Capítulo 02.2
❖ Capítulo 02 – Cross the yellow line, Parte 02
Ele teve um longo sonho.
Era um mundo estranho. O céu tinha uma tonalidade roxa clara, e nuvens fofas, cor de rosa algodão-doce, flutuavam baixas. No chão, uma extensão infinita de grama verde se estendia.
No meio da planície, havia um grande carrossel, e ao seu redor, dentes-de-leão altos floresciam em branco e amarelo, com suas sementes ao vento. Uma garota estava montada no carrossel. Ela tinha cabelos negros semelhantes aos de Alex, e estranhamente, Alex reconheceu imediatamente que era a Amy.
Amy, ao ver Alex, acenou. Seu rosto com um sorriso branco era tão doce quanto um doce, um sorriso que fazia qualquer um que o visse querer correr até ela. Alex, com uma expressão de dúvida, apontou para si mesmo com o dedo, mas logo percebeu que Amy não estava olhando para ele. Ele olhou para trás. Então havia um garoto loiro atrás de Alex.
— Nathan?
Alex chamou por Nathan. Mas Nathan, como se não tivesse ouvido, passou por ele com o rosto inexpressivo. Amy acenou ainda mais. Nathan não olhou para trás. Como sempre.
Talvez porque sua mente também estivesse regredindo junto com seu corpo jovem, Alex, no sonho, pensou que seria muito mais divertido andar no carrossel. Certamente seria mais divertido do que ficar em um campo cheio de dentes-de-leão, sem nenhum brinquedo, brincando sozinho.
Mesmo assim, sentindo-se magoado por Nathan ir embora sem olhar para trás, Alex ficou parado, fitando suas costas. Pensando que Amy combinava mais com Nathan do que ele, de repente sentiu-se injustiçado.
Eu gosto dele há mais tempo.
Não importava se era imaturo. Ele gostava de Nathan desde um passado distante. Nathan foi a única pessoa no mundo que ele pensou em cobiçar. Não importava se chamassem de obsessão. Ele era feliz quando estava com Nathan, e Nathan era o seu favorito.
Não posso te querer para mim? Isso é tão ruim assim?
Havia muitos obstáculos. Sua condição o impedia de ousar querer Nathan, e suas próprias escolhas erradas atrapalharam os dois. Sempre que tentava se aproximar de Nathan, algo os atrapalhava.
Mas Alex sempre fez o seu melhor. Mesmo que seus métodos não fossem completamente corretos, ele se importava genuinamente com Nathan.
Alex, que estava pensando, começou a correr. Esticando as pernas, ele atravessou o campo. Antes que Nathan subisse no carrossel, ele parou na frente de Amy, que estava de braços abertos. Alex agarrou a roupa de Nathan apressadamente.
— Fica comigo.
Em retrospectiva, Alex sempre soltou Nathan nos momentos mais cruciais. Mesmo quando gostava de Nathan em segredo, ele pensava que eles não poderiam ficar juntos. Mesmo quando Nathan confiou nele e se aproximou, mesmo quando perguntou se ele queria namorar, ele nunca foi audacioso.
— Eu não sou uma pessoa incrível.
Então, apenas desta vez, vamos ser honestos e dizer o que realmente queremos.
— Eu gosto mais de você do que qualquer outra pessoa no mundo.
Se existe um sentimento tão doloroso, tão triste, tão feliz e tão querido…
— Eu te amo, Nathan.
Isso provavelmente é amor.
— Eu vou te tratar bem, de verdade. Vou me esforçar mais daqui para frente. Apenas confie em mim desta vez.
Seu rosto branco o observava em silêncio. Seus cílios delicadamente curvados piscavam suavemente. Seus olhos, que lembravam folhas de árvore banhadas pela luz do meio-dia, refletiam Alex. Vendo seu próprio rosto refletido nas pupilas de Nathan, Alex desejou ter dito isso a Nathan antes de adormecer.
O sonho terminou ali. O mundo de conto de fadas girou e girou, desaparecendo como o vento, e então a escuridão tomou conta.
Inconsciente, Alex ocasionalmente via alucinações. Entre olhares piscantes, ele via cabelos dourados que pareciam os de Nathan, que apareciam e desapareciam. Ele também sentiu uma mão fresca tocar sua testa. Ouviu um sussurro chamando por Alex. Um calor suave e indefinido tocou sua bochecha. Era uma sensação que, embora causasse cócegas, o fazia se sentir bem.
Alex recuperou a consciência adequadamente no terceiro dia após ser transferido para o hospital. Ao levantar as pálpebras pesadas pela medicação, viu o teto branco. Um teto iluminado suavemente por uma luz perolada, que lhe era estranho.
Lentamente, como se um tempo estagnado fluísse, as memórias vieram à tona. Abrindo bem os olhos, Alex ergueu a parte superior do corpo. Então, lentamente, olhou para baixo. Argh, sentiu uma dor pesada no baixo ventre. Uma dor misturada com uma sensação de corpo estranho indicava a presença do ferimento.
— Fique quieto.
Ouviu-se um sussurro baixo. Com um som de “Hã?”, Alex virou a cabeça. Viu Nathan segurando seu pulso, onde não havia soro. Uma mão grande e branca cobria seu pulso. Onde estava a cicatriz.
— … Nathan?
Pensando que ainda poderia ser um sonho, Alex chamou seu nome timidamente. Uma voz baixa e rouca, por não ser usada há algum tempo, saiu. Nathan não respondeu. Em vez disso, com a outra mão, a que não segurava seu pulso, ele empurrou o ombro de Alex, fazendo-o deitar-se novamente. Ainda sem entender a situação, Alex apenas olhava para o rosto de Nathan.
O que ele lembrava era que tinha mandado Amy embora e estava lutando com o suspeito. Foi esfaqueado no abdômen e, para ser honesto, depois disso, ele achou que ia morrer. Porque sangrou muito. Depois disso, ele perdeu a consciência, então não se lembrava de mais nada. Só se lembrava do sonho com Nathan.
Será que não foi um sonho?
Ele disse para Amy ir para a casa de Nathan, mas nunca imaginou ver Nathan ao abrir os olhos. Claro que não era algo que ele não quisesse. Apenas, como o fim da última conversa que tiveram não foi bom, ele se sentia um pouco acanhado.
Seus olhos se encontraram diretamente. Ele não tinha percebido, mas, olhando bem, Nathan estava com uma aparência muito ruim. Havia um cansaço profundo ao redor de seus olhos, e seu cabelo estava bagunçado. Pode ser ilusão, mas a linha do seu queixo parecia mais afiada desde a última vez que se viram. Não, ele definitivamente havia perdido peso.
— Está doente?
Esquecendo que tinha sido esfaqueado, Alex ficou de repente com medo. Não era possível que ele tivesse perdido tanto peso se não estivesse doente.
Nathan, que estava olhando silenciosamente para seu rosto, franziu os olhos com a pergunta e endureceu a boca. Rangendo os dentes, ele fitou Alex intensamente. Como se estivesse verificando algo. Seu olhar forte percorreu seu rosto e, após um breve silêncio, Nathan abriu a boca.
— Você… acordou, então está tudo bem.
A mão que estava em seu ombro se moveu para sua nuca. Seus dedos acariciaram levemente a pele de seu pescoço e, em seguida, acariciaram sua bochecha. A sensação de cócegas subindo fez Alex se encolher levemente. Era exatamente como o calor que ele sentira enquanto dormia. Um pouco mais suave e macio do que isso, mas semelhante.
Nathan segurou firmemente sua bochecha com sua mão grande e, com um longo suspiro, levantou-se da cadeira. O que aconteceu com o suspeito, se Amy escapou, onde estava Matthew, as dezenas de perguntas que surgiram em um instante se dissiparam ao ver Nathan se levantar. Por causa do que tinha acabado de acontecer com ele, que era inacreditável.
A sensação era estranha. Um toque como se estivesse tocando algo muito precioso, tão bom que arrepiava.
— Está conseguindo respirar direito?
Nathan examinou Alex e o fez respirar fundo. Alex obedeceu. Seu corpo estava desconfortável, mas não havia grandes problemas. Observando isso, Nathan disse:
— Vou chamar seu médico responsável, espere um pouco.
— Ah, sim.
Sua voz tremia muito. Mesmo depois de se levantar, Nathan continuava olhando para Alex. A mão que estava prestes a se afastar de sua bochecha tocou-o novamente e o acariciou. Nathan, com os olhos franzidos, olhou para Alex por um longo tempo. Alex também não conseguia desviar o olhar dos olhos dele, como se estivesse hipnotizado. Ele não sabia ao certo, mas algo estava diferente.
Será que ele estava preocupado comigo? Provavelmente sim. Ele estar aqui significa que sabe que fui esfaqueado. Mesmo quando me odiava, ele me ajudou a tomar o neutralizante, então é natural que ele se preocupe. Sentindo-se culpado, Alex desviou o olhar primeiro. Então disse:
— Não precisa ir?
Os dedos que tocavam sua bochecha tremeram e se soltaram. Limpando a garganta em voz baixa, Nathan disse:
— Desculpe.
Com um suspiro baixo, Nathan se virou. A barra do jaleco branco balançou levemente e desapareceu. Só depois que ficou sozinho no quarto do hospital é que Alex soltou o ar tenso.
Pensei que fosse morrer de tanto tremer.
Há pouco, a sensação era estranha. Nathan já havia segurado seu queixo ou seu pulso algumas vezes, mas agora a sensação era semelhante à de quando eles se encontraram para a administração do neutralizante. Algo como uma emoção transbordante, um sentimento no toque que o acariciava.
Mas ele não conseguia entender o motivo. Será que ele está muito preocupado porque eu me machuquei?
Lembrou-se da decisão que tomou após a primeira consulta. Embora sua confissão tivesse sido rejeitada, ele decidiu contar seus sentimentos honestos sobre as partes que magoaram Nathan.
Em sua vida, Alex nunca havia desabafado adequadamente sobre sua vida familiar ou seus sentimentos para ninguém. Nunca confiou em ninguém, nunca tentou se apoiar em ninguém. Se ele explicasse isso, talvez a decepção que Nathan sentiu diminuísse um pouco.
E então, ele também explicaria suas ações que Nathan não quis ouvir, e mesmo sendo egoísta, gostaria de dizer o que realmente queria. Que ele realmente gostava de Nathan… não, que o amava, e que queria uma chance.
E se fosse rejeitado de novo, então não haveria outra opção a não ser superar seus sentimentos. Ele ainda não estava confiante nessa parte.
Assumir duas rejeições o deixou inevitavelmente um pouco deprimido. Primeiro, ele queria pensar em outra coisa. Sentindo-se sonolento devido aos analgésicos, Alex olhou ao redor do quarto do hospital. Para contatar Matthew, ele precisava encontrar suas roupas ou seu celular. Ele estava muito curioso para saber se o suspeito havia sido capturado.
Enquanto olhava ao redor do quarto com uma expressão séria, a porta se abriu. Um médico e uma enfermeira apareceram. O médico era um típico inglês de meia-idade, com a testa levemente calva nas laterais. Pelo feromônio, parecia ser um ômega.
Assim que entraram, a enfermeira agiu primeiro. Indo para perto de Alex, ela levantou a parte superior da cama e o deixou em uma posição semi-deitada. Ela o fez respirar fundo, como Nathan havia mandado, e também o fez tossir. Sua garganta estava seca.
O médico, que observava isso, começou a perguntar sobre seu estado de espírito e dor assim que a enfermeira se afastou. O médico disse que a cirurgia foi bem-sucedida, mas como Alex não havia recuperado totalmente a consciência, ele havia permanecido na UTI.
— Foi perigoso. Se não tivesse sido tratado rapidamente, poderia ter sido grave.
— Foi mesmo?
Alex respondeu, sem jeito.
— Se a aorta tivesse sido cortada um pouco mais fundo, mesmo com cirurgia, teria sido difícil. Felizmente, os primeiros socorros e a preparação para a cirurgia foram rápidos, então você superou a pior fase.
— Obrigado.
O médico anotou algo no prontuário e ajustou a administração do analgésico. Então disse que prescreveria um expectorante.
— Quando poderei ter alta?
— Vamos verificar seu débito urinário e sinais vitais por alguns dias e, se não houver anormalidades nas radiografias de tórax e abdômen, daremos alta. Você precisará cuidar bem de si mesmo depois da alta. Terá que fazer a limpeza e o curativo do ferimento até que ele cicatrize.
— Então, quando poderei voltar ao trabalho?
O médico fez uma expressão de desgosto e disse firmemente:
— Você precisa descansar por pelo menos dois meses. Normalmente, espera-se cerca de seis meses para a recuperação completa. Se você se mexer antes da recuperação completa, o local do ferimento pode abrir. É isso que você quer?
Alex sorriu sem graça e fechou a boca. O médico verificou mais algumas coisas e, dizendo para ele descansar, saiu do quarto. A porta não foi fechada. Assim que o médico saiu, Matthew entrou.
— Alex!
Ao ser chamado quase como um grito, a enfermeira abriu a porta novamente e o encarou. Com a alegação de que ninguém além da equipe médica podia entrar na UTI, Matthew implorou, dizendo que seria apenas por alguns segundos. Alex sorriu para ela, como se estivesse tudo bem, e cumprimentou Matthew.
— Olá, Matthew.
Matthew caminhou em sua direção com passos largos, como se estivesse com raiva. Com um som de “seu idiota”, ele tocou levemente o ombro de Alex.
— Você, realmente…!
Sua voz estava embargada.
— Achei que você fosse morrer, seu idiota.
Suspirando de alívio, ele se sentou na cadeira e examinou a tez de Alex. Observando cada detalhe de seu rosto, Matthew tirou os óculos e levou o rosto com as mãos.
— Tenho que fazer o meu trabalho, mas estou morrendo de preocupação com você. Foi um inferno.
— Parece que você passou por dificuldades.
Embora não estivesse tão mal quanto Nathan, a tez de Matthew também não estava boa.
— O cara que foi esfaqueado é o mais tranquilo, hein?
— É o efeito dos remédios. O suspeito foi capturado? E a Winings?
Quando foi direto ao assunto, Matthew franziu os olhos.
— Foi capturado, e está vivo. Antes disso, deixe-me dizer uma coisa.
— Diga.
Matthew respirou fundo e segurou a mão de Alex. “Hã?”, Alex pensou, olhando para sua mão.
— Me desculpe por não ter lhe contado imediatamente sobre o seu pai. Justo quando aconteceu aquilo e você se machucou, droga, fiquei muito mal.
Com o rosto tomado pela culpa, Matthew confessou. Alex olhou para ele em silêncio e então, com um movimento estranho, deu-lhe tapinhas nas costas e disse. Por causa do analgésico, seus movimentos eram lentos, pois era difícil se mover.
— Eu disse que estava tudo bem naquela época. Mas eu também me desculpo.
— Pelo quê?
— Por não ter confiado em você tanto quanto você se preocupa comigo. Você é um bom parceiro e amigo, mas no dia em que soube da história do meu pai, achei que tinha ficado sozinho, sem ninguém.
Ele estava um pouco cansado por ter falado muito assim que acordou. O sono também estava voltando aos poucos.
— Obrigado.
Então Alex disse uma frase curta, mas sincera. Matthew olhou para ele em silêncio e então riu: “Ha ha”.
— É mesmo.
— É.
Enquanto trocavam respostas curtas, a porta do quarto se abriu. Era Nathan. Os olhos de ambos se voltaram para ele simultaneamente. Matthew, com um som de “Ei”, inclinou-se.
— Aquele médico, enquanto você estava desacordado…
— O que está fazendo?
Nathan caminhou com passos largos e parou ao lado de Alex. Nathan olhou para as mãos de Alex e Matthew, que estavam sobrepostas, e disse friamente. Sua voz estava muito mais afiada do que o normal.
— Ele ainda precisa descansar muito, então a visita fica para depois. Também precisamos transferi-lo de quarto.
— Não faz nem alguns minutos, que exagero.
Matthew, embora irritado, obedeceu. Ao se levantar, ele soltou a mão lentamente, e Nathan, com a boca firme, o observou durante todo o tempo. Com um “Ha ha ha!”, Matthew riu, disse “Vou indo” e saiu do quarto. Assim que Matthew saiu, Nathan relaxou um pouco a expressão e se aproximou de Alex.
— Durma logo.
Como da primeira vez que acordou, a mão de Nathan acariciou suavemente sua testa. Embora sua temperatura fosse fria, a sensação era muito boa. Alex observou o rosto de Nathan atentamente. Era incrível como ele gostava tanto de Nathan, mesmo depois de ter sido rejeitado. Ele simplesmente gostava muito.
No entanto, como não tinha como saber o que Nathan estava pensando, Alex decidiu saborear essa gentileza apenas até que seu corpo se recuperasse um pouco. Não se importava se era por pena. Era tão doce quanto.
— Sim.
— A partir de amanhã, começaremos a administrar água ou uma dieta líquida simples. Agora durma um pouco mais.
Ele respondeu obedientemente. Mesmo depois de dizer isso, Nathan não saiu do lugar. Ele estava um pouco sonolento, mas assim que ouviu a voz de Nathan, o sono começou a chegar de forma milagrosa. Quando começou a fechar os olhos lentamente, seu corpo ficou pesado rapidamente. Querendo que Nathan ficasse ao seu lado, antes de adormecer completamente, ele sem querer agarrou a barra de sua roupa.
Depois de recuperar totalmente a consciência, Alex foi transferido da UTI para um quarto particular. Era um lugar incomparável com o quarto particular onde viu Amy Winings pela primeira vez. Os vasos de flores, a televisão, tudo parecia caro, e a janela era grande e elegante. Havia até um sofá.
Era claramente um quarto que ele não poderia pagar com seu subsídio. Quando Alex perguntou se poderia ir para um quarto compartilhado, Nathan apenas disse que não precisava se preocupar.
Durante os três dias seguintes, Matthew visitava o quarto sempre que tinha tempo. Cada vez que vinha, trazia braçadas de cestas de flores ou presentes, então o canto do quarto, que ele achava desnecessariamente grande, ficou cheio de coisas. Havia coisas enviadas pelos colegas de equipe, e também uma caixa cara enviada pelo Superintendente Janice. Muitas pessoas de outros departamentos também enviaram muitas coisas. Para Alex, foi uma experiência desconcertante.
— Ei, aquele tal de White, quando é que ele vai sair do seu lado? Ele não trabalha?
Nathan, que olhava para Matthew com uma expressão desagradável, havia se afastado quando Matthew disse que era sobre o trabalho. Alex pensou seriamente sobre a pergunta de Matthew.
— Acho que não.
Pelo menos enquanto Alex esteve acordado, foi assim. Durante todo o tempo que esteve deitado, Nathan esteve em seu quarto; pelas suas roupas, parecia que ele trabalhava, mas passava todo o resto do tempo com Alex. Alex percebeu que ele não dormia. Mesmo que dormisse, certamente era por um tempo irrisório.
Além disso, Nathan ajudava Alex com tudo o que ele precisava ao seu lado. Em momentos constrangedores, como quando ele precisava da ajuda de um cuidador para se lavar minimamente ou medir o débito urinário, ele se afastava a pedido desesperado de Alex, mas todo o resto era feito pelo próprio Nathan. Até os exercícios leves, como andar pelo corredor, começaram assim que ele foi transferido de quarto, e Nathan também o supervisionava.
Ele até o alimentava!
No início, Alex recusou por vergonha, mas Nathan foi tão firme que Alex não teve escolha a não ser se render. A cada refeição, seu coração quase explodia com uma ação que só namorados fariam. Embora tenha conseguido comer de alguma forma, dias se passaram e ele ainda não se acostumava com isso.
Até a comida era gostosa. O cardápio mudava um pouco a cada dia, e embora fosse uma nutrição simples, como mingau, era muito boa. Preocupado com o custo do quarto, Alex perguntou se esse valor era subsidiado, e Matthew respondeu que não. Assustado, Alex pediu para verificar o preço do quarto particular, e Matthew voltou com uma expressão atônita. Em vez de dizer o valor, ele apenas disse que Nathan havia resolvido.
— Bem, tudo bem, já que vocês estão namorando.
Matthew acrescentou.
— Quem está namorando?
Alex perguntou, genuinamente curioso. Matthew franziu os olhos.
— Como?
Pergunta seguida de pergunta. Alex não conseguia entender a reação de Matthew.
— Por quê?
— Vocês não conversaram sobre isso?
— Sobre o quê?
— Sobre aquele cara ter chorado no dia em que você se machucou.
Chorado. Era uma imagem completamente inimaginável. Como Alex ficou em silêncio, Matthew corrigiu um pouco.
— Ele não chegou a chorar… hum, ele estava à beira de um colapso. Enquanto você estava na cirurgia, ele ficou sentado na frente, sem conseguir fazer nada. Ficou assim por mais de um dia, então a família dele também apareceu. Aquela família só tem homens bonitos? Dizem que dois deles são nobres. Fiquei um pouco intimidado ao lado deles.
Matthew parecia estar se lembrando daquele dia.
— Nathan fez isso?
Incrédulo, Alex perguntou com os olhos bem abertos. Matthew o olhou como se dissesse “como você não sabe?”.
— Foi ele quem fez os primeiros socorros em você na cena do crime e esperou.
Depois que Amy chegou em segurança na casa de Nathan, provavelmente Nathan foi para a cena do crime. Incrédulo, Alex respondeu sem graça. Seu estômago estava formigando. Ao pensar nas palavras de que ele não saiu de perto enquanto Alex estava na cirurgia, o formigamento aumentou.
— Não sabia. Ele não me contou.
— Ele parece ser desse jeito. De qualquer forma, converse com ele em breve.
Matthew mudou de assunto. Como ele ainda não tinha alta, não podia participar da investigação, é claro, então Matthew o visitava como representante e compartilhava o andamento da investigação todos os dias.
Ontem, Anna, junto com o Detetive Hayden e o Superintendente Janice, o visitaram. Anna, desde o momento em que entrou, estava com uma expressão de quem ia chorar, e acabou chorando de verdade. O Detetive Hayden, sem saber o que fazer, a consolou, o que foi bastante divertido. Foi uma ação muito gentil para o Detetive Hayden. Matthew sussurrou que o parceiro era incrível.
— Amy Winings tem que ficar com a equipe de proteção, então não pode vir ao hospital, mas ela disse que quer se desculpar com você assim que tiver alta.
— Ha ha ha.
Alex riu, lembrando-se da expressão atrevida de Amy. Então, logo em seguida, ouviu sobre o suspeito capturado. Seu nome era Dwayne Carter, e como ele havia previsto, era um mercenário ex-marinha. Ele não tinha antecedentes criminais, mas parecia que as coisas que ele fazia eram graves, só não estavam registradas.
— Descobriram o motivo da tentativa de sequestro?
— Dwayne Carter não está falando, mas Patrick Shore está delatando tudo.
Alex esperou suas palavras com interesse. Matthew continuou.
— Pelo jeito, ele também estava meio refém. Anna encontrou Patrick Shore primeiro, antes de você prender o Dwayne Carter. Quando ele ouviu que havia sido capturado, ele manifestou a intenção de negociar uma delação premiada através de seu advogado.
Foi Patrick Shore quem fez as ameaças por telefone na época, e Anna, que foi enviada, conseguiu encontrar Patrick Shore nas proximidades.
— Ele estava com muito medo de que Dwayne Carter o matasse.
— É uma razão compreensível.
Alex assentiu. No entanto, Matthew tinha uma expressão ambígua.
— Mas quem sabe as partes importantes é quase só o Dwayne Carter. Patrick Shore não sabe exatamente quem deu a ordem. Ele diz que só ouviu a voz por telefone, além de Dwayne Carter. Ele não se lembra do nome, mas disse que era um homem e que a voz era parecida com a de algum jogador de futebol, então ficou na memória. Ele deu a informação de que havia algo a ser obtido da Winings. Pelo que ouvi de relance, Dwayne Carter estava procurando algum material.
A palavra “jogador de futebol” fez Alex estremecer. Inconscientemente, ele pensou em David Mack. Desde que se separou de Ian, ele não queria saber de notícias, então nem ouvia o nome dele. Ele só sabia que David Mack havia estreado brilhantemente.
Mas era improvável que um mero atleta estivesse envolvido em algo assim. Embora a personalidade de David Mack fosse assustadora.
Lembrar-se de más memórias o deixou deprimido. Alex voltou à conversa.
— São evidências relacionadas aos ensaios clínicos? Mas Amy Winings não sabe de nada.
— Então estamos tentando fazê-la lembrar o máximo possível. A situação não está nada boa.
Matthew disse isso e pegou o controle remoto da mesa ao lado da cama. Então ligou a televisão. Um prédio com o nome da MacMillan Pharmaceuticals apareceu, e a imagem da polícia entrando para fazer buscas e apreensões foi repetida na tela.
— Conseguimos um mandado de busca com o juiz de alguma forma e começamos com as buscas e apreensões, mas a imprensa perguntou. Mesmo sendo um caso sigiloso, como é grande, eles foram rápidos. A situação é de críticas ao CEO antes mesmo de as circunstâncias serem esclarecidas. Dizem que há comentários internos também.
— Hum.
Alex se lembrou do que havia pensado quando Amy quase foi sequestrada novamente.
— Que tal considerar que o momento em que eles tentaram sequestrar Winings novamente foi quando começaram a investigar Sarah Oates?
Matthew olhou para ele por um momento e então disse com uma expressão séria:
— O que Sarah Oates teria deixado para Amy Winings? Algo que nem ela mesma sabe?
— Verifique o grau de amizade entre elas e essas coisas. Pode haver uma razão para ela ter recomendado a empresa.
— É possível.
Matthew se levantou. Parecia que ele estava com pressa.
— Vou indo. Você é realmente bom.
Com o elogio, Alex sorriu, franzindo os olhos, sem graça. Matthew deu um tapinha no ombro de Alex e saiu rapidamente do quarto. Olhando para o lugar onde Matthew estava sentado e para os presentes que enchiam o quarto, Alex pensou de repente que a solidão avassaladora que sempre o rodeava parecia menor do que o normal.
Quer dizer, ele ainda tinha muitos problemas. Ainda não tinha dinheiro, e a possibilidade de seu pai voltar havia desaparecido. Quando tivesse alta, essa seria a realidade que o esperava. Provavelmente nada mudaria muito. Mas seu coração estava um pouco melhor.
Ele tinha Matthew ao seu lado e muitos colegas que, inesperadamente, se preocupavam com ele. Alex sempre pensou que precisava de amor incondicional. Como o amor de uma mãe ou pai comum, que estaria ao seu lado não importa o que acontecesse e nunca o abandonaria. Ele acreditava que só assim não se sentiria sozinho. Claro, ele ainda queria esse tipo de amor.
Mas o que ele percebeu foi que, mesmo que não fosse um amor tão grandioso, se ele se apoiasse um pouco nas pessoas queridas ao seu redor que se preocupam com ele, talvez se sentisse menos sozinho. Se não fosse assim, ele não conseguiria suportar.
Enquanto continuava com seus pensamentos complexos, Nathan voltou. A porta se abriu sem nem mesmo o som da maçaneta girando. Era o jeito único de Nathan de abrir a porta. Depois de apenas alguns dias juntos, ele já estava acostumado com essa pequena ação. Ele não tinha se sentido solitário ultimamente provavelmente porque Nathan esteve ao seu lado o tempo todo.
— Como está o corpo?
Mesmo tendo se ausentado por apenas 30 minutos, Nathan perguntou.
— Acho que estou bem.
— Está com frio?
— Não.
Nathan se aproximou da cama e, como de hábito, tocou suavemente a testa de Alex e afastou seus cabelos. Mesmo depois de ter passado por isso várias vezes, ele ainda ficava tenso quando Nathan o tocava. Ao mesmo tempo, lembrou-se das palavras de Matthew. Matthew disse que eles estavam namorando.
Pensando objetivamente, não havia razão para Nathan agir assim, por mais preocupado que estivesse com ele. Além disso, Nathan havia rejeitado sua confissão. Mesmo assim, por que ele fazia tanto por ele? Por culpa? Provavelmente. Pensar que era por piedade o deixou com o coração pesado.
Com o rosto abatido, Alex olhou nos olhos de Nathan. Depois de observá-lo por um momento, Nathan falou.
— Então vou abrir a janela só um pouco.
— Sim, certo.
Nathan caminhou até a grande janela. A luz do sol brilhando através da vidraça preenchia o quarto na diagonal. Era um dia ensolarado, raro no inverno londrino. Agora que pensava nisso, era quase Natal. O tempo havia passado. Já fazia quase dois meses desde que ele reencontrou Nathan, e muitas coisas aconteceram.
Nathan, que abriu levemente a janela, voltou para perto dele. Sua expressão inexpressiva de sempre era visível. Ele se lembrou das palavras de Matthew de que Nathan havia chorado. Alex tentou imaginar o rosto de Nathan, normalmente impassível, chorando. Sua imaginação tinha limites, então ele realmente não conseguia visualizar. Ele só lamentava não ter visto um aspecto de Nathan que nunca tinha visto. Ainda mais se ele realmente chorou por sua causa…
— Nathan.
Sem ter certeza do que ia dizer, Alex chamou seu nome baixinho. Mesmo assim, Nathan, como se tivesse percebido algo, olhou diretamente para o rosto de Alex com olhos profundos. Um vento frio se misturou baixinho no silêncio do quarto. O vento que entrava pela fresta da janela se misturava ao ar quente do ambiente e acariciava suavemente suas bochechas. Cheirava a inverno. Havia um cheiro de casca de árvore bem seca.
— …Tenho uma pergunta para você.
Nathan sentou-se lentamente na beira de sua cama. Uma expressão surgiu em seu rosto pálido. Era uma dor evidente.
— O quê?
Movendo levemente os lábios desbotados, Nathan desviou o olhar. Seu olhar passou pelo abdômen ferido de Alex e se dirigiu ao pulso que estava pousado ordenadamente ao lado. Era o pulso esquerdo com a cicatriz. Seus cílios finos tremeram e, com uma voz presa, ele perguntou:
— O que é essa cicatriz no seu pulso, Alex?
Nathan não terminou ali. Abrindo a boca como se fosse continuar, ele soltou um suspiro trêmulo. Depois de alguns segundos para recuperar o fôlego, Nathan perguntou:
— Você tentou morrer?
Essas palavras, essa pergunta, se sobrepuseram exatamente à situação em que ele estava caído, esfaqueado. Deitado sozinho no chão da chuva, ele pensou por um longo tempo que havia esperado por este momento.
Alex baixou a cabeça e olhou para o pulso que Nathan observava. Ele encontrou muitas pessoas que olhavam para sua cicatriz com olhares preocupados sempre que seu pulso ficava exposto. Alex pensou amargamente que devia parecer muito frágil. Mesmo assim, ele estava resistindo, mas parecia que estava causando preocupação sem querer.
— Isso é de um ferimento no trabalho. Como você deve saber, Londres tem muitos acidentes com armas brancas.
Ele nunca havia decidido ativamente tirar a própria vida. Nem considerava sua vida tão trágica a ponto de decidir se matar.
Mas ele não podia dizer que tinha apego à vida. Porque quando voltava para sua casa vazia, sem ninguém, e comia sozinho naquele lugar sem nenhum calor, Alex às vezes se perguntava quando esse sofrimento terminaria.
— Mas…
Ele se perguntou.
Se ele queria morrer.
— Eu pensava de vez em quando se eu queria morrer.
Mesmo fechando os olhos, Alex não conseguia dar uma resposta definitiva. Não havia um desejo forte de viver. Também não havia arrependimento.
— Talvez porque eu não seja uma pessoa interessante, a vida não é divertida.
Apenas.
Apenas, havia arrependimento. Ele lamentava ter vivido sem nunca dizer o que queria, sem nunca confiar em ninguém. Ele não se lembrava de ter gostado. O futebol também foi porque seu pai queria, e ele se esforçou para satisfazê-lo. Ele não conseguia fazer o que queria, nem dizer o que queria. Porque tinha medo. De ser abandonado. Mesmo que a pessoa que iria abandoná-lo já o tivesse abandonado.
Isso o impedia.
Alex parou por aí. Embora fossem seus próprios sentimentos, era difícil colocá-los em palavras. Apenas um pesar sem forma preenchia seu peito. Lentamente, ele desviou o olhar do pulso. Queria ver o rosto de Nathan. Ao levantar a cabeça, o que Alex viu foi Nathan, com os olhos vermelhos e os dentes rangendo.
Ele parecia estar sofrendo.
Estava com dor, arrependido, sofrendo. Com olhos injetados, ele não conseguia desviar o olhar de Alex. Ele sentia como se o silêncio, onde nem mesmo o som da respiração se ouvia, estivesse sendo preenchido pela tristeza de Nathan.
Ele foi tolo por ter pensado que queria ver Nathan chorar. Só de ver Nathan chorando, Alex já se machucava. Depois de um longo silêncio, Nathan abriu a boca. Sua voz tremia terrivelmente.
— Até agora, eu pensei errado.
A pergunta “o quê?” não saiu de sua boca. Ele sentia que sabia o que era, mesmo sem Nathan dizer.
— Sem tentar te entender, eu afirmei que nosso relacionamento não mudaria. Julguei seus sentimentos por mim arbitrariamente. Por não querer me machucar de novo, tentei fazer com que tudo o que você fez por mim… se tornasse sem sentido.
A mão de Nathan tocou cuidadosamente a mão de Alex. Os dedos que tocaram as costas de sua mão tremiam ligeiramente. A voz de Nathan foi ficando cada vez mais embargada, e junto com ela…
— Eu gostava de você exatamente do seu jeito desajeitado.
Os olhos de Alex também foram ficando vermelhos. Ele sentia que deveria dizer algo, mas a voz não saía. Sua garganta tremia, e sua boca se fechava.
— Em vez de apenas remoer o porquê de você ter me machucado, eu deveria ter tentado entender por que você teve que agir daquela maneira.
Seus olhos doíam. Imediatamente, seus olhos vermelhos se encheram de lágrimas. Algo quente e avassalador encheu seu peito, fazendo suas costelas doerem. Com a mão trêmula, Alex, sem saber o que fazer, olhava sem parar para Nathan.
— Me desculpe, Alex.
As lágrimas que tinham chegado ao limite finalmente caíram. Mordendo o lábio, Alex tentou controlar sua respiração irregular.
— Me desculpe por não ter tentado ouvir o que você queria dizer.
Mas ele simplesmente não conseguia.
— Me desculpe por ter agido como se tivesse te perdoado, sem nem te dar essa chance.
A cada palavra de Nathan, sua mágoa vinha à tona, e Alex finalmente não conseguiu conter o choro. As lágrimas escorriam incontrolavelmente. Com a mão livre, ele esfregou as bochechas avermelhadas. Seus suspiros ofegantes escapavam dolorosamente por entre seus lábios.
— Me desculpe por ter deixado você sozinho.
Nathan apertou firmemente as costas da mão de Alex, que mal se tocavam, e estendeu a outra mão para acariciar os olhos de Alex. Enxugando as lágrimas incessantes com carinho, ele sussurrou:
— E…
A voz de Nathan, ao dizer isso, também tremia.
— Obrigado por tentar me proteger.
Como se tivesse libertado sentimentos reprimidos por muito tempo, Alex desmoronou com as palavras de agradecimento. Com o rosto totalmente vermelho, sem conseguir fazer barulho, ele derramou lágrimas. Era como se suas palavras estivessem tocando seu coração. As palavras que pareciam realmente entender o seu interior ferido e dilacerado o deixaram tão feliz, e por isso, tão triste.
Na verdade, nunca esteve tudo bem.
Ele odiava a si mesmo por ter machucado Nathan, odiava a si mesmo por ter feito apenas escolhas erradas, mas às vezes, muito raramente, sentia-se magoado com Nathan, que parecia aceitá-lo, mas insistia em não ouvir suas desculpas.
Você gostava de mim. Você disse que me perdoaria mesmo se eu fizesse algo errado. Você disse que realizaria um desejo meu. Então, por que não pode me ouvir só desta vez?
Ele queria ser irracional, mas se conteve. Porque, afinal, tudo começou por sua causa.
Mas no momento em que ouviu aquela palavra “obrigado”, tudo o que o machucava se dissolveu. Foi como se Nathan tivesse reconhecido seu desejo de o proteger.
Parecia que ele havia sido verdadeiramente perdoado.
— Agora, você… sabe de tudo?
Com uma voz completamente embargada, Alex perguntou. Apertando com força a mão que pressionava as costas da sua mão, Nathan respondeu:
— Sei de tudo.
Alex assentiu. Ele ia perguntar como e onde Nathan tinha descoberto, mas achou que não importava. Ele não queria mais remoer o passado. Pelos últimos 9 anos, ele esteve obcecado pelo passado a ponto de enlouquecer.
— De agora em diante, vou te ouvir, Alex. Vou ouvir tudo o que você tem para dizer…
Com a mão que enxugava suas lágrimas, Nathan envolveu a bochecha de Alex. Ele viu lágrimas acumuladas em seus olhos verdes e distorcidos.
— Diga o que quiser.
Com a garganta seca, Alex respirou fundo e assentiu. Sua voz tremia muito. Ele não tinha tempo para sentir vergonha de estar chorando ou pensar que precisava parecer legal.
— Eu gostei de você desde o primeiro momento em que te vi.
Alex começou a despejar as palavras que vinha acumulando por muito tempo.
— Foi tudo mentira quando eu disse que gostava de você só por um tempo. Nunca houve um momento em que eu não gostasse de você. Eu também não sei explicar, Nathan, mas eu gosto muito de você… Mesmo depois de você ter me rejeitado, eu ainda gosto.
Nathan, mordendo o lábio, ouvia suas palavras. Seu interior ficava cada vez mais leve.
— Você disse que nada mudaria. Eu não penso assim. Eu acredito que as pessoas podem mudar. Acho que, por alguém que amamos, podemos mudar gradualmente. Então…
Eu vou te tratar bem, vou mudar muito.
Frases como essas se misturavam em sua mente. Eu confio em você. Vou fazer terapia, não vou repetir o mesmo erro, então…
— Você… ainda gosta… de mim?
Deixando de lado as muitas frases confusas, Alex fez a única pergunta que mais queria fazer. Ele sempre quis perguntar. Mesmo achando que era um engano, ele pensava assim. Talvez, Nathan ainda gostasse dele. Mas nunca conseguia dizer isso em voz alta.
Ao desabafar seus sentimentos reprimidos por tanto tempo, Alex se sentiu aliviado. Com uma voz trêmula, mas de alguma forma sem ansiedade, ele esperou a resposta de Nathan. Era diferente das vezes anteriores, que eram cheias de ansiedade.
— Não.
Nathan disse calmamente. Com a resposta negativa, Alex arregalou os olhos e olhou para Nathan. As lágrimas que tinham parado estavam prestes a se formar novamente quando Nathan, apertando a mão que segurava sua bochecha, o puxou para si. Seus rostos se aproximaram. Ele viu os cílios lindos tremendo e seus olhos verdes, que pareciam frios, mas na verdade eram muito calorosos, fitando apenas a ele.
— Eu te amo.
Era algo surpreendente. Alex só agora descobriu que uma única frase podia derreter o coração de uma pessoa instantaneamente. A alegria que o jovem Alex sentiu ao ouvir “eu gosto de você”, talvez uma felicidade ainda maior, envolveu seu corpo como um arrepio.
— Muito, muito.
Ele viu as sobrancelhas dolorosamente curvadas. As palavras sussurradas por seus lábios finos e bonitos eram tão lindas que Alex sorriu um pouco com os olhos marejados.
Estavam tão perto que seus narizes quase se tocavam. Nathan o observava em silêncio, com aquela pequena distância entre eles. Então, pela primeira vez, ele teve certeza de como agir. Foi a primeira vez em sua vida, nem curta nem longa, que ele teve tanta certeza de sua própria ação.
Alex inclinou a parte superior do corpo. Aproximou-se de Nathan, que o esperava. Havia um cheiro agradável. O cheiro de Nathan, que se misturava sutilmente ao vento frio que entrava, que parecia seco e ressecado, mas que, quando cheirado de perto, era incrivelmente fresco.
Lentamente, ele tocou seus lábios. Esfregou timidamente os lábios ligeiramente secos. Como se estivesse esperando, Nathan o puxou para si. Ele sentiu Nathan segurar firmemente sua bochecha, como se estivesse agarrando algo que não podia perder. Sentindo a língua de Nathan penetrar suavemente em seus lábios, Alex fechou os olhos.
Ele pensou que tinha tantas coisas para dizer, mas então…
Alex riu para si mesmo.
Hoje, apenas isso já era o suficiente.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki, Othello&Belladonna