❖ Mind the language, 02
❖ Mind the language, 02.
2.
O presságio sinistro trazido pelo pesadelo revelou sua verdadeira face no dia seguinte. O começo foi comum. Uma manhã extremamente feliz e pacífica.
— Quando você tira suas férias de verão? — perguntou Alex, enquanto servia geleia de mirtilo e marmelada de laranja para passar na torrada. Desde o início do verão, Alex estava ansioso pelo aniversário de Nathan em agosto e já havia sugerido que planejassem as férias para coincidir com a data.
Seria a primeira vez que comemorariam o aniversário de Nathan adequadamente. Como o aniversário dele sempre caía durante as férias escolares, Alex não se lembrava de ter celebrado com ele nem na época do ensino médio. O último verão que passaram juntos tinha sido um desastre por causa de David Mack, então, tecnicamente, esta seria a primeira vez que Alex cuidaria do aniversário de Nathan.
Além disso, como sempre fora ele quem recebia, queria se esforçar ao máximo para retribuir desta vez. Graças ao fato de não precisar mais pagar dívidas alheias, ele conseguiu economizar algum dinheiro. Queria comprar as passagens aéreas, reservar uma boa acomodação e criar memórias maravilhosas para Nathan. Ele ainda estava escolhendo o presente que entregaria durante a viagem.
— No início ou no meio de agosto. Se você me disser o dia que prefere, eu me ajusto.
— Sério? Você consegue fazer isso?
— Consigo. E você?
— Acho que para mim também está tudo bem.
Embora precisasse vencer o campeonato de futebol para aproveitar com tranquilidade, ele estava confiante nisso. Nathan, limpando o rosto sonolento e lânguido, parou atrás de Alex. Envolvendo-o por trás, quase sobrepondo seus corpos, ele esticou o braço em direção à torradeira. Com isso, Alex acabou aninhado em seus braços. O perfume seco e sutil de Nathan se espalhou. O corpo de Alex aqueceu levemente. Sentindo uma timidez súbita, ele baixou o olhar.
— O que você quer fazer nesta quarta-feira? — Nathan perguntou enquanto colocava as torradas no prato. Alex inclinou a cabeça para o lado. Esta quarta-feira?
— Na quarta…
Pensando bem, havia um compromisso. Ele se lembrou de Matthew perguntando algo de passagem, junto com Anna, na semana passada. Quando perguntado sobre o que faria na quarta, ele respondeu que não tinha planos, e então recebeu o convite para irem todos a um pub. Como Nathan sempre ficava no hospital até tarde nos dias de semana, Alex aceitou o convite sem pensar muito.
— Acho que vou sair com o Matthew.
Nesse momento, a mão de Nathan, que servia as torradas, parou.
— Você vai sair com Matthew Wayne na quarta-feira?
— Uhum.
Alex virou o pescoço cautelosamente para trás. Ao olhar para cima, viu os olhos verdes de Nathan o encarando de forma assustadora. Ele piscou. O silêncio que fluía entre eles era denso de tensão. Ele percebeu sem dificuldade que Nathan estava bravo. Aquilo era a especialidade de Alex. Quando o humor de Nathan azedava, ele conseguia notar instantaneamente, mesmo sem saber o motivo. Talvez fosse por ter levado tantas broncas no passado.
— …Ei, você está bravo por acaso?
O que o deixava ainda mais frustrado era o fato de que Nathan continuava lindo e atraente mesmo quando estava com raiva. A luz do sol que entrava pela janela da cozinha banhava a pele pálida dele como uma pérola branca, fazendo com que Alex esquecesse de desviar o olhar e ficasse admirando seu rosto por um momento. Parecia uma pintura detalhada.
Seus cílios, que pareciam ainda mais claros sob a luz, piscavam suavemente. Nathan torceu os lábios. Alex desviou o olhar. Ele realmente não conseguia entender o motivo.
— Estou — disse Nathan de forma curta. Alex arregalou os olhos.
— Por quê?
— Por que você pergunta?
— Eu fiz algo errado?
Alex repassou suas ações mentalmente. Nathan não era do tipo que trazia assuntos do passado à tona, então não deveria ser por causa do que aconteceu no cinema ontem. E ele também tomou banho rápido ontem…? Levou apenas quinze minutos!
— Cancele o compromisso com Matthew Wayne na quarta-feira — disse Nathan. Sua voz era tão fria que parecia capaz de cortar. Por um momento, Alex ficou sem fala. Sentiu um aperto no peito, uma sensação de sufocamento que logo se transformou em mágoa. Ele moveu os lábios hesitante.
— Precisa mesmo ser assim?
Na verdade, cancelar o compromisso com Matthew não era difícil. Afinal, a palavra de Nathan era praticamente lei para Alex, e não é como se ele fizesse questão absoluta de ver Matthew. Não me leve a mal, Alex Yeon gostava muito de Matthew Wayne.
Mas obedecer cegamente daquela forma, estranhamente, não lhe parecia bem. Aquele tom autoritário o incomodou hoje. Primeiro, estava triste por estarem brigando logo cedo. E além disso…
— Não é óbvio? Por que você vai ver o Matthew Wayne na quarta-feira?
Nathan, por algum motivo, não gostava muito de Matthew. Ele não era abertamente rude, mas ficava na defensiva sempre que Alex estava com ele. Antes, Alex até gostava disso, sentindo que Nathan estava com ciúmes, mas hoje aquilo lhe causou ressentimento. A imagem das duas mulheres que encontrou nos últimos dois dias passou pela mente de Alex.
Uma sensação de injustiça subiu por seu peito. Alex apertou os lábios e franziu as sobrancelhas. Sinceramente, não havia razão para Matthew ser perseguido daquela forma. Matthew foi a única pessoa que cuidou dele quando Nathan não estava presente e, além do mais, era apenas um amigo. No entanto, o lado de Nathan não estava cheio de mulheres que não eram apenas amigas?
Se fosse analisar, a médica que viu o filme com Nathan ainda devia estar no hospital, e ele também já teve encontros com Amy. Afinal, foi Nathan quem salvou Amy, e os dois quase tiveram algo a mais.
E não era só isso. Poderia haver dezenas, ou talvez centenas de mulheres por toda Londres que ele nem sequer imaginava. Era natural, já que Nathan era extremamente bonito, mas mesmo assim…!
— Mas… foi um compromisso que fiz primeiro com o Matthew. Não acho certo cancelar.
Da boca de Alex saiu uma resposta que Nathan jamais esperaria. Desta vez, foi Nathan quem arregalou levemente os olhos. Alex fechou bem a boca e escapou do abraço de Nathan. Retirando-se como se estivesse fugindo, ele pegou a bandeja com as torradas e a colocou sobre a mesa de jantar.
— Você está dizendo que não quer?
Nathan o seguiu imediatamente. Olhando para Alex, que puxava a cadeira para se sentar, Nathan fez o mesmo. Ele assentiu. Por ser sua primeira rebeldia contra Nathan, sentiu um leve tremor no fundo do coração. Mas o peso da mágoa sem motivo aparente era maior. Ele decidiu manter a resistência por mais um pouco.
— …Sim, não quero. Vou me encontrar com o Matthew na quarta.
Ao dizer aquilo, sentiu como se seu coração fosse parar. Nathan perguntou de volta com uma voz seca, sem qualquer variação de tom:
— Está falando sério?
O clima era de que algo terrível aconteceria se ele confirmasse. Mas Alex mordeu o lábio e insistiu em sua teimosia.
— Sim, estou falando sério.
O tom de voz, antes baixo, começou a subir. A atmosfera tensa começou a se aproximar do que as pessoas chamam de “briga”. Por nunca ter feito aquilo na vida, Alex se sentia estranho ao falar, mas não recuou. Sempre que pensava em ceder, as mulheres do passado de Nathan voltavam à sua mente. Parecia que algo estava prestes a explodir.
— É mesmo? — Um sorriso sarcástico surgiu no rosto de Nathan. Foi a primeira vez que Alex viu Nathan sorrir enquanto estava com raiva. Ele prendeu a respiração por um instante. Aquilo era um pouco assustador.
— Então quer dizer que, no dia do seu aniversário, você prefere sair com um amigo do que com seu namorado?
E Alex, finalmente, percebeu o motivo da fúria de Nathan. Seu coração deu um solavanco.
Ah… quarta-feira é o meu aniversário.
Ele não tinha pensado nisso em momento algum. Uma onda de constrangimento o atingiu. Como nunca havia comemorado o próprio aniversário, ele se esqueceu completamente. Para Alex, o aniversário era apenas a data em que seu nascimento foi registrado, um número em um documento.
Foi por isso que Nathan ficou bravo. Ele tinha todo o direito de estar. A confiança que ele sentia há pouco desmoronou rapidamente. Precisava se desculpar. Ele estava errado. Alex ia abrir a boca para se redimir, mas Nathan falou em voz baixa:
— Tudo bem, então. Se você quer me ver saindo com outra pessoa no seu aniversário, que assim seja.
O tom era afiado. Se ele tivesse parado para pensar um pouco, veria que tanto ele quanto Nathan estavam com os nervos mais à flor da pele do que o normal. Mas Alex também não tinha espaço mental para isso. Ao ouvir a expressão “outra pessoa”, ele fechou a boca imediatamente.
“Eu só tive você em toda a minha vida, Nathan.”
De repente, ele pensou nisso. É natural que as pessoas conheçam outras pessoas. O que aconteceu quando Nathan não gostava dele, ou quando se afastaram por erro de Alex, eram áreas que ele não podia controlar.
Mas ele odiava encarar os vestígios disso com os próprios olhos. E, no meio disso, sentiu um ressentimento profundo por Nathan estar bravo por causa de Matthew — seu único amigo — enquanto Nathan, ao contrário dele, devia ter vários amigos e conhecidos por perto.
— …Se é isso que você quer, tudo bem. Diferente de mim, você tem muita gente para encontrar, Nathan. Em qualquer lugar de Londres existe uma mulher que te conhece.
Foi então que ele disse aquilo.
Um comentário excessivamente afiado e mesquinho para vir de Alex Yeon.
— …O quê?
Nathan hesitou. Alex calou-se e, sem sequer tocar na torrada que preparara para o café da manhã, puxou a cadeira e levantou-se. Após dar voz à sua mágoa, sentiu uma tristeza indescritível.
— Diferente de você, Nathan, a única pessoa com quem eu namorei foi você. E eu não entendo por que você trata o Matthew, que é meu amigo, dessa forma. Eu vou indo na frente.
Sim, esse era o problema.
O fato de que, ao contrário dele, que só conheceu Nathan em toda a vida, Nathan tinha um passado. Independentemente de Nathan o valorizar mais do que tudo, ele detestava, de forma infantil, o fato de não serem iguais nesse aspecto.
Doía pensar que a experiência de Nathan vinha de outras pessoas. Tinha ciúmes de que o primeiro beijo dele não tivesse sido com ele. Odiava saber que não era o único que conhecia o rosto sorridente de Nathan, e a suposição de que aquelas mulheres poderiam ter beijado Nathan era agonizante.
Era difícil aceitar que existia um Nathan que ele não conhecia. Que houve pessoas que ocuparam o lugar de Nathan durante o longo hiato que ele mesmo causou.
E o fato de Nathan não perceber isso.
— Alex, espera um pouco. Por que você está falando isso de repente…!
A expressão de Nathan desmoronou rapidamente. Demonstrando uma surpresa rara em seu rosto, ele seguiu Alex apressadamente.
— Não quero falar com você agora. Conversamos depois.
Evitando Nathan, que tentava segurar seu pulso, Alex caminhou rapidamente para a sala. Pegou sua bolsa e roupas que já estavam prontas e abriu a porta da frente. Sem nem olhar para trás para ver Nathan que o perseguia, Alex fugiu. Com toda a sua velocidade, como se estivesse em campo jogando futebol.
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Fazia tempo que ele não usava o transporte público. Confuso sobre qual ônibus pegar em Shoreditch, acabou pegando o metrô. Como o metrô era uma conexão direta que o lembrava de Nathan, seu humor afundou ainda mais ao entrar na estação.
Ao contrário de seu estado deplorável, os arredores estavam repletos de turistas felizes com o tempo agradável. Observando melancolicamente os turistas misturados aos trabalhadores, Alex pegou o celular. Era para verificar se Nathan havia entrado em contato, apesar de terem se separado há poucos minutos.
No entanto, como sempre, não havia sinal no metrô. Mesmo quando pegava, caía logo em seguida ou o sinal era fraco.
“Metrô maldito.”
Descontando sua frustração sem motivo no transporte, Alex chegou à central de polícia. Diferente de quando morava nas profundezas da Zona 3, Shoreditch não era tão longe da central, então ele chegou à sede muito mais rápido do que antes.
Mas demorou mais do que quando Nathan o levava de carro. Por ter saído de casa correndo, Alex acabou se atrasando.
— Ah, Alex.
No elevador, Alex deu de cara com Matthew. Ele olhou tristemente para a principal causa do conflito daquela manhã. Matthew parecia não saber de nada. E, claro, ele não saberia.
— Oi.
— Você disse que estava doente, parece que é verdade mesmo.
Matthew se preocupou ao ouvir a voz sem energia dele. Alex lembrou-se da mentira que Nathan contou por ele. Disse que estava com enterite. Ao recordar do seu namorado, que conseguia mentir de forma tão elegante, seu coração fraquejou rapidamente. Queria voltar agora mesmo e pedir desculpas. Pegou o celular novamente.
Mas não havia mensagens nem chamadas.
O rosto de Alex escureceu rapidamente. Sua mão hesitou ao abrir a janela de mensagens para enviar algo. Quem ficou bravo primeiro de manhã foi o Nathan. Ele poderia ter falado de um jeito melhor. O que meu aniversário tem de tão importante? Pensando nisso, Alex perguntou a Matthew:
— Matthew, você sabia que quarta-feira é meu aniversário?
— Sim. É 7 de julho. Por isso eu disse para a gente sair.
— Entendi.
Pelo visto, todos sabiam, menos ele. Como a divisão de investigação conhecia os dados pessoais de cada um, o departamento costumava celebrar brevemente os aniversários dos funcionários.
O aniversário de Alex sempre foi assim. A última vez que ele celebrou adequadamente foi antes da separação de sua mãe. Depois disso, ele não se importou mais em comemorar. Sendo assim, não havia razão para ele dar importância à data. Ele sabia o aniversário de Nathan, mas esquecia o seu próprio. Às vezes, houve momentos em que o simples fato de estar vivo e existindo era um fardo pesado demais.
— Você não sabe o seu próprio aniversário? — perguntou Matthew, aproximando-se e investigando. Alex deu de ombros.
— É 14 de fevereiro.
— Então por que você não sabe o seu?
— Não é algo importante.
Alex respondeu com indiferença. Matthew, incrédulo, bagunçou o cabelo de Alex. Um gesto que o deixava feliz quando Nathan fazia, mas que vindo de Matthew era péssimo. Alex afastou a mão de Matthew sem força.
— Por que você diz isso? Aquele seu namorado arrogante não comemora com você?
Alex virou o rosto. Arrogante? Como ele podia dizer algo assim de alguém tão gentil e sensível como Nathan? Alex finalmente entendeu por que Nathan não gostava de Matthew.
— Por que o Nate seria arrogante?
— Ele me olha de um jeito sinistro sempre que me vê, é claro que é arrogante.
— Não diga isso. O Nate tem o coração muito mole.
Matthew contorceu os lábios de forma estranha e ajeitou os óculos. Suspirando, ele mudou de assunto.
— Enfim, vamos sair na quarta como planejado, certo?
Alex piscou. O celular continuava em silêncio, e ele não conseguia se imaginar passando a quarta-feira, dali a dois dias, em um clima agradável com Nathan. Estava confuso. Além disso, fora ele quem disse que deveria cumprir o compromisso prévio. Não podia voltar atrás na sua palavra.
— Sim. Nathan ficou bravo porque eu disse que ia sair com você. Então não tenho escolha a não ser ficar com você.
— …Eu juro que não fiz nada.
— Eu sei.
A porta do elevador se abriu. Alex caminhou sem energia pelo corredor. A luz fluorescente do corredor parecia sombria em comparação ao sol de verão.
Devido à sua aparência abatida, o Sargento Hayden acreditou plenamente na mentira de Alex. Dizendo que ele precisava recuperar a forma física antes da partida, ele ordenou que Alex ajudasse com as tarefas internas.
Talvez por estar sempre sorrindo desde que se entendeu com Nathan, sua tristeza estava muito evidente. Hoje, sem motivo aparente, Alex recebeu chocolates de colegas que passavam por ele. Ao seu lado, Anna fez um elogio que parecia um insulto, dizendo que ele parecia um cachorro recebendo petiscos.
Mas nem mesmo o seu chocolate favorito melhorou seu humor. Pelo contrário, conforme a hora de sair se aproximava, Alex ficava mais ansioso.
Porque Nathan continuava sem dar notícias.
Agora a situação estava mais ambígua. Ao contrário de como agia diante de Nathan — sem qualquer orgulho —, desta vez fora ele quem se irritara primeiro, e como Nathan realmente não ligava, ele começou a agir por teimosia. Tornou-se um impasse onde ninguém havia cometido um erro específico, mas ambos estavam em pé de guerra.
Alex ainda tentou manter um fio de esperança. Pensou que talvez Nathan entrasse em contato na hora da saída.
No entanto, as 18h passaram, as 19h chegaram, e o celular de Alex permanecia mudo. Nathan, que até três dias atrás enviava mensagens carinhosas dizendo que iria buscá-lo, não disse nada. Matthew se aproximou de Alex, que estava sentado pronto para ir embora. Ele tocou o ombro dele.
— Ainda vivo?
— Não estou muito bem.
— Droga, parece que vocês brigaram por minha causa.
Matthew coçou a cabeça e perguntou novamente a Alex:
— O que você vai fazer?
Alex, que olhava para Matthew sentado, levantou-se abruptamente e disse:
— Vamos.
— Aonde?
— Para a sua casa.
— Por que para a minha casa?
— Quero dormir lá hoje.
A essa altura, Alex já estava com medo. Parecia que Nathan estava mais bravo do que ele podia suportar. A teimosia que surgira discretamente até a hora do almoço já havia desaparecido há muito tempo. Ele tinha medo de ir para casa e brigar ainda mais com Nathan. Para ser mais exato, tinha medo de levar bronca. Dizem que quem sabe xingar é quem já xingou, e quem sabe ficar bravo é quem já ficou. Ficar bravo com Nathan era um fardo pesado demais para a mente de Alex suportar. Ele não queria mais ficar bravo.
— Acho que isso não é uma boa ideia.
Alex não respondeu. Ele apenas segurou sua bolsa com firmeza e continuou olhando, até que Matthew soltou um som estranho e bagunçou o próprio cabelo. Ele olhou para o teto e falou com uma voz solene:
— O jantar vai ser lasanha.
O acordo foi selado. Alex assentiu. Matthew pegou as chaves do carro e seguiu na frente como alguém que faz algo que não quer fazer.
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E assim, de volta ao presente, Alex estava na cozinha de Matthew preparando a lasanha como um escravo culinário. Por ser um prato que exige muito trabalho, ele nem sequer o preparava com frequência para Nathan, e estar cozinhando aquilo para Matthew o fazia sentir-se em uma situação lamentável.
— Mas vocês brigaram mesmo por causa do aniversário?
Matthew se aproximou de Alex, que espalhava o molho rico em carne entre as camadas de massa da lasanha. Com uma lata de cerveja na mão, ele se encostou no balcão da cozinha.
— Eu também não sei direito. Só me senti um pouco mal.
— Que estranho. Você fica feliz só de estar perto daquele cara. Já esfriou?
— Não!
De jeito nenhum. Alex respondeu sobressaltado pela pergunta. Sentiu como se a simples pergunta trouxesse má sorte. Teve vontade de jogar água benta em Matthew.
— É que… diferente de mim, o Nathan já namorou muita gente…
— Muita gente?
— Durante o fim de semana, continuei encontrando pessoas com quem o Nathan já saiu.
— Nossa, que impressionante.
Quando Alex parou de mover a espátula de molho, Matthew calou-se.
— Ver essas coisas me deixou mal. E eu disse que ia te encontrar sem nem saber que era meu aniversário, então quando o Nathan ficou bravo primeiro, de repente fiquei ressentido… Na verdade, nem eu sei por que estou agindo assim.
Matthew tomou um gole de cerveja e, desta vez, riu. Alex o observou, pensando se seria um novo método de provocação, mas Matthew acenou negativamente e disse:
— Não, é que é incrível ver o dia em que você fala essas coisas chegar. Realmente, vocês dois estão em um relacionamento sério.
— Por quê?
— Vocês estão namorando de forma normal. Sentindo ciúmes, brigando.
Matthew terminou a cerveja e colocou a lata no balcão. Ele se inclinou, apoiando os cotovelos no balcão, e sorriu olhando nos olhos de Alex. Como estava sem óculos por estar em casa, seus olhos se curvaram em um arco bonito.
— Você não expressava o que sentia, apenas aguentava, aceitava o que as pessoas que você chama de pais faziam… Mas agora, você faz o que quer.
— Mesmo tendo brigado?
— Sendo seres humanos, é óbvio que podem brigar. Acho que isso pode acontecer mesmo que vocês combinem muito. Não tenha medo disso. Conflitos assim podem ajudar às vezes. Em vez de guardar tudo, é melhor colidir e resolver. É como nos casos de investigação.
Alex refletiu silenciosamente sobre as palavras de Matthew. Ele assentiu enquanto espalhava o molho meticulosamente.
— Obrigado.
— Então não fique tão deprimido. Ele vai vir te buscar de qualquer jeito.
A frase seguinte soou estranha. No momento em que Alex abriu os lábios para perguntar o que aquilo significava, a campainha tocou. Matthew disse “chegou a hora” e, como alguém que já esperava por aquilo, arrastou os chinelos para fora da cozinha. A campainha tocou mais uma vez. Diante do som insistente, Alex também saiu da cozinha.
Matthew abriu a porta com um suspiro e um gesto de relutância. Assim que a porta se abriu, uma figura alta surgiu. Nathan estava lá, sem nem ter tirado o jaleco branco de médico. Seu cabelo estava bagunçado, como se tivesse corrido, e sua expressão era intensa. Um silêncio gélido se instalou entre os três.
Matthew foi o primeiro a falar.
— Só para constar, eu não fiz nada.
Nathan olhou para Matthew com desaprovação por um momento e, após um suspiro, falou:
— Obrigado por me avisar.
Matthew olhou para Nathan, atordoado. Alex estava paralisado, dividido entre a felicidade de ver Nathan e o medo de como seria a bronca. Mas, no fim, o primeiro sentimento venceu. Depois de passar o dia inteiro sem conseguir ligar ou mandar mensagem para Nathan, ver seu rosto o deu vontade de chorar.
— Nate…
Ao chamar seu nome baixinho, Nathan entrou decidido no hall de entrada. Matthew foi recuando lentamente e acabou entrando de vez na casa.
— Como você veio parar aqui?
— Você tem algum outro lugar para fugir além daqui?
Nathan olhou para Alex com uma expressão de quase loucura, soltou um longo suspiro e passou a mão pelo rosto. Após afastar o cabelo de forma irritada, ele fechou e abriu os olhos.
— Você pretendia dormir aqui? Sem voltar para casa?
— É que… achei que você estivesse bravo…
— Quem estava bravo era você.
Nathan mordeu o lábio. Com o peito subindo e descendo pesadamente, ele puxou Alex para si. Envolvido nos braços dele em um instante, Alex retribuiu o abraço rapidamente. Nathan disse com uma voz exausta:
— Se o seu plano era me deixar louco, você conseguiu. Não consegui fazer nada o dia todo.
A palma da mão que envolvia as costas de Alex o pressionava com força. Seus dedos apertavam a roupa fina, como se estivessem prestes a penetrar na pele. Alex levantou levemente a cabeça e observou cautelosamente os olhos de Nathan.
— Por que você não entrou em contato…?
Ao perguntar o que tanto o intrigava, Nathan enterrou o rosto no ombro dele. Como alguém que encontrou algo perdido, ele não soltava Alex. Ao fundo, ouviram Matthew resmungar sobre eles fazerem de tudo na casa alheia, mas ambos o ignoraram.
— Você disse que não queria falar comigo.
— Então você ficou esperando?
— Sim.
Então era isso. A dúvida foi resolvida. Com isso, o peso no coração de Alex derreteu instantaneamente. Em vez disso, outro sentimento surgiu, e Alex sussurrou enquanto esfregava a testa contra o peito de Nathan: “Meu namorado é tão atencioso”.
— Me desculpe.
— Não. Eu fui grosseiro. Eu que devo pedir desculpas. Vamos embora primeiro. Chega de ficar aqui.
Alex assentiu apressadamente. Nathan suspirou mais uma vez e segurou as bochechas dele com as duas mãos. Seus olhos verdes profundos encaravam Alex intensamente. Matthew gritou lá de trás:
— Você tem que terminar a minha lasanha antes de ir!
Finalmente percebendo a presença de Matthew, Alex olhou para trás. Nathan virou a cabeça de Alex de volta, prendendo-o em seu abraço.
— Compre algo pronto. Eu te mando o dinheiro.
Matthew ficou irritado com a resposta.
— Eu já disse que a lasanha do Alex é melhor do que a comprada!
— Por isso mesmo eu não quero deixar você comer — disse Nathan sem piedade. Matthew, com uma expressão de indignação total, gritou para Alex:
— Alex, como você pode ver isso e não dizer que ele é um arrogante?
Com um rosto de quem respondia o óbvio, Alex olhou de relance para Matthew e disse:
— É. Ele é fofo.
Nathan acariciou o cabelo de Alex, como se ele tivesse feito um bom trabalho. Era esse toque. O carinho de Nathan, e de mais ninguém, era o que ele mais amava. O rosto que estivera deprimido o dia todo se iluminou com um sorriso tímido.
Embora tivessem feito as pazes, o caminho para casa foi silencioso. Alex estava sentado no banco do passageiro com as costas eretas, alternando entre olhar de relance para Nathan e desviar o olhar sempre que seus olhos se cruzavam.
Era uma sensação estranha. Morando juntos, era comum Nathan chegar tarde ou Alex se atrasar, passando o dia sem se verem. No entanto, hoje parecia que tinham ficado separados por um tempo muito maior.
Matthew disse que brigar era normal, mas Alex não queria passar por isso novamente. Tentar ficar bravo com Nathan foi mais exaustivo para o próprio Alex.
Nathan permaneceu em silêncio até chegarem em casa. Ele só falou quando terminou de estacionar na garagem.
— Eu sei que o Matthew Wayne é seu amigo — começou ele, tirando a chave da ignição. — Mas esse homem esteve ao seu lado durante o tempo em que eu não estive.
No silêncio tranquilo, Nathan virou a cabeça. Seus olhos se encontraram.
— Por isso eu não gosto dele. Sinto que você confia mais nele do que em mim.
Nathan, olhando para Alex com o rosto abatido, suspirou. Ele massageou a testa e pediu desculpas.
— Desculpe por ter te pressionado.
— Não!
Como Nathan continuava se desculpando, Alex segurou apressadamente a mão branca dele com as duas mãos. Apertando-a com força, Alex continuou rápido:
— Eu sinto o mesmo. Foi por minha causa que tudo aconteceu, mas de qualquer forma, fiquei muito tempo sem te ver. E ver as pessoas com quem você saiu nesse intervalo, isso…
Nathan se aproximou. Acariciando a mão de Alex que o segurava, ele perguntou:
— Isso…?
— Eu… eu agi assim porque estava com… ciúmes.
As bochechas de Alex arderam. Sentindo o calor subir por todo o corpo, ele baixou o olhar. Nunca imaginou que chegaria o dia em que diria a palavra “ciúmes” em voz alta. E ainda por cima para Nathan. Sentia que ter ciúmes daquela forma não combinava com ele e o fazia parecer alguém de mente estreita, mas seu coração sentiu-se muito mais leve.
— Você estava com ciúmes?
— S-sim.
Nathan inclinou levemente a cabeça, seguindo o olhar baixo de Alex. O rosto de Nathan, aproximando-se por baixo para encontrar seus olhos, parecia especialmente bonito, fazendo Alex arder ainda mais. Os olhos de Nathan se curvaram suavemente.
— Agora você até sabe ter ciúmes. Antes parecia que nem se importava.
O tom era de elogio. Nathan parecia feliz. Diante desse sorriso raro, Alex ganhou coragem aos poucos.
— Não é verdade. Eu sempre soube.
Para ganhar mais elogios, Alex tentou se defender.
— Mas quando a Amy se declarou, você a deixou ir sem problemas.
— Naquela época… eu… não sabia que a gente estava namorando…
— É mesmo?
A voz de Nathan tornou-se doce como se estivesse derretendo. Alex assentiu e começou a contar as verdades que guardara por tanto tempo.
— Até no ensino médio, eu tinha ciúmes dos alfas que diziam que você era bonito.
— Então você já tinha segundas intenções.
— Mas não me leve a mal! Não é porque você parecia um ômega, é só porque eu gostava de você…!
A frase não foi concluída. Seus lábios foram selados. O que ele acrescentou apressadamente por medo de que Nathan, que detestava ser tratado como ômega, se sentisse mal, foi engolido pela boca de Nathan.
Lábios secos e macios se roçaram. As pontas dos narizes se tocaram, e o som de uma respiração curta ecoou fracamente. Enquanto o som do atrito das roupas se espalhava, Nathan começou a se mover. Ao morder e puxar os lábios que se tocavam com ternura, um suspiro ofegante, de origem incerta, dispersou-se no ar. Apertando as mãos entrelaçadas, Alex fechou os olhos com força. Seu corpo começou a tremer instantaneamente.
Mesmo tendo se beijado inúmeras vezes para compensar o tempo em que estiveram separados, Alex sentia que cada momento era novo. A noite cor de lavanda na praia ao pôr do sol sempre vinha à sua mente, e ele ficava deslumbrado com a realidade de ter diante de si o Nathan que sussurrava “eu te amo” sobre o som suave das ondas. Ao abrir a boca, a língua de Nathan penetrou pela fresta.
Inclinando levemente a cabeça, Nathan empurrou a língua para dentro. Quando ele começou a acariciar suavemente o céu da boca dele, um gemido escapou imediatamente. Quando Alex tentou recuar o corpo por causa da sensação, Nathan o segurou e intensificou o carinho no céu de sua boca.
Contorcendo a cintura, Alex soltava sons baixos enquanto estremecia. Uma sensação próxima ao prazer subia como um arrepio por sua espinha.
Depois de provocá-lo por um longo tempo, Nathan mudou o objetivo. Conduzindo Alex, que tentava desajeitadamente retribuir o contato das línguas, ele aprofundou o beijo. O beijo, que começara leve, tornou-se gradualmente mais quente, acompanhado por sons úmidos. Sempre que suas línguas se entrelaçavam, seu baixo ventre esquentava.
Finalmente, quando a consciência de que estava excitado o atingiu com força, Nathan afastou os lábios lentamente. Seu olhar verde, fixo em Alex, estava profundo como uma floresta úmida.
— Eu te amo, Alex.
— Eu também… ah… eu te amo…
Seu coração se encheu de um sentimento suave e cresceu. Estava tão inflado que não seria estranho se explodisse ao ser picado por uma agulha. Diante do sussurro ansioso, Nathan limpou com o polegar os lábios de Alex, que estavam úmidos e vermelhos.
— Você pode ter quanto ciúmes quiser, só não me deixe louco como hoje.
— Não farei mais isso.
— Quando você faz isso… eu não sei o que fazer. Você disse que eu saí com muita gente, mas a única pessoa com quem eu me importei e que eu amei foi você. Você é o mais importante para mim.
Fazia tempo que ele não via esse lado vulnerável de Nathan. Nathan, que dizia não saber o que fazer, parecia genuinamente aflito, e Alex observava aquele rosto com curiosidade.
— A única pessoa que eu quero prender ao meu lado, a única pessoa que eu sinto que vou enlouquecer de vontade de abraçar todos os dias… é só você.
Apesar de ficar com o rosto vermelho com a última frase, Alex sorriu timidamente. Hesitante, ele envolveu o pescoço de Nathan com os braços.
— E-eu também. Se não fosse você, eu jamais teria f-feito essas coisas.
Alex confessou, de forma suavizada, que jamais teria se entregue a ninguém se não fosse por Nathan. Ele riu baixinho e abraçou a cintura de Alex com força, acariciando suas costas. O toque de seus dedos sobre a camiseta fina trazia sensações peculiares.
— É bom mesmo.
Ao desabafar cada detalhe, seu humor tornou-se gradualmente mais leve. Encorajado, Alex continuou falando:
— E o aniversário… é claro que eu prefiro passar com você. Eu não sabia que quarta-feira era o meu aniversário. Por isso eu aceitei o convite do Matthew.
— Por que você tenta cuidar do aniversário dos outros, mas não sabe o seu?
— É que eu nunca comemorei…
Nathan soltou um longo suspiro e abraçou Alex com força. Após um longo silêncio, ele acariciou o cabelo de Alex e fez uma proposta:
— Então, na quarta-feira, vamos comemorar todos juntos. Como você disse, já era um compromisso prévio.
— Não, tudo bem.
Ele falava sério. Matthew e Anna eram importantes, mas como seria o primeiro aniversário que passaria com Nathan, preferia que ficassem apenas os dois. Nathan olhou para ele por um momento, achando-o fofo, mas balançou a cabeça.
— Vamos receber muitos parabéns, Alex. E o fim de semana será só nosso.
— Você conseguiu folga no fim de semana?
— Sim.
Ao saber que poderia passar este fim de semana seguido com Nathan, assim como o anterior, o rosto de Alex se iluminou. Sentia como se já tivesse recebido seu presente.
— Sim, vamos fazer isso!
— Quer comemorar em casa?
— Qualquer coisa que você quiser eu vou gostar.
— Como assim “qualquer coisa”?
Nathan mordeu levemente o lóbulo da orelha dele. “Ele parece um gato”, pensou Alex, rindo baixinho enquanto abraçava Nathan com força. Um aroma sutil se espalhou pelo ar.
— Só o fato de você preparar algo para mim… eu já vou gostar de tudo.
Nathan não respondeu a essa frase. Apertando os braços ao redor dele, ele continuou acariciando as costas de Alex por um longo tempo.
↫─ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna