Nathan se importar tanto com ele fez com que as lembranças desagradáveis associadas à data perdessem o sentido. Era como se ele estivesse arrancando um papel de parede velho e mofado para pintar a parede de novo, libertando-se das memórias desgastadas que cercavam sua vida.
À medida que a hora de sair do trabalho se aproximava, seu coração batia mais forte sem motivo aparente. Alex admitiu para si mesmo que estava animado. Não era tanto a expectativa pelo aniversário em si, mas a sensação tímida e nova de fazer algo para si mesmo ao lado de Nathan e de seus conhecidos.
Graças à conclusão de um caso de furto, Alex saiu da central de polícia por volta das cinco da tarde. Como ainda faltava um tempo para Nathan terminar o expediente, ele hesitou sobre o que fazer, mas logo tomou uma decisão: iria direto ao hospital.
Não era a primeira vez que fazia isso e, hoje, sentia ainda mais saudades de Nathan. O fato de perceber o quanto Nathan estava se esforçando por ele fazia com que passasse o dia inteiro pensando nele. Além disso, toda vez que se lembrava da cena de ontem, quando Nathan foi buscá-lo na casa de Matthew, seu coração disparava. Quanto mais se preenchia com uma satisfação difícil de descrever, mais desejava ver seu namorado lindo e incrível o quanto antes.
…Claro, também havia o pequeno objetivo de deixar claro para as pessoas do hospital que Nathan pertencia a ele. Só um pouquinho. Algo bem trivial.
Sem avisar Nathan, ele chegou ao hospital. Atravessando o fluxo constante de pessoas, Alex aproximou-se da recepção. Por ter aparecido com frequência devido a casos policiais e também por visitar Nathan constantemente, a maioria dos funcionários da recepção já o conhecia. Ele também se sentia à vontade com eles. Entre os funcionários, um ômega chamado Thomas era especialmente gentil.
— Ah, Alex. Chegou cedo hoje?
— Olá, Thomas.
Thomas avistou Alex rapidamente. Seu rosto juvenil, com algumas sardas, iluminou-se ao vê-lo.
— O Dr. White deve estar no terceiro andar agora. Acho que você pode subir lá e perguntar por ele.
— Sempre agradeço pela ajuda.
— Não foi nada. Fico feliz em poder ajudar um homem bonito como o Alex.
Ele sorriu cordialmente, com palavras que soavam bastante sinceras. “Que pessoa gentil”, pensou Alex, sorrindo de volta e sentindo que ainda havia esperança no mundo.
Quando o olhar agudo de Alex se suavizou com o sorriso, Thomas ficou admirando o rosto dele com o queixo apoiado na mão, parecendo encantado. Ao seu lado, Shelby, sua colega, cutucou-lhe a cintura.
— Não fique encarando tão descaradamente.
— Perdão?
Alex perguntou de volta, achando que era com ele, mas Thomas abanou as mãos freneticamente. No meio disso, ele não esqueceu de dar um tapa em Shelby.
— Ah, não é nada! Vá com cuidado, Alex.
— Tenha um bom dia.
— Você também, Alex.
Ele não sabia o que era, mas parecia ser apenas uma brincadeira entre colegas próximos. Desejando ver Nathan o mais rápido possível, não deu importância aos assuntos alheios e seguiu rapidamente para o terceiro andar.
Ignorando o elevador, subiu as escadas animado. Ao perguntar novamente no balcão do terceiro andar, informaram que Nathan estava no consultório de um médico chamado Jed, a quem ele já conhecia. Como já estivera ali antes, Alex não teve dificuldade em encontrar a sala.
Ele parou diante da porta que exibia a placa com o nome de Jed Collet. Apurou os ouvidos, mas não vinha som algum lá de dentro. Apesar de ter ido até lá, ficou com medo de atrapalhar o trabalho alheio e hesitou por cerca de cinco minutos. Só quando percebeu que um paciente que passava o olhava de forma estranha é que Alex finalmente tomou coragem e bateu na porta. Ela estava apenas encostada.
— Pode entrar.
A voz de Nathan soou abafada. O tom que vinha da fresta era mais grave e profissional do que quando ele estava a sós com ele, e essa diferença fez o coração de Alex palpitar. Após hesitar, abriu a porta e entrou.
Nathan estava sentado à mesa de Jed, revisando alguns documentos. Pensando tratar-se de algum funcionário, ele nem sequer levantou a cabeça e falou novamente de forma profissional:
— O Dr. Collet não está atendendo hoje. Por favor, dirija-se ao balcão de atendimento e pergunte lá.
“De quem é esse namorado tão incrível?”, pensou Alex, ficando momentaneamente hipnotizado pelo perfil de Nathan, que destacava a linha reta de seu nariz. Então, ele disse timidamente — Nathan parecia tanto um médico que a saudação de Alex saiu quase formal:
— Ah, olá.
A mão que folheava os documentos parou. Nathan levantou a cabeça lentamente. Alex permaneceu perto da porta, encarando-o com um sorriso tímido. Nathan piscou seus longos cílios, o observando, e então se levantou sem qualquer expressão. O som das rodinhas da cadeira deslizando ecoou pelo ambiente.
Num instante, a altura dos olhares mudou. Nathan, com seu porte alto e esguio, caminhou lentamente na direção de Alex. O som de seus sapatos batendo no chão ressoava. Movendo suas pernas longas, Nathan parou devagar diante dele.
Uma tensão inexplicável fez Alex engolir em seco. Ele piscou, olhando para Nathan. Este, com um olhar profundo, encarou Alex e, lentamente, colocou a mão na porta. *Click.* A porta de metal foi fechada com firmeza. Alex, encurralado entre Nathan e a porta, observava as ações dele sem entender o que estava acontecendo.
Nathan inclinou a cabeça levemente para o lado. Seus olhos se estreitaram enquanto ele examinava Alex, e então esticou a outra mão. A mão que roçou o lado de Alex segurou a maçaneta. O som metálico ecoou mais uma vez enquanto ele trancava a porta. Só então caiu em si.
— O que o senhor está sentindo? Onde dói?
O que aconteceu em seguida foi inacreditável. Alex arregalou os olhos para Nathan. O fato de ele perguntar com tanta polidez, como se tivessem voltado ao dia em que se reencontraram, fez o coração de Alex se encolher. Ou melhor, ele sentiu um calafrio. Era uma sensação muito estranha. Por que ele estava usando linguagem formal de repente?
A mente de Alex girou freneticamente. Embora fosse totalmente lerdo para questões sexuais ou nuances em relacionamentos, após mais de seis meses de convivência, já estava devidamente treinado. Ele percebeu milagrosamente o que estava acontecendo. Foi um feito que só poderia ser descrito como um milagre. Se Nathan pudesse ler sua mente, certamente o elogiaria por tal conquista.
“I-isso… será que é… o tal de ‘roleplay’?”
Fazia pouco tempo que ele aprendera o significado dessa palavra. Enquanto reunia ideias sobre o que fazer no aniversário de Nathan em agosto, ouviu esse termo pela primeira vez de Anna.
Devido ao seu relacionamento extremamente ousado e progressista, parecia que não havia nada que Anna não soubesse. Ela explicou que definir papéis e atuar enquanto faziam sexo era chamado de ‘roleplay’. Com uma explicação breve que o deixou vermelho, ela sugeriu que Alex usasse seu uniforme de policial para comemorar o aniversário de Nathan.
Alex engoliu em seco. Seu corpo inteiro ficou rígido de tensão. Pensando bem, Nathan parecia gostar de uniformes. Vendo como ele se excitou imediatamente quando Alex usou o uniforme de futebol no outro dia, talvez esse fosse mesmo o gosto dele. Se fosse assim, o conselho de Anna estava certo. E assim, uma performance para o aniversário foi decidida.
Nathan parecia esperar pela resposta dele. Alex sentiu vontade de fugir devido ao nervosismo que o fazia suar frio, mas conseguiu se convencer. Se quisesse colocar o conselho de Anna em prática em agosto, era importante ensaiar agora.
Alex forçou seu cérebro paralisado para deduzir qual reação deveria ter. “Se for apenas atuar, tudo bem, não é? Ele certamente não faria nada estranho aqui no hospital”, pensou ingenuamente.
— E-eu… acho que estou com… enterite…
Os lábios de Nathan tremeram por um momento. Ele fez uma expressão como se estivesse segurando o riso e então suavizou o olhar, nivelando-o ao de Alex.
— Então o senhor está com enterite.
— S-sim…!
Ele estava desajeitado e trêmulo. Percebeu tardiamente que “enterite” não era um diagnóstico muito adequado, mas Alex estava tão nervoso que não conseguiu mudar a fala.
— Vou precisar examiná-lo. Por favor, deite-se de bruços na maca.
— Na-na maca?
Alex esqueceu o tom formal, que era o ponto principal da situação, e questionou. Nathan continuou a cena com maestria, ignorando a informalidade de Alex.
— Sim. Deite-se.
Seu pulso foi agarrado. Alex olhou ansiosamente para a porta. “Ele vai f-fazer isso aqui mesmo?” Aquilo era muito diferente do que ele imaginava. Alex queria apenas ensaiar a atuação; não tinha a intenção de ter relações sexuais num hospital sagrado, muito menos no local de trabalho de Nathan. “Não pode ser. Não vai ser isso”, pensou.
— Ei, Nathan, esse consultório não é de outra pessoa?
— Vamos logo.
Ignorando as tentativas de Alex de desviar do assunto, Nathan o conduziu até a maca de exames. Alex deitou-se de forma hesitante sobre o leito cinza e rígido, e Nathan o pressionou suavemente para baixo.
— Vou verificar os sintomas agora. Se sentir desconforto, me avise.
Não, pelo visto eles iam fazer aquilo mesmo. Alex ficou extremamente tenso. Mesmo sabendo que a porta estava trancada, olhou para trás com muita ansiedade.
Do outro lado da porta, certamente estavam os funcionários que o atenderam antes, e pacientes deviam estar passando; talvez pudessem ouvir o que eles diziam. E se alguém ouvisse? E se fossem pegos? Era certo fazer isso no consultório de outra pessoa? Certamente não era.
— S-senhor doutor, pensando bem, acho que já estou melhor… — Alex respondeu com a voz trêmula.
Talvez por achar louvável o esforço de Alex em manter a atuação mesmo naquele estado, Nathan soltou um riso leve. Com o jaleco branco esvoaçando, ele se levantou e foi até a mesa. Alex, deitado de bruços na maca com os punhos cerrados, olhava para Nathan de soslaio. Estava tão nervoso que sentia vontade de vomitar.
Nathan trouxe luvas de látex azuis e um pote transparente com gel. Parecia gel lubrificante médico. Ao ver aquilo, Alex tentou lembrar por um momento: “Será que examinavam enterite desse jeito?”. É claro que não.
— Por favor, abaixe um pouco as calças.
“Meu Deus. Ele realmente vai fazer algo aqui.” Alex fechou e abriu os punhos. O nervosismo trouxe culpa, e a culpa logo se transformou em vergonha. E a mistura de tudo isso despertou uma excitação sutil. Uma vibração percorreu sua lombar e seu baixo ventre ficou rígido. A situação era estimulante demais.
— A-aqui?
— Ou eu mesmo faço.
A pergunta de Alex foi ignorada. Nathan, após deixar o gel de lado, deslizou a mão por baixo da barriga de Alex, que estava pressionada contra a maca. Ele abriu o cinto facilmente e, dominando com leveza o corpo de Alex que se debatia, abaixou as calças de alfaiataria de verão. Num instante, sua pele nua ficou exposta.
Alex implorou com a voz alterada. A ideia de realmente fazer aquilo o assustava. Sentia que estava sendo desrespeitoso com as pessoas do hospital. Sendo ele um policial, não deveria agir assim!
— Na-Nate, e se alguém entrar? Vamos parar com isso. Em casa! Isso, vamos fazer em casa…!
— Como estou em consulta, ninguém virá.
Mesmo com a atuação de Alex sendo uma bagunça que oscilava entre o formal e o informal, Nathan manteve-se consistente. Ele abaixou sem dificuldade a cueca de Alex e pegou o pote de gel.
— Vai estar frio.
— Esp-espera, ah, ahn!
Alex, cuja coragem para o sexo era do tamanho de um grão de feijão, tentou impedi-lo, mas já era tarde. O gel transparente foi despejado diretamente entre as nádegas brancas e expostas. O gel espremido do tubo longo escorreu pela fenda. Ao sentir o toque gelado, Alex arqueou as costas com um sobressalto. Arrepios percorreram todo o seu corpo.
— Fique quieto, vou verificar o quanto está inchado.
Os dedos cobertos pela luva de látex começaram a espalhar o gel. Alex esqueceu o que ia dizer e apenas abriu os lábios, ofegando enquanto agarrava as bordas da maca. Era uma sensação muito estranha.
Assim que o gel tocou sua pele, começou a derreter rapidamente. Era numa velocidade incomparável a outros lubrificantes. Logo, cada área tocada começou a arder de calor.
— Na-Nathan, isso aqui…
— Doutor.
Nathan corrigiu o pronome de tratamento. Alex, confuso com a sensação desconhecida, mal conseguiu seguir a instrução de Nathan.
— S-senhor doutor, o gel está… estranho, ah… hng!
Estava mesmo estranho. Assim que os dedos enluvados começaram a espalhar o gel ao redor de sua entrada, ele sentiu uma reação. O local ficou insuportavelmente quente, e cada pequena prega começou a coçar.
— De que forma está estranho?
— Ah… dentro, sim, ahn… está coçando, ah…!
Esfregando a testa contra a maca, Alex contorceu a cintura. Nathan pressionou suas costas com firmeza. Com as nádegas empinadas para o alto, Alex tensionou as coxas. Seu membro, ereto num instante, balançava. A ponta roçava repetidamente contra a superfície da maca.
— Não ouvi direito. Por favor, diga novamente.
Com essas palavras, Nathan empurrou um dedo para dentro. Quando o dedo longo, coberto de gel, penetrou profundamente, Alex o apertou sem querer. Suas paredes internas tremeram em espasmos.
Ofegando pesadamente, Alex tremia sem saber o que fazer. O gel começou a ser espalhado dentro de suas paredes quentes. Então, uma sensação bizarra começou a crescer descontroladamente.
— Ah, ahn, ah… hng!
Coçava. Sentia como se seu interior estivesse fervendo e seu baixo ventre ficou rígido, como se estivesse no cio. Sua mente começou a ficar em branco num instante. Alex continuou apertando o dedo que estava dentro dele, começando a ansiar por algo mais.
— E o que é isso aqui?
Nathan deu um tapinha no membro ereto de Alex com a outra mão. Diante do toque que parecia zombar dele, a nuca de Alex ficou vermelha instantaneamente. Seus olhos lacrimejaram na hora. Sentia-se como se realmente tivesse ficado ereto durante um exame médico, e ele arfava. Estava morrendo de vergonha.
— Parece que o senhor Alex fica excitado durante as consultas.
— N-não…
— Use o tratamento formal.
Nathan disse severamente. Ele apertou o membro de Alex como se estivesse dando um castigo. Alex soltou um som que não se sabia se era um suspiro ou um grito, e balançou a cabeça rapidamente, respondendo de novo conforme Nathan ordenara:
— A-ah, não é isso, senhor doutor…
— Então o que é isso aqui? Tão duro e ereto… Já está até vazando na frente.
A mão enluvada massageou a glande. O polegar esfregava a cabeça arredondada, onde o líquido pré-seminal já começava a escorrer, como se estivesse moldando argila. Diante do movimento circular, Alex uniu as coxas. Sentia que ia chegar ao ápice mais rápido do que o normal. O gel escorrendo e a maca fria e rígida do consultório, agora aquecida por seu corpo, dobravam sua excitação.
— Não… não é, excitado, ah… hng!
— E vazando atrás também.
Como Nathan conseguia ser tão bom nisso? Alex simplesmente não conseguia entender. Nathan agia como um completo estranho; ele se sentia realmente sendo repreendido por um médico. Lágrimas finalmente caíram. Ele estava muito envergonhado.
— É que… dentro, ah… o gel está… estranho…
— Isso é apenas um gel de massagem usado para exames.
Para algo assim, era estranho demais. O gel absorvido por suas paredes internas estava levando Alex à loucura. Ele sentia uma coceira insuportável por dentro. Queria ser coçado com os dedos, ou com qualquer outra coisa. Do jeito que Nathan costumava fazer.
— Na verdade, o senhor não veio por causa de uma consulta, mas porque queria ser possuído, não é, detetive?
Nathan inclinou o corpo e sussurrou em seu ouvido. Diante da voz que penetrava arrepiando seu pavilhão auricular, Alex tremeu, soltando sons ofegantes. Nathan não perdeu a oportunidade. Com o dedo inserido profundamente, ele pressionou com força o ponto que Alex mais gostava.
— Ah…! Ah, hng, ahhh!
Veias saltaram em seu membro rosado. Sua mente ficou totalmente vazia.
— Não é verdade?
— Ah… ahn… mais, mais, mais…
Ele sentia que ia chegar lá. Se Nathan pressionasse só mais um pouco, seria agora mesmo. Ele queria chegar ao ápice. Tinham tido relações ontem e anteontem, mas ele não entendia por que estava tão em chamas.
— O senhor não teria se enganado sobre sua classe, detetive? Para um alfa, parece que o senhor gosta demais de morder com a parte de trás.
— Hi… hng… sou alfa, sim… alfa… ah!
Ele balançou a cabeça negativamente. Com o rosto banhado em lágrimas e desgrenhado, Alex tentou se defender. O gel era realmente bizarro. Nunca se sentira assim nem mesmo ao usar lubrificantes comuns. Mas este, assim que tocou seu interior, trouxe uma sensação de que seu corpo inteiro estava pegando fogo. Seus dedos dos pés se contraíram com força dentro dos sapatos. Ele arranhava a maca, fazendo tanta força que quase teve uma cãibra nos pés.
— Tão sensível só com algumas estocadas de dedo?
— É que… o Nate… aí… ah!
Seu membro foi apertado com força novamente. Quando ele tremeu a cintura de dor, Nathan o corrigiu calmamente:
— Doutor.
— O s-senhor doutor… ahn… está apertando… onde está estranho…!
— Onde está estranho?
O dedo que pressionava a próstata moveu-se para outro lugar. Nesse meio tempo, Nathan inseriu mais um dedo. Alex chorou ao sentir os dedos, que eram absurdamente finos comparados ao membro de Nathan. Os dedos que se moviam tateando pressionaram firmemente outro ponto das paredes macias.
— Aqui?
— Antes… ah… ali… ali…
Os dedos se moviam produzindo um som úmido. Toda vez que os dedos longos giravam em seu interior quente, Alex empinava as nádegas, querendo ser massageado onde sentia prazer. Ao mesmo tempo, ele se excitava novamente com a própria aparência vergonhosa: sem as calças, mas ainda vestido com a parte de cima, exatamente como da última vez. A barra da camisa social branca de manga curta subiu acima de suas nádegas.
— Então deve ser aqui.
Nathan pressionou deliberadamente outro lugar. Alex balançou a cabeça. A sensação de estar prestes a chegar ao ápice e ser interrompido o deixava ansioso. Ele implorou, arranhando a maca com as unhas curtas:
— Em cima… onde o senhor apertou… primeiro…!
— Quer que eu pressione lá?
— Hng… sim, sim!
Tudo era um estímulo. Usar o tratamento formal como se falasse com um médico, fazer aquilo no consultório de outra pessoa… Até a culpa de ser um policial cometendo atos obscenos em um local público somava-se a tudo, tornando a experiência pecaminosa e excitante. Sua visão oscilava entre o branco e o preto. Sua razão se esvaiu.
— O senhor detetive deve ser um pervertido.
Com essas palavras, Nathan pressionou a próstata. Quando o dedo apertou com força o ponto máximo no fundo de seu interior, seu corpo tremeu violentamente. Diferente de seus ombros largos e bonitos, sua cintura visivelmente fina teve espasmos. Ele abriu a boca. A saliva, que já começara a escorrer há pouco, deslizou pelo queixo e caiu na maca rígida.
— Ahn… não… ah… ahhh… aí, aí, ah…!
Embora negasse, Alex apertava os dedos de Nathan. Diante do toque das paredes internas macias que pareciam mastigar e implorar por seus dedos, Nathan soltou um suspiro profundo. Com a outra mão, ele espalhou o gel que escorrera pelas coxas e virilha de Alex, levando-o à loucura. Enquanto os dedos trabalhavam atrás pressionando a próstata, uma mão subiu pela pele e começou a masturbar o membro de Alex.
— Ah… ah… hng… s-senhor doutor, bom… ahh… é tão… bom! O que eu… ah… o que eu faço!
Sentia que ia perder o juízo. No momento em que Nathan dobrou os dedos, raspando a próstata e saindo, Alex, que chutava a maca com os sapatos, tensionou o abdômen e atingiu o clímax.
— Ah…!
Inclinando o queixo ao máximo, Alex soltou um gemido agudo. Com um som de falta de ar, suas nádegas apertaram os dedos de Nathan freneticamente. O sêmen fluiu silenciosamente para a mão de Nathan, que o masturbava. Instantaneamente, o pequeno consultório foi tomado por um odor característico.
— Você soltou esses sons tão altos porque queria que alguém ouvisse?
Nathan endireitou o corpo e tirou as luvas de látex. As luvas coladas saíram com um som seco. Após descartar as luvas sujas de sêmen e gel na lixeira, ele puxou os tornozelos dele. Alex, que estava de bruços com as nádegas empinadas, foi puxado para baixo. Com o tronco ainda sobre a maca, ele pisou no chão de forma vacilante.
— Acorde, Alex.
Nathan deu tapinhas em suas nádegas e segurou sua cintura com firmeza com as duas mãos. Alex, que estava meio fora de si com o resto do clímax, reagiu com um sobressalto quando a glande de Nathan começou a penetrar sua entrada levemente aberta. Mesmo tendo acabado de ejacular, a sensação de queimação e coceira interna não desaparecera, então suas paredes internas reagiram imediatamente, apertando o membro.
— Ah… hng… ah… Nathan… ah… senhor doutor…!
Sem recuperar a razão, Alex continuou a dizer o que estava falando antes. Nathan, ao ouvir ser chamado de “doutor”, soltou um gemido contido entre os dentes e, com um palavrão — “maldito” —, empurrou seu membro para dentro com força. Como em poucas vezes, o preservativo que sempre usavam foi ignorado, assim como na última vez. Era um movimento de quem perdera o juízo, como no dia em que o viu com o uniforme de futebol.
— Vai continuar fazendo… ah… esses sons? Quer que as enfermeiras… ahn… ouçam?
— Ah… hng… não… Nathan… mais, mais… dentro…!
As rodinhas da maca fizeram barulho. Com uma força bruta, o corpo de Alex foi pressionado. Ao mesmo tempo em que sentia a pressão da borda arredondada da maca contra seu abdômen, Nathan o penetrava com força. Com a sensação de que o membro atravessaria sua garganta, Nathan estocava a entrada de forma agressiva. Quando a glande rígida esmagou a próstata de uma vez, o membro de Alex, que acabara de ejacular, ficou ereto novamente.
— Se ouvirem esses gemidos de quem está sendo possuído… todos saberão.
Diante dessas palavras, Alex arranhou a maca com as unhas. O rosto de Thomas, com quem conversara antes de ir procurar Nathan, passou por sua mente.
O que aquele ômega pensaria se o visse assim? Se alguém o pegasse em tal estado, certamente todos o olhariam de forma estranha sempre que ele viesse ao hospital. Um medo súbito o atingiu. Ao mesmo tempo, sua entrada contraiu-se violentamente. Enquanto apertava vorazmente o membro que preenchia seu interior quase a ponto de rasgá-lo, Alex cobriu a boca com a mão esquerda.
— Hng… ah…
— Você já estava soltando esses sons enquanto gozava agora há pouco. Susan, que vimos antes, pode ter ouvido ao passar por aqui.
— N-não… ah… hng!
Susan Ray era outra enfermeira ômega que tratava Alex com carinho. A cena de Susan, colega de Nathan, vendo-o e ficando chocada passou por sua mente.
— Os sons… ah… Nathan… em casa… em casa… hng…!
Mesmo sem fazer qualquer movimento para parar, Alex continuava a dizer que deveriam fazer aquilo em casa. Os sapatos de Nathan bateram nos pés de Alex, forçando-os a se abrir mais, enquanto ele mal conseguia sustentar seu corpo que parecia derreter. Nathan o impelia com severidade, com as pernas de Alex bem abertas e ele deitado sobre a maca.
— Você diz para… ah… parar… mas o que é isso aqui?
— Se alguém… ouvir… eu… ah… pare… pa-pare!
Fingindo resistir, Alex balançava a cabeça freneticamente. A força nas mãos de Nathan, que seguravam sua cintura, era brutal. As estocadas eram tão fortes que não seria estranho se a estrutura de ferro da maca quebrasse.
Sem sinal de que ele pararia, Alex mordeu as costas da mão para tentar conter os sons. Seu cabelo bagunçado grudava na testa suada. Gemidos escapavam entre seus dentes. A saliva escorria, molhando seu queixo e sua mão.
Apesar de tê-lo repreendido por fazer barulho, Nathan pareceu não gostar do silêncio de Alex e mudou o ritmo de forma provocadora. O membro que massageava deliciosamente seu interior coçando foi retirado subitamente. Alex, que recebia as estocadas de forma hipnotizada, sentiu o vazio repentino e tremeu os ombros, virando o tronco para trás.
— Nate…?
— Você não disse que era para fazermos em casa?
Nathan falou com os olhos escurecidos, enquanto afastava o cabelo da testa. Alex arfava, observando Nathan com o jaleco de médico, tendo apenas aberto o zíper para possuí-lo. A percepção de que Nathan o desejava naquela postura impecável de médico fez seu membro ficar ainda mais rígido. A excitação subiu como um incêndio. Ele estava desesperado.
— N-não…
— O que foi?
Alex hesitou. Movendo os dedos e tentando firmar as pernas que tremiam, ele mordeu o lábio. A frase de Nathan dizendo que ele não parecia um alfa ecoava em sua mente, trazendo hesitação, mas sua prioridade era acalmar seu corpo que estava em chamas. Ele não poderia sair dali naquele estado.
— Quero… f-fazer aqui…
— Mesmo que alguém ouça seus gemidos?
Não havia escapatória. Ele não devia fazer barulho, mas queria continuar. Confuso entre essas duas condições contraditórias, Alex decidiu pedir ajuda.
— S-senhor doutor… me ajude… a não fazer barulho…
Alex murmurou com a voz sumida. Assim que ouviu aquilo, Nathan piscou por um momento e, com um suspiro, pressionou o ombro de Alex com força.
— Onde você aprendeu essas coisas?
No momento em que ele ia dizer que não aprendera em lugar nenhum, o que ele tanto desejava penetrou-o novamente. Foi o suficiente para deixá-lo sem fôlego. O membro enterrou-se profundamente em suas entranhas com uma força que parecia que ia atravessar seu abdômen. Alex ficou de boca aberta, sem conseguir emitir som, apenas ofegando. Lágrimas escorreram de seus olhos arregalados. Parecia que algo ia explodir por dentro.
— Ah… hng… ahhh!
— Morda meus dedos.
— Hm… hng… ah…
Os dedos de Nathan entraram em sua boca, que deixava a saliva escorrer desleixadamente. Alex mordeu os dedos enquanto soltava gemidos abafados. Seus dedos longos e bonitos pressionavam sua língua. Alex amava todas as partes de Nathan, mas a ideia de morder seus dedos — uma de suas partes favoritas — fez sua lombar tremer. Sua língua era pressionada repetidamente. A saliva escorria sem parar.
— Ah… hng… ah…
— Você gosta assim, não é?
— Ahn… hm!
Não houve chance de resposta. Nathan o impelia por baixo, fazendo a maca ranger. Sentir o fundo de seu interior sendo pressionado o fazia perder a razão. Mesmo sendo penetrado com tanta força que sentia seu crânio vibrar, ele queria mais, mais e mais intensidade. Certamente havia algo errado com aquele gel.
— Se você lamber direitinho… ah… eu faço com mais força.
Balançando a cabeça freneticamente, Alex começou a chupar os dedos de Nathan, produzindo sons úmidos. Mesmo sendo uma felação desajeitada feita em seus dedos, Nathan excitou-se.
Alex era sacudido sem descanso entre respirações animalescas. Toda vez que seu corpo era impulsionado para cima, as pontas de seus pés perdiam o contato com o chão. Suas mãos, apoiadas na maca, escorregavam no suor. No momento em que sentiu como se estivesse sendo penetrado até o cólon, Alex atingiu o ápice com um grito sufocado.
— Ah… ahhh… hng… ah!
Seus olhos se arregalaram enquanto suas nádegas apertavam o membro com força. Seu membro ereto estava apenas sujo com o sêmen de antes e não expeliu nada. Nathan também sentiu Alex atingir o clímax apenas recebendo o membro por trás. Ele pressionou o abdômen de Alex com força, estocando o membro repetidamente. Parecia que queria enfiar até os testículos lá dentro.
— Por que não faz o nó? Você sabe fazer, nó. Inchar enquanto é possuído.
— Ah… ahh… não diga… essas coisas… n-não… hng!
Lágrimas rolaram diante das palavras provocantes. Nathan o abraçou como se quisesse esmagá-lo, colando seus corpos. O períneo rígido de Nathan encostou nas nádegas de Alex. A temperatura dos dois corpos estava escaldante. Devido às nádegas brilhando de suor, a calça de Nathan também ficou levemente úmida.
— Só assim para ficar claro que você é um alfa.
Com uma mão pressionando firmemente o abdômen de Alex, Nathan desceu a outra mão e começou a massagear a glande dele. Quando começou a estimular o meato urinário com o polegar em movimentos circulares, o corpo de Alex deu um solavanco. Suas coxas tremiam incontrolavelmente. Ele teve espasmos.
— Estranho… estranho! Nathan… pare… pa-pare… eu estou… muito… ah!
Ele se debateu. Soltando choramingos sem filtro, Alex tentou escapar com todas as suas forças. Nathan, franzindo o cenho, dominou o corpo que lutava e continuou os movimentos. O membro, que estava no ápice da sensibilidade, foi estimulado pelo polegar macio e logo começou a mudar de forma, exatamente como Nathan queria.
O membro inteiro inchou gradualmente. A base inchou primeiro e a glande arredondada na ponta tornou-se uma massa rígida e sólida. Ao sentir o membro pulsar, Nathan cravou os dentes na nuca de Alex. Com uma dor aguda, Alex soltou um gemido estridente. Seu queixo tremeu e sua cabeça pendeu para trás sem forças.
— Você é mesmo um alfa, meu Alex.
Nathan continuou agitando seu membro ainda enterrado. No momento em que ele massageou a próstata, o sêmen explodiu da glande inchada. E, desta vez, veio acompanhado de um jato de urina que seria impossível conter. Diferente da urina comum, era transparente e sem odor, mas a ideia de estar urinando enquanto fazia o nó, como uma criança que não consegue se controlar, fez Alex explodir em prantos. Com uma sensação de alívio que beirava a loucura, ele soltou um som de falta de ar enquanto seu tronco tremia violentamente.
Abraçando Alex com força, que não conseguia controlar os tremores de seu próprio corpo, Nathan também atingiu o clímax dentro dele. Respirações ofegantes ecoavam perto de seu ouvido. Sendo estimulado novamente pela respiração rouca e sexy, Alex continuou a expelir um fio fino de líquido.
O líquido, misturado com sêmen claro, escorreu pela frente de suas coxas e acumulou-se sobre seus sapatos. Gotas caíam sobre os sapatos pretos. Uma pequena poça formou-se no chão. Ele tinha, literalmente, urinado enquanto era possuído.
Respirações arfantes preenchiam o consultório com calor. Ainda nos braços de Nathan, Alex desabou vacilante. Tanto sua força física quanto suas pernas robustas sempre se tornavam inúteis diante de um Nathan que o possuía de forma frenética.
Como continuava a tremer intermitentemente devido à excitação que não diminuía, Nathan retirou seu membro e o pegou no colo. Nathan respirava com dificuldade enquanto o sentava na maca bagunçada.
Olhando para o rosto atordoado de Alex, Nathan segurou suas bochechas coradas. Quando o calor das mãos dele tocou seu rosto, Alex começou a recuperar os sentidos aos poucos. Por estar tão fora de si, Alex tinha dificuldade em abrir a boca. Sua garganta estava seca de tanto gemer. Ele sentia sede. Seu corpo inteiro estava quente e sua entrada ardia. O mais estranho era que, mesmo após ter sido possuído daquela forma, ainda sentia uma coceira atrás.
— Alex, olha para mim.
Alex, tendo sido “treinado” por Nathan, levava um tempo considerável para recuperar a razão após sentir prazer intenso durante o sexo. Quando ele finalmente conseguiu levantar as pálpebras, Nathan o beijou suavemente nos lábios.
— Você sentiu demais.
— Hm…
Sem saber ao que estava respondendo, Alex assentiu. Nathan o beijou mais algumas vezes, ajeitou suas próprias roupas primeiro e buscou uma garrafa de água na mesa.
Ele abriu a tampa e encostou cuidadosamente o gargalo nos lábios de Alex. Como estava com sede, Alex abriu os lábios em silêncio. Nathan inclinou levemente a cabeça dele para trás e o ajudou a beber água com cuidado. Só então a razão voltou de vez.
— Nathan…
Como se estivesse reiniciando lentamente, Alex finalmente conseguiu observar os arredores. Suas calças, felizmente, tinham sido tiradas antes e estavam jogadas em algum lugar, então não se sujaram, mas a camisa era um problema. Estava encharcada de sêmen e suor, revelando a silhueta de seu corpo. E a maca? Estava suja com os fluidos que ele mesmo expelira.
— E se alguém ouviu?
— Só agora você se preocupa com isso?
Era verdade, mas ele não podia evitar a preocupação. Ele não entendia como as coisas tinham chegado àquele ponto, já que certamente não pretendia cometer tal ato impudente num hospital.
— …Você não vai ser demitido?
Alex estava mais preocupado com o emprego de Nathan do que com sua própria reputação. Diante disso, Nathan deu uma risada.
— O isolamento acústico aqui é bom, está tudo bem. Se fechar bem a porta, quase nada do que é dito aqui dentro pode ser ouvido lá fora.
— Mas eu acho que fiz muito barulho…
Sentindo que tinha causado problemas, Alex sentiu vontade de chorar novamente. Nathan encostou os lábios nos olhos dele, que estavam marejados. Ele ajeitou o cabelo bagunçado de Alex e sussurrou:
— Não tem muita gente passando por aqui a esta hora. Não se preocupe. Você não fez tanto barulho quanto pensa.
— Sério?
— Sim.
Ele ainda estava ansioso, mas como o ato já fora consumado, não havia o que fazer. Ele também não tinha energia mental para pensar em soluções, já que o impacto desse “roleplay” inesperado, iniciado por um simples convite de Nathan para entrar, fora forte demais. Os dois ficaram com as testas encostadas por um tempo e depois riram juntos ao verem a maca e o chão bagunçados.
— Temos que limpar isso bem antes de ir.
— É verdade.
— Tudo bem fazer isso no consultório de outra pessoa…?
— Tudo bem. Aquele cara também já fez muito isso aqui com a namorada depois do expediente.
Nathan disse aquilo com naturalidade, embora Alex não soubesse como ele tinhas essa informação. Após beijar a bochecha de Alex mais uma vez, Nathan o ajudou a descer da maca. Assim que seus pés tocaram o chão, o sêmen começou a escorrer por suas coxas. Os olhos de Nathan acompanharam o movimento.
— N-nós temos que ir fazer compras.
Alex disse apressadamente ao notar o olhar delescurecer novamente. Nathan, ao contrário do que sua aparência sugeria, tinha um desejo sexual muito voraz e frequentemente se excitava com detalhes que Alex não compreendia, deixando-o fora de si como acabara de acontecer. Nathan dizia ter fobia de germes e, pelo que Alex via, ele era uma pessoa muito limpa, mas quando perdia a razão, esquecia o preservativo ou até lambia sua parte de trás, como no outro dia.
— Eu sei.
Nathan massageou a testa como se estivesse se contendo, aproximou-se lentamente e começou a limpar a parte de trás de Alex com lenços de papel do consultório. Quando Nathan o inclinou levemente para limpar o sêmen que estava dentro dele, Alex soltou um gemido involuntário e enfrentou mais um momento de dificuldade para se controlar.
Após limpar o corpo de Alex, Nathan o ajudou a vestir sua própria camisa social. A camisa de Nathan sobrava na cintura de Alex e ficava um pouco justa no peito. Nos ombros, a linha da costura ficava diferente, já que Nathan era um pouco mais largo. Nathan, por sua vez, vestiu sua roupa de prática e o jaleco de médico por cima.
Em seguida, Nathan começou a limpar o consultório. Ele impediu que Alex o ajudasse e o sentou em uma cadeira, limpando pessoalmente os fluidos e o sêmen que Alex expelira.
A cena era tão vergonhosa que Alex manteve o olhar baixo, encarando as próprias coxas. Seus punhos cerrados estavam avermelhados.
Fazer sexo fora de casa, e ainda por cima num hospital sagrado. Ele sentiu uma onda de culpa por ter agido contra a ética de sua profissão.
Só depois de ventilar a sala é que os dois se prepararam para sair do consultório. Alex achava que tinha chegado por volta das 17h30, mas já eram quase 19h. O fato de estarem saindo depois de tanto tempo parecia suspeito para qualquer um, e o rosto de Alex ficou vermelho.
Sentindo que ia enlouquecer de vergonha, Alex escondeu-se atrás de Nathan. Nathan deu uma risadinha ao vê-lo assim e abriu a porta com naturalidade. No momento em que a porta se abriu, Alex fechou os olhos com força, imaginando que todos no corredor estariam olhando para ele.
— Vamos.
No entanto, não havia ninguém no corredor. A enfermeira no balcão do terceiro andar, que o orientara antes, já havia sido substituída. Alex olhou para lá com estranheza, e Nathan explicou:
— Há uma troca de turno antes das 18h.
— Entendi.
Nathan era mesmo inteligente. Ele teria sido um ótimo agente do MI6 se quisesse.
— Vamos comprar as coisas rápido antes que as lojas fechem.
Nathan disse, segurando a mão de Alex com firmeza. Alex, ainda escondido atrás de Nathan, assentiu com um sorriso tímido.
Eles foram a uma loja de artigos de festa em Brixton. Este lugar, que raramente ficava aberto até tarde, vendia uma vasta gama de produtos para festas, incluindo fantasias de diversos tipos.
Nathan acabou comprando o chapéu cônico. Após comprarem um cartão com um desenho de cachorro, várias fitas, correntes de papel decorativas e até fogos de artifício, eles seguiram para Shoreditch e compraram jantar em uma famosa casa de kebab.
O ar da noite estava fresco. O som de risadas animadas vinha de algum lugar trazido pelo vento. Caminhando sob os prédios altos e as luzes excessivamente brilhantes, Alex sorria silenciosamente. Nathan, que caminhava ao seu lado em silêncio, falou:
— Por quê?
— O quê?
— Você está sorrindo.
Alex amava isso nele. O fato de Nathan estar sempre atento a ele, mesmo quando parecia não estar olhando. “Você, que encontrou facilmente minha tristeza que ninguém mais percebia. Você, que observa meus sentimentos com esse rosto indiferente.”
— É que… estou feliz.
Ele acariciou a mão que estava entrelaçada à de Nathan. Embora Londres fosse seu local de nascimento, a cidade sempre lhe parecera grande e vasta demais. O vento de inverno que soprava entre os prédios cerrados era solitário a ponto de ferir a alma, o céu sombrio nunca desaparecia durante o ano inteiro, assim como seu coração, e mesmo no verão ensolarado, Alex às vezes sentia como se estivesse sozinho em um espaço vazio.
Todo esse vazio desapareceu por causa de uma única pessoa. O fato de ter alguém que o amava e valorizava, de ter um namorado a quem ele amava, mudou tudo ao seu redor. Exatamente como quando ele era criança e não se preocupava com nada ao lado de Nathan.
Então, desde o início, aquilo deve ter sido amor.
— Gosto de ter você ao meu lado — continuou Alex calmamente. O sol, que começara a se pôr tarde, desaparecia em tons avermelhados na linha do horizonte. Alex acenou levemente para o pôr do sol, que misturava tons de roxo e laranja.
— Acho que sou uma pessoa de muita sorte.
Só o fato de Nathan estar ali tornava aquele momento o mais belo de todos. O vento fresco com cheiro de grama, o ar morno, as buzinas dos carros — tudo se tornava um elemento que dava valor à vida. Mesmo olhando para os estudantes correndo ao longe e as pessoas rindo animadas, ele não se sentia mais sozinho.
Porque ele também era uma daquelas pessoas.
— Eu que deveria dizer isso.
A mão fria de Nathan envolveu completamente a mão de Alex. Seus olhares, que seguiam o mesmo ritmo dos passos, cruzavam-se e se roçavam repetidamente. Alex riu alto.
— Eu te amo.
— Eu te amo muito mais!
— É.
“Você tem razão.” Nathan sorriu levemente. Observando o rosto pálido dele iluminado pelo tom arroxeado do crepúsculo, Alex balançou as sacolas de compras.
As duas sombras alongadas se estendiam pelo chão. As sombras que caminhavam pela calçada permaneceram de mãos dadas, entrelaçadas como se fossem uma só, até chegarem ao fim do caminho.
↫─ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna