Capítulo 03
❖ Capítulo 03 – Cross the yellow line
A alta hospitalar ocorreu três dias depois. O médico disse que sua recuperação foi excelente e acrescentou a opinião de que foi uma sorte ele ter um corpo forte. Se cuidasse bem do ferimento para que não infeccionasse, em dois meses poderia começar a se movimentar um pouco como antes. Exercícios que exigissem força abdominal só seriam possíveis três meses depois disso.
Mas, antes disso, enfatizou que ele precisava de repouso absoluto. Com um tom firme, como se estivesse ameaçando, assustado, Alex repetiu “sim” três vezes.
Nathan ficou ao seu lado durante quase dez dias no hospital, como vinha fazendo. Até agora, enquanto se preparava para a alta, continuava assim. Olhando de relance para Nathan, que organizava suas coisas em seu lugar, sentado na cama, Alex se perguntou novamente se aquilo era real. Era um pensamento que vinha tendo nos últimos três dias.
Na verdade, ainda achava que Nathan cuidava dele por pena. Era porque não parecia real.
Depois de receber uma confissão inacreditável, beijá-lo primeiro e, vergonhosamente, chorar ainda mais, Alex adormeceu. Como ainda não havia recuperado as energias, seu corpo deve ter ficado exausto após o desgaste emocional. Enquanto ele ficava sonolento ao seu lado, Nathan beijou sua testa e o observou adormecer.
E no dia seguinte, quando acordou, ele ainda estava lá. Sério, era inacreditável!
Embora tivesse decidido começar a confiar nas pessoas ao seu redor aos poucos, Alex era alguém acostumado ao infortúnio. Quando algo bom acontecia, ele sempre temia que algo ruim acontecesse. E, de fato, a infelicidade sempre se seguia à sorte. Chegou a pensar se era uma compensação por ter sofrido um ferimento grave, mas, com medo de que essa suposição em si menosprezasse os sentimentos de Nathan, ele se esforçava para pensar diferente.
Embora sua mente acreditasse, seu coração ainda não a acompanhava bem, então Alex ainda não conseguia acreditar que Nathan o amava. Ele havia sido rejeitado e viu Nathan sofrer, então o mais correto era dizer que não parecia real. Talvez por isso, Alex só agora percebeu que, embora tivesse confessado que gostava de Nathan, não tinha dito que o amava.
Quando olhou de relance para o lado, seus olhos se encontraram. Nathan estava olhando para ele. Só o fato de seus olhos terem se cruzado fez seu rosto esquentar instantaneamente. Desviando o olhar rapidamente, Alex abriu a boca.
— O quê, o quê?
Nathan caminhou até ele sem dizer uma palavra. Alex, sentado na cama com o avental de paciente, prendeu a respiração ao ver os sapatos se aproximando dele. Quando ele não olhava em seus olhos, seu queixo foi segurado.
— Precisa trocar de roupa.
Nathan disse com uma expressão inexpressiva. Quando seu queixo foi levantado e ele naturalmente olhou para seu rosto, suas orelhas ficaram ainda mais vermelhas.
— Ah, é mesmo.
— Veste isso.
Nathan colocou uma grande sacola de compras que estava ao lado da cama em cima dela. Alex obedientemente pegou a roupa dentro da sacola. Era uma roupa nova. Era uma marca que ele não conhecia, mas mesmo Alex, que não entendia muito de roupas, sabia que o tecido era excessivamente bom. Alex olhou para cima com o rosto surpreso.
— Não é minha roupa…?
— É do seu tamanho.
Como ele sabia o meu tamanho? Com o rosto confuso, Alex disse novamente.
— Mas é nova.
— Não pude trazer suas roupas, então comprei.
— Entendo. Então, quanto eu te pago?
Nathan franziu um olho, então virou o rosto de Alex de um lado para o outro antes de dizer. Seus dedos acariciaram suavemente a maçã do rosto que estava roxa devido ao soco de Dwayne Carter e depois desceram.
— Não precisa saber. É um presente.
Sempre que via a área ferida, Nathan ficava muito sensível, então Alex ficou um pouco tenso quando Nathan tocou a área que estava roxa. Mesmo se sentindo intimidado, Alex fez uma pequena objeção.
— Mesmo assim…
— Digamos que é um presente de alta.
Nathan disse isso e fechou a boca. Ele parecia estar com a tez piorando. Como Alex sempre ficava em alerta quando se tratava de Nathan, ele perguntou rapidamente.
— Tudo bem?
Inclinando ligeiramente a parte superior do corpo, Nathan alinhou seus olhos com os dele. Olhando fixamente em seus olhos, Nathan disse calmamente. Uma expressão cansada e dolorosa apareceu vagamente em seu rosto. Olhando para o corpo de Alex uma vez, ele suspirou e disse.
— No momento em que vi você ferido… eu…
Os dedos que seguravam seu queixo ficaram tensos.
— … fiquei quase louco. Pensar que algo poderia acontecer com você… eu não conseguia fazer nada.
Nathan, quando adulto, parecia uma pessoa tão forte que não precisava ser protegido por ele. Ao contrário de si mesmo, que vagava sem saber o que fazer, ele parecia alguém inabalável.
Mas agora, Nathan diante de seus olhos estava revelando seu lado fraco escondido sob uma expressão fria e inexpressiva. Seu peito formigava e seu baixo ventre esquentava agradavelmente. A sensação era estranha.
— Eu não conseguia fazer nada. Até você abrir os olhos. Então, Alex. Não se machuque.
Seus olhos arderam, talvez como uma reação aos longos anos que ele havia reprimido à força. Alex assentiu com os olhos avermelhados.
— … Sim. Não vou me machucar.
— Eu odeio que você seja detetive. A própria profissão que te coloca em risco.
Nathan disse com uma voz calma. Era difícil responder a isso. Ele entendia perfeitamente os sentimentos de Nathan. Se Nathan fosse detetive, pelo contrário, Alex provavelmente se preocuparia com ele o tempo todo em que não o visse. Quando era jovem, ele achava simplesmente legal, mas agora que se tornou detetive, percebeu que não era bem assim.
— Mas você é um bom detetive. Como meu pai. Admiro o que você fez.
Alex, pensando no que dizer para aliviar a preocupação, hesitou ao ouvir suas próprias palavras. Nathan endireitou as costas. Ele parecia ter chegado a uma conclusão.
— Então, embora seja sempre perigoso… me prometa que terá cuidado.
Controlado a emoção que subitamente veio à tona, Alex disse com sinceridade.
— Com certeza terei cuidado.
Era a primeira vez que ouvia elogios e preocupações. Nem mesmo de seu pai, quando se machucou jogando futebol, nem de sua mãe, ele tinha ouvido tais palavras. A expressão de Nathan ao acariciá-lo no dia em que ele correu até ele com a testa cortada era exatamente como agora. Embora agora fosse mais sério.
Ouvir esse tipo de pedido fez parecer que eles realmente estavam namorando. Seus rostos estavam excessivamente próximos.
Espera, estamos namorando?
Alex pensou com uma expressão séria. Enquanto isso, Nathan, que havia se endireitado, soltou seu queixo. Então disse.
— Antes eu não conseguia entender por que minha mãe tinha medo de eu me tornar policial… mas agora acho que entendo.
O rosto de Nathan, que murmurava quase para si mesmo, parecia complexo, então Alex rapidamente acrescentou. Segurando firmemente a gola da roupa de Nathan, que estava prestes a se afastar, ele disse.
— Eu realmente não vou me machucar, Nathan. Então não se preocupe.
Quando ele disse isso com uma expressão decidida, a expressão de Nathan se suavizou. Enquanto ele olhava para Alex com os olhos franzidos, um sorriso se formou lentamente em seu rosto. Vendo seus lábios delicados se abrirem suavemente, Alex piscou. Fazia muito tempo que não o via sorrir assim. Era um sorriso raro.
Estamos realmente progredindo, hein?
De repente, ele pensou nisso.
Quando Alex disse que queria passar na sede da polícia para verificar resumidamente o andamento da investigação e a situação atual, Nathan suspirou e disse que o levaria. Embora pensasse em recusar para não incomodar, seu coração ansiava por estar com Nathan.
Enquanto ele pensava seriamente sobre isso, Nathan simplesmente segurou seu pulso e andou na frente. Alex, embora surpreso, o seguiu obedientemente.
Dentro do carro, que se movia silenciosamente, Alex olhava de relance para Nathan dirigindo. Enquanto dirigia olhando para a frente, Nathan abriu a boca.
— O quê?
— Hã?
— Tem algo para dizer?
— Ah, não.
Então Alex mudou de ideia. Havia uma coisa que ele não tinha dito.
— Na verdade…
— É.
Nathan esperou por ele. Alex disse com uma voz baixa.
— Acho que não consegui dizer que te… te… amo.
No instante seguinte, o carro balançou por um momento. A Mercedes, que quase saiu da faixa, cambaleou e voltou ao lugar. Buzinas soaram agressivamente ao redor. Assustado, Alex agarrou apressadamente o cinto de segurança.
Nathan não estava olhando para Alex. Ele segurava o volante firmemente com a boca fechada. Alex, prestes a perguntar o que havia acontecido, percebeu que as orelhas de Nathan estavam ligeiramente vermelhas. Ao perceber isso, seu próprio rosto também esquentou.
Em um silêncio tenso, o carro chegou à Scotland Yard. Quando apresentaram a identificação ao lado da cancela de entrada e entraram, Nathan abriu a boca.
— Mesmo com alta, até o ferimento cicatrizar completamente, você tem que fazer curativos adequados e cuidar bem. Também precisa planejar bem sua dieta. Consegue fazer isso sozinho?
Enquanto Nathan estacionava habilmente, Alex respondeu com um tom incerto.
— Acho que sim?
— Não parece.
Mesmo sem um caso tão grande, devido à sua profissão de detetive, Alex tinha muitos dias que chegava tarde e achava um pouco difícil se alimentar adequadamente. Cozinhar ele até gostava, mas o tempo investido era o problema. Nathan, que estacionou o carro, foi direto ao ponto.
— Se não estiver confiante, fique na minha casa até se curar completamente.
— O quê?
— Não estou dizendo para decidir agora. Pense sobre isso.
Nathan, que havia tirado o cinto de segurança, inclinou seu corpo em direção a Alex. Uma mão branca se estendeu e tirou o cinto de segurança de Alex.
— Estou dizendo isso porque só ficarei tranquilo se você estiver sob meus olhos.
Alex não tinha percebido, mas estavam muito próximos. Apesar de terem se beijado outro dia e feito coisas mais íntimas antes, Alex congelou, sem conseguir respirar. Enquanto ele apenas olhava com os olhos bem abertos, Nathan afastou suavemente seus cabelos. Então disse.
— E eu também te amo.
Sem mudar a expressão, Nathan sussurrou com uma voz que parecia seca à primeira vista. Depois de levar Alex ao limite da parada cardíaca, Nathan se afastou como se nada tivesse acontecido.
— Vamos.
Ao som da porta do carro se abrindo, Alex recuperou a consciência tardiamente. Percebeu que se ouvisse aquela voz mais uma vez sóbrio, poderia morrer de ataque cardíaco, e um suor frio se formou.
Tentando acalmar seu coração agitado, Alex saiu do carro. Nathan, que já estava ao lado da porta do passageiro, fechou a porta para ele. Era a primeira vez na vida que recebia um tratamento tão luxuoso.
Parecendo que ia vê-lo entrar, Nathan foi com ele em direção à sede. Como ele tinha ido e vindo frequentemente por causa do trabalho no instituto de pesquisa ultimamente, Nathan tinha um crachá de visitante temporário, então não houve problema. Assim que entrou no saguão, Alex encontrou Matthew, que o esperava. Havia mais uma pessoa ao seu lado.
— Detetive Yeon!
Era Amy Winings. Parecia que ela também tinha passado por dificuldades, pois havia perdido muito peso nos últimos dias. Vestida confortavelmente, Amy prendia o cabelo para cima como sempre. Seu rosto era corajoso e adorável.
Assim que viu Alex, ela correu até ele, com o rosto prestes a chorar, segurou sua mão e pediu desculpas.
— Desculpe-me mesmo por você ter se machucado por minha causa. Não pude visitá-lo porque não pude me mover livremente, mas continuei rezando. Desculpe, detetive.
Matthew, que veio andando lentamente, parou ao lado deles. Amy continuou, com uma voz cheia de culpa.
— Quando ouvi que minha mãe havia morrido, fiquei tão angustiada que não pude esperar até ter certeza e fiz uma loucura momentânea. Também estava presa há muito tempo, então fiquei rebelde. Mas quando peguei o trem, recuperei um pouco o juízo. Não era estranho que uma amiga minha tivesse me dado essa notícia? Quando desci na estação e ia voltar, descobri que o homem que me mostraram na foto estava me seguindo. A partir daí…
Amy respirou fundo e se curvou.
— Já me desculpei com os outros, mas o detetive, em particular, colocou sua vida em risco por minha causa. Obrigado por me salvar. E me desculpe.
Foi um pedido de desculpas sincero. Alex segurou o braço de Amy e balançou a cabeça.
— Eu apenas fiz o meu trabalho. Além disso, como a Srta. Winings me ouviu bem, a situação não se complicou. Os ruins são aqueles que tentaram machucar a Srta. Winings.
— Obrigado por dizer isso.
Amy pediu desculpas mais duas vezes e então se virou para Nathan. Seu rosto, antes cheio de lágrimas, agora estava corado por um motivo diferente.
— Nathan, você tem um tempinho?
Mesmo sem ela dizer o que queria, Alex parecia saber o que ela ia dizer. Sentiu seu estômago embrulhar. Como ela queria confessar, a ponto de pedir ajuda a ele, provavelmente tentaria dizer alguma coisa ao ver seu rosto.
Alex hesitou e se afastou um pouco de Nathan. Ao mesmo tempo, os olhares de Matthew e Nathan se fixaram em Alex. Amy os olhou alternadamente, confusa.
— Hum, então vamos subir. Por favor, não saia, pois é perigoso.
Alex deu a melhor resposta que pôde. Era um assunto entre Nathan e Amy, e não era algo que aconteceria mais cedo ou mais tarde, independentemente do tempo. Parecia certo se afastar rapidamente. Embora os dois fossem muito amigos, e ela tivesse passado por toda a juventude de Nathan que Alex não conhecia, e conhecesse Nathan há muito mais tempo do que ele… estivesse ansioso… mas não havia nada que ele pudesse fazer.
Quando ele disse isso e agarrou Matthew, a expressão de Nathan ficou assustadora. À primeira vista, parecia inexpressiva, mas, olhando de perto, dava para ver que seus olhos estavam frios e duros. Será que era porque ele estava indo embora sem se despedir?
— Converse bem e volte!
Alex então acenou para Nathan. Matthew tossiu como se tivesse engasgado ao seu lado. A expressão de Nathan, longe de melhorar, ficou ainda mais assustadora, então Alex deu um tapinha nas costas de Matthew e foi em direção ao elevador. Para não ficar com arrependimentos desnecessários, nem olhou para trás.
— Ei, tudo bem deixar os dois sozinhos? Não, isso não. Você está melhor? Todos estavam esperando você ter alta.
Matthew sussurrou enquanto passava o crachá no elevador.
— Dá para andar.
Alex, que falou calmamente sobre seu estado, questionou a primeira palavra de Matthew tardiamente.
— Por que não pode deixar os dois sozinhos?
— Vocês gostam um do outro. Você não gosta daquele médico?
Embora ainda não entendesse a relação, Alex desviou o olhar, corando.
— G… gosto.
Matthew fez uma expressão desconfortável e tossiu, “cough, cough”. A porta do elevador se abriu.
— Era uma pergunta sobre se tudo bem você deixá-los sozinhos, já que a Winings foi confessar.
— Isso… não tenho escolha, não é?
Alex fez uma expressão abatida. Matthew soltou uma risada curta e incrédula. Era algo incompreensível. Enquanto isso, os dois chegaram ao quarto andar. Eles saíram do elevador e caminharam pelo corredor.
— Deixa pra lá. Ainda bem que você voltou em segurança.
Dizendo isso, Matthew abriu a porta da seção de investigação.
— Bem-vindo de volta, Alex!
A voz de Anna soou primeiro, seguida por palmas. Com os olhos arregalados, Alex parou. Matthew segurou seu ombro e sorriu.
— Todos estavam muito preocupados com você.
O Detetive Hayden, com uma expressão estranha, trouxe um pequeno bolo. Em um retângulo de chantilly, estava escrito “Parabéns pela alta”.
— Ainda estamos no meio do caso, então não podemos fazer uma grande comemoração… Mas você foi bem, Alex. Se não fosse por você, poderíamos ter tido vítimas e o suspeito poderia ter escapado.
Com uma recepção inesperada, Alex ficou tenso. Ele deveria dizer “obrigado”, mas sua boca não se abria.
A razão pela qual ele escolheu ser detetive era puramente por um motivo. Ele não considerava que era um trabalho que gostava. Embora se adequasse inesperadamente e estivesse aguentando bem, ele nunca se achou excepcional.
Alex observou cuidadosamente as pessoas ao seu redor. Viu rostos sorridentes. Eram pessoas com quem ele tinha trabalhado e se alegrado por mais de alguns anos.
— Por que você está tão tenso? Venha cortar o bolo.
O Superintendente Janice fez um gesto e bateu na mesa improvisada. O bolo foi movido para a mesa onde estavam muffins, sanduíches, café, suco, etc.
O Detetive Hayden carregou o bolo para o centro da mesa. Vendo as letras escritas com um creme verde pouco apetitoso, Alex acabou sorrindo baixinho. Ele pegou uma faca de plástico e cortou o bolo ao meio.
— Como você ainda é paciente, estamos pegando leve! Da próxima vez, leve o Detetive Matthew com você!
Anna disse que era tradição jogar bolo no rosto e o ajudou a cortar o bolo ao seu lado. Cortando o bolo em pedaços para outros membros da equipe, além da sua, um minuto se passou rapidamente. Ele espetou um pedaço de bolo em um prato descartável com um garfo. Quando o colocou na boca, derreteu suavemente; ao contrário da aparência, era gostoso. O pão de ló era macio e o creme não era enjoativo.
Fiz bem em me tornar policial.
Alex pensou isso enquanto mordia o bolo. Provavelmente, se tivesse se tornado jogador de futebol, não teria sentido essa alegria ou satisfação.
Após uma curta festa de comemoração, o departamento voltou a ficar ocupado com o trabalho. Alex sentou-se na sala de reuniões e ouviu um briefing adequado da investigação. O Detetive Hayden relatou o andamento. Ele estava comendo seu terceiro muffin de passas.
— Bem, Patrick Shore é um excelente traidor. Ao contrário do que fez, ele é muito medroso. Dwayne Carter cuidou de todo o sequestro e assassinato, mas como garantia, ele se lembrou de onde Carter trabalhava. Dizia que Carter às vezes trazia os suprimentos necessários para perto. Parece que ele fazia principalmente os trabalhos braçais.
— Ele vai virar um preso modelo.
Alex anotava rapidamente o que havia perdido. Anna acrescentou rindo.
— Foi muito engraçado na cena da prisão. Ele fez muito drama, mesmo sem ser segurado com força. Era algo como “Vai quebrar meu braço!”? Enfim, com remorso, ele mesmo confessou que estava enlouquecendo ao ver o caso crescendo. Diz que não era essa a imagem que ele passava no clube de intercâmbio de idiomas.
— Vendas é parecido com atuação.
O Superintendente Janice acrescentou.
— Então, saiu muita evidência?
O mais importante eram as evidências. Matthew respondeu à pergunta de Alex.
— Estamos revirando a fábrica abandonada que Patrick Shore mencionou e os arredores. Só com o depoimento é difícil ligá-lo a cinco assassinatos. Ele é habilidoso. Disseram que não há muitos vestígios deixados na cena, assim como não há marcas nos corpos.
O Detetive Hayden interveio.
— Ainda assim, não é o pior, já que Patrick Shore forneceu o histórico de compras dos itens que usou para mutilar os corpos.
Havia muito para acompanhar. Depois de anotar o conteúdo diligentemente, Alex perguntou o que estava curioso.
— Então o que resta é a MacMillan Pharmaceuticals. Como está a busca e apreensão no laboratório?
O Detetive Hayden respondeu com um tom cínico.
— O mesmo Perin foi encontrado no laboratório. O mesmo que foi injetado nas vítimas. Também foram encontrados documentos com aprovação para ensaios clínicos. O CEO, Edel MacMillan, nega saber de qualquer coisa, mas… bem.
Matthew entregou a Alex uma lista dos principais executivos e pesquisadores da empresa. Era uma lista grossa com fotos, nomes e um breve currículo. Enquanto Alex examinava a lista, trocavam opiniões na sala de reunião.
— Então vocês acham que o CEO realmente deu a ordem?
À pergunta de Anna, o Detetive Hayden respondeu.
— Há responsabilidade em não saber que algo tão grande estava acontecendo, mesmo que indiretamente. É negligência na supervisão.
— Isso é verdade, mas. Embora não tenha saído nos artigos, há uma discórdia interna recente, não é?
Enquanto folheava a lista, Alex encontrou o nome Cameron Mack na lista de acionistas. Era um nome que ele nunca tinha ouvido, mas de alguma forma chamou sua atenção.
Alex franziu a testa e olhou fixamente para o rosto de um homem de meia-idade. Pelos registros, ele tinha 58 anos e era dono de uma empresa de muito sucesso na área de ciências da vida. Murmurando o sobrenome Mack, Alex finalmente percebeu por que aquilo o incomodava.
O rosto do homem se parecia com o de David Mack.
Já era sabido desde os tempos de clube que a família de David Mack era rica. Ouvia-se com frequência que eles tinham amizade com o dono do clube. Além de David Mack ser um atacante talentoso, os colegas com ciúmes sempre acrescentavam que sua origem tinha um grande peso nisso.
Preocupado demais para ser uma coincidência, Alex pegou o papel com as informações pessoais de Cameron Mack. Isso era realmente um palpite. Porque o David Mack que ele conhecia, mesmo tendo apenas dezessete anos, não sentia culpa alguma em manipular as pessoas. Havia algo estranho.
Além disso, o depoimento de Patrick Shore, transmitido por Matthew, também o incomodava. Se a voz se parecia com a de um jogador de futebol, talvez realmente…?
— Se não houver evidências para contestar o que foi encontrado no laboratório, o CEO Edel MacMillan e o atual presidente serão responsabilizados. Então vamos investigar até o fim. O impacto será enorme, pois se trata de experimentos humanos patrocinados por uma empresa.
O Superintendente Janice encerrou o briefing. Antes de sair, ela entendeu que a situação de Alex foi inevitável, mas o instruiu a andar com Matthew daqui para frente e disse que ele estava proibido de trabalhar em campo por um tempo.
Com isso, Matthew também foi forçado a trabalhar o máximo possível na sede. Graças a isso, mais dois detetives que tinham acabado de encerrar outros casos foram mobilizados para a equipe.
Quando saíram da reunião de relatório de andamento, Amy havia subido. Sem saber por quê, Alex sentiu-se culpado e não conseguiu se aproximar dela imediatamente, que estava sentada em uma cadeira. Diferente de antes, seu rosto estava abatido e seus olhos vermelhos. Claramente, havia chorado.
Ela confessou?
Como Matthew disse, parecia que sim. E o resultado, provavelmente, foi uma rejeição. Vendo seu rosto redondo sem nenhum sinal de alegria, Alex sentiu emoções conflitantes: culpa e alívio.
Mesmo tendo ouvido Nathan dizer “eu te amo” duas vezes, ganhar confiança era uma questão separada. Além disso, Alex tinha muito pouca experiência em confiar em alguém, então essa confiança não se criava de repente. Então, inconscientemente, ele pensou que Nathan aceitaria a confissão de Amy.
Amy, que estava sentada em sua cadeira como se esperasse por algo, levantou a cabeça, viu Alex e se levantou de repente. Com os lábios firmemente cerrados, ela caminhou rapidamente até ele e de repente estendeu a mão. Alex, surpreso, apressou-se em apertar sua mão.
— … Amy?
— Primeiro, vou me desculpar novamente, detetive. Eu não sabia que o detetive gostava do Nathan e fiz um pedido rude.
Surpreso com a revelação repentina, Alex se assustou. Olhando ao redor rapidamente, ele puxou Amy. Depois de sentá-la na cadeira de Matthew, com a mão ainda segurando a sua, Alex perguntou.
— O que houve?
Amy disse com ênfase.
— Confessei para o Nathan, mas fui rejeitada. Ele disse que te ama.
Com uma conclusão incrivelmente concisa, Alex ficou surpreso novamente. No momento em que ouviu a palavra “amar”, tossiu. Amy, como se fosse chorar novamente, fungou e enxugou os olhos com o braço. Alex queria dar um lenço, mas não tinha um. Quando ele tentou encontrar um lenço de papel, Amy o impediu.
— Estou bem. Como Nathan me rejeitou tão firmemente, vou perder o interesse e esquecê-lo em breve.
— … Nathan não te consolou?
Alex sabia que Nathan não se importava com os outros e, mesmo quando se importava, tinha pouca expressividade, sendo considerado frio. Como nunca havia se relacionado com outras pessoas, ele não sabia, mas provavelmente Nathan não era conhecido por ser uma pessoa carinhosa. No entanto, pelo menos na memória de Alex, Nathan sorria com frequência e, quando ele chorava, sempre o consolava.
— Não. Depois de dizer “desculpe” uma vez, ele pediu para eu dizer ao detetive que ele estava indo embora. Uau, e foi embora. Idiota.
Amy transmitiu a situação com uma voz ressentida. Depois de fungar mais algumas vezes, Amy se espreguiçou com um longo suspiro. Com os olhos vermelhos fixos em Alex, ela balançou a mão que segurava a sua.
— O que eu quero dizer, detetive, é: cuide bem do Nathan. Então, eu também sou amiga do Nathan, não sou? Não é meu lugar para falar isso, mas como gostei dele por muito tempo, queria dizer isso. Se é alguém tão legal quanto o detetive, posso até ceder. Mesmo tendo sido rejeitada.
Amy riu com lágrimas nos olhos. Alex apertou firmemente a mão de Amy em silêncio.
— De qualquer forma, subi de novo porque, antes de ir para a casa segura, lembrei de algo que queria contar. Acho que sei por que me tornei um alvo. Depois de ser tão pressionada nos últimos dias, finalmente me lembrei de algo.
Apertando a mão de Alex com força e depois soltando, Amy afastou a mão. Depois de controlar suas emoções, ela prendeu o cabelo novamente e abriu a boca.
— No dia em que fui fazer a entrevista, a irmã Sarah me pediu um favor.
Com isso, Amy tirou um batom do bolso da calça. Diante de Alex, que a olhava com olhos curiosos, Amy abriu o batom.
— É isso.
Ploft.
Quando a tampa se abriu, ouviu-se o som de um elo de conexão que parecia prestes a se conectar finalmente se encaixando. O que estava na mão de Amy era um pen drive em forma de batom.
☂
— Como pode ver, é em forma de batom, então o deixei na bolsa e esqueci por muito tempo. No dia anterior à entrevista, encontrei a irmã em um café. Antes de nos separarmos, ela disse que tinha algo urgente e saiu, mas deixou aquele batom em cima da mesa. Então ela me enviou uma mensagem perguntando se eu poderia entregar o batom que ela havia esquecido na empresa antes da entrevista no dia seguinte. Foi o que fiz. Não achei estranho. Como era dela, nem pensei em abrir.
O pen drive que Amy deu estava criptografado. Matthew correu para a equipe de tecnologia para descriptografá-lo. Anna, dizendo que Sarah Oates poderia ser um dos dois corpos não identificados, foi com o Detetive Hayden para coletar os dados de todos os pesquisadores que passaram pela MacMillan, já que deveriam ter verificado isso há muito tempo.
O objetivo deles era coletar amostras de DNA de pesquisadores que estavam sem notícias há muito tempo ou não tinham família e enviar para o instituto de ciência forense em até dois dias. Muita força de trabalho foi mobilizada para ajudá-los.
— Encontrei a irmã rapidamente no banheiro e entreguei o batom. Ela então disse que me mostraria a empresa após a entrevista e que nos encontraríamos novamente rapidamente. Como era um lugar onde eu poderia vir a trabalhar, aceitei naturalmente. Fiz a entrevista, nos encontramos, tomamos café no café da empresa e nos separamos. Passei na entrevista, mas como já estava decidido a seguir na área de fenótipos, recusei, pois não era com a MacMillan. Agora sei a ligação, mas era sabido que a MacMillan não tinha nada a ver com pesquisa de fenótipos. Quando contei o resultado, a irmã disse que eu tinha feito bem. Aquilo foi um pouco estranho. Como se ela soubesse que eu recusaria. E então disse que estaria ocupada por um tempo e que nos encontraríamos depois.
A probabilidade de que o material de que Dwayne Carter falava fosse este era alta. Podia ser qualquer coisa: gravações, histórico de pesquisa, local de documentos, qualquer coisa. Então, era possível que Sarah Oates não tivesse ido fazer intercâmbio na Alemanha, mas sim morrido.
— Alguns dias depois, quando voltei para casa, estava trocando de bolsa e vi este batom dentro. Acho que a irmã o colocou escondido. Estranhei, tentei contato, mas não obtive resposta. Quando a irmã estava ocupada ou imersa na pesquisa, muitas vezes ficava incomunicável, como se estivesse em reclusão. Achei estranho, mas logo esqueci. Esqueci o batom também. Então, nos últimos dias, de repente me lembrei. Quando abri, era um pen drive.
Após o depoimento, Amy perguntou finalmente a Alex.
— A irmã vai ficar bem? Ela era uma ótima colega… Estou me sentindo péssimo por só ter me lembrado disso agora, sem nem saber que ela estava envolvida em algo tão perigoso.
Em vez de culpar Sarah Oates por tê-la colocado em perigo, Amy se culpava. Ouvindo sua voz cheia de auto aversão, Alex, incapaz de achar que aquilo não era problema seu, hesitou. Para consolar Amy, ele também havia se culpado por muito tempo. Hesitando, ele organizou seus pensamentos e abriu a boca.
— Não pense assim. A Srta. Winings já estava em perigo suficiente e sobreviveu. Isso já é o suficiente.
Alex disse algo que dissera inúmeras vezes aos outros, mas nunca a si mesmo.
— A culpa é de quem tentou nos machucar. Não pense que somos idiotas por termos nos envolvido nessa coisa ruim ou que fizemos escolhas erradas. Porque as pessoas não conseguem ser perfeitamente racionais quando estão em situações de perigo.
Você não fez nada de errado. Ninguém no mundo é perfeito. Ao dizer isso, Alex pensou que talvez pudesse se perdoar um pouco.
Como o perigo direto havia passado, Amy ficaria em uma casa segura em Londres para o andamento do caso. O local era conhecido apenas por poucos membros internos, e mais equipes de proteção foram adicionadas.
Depois de entregar Amy, Alex pegou o material sobre Cameron Mack e saiu da sede. Se houvesse evidências no pen drive, o mentor seria descoberto de qualquer forma, mas ele queria investigar bem.
As poucas horas que ele pensou em passar se transformaram em várias. No momento em que saiu para o saguão, sua tensão se dissipou. Embora fosse apenas uma reunião de algumas horas, ele já estava cansado, mostrando que foi demais. No momento em que pensou em trocar a gaze, desinfetar e se alimentar direito, Alex sentiu a solidão que havia esquecido por um momento. Então sentiu saudades de Nathan. Lembrou-se de suas palavras de que ele deveria ficar em sua casa até se recuperar completamente.
— Alex.
Alex, que estava atravessando o saguão para sair pela saída, parou ao ouvir seu nome ser chamado com um som de “Hã?”. Era a voz de Nathan.
— Nathan?
— Terminou?
Nathan, que estava encostado na parede do saguão, caminhou até ele. Com o encontro inesperado, a comissura de seus lábios se ergueu sem que ele percebesse.
— O que você está fazendo aqui? Quer dizer… você foi e voltou?
Ele estava bonito, como sempre. Vestindo um longo casaco azul marinho grosso e comprido, parecia um modelo.
— Isso. Terminou?
— Sim, terminei.
— Vamos.
Nathan estendeu a mão. Alex, com os olhos bem abertos, olhou para a mão estendida e, hesitando, apertou-a com força. Sentiu como se tivesse energia de repente, como se o cansaço tivesse sido uma mentira. Imediatamente ganhou forças. Era muito bom.
A mão de Nathan estava mais fria que o normal, como se ele tivesse ficado do lado de fora por um bom tempo. Para aquecê-la, Alex moveu os dedos e esfregou as costas de sua mão. Enquanto saíam da sede da polícia e caminhavam em direção ao estacionamento, Nathan abriu a boca.
— Não tem nada para me dizer?
Alex pensou cuidadosamente. Agora que mencionou, havia algo que o incomodava desde o hospital. Na verdade, ele estava muito preocupado.
— Você não precisa trabalhar, Nathan? Você ficou ao meu lado por mais de uma semana…
Parando em frente ao carro, Nathan franziu os olhos e olhou para ele de cima. Alex se sentiu intimidado. Depois de olhar para Alex por um longo tempo, Nathan pressionou a testa com o dedo indicador e disse.
— Avisei no hospital. Vou reduzir minha carga horária até a próxima semana.
— Tudo bem…?
— Posso arrumar outro emprego mesmo se for demitido, então não se preocupe.
Nathan parecia realmente não se preocupar. Alex ficou aliviado.
— Não gosta que eu fique por perto?
A pergunta voltou. Alex, assustado, respondeu em voz alta.
— Não!
Com isso, o rosto de Nathan se suavizou um pouco.
— Certo, entendi isso. Então por que me deixou ir com a Amy?
O que Alex tinha que dizer era provavelmente isso. Perguntar o que houve entre Amy e Nathan, algo do tipo. Alex desviou levemente o rosto, sem confiança. Com os olhos fixos no chão, ele disse baixinho.
— Vocês dois são amigos. Além disso, você disse que ela é uma pessoa importante para você. Não era da minha conta e… eu sabia que a Srta. Winings gostava de você. Então, queria que vocês se resolvessem bem…
— Sabia?
Nathan perguntou de volta com o rosto sério. Alex disse com uma voz ainda mais baixa.
— Ela me pediu… para entregar uma confissão por ela, outro dia.
Ao ouvir a resposta, Nathan fechou a boca. Como se estivesse se contendo, ele fechou os olhos e os abriu, então pegou a chave do carro, apertou o botão e abriu a porta do passageiro, fazendo um gesto para Alex entrar. Alex tentou dizer algo, mas pensou que Nathan sentiria frio se ficasse do lado de fora, então entrou no carro. Além disso, Nathan parecia muito irritado.
Assim que entrou no carro, Nathan ligou o motor e o aquecedor e, virando-se, sentou-se. Como se tivesse se acalmado em pouco tempo, ele olhou diretamente para Alex e disse calmamente, com um tom paciente e tranquilo.
— Amy é uma boa amiga, mas não é tão importante quanto você. E você pode se intrometer nos meus assuntos à vontade. Porque estamos namorando.
Com a palavra “namorando”, Alex congelou. Algo que ele suspeitava, mas achava que estava sendo precipitado, Nathan havia dito pessoalmente. “Eu e Nathan estamos namorando?” “Desde quando?” Era como alguém que havia recebido uma sorte inacreditável, não parecia real.
— … Estamos namorando?
Nathan, que parecia ter encontrado a calma, endureceu a boca novamente com aquelas palavras. Levantando uma mão para esfregar o rosto, ele disse claramente.
— Eu te amo.
Ao ouvir a palavra “amar”, seu pescoço esquentou como um reflexo automático. Envergonhado, Alex respondeu rapidamente a essas palavras.
— Eu, eu também te amo muito.
Com isso, a expressão de Nathan se suavizou um pouco. Suas sobrancelhas franzidas relaxaram e Nathan explicou, como um professor tentando fazer um aluno entender a resposta sozinho.
— Então. O que somos?
Então é isso, estamos namorando…!
Alex finalmente obteve a resposta para o problema que estava pensando secretamente no hospital. Como ele havia sido rejeitado, não se atreveu a perguntar, mas Nathan foi o primeiro a mencionar. Nathan disse novamente.
— Eu quero namorar com você. O que você acha, Alex?
Com essas palavras, Alex lembrou de si mesmo aos dezessete anos. Dele mesmo, que perdeu dois dias em vez de responder imediatamente no dia em que recebeu a confissão. Desta vez, ele não queria fazer isso. Embora não pudesse proporcionar a Nathan uma situação romântica como em filmes ou dramas, ele tinha pressa em responder.
— Eu quero isso.
Alex sussurrou com uma voz ansiosa.
— Quero.
Com medo de perder a chance, ele disse novamente.
— Namora comigo, Nathan. Eu vou, realmente te tratar bem.
Com a confissão três vezes seguidas, Nathan finalmente relaxou a expressão e sorriu. Franzindo levemente os olhos e curvando os lábios, ele riu baixinho. Sua mão se estendeu e acariciou sua bochecha.
— Você já está fazendo mais do que o suficiente.
Ver Nathan adulto sorrindo era realmente uma sensação estranha. O sorriso que surgia em seu rosto branco era lindo como sempre, e quando sua voz baixa ria, seu coração se apertava. Todas as emoções vinham à tona.
— Mesmo?
— Sim. Você é bom demais para mim.
— Mas eu acho que você…
Mesmo tendo dito claramente “vamos namorar”, ele ainda não conseguia acreditar. Estava perplexo.
— Não.
Nathan balançou a cabeça e disse com uma voz séria.
— Mesmo que eu procure o mundo inteiro, não encontrarei ninguém como você.
A mão que acariciava sua bochecha o fixou firmemente. Nathan, com o rosto cheio de emoção, o observou e lentamente inclinou seu corpo. Seus rostos se aproximaram.
— Pensando bem, há uma coisa faltando.
No momento em que a felicidade máxima começava a se tornar real, Alex empalideceu com essas palavras.
— Mesmo?
Quando ele perguntou, surpreso, Nathan sorriu torto.
— Você só precisa saber ter ciúmes.
Seus olhos verdes se fecharam suavemente e depois se abriram, mostrando seus cílios. Estavam tão perto que ele podia sentir seu hálito leve acariciando seus lábios.
— Eu fico louco só de ver você com outra pessoa.
Antes que pudesse responder, seus lábios foram tomados. Seus lábios finos e macios chuparam levemente o lábio inferior e, em seguida, sua língua entrou, acariciando a pele macia por dentro dos lábios. Ao contrário do beijo de dois dias atrás, que foi apenas um roçar de lábios. Era a primeira vez que ele experimentava um beijo assim.
Como se estivesse acariciando, sua língua lambeu suavemente a parte interna dos lábios e esfregou suavemente o céu da boca. Uma sensação de cócegas se espalhou por sua espinha. A sensação era estranha.
Um gemido baixo escapou, e Alex agarrou firmemente sua própria roupa. A excitação se espalhou assustadoramente, e seu baixo ventre ficou duro, como antes do sexo.
Mas, ao fazer força no abdômen, a área ferida doeu, e Alex soltou um gemido de dor involuntariamente. Assim que ouviu aquele som, Nathan se afastou com um suspiro. Lambendo os lábios molhados, seus olhos que o fitavam eram profundos e intensos. Droga. Com um som desses, Nathan estendeu a mão e limpou os lábios de Alex.
— Até você melhorar, não devemos beijar.
Sua voz estava baixa e rouca. Com a mente em branco, Alex assentiu, sem saber ao que estava concordando. Sentindo algo tão intenso que ele pensou que se Nathan fosse um alfa ou ômega, seu feromônio seria muito forte, Alex baixou o rosto quente e colocou o cinto de segurança.
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↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki, Othello&Belladonna