Capítulo 02
❖ Capítulo 02 – Cross the yellow line
Na noite em que voltou da reunião de ex-alunos, Nathan pediu ao seu irmão, Nicholas, que investigasse algo sobre Alex. Na época do incidente, Nicholas queria dizer algo, mas como Nathan não quis ouvir, ele não tinha conhecimento sobre o ocorrido. Também não ouviu nada durante o processo de acordo.
Sabendo que o marido de seu irmão estava em posição de descobrir muitas coisas, se quisesse, Nathan pediu que investigasse o máximo possível. Sobre Alex também.
Nicholas, embora achasse estranho o pedido incomum do irmão, concordou e, na tarde seguinte, trouxe os resultados. Apesar de ter sido uma investigação feita durante a noite, uma quantidade considerável de documentos foi entregue através do secretário de seu irmão.
A primeira coisa que leu foi sobre a foto mencionada por Jessica Bundy e tudo o que estava relacionado a ela. Os documentos estavam meticulosamente organizados.
Como a origem da foto que todos disseram ter apagado não era de Jessica, um hacker encontrou um antigo original. Era a foto de um ator pornô amador, há muito esquecida e pouco conhecida.
O rosto não se parecia em nada, mas na foto que Jessica tinha, o rosto estava encoberto por sombras. A posição deitada com os órgãos genitais expostos, o corpo magro e os cabelos loiros, à primeira vista, era até acreditável. Embora, na verdade, fosse totalmente diferente do porte físico de Nathan na época.
Em seguida, verificou os três alfas que vieram para estuprá-lo coletivamente. Um deles era irmão de um membro da máfia do leste, com várias passagens por crimes de drogas. Os outros dois estavam no time de futebol americano.
O ponto central que os ligava era David Mack, a pessoa mencionada por Jessica ou Kate. A investigação revelou que ele foi jogador profissional de futebol na primeira divisão até um ano e meio atrás, mas teve que encerrar a carreira devido a uma grave lesão no ligamento cruzado.
Pesquisando, descobriu que era um sujeito com muitos problemas. Superprotegia o irmão mais novo e tinha um histórico de fazer coisas terríveis com quem o contrariava desde os tempos de escola. Parecia que muitos casos foram encobertos quando ele era jogador de futebol. Agora, parecia ter garantido um lugar em uma empresa farmacêutica usando as conexões de seu pai.
Durante toda a leitura do resumo do caso, ele quase não respirou. Seus dedos pálidos, ao virar as páginas, ficavam cada vez mais tensos. Na parte que descrevia o que aquele sujeito do mesmo time de futebol havia exigido de Alex, ele parou de ler por um momento.
Parece ter traumas relacionados a ômegas.
O comentário anexado ficou gravado em seus olhos. Ao ler aquela frase, Nathan sentiu uma vergonha insuportável. Um suspiro trêmulo escapou, e ele tapou a boca. Veias azuis saltaram em suas mãos. A dúvida que ele sentiu ao observar a consulta médica entre Zed e Alex no hospital estava ali.
Era verdade que eles nunca haviam tido relação.
O rosto dele olhando para cima, dizendo que também era a primeira vez, o momento em que ele obedientemente parou e aceitou aquilo, não eram coisas para serem desconsideradas. Ele não deveria ter simplesmente dito “Ah, é mesmo?”. Nem deveria ter deixado Alex, que o segurava na banheira, para trás.
O fato de ele ter suprimido o cio com medicamentos até seu corpo chegar àquele estado, e de não ter conseguido ficar com nenhum ômega, tudo estava ligado a ele.
Com a mente à beira da loucura, Nathan largou os documentos por um momento e lavou o rosto com as mãos. Enfiou os dedos e arranhou a pele. Estaria melhor se enlouquecesse. Sentia a cabeça explodir.
O que foi que eu fiz com você, Alex?
O problema não era o passado. O que Nathan não suportava era a si mesmo, por estar convencido de que o resultado não mudaria. Ele pensava que, por qualquer motivo, o relacionamento não poderia mudar. Se esse pensamento fosse verdade, Nathan não deveria sentir nenhuma culpa ou arrependimento agora.
No entanto, o que preenchia seu peito era uma dor infinita, sem fim. As palavras que ele havia dito ao adorável garoto que via diante de seus olhos giravam como um redemoinho.
Eram palavras que ele não teria dito se tivesse ouvido Alex pelo menos uma vez. A razão pela qual ele não quis ouvir era uma só. Ele estava, tolamente, com medo de amar novamente e se machucar novamente. Mesmo depois que você criou coragem e se aproximou de novo.
Suportando a culpa que se espalhava como veneno, Nathan continuou a ler os documentos. Desta vez, era uma breve descrição da situação pessoal de Alex. Dizia que sua mãe havia se casado novamente e formado uma nova família, e seu pai estava desaparecido. Havia até dívidas.
Contava que, desde a época em que foi forçado a namorar Ian Mack, Alex saiu de casa e viveu perambulando até se tornar policial e passar a morar sozinho no apartamento atual. Lembrou-se do apartamento simples, onde até a lâmpada da entrada não era trocada direito.
Ao ler mais uma linha, havia um comentário:
Supõe-se que ele pagou as dívidas que seu pai tinha com parentes.
Os dedos que seguravam o papel ficaram tensos.
Então, não havia ninguém ao lado de Alex. Segundo Tina e Jude, Alex se afastou deles depois que Nathan transferiu de escola.
É um garoto que não mantém as pessoas por perto. Ao imaginar a cena dele vagando sozinho por um ano, Nathan não aguentou mais. Seu peito doía dolorosamente, e ele respirou fundo e se levantou. Rangendo os dentes, ele olhou fixamente para Alex na foto.
Alex não estava sorrindo. Seu rosto inexpressivo olhava para a frente. Será que ele estava sempre assim quando não estava na presença dele? Será que, tendo vivido uma vida assim, você ainda sorria timidamente para mim? A vida de Alex, que ele não podia imaginar, ou melhor, que ele não sabia porque não quis ouvir, continuava a se desenhar em sua mente.
Como você deve ter se sentido sozinho.
A imagem do rosto de Alex, prestes a chorar ao dizer que gostava dele, veio à mente. Se Nathan tivesse dito que queria namorar quando Alex pediu, ele provavelmente teria cedido à teimosia de Alex, fingindo ressentimento. Mas Alex não fez isso. Ele nunca foi egoísta, nem por um instante. Vendo Nathan sofrendo, Alex forçou um sorriso, depois baixou a cabeça e se desculpou novamente.
Ele só fez Alex se desculpar.
O humano chamado Nathan White só deu culpa a esse garoto que suportou tudo sozinho, fazendo coisas inacreditáveis por ele. Mesmo querendo tratar bem. Mesmo dizendo que queria cuidar.
Foi o próprio Nathan quem disse que se preocupava porque Alex sempre parecia alguém que foi deixado para trás. Pelo menos nisso, ele estava certo. Alex não tinha família ao seu lado. Sem pais para apoiá-lo, Alex estava ao lado de alguém de quem nem gostava para apagar aquela foto insignificante. Ele suportou tudo sozinho. Até ter um trauma. Um alfa com trauma de ômega.
Mesmo sem saber de nada disso… O que é que eu sei?
Ele não aguentou mais. Nathan largou os documentos que lia e pegou o celular. Discou um número que nunca esqueceu em toda a sua vida. O sinal tocou, mas ele não atendeu.
Embora achasse que era um resultado natural, já que foi ele quem decidiu terminar o relacionamento, Nathan, com o rosto pálido, ligou repetidamente.
Por favor, por favor, por favor, atenda.
Mas, mesmo depois de duas, três ligações consecutivas, Alex não atendeu. Segurando o celular com força com mãos pálidas, ele refletiu em silêncio. Sentia que sua cabeça ia explodir. Nathan pensou se seria certo ir atrás de Alex. Será que Alex iria querer isso? Será que ele deveria se aproximar?
E, egoisticamente, Nathan tinha certeza disso.
Ele sabia que Alex gostava dele. Embora não pudesse ter certeza do início exato e da duração desse sentimento, as ações de Alex até agora eram algo que uma pessoa comum nunca seria capaz de fazer. Alex o colocava em primeiro lugar, a ponto de Nathan ficar com raiva por ter ousado julgá-lo.
Então, ele queria acreditar que Alex não o afastaria. Se não o afastasse, ele queria ter uma conversa decente.
O que eles tiveram até agora não foi uma conversa. Nathan não quis ouvir completamente. Alex nunca disse o que realmente queria. Ele queria ouvir, do início ao fim, o que ele queria compartilhar. Queria remover os destroços restantes entre eles e criar um novo espaço sobre aquelas ruínas.
Ele havia perdoado Alex, mas não o havia perdoado. Isso não era uma resolução, era apenas um perdão unilateral. O relacionamento não podia melhorar assim. Foi porque ele pensou assim que acreditou que o relacionamento não poderia melhorar.
A decisão foi tomada. Não importa qual fosse o resultado, Nathan agora tinha que ir até Alex e confrontá-lo. Mesmo que tivesse que retribuir mais do que Alex havia feito, ele queria ficar ao seu lado. Não era hora de ficar parado.
Ele saiu da sala e pegou o casaco. Caminhou apressadamente em direção à porta da frente. Assim que abriu a porta para sair, Nathan viu uma mulher parada na sua frente.
— Nathan!
Era Amy.
— Amy?
Com o rosto pálido de susto, Amy se jogou em seus braços. Ele sentiu os soluços e o corpo frio e molhado. Seus cabelos negros estavam uma bagunça.
— O que aconteceu?
Amy tremia inteira. Mesmo assim, ela conseguiu responder às palavras de Nathan.
— E-eu, atenderam meu telefone, disseram que minha mãe morreu, eu fui enganada. Uh, uuh, não é isso. Nathan, você tem que ir ajudar. O detetive Alex ficou lá.
Amy, embora confusa, foi direto ao ponto. Com uma voz que soava como soluços, ela apontou para fora da porta, para a direita.
— O Alex?
A ansiedade apertou sua garganta. A impaciência que fervilhava há dias o envolveu por completo. Com o rosto contorcido, Nathan afastou Amy de si e disse:
— Diga exatamente onde, Amy.
— Vá para a estrada principal, vire na Chilton Street, tem um beco pequeno por perto.
— Chamou a polícia?
Amy assentiu. Assim que ela terminou de falar, ouviu-se o som de uma sirene ao longe. Nathan se abaixou, olhou nos olhos dela e sussurrou:
— Tranque a porta e fique aqui. Ligue para a polícia novamente e diga para virem para minha casa e para o lugar que você mencionou, ambos. Chame uma ambulância também. Eu vou para lá.
— Certo.
Amy disse, fazendo um esforço para parar de chorar. Depois de afastar os cabelos molhados do rosto dela, Nathan saiu de casa apressadamente. Não adiantava se iludir pensando que não seria tão grave. Quando percebeu, estava correndo como um louco. Nunca tinha corrido assim na vida. Sem conseguir respirar direito, ele correu até o destino.
Entrando na Chilton Street que Amy havia mencionado, Nathan procurou um beco pequeno. Não se ouvia nada além do som da chuva caindo silenciosamente. A chuva foi ficando mais forte. Finalmente, ao entrar no beco pequeno, a primeira coisa que Nathan notou foi um cheiro metálico pairando no ar úmido.
Isso não pode.
Pensou, atordoado. Isso era um mau presságio. Não podia ser assim. Não podia haver cheiro de sangue no lugar onde Amy disse que Alex estaria.
Nathan deu mais dois passos. Viu duas pessoas. Estava escuro, mas deu para reconhecer de imediato. Alex estava deitado, imóvel. No momento em que viu uma forma caída ao lado de alguém, sem o menor movimento, seus olhos se reviraram.
— Alex!
Correndo como se fosse desmoronar, ele se ajoelhou. Seu pulso disparou, latejando, e seu sangue ferveu. Sentiu como se fosse enlouquecer por um instante. Um suspiro ofegante escapou. Por um momento, quase vomitou. O choque foi muito grande.
— Não, não, não…
Sussurrou com a voz rouca. Não, não, vai ficar tudo bem. Ele precisava se acalmar. Entrar em pânico não adiantava. Ignorando o atrito forte dos joelhos, Nathan primeiro verificou a consciência de Alex.
— Alex, acorde. Sou eu, Nathan. Está ouvindo?
Saiu uma voz que nem ele mesmo reconheceu. Ele examinou o corpo de Alex visualmente para encontrar o local do ferimento. Pela camisa branca manchada de vermelho, parecia ser no abdômen. Suas mãos tremiam.
Embora não tivesse escolhido a cirurgia, Nathan raramente ficava nervoso em qualquer procedimento prático. Mas nem suas notas excelentes nem sua personalidade calma estavam funcionando agora. A ansiedade crescente parecia matá-lo como veneno. Seu coração começou a bater loucamente rápido.
Superando o breve pânico que o invadiu, Nathan respirou fundo. Independentemente de sua mente estar sendo consumida pela ansiedade e prestes a explodir, sua razão gritava que ele tinha que fazer o que precisava ser feito. Ele precisava chamar uma ambulância. Amy já deveria ter informado a localização, então a ambulância viria junto com a viatura. Então…
Com as mãos trêmulas, Nathan examinou rapidamente o estado de Alex. Pela localização, parecia ser no intestino delgado. Com esse volume de sangue, é provável que uma artéria tenha sido danificada. Se a aorta abdominal foi danificada, pode ter havido uma perfuração intestinal, e a cirurgia teria que começar assim que ele chegasse. Todas as medidas precisavam ser tomadas nos próximos 45 minutos.
— Está doendo, Alex. Eu estou aqui, vai ficar bem.
Murmurou como um louco, protegendo Alex da chuva com seu corpo. Parecia que ele não tinha vomitado.
Para aliviar a tensão na área ferida, ele apoiou o joelho de Alex com seu braço, dobrando-o, e então pegou o telefone. Enquanto isso, tirou o casaco e rasgou a barra da camisa. Era um pouco melhor para estancar o sangue do que a roupa molhada de sangue e chuva. Com o casaco, ele cobriu Alex o máximo possível para protegê-lo da chuva.
A tela molhada pela chuva não respondia bem ao toque. Comprimindo o abdômen com uma força adequada, Nathan ligou para Luther. O hospital mais próximo era o Royal Hospital, onde ele trabalhava, e assim que fosse trazido de ambulância, todas as medidas precisavam ser tomadas no menor tempo possível. Incluindo o início da cirurgia.
— Nathan, boa tarde. O que houve?
Uma voz amigável atendeu o telefone. Com uma voz tão alheia ao inferno inacreditável que ele via, Nathan quase desabou. Queria gritar.
— Sr. Millan, sou eu. Paciente com ferida perfurante no baixo ventre. O paciente será transportado em 20 minutos. A cirurgia, preparem a cirurgia…
Sua voz tremia muito, então Nathan respirou fundo por um momento. Com o telefone preso no ombro, ele inclinou a cabeça de Alex para trás. Garantindo as vias aéreas, ele tocou a testa de Alex e verificou o pulso da carótida com a mão direita.
Abaixando o telefone por um momento, Nathan se inclinou ainda mais. Apesar da chuva, sentiu suor frio se formando em seu corpo.
Encostando a bochecha esquerda no rosto de Alex, ele verificou a respiração. Alex estava inconsciente, mas ainda respirava. Seu peito ainda subia e descia. Você vai viver, Alex. Não vou deixar você morrer.
Pegando o celular novamente, Nathan rangeu os dentes e disse a Luther:
— Eu sei que não é da minha alçada. Mas faça o que for preciso para salvá-lo. Fale com meu irmão, fale com o Sr. Frost, preparem tudo. Parece que a aorta foi danificada, preparem transfusão de sangue e levem direto para a cirurgia. Luther, por favor…!
Ele nem sabia o que estava dizendo. Como se negasse a terrível situação que insistia em invadir sua mente, Nathan ergueu a voz. Droga, sua voz saiu como um soluço. Não fazia sentido. O tempo parecia passar terrivelmente rápido.
Com sua voz de súplica, Luther respondeu imediatamente, com um tom sério:
— Vou colocar a equipe médica especializada da família Frost em espera agora, então se acalme. Nathan, qual o tipo sanguíneo do paciente?
Tipo sanguíneo, tipo sanguíneo, qual era o tipo sanguíneo mesmo? Nathan vasculhou suas memórias antigas. O que Alex tinha dito quando Jude e Tina perguntaram sobre tipo sanguíneo por curiosidade? Provavelmente era tipo O. O que era certo é que não era um tipo sanguíneo raro.
— Não foi confirmado. Preparem transfusão de sangue como tipo O por enquanto.
— Certo. Você está indo bem. Nathan, vai ficar tudo bem. Assim que ele chegar, vamos levá-lo direto para a sala de cirurgia.
Depois de desabotoar o cinto que usava, Nathan colocou a barra da camisa que havia rasgado antes sobre o ferimento. Comprimindo o abdômen com o cinto para estancar o sangue, ele segurou o pulso de Alex. A pele, sempre quente, estava fria e molhada pela chuva. Tão fria que ele não podia acreditar que fosse Alex, ele enfrentou um medo incontrolável.
Era um medo incomparável com a dor que Alex lhe causara. O medo de uma perda imensa, algo que ele jamais ousara imaginar, era tão grande que não seria estranho se Nathan morresse ali mesmo.
— Eu estou aqui, vai ficar tudo bem, Alex. Está com frio, não está?
Forçando a voz que não saía, ele sussurrou. Seu rosto branco, sem nenhuma cor, parecia o de um cadáver. Seus cabelos negros e molhados estavam grudados em sua testa.
— Você vai viver.
Murmurou como um louco, protegendo Alex da chuva com seu corpo.
Você vai viver.
Mesmo durante os anos em que viveu enganando a si mesmo, fingindo que tinha esquecido Alex, Nathan nunca imaginou um mundo sem Alex. Sempre que a saudade surgia nas frestas do tempo, ele muitas vezes desejava que Alex estivesse bem. Porque aquele garoto em suas memórias era cruel, mas ao mesmo tempo, ele se preocupava de um jeito que não podia simplesmente deixá-lo sozinho.
Eu sempre quis fazer você sorrir, e sempre achei natural que você estivesse ao meu lado. Eu gostava do som dos seus passos cuidadosos me seguindo, mesmo quando eu andava na frente. Eu gostava tanto de você que, pelo menos, pensava que era melhor que você estivesse bem em algum lugar do mundo. E então, repetia o processo de apagá-lo, fingindo que nada sabia.
Naquela eternidade, nunca imaginei um mundo sem você.
Isso simplesmente não fazia sentido.
Segurando o pulso de Alex e curvando seu corpo para cobri-lo, Nathan sussurrou:
— Me desculpe, Alex. Me desculpe, eu, agora eu sei… Me deixe pedir desculpas…
Ele tinha que viver, a qualquer custo.
Havia tantas coisas que não foram feitas. Eu queria ouvir tudo o que você queria dizer, sem perder uma palavra, e depois disso, queria lhe dizer o que eu devia ter dito.
Que eu também gosto de você.
Não, que eu…
— Me deixe dizer que te amo…
Um suspiro longo e profundo caiu pesadamente.
Sim, eu te amo. Esse sentimento tão persistente, tão doloroso, que me faz perder o controle, não poderia ser explicado por nenhuma outra palavra. Dizer “gostar” seria insuficiente. Esse longo sentimento, longe de se dissipar, se aprofundava cada vez mais, sem fim.
Eu amo o Alex.
Dói perceber que só agora estou expressando um sentimento tão óbvio. Uma autoaversão sem fim se espalhava sombriamente. Se Alex morresse assim, não seria estranho se eu matasse aqueles que o fizeram morrer e depois acabasse com a minha própria vida.
No momento em que o sentimento que fervilhava ameaçava consumi-lo, crescendo sombriamente, uma sirene soou alto. Com o rosto pálido, Nathan virou a cabeça.
Luzes vermelhas e azuis se espalharam pelo beco escuro. No beco que estava terrivelmente silencioso, ouviram-se sons de rádio agitados e passos de policiais. Cada segundo parecia uma eternidade, e Nathan pensou por um instante que eles tinham chegado malditosamente tarde.
No entanto, não tinha passado nem cinco minutos.
A equipe médica correu para perto de Nathan. Mesmo vendo as pessoas se aproximando, ele não conseguia se levantar. Sua mão pressionando o abdômen ficou tensa e, ao sentirem as mãos tentando afastá-lo, Nathan recuperou a consciência por um momento. Soltando Alex, Nathan se levantou cambaleando. Suas roupas estavam uma bagunça há muito tempo.
— Se não for familiar, por favor, se afaste.
Com a equipe médica falando com uma expressão séria, Nathan franziu o rosto. Embora fosse algo razoável de se dizer, já que era uma cena de crime, ele sentiu uma hostilidade ardente. Parecia que Alex morreria no momento em que o tirassem de sua vista. Sua garganta estava tão seca que era difícil respirar. Ele pensou que seria menos doloroso morrer.
Mas ele tinha que fazer o que precisava ser feito.
— Sou médico do Royal Hospital. Paciente com ferida perfurante no baixo ventre, inconsciente, mas com pulso e respiração mantidos. Primeiro, peguem uma linha e soro para garantir acesso. Vou me mover para o local onde pegarei a linha.
A equipe médica, que estava prestes a se mover, olhou para trás de Nathan como se confirmasse. Ao virar a cabeça, viu um rosto familiar. Um homem de óculos com cabelos desgrenhados caindo sobre a testa, Matthew Wayne. Alguém de quem ele não gostava desde a primeira vez que o viu. Tirando os óculos molhados pela chuva, o homem disse à equipe médica:
— Obedeçam o que ele diz. Levem-no rápido, rápido!
— O hospital mais próximo é o Royal, então vamos para lá. A cirurgia está toda preparada e já solicitamos sangue para transfusão de emergência no hospital.
Embora com expressões de dúvida, a equipe médica seguiu rapidamente o que eles disseram. Sem tirar os olhos da equipe que se aproximava para transferir Alex cuidadosamente para a maca, Nathan sentiu o cheiro de sangue no ar úmido.
— Detetive, precisamos soltar as algemas.
Outro socorrista, que também verificou o estado do homem ao lado de Alex, disse a Matthew Wayne. O homem ainda parecia estar inconsciente. Alex, deitado na maca, estava algemado a ele, cada um com uma algema.
Matthew Wayne, com a boca firmemente fechada, aproximou-se de Alex. Vendo o rosto com marcas de agressão e as roupas manchadas de sangue, ele fechou o punho e o soltou, então tirou a chave e soltou a algema do pulso de Alex. Em seguida, fixou as algemas nos dois pulsos do homem novamente.
O ar estava pesado. Matthew Wayne, que olhou para o rosto de Alex por alguns segundos, virou-se. Gesticulando para os policiais de plantão, ele gritou:
— Comecem a organizar a cena! Levem este senhor sob custódia separadamente.
Alex foi colocado na ambulância. Nathan, que observava aquilo com o rosto pálido, virou a cabeça. Matthew Wayne estava olhando para ele. Nathan abriu a boca:
— Eu também vou na ambulância. Peçam meu depoimento depois.
Sua voz era firme, sem intenção de ceder. Antes de entrar na ambulância, olhando para suas mãos manchadas de sangue, Nathan desviou o olhar para se acalmar. Voltou o olhar para os policiais que começavam a isolar a área. Cerrando os punhos com as mãos trêmulas, ele repetiu para si mesmo: Alex vai viver. Para que eu possa ver pessoalmente o que Alex realizou, eu o salvarei, não importa o custo.
— Tudo bem.
Matthew Wayne disse. Nathan olhou para ele com surpresa. As gotas de chuva escorrendo em sua bochecha eram mornas.
— O mais importante agora são a Amy Winings e este suspeito. Seu depoimento não é necessário imediatamente. Posso colhê-lo no hospital.
Ele abriu a boca, mas a voz não saiu. Era difícil emitir som com a garganta tão travada.
— Vocês dois não são apenas conhecidos, não é?
Matthew Wayne continuou. Ao ouvir que não eram apenas conhecidos, Nathan se virou para a ambulância e perguntou com os olhos escuros:
— O Alex… disse alguma coisa?
— Não.
Matthew balançou a cabeça. Levantando a mão para passar os cabelos para trás, ele disse calmamente:
— Precisava dizer? Qualquer um pode ver que aquele cara gosta de você.
Essas palavras, ele simplesmente não conseguiu responder.
As evidências estavam por toda parte. A expressão contida e dolorida diante de cada palavra sua, e os olhos que se iluminavam e sorriam com um simples gesto de bondade, eram as provas.
A maneira como ele corava só de ser tocado, como não conseguia nem respirar só porque seus lábios se tocavam, e como, em seus braços, se desmanchava e chorava, soluçando…
Em todos os momentos que passaram juntos, Alex sempre mostrou. Mesmo com palavras de rejeição, ele ficava por perto, tentando dizer algo. O quanto ele gostava de Nathan.
Há muito, muito tempo, Nathan queria gostar de alguém que gostasse apenas dele.
A pessoa que ele esperou a vida inteira esteve ao seu lado desde o início.
Nathan simplesmente não quis encarar.
Levantou a mão. Gotas mornas escorrendo por sua bochecha se acumularam em seu queixo. O tremor que sacudiu seu corpo se transformou em um choro silencioso, que escapou quente sob seus lábios. Levantando a mão gelada, cobriu os olhos. Lágrimas escorriam silenciosamente sob a palma de sua mão que cobria ambos os olhos.
Matthew segurou seu ombro por um instante, depois o soltou e o deixou para trás, indo em direção à viatura. A chuva, cada vez mais forte, levou todo o sangue. Pisando no sangue que escorria, Nathan, com o rosto pálido, caminhou rapidamente em direção à ambulância.
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↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki, Othello&Belladonna